1574- Natália Lepri e André Siqueira costuram voz e violão em disco lançado pela gravadora Kuarup

#MPB #Violão #CulturaPopular

Com a espontaneidade dos concertos ao vivo, Macramê foi gravado em apenas dois dias. Traz em 13 faixas releitura de clássicos brasileiros e latino-americanos, com a participação de André Vercelino. O disco está disponível nas plataformas digitais e em versão física.

O álbum Macramê, que tem distribuição e lançamento pela produtora e gravadora Kuarup nas plataformas digitais, surgiu do diálogo musical criativo e constante dos artistas. O duo formado por Natália Lepri (voz) e André Siqueira (violão, violão barítono, viola caipira e flauta contralto), traz em sua textura o conceito do contraponto, linha versus linha, ponto contra ponto, como princípio criador. O formato camerístico e a opção de utilizar os instrumentos alinhavando linhas melódicas, além do acompanhamento harmônico tradicional, geram texturas pouco ouvidas neste formato de violão e voz.

O nome, Macramê, traz em seu bojo a essência musical do trabalho, no qual a alusão a este tipo de artesanato, técnica de tecelagem manual com uso de nós, originalmente usada para criar franjas e barrados em lençóis, cortinas e toalhas, é transportada para a sonoridade, gerando as diferentes tessituras, por vezes sofisticadas e intrincadas, mas também simples e rústicas, rurais e bucólicas, como os trabalhos gerados pelo método do macramê. Assim, a escolha de gerá-las vem acompanhada, também, da seleção de um repertório que passeia entre a brasilidade alicerçada na cultura popular, como no caso das canções Leilão (Hekel Tavares e Joraci Camargo), TambaTajá (Waldemar Henrique) ou no refinamento harmônico de Poeira Morena (Nelson Agres) e AutoRetrato (Egberto Gismonti), além de um flerte com gêneros latino-americanos como zamba e huaino, em La Pornefia e Los 3 Deseos de Siempre. Alguns clássicos, como Paixão e Fé (Tavinho Moura e Fernando Brant, imortalizado na voz de Milton Nascimento no genial e já cinquentenário álbum Clube da Esquina) ganha uma versão que busca a valorização do texto a partir de diferentes fluxos do violão e da voz. Outras versões que merecem destaque são de Idade da Televisão e Sonora Garoa, do cantor, compositor e artista plástico Passoca.

Antes de entrarem no estúdio-escola da FATEC, em Tatuí (SP) para gravar Macramê, o multi-instrumentista e compositor André Siqueira virou-se para a cantora Natália Lepri e a aconselhou: deixa o silêncio acontecer. O repertório, capaz de inserir a brasilidade no contexto latino-americano, sustenta-se por si, mas Natália Lepri e André Siqueira questionam, procuram, investigam, descobrem. Dessa forma, o álbum ganhou qualidade orgânica, cheia de improvisos, que exigiu um registro capaz de retratar essa plenitude expressiva. A saída foi gravar ao vivo em um estúdio público dotado de equipamentos de ponta, na própria FATEC. As 13 canções foram registradas em dois dias com a espontaneidade dos concertos ao vivo. Natália e André livram-se dos lugares estabelecidos e confortáveis para alçar voo, costurando um tecido melódico delicado e criativo, imprimindo as digitais do duo em canções intensas e reveladoras.

“Os arranjos são muito abertos, é uma troca muito fluida, um jogo de perguntas e respostas muito rápido. O nome, Macramê, caiu como uma luva, porque parece que os nós vão sendo costurados com o tempo”, afirmou Natália. “É um disco com muito respiro, com silêncios e pausas, como o artesanato”, emendou a cantora. “Fiquei feliz com o resultado e espero que esse disco voe para vários e vários ouvidos”, concluiu Natália, cuja carreira musical está ligada ao samba e ao choro.

“É uma ideia de contraponto, de costura. Muitas vezes a gente fica preocupado em fazer um acorde e esquece que existe esse universo de melodias. Muitas vezes a melodia, no grave do violão, junto com a voz, já basta para o acompanhamento”, observou Siqueira. “Esse trabalho é semi­aberto, cada vez que a gente toca, soa diferente”, prosseguiu, explicando o desprendimento alcançado pelo duo.

Macramê é um trabalho feito em seu próprio tempo, mergulhado na cultura brasileira e marcado pela sublimação, quando a arte extrapola o racional para nos levar a uma densa e prazerosa viagem para dentro de nós mesmos. O disco tem participação especial do percussionista londrinense André Vercelino.

Natalia Lepri, cantora, atriz, preparadora vocal e professora de técnica vocal, graduada em Licenciatura em Música pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), é mestranda na área de performance musical pela Universidade Estadual de Maringá. É, também, sócia-fundadora da Escola de Música Canto da Lira, espaço com ênfase no estudo da música popular brasileira situada em Londrina (PR). Além das aulas, é cantora e atriz do projeto infantil Bichos Cores e Outros Amores com disco lançado em 2015.

Compositor, arranjador e multi-instrumentista, André Siqueira é doutor em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Mestre em música pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). É graduado em música pela UEL, onde leciona desde 2008 na área de Linguagem e Estruturação Musical (percepção, harmonia, arranjo e música e tecnologia) e violão. É autor do livro Giacinto Sceisi: Improvisação, Orientalismo e Escritura, além de coordenador do projeto de extensão Cordas Brasileiras: violão e outras cordas dedilhadas, desde 2018.

Participou do Festival Internacional de Guitarra de Tlaxcala (México) em 2021 com um recital online tocando composições e arranjos próprios para violão solo, e 2ª Virtual Guitar Orchestra no qual, com vários violonistas, tocou Scient, safe and sane (Sérgio Assad). Siqueira nasceu em Palmital (SP) e foi professor do curso de arranjo para violão no 40º CIVEBRA, em Brasília (2020), do Festival InternacionaI de Música em Casa (Fimuca) e de várias edições do Festival Internacional de Música de Londrina, ministrando cursos de percepção, guitarra e prática de Jazz e MPB.

Ainda em 2020, produziu e participou como violonista do festival online Violões em Rede, que contou com expoentes do instrumento. Finalista do prêmio Novas 4 (2019), idealizado e produzido pela violonista francesa Elodie Bouny, com a música Canto da Praia e, ainda, dos Prêmios Profissionais da Música (PPM) consecutivamente entre 2017 e 2020. Possui cinco álbuns gravados: Lithos (2001); Afternoon Improvisations Contemporary Music for 2 Guitars, em parceira com o violonista Camilo Carrara (2014); Catamarã (2016), com apresentação do renomado músico Egberto Gismonti; Solo (2019) pela gravadora Kuarup, no qual apresenta arranjos de clássicos da música brasileira para violão e violão barítono; e Da Outra Margem: André Siqueira Visita Toninho Ferragutti (2021), com arranjos das composições de Ferragutti, criadas no acordeon, para violão solo.

Um exemplar de Macramê foi gentilmente enviado ao Solar do Barulho pela Kuarup. a quem agradecemos em nome do diretor artístico Rodolfo Zanke e a toda equipe.

Especializada em música brasileira de alta qualidade, o seu acervo concentra a maior coleção de Villa-Lobos em catálogo no país, além dos principais e mais importantes trabalhos de choro, música nordestina, caipira e sertaneja, MPB, samba e música instrumental em geral, com artistas como Baden Powell, Renato Teixeira, Ney Matogrosso, Wagner Tiso, Rolando Boldrin, Paulo Moura, Raphael Rabello, Geraldo Azevedo, Vital Farias, Elomar, Pena Branca & Xavantinho e Arthur Moreira Lima, entre outros.

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