1527 -Dia do Jazz: Hot Club (SP) apresenta canções de Django Reinhardt e Noel Rosa em início de turnê paulista*

#MPB #Jazz #CulturaPopular

Contemplado pelo ProAc, o espetáculo 111 anos de Django e Noel, do Hot Clube Piracicaba reúne músicas que compõem álbum recém lançado pelo grupo

*Com Rafael Bitencourt e Claudia Assencio, Tempo D Comunicação e Cultura

Com o objetivo de apresentar releituras de canções de dois importantes compositores do início do século passado que até hoje são cultuados em seus segmentos musicais, o Hot Club de Piracicaba (HCP), fará circular por sete cidades do Estado de São Paulo o espetáculo 111 anos de Django e Noel, promovendo apresentações com entrada franca entre abril e agosto. A iniciativa foi aprovada no ProAC Direto e conta com realização do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, com produção da Empório Produções. E para marcar o Dia Internacional do Jazz neste sábado, 30 de abril, a estreia deste projeto inédito, que conecta a música de Noel Rosa à de Django Reinhardt, não poderia ser em um ponto melhor: o Coreto Elpídio dos Santos, espaço popular que respira música e fica na Praça Doutor Oswaldo Cruz, em São Luiz do Paraitinga, onde as primeiras notas subirão ao ar a partir das 15 horas. Depois, serão contempladas Sorocaba (21/5), Campinas (3/6), Bauru (18/6), Ilha Bela (9/7), Piracicaba (23/7) e, finalmente, Campos do Jordão (6/8).

O HCP colocará nos palcos André Grella (piano), Eliezer Silva (trompete), Frank Edson (tuba), José Fernando Seifarth (violão/guitarra), Eloy Porto Neto (trombone e vocal) e Wagner Silva (bateria). Cada apresentação terá, ainda, participações especiais, com o revezamento de músicos como Iuna Tuane (voz), Pa Moreno, Sandra Rodrigues, Carol Madeira, Marcio Sartório (voz), Marcos Moraes (violão), Bina Coquet (violão), Lu Garcia, Estela Manfrinato (voz) e Saulo Ligo (violão). A cada nova rodada, a meta será evidenciar o que transcorria simultaneamente no Brasil e na França no mesmo período em que os dois ícones viveram. O HCP ainda produzirá e divulgará um vídeo/workshop sobre o Jazz Manouche, que abordará a história e como são tocados os principais ritmos dentro do estilo e que será disponibilizado no canal da banda no YouTube.

O HCP foi fundado em 2008 por José Fernando Seifarth, Cidão Lima e Marcos Monaco, os dois últimos, integrantes da prestigiada e longeva banda paulistana Traditional Jazz Band Brasil. O intuito era reunir amigos para tocar jazz. Anos depois, em 2021, o HCP lançou Django e Noel 111, quinto álbum da carreira do grupo, disponibilizado nas principais plataformas digitais. “Inicialmente, a banda dedicava-se mais ao jazz tradicional e manouche, mas, durante sua trajetória, passou a abordar também os ritmos brasileiros”, afirmou Seifarth, idealizador do HCP. “A partir da pesquisa da obra dos dois compositores, que o grupo muito admira, surgiu a ideia de gravar um álbum com sambas e marchas de Noel Rosa, além de clássicos do jazz de Django Reinhardt”.

Django Reinhardt e Noel Rosa nasceram em 1910 e, em 2021, foram celebrados, portanto, 111 anos do nascimento de ambos. Django Reinhardt é considerado o patrono do gipsy jazz, estilo que surgiu da fusão entre a música cigana e o jazz norte americano, além de “pai do jazz na Europa” e também um dos primeiros músicos não negros nesse estilo musical. De ascendência cigana, é belga de Liberchies, viveu na França, onde em Paris começou a tocar banjo na vida noturna com apenas 12 anos. Nunca aprendeu a ler nem escrever, contudo, embora mesmo sem educação clássica musical, possuía ótima percepção musical, conforme contou Stéphane Grappelli, violinista e seu posterior companheiro musical.

Em sua primeira gravação conhecida, de junho de 1928, Reinhardt já tocava banjo. Em novembro do mesmo ano, perdeu a mobilidade dos dedos anelar e mínimo da mão esquerda após um incêndio que também afetou sua perna direita e quase lhe custou uma amputação deste membro devido à gravidade das lesões. Após 18 meses sem andar, o incidente o forçou a desenvolver um método com maestria técnica própria para voltar a dominar as cordas. Posteriormente começou a ganhar a projeção que ainda mantém com o Quintette du Hot Club de France, do qual, com o início da Segunda Guerra Mundial, acabou se separando.

Django faleceu jovem, em 1953, vítima de uma hemorragia cerebral, mas gravou inúmeros álbuns e apresentou-se em vários países europeus e nos Estados Unidos da América, construindo sua marca de uma das autoridades mundiais do jazz. Dentre tantas composições de sua autoria, Nuages e Minor Swing tornaram-se clássicos do jazz manouche.

Django Reinhardt foi tema do filme Melodias de Django em 2017, drama  musical, dirigido por Étienne Comar, com roteiro de Alexis Salatko e do próprio diretor e protagonizado por Reda Kateb e Cécile de France.Estreou no Festival Internacional de Cinema de Berlim em 9 de fevereiro de 2017. Ouça e saiba mais obre ele em https://archive.org/details/django-reinhardt e em https://archive.org/details/django-reinhardt.

 

Noel Rosa é carioca da gema e encontra lugar destacado no panteão da Música Popular Brasileira apesar de ter falecido com escassos 26 anos, em 1937, ainda mais novo que o belga. Noel de Medeiros Rosa, nome de batismo, era sambista, cantor, compositor, bandolinista e, violonista, autor de letras e de canções memoráveis, algumas de contestação e polêmicas e deu contribuição fundamental à legitimação do samba tanto no morro, quanto no “asfalto” e entre a classe média e o rádio, principal meio de comunicação em sua época, semeando terrenos férteis não apenas para o gênero que à época era propalado como música oficial do Brasil, mas para a história da música popular.

Rosa, assim com Django, tinha dois pés na boêmia; partiu bem antes do combinado por decorrência de tuberculose, mas deixou um baú de canções que se tornaram clássicas dentro do cancioneiro popular brasileiro tais quais Três Apitos, Com que roupa, Conversa de Botequim, Feitio de Oração, Último desejo e Palpite Infeliz. Em 2016 foi agraciado postumamente com a Ordem do Mérito Cultural do Brasil, na classe de grão-mestre.

PRECIOSIDADES SOBRE NOEL

Clique no linque abaixo e baixe o livro (songbook) lançado pela gravadora Trama que resgata sucessos de Noel Rosa interpretados por Tom Jobim, Djavan, Gilberto Gil, João Nogueira, Luiz Melodia, Jards Macalé, Chico Buarque, Luiza Buarque, Gal Costa, Maria Bethânia e outros expoentes da MPB. Noel Rosa deixou em seu legado mais de 200 composições.

https://musicaelvaaalma.blogspot.com/search?updated-max=2021-10-19T11:09:00-07:00&max-results=16&start=10&by-date=false

Tem também uma coleção de álbuns de Noel Rosa disponível no blogue Quadrada dos Canturis, acessível pelo linque abaixo, baseado em coletânea levantada por Omar Jubran, preciosa por reconstituir a trajetória do gênio. No início de carreira, Noel foi influenciado pela música regional dos Turunas da Mauricéia – grupo que veio do Norte, constituído, entre outros, por João Pernambuco, Meira e Luperce Miranda, segundo o jornalista e crítico musical Luís Nassif.

https://quadradadoscanturis.blogspot.com/2015/04/noel-pela-primeira-vez-2000.html#more

Outro precioso disco sobre Noel Rosa é Polêmica, gravado com as músicas da histórica briga entre ele e Wilson Batista, que resultou em algumas musicas famosas do repertório clássico do samba brasileiro:

https://musicaelvaaalma.blogspot.com/search?updated-max=2021-10-19T11:09:00-07:00&max-results=16&start=10&by-date=false

AGENDA DAS APRESENTAÇÕES DO HCP

Mais informações sobre o projeto 111 anos de Django e Noel podem ser obtidas no Instagram: @hotclubdepiracicaba

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