1453 – Jean Garfunkel (SP) homenageia aniversário de Vinicius de Moraes com nova edição do Canto Livro

#MPB #LiteraturaBrasileira #CulturaPopular #ViniciusdeMoraes

O compositor e poeta paulistano Jean Garfunkel fará neste sábado, 16 de outubro, uma apresentação ao vivo a partir das 19 horas no canal de Youtube do projeto Canto Livro. Com cinco discos lançados e músicas gravadas por vozes importantes da MPB como Elis Regina e Zizi Possi, Jean Garfunkel aderiu às “lives” e tem feito apresentações virtuais, formato tão disseminado durante a pandemia da Covid-19. Em cada uma, sem que alguém precise sair de casa, ele nos acalenta com boa prosa, poesia e música. Nesta apresentação, Garfunkel aproveitará para homenagear o aniversariante do mês, Vinícius de Moraes. Farão parte do roteiro crônicas rimadas (gênero presente em seu último livro, Poemania Crônica), poemas e canções de sua autoria que dialogam com a obra de nosso Poetinha- que estará presente com poemas declamados pelo cantor.

O equilíbrio estético entre o canto e a literatura falada, (característica intrínseca do Canto Livro), acentua-se ainda mais neste espetáculo, no qual poesia e música são águas da mesma fonte. .O Projeto Canto Livro de Música e Literatura, criado por Jean e Joana Garfunkel em 2008, apresenta shows temáticos inspirados na obra de grandes autores da Língua Portuguesa. O evento deste sábado, 16, será transmitido pelo canal do Youtube do Canto Livro, podendo inclusive definir um lembrete por meio do linque https://youtu.be/Yij6XpttOEA

Paralelamente ao trabalho com o Canto Livro, Jean Garfunkel tem quatro discos gravados em dupla com Paul Garfunkel, mais 13 Pares e Um Fado Solitário, no qual homenageia treze parceiros com os quais vem traçando sua trajetória musical. É poeta, ator, cantor, compositor e publicitário paulistano e durante mais de dez anos trabalhou como assistente de direção da atriz e diretora Myriam Muniz, além de compor trilhas para teatro. Integra o grupo de estudos sobre a obra de Guimarães Rosa do Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (USP) e realiza oficinas e palestras sobre música e literatura em bibliotecas, livrarias e espaços culturais. Como letrista tem parceiros ilustres tais quais Léa Freire, Sizão Machado, Mozart Terra, maestro Moacyr Santos, maestro Júlio Medaglia e o violonista Yamandú Costa.

Vinicius de Moraes, diplomata, porta e boêmio, um dos mais aclamados músicos do país. em imagem disponível no endereço https://cidadedeniteroi.com/2017/10/28/vinicius-de-moraes-e-cora-coralina-para-criancas/ sem atribuição do crédito ao autor

Marcus Vinicius da Cruz de Melo Moraes nasceu em 19 de outubro de 1913, na cidade no Rio de Janeiro (RJ), filho de Lydia Cruz de Moraes e Clodoaldo Pereira de Moraes e aos 9 anos foi registrado como Vinicius de Moraes. Suas primeiras parcerias, ainda na adolescência, foram feitas com Paulo, Haroldo e Oswaldo Tapajós. Em 1927, com os Tapajós, Maurício Joppert e Moacir Veloso Cardoso de Oliveira, amigos do Colégio Santo Inácio, formou um conjunto para tocar em festas e bailes, segundo Daniela Diana, professora licenciada em Letras que escreveu sobre a história de Vinicius de Moraes para o portal Toda Matéria, em 10 de julho de 2019. Com Haroldo Tapajós, prosseguiu Diana, Vinicius compôs as primeiras canções, Loura ou Morena e Canção da Noite,  essa  com a participação de Paulo Tapajós.

Em 1929, Vinicius tornou-se bacharel em Letras pelo Colégio Santo Inácio e no ano seguinte, ingressou na Faculdade de Direito da Rua do Catete, n cidade do Rio de Janeiro. O primeiro poema publicado de Vinicius de Moraes, A Transfiguração da Montanha, foi editado na revista A Ordem, em 1932, apontou Diana. Somente em 1933, no mesmo ano em que se formou em Direito, foi publicado o primeiro livro do poeta: O Caminho para a Distância (Schmidt Editora).

Já sua segunda publicação, Forma e Exegese, publicada pela editora Irmãos Pongetti em 1935, recebeu o prêmio Felipe de Oliveira, recordou a autora do artigo. Também foi reconhecido pela crítica e obteve comentários elogiosos de Manuel Bandeira e estava em Lisboa acompanhado da primeira mulher e de Oswald de Andrade quando compôs Soneto de Fidelidade, em 1939. O soneto é um dos mais reconhecidos no legado de Vinicius de Moraes. Em 1941, começou a atuar no jornal A Manhã como crítico cinematográfico, conciliando as funções com os estudos para o concurso de ingresso na carreira diplomática, para o que obteve êxito em 1942.

Vinicius conseguiu, ainda, unir a carreira diplomática e os trabalhos no suplemento literário de O Jornal até 1946. Naquele ano, assumiu o posto de vice-cônsul em Los Angeles, nos Estados Unidos da América, para onde viajou com Fernando Sabino. Sempre de acordo com Diana, nos Estados Unidos da América, onde permaneceu cinco anos sem regressar ao Brasil, fez contato com músicos brasileiros como Carmem Miranda e o crítico cinematográfico Alex Vianny. Em um curso de cinema que decidiu fazer em 1947, tornou-se amigo de Orson Welles.

PARCERIAS

Em 9 de julho de 1980, Vinicius de Moraes desencarnou vítima de edema pulmonar. Sua vida amorosa e boêmia foi agitada e subiu ao altar por nove vezes, mas em sua vida as parcerias com outros músicos também geraram casamentos dos mais frutíferos, nos palcos, no cinema e nos estúdios. Entre 1949 a 1951, por exemplo, entrou em contato com expoentes da literatura, como o pernambucano João Cabral de Melo Neto – que contribuiu para a publicação do poema Pátria, e passou a conviver com o chileno Pablo Neruda e o pintor Di Cavalcanti. No regresso ao Brasil, em 1951, voltou a trabalhar na imprensa, desta vez no jornal Última Hora, onde colaborou por meio de crônicas e permaneceu na crítica cinematográfica. Sua antologia poética A Noite contou com a atuação de Manuel Bandeira na organização. No mesmo ano, uma de suas peças mais conhecidas, Orfeu da Conceição, foi premiada no concurso do IV Centenário do Estado de São Paulo e publicada na revista Anhembi. A peça é uma adaptação da obra grega ao cotidiano carioca, que em 1956, ganhou formato de filme como Orfeu Negro, antes de percorrer os palcos do país.

As parcerias com João Gilberto e Tom Jobim se revelaram promissoras em 1959, culminando com a Bossa Nova, movimento estético que renova a música popular brasileira e tem entre seus marcos o disco Chega de Saudade, com composições de Vinicius e Tom, interpretadas por João Gilberto. Em 1964, depois do golpe militar, após um longo período atuando nos trabalhos administrativos do Itamaraty, no Uruguai, Vinicius de Moraes retornou ao Brasil para assumir a função de colaborador da revista Fatos e Fotos do jornal Diário Carioca. Sua canção Arrastão, interpretada por Elis Regina no Festival Nacional da Música Popular Brasileira da TV Excelsior, faz sucesso e até hoje é um ícone da cultura popular. Os festivais dividiram a produção musical brasileira e aquela canção de Vinicius foi eleita a melhor música da edição de 1965. No mesmo ano, com Valsa do Amor que não Vem, ficou com o segundo lugar. A canção foi interpretada por Elizeth Cardoso, que havia gravado Canção do Amor de Mais, considerado o disco precursor da Bossa Nova.

Em momento de intensa produção cultural, Vinicius seguiu para Ouro Preto em 1967, transferido pelo Itamaraty, e na cidade histórica de Minas Gerais organizou um festival de arte. No ano seguinte, por conta da instauração do Ato Institucional n.º 5 (AI-5), leu o poema Pátria Minha, em shows que protagonizou em Portugal, anotou Diana, observando que o protesto resultou na exoneração de Vinicius de Moraes, por ordem do presidente Arthur da Costa Silva.

TOQUINHO, O BEM AMADO

Fora dos serviços administrativos do governo federal, Vinicius vivia agitada agenda de concertos e de produção cultural. Em 1970, iniciou a parceria com o cantor Toquinho, uma das mais conhecidas e criativas de toda sua carreira. Junta, a dupla lançou as conhecidas São Demais os Perigos dessa Vida e Eu Sei que Vou te Amar, em 1972, e nos anos seguintes atuou na produção da trilha sonora de novelas da Globo, como O Bem Amado, além de passar a trabalhar com Edu Lobo.

O último disco de Vinicius, Um Pouco de Ilusão, é de 1980. Ele também compôs, em 1939, um dos mais importantes poemas da poesia moderna, o Soneto de Fidelidade, publicado em 1946. O autor ainda escreveu e ajudou a musicar discos de músicas infantis, em 1970. “Eu talvez não tenha muitos amigos, mas os que eu tenho são os melhores que alguém poderia ter”, disse o Poetinha, um frasista de mão cheia, em certa ocasião. Outro bordão antológico de sua pena é “eu poderia, embora não sem dor, perder todos os meus amores, mas morreria se perdesse todos os meus amigos”. Com ironia, ele destilou que “se o cachorro é o melhor amigo do homem, então uísque é o cachorro líquido”. E sobre o amor cunhou: “Se o amor é fantasia, eu me encontro ultimamente em pleno carnaval”, que é um dos seus versos mais conhecidos e parte da letra de Escravo da Alegria, dele e Toquinho.

Daniela Diana é licenciada em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2008 e Bacharelada em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2014. Amante das letras, artes e culturas, desde 2012 trabalha com produção e gestão de conteúdos on-line.

Visite o linque abaixo e leia mais a respeito de Jean Garfunkel ou conteúdos a ele relacionados aqui no Barulho d’água Música!

https://barulhodeagua.com/tag/jean-garfunkel/

Leia entrevista de Jean Garfunkel concedida ao jornalista Antonio Carlos da Fonseca Barbosa à Revista Ritmo Melodia em

https://www.ritmomelodia.mus.br/entrevistas/jean-garfunkel/

Baixe do linque abaixo pelo Torrent um estojo com 27 álbuns de Vinicius de Moraes:

https://musicaelvaaalma.blogspot.com/2015/05/vinicius-de-moraes-como-dizia-o-poeta.html

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