1498 – João Ormond lança novo álbum e leva ouvinte em viagem poética pelo rio que corre ao contrário e pega carona para chegar ao mar

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Tietê – Rio dos Sonhos é amarrado por lindos versos e poesias em forma de canção com o intuito de emocionar do começo ao fim quem o ouvir

Está disponível desde 14 de janeiro nas plataformas digitais Tietê – Rio dos Sonhos, o mais recente álbum do cantor e compositor João Ormond, mato-grossense de Arenápolis residente em Jundiaí, no Interior paulista. Composto por dez canções inéditas, com parcerias novas e de longa data do autor tais como Paulo Simões, Divino Arbués, Pescuma Morais, Chico Lobo, Clemente Manoel, Zé Geraldo, Amauri Falabella e Milton Bezerra, Tietê: Rio dos Sonhos é amarrado por lindos versos e poesias em forma de canção com o intuito de emocionar do começo ao fim quem o ouvir. O disco, comentou ainda Ormond, deriva da gravação de um audiovisual inédito, com o mesmo nome, produzido com apoio do ProAc do governo do estado de São Paulo

Ormond procurou uma costura histórica para transportar o ouvinte em uma viagem emocionante até o Arraial do Senhor Bom Jesus de Cuiabá pelas águas do Rio Tietê, cujo curso nasce a 22 quilômetros do Oceano Atlântico em Salesópolis, na Grande São Paulo (SP), dentro do Parque Nacional da Serra do Mar. Diferentemente dos outros rios, o Tietê, que também já se chamou Anhembi, adentra ao Interior do estado paulista e flui por 1.100 quilômetros banhando São Paulo de Leste a Oeste até se encontrar com o Rio Paraná. É apenas neste ponto do trajeto que começa sua jornada rumo ao mar, por isso, o Tietê é chamado de “rio do contrário”. Via de chegada dos bandeirantes ao sertão brasileiro, o Tietê é cantado de uma forma lúdica por Ormond, mas ao mesmo tempo ele chama a atenção para a triste situação da degradação do rio, sua contaminação por poluentes, esgotos etc. “Como mato-grossense da gema, quis contar, cantar esse histórico laço afetivo entre Mato Grosso e São Paulo, reforçando, valorizando a manutenção, a sustentabilidade das identidades culturais e ambientais, que são de suma importância para a vida social dessas regiões – Centro Oeste – Sudeste”, observou Ormond.

O audiovisual que gerou Tietê – Rio dos Sonhos foi gravado no aconchego do inverno paulista de 2021, em meio de uma inspiradora plantação de juçara, próximo à Serra do Mursa, em Várzea Paulista (SP), em plena pandemia de Covid 19. Todos os cuidados e recomendações sanitárias foram obedecidos pelos envolvidos no projeto que incluiu Rafael Cabello (acordeon), Luís Carreiro (violão), Gabriel Nanni (baixo) e Cássio Soares (bateria).

INFLUÊNCIAS BANHADAS PELO PARAGUAI

João Ormond é compositor, pesquisador e historiador formado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Há muito tempo decidiu fixar residência em Jundiaí (SP) com o intuito de levar a música de raiz pantaneira a outros cantos do país. Sua obra é uma das mais expressivas revelações da paisagem poético-musical do Mato Grosso, pois revela uma hibridação de sons e composições que sintetizam o que há de mais fino na chamada música popular brasileira (MPB), arranjada no choro lírico da viola de pinho – não deixando esquecer, assim, aquilo que bem registrou o sociólogo e crítico literário Antonio Cândido: que o lençol caipira brasileiro partiu de São Paulo e se estendeu até as terras mato-grossenses.

João Ormond cresceu próximo à nascente do Rio Paraguai e neste ambiente teve contato com vários músicos familiares e com ritmos como polca, toada e modinhas típicas da terra que para ele formam uma herança ancestral. Em 1980 já cantava na noite cuiabana, seu ponto de partida para abrir as portas na Capital do estado. Ao avançar na estrada, também se aproximava mais da cultura que o formou e do estilo que classifica como “alternativo” e “old music”.

Tenho um trabalho regional, sou um dos poucos que faz o que chamo de ‘old music’”, disse Ormond ao MT Notícias, em julho de 2020. “Essa comunidade de música alternativa não está na grande mídia, é um mercado no qual não conseguimos entrar, só mesmo se tiver muito patrocínio”, completou o músico que com um ponteado ímpar e harmônico mostra a mistura da música cabocla com a música popular brasileira, destacando a viola como instrumento polivalente e universal; tocando modas e toadas, chamamés e guarânias, ritmos da fronteira mato-grossense.

A discografia de João Ormond agora enriquecida com Tietê – Rio dos Sonhos e que no segundo semestre de 2020 ganhara Cantos do Mato (em parceria com Divino Arbués) tem como ponto de partida Rio Abaixo, lançado em 1997, prenunciando uma trajetória musical cada vez mais definida e madura com o passar dos anos. O segundo disco, Capins e Riachos (1999) desembocou no fluxo dessa hidrografia musical e levou a Reduto de Violeiro, o terceiro, de 2001. Deste trabalho, indicado  ao prêmio Caras de Música (categoria melhor CD Regional) Leci Brandão gravou Lá no Sertão, o que marca, definitivamente, a intimidade de Ormond com a viola caipira e um estilo que aparece em traços mais e mais expressivos.

Já em 2004, Ormond lançou Viola Encantada, um sólido cadinho no qual se misturam e se condensam iguarias da musicalidade e da poética característica da cultura brasileira, além de contar com a participação especial de Pena Branca, irmão de Xavantinho. Muito Longe Rio Acima (2008) destaca a riqueza da música raiz dos pantaneiros, além da sintonia poético-musical entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul retratada na parceria com Paulo Simões, que também é coautor de vários sucessos com Almir Sater. Em 2009, Ormond dedicou-se à musica instrumental em um álbum intitulado Pantanais, cujas faixas apresentam uma coletânea refinada de chamamés e guarânias.

O sétimo rebento veio em 2012 e chama-se Quariterê: trata-se de homenagem à rainha negra do Pantanal, Tereza de Benguela, um trabalho que mostra de forma sintetizada toda a beleza poético-cultural e histórica do Pantanal.

PANTANEIRO NO FORRÓ

Em 2014, Ormond decidiu valorizar a cultura nordestina em Tem Viola no Forró, de modo criativo e inovador ao tocar forró, arrasta-pé e xote com a viola caipira; o encarte gráfico reverencia o renomado artista plástico e xilogravurista pernambucano Severino Borges. A mesma temática está em Tem Viola no Forró 2, de 2018, que antecedeu Pote di Oro, em 2019.

Fora os discos autorais já gravados, Ormond participa de várias coletâneas e compôs singles como Eu Nasci com Asas, gravado em 2020 em parceria com Zé Geraldo (MG). Nesta canção ambos abordam a saída das terras natais para alçarem novos voos, cantando letra do próprio Ormond, Clemente Manoel e Adolfo Mizuta. Em setembro lançou Absinto das Paixões nas plataformas digitais, parceria dele e Zebeto Correa, com Ana Rafaela, gravado no Morro Crista do Galo, na Chapada dos Guimarães. Ainda naquele mês, a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa e o ProAc, lançou o audiovisual Tietê – Rio dos Sonhos como parte da plataforma #CulturaemCasa. Quariterê, faixa do álbum homônimo, integra a coletânea do 8º Prêmio Grão de Música, disponível nas plataformas digitais entre as 15 músicas de artistas brasileiros que em 23 de novembro receberam em São Paulo o troféu do Prêmio Grão de Música 2021. “Esse prêmio veio a coroar esse disco que é bem pantaneiro. A gente fica feliz porque vê que as sementes que estamos plantando estão crescendo, virando frutos e logo, em breve, serão árvores”, declarou Ormond ao MT Notícias.

Para 2022, João Ormond além, de voltar aos palcos circulando Brasil afora, planeja outros projetos musicais como a gravação de um novo single e clipe com João Carreiro e outro com Zé Geraldo. Está em preparação a gravação de mais um audiovisual, Eu Nasci com Asas, resultado do Prêmio por Histórico de realização em Música, da Secretaria de Economia criativa do Estado de São Paulo.

Saiba mais sobre João Ormond em:

https://www.joaoormond.com.br/ Instagram: @joaoormondoficial

youtube/joaoormondoficial

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