1502 -Banda Dons Maria (MG) lança Tuas Cores, um grito contra o preconceito e a perseguição aos transexuais e outras minorias*

#MPB #CulturaPopular #PoçosdeCaldas #Tolerância #Diversidade #Respeito

*Com Chiara Carvalho

Álbum com oito faixas está disponível nas plataformas digitais desde 29 de janeiro, um dia que é de luta deste segmentos da população há 14 anos, mas segue ignorado pela sociedade e pelos governos do país

O Dia da Visibilidade Trans no Brasil, comemorado sempre em 29 de janeiro, em 2022 ficou marcado pelo lançamento em todas as plataformas digitais de Tuas Cores, primeiro álbum da banda Dons Maria, formada pelos músicos sul mineiros da cidade de Poços de Caldas Tine TagaGuilherme Reche e João Vitor Junqueira. Juntos, eles dividem as oito faixas autorais selecionadas para este disco de estreia cuja sonoridade se destaca pelo diálogo com a cultura musical brasileira e também tem como referência a obra de artistas mineiros, além dos arranjos e da qualidade da equipe envolvida, responsável por criar canções autorais pautadas em letras elaboradas para suscitar reflexões sobre questões de gênero, diversidade, mulher, política, amor e arte.

A banda Dons Maria enaltece ações e posturas norteadas por tais temas que buscam ganhar projeção e apoiadores pela voz de Tine Taga, travesti e propagadora dos ideais de liberdade e valorização da diversidade, causa que os demais integrantes também abraçam e que estão entre as bandeiras sociais e culturais correlatas de ambos. Assim, a escolha do dia do lançamento, 29 de janeiro, foi pensada para celebrar a existência, a resistência e a luta por reconhecimento das pessoas travestis, transexuais (homens e mulheres trans) e não-binárias (termo que se refere às pessoas que não se percebem como pertencentes exclusivamente a um gênero, isto é, sua identidade de gênero e expressão de gênero não são limitadas ao masculino e feminino).

A transfobia, a falta de oportunidades, a rejeição e a impunidade para executores ou mandantes de atos violentos contra pessoas trans ainda são fortemente tolerados por expressivos setores da sociedade contemporânea, ecoam nos governos e bancadas que não dão tréguas em suas ações persecutórias, atacam conquistas e avanços obtidos com resistência e organização e adiam, por exemplo, as suas regulamentações na forma da lei e de políticas públicas que possam levar à tomada de consciência.

Vale lembrar que o tema até já foi enfocado em rede nacional, tirado das sombras pela novela A Força do Querer, de Glória Peres, levada ao ar em 2017 e reapresentada em 2021 pela Rede Globo de Televisão e com um papel brilhantemente protagonizado pela atriz Carol Duarte na pele de Ivana/Ivan. Contudo, o Dia Nacional da Visibilidade Trans, por exemplo, ainda coloca em foco a importância da luta pela garantia de direitos básicos como o de que todas as pessoas tenham sua identidade reconhecida e respeitada da forma que melhor se sentem sem seus próprios corpos. E serve também para nos lembrarmos de que trans sofrem violência no Brasil cotidianamente, e por isso, a mobilização delas e dos seus simpatizantes não permite tréguas, e precisa ser pautada sempre. Esta é a mensagem da Dons Maria para que todos respeitemos a diversidade.

“Protagonizar quatro faixas do álbum tem um significado muito especial para mim, para mostrar meus desabafos e meu trabalho como artista, para que mais pessoas trans e travestis possam ocupar espaços onde tenho a sorte de ocupar hoje”, observou Tine. “No Sul de Minas, no cenário da música atualmente, acredito que, com muito apoio, estou construindo um legado de extrema importância quando o assunto é diversidade de gênero, garantindo a visibilidade de ‘corpos dissidentes’.”

Guilherme Reche e João Vitor também ressaltam a importância de que a música tenha este espaço de liberdade. E se lembram de que a produção musical autoral sul mineira a cada dia ganha mais qualidade no mercado, o que gera a necessidade de que mecanismos sejam criados para que estes trabalhos possam chegar mais abrangentes e vencerem preconceitos.

Assinado pelo produtor musical Deivid Santos, Tuas Cores têm produção executiva de Chiara Carvalho. A direção de arte coube a Paulo Tothy, que entre outras ações, foi o responsável pela criação da identidade da capa do álbum, que traz entre seus elementos uma pintura criada exclusivamente pelo artista visual poços-caldense Tibor.

Dons Maria faz parte do selo Carvalho Cultural, e atualmente conta com o apoio da banda base formada pelos músicos Breno Oliani (baixo), Danilo Abreu (percussão) e Guilherme Guerriero (bateria). A produção do álbum foi viabilizada com recursos da Lei Aldir Blanc no âmbito do estado de Minas Gerais, com o apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e do Governo Federal, através da Secretaria Especial da Cultura/Ministério do Turismo.

GRÁFICO DA VERGONHA

A data dedicada ao Dia Nacional da Visibilidade Trans surgiu no dia 29 de janeiro de 2004, quando foi organizado, em Brasília, um ato nacional para o lançamento da campanha Travesti e Respeito sob o slogan “Travesti e respeito, já está na hora dos dois serem vistos juntos: em casa, na boate, na escola, no trabalho, na vida”. O evento foi um marco na história do movimento contra a transfobia.

O termo trans refere-se aos travestis, transexuais e demais grupos que possuam uma identidade, papel ou expressão de gênero em não conformidade com o que lhes foi designado biologicamente quando nasceram. Apesar de 14 anos já terem transcorrido, números de mapas da violência contra travestis, transexuais e transgêneros no Brasil ainda refletem a necessidade desta data ser fortalecida e passar a merecer campanhas e atenção, por exemplo, como as comuns no Setembro Amarelo e o Outubro Rosa, em cujos respectivos meses há várias iniciativas de combate e prevenção ao suicídio e ao Câncer de Mama, inclusive em escolas e órgãos públicos das três esferas de governo.

Números da violência contra pessoas trans no Brasil em 2021 | Antra

O Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. A expectativa de vida de uma pessoa trans no Brasil é de apenas 35 anos e, entre outros índices alarmantes, 90% das mulheres trans no Brasil acabam se prostituindo. Diante desse cenário devastador contra uma população invisibilizada e em condição de vulnerabilidade, às lutas contra toda forma de preconceito e opressão preconizam um mundo onde inexistam discriminação e se garanta a segurança dessa parcela da população. Em 2021, o Dossiê Assassinatos e Violências Contra Travestis e Transexuais Brasileiras, elaborado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), com apoio de universidades como a Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Federal de São Paulo (Unifesp) e Federal de Minas Gerais (UFMG) apontou que 140 assassinatos de pessoas trans no Brasil. Deste total, 135 tiveram como vítimas travestis e mulheres transexuais e cinco homens trans e pessoas transmasculinas.

Apesar dos números inferiores aos registrados em 2020, quando a estatísticas informaram 175 assassinatos de pessoas trans, o Brasil continua sendo o país onde mais pessoas trans são assassinadas em todo o mundo. São Paulo foi o estado com mais homicídios (25), seguido por Bahia (13), Rio de Janeiro (12), além do Ceará e Pernambuco (11). Também houve dois casos de assassinatos de brasileiras trans em outros países, um na França e outro em Portugal.

Mesmo com todos os esforços, os dados coletados não permitem traçar perfis completos das vítimas, ponderou a Antra. Dos 100 assassinatos com informações sobre a idade, 53% tinham entre 18 e 29 anos; 28% entre 30 e 39 anos; 10% entre 40 e 49 anos; 5% entre 13 e 17 anos e 3% entre 50 e 59 anos. Quanto à raça, 81% das vítimas se identificavam como pretas ou pardas, enquanto 19% eram brancas.

Profissionais do sexo são as principais vítimas – 78% das pessoas mortas identificadas no estudo. Segundo a Antra, esse perfil majoritário das vítimas revelou que elas são “empurradas para a prostituição compulsoriamente pela falta de oportunidades, onde muitas se encontram em alta vulnerabilidade social e expostas aos maiores índices de violência, a toda a sorte de agressões físicas e psicológicas”. Outra constatação: pessoas trans estão entre as mais impactadas pela pandemia de Covid-19. Esse grupo enfrenta muitas dificuldades acesso a auxílios governamentais e para conseguir emprego.

O QUE É TRANSFOBIA

O estudo da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) aponta ainda para a falta de ações dos governos no combate à violência contra trans. No Brasil, a transfobia é um crime de racismo. 

Para Bruna Benevides, coordenadora do dossiê, são considerados comportamentos transfóbicos “quaisquer atitudes inferiorizantes, degradantes ou humilhantes que pode ou não incluir agressões físicas, verbais, simbólicas, materiais, patrimoniais e/ou psicológicas manifestadas com o intuito de violar direitos, negar acesso ou dificultar a cidadania, coibir a livre expressão de gênero, assim como a de negar o reconhecimento da autodeclaração de gênero de travestis, transexuais e demais pessoas trans, quando sua identidade de gênero for um fator determinante para essas violências ou violações, seja por ação direta ou por omissão“.

O endereço das fontes disponíveis na internet utilizadas como apoio para esta atualização estão informadas abaixo. O selo com a frase “Respeito Transforma o Mundo” é uma recriação do Barulho d’água Música a partir da ilustração que pode ser conferida em https://i2.wp.com/www.cressrj.org.br/wp-content/uploads/2017/02/Cartaz-Trans-GEDS-WEB.gif?fit=595%2C842&ssl=1

https://antrabrasil.org/category/violencia/

https://www.ofuxico.com.br/noticias/a-forca-do-querer-drama-de-ivana-continua-atual-e-representa-comunidade-lgbtqi/

https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Comportamento/noticia/2021/05/o-que-e-genero-nao-binario-e-como-usar-linguagem-neutra-no-dia-dia.html

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