1518- Clayton Prósperi (MG) lança Cativo, com participação de Toninho Horta, Marco Lobo, Teco Cardoso e músicos sul-mineiros*

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Trabalho celebra  a trajetória do pianista e compositor trespontano, com formação clássica e influências do rock ao jazz e popular; disco ainda conta com os prestigiados instrumentistas Walmir Gil e Enéias Xavier e com a cantora Sarah Abreu 

*  Com João Marcos Veiga

Sem título-2As audições matinais que promovemos aos sábados aqui no Solar do Barulho, redação do Barulho d’água Música, na Estância Turística de São Roque (SP),  transportou-nos neste dia 9 de abril por paisagens da Serra da Mantiqueira por meio do álbum Cativo, que o compositor e pianista Clayton Prósperi lançou ontem, 8. Cativo  reúne temas autorais e traz participações de Toninho Horta, Teco Cardoso, Marco Lobo, Ismael Tiso, Sarah Abreu, Enéias Xavier, Walmir Gil, do arranjador Rafael Martini, entre outros músicos da rica cena do Sul de Minas. Para quem quiser conferir, o  disco está disponível nas plataformas digitais e chegou para celebrar a trajetória do artista de Três Pontas (MG), instrumentista integrante de prestigiados projetos na carreira e gravado por Milton Nascimento (Eu Pescador), com quem fez a turnê do álbum E a gente sonhando, indicado ao Grammy Latino de 2011. O disco é um lançamento da Embornal Records, selo independente trespontano.

Quando você vai gravar seu disco?” Com a carreira já consolidada e respeitada como instrumentista, essa pergunta passou a ser cada vez mais recorrente no dia a dia do pianista. Como bom mineiro, ele maturou e construiu o trabalho com calma, em três anos entre estúdio e finalizações. O difícil momento de pandemia de Covid-19, de fechamento e reclusão, perpassa o título da faixa que deu nome ao disco: Cativo. Mas a palavra também traz o sentido de fascinar, de estimular a contemplação sensível e poética. E essa é uma das marcas do trabalho e da personalidade musical de Prósperi

Os temas trazidos ao disco percorrem diferentes momentos da carreira do músico – de canções feitas na juventude até inspirações e parcerias mais recentes. “Selecionei as composições que, acredito, traduzam melhor minha essência”, afirmou Clayton Prósperi. De modo geral, as gravações se dividiram entre duas cidades mineiras, cada qual contando com uma formação base. Em Alfenas ele esteve ao lado do baterista Eduardo Sueitt  e do baixista Dedê Bonitto. Já em Belo Horizonte, o entrosamento do pianista se deu com o baixista Enéias Xavier e com o baterista Victor Mendes. “Depois vieram todos os complementos de vozes, vocais e instrumentos em cima dessas bases gravadas ao vivo”, observou o autor. “Isso a meu ver trouxe mais organicidade e calor ao som. E claro, todos os participantes colocaram um pouco de si em suas participações, que só acrescentaram brilho e luminosidade ao processo.”

Sarah Abreu canta Inquietude no álbum de Prósperi (Foto: Mario Revirei)

De forma natural, as faixas acabam por apresentar estas duas cenas musicais por onde Prósperi circula: uma a partir da Capital mineira, dividindo gravações com instrumentistas de renome nacional, e outra do Sul do Estado, berço de uma produtiva e talentosa geração contemporânea. “O momento para a nova música mineira se reabre gloriosamente e me sinto muito feliz e honrado por fazer parte disso”. Ao longo do álbum, notam-se referências marcantes do Clube da Esquina e do rock a Tom Jobim, de Ivan Lins a Dori Caymmi, de Villa-Lobos a Egberto Gismonti. O compositor, no entanto, bebe nessas fontes para alcançar uma música nova, vibrante, lançando mão de composições e arranjos que abolem fronteiras.

APURO E DOMÍNIO INSTRUMENTAL

A faixa da abertura, Caminhante (parceria com Talis Júlio), é uma síntese disso. O piano dinâmico e arpejado, com sintetizadores e percussão, culmina em envolvente abertura de vocais (com participação de Tutuca e Talles Prósperi) e solo do guitarrista David Santos. Vinheta da Quietude deixa clara a formação clássica em piano, com direito a violoncelo de Leonardo Castilho. A faixa, de caráter erudito, se funde a Inquietação (letra de Edson Penha), composta especialmente para a participação da cantora Sarah Abreu, amparada pelo violoncelo de Castilho e pelo bandolim de Leonardo Chalana. 

Samba em Sete é o retrato do apuro e do domínio do instrumental contemporâneo pelo pianista, numa gravação que recebeu a guitarra de Ismael Tiso, percussões de Marco Lobo e vocais da filha, Mariana Prósperi. Todas as faixas do álbum têm arranjos de Clayton, com exceção de Cativo, para o qual convidou Rafael Martini, colega dos tempos de graduação em Música na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), conduzindo um sofisticado quarteto de cordas (formado por membros da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais). A refinada balada ainda tem solo do prestigiado trompetista Walmir Gil.

Em Feira da Fé, Clayton convidou o grupo Compasso Lunnar, que integra desde 2017 ao lado de Fernando Marchetti (bateria); Ismael Tiso (guitarra); e Tutuca (baixo). O Compasso Lunnar se destaca desde então em festivais e gravações e traz o seu visceral e criativo progressivo mineiro, de caráter autoral. De Mar e Drummond revista um tema premiado de Clayton, com lirismo e poesia que contam com o violão de Maurício Ribeiro. A faixa Conta tem duas participações de peso: do percussionista Marco Lobo e de Toninho Horta. Além da clara admiração pelo guitarrista vencedor do Grammy Latino 2021, Clayton guarda a memória afetiva do período em que Horta morou em Três Pontas e ia tomar café na firma onde o adolescente trabalhava como office boy, já naquela época fã de discos como Terra dos Pássaros. Posteriormente, ambos chegaram a dividir o mesmo palco. Hora Senhora, que fecha o disco, exala brasilidade, recebendo a flauta de Teco Cardoso

Capa do álbum a partir de pintura original da artista plástica Leonora Weissman

Cativo traz a identidade visual de Leonora Weissman, a partir de pintura original da artista plástica. As imagens refletem um pouco do próprio álbum: a serenidade de um trabalho maduro e consistente, mas com o frescor de um artista inquieto, de talento e influências múltiplas em sua palheta musical. Nas palavras do guitarrista Fredera, que também assina texto no encarte, “como quem gira um caleidoscópio, Clayton parece exportar aquelas visões lindas, quase alucinantes, para suas tão impressionantes composições. […] Melhora o mundo em que estamos”. Fazer da música algo que contribua para o bem-estar das pessoas é um dos objetivos principais do artista neste seu primeiro álbum solo. Cativo, sem dúvida, cumpre tal objetivo, pois “a música de Clayton é delicada, refinada, cativante, mas é sobretudo bonita, muito bonita”, conforme as palavras de Pasquale Cipro Neto, professor, em texto de apresentação do disco..

Natural de Três Pontas (MG), Clayton Prósperi tem formação em piano clássico pela Universidade Federal de Minas Gerais. É professor dos conservatórios de Três Pontas e Varginha e já recebeu prêmios em inúmeros festivais da canção. Foi finalista do Prêmio Visa edição Compositores, de 2000 e é instrumentista requisitado para gravações de gêneros diversos, do rock ao jazz e MPB, além de integrante do grupo Compasso Lunnar e pianista/diretor musical do espetáculo De Coisas que Aprendi com Elis. Em 2011, integrou as gravações e a turnê nacional do álbum E a gente sonhando, de Milton Nascimento, no qual teve sua música Eu Pescador (parceria como Haroldo Jr.) gravada junto ao cantor neste al trabalho indicado ao Grammy Latino. 

Marcelino Lima é jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo em 1991, atuou como repórter, editor e revisor dos mais importantes jornais de Osasco e região,  em diversas coberturas da área esportiva, cultural, política e sindical, em assessoria de imprensa para várias entidades e prefeituras, além de campanhas eleitorais. Também é fotógrafo e há oito anos coordena as publicações do Barulho d’água Música. Para contribuir com o blogue, deposite qualquer quantia no PIX 04992937896 ou 992590769.

 

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