1599 – Marco da viola caipira, Maracanãs completa 25 anos e trio original se reúne para concerto audiovisual comemorativo*

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* Com Cláudia Assencio e Rafael Bitencourt, Tempo D Comunicação e Cultura

Vídeo gravado na cidade paulista de Campinas (SP) será lançado no próximo dia 15/12 com os autores Levi Ramiro, Zé Esmerindo e Magrão e participações especiais de Ana Salvagni e Esdras Rodrigues

     Álbum considerado como referência no cenário da viola caipira, Maracanãs chegou a 25 anos de lançamento, marco que será celebrado com um concerto audiovisual protagonizado por Levi Ramiro, Zé Esmerindo e Magrão, tríade responsáveis pela gravação original, realizada em Campinas (SP), em 1997. Trio Maracanãs 25 Anos estreará na quinta-feira, 15/12, a partir das 20 horas, com transmissão gratuita pelo canal https://www.youtube.com/@leviramirovioleiro. Ramiro, Esmerindo e Magrão também trocarão dedinhos de prosa em bate-papo virtual com os espectadores, amigos e seguidores.

     O espetáculo deriva da gravação feita no Centro Cultural Casarão, em Barão Geraldo (Campinas), com direção de Mário de Almeida e produção executiva de Gabriela Góes. A cantora Ana Salvagni, que participou das gravações do álbum original há um quarto de século, e o violinista e rabequeiro Esdras Rodrigues atuarão como convidados especiais; Rodrigues representará José Eduardo Gramani, rabequeiro que fazia parte da primeira formação do disco Maracanãs. O projeto atual recebeu recursos do Programa de Ação Cultural (ProAc) 2021, de fomento à cultura do Governo do Estado de São Paulo e Secretaria de Cultura e Economia Criativa.

     Músico e pesquisador, Gramani, faleceu em 1998. Ele e Levi Ramiro haviam se conhecido oito anos antes, em Campinas. Ao se interessar pela forma de tocar e pelas composições do violeiro e artesão, Gramani tornou-se junto com o mineiro Ivan Vilela um dos mais proeminentes pesquisadores da viola caipira, compositor e professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) “padrinho” do primeiro álbum que Ramiro planejava gravar.

Para formar a base do material, Ramiro convidou o violonista e produtor musical Zé Esmerindo e o percussionista Roberto Peres, o Magrão. Com formações distintas, os integrantes do trio tinham em comum o apreço pelas tradições caipiras, pela viola e o fato de estarem abertos ao experimentalismo. Assim, uniram os toques tradicionais da viola a elementos contemporâneos, com músicas instrumentais e canções com temas ligados ao cotidiano do Interior e a relação deles com a natureza.

    Gramani tocou rabeca em duas faixas e Ana Salvagni cantou Manga Madura. O encontro do violão não convencional de Zé Esmerindo e do acompanhamento da viola de Levi, de onde surgiram contracantos e caminhos melódicos e harmônicos especiais, com os instrumentos de percussão feitos de cerâmica e tocados por Magrão, deu origem a um trabalho marcado pela personalidade e pela inovação, num universo em que a tradição guarda papel fundamental para a preservação das raízes caipira.

     A expressividade e a singularidade fizeram de Maracanãs uma baliza para a música regional brasileira, em um momento de ressignificação da viola caipira no cancioneiro brasileiro. A conexão estabelecida entre Ramiro, Zé Esmerindo e Magrão durante as gravações propiciou um espetáculo tão especial quanto o disco que nascia. Os músicos se apresentavam como o Trio Maracanãs em palcos da Capital e do Interior paulistas e em Minas Gerais para divulgar um trabalho que, aos poucos, incorporou novas composições e seguiu como sucesso até 2000, quando o ciclo foi encerrado.

LEGADO E HOMENAGEM 

     Hoje, 25 anos depois do lançamento do icônico álbum, o Trio Maracanãs voltou à ativa para reforçar este belo legado. Além de composições que compõem o repertório original, Ramiro, Zé Esmerindo e Magrão interpretam inéditas, feitas e arranjadas para o projeto comemorativo como Jasmim Manga (Levi Ramiro/Oswaldo Rios/Sol Bueno) e Rosa Branca (Levi Ramiro/Zé Esmerindo). Entre as interpretações, os músicos dialogam sobre o processo de gravação de Maracanãs, a construção dos arranjos, a repercussão do álbum no círculo da música independente, e sua importância para a música de viola.

“Maracanãs é um dos dois discos mais bem construídos na música de viola no Brasil no que tange à relação da viola com o violão. O outro, para mim, seria o Caboclo d’água, do Tavinho Moura, com violão do Beto Lopes”, escreveu Ivan Vilela sobre o álbum do Trio Maracanãs

Colaborador e incentivador deste blogue, Ivan Vilela fez elogios a Levi Ramiro e ao álbum Maracanãs em texto enviado com exclusividade ao Barulho d’água Música abaixo compartilhado: 

 

No início do ano de 1997, após um show do grupo Anima, no qual eu tocava na Catedral de Campinas, um rapaz me procurou falando que queria fazer aula de viola, pois já tocava violão. Este rapaz era o Levi Ramiro. Ele então começou a fazer aula, mas a música já morava dentro dele. Dois, três meses depois, como eu já não tinha mais nada para passar para ele, falei: Você precisa gravar um disco! Ele estava compondo muito, coisas lindas! Ele me disse que não conhecia ninguém na cidade e eu respondi que iria apresentá-lo para um violonista que acreditava daria uma ajuda para o Levi dar vida, a parir àquele trabalho. O violonista era o Zé Esmerindo, que entrou com todo o talento e competência dele de cabeça no projeto. E construiu o ao lado do Levi o Maracanãs, que teve participações de vários convidados.

Mas o que eu preciso apontar é que o Levi é genial! Ele é de uma inquietude que se manifestava desde o início quando a gente ia fazer uma aula. Ele é muito curioso, possui uma mente inquieta e é muito brilhantemente inteligente; é musical demais, a música mora dentro dele. E então eu costumo dizer: eu nem dei aulas para ele, foi foram as nossas conversas que o colocou em dois meses pronto para fazer de tudo, compondo demais, com genialidade.

Maracanãs é um disco muito simbólico. A meu ver é um dos dois discos mais bem construídos na música de viola no Brasil no que tange à relação da viola com o violão. O outro, para mim, seria o Caboclo d’água, do Tavinho Moura, com aquele violão do Beto Lopes tem um diálogo com a viola que se desenvolve de uma maneira muito consistente e muito bonita também. O Levi, então, é um cara genial e não só na viola. Ele expandiu o trabalho dele para renovações não só no mundo das composições, mas também no mundo da organologia, da invenção de instrumento e da possibilidade de criar novas alternativas para o crescimento e desenvolvimento do instrumento, como a viola de cabaça que ele faz, por exemplo. Por isso genial é a palavra que deixo para definir o Levi, além do que é e uma pessoa boníssima, de coração muito grande e muito puro. É um gênio encarnado do qual gosto demais e admiro profundamente.

FICHA TÉCNICA

Direção e edição: Mário de Almeida/Produção executiva: Gabriela Góes/Arranjos: Zé Esmerindo/Direção de fotografia: Gabriel Ribeiro/Câmeras: Gabriel Ribeiro, Domingos Bernardino e Mário de Almeida/Assistente de direção: Caio Graco Palombello/Assistente de produção: Edmilson Dantas/Iluminação: Maíra Prates/Captação de áudio: João Arruda e William Zirikito/Mixagem: João Arruda/Programação visual: Dan Mercadante

 

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