1561 – Maricenne Costa – A cantora de voz colorida conta em 260 páginas a história de vida e carreira da cantora e compositora

#MPB #Literatura #CulturaPopular

Figura importante da música brasileira, elogiada por João Gilberto — que dizia que ela possuía ‘voz colorida’ — foi a primeira a gravar Chico Buarque, cantou em festivais dos anos 1960 e fez parceria com o grupo punk Inocentes

A Editora Álbum de Família está lançando Maricenne CostaA cantora de voz colorida, livro que revela em 260 páginas informações sobre a biografia e a carreira da cantora paulista Maricenne Costa, de autoria de Elisabeth Sene-Costa e Laïs Vitale de Castro. O livro traz um apanhado das realizações da intérprete e compositora que fez parte da Bossa Nova paulista e representou a música brasileira em Portugal e nos Estados Unidos da América, nos anos 1960. Eclética, trabalhou com teatro e se destacou como atriz.

Maria Ignez Senne Costa, Maricenne Costa, é natural de Cruzeiro, cidade situada na porção paulista do Vale do Paraíba. Está com 86 anos. Em carreira pautada pela diversidade, a trajetória começou nos anos 1950 e lhe rendeu entre os prêmios o do concurso nacional A Voz de Ouro ABC, quando também ganhou o nome artístico, sugerido pelo apresentador Jota Silvestre. Integrada à Bossa Nova, ao lado de Claudette Soares e Alaíde Costa, foi acompanhada por exímios pianistas como César Camargo Mariano e Walter Wanderley. Atuou em casas como João Sebastião Bar, Cambridge Hotel, Captain’s Bar e programas de televisão. Em turnê pelos Estados Unidos da América, foi citada na prestigiada revista DownBeat e entre os que a aplaudiram na plateia estiveram Tony Bennet, Judy Garland e Eddie Fisher.

Em absoluta sintonia com o gênero de João Gilberto e Sylvinha Telles, Maricenne gravou discos com repertórios que revisitam Tom Jobim, Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli, Walter Santos e Peri Ribeiro, entre outros. Uma das marcadas de sua caminhada é a de primeira cantora a registrar em disco uma música de Chico Buarque, Marcha para um Dia de Sol (1965).

Nos anos 1970, Maricenne enveredou pelos palcos teatrais e contracenou com Myriam Muniz, Ricardo Blat e Marcos Caruso, por exemplo. Ao retornar para a música, gravou os elepês Correntes Alternadas (1992), produzido por Paulo Barnabé, que juntava o grupo punk Inocentes e o rap do Moleque de Rua à ousadia de Tom Zé e Ritchie. Outro lançamento é Como tem Passado!! (1999), sucesso de crítica e público: em pesquisa encomendada ao jornalista José Ramos Tinhorão, Maricenne faz um apanhado dos primeiros ritmos brasileiros gravados. Já em 2002 estrelou Sábios Costumam Mentir, série de apresentações sobre a obra de Waly Salomão bastante aplaudida pelo próprio. Em 2005, Movimento Circular teve produção de Tuco Marcondes e Fernando Nunes (da banda de Zeca Baleiro), com músicas inéditas de Fernanda Porto, Moisés Santana e Johnny Alf.

“A bossa nova criada em São Paulo, como você nunca ouviu antes”, assim foi definido Bossa.SP (2009), no qual Maricenne reuniu, pela primeira vez, só compositores que nasceram ou iniciaram carreiras em São Paulo. Com produção de Thiago Marques Luiz, arranjos e violão de Marcus Teixeira, ela trouxe convidados de diferentes gerações como Alaíde Costa, Eduardo Gudin, Moisés Santana e o gaitista Vitor Lopes. A capa de Bossa.SP é um tributo aos bolachões da gravadora Elenco.

Maricenne não se destaca apenas pela impecável interpretação, percorrendo com dignidade artística e rigor estético territórios de técnicas e estilos os mais diversos. Seu forte também é a escolha de bons repertórios, pautados em apuradas pesquisas musicais, esforço pouco usual para profissionais do canto, constituindo, a partir dessa prospecção, a seleção de suas gravações e shows, costurando uma obra que constitui preciosas raridades no acervo da MPB.

Irmã caçula de Maricenne Costa, Elisabeth Sene-Costa é médica psiquiatra com Mestrado em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). É autora de livros científicos como Gerontodrama: a velhice em cena, e Universo da Depressão: Histórias e tratamentos pela psiquiatria e pelo psicodrama. Desde criança Elisabeth se envolveu com os sons musicais. Havia um piano em casa, no qual a mãe tocava. Por ser a caçula, conviveu com a criatividade de Maricenne que, mesmo ainda não profissional, cantava e inventava instrumentos. Apesar de amar música e chegou até a ter aulas de piano e violão, contudo nunca quis ser profissional. 

Em 2002 Maricenne estrelou Sábios Costumam Mentir, sobre a obra de Waly Salomão, na foto acima com ela (Foto: Moisés Santana)

Já morando em São Paulo, nos anos 1960, no auge da Bossa Nova, acabou convivendo com a fina flor dos músicos da época, já que frequentava aquele ambiente com Maricenne. Seu gosto vai de Pixinguinha ao Emicida, passando pelos eruditos, além de Sylvinha Teles, João Gilberto, Caetano Veloso, Rita Lee, Iza e Ana Cañas. Neste livro, considera que mais que um carinho, é um prazer registrar a trajetória artística tão rica da irmã. “É um dever e uma homenagem”, observou.

Laïs Vitale de Castro é jornalista desde os 21 anos, escritora, autora de livros tais quais: Um Velho Almirante e Outros Contos (2006); Sirva o coração em bandeja de cristal líquido (2011); Passarada Liberdade (2012). Por 18 anos na Editora Abril, foi repórter das revistas InTerValo e Cláudia e diretora da Boa Forma. No período de InTerValo, cobriu festivais de MPB da TV Record e neles conheceu Maricenne Costa. Como jornalista, passou ainda pela redação da Carta Editorial, pelas Editoras Azul, Símbolo e Escala e ocupou o cargo de diretora de redação das revistas Vida Executiva, Barbara e Dieta Já.

Na carreira, Laïs faturou três vezes o Prêmio Abril de Jornalismo, o Concurso de Contos Infantis no Estado do Paraná e o Concurso de Contos Curtos da Cidade de Porto Seguro (BA), entre outros eventos dentro fora do país. É fã de Maria Odete, Elis Regina, Maria Alcina e Milton Nascimento, dentre outros.

O livro sobre Maricenne foi lançado em 22 de julho na Livraria da Vila do shopping do bairro paulistano Higienópolis. O próximo evento está marcado para Cruzeiro e transcorrerá entre 19 e 22 horas em 8 de agosto no Teatro Municipal Capitólio, cujo endereço é rua Engenheiro Antônio Penido, 636, Centro. Para mais informações há o telefone (12) 3144-1362.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.