Violeiro e contador de causos tempera a sopa do projeto “Caldos com Sons Brasileiros” do SESC Osasco

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Paulo Freire é compositor, cantor, contador de causos, e produtor musical considerado referência entre violeiros da música caipira (Foto: Marcelino Lima, SESC Campo Limpo, 9 de julho de 2014)

O SESC de Osasco promoverá nesta quinta-feira, dia 24 de julho, no Deck da Cafeteria, a partir das 19 horas, mais uma edição do projeto “Caldos com Sons Brasileiros”, que consiste em oferecer a degustação de sopas enquanto o público ouve música raiz de viola e causos apresentados por um convidado especial. A atração desta noite é o cantor, compositor, escritor e produtor cultural e fonográfico Paulo Freire — o qual, apesar da indiscutível erudição e sabedoria, não é o homônimo educador.

Conhecido no meio como um dos mestres da viola caipira da atualidade, Paulo Freire reside em Campinas. É autor, entre outros álbuns, de “Alto Grande”, seu mais recente lançamento, “Redemoinho”, “Vai Ouvindo”, “São Gonçalo” e “Rio Abaixo”. As contribuições para a literatura incluem os livros “Lambe-Lambe” e “Nuá – A música nos mitos brasileiros”. Como produtor assina vários outros discos dos gêneros caipira e regional, entre os quais títulos da discografia da esposa, a poetisa Ana Salvagni. Paulo Freire também pode ser ouvido em trabalhos de diversos amigos e parceiros de estrada como o álbum “Capiau”, de Levi Ramiro,  por sinal o próximo a se apresentar em Osasco, na quinta-feira, 31.   

242fc7ad-e790-4051-9ead-b165ee83a659A entrada para curtir o projeto “Caldos com Sons Brasileiros” é franca. A sopa, cujo sabor varia, sai por R$ 6,50.  O SESC de Osasco fica na Avenida Sport Club Corinthians Paulista, 1.300, Jardim das Flores, com estacionamento gratuito. 

Estrela de Consuelo de Paula está mais fulgurante hoje

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Consuelo de Paula, mineira de Pratápolis, prepara o lançamento do álbum “O Tempo no Branco”, o quinto da carreira (Foto: Lourdes Casquete)

“Lá no céu tem cinco estrelas/todas cinco encarriadas/duas minhas, duas tuas/uma é da madrugada”

Vinheta “Cinco Estrelas”, faixa 11 do álbum Tambor & Flor, gravado por Consuelo de Paula, canto dos congadeiros de Pratápolis (MG) de domínio público, transmitido por Luiz Gonzaga de Paula através de suas lembranças.

Pratápolis, cidade do sudoeste de Minas Gerais, na região de São Sebastião do Paraíso e Itaú de Minas, é a terra natal da aniversariante de hoje, 21 de julho, a cantora, compositora, poetisa e produtora musical Consuelo de Paula, uma das mais queridas amigas e incentivadoras do Barulho d’Água Música. Apesar deste laço estreito, falar dela e da qualidade de sua obra é tarefa das mais difíceis. Portanto, fomos pedir socorro ao colega Julinho Bittencourt, que em sua feliz referência à mineira que hoje vive em São Paulo publicou na Revista Fórum: “Só algo inexplicável, que sobrevoe acima de nossas antenas e cabos, poderia produzir tamanha música”

cdcasaAutora dos álbuns Samba, Seresta e Baião (1998) ; Tambor e Flor (2002) ; Dança das Rosas (2004) e “Casa” (2013), este em parceria com a Orquestra à Base de Corda, de Curitiba,  Consuelo também tem um DVD, “Negra”, de 2011. Atualmente trabalha em “O Tempo no Branco” , que deverá lançar ainda neste ano.  Das 13 canções, 11 são em parceria com Rubens Nogueira (1959-2012). Também em 2011, publicou “A Poesia dos Descuidos”, com ilustrações de Lúcia Arrais Morales.

 

Feliz aniversário, Consuelo! Em nossa humilde casa você não precisa pedir licença para entrar e tocar seus versos de congada, de folia, apresentar a melodia dos artesanatos, do brilho da lua, e nos brindar com sua poesia amorosa! 

“Balaio de Dois”, espetáculo para todas as idades, com Paulo Netho, Salatiel Silva e Ricardo Kabelo

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O poeta e artista Paulo Netho constrói e desconstrói palavras e cenhos franzidos quando se junta aos amigos do Balaio de Dois, que, na verdade, são três (Fotos de Marcelino Lima)

Ontem, 19 de julho, o Barulho d’Água acompanhou no SESC Ipiranga a apresentação do sensacional “Conversas Diversas“, do Balaio de Dois+um produção do poeta Paulo Netho e do músico Salatiel Silva, com a participação para lá de especial de Ricardo Kabelo. Conforme Salatiel diz é um espetáculo muito simples, no qual ele e Kabelo tocam e cantam acompanhando Paulo Netho em suas performances magistrais não superiores a 60 minutos, mais que encantam e deixam (boas) sequelas irreversíveis em crianças e adultos. “O Paulo Netho é um poeta, construtor, desconstrutor de palavras e um assustador de crianças”, brinca o músico que toca violão, gaita e que vive em crônico estado de transe entre a alegria, o bom humor e a irreverência.

“Balaio de Dois” já vai para 15 anos de estrada e é altamente recomendável para todos os públicos, tanto que até um casal de simpáticos senhores ficou maravilhado com o que viu no Ipiranga. Paulo Netho e Salatiel compõem as próprias cantigas, poesias e outros elementos que compõem o número, incluindo os objetos e brinquedos do cenário, os quais Paulo Netho utiliza em cena.

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Salatiel Silva

É uma mistura de teatro, de dança, de mímica, de música, de sons e poesia com outras linguagens que diverte a todos, de forma contagiante, ensinando e passeando por aspectos da oralidade e da gramática e relativos à cultura popular, por exemplo, em que os atores/cantores também se apoiam em trava-línguas, parlendas, adivinhas, cantigas consagradas pelo domínio público, algumas recriadas para serem adaptadas ao contexto da apresentação, como aulo Netho representa com uma cadeira, um dos muitos recursos que ele tem para dar vida ao que narra e conta.

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Ricardo Kabelo

Até um grilo sai da mala de geringonças e invenções dele, sem contar deliciosos pirulitos “Balaio”, que têm sabores especiais, e um bilboquê. Os pequenos arregalam os olhos, fixam-nos brilhantes no brincante, reagem aos estímulos prontamente e muitas vezes de forma surpreendente. As “saias-justas” obrigam Paulo Netho a malabarismos e a improvisações deliciosos, mas absolutamente coerentes, como se já fossem parte do script. Os adultos interagem entusiasmados e se deixam levar pelos convites para dançar, pular, fazer ginástica e praticar ou se permitirem outras brincadeiras e estripulias… como se o tempo não tivesse passado! Ou os pais estivessem de volta a um parque de diversões, reavivando o dia em que apresentaram um jogral colorido na escola primária e encheram de orgulho a si próprios, colegas e mestres.

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Paulo Netho diverte o público de todas as idades nas apresentações que há 15 anos faz apoiado em textos próprios, parlendas, trava-línguas e cantigas de domínio público

Então, respeitável público, uma salva de estralar de dedos para o trio! E anotem que o SESC Ipiranga ainda tem uma apresentação programada do “Conversas Diversas”, marcada para o sábado, 26, a partir das 14 horas, com entrada franca. Depois o espetáculo vai a São Carlos, onde será mostrado em 15 de agosto. Em 11 de outubro será a vez do público de Campos do Jordão, durante uma festa em homenagem ao Dia das Crianças!

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Ricardo Kabelo, Paulo Netho, e Salatiel Silva com as crianças ao final do espetáculo, no SESC Ipiranga

Tavinho Moura volta a gravar e fãs ganham “Minhas Canções Inacabadas”

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Na apresentação de novembro de 2013 Tavinho Moura relembrou ao violão clássicos da carreira ponteada por sucessos como “Paixão e Fé” e “Peixinhos do Mar” (Fotos Marcelino Lima)

Para deleite de muitos admiradores e daqueles que gostam de música de qualidade, o cantor e compositor Tavinho Moura encerrou um período de três anos sem gravar, voltou ao estúdio e lançou neste ano “Minhas Canções Inacabadas”. O mineiro de Juiz de Fora, cidade da Zona da Mata, atendeu ao pedido de Henrique Santana, dono da “Poleiro D’Angola Estúdio e Escola” e brindou o público com 13 faixas, entre as quais “Como Vai Minha Aldeia”, dele e de Márcio Borges, que integra também o “bolachão” homônimo de 1978, e “Confidências do Itabirano”, parceria com Carlos Drummond de Andrade baseada no célebre poema do conterrâneo “Itabira é apenas uma fotografia na parede./Mas como dói!” A amizade com Fernando Brant também está contemplada em “Minhas Canções Inacabadas”, por meio da faixa “Peixe Vivo” , entre outras maravilhas que Tavinho apresenta em voz limpa e afinada, com vocais, violões, violas e arranjos dele próprio, conforme destaca Chico Amaral no livreto do encarte.

SCAN0002Tavinho, durante o tempo sem novidades para o mercado fonográfico, não ficou pescando ou curtindo a vida merecidamente em outra atividade de lazer ou de entretenimento pessoal. Ao contrário, pescou em outras águas nas quais aprimorou a fértil vertente de compositor e de escritor, além de fotógrafo, para produzir os livros “Maria do Matué- Uma estória do Rio São Francisco”, que saiu com o álbum “Rua do Cachorro Sentado” encartado na terceira capa, e “Pássaros Poemas – Aves da Pampulha”, este um magnífico registro de imagens de aves que habitam a lagoa do Parque da Pampulha, em BH.

O hiato também foi preenchido com vários shows, um dos quais o blog Barulho d’Água presenciou, em 30 de novembro de 2013, na Biblioteca Municipal Alceu Amoroso Lima, situada em Pinheiros, bairro da zona Oeste paulistana. À capela, ao som do seu tinhoso violão, Tavinho Moura cantou e tocou ao lado do companheiro do “Clube da Esquina” Fernando Brant canções consagradas da carreira de ambos tais quais “Encontro das Águas”, “Paixão e Fé”, “Cálix Bento”, “Peixinhos do Mar”, “Em volta do fogo”, “Gente que vem de Lisboa”, “Noites do meu sertão” e “A grande graça”. Naquela ocasião em São Paulo, Brant ainda autografaria exemplares do livro “Casa Aberta”, uma reunião de crônicas publicadas  no quinquênio encerrado em 2012 pelo jornal “O Estado de Minas”. No exemplar que adquiri, o autor parceiro de Milton Nascimento em “Travessia” escreveu acima do inestimável autógrafo “A vida é o melhor vinho, a vida é a melhor cachaça”, refrão de “A grande graça”, que fecha o álbum “Fogueira do Divino”. Ave, Brant, ave Tavinho, ora e viva!

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A dupla que faz parte do famoso “Clube da Esquina” também integra o universo literário. Tavinho, fotógrafo e escritor, escreveu “Maria do Matué” e Fernando Brant as crônicas de “Casa Aberta”
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A simpatia de Tavinho Moura é outra característica deste baluarte da cultura nacional, que tem ainda trilhas sonoras para filmes e documentários tais quais “Cabaré Mineiro”

 

Música e haicai se encontram em “Rosas para João”

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Capa do álbum “Rosas para João”, de Renato Motha e Patrícia Lobato

 

 Fecha o tempo no sertão
É chuva vindo
Um rai cai, um clarão

Escrever, ler e estudar (sobre) haicais, assim como a moda de viola, é uma das minhas paixões. Sobre o instrumento não sou capaz de arranhar uma mísera corda. Mas acredito que consigo compensar esta frustração, de vez em quando, compondo algum poema em três linhas, nem sempre rigorosamente de acordo com as normas clássicas recomendadas pelas cartilhas japonesas do gênero, porém chego bem perto; desastre mesmo, acredito, seria tentar tocar um pagode ao modo de Tião Carreiro e Pardinho ou arriscar-me a pontear os dez arames com os quais muita gente talentosa tem conseguido pavimentar uma boa estrada.

As particularidades do haicai, por sinal, talvez pela brevidade e apesar de toda a beleza que os versos evocam, parecem dificultar que eles apareçam em letras de músicas, deixando-o gênero quase que restrito apenas ao campo da escrita literária — embora algumas experimentações associadas a vídeos ou fotografias sejam bem sucedidas. Toda a regra, felizmente, parece ter sua exceção e Valter Braga conseguiu ao fintar esta faturar em 2005 o troféu do Festival da TV Cultura com a composição “Haicai Baião”, da qual destaquei os versos acima.

A música de Braga que mereceu o primeiro lugar naquela ocasião conquistou a plateia interpretada pelo casal mineiro Renato Motha e Patrícia Lobato, que a incluiu entre as faixas de “Rosas para João”, primeiro álbum de ambos. O disco constava até há pouco tempo do catálogo da gravadora “Sonhos e Sons”, de Belo Horizonte, e também é digno de nota elogiosa. Mais do que registrar a joia de Braga, o trabalho autoral de Motha e Patrícia guarda mais uma grande homenagem ao ilustre João Guimarães Rosa, escritor também nascido nas Alterosas. E é uma mostra do talento da dupla que canta junta também em outros álbuns de rara beleza, entre os quais “Antigas Cantigas”. Em “Dois em Pessoa”, eles abrem o baú de Fernando Pessoa e, inclusive em ritmo de samba, relembram vários dos poemas clássicos do português e de seus heterônimos.

Renato Motha, individualmente, ainda assina outros títulos que valem a pena conhecer. Destaco “Trilha das mãos”, instrumental, e “Amarelo”, ambos de 1999. Quem adquirir “Todo” ou “Caixa de Sonhos” também não amargará arrependimento. Já Patrícia Lobato iniciou voo solo com “Suspirações”.

Veja abaixo a letra completa de “Haicai Baião”, formada por três haicais, e já apresentada noo programa “Sr.Brasil”, de Rolando Boldrin apresenta na TV Cultura. Embora grafada por Braga com “x”, a expressão “baxô” é uma clara referência a Matsuo Bashô, um dos mestres do haicai no Japão e em todo o mundo.

Fecha o tempo no sertão/É chuva vindo/Um rai cai, um clarão (2x)
 
Trovão e tambor
No céu, no roçado zabumbam

7169030GG
Guimarães Rosa, escritor de Codisburgo (MG)
O santo baxô* (2x)
 
Manhã de água e cor
Até do outro lado do mundo
O chão fulorô (2x)
 
 

https://www.youtube.com/watch?v=LI_urK3NWfI&hd=1