1465 – Catedral da Sé retoma série acústica Concertos Cripta, gratuitos, no coração de Sampa

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Apresentações de peças clássicas estavam interrompidas devido à pandemia de Covid-19 e marcam o centenário de inauguração das 32 câmaras mortuárias que abrigam Dom Paulo Arns, Regente Feijó e o Índio Tibiriçá, entre outros personagens paulistanos

O projeto Concertos Cripta da Catedral da Sé, situada no marco zero da cidade de São Paulo e que estava interrompido por conta da pandemia de Covid-19, foi retomado em outubro e até o final de novembro oferecerá concertos acústicos gratuitos, previstos para começar às 16 horas, sempre aos sábados. Com lotação máxima de 50% da capacidade do ambiente, a distribuição do ingresso começa  por volta das 15 horas por ordem de chegada até que se preencham os 35 assentos liberados. Pelo linque https://concertoscripta.com.br/ é possível tanto fazer a reserva da entrada, quanto assistir às apresentações de forma virtual. Para o público que for prestigiar as atrações na Catedral, será exigido o uso de máscaras, entre outras medidas de proteção sanitárias.

A série Concertos Cripta é realizada por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Governo Federal, com o patrocínio do Tecnobank e conta com apoio da Catedral da Sé e da Associação de Amigos da Catedral da Sé, com realização pelo Estúdio Centro e Governo Federal, a partir da Secretaria Especial da Cultura, do Ministério do Turismo.

A retomada dos concertos ocorreu em 23 de outubro, com o Nuove Musiche, grupo formado por jovens que apresentam repertório de peças do compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750). Na sequência, o quarteto de violonistas Coletivo Contratempo (Rodrigo Procknov, Felipe Ramos, Piero Quirino e Joe Barbosa) executaram músicas de João Pernambuco, Bach e Thelonious Monk, entre outros.  Para 6 de novembro, estão programadas as passagens pela sala de grupos do Núcleo de Desenvolvimento de Carreira da Escola Municipal de Música Tom Jobim (Emesp); composto por duas sopranos (Line Souza e Joyce Bastos) e um cravista (Bruno Tadeu), o Trio Allium tocará obras de Monteverdi, Purcell, Handel e outros compositores do período Barroco. Na sequência, o Trio Lazúli (Giulia Moura, soprano; Luiza Girnos; mezzo-soprano; e Emily Alberto, pianista) oferecerá peças de Offenbach, Massenet, Brahms e outros.

O salão da cripta  fica a sete metros abaixo do piso da Catedral paulistana, em formato de cruz, e  tem 365 metros quadrados ideais para instrumentos acústicos

A agenda de 13/11 ficou reservada para o Quarteto Ziggy, que reúne Lucas Alvares (viola), Ana Carolina Rebouças (violino), Breno Barone (violoncelo) e Lucas Martins, flautista que cursa Mestrado em Performance na Universidade de Artes de Zurique (Suíça), com os professores Philippe Racine e Haika Lübcke, a partir de bolsa do Cultura Artística. O programa inclui obras de Debussy, Mozart e Dvořák. Em 20/11 o público poderá ouvir a São Paulo Schola Cantorum e, por fim, em 27/11, o Duo Siqueira Lima encerrará a temporada. Duo de violonistas formado por Cecilia Siqueira e Fernando de Lima, o Schola Cantoroum arrebatou o Prêmio Profissionais da Música de 2015, no Brasil, e um ano antes, o International Press Award, nos Estados Unidos da América. Já tocou em algumas das principais salas de concerto do mundo tais quais o Concertgebouw (Amsterdam) e o Lincoln Center (Nova York) e é considerado o duo de câmara de maior prestígio da atualidade e se destaca por músicas que vão do repertório clássico ao popular da América Latina, impressionando as plateias pelo virtuosismo técnico, carisma e perfeito entrosamento.

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HISTÓRIA E ARTE PARA CURAR TORMENTOS

Os Concertos da Cripta, cujo diretor responsável é Camilo Cassioli, têm por objetivo comemorar os 100 anos da inauguração do conjunto de 32 câmaras mortuárias da Catedral da Sé, inauguradas a sete metros abaixo do piso da Catedral em 16 de janeiro de 1919, em formato de cruz, e com 365 metros quadrados. Entre os corpos lá sepultados estão os de personagens fundamentais da história paulista tais quais o Padre Diogo Antonio Feijó (regente do Império do Brasil, entre 1835 e 1837); do índio Tibiriçá (cacique da tribo tupiniquim, que habitava a região de Piratininga na chegada dos portugueses, em 1554), e de Dom Paulo Evaristo Arns (quinto arcebispo de São Paulo, terceiro prelado dessa Arquidiocese a receber o título de cardeal, ex-arcebispo-emérito de São Paulo e ex-protopresbítero do Colégio Cardinalício do Vaticano).

No recorte para esses seis novos concertos, buscamos manter uma variedade de estilos, gêneros e idades dos intérpretes”, afirmou Cassioli. “Como fizemos nas nossas 30 primeiras apresentações, nas quais tivemos, por exemplo, o jovem musicista de 12 anos, Gabriel Ribeiro tocando antes dos consagrados pianistas Clara Sverner e Laércio de Freitas”. Antes da pandemia também houve concertos de Alessandro Penezzi, Caixa Cubo Trio, Pastoras do Rosário, Chico Brown, Maiara Moraes & Salomão Soares, Quarteto Mundana Refugi, Coro Sinfônico de Goiânia e outros.

Além de comemorarem o centenário da cripta (a Catedral foi totalmente concluída em 1954, ano do quarto centenário de fundação da cidade de São Paulo), a série de concertos traz ao público a oportunidade de conhecer um ponto histórico e turístico da maior cidade brasileira, mas quase oculto e pouco visitado, existente no interior de um dos seus cartões postais, possibilitando o acesso às músicas clássica, erudita e popular em um ambiente peculiar, vazado por vitrais (hoje iluminados artificialmente) e ideal para instrumentos acústicos, já que a música se reverbera por igual, prolongando-se por conta dos materiais arquitetônicos usados na construção de tal forma que, independentemente de onde esteja sentado, ouve-se o concerto com a mesma qualidade sonora, sem necessidade de microfones e de outros equipamentos.

Helmo Cesar Facciolli, pároco auxiliar de Cura da Catedral, falando sobre o projeto, comemora a fusão da história com a arte que os concertos promovem, destacando o papel da musica nos espaços religiosos como ideal “para aplacar os tormentos do dia a dia”. Ainda conforme as palavras de Facciolli, “a música é sempre de elevação interior, sobretudo se composta numa harmonia que também permite ao ser humano se harmonizar”.

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