1475- Humberto Zigler (RS) celebra 30 anos de carreira com The Fisherman, primeiro álbum solo

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Disco lançado pela Kuarup é inspirado em pesquisas sobre canções da África e ramificações pelo mundo que se identificam com a música brasileira e New Orleans

O álbum The Fisherman, primeiro trabalho solo do baterista e percussionista gaúcho Humberto Zigler, chegou às plataformas digitais e também em formato físico como mais um lançamento da gravadora e produtora Kuarup; um exemplar foi enviado ao Solar do Barulho pelo querido amigo Rodolfo Zanke, ao qual agradecemos mais uma vez pelo apoio, estendendo a gratidão a toda sua equipe.

Leia mais sobre álbuns da Kuarup ou conteúdos relacionados à produtora e gravadora ao visitar os linques abaixo:

https://barulhodeagua.com/tag/rodolfo-zanke/

The Fisherman nasceu da necessidade de Zigler traduzir as experiências com as múltiplas linguagens vivenciadas ao longo de sua carreira. De uma família de pescadores, o músico começou a se apaixonar pelos ritmos ainda na juventude, tocando em latas de tintas da oficina mecânica onde trabalhava. Das pescarias noturnas durante a infância, das bandas de baile até as apresentações em festivais na Europa, passaram-se mais de 40 anos! Ao dividir o palco por muito tempo com sambistas e músicos de New Orleans (Estados Unidos da América), Humberto Zigler vislumbrou uma conexão primordial com sua ancestralidade, nos tambores primitivos da África.

Iniciou, assim, a sua pesquisa a partir das músicas originárias do Oeste africano e suas ramificações pelo mundo, identificando elementos que estão na base tanto da música tradicional brasileira – o maxixe, o ijexá e o maculelê –, quanto nas músicas tradicionais de New Orleans – o second line e o mardi gras. A partir de um repertório que já vinha sendo apresentado parcialmente em alguns workshops e oficinas, Humberto Zigler resolveu registrar sua pesquisa também em um disco. Em 2018, realizou a pré-produção deste, que definiu o repertório final, iniciando daí uma série de ensaios com dois núcleos fixos de músicos.

O processo de gravação foi realizado em duas fases. A primeira, em julho de 2019, no Estúdio Space Blues (cidade de São Paulo), onde foram trabalhadas quatro das dez músicas que compõem o repertório. Entre elas está a releitura de O Cio da Terra (Milton Nascimento e Chico Buarque), que contou com uma instrumentação para violoncelo e sax-barítono, e também com o encontro da viola caipira de Ricardo Vignini e do piano erudito de Daniel Grajew. Já, na composição Pescador, do próprio Humberto Zigler, foi o canto das lavadeiras que se fundiu ao jogo do berimbau.

A segunda fase foi realizada em seguida, no Estúdio C4 (cidade de São Paulo), quando foram gravadas as músicas restantes. A composição Saci, de Humberto Zigler, teve a participação dos percussionistas Rodrigo “Pirituba” e Thiaguinho Silva, incorporando a tradição da família do mestre Robertinho Silva. I Ain’t my Fault, do baterista Smokey Johnson e Wardell Joseph Quezergue, fez o casamento de dois ritmos: o second line e o samba e contou com a participação de Tom Worrell, considerado um dos principais pianistas de New Orleans. Também Pangeia, de Daniel Grajew, construiu a ponte entre o nosso maculelê e os ritmos do Maghreb, do Oeste africano, destacado pelo percussionista Vinicius Barros, que trouxe uma sonoridade tipicamente marroquina tocando o karcabol.

The Fisherman conta com a participação de 17 músicos, além do próprio Humberto Zigler, que também é responsável pela produção musical e executiva.

1) Saci (Humberto Zigler): Composição que traz a força da cultura indígena em sua melodia, apoiada nos ritmos do ijexá e fundamentada na música de John Coltrane, presente nos improvisos jazzísticos do sax barítono de Denilson Martins. Foi inspirada na base rítmica do berimbau e transposta para a guitarra, tocada com slide, por Léo Duarte. A música de abertura do disco ganha potência com a presença marcante das percussões e traduz a exuberância do folclore brasileiro;

2) It ain’t my fault (Joseph “Smokey” Johnson e Wardell J. Quezergue): Este clássico de New Orleans ganha uma roupagem atual e se mistura ao samba. A cuíca, tocada por Rodrigo “Pirituba”, dialoga com o lendário piano de Tom Worrel, proporcionando um balanço tão contagiante que certamente não deixará ninguém parado;

3) Pangeia (Daniel Grajew): A força do maculelê e dos ritmos do Maghreb se unem ao teclado moderno de Jonas Dantas, criando um tema que proporciona uma viagem por paisagens distantes e separadas pelo oceano e pelo tempo. “Pan”, palavra grega que se traduz por todo ou inteiro e “geia” ou “gea” (Gaia), que significa terra, compõem o título desta música que nos traz o conceito de unidade primordial;

4) Pescador (Humberto Zigler): O jogo da capoeira conduz a abertura desta música, que nos surpreende por sua intensidade tanto nas vozes que se multiplicam, quanto no piano ritmado pelo carimbó de Jonas Dantas, atirando-nos em ondas de um mar selvagem e ancestral, que remete ao canto das lavadeiras e à obra singular de Dorival Caymmi. Os versos desta música são um chamado para todo aquele que se arrisca nos mistérios profundos da vida.

5) Tacho (Hermeto Pascoal): A composição do genial Hermeto ganha uma nova introdução com a música incidental Chamada de Aricury, presente na obra Missão de Pesquisas Folclóricas, de Mario de Andrade. A percussão polifônica de Vinicius Barros faz o contraponto perfeito com o baixo percussivo de Joseph Oliveira, amalgamado pela bateria forte e precisa de Humberto Zigler. Um verdadeiro agradecimento a dois dos principais alicerces da cultura brasileira. Viva Mário! Viva Hermeto!

6) Trem da vida (Humberto Zigler): A interpretação da cantora Maria Alvim nos mantém em suspensão, com a sensação de caminhar sobre nuvens, tornando esta música ainda mais delicada. A roupagem jazzística com piano, baixo acústico e bateria conduz a canção com sutileza e nos leva a refletir sobre esse sublime momento que é o nascimento de um filho.

7) O cio da terra (Milton Nascimento e Chico Buarque): Esta música, que também foi eternizada nas vozes de Pena Branca e Xavantinho, tem um arranjo riquíssimo que passeia nas raízes da música latino-americana. A introdução de viola caipira, tocada de forma inusitada por Ricardo Vignini, encontra o violoncelo que faz a ponte com o piano erudito. A faixa se amplifica, ganhando vigor e dramaticidade e nos remetendo a um encontro titânico entre Heitor Villa-Lobos e Astor Piazzola; o arranjo nesta canção, na releitura de Zigler remete, ainda, a outras duas composições de Milton Nascimento (ambas, agora, com Ronaldo Bastos): Cais e Um Gosto de Sol, integrantes do lendário álbum Clube da Esquina (1972), que Bituca gravou com Lô Borges.

8) Zumbi (Jonas Dantas): Gravada com uma formação em trio, a música nos leva para uma atmosfera dos improvisos de jazz: piano, baixo e bateria dialogam buscando conquistar novas paisagens sonoras, remetendo aos trios de jazz dos anos 1960, quando as composições conquistaram uma maior liberdade.

9) Yeah, you’re right (Joseph Modeliste, George Porter, Art Neville, Leo Nocentelli): Releitura da música, tocada pelo lendário grupo de funk The Meters, que coloca em cena o organ hammond de Luciano Leães e o balanço das percussões de Thiaguinho Silva, Rodrigo Pirituba e Humberto Zigler. Por coincidência (ou não), foi gravada justamente no dia da morte de Art Neville, fundador do The Meters e músico de New Orleans,  ganhador de três Grammy e tocou com artistas como Paul McCartney e Dr. John, entre outros. Yeah, you’re right é uma faixa cheia de swing e alegria, que traz o tempero do verdadeiro funk presente nas pistas de dança dos anos 1970.

10)Tao (Humberto Zigler): Este solo de bateria, inspirado nas percussões do Oeste africano, foi concebido sob a ideia do Tao, círculo no qual se unem as forças oposta da natureza: criação e destruição, guerra e paz, nascimento e morte. Ele diz desse mistério que age através dos tempos e para além do tempo. Tao encerra o disco com um instigante final que se liga ao início da primeira música, fechando um ciclo que se renova a cada audição.

Com 30 anos de carreira, Humberto Zigler é um dos bateristas mais requisitados de São Paulo. Vindo de uma família de pescadores, conheceu a música por meio dos tios e não tardou a se tornar um apaixonado pelos ritmos. Logo passou a tocar na noite de Florianópolis, em bandas de baile e grupos de samba. Na mesma época, aperfeiçoou-se na bateria com o mestre Kiko Freitas. Em 1999, fixou residência em São Paulo e trabalhou como professor em várias ONGs e no projeto Guri (Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo).

Ao longo dos anos, desenvolveu as mais diversas linguagens musicais em inúmeras gravações e shows. Na música brasileira, já tocou com artistas como: Ângela Maria e Cauby Peixoto (shows e gravação do disco A Bossa de Cauby Peixoto), Arlindo Cruz e Sombrinha, Alaíde Costa, Patrícia Marx, Carlos Navas, Daniel Grajew, Claudete Soares, Claudia Telles e Fafá de Belém. Com Mafalda Minnozzi, além das apresentações, gravou o DVD Live in Itália. Com Corina Magalhães, o álbum Tem Mineira no Samba, indicado ao Grammy Latino de 2016 na categoria Melhor Álbum de Samba/Pagode. Em 2020, gravou com Tuia e Elba Ramalho a canção Céu e participou do álbum de Juca Novaes. Também no cenário do rock pop nacional tocou com O Terço (formação original), Sérgio Hinds, Rainer Pappon, Daniel Daibem, Marcio Tucunduva, Folk na Kombi (shows e gravação do DVD com participação de Zé Geraldo e Teatro Mágico), entre outros.

Humberto também tem grande atuação no cenário do blues e do rock. Gravou e acompanhou nomes como J.J. Jackson, Nuno Mindelis, Marcos Ottaviano, Sérgio Duarte, Celso Salim, Bia Marchese, Flávio Guimarães, Igor Prado, Amleto Barboni, Tritono Blues, André Youssef, Filippe Dias, Blues Beatles, Steve Guyger, Sax Gordon, Curtis Salgado, Kenny Brown, Gary Brown, Deacon Jones, Andy Just (Ford Blues Band), Marty Sammon, entre outros. Já marcou presença nos principais festivais de blues do país e também se apresentou na Itália, Croácia, Hungria, Romênia, Eslovênia, Áustria, Angola e Portugal.

Atualmente, além do seu trabalho solo, Humberto Zigler vem ministrando oficinas e workshops e participa de vários projetos como: Beatles Para Crianças (BPC), André Youssef Trio, Ari Borger Trio, Tritono Plays Ray Charles, Vanda and The Youngs, Side Trio, Jonavo Revoada Acústica, além de acompanhar vários artistas. 

ADEN POWELL, RENATO TEIXEIRA, NEY MATOGROSSO.

Especializada em música brasileira de alta qualidade, o acervo da produtora e gravadora Kuarup concentra a maior coleção de Villa-Lobos em catálogo no país, além dos principais e mais importantes trabalhos de choro, música nordestina, caipira e sertaneja, MPB, samba e música instrumental em geral, com artistas como Baden Powell, Renato Teixeira, Ney Matogrosso, Wagner Tiso, Rolando Boldrin, Paulo Moura, Raphael Rabello, Geraldo Azevedo, Vital Farias, Elomar, Pena Branca & Xavantinho e Arthur Moreira Lima, entre outros.

Além desta eclética galeria de cantores e duplas cujos trabalhos já lançados formam o acervo de álbuns, também é possível ao internauta que visita o portal da Kuarup, entre outras atividades no campo da produção cultural, saber pela guia Notícias as novidades que estão chegando para reforçar este precioso catálogo e, ainda, ouvir 52 seleções de músicas disponíveis na plataforma Spotify (playlists) apresentadas por temas e recortes dos mais diversificados, revelando a riqueza de sonoridades e de gêneros que a empresa guarda. Uma das preferidas aqui na redação do Barulho d’água é Nova Geração Kuarup (clique no nome da lista para ouvi-la). 

www.kuarup.com.br/ Telefones: (11) 2389-8920 e (11) 99136-0577/ Rodolfo Zanke rodolfo@kuarup.com.br

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