1519 — Áureo Lopes (MG) reúne talentosos instrumentistas da cena mineira e revisita a sonoridade dos anos 1970 em Outras Esquinas*

#MPB #MúsicaInstrumental #MúsicaMineira #Jazz #Soul #MinasGerais #Itabirito

*Com Luciana Braga

“Só tem cachorro grande nesta parada!”

O baixista Áureo Lopes está estreando como compositor e arranjador de temas instrumentais em Outras Esquinas, álbum com nove faixas disponibilizado ontem, 9 de abril, em todas as plataformas digitais. Neste trabalho, Lopes comprova tanto a sua maturidade, quanto a afamada qualidade da música produzida em Minas Gerais, acompanhado por um time de nomes reconhecidos. Outras Esquinas revela, ainda, sua notável habilidade na criação de melodias e harmonias e sua elegância na interação com os outros instrumentistas – no modo – discreto de atuar como baixista e bandleader: o baixo não é predominante, mas equivalente aos outros instrumentos.

Quis fazer um disco de compositor e não um disco ‘de baixista’”, afirmou Áureo Lopes. “Quem ouvir Outras Esquinas perceberá que não tem nenhum baixo em primeiro plano, ofuscando os outros instrumentos”. O músico contou ainda que neste trabalho quis privilegiar as composições, os arranjos e as sonoridades que o grupo produziria. O núcleo de Outras Esquinas reúne Gustavo Figueiredo (piano, teclado e colaboração nos arranjos); Lincoln Cheib (bateria); Amauri Ângelo (violão de nylon e guitarra); Áureo Lopes (baixo e vocal) e conta com as participações de Tadeu Franco (em Chão de Minas), Camilla Leonel (Marítimo), do saxofonista e letrista do Skank Chico Amaral (77) e do percussionista Bill Lucas (Guima, homenagem a Renato Guima, do grupo Lombinho Com Cachaça) e Jobi.

As faixas de Outras Esquinas somam gêneros variados, como Bossa Nova, jazz soul e a música mineira, ao mesmo tempo em que recriam a sonoridade da música instrumental do final dos anos 1960 e início dos 1970, por meio, entre outros recursos, do uso do icônico piano elétrico Fender Rhodes; Áureo Lopes, a propósito, usa um baixo Fender Precision, de 1969, favorito dos músicos de soul daquele período. “Uma das minhas intenções neste trabalho foi buscar recriar a sonoridade daquela época, que eu gosto muito e estudei recentemente”. Entre seus baixistas favoritos e que de alguma forma contribuíram na sua formação, ele citou Jaco Pastorius (Weather Report, Pat Metheny Group), James Jamerson (que gravou com a maioria dos artistas da gravadora Motown) e os brasileiros Arthur Maia, Nico Assumpção, Jamil Joanes e Paulo César Barros.

O requinte melódico de Outras Esquinas não encobre o trabalho realizado com o ritmo e o balanço, que atravessam todas as faixas. “O swing está no nosso DNA”, observou o músico. Ao compor, Lopes atua às vezes com o violão, outras com o baixo. “Algumas das faixas, como Chão de Minas e Casa Branca fiz no violão, desenvolvendo harmonia e temas; outras, como R2D2 e 77 surgiram primeiro como linhas de baixo, com a melodia sendo feitas depois.”

PALADAR PARA MUITOS GOSTOS

Para conceber e gravar Outras Esquinas gataram-se três meses, um pouco como consequência da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Por força da doença, Lopes se isolou em sua casa e nesta condição retomou o estudo do baixo – até oito horas por dia. Com o lançamento do edital da Lei Aldir Blanc, resolveu tentar lançar o álbum, que acabou influenciado pelo tipo de música ao qual estava se dedicando.

A empreitada trouxe resultado bem diferente do que havia feito até então, como a participação na banda Moog Magoo, no final dos anos 1990, o lançamento de um EP com canções pop e a experiência acompanhando outros artistas. “Foi um amadurecimento musical. Eu tenho essa característica, estou sempre ouvindo coisas novas, pesquisando, estudando”. O músico, entretanto, ponderou que continua gostando do pop, mas consegue fazer um disco pop de canções e outro puramente instrumental. “Meu paladar musical é muito amplo, inclui Victor Assis Brasil, os Tincoãs, Luís Alberto Spinetta, Márcio Montarroyos, The Beatles e José Feliciano”.

Nascido em Itabirito, a “Cidade Encanto” a menos de 60 quilômetros de Belo Horizonte, Capital de Minas Gerais, Áureo Lopes enveredou pela cena musical aprendendo a tocar baixo, que se tornaria seu principal instrumento de atuação nos palcos e em gravações. “Em minha casa tinha um violão velho, com quatro cordas apenas – sol, ré, lá e mi -, a configuração do baixo. Então, pedi a um amigo que me ensinasse a tocar como se o violão fosse um baixo”, relembrou-se. A primeira lição foi uma canção da Legião Urbana e, logo depois, ele adquiriu um baixo ‘verdadeiro’. Suas influências mais incisivas foram baixistas do pop rock brasileiro, principalmente Liminha, Arnaldo Brandão e Leoni (Kid Abelha, Heróis da Resistência), com quem chegou a tocar. Mais tarde, buscando aprofundar seus conhecimentos e aprimorar sua técnica, passou a ouvir renomados instrumentistas brasileiros e mestres do jazz — Arthur Maia, Nico Assumpção, Jaco Pastorius, Miles Davis e John Coltrane.

Áureo Lopes  é músico profissional desde 1997. Em 1999/2000 gravou o disco da banda Moog Magoo, no qual foi o principal compositor. Entre junho de 2000 e dezembro de 2004 lecionou contrabaixo na escola Pró Music. Tocou e gravou com vários artistas mineiros e brasileiros, entre os quais, Leoni, Laudares, Valéria Braga, Patrícia Ahmaral, Anna Ly, Milla Conde, Mr. Jones, Moog Magoo, Felipe Sabbá, Sofia Laura, Mariana Belém, Angela Evans, Aura Sexy, Ricardo Koctus (Pato Fu), Tino Gomes, Rogério Delayon Trio, César Santos, Gláucia Coutinho, Mark Lambert e Remix 80, entre outros.

Capa do álbum Outras Esquinas, do mineiro Áureo Lopes: nenhum instrumento tem primazia nos arranjos dentro das nove faixas

Alguns comentários sobre Outras Esquinas 

[O disco tem] Ótimas composições com o lendário requinte harmônico de Minas, é um deleite escutar solos de grande eloquência. Destaque também para o timbre de gravação, que respeita a sonoridade natural dos instrumentos”. Ed Motta – Cantor e compositor

Outras Esquinas é um disco muito bom de se ouvir. Composições de alto nível, mesclando influências dos anos 1970 com música brasileira, tudo com bom gosto e maturidade, destacando a faixa Rio Okinawa como representante dessa vibração. Super lançamento com participação de grandes músicos de Minas Gerais, como Chico Amaral e Lincoln CheibAdriano Campagnani – Baixista e compositor

Através de encontros virtuais no período pandêmico, eu e Áureo nos aproximamos e criamos uma conexão em torno das paixões que temos em comum, a música, os discos e o contrabaixo.

E agora eu estou tendo o privilégio de ouvir o trabalho autoral que o Áureo acaba de finalizar. O álbum traz a riqueza de composições e sonoridades que só um pesquisador apaixonado poderia realizar. E o fato de o disco ter sido gravado em Belo Horizonte [MG] possibilitou participações de músicos geniais, crias desse celeiro que é a música instrumental mineira na qual Áureo buscou a principal fonte de inspiração. Alberto Continentino – Baixista e compositor

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