Barulho d'Água Música

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1051 – Segundo disco de Rita Lee, com Os Mutantes, é destaque do Clássico do Mês

Disco atribuído a Rita Lee que levou Os Mutantes ao estúdio pela última vez, tema do Clássico do Mês, foi  primeiro a utilizar a tecnologia multicanais e segundo da carreira da eterna Rainha do rock

Marcelino Lima, com jornal Extra

Hoje É o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida, o segundo álbum de estúdio da cantora Rita Lee, é o disco escolhido como tema de abril da série Clássico do Mês, que o Barulho d’água Música vem publicando desde dezembro. Lançado em 1972 pela Philips Records, por meio do selo Polydor Records. Este disco, na verdade, foi a maneira encontrada pela banda Os Mutantes para aproveitar a inauguração do Estúdio Eldorado — que possuía uma mesa de 16 canais, a única disponível no Brasil naquele momento. O álbum, portanto, é creditado à estrela maior do rock brasileiro, mas na prática acabou colocando na fita toda a banda, de tal sorte que, na prática, o bolachão acabou tendo a honra de ser o último disco gravado pela formação clássica d’Os Mutantes[1] do qual a corintiana confessa fez parte no início da carreira. Os Mutantes já haviam lançado Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets naquele ano, mas o contrato com a gravadora só permitia o lançamento de um disco por ano.

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1049 – Aniversário de Sérgio Sampaio (ES) será comemorado com show tributo no Espaço 91 (SP)

Nesta sexta-feira, 13 de abril, o Espaço 91 receberá os músicos Danilo Moura, Victor Mendes, André Rass e Pedro Macedo, integrantes do Sampaio 70, grupo que presta tributo à obra do cantor e compositor capixaba Sérgio Sampaio. A apresentação de cerca de 1h20 está programada para começar às 20h30 na casa de espetáculos situada no bairro da zona Oeste paulistana Pompeia. Moura (voz) e Mendes (voz, violões e guitarra), que integram também o Trio José, começaram em 2013 a protagonizar homenagens ao autor da consagrada música Eu Quero É Botar Meu Bloco Na Rua, sempre nos meses de abril, quando Sampaio nasceu em Cachoeiro do Itapemirim (ES) justamente em 13 de abril, de 1947, um domingo. O projeto da dupla ganhou reforços no ano passado com a entrada de Macedo (contrabaixo) e Rass (percussão). O mesmo show será atração no sábado, 14, para o o público que frequenta o Parque da Cidade Roberto Burle Marx, em São José dos Campos (SP), cidade do Vale do Paraíba.

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1040 – Alesp entrega em 6 de abril dez troféus e diplomas aos indicados para o 2º Prêmio Inezita Barroso

Premiação atende a Projeto de Lei do deputado estadual Marcos Martins, que também concedeu título de cidadã osasquense à Rainha da Viola Caipira e transformou Osasco na capital estadual do instrumento

Por Marcelino Lima, com Cláudio Motta Júnior

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) entregará na manhã da sexta-feira, 6 de abril, as homenagens aos dez indicados para receber o Prêmio Inezita Barroso, criado após aprovação do Projeto de Resolução 31/2015, de autoria do deputado estadual Marcos Martins (PT), para valorizar a cultura caipira de raiz e qualquer forma de arte popular que a complemente. O Prêmio começou a ser distribuído em 2017 e neste ano de sua segunda edição recebeu 25 indicações e uma autoindicação. “Eu gostaria que todos os apresentados fossem contemplados, mas o texto da lei fala  que podemos premiar apenas dez”, afirmou Marcos Martins. Quando exercia mandato de vereador na Câmara Municipal de Osasco, Martins concedeu em 10 de fevereiro de 2004 a Inezita Barroso o título de cidadã osasquense e é autor do Projeto de Lei estadual que em 2007 transformou a cidade na Capital da viola caipira.

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1035 – “Clássicos do Mês”: Vitor Ramil funda nova identidade gaúcha com Ramilonga-A Estética do Frio

O Barulho d’água Música volta a publicar por meio desta atualização a série Clássicos do Mês, dedicada ao álbum Ramilonga-A Estética do Frio, do gaúcho radicado em Pelotas (RS) Vitor Ramil — lançado em 1997, o quinto da discografia de onze títulos que, recentemente, recebeu o acréscimo de Campos Neutrais. Cantor e compositor, irmão da famosa dupla Kleiton e Kledir, Vitor Ramil também é escritor e possui entre seus livros um título dedicado ao tema do famoso disco, A Estética do Frio, publicado sete anos depois daquele. Tanto o disco, quanto o livro, têm sido objeto de ensaios, pesquisas, artigos e outros estudos acadêmicos — dentro e fora do país,  portanto, para além do Rio Grande do Sul — devido à repercussão e à importância alcançadas pelas teses que Ramil apresentou por meio de ambos, inaugurantes de um novo movimento artístico e cultural cujo maior valor é o de constituir e procurar afirmar uma nova identidade tanto para o gaúcho, quanto para uruguaios e argentinos.

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1030 – Consuelo de Paula homenageia Dia Internacional da Mulher com Bibianas, no Teatro da Rotina (SP)

A cantora, compositora e poetisa Consuelo de Paula (MG) estará de volta ao aconchegante Teatro da Rotina em 9 de março, quando, a partir das 21 horas, apresentará Bibianas, show com o qual marcará a passagem do mês dedicado ao gênero e o Dia Internacional da Mulher, que transcorrerá na véspera, em 8 de março. Bibianas será, ainda, o terceiro concerto da série que Consuelo batizou como Movimentos do amor e de lutaO primeiro ato, Movimentos do amor e da luta, e o segundo, Chamamento, também tiveram como palco o teatro paulistano situado na rua Augusta, 912 (veja Serviço).

Bibianas é um encontro entre Consuelo de Paula e parceiras de composição, algumas das quais convidará para acompanhá-la. Voz, violão e instrumentos de percussão compõem a tríade mágica e completam o canto pleno, personalizado e profundo que possibilitam à mineira de Pratápolis envolver o público a cada nova canção. Neste show, além de canções autorais e algumas interpretações de outros autores que farão a ponte entre uma parceria e outra – incluindo a recente Valsa para Mathilde, com Adoniran Barbosa e Copinha — estarão em destaque muitos ritmos brasileiros.

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1022 – Acervo do Barulho d’água Música recebe os álbuns do são-roquense Edson D’áisa

A redação e o cafofo do Barulho d’água Música estão sendo embalados nestes dias entre outras novidades pelos álbuns Todos os Cantos do Vale e Tua Obra, teu Pão, ambos do cantor e compositor Edson D’aísa.  Natural de São Roque (cidade distante 62 km de São Paulo), D’aísa despertou o interesse por música ainda na adolescência, influenciado na década dos anos 1980 por festivais estudantis, nos quais conseguiu várias conquistas. Como “minhoca da terra”, ele busca sempre em suas composições transmitir a essência das histórias e dos personagens que desenvolveram o seu lugar — dedicação e compromisso reconhecidos em 2006 quando o ProAc o contemplou pelo projeto Darcy Penteado na Canção. Já no ano seguinte, D’aisa gravou Todos os Cantos do Vale, seu primeiro álbum.

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1011 – “Sidney Miller”, de 1982, lançado pela Funarte, é o novo destaque da série “Clássicos do Mês”

Em 1982, nos últimos dias de novembro, a Funarte concluiu a gravação para o Discos Projeto Almirante do álbum Sidney Miller, disponível para audição, com apresentação de Hermínio Bello de Carvalho, no portal Brasil Memória das Artes. De acordo com Bello de Carvalho, o compromisso da Fundação era resgatar algumas das ideias que Miller esboçara antes de cometer suicídio, em 16 de julho de 1980, na cidade onde nasceu, Rio de Janeiro. Miller, filho legítimo do boêmio bairro carioca de Santa Teresa, estudou e  publicou os primeiros versos ainda menino, estampando-os na revista da escola, o Colégio Santo Inácio. Prodigioso, com apenas 12 anos, escreveu um romance e o ilustrou com recortes de revista e, irrequieto, já compunha tocando violão “de ouvido”. Ao sair de cena antes do combinado, já contava com três álbuns gravados e planejava, após um breve hiato, lançar Longo Circuito.

Aquele que seria o quarto disco da curta discografia iria para as estantes dos amigos e fãs com selo independente, uma vez que, novamente conforme Bello de Carvalho, “o circuito comercial fizeram-lhe ouvidos moucos”. Para a produção do álbum póstumo, tema deste mês da série Clássicos do Mês do Barulho d’água Música, a Funarte convocou parceiros e amigos de Miller como Maurício Tapajós, a quem confiou o paciente trabalho de recuperação de áudios de apresentações do carioca na Sala Funarte de Brasília e no programa de Bello de Carvalho, Água Viva, na TVE; Paulo Afonso Grisolli, por sua vez, colaborou com fitas que guardavam temas inéditos.

Com este tesouro em mãos, Tapajós montou o que seria um disco-documento. O material, no entanto, foi considerado insuficiente pelos produtores, que, então, escalaram Antonio Adolfo (que produziria o Longo Circuito), encarregando-o de dar corpo à ideia de forma que ficasse bem traçado o retrato de Sidney Miller. “O disco como Sidney o idealizara só ele poderia fazê-lo”, ponderou Bello de Carvalho. “Mas o carinho e obstinação que despejamos neste trabalho é a melhor prova do respeito que guardamos ao seu imenso talento e enorme integridade artística, reservas indestrutíveis que seu desaparecimento não apagou.”

Zezé Gonzaga, Zé Luiz Mazzioti e Alaíde Costa também participaram do tributo da Funarte a Sidney Miller, cujo talento como compositor despontara durante os festivais da década dos anos 1960, caminho comum a outros artistas em busca de consagração à época. Neste período, assim que começou a se destacar em âmbito nacional, muitos o comparavam ao igualmente estreante Chico Buarque, notadamente por conta da timidez de ambos, da escolha por temas urbanos e esmero na construção das letras.

Além destes três fatores, tanto Miller, quanto Buarque, sensibilizaram Nara Leão, cantora famosa por revelar novos compositores e que teve grande importância na estreia dos dois – inclusive gravando, em 1967, Vento de Maio, disco no qual dividiam quase todo o repertório: Chico Buarque assinou quatro canções, enquanto Sidney Miller era o autor de outras cinco. Queixa, em parceria com Paulo Thiago e Zé Keti, interpretada por Cyro Monteiro (Formigão), tirou o quarto lugar no I Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela TV Excelsior (SP). Queixa não consta em nenhum dos três discos que Miller lançou a partir de 1967, quando pelo selo Elenco, de Aloysio de Oliveira, assinou o primeiro disco, também batizado Sidney Miller e que apresentava temas populares e cantigas de roda como O Circo, Passa Passa Gavião, Marré-de-Cy e Menina da Agulha. Neste mesmo ano, Sidney Miller juntou-se a Théo de BarrosCaetano Veloso e Gilberto Gil  para escrever a trilha sonora da peça Arena contra Tiradentes, de  Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, além de, ao lado de Nara, interpretar A Estrada e o Violeiro no III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record (SP), conquistando com esta música que abre o primeiro bolachão o prêmio de melhor letra.

Em 1968, também pela Elenco, saiu Do Guarani ao Guaraná, com pegada tropicalista e as participações especiais de Paulinho da ViolaGal Costa, Nara LeãoMPB-4Gracinha Leporace Jards Macalé, entre outros bambas. Pois é, Pra Quê, mais tarde escolhida para o repertório do MPB-4, a joia deste trabalho, levou Miller (que já abandonara a Sociologia e a Economia) a intensificar a carreira na área de produção. Assim, juntamente com  Paulo Afonso Grisolli, ele organizou no Teatro Casa Grande (RJ) o espetáculo Yes, Nós Temos Braguinha, com o compositor João de Barro. E, também com Grisolli, relançou a cantora  Marlene, estrela do concorrido show Carnavália. No ano seguinte, produziu e criou os arranjos de Coisas do Mundo, de Nara Leão, e ainda teve fôlego para, ao lado de Grisolli, Tite de LemosLuís Carlos MacielSueli CostaMarcos Flaksmann e Marlene organizar o espetáculo Alice no País do Divino Maravilhoso, além de compor a trilha sonora do filme Os Senhores da Terra, do cineasta Paulo Thiago.

Nara Leão ajudou a impulsionar a carreira de Sidney Miller e com ele faturou com a canção A Estrada e o Violeiro o prêmio de melhor letra do Festival de 1967

(Também para cinema, Sidney Miller foi o autor da trilha dos filmes Vida de Artista (1971) e Ovelha Negra (1974), ambos dirigidos por Haroldo Marinho Barbosa. Importantes peças teatrais  contaram com trilhas sonoras assinadas por ele, entre as quais Por mares nunca dantes navegados (1972), de Orlando Miranda, na qual musicou alguns sonetos de Camões, e do espetáculo a A torre em concurso (1974), de Joaquim Manuel de Macedo.)

O último disco de Sidney Miller, considerado pelos críticos o mais transgressor e com sonoridade que remete ao Clube da Esquina e ao Som Imaginário, coube à Som Livre e se chama Línguas de Fogo. É de 1974. Depois deste trabalho, rompido com as gravadoras, o cantor e compositor protagonizou raras apresentações pois, conforme confidenciava aos mais chegados, tinha aversão aos palcos. Tecia planos para sair do refúgio com o lançamento de Longo Circuito (chegou a entregar a Miltinho, do MPB 4, uma fita com cinco músicas inéditas), mas o encontraram morto em seu apartamento situado no bairro Laranjeiras naquele fatídico mês de julho de 1980. A sala em que trabalhava, na Funarte, no Departamento de Projetos Especiais, passou a se chamar Sala Funarte Sidney Miller e foi transformada num teatro.

* Parte desta matéria foi produzida a partir de textos sobre Sidney Miller disponíveis na internet escritos por Hermínio Bello de Carvalho e Mara L. Baraúna 

Para ouvir Sidney Miller, da Funarte (1982), visite:

http://www.funarte.gov.br/brasilmemoriadasartes/acervo/discos-projeto-almirante/sidney-miller-1982/

Para baixar Do Guaraná ao Guarani visite:

http://sonsquecurto.blogspot.com.br/2015/08/sidney-miller-brasil-do-guarani-ao.html

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