950 – Katya Teixeira volta ao Sesc Belenzinho (SP) e recebe convidados para lançar Flores do Meu Terreiro

A cantora, instrumentista e compositora paulistana Katya Teixeira ocupará o palco da unidade Belenzinho do Sesc de São Paulo na noite deste sábado, 13 de maio, para lançamento de As Flores do Meu Terreiro, nome que escolheu para o sexto álbum da carreira em cuja trajetória vem se destacando como ícone da música regional brasileira. Conhecida e querida tanto pela fibra, quanto pela generosidade que complementam seu indiscutível talento, Katya Teixeira não apenas representa uma bandeira em defesa da música independente e de qualidade: carrega-a, literalmente, pelo país afora e também pelo exterior, transmitindo e recolhendo por onde passa saberes e sonoridades que contribuem para revelar não apenas traços da mestiça identidade brasileira, mas descobrir o que em nós há de comum com outros povos. 

Desta forma e neste intercâmbio a garimpar novos e ancestrais valores pelo Brasil, o trabalho de Katya Teixeira tanto reflete as andanças – os quais acabam por serem incorporados à sua musicalidade — como é correia pela qual repassa os próprios. À medida que, ainda, presta reverência aos mestres populares que a influenciam em 23 anos de estrada, vem percorrendo nesta missão países da América do Sul e da Europa para promover shows, vivências e oficinas. Nascida em família de músicos e pesquisadores, portanto, estamos diante de um nome que personifica uma tríade brasileira e latino-americana (euro-afro-indígena) protagonista de um rico diálogo artístico no qual todas as linguagens não apenas se tornam possíveis, mas complementares e universais.

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945 – Cantores populares animam II Feira Nacional da Reforma Agrária, do MST, em São Paulo

Da página do MST e da Agência Brasil

Pereira da Viola, Arnaldo Freitas, Cacique e Pajé, Katya Teixeira, Sapiranga, Osni Ribeiro, Ricardo Vignini Trio, entre outros expoentes da melhor música caipira e regional do país estarão entre as atrações que o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) convidou para cantar e tocar nos palcos da II Feira Nacional da Reforma Agrária, que a exemplo da pioneira (promovida em outubro de 2015) transcorrerá mais uma vez no Parque da Água Branca, situado na zona Oeste de São Paulo, com entrada franca. Neste ano o evento começará na quinta-feira, 4 de maio, e se estenderá até o começo da noite de domingo, 7. Os organizadores contam com a presença de agricultores de acampamentos e assentamentos de todo país e pretendem com a iniciativa abrir diálogos com a sociedade sobre a necessidade de adoção de modos mais equilibrados de se alimentar e de uma transição do atual modelo agrícola, que o MST considera predatório dos recursos naturais, para um que respeite o trabalhador e o meio ambiente. Além dos shows musicais que contarão também com Tulipa Ruiz, Emicida e Chico César, o público encontrará ainda bancas com variada oferta de comidas saudável e típicas, poderá trocar mudas e sementes, ouvir palestras e acompanhar seminários, escolher livros disponíveis em tendas literárias ou curtir apresentações teatrais, entre outras atividades culturais (veja programação ao final da matéria).

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931 – Após “uma surra boa”, Vento Viola (MG) encerra dezesseis anos de silêncio e lança “Em Nome do Vento”

O acervo fonográfico do Barulho d’água Música recebeu, recentemente, mais um considerável reforço: o álbum Em Nome do Vento, do grupo sul-mineiro de Itajubá Vento Viola, entregue por um dos seus integrantes, o jornalista do Correio Popular (Campinas/SP) Clayton Roma. O disco é o segundo do quarteto que além de Roma é formado por César Dameire, Lúcio Lorena e Aidê Fernandes, e foi lançado em dezembro de 2016, sucedendo Viola de Todos os Cantos (2000), que conta com a participação do violeiro Levi Ramiro e é considerado entre os amantes da música regional e caipira uma verdadeira relíquia por não dispor mais de cópias. Em Nome do Vento reúne 13 faixas e conta com as participações em três delas de Ronaldo Chaplin (Cheiro de Minas), João Lúcio (Amo Minas) e Adriano Rosa (Pinho e Violeiro). Abaixo, em entrevista ao portal Música à Vista, concedida a Ronaldo Faria, Clayton Roma fala, entre outros assuntos correlatos, sobre a produção do novo álbum destacando que “no primeiro disco a gravadora não interferiu no trabalho, mas corrigiram arranjos e fizeram a direção que acharam do jeito que tinha de fazer. Mas, neste segundo, foi o jeito do Vento Viola. Nós concluímos esse e já estamos com a cabeça no próximo. Afinal, música é o que não falta!”

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924 – Instituto Juca de Cultura recebe Déo Lopes, baluarte da música regional do Vale do Paraíba

O cantor e compositor Déo Lopes está comemorando 30 anos de carreira e mostrará parte de sua obra como convidado do Instituto Juca de Cultura no domingo, 2 de abril, a partir das 17 horas. O músico, natural da paulista Santo Antonio da Alegria, hoje residente no Vale do Paraíba, começou a trilhar a estrada profissional em 1980 promovendo apresentações em espaços concorridos como os palcos do Lira Paulistana, Fulô da Laranjeira, Tuquinha, Centro Cultural Vergueiro, Sesc Pompeia, em São Paulo, e Vila dos Artistas, em Osasco. Públicos dos estados de Minas Gerais, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Bahia, e Goiás, entre outros, também o prestigiaram neste período que configura seu jubileu de pérola; sem jamais renegar os próprios valores, nestas três décadas Déo Lopes compôs exprimindo anseios, amores, e crenças, além de respeito à ecologia e ao meio ambiente.

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916 -Sesc Pompeia, em Sampa, reserva duas noites com quatro expoentes da música regional de Minas Gerais

Os cantores  Paulinho Pedra AzulPereira da ViolaTau Brasil e Rubinho do Vale, quatro dos mais destacados da canção de raiz e regional de Minas Gerais, brindarão o público que frequenta a unidade paulistana do Sesc Pompeia com duas apresentações coletivas marcadas para 4 e 5 de março, respectivamente às 21 e 19 horas. Os músicos apresentarão neste inédito encontro Do Jequitinhonha ao Mucuri, espetáculo durante o qual revelarão a cultura particular das duas regiões que, apesar da escassez econômica ainda provocadora de alarmantes riscos de vulnerabilidade social em ambas, destacam-se no cenário nacional pela abundante e eclética produção artística e popular.  O Vale do Jequitinhonha engloba 51 municípios que se situam ao longo do Rio Jequitinhonha. Já o Mucuri também é nomeado pelo rio que banha a região e em cujas margens existem 53 cidades.

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906 – Zé Paulo Medeiros e Mari Ananias em Sampa: duas boas opções para quem aprecia música de qualidade

Artista natural de São Paulo, e não mineiro como publicamos em matéria recente aqui no Barulho d’água Música, e retomando a carreira após dez anos de hiato entre períodos sabáticos e de dedicação às atividades da empresa familiar que administra no ramo de laticínios e derivados, o cantor e compositor Zé Paulo Medeiros (foto acima) será atração gratuita do Teatro Décio de Almeida Prado no sábado, 10 de setembro, a partir das 21 horas.

Zé Paulo Medeiros relembrará nesta apresentação programada pela Prefeitura de São Paulo sucessos de mais de 30 anos de estrada e dos oito álbuns autorais que carrega na bagagem, incluindo a trilogia Casulo. Em algumas faixas da discografia, ele contou com participações especiais de músicos como Sergio Reis, Yassir Chediak, Tonico e Tinoco, Saulo Laranjeira, Osvaldinho da Cuíca, Rodrigo Sater, Maria Alcina, Cezar do Acordeon, Inezita Barroso, Cláudio Lacerda e Zé Geraldo, entre outros.

Para saber mais sobre Zé Paulo Medeiros visite a atualização 897 do Barulho d’água Música por meio do linque https://barulhodeagua.wordpress.com/2016/07/07/897-fiel-as-raizes-ze-paulo-medeiros-mg-canta-valores-como-a-simplicidade-caipira-no-projeto-imagens-do-brasil-profundo/

O endereço do Teatro Décio de Almeida Prado é a Rua Cojuba, 45 B, Itaim Bibi. Para mais informações há o telefone 3079-3438.

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Para quem curte boa música e os bons cantores que Sampa oferece, mas estiver e preferir ficar na ZL ao invés de esticar até a ZO no sábado, 10, a dica do blogue, sugerida pelo amigo e produtor cultural Joel Emidio da Silva, é dar um pulinho ao Bar do Frango, situado no Parque São Lucas, e conhecer o trabalho de Mari Ananias. Cantadora, poetisa e pesquisadora de literatura e cultura popular, Mari Ananias apresentará também a partir das 21 horas Flores de Quimera, com a participação da flautista Lu Bernardo, e repertório com canções de Elomar, Sivuca e João Bá, além de outras belas surpresas.

O Bar do Frango, um reduto dos mais tradicionais do bairro,  já recebeu nomes como Dércio Marques, Katya Teixeira, Enan Racan, Chico Branco, João Bá, Daniela Lasalvia, Antônio Pereira, Mauri de Noronha e Chico Pedro, Antônio Galba e Pedro Antônio. Para quem ainda não conhece vale a pena ir até a Avenida São Lucas, 479, Parque São Lucas, logradouro coladinho à igreja de São Lucas!

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898 – Composição Ferroviária está de volta com shows gratuitos do Cobra Coral e do Tarumã em Poços de Caldas (MG)

Neste domingo, 17 de julho, o público de Poços de Caldas e dos municípios  vizinhos deste aprazível cantinho sul mineiro voltará a curtir no pátio da antiga estação de trens da Mogyana as apresentações musicais do Composição Ferroviária. Coordenado pelos músicos e produtores culturais Wolf Borges e Jucilene Buosi, o projeto que já faz parte do calendário cultural da cidade nesta primeira rodada da temporada 2016 será oferecido como parte da programação do Julhofest.  E como a retomada será mais do que especial, eles prepararam uma Edição Vocal que brindará a plateia com dois shows, ambos sem cobrança de ingressos, levando ao palco a partir das 10 horas o Quarteto Cobra Coral (BH) e o Grupo Tarumã (SP).

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897 – Fiel às raízes, Zé Paulo Medeiros (MG) canta valores como a simplicidade caipira no projeto Imagens do Brasil Profundo*

*Com dados informados pelo artista e extraídos do blogue Em Canto Sagrado da Terra e do Dicionário Cravo Albin da Música Brasileira

O cantor e compositor  Zé Paulo Medeiros, mineiro do distrito de São José dos Lopes, nascido ao pé da Serra de Ibitipoca, em Lima Duarte, hoje radicado em São Paulo, é a próxima atração do Imagens do Brasil Profundo, projeto que tem curadoria do professor de Sociologia Jair Marcatti e vem sendo promovido já em sua terceira temporada na Biblioteca Mário de Andrade, situada em São Paulo. Marcatti receberá o artista para a apresentação do show A Cara do Sertão a partir das 20 horas, na quarta-feira, 13, sem cobrança de ingressos. A autenticidade decorrente da fidelidade às raízes, o respeito a valores como simplicidade e sua postura autônoma, de quem não se verga aos ditames do mercado, podem ser apontados como principais valores do seu perfil, tanto artístico, quanto humano.

“Fui criado na roça, onde há festas todos os anos, e tive contatos com a música regional e muita moda de viola, costumes que me influenciaram”, conta Zé Paulo Medeiros. “Neste ambiente peguei pela primeira vez a viola caipira para começar a desenvolver melodias e criar um som ao meu estilo”, emendou. “Depois, com o violão, estudei música alguns anos”, complementa, observando, entretanto, que apenas de maneira informal, pois é formado em Engenharia Topográfica — carreira que não exerce. “Deu no que deu e hoje tenho um projeto mais maduro, com influências do que tivemos tempos atrás.”  

Para Zé Paulo Medeiros o gênero regional é o que mais guarda intimidade com a sonoridade das dez cordas e o que melhor traduz as tradições culturais do caboclo, mas sua formação em busca de uma visão própria para compor encontra suporte, ainda, em ídolos como Geraldo Vandré e Chico Buarque, por exemplo, que permitiram em suas próprias palavras “fazer minha música mais eclética”. Tanto que em suas cantorias ele gosta de deixar a plateia sabendo que ouvirá da moda de viola ao blues à medida em que revisita obras de luminares como Tião Carreiro a Bob Dylan, entre outros.

“Faço parte de um perfil de artistas que buscam a preservação da cultura regional. Minha obra é totalmente voltada ao homem do campo, que substituiu sua pouca cultura pela sabedoria aprimorada, sem perder sua característica principal que é a simplicidade”.

Caminhante e a Cara do Sertão, de 2001 e de 2003, são os álbuns mais conhecidos de Zé Paulo Medeiros — que no entanto estreara em 1982 lançando o álbum em vinil Sei Lá. Em mais de 30 anos de carreira, também produziu Cine Mazzaroppi (indicado ao Prêmio da Música Brasileira, em 2009), além da trilogia Casulo (caixa com três discos individuais com canções representativas da trajetória de três décadas, completada em 2012) e As Aventuras de Pepita (projeto cantado e contado que traz temas e histórias com mensagens de preservação da Natureza). “O Caminhante caracteriza bem a minha influência por esse povo de sutil sabedoria, que é o povo caboclo e caipira, e nas 16 faixas busquei resgatar o valor dessa gente mais humilde, pela qual tenho muito respeito. O título é uma metáfora, talvez de procurar ou de passar em lugares para aprender novas coisas”.

 

Zé Paulo Medeiros atua sempre de modo a preservar a independência pessoal e artística, postura que permite vantagens como direcionar a obra para onde se quer, sem incorrer em riscos inerentes ao da assinatura de contratos viciados por caprichos patronais que obrigam o subordinado a seguir regras de mercado e metas lucrativas discrepantes com a liberdade de criação. “Há muitos esquemas ‘jabalísticos’ em gravadoras que pagam para tocar seus artistas com exclusividade, e como não abraçamos estes ‘esquemas’, acabamos por aparecer pouco, salvo em rádios que tocam nossa música e mostram nosso trabalho. Então o importante não é quantidade de público a ser atingido, nem quantidade de meios de comunicações, mas sim a qualidade deles.”

(Jabalístico vem de “Jabá”, apelido pelas quais são conhecidos os “agrados” que beneficiam como moedas de troca e “molham as mãos” de jornalistas, agentes ou programadores culturais que atendem interesses de determinadas fontes, nem sempre éticos)

Apesar de ao longo da carreira sempre precisar esgrimir contra estas barreiras, Zé Paulo Medeiros já conta com o respeito e acumula prestígio entre os amigos e admiradores dos meios caipira e regional. Para se ter uma ideia do valor de sua obra, basta mencionar que já em 1976 a Campanha da Fraternidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se desenvolveu com base em uma das música dele, Caminhar juntos. Além dos discos, também musicou peças de teatro como O Espantalho e  teve Yanomami incluída na trilha sonora do filme Zezinho, o menino mentiroso“. Em 1999, Jogo de cartas foi a escolhida pelo Grupo Ponteio para o álbum alusivo ao 25º Festival Nacional MPB de Ilha Solteira. Boiadeiro, faixa de A cara do sertão, recebeu 42 prêmios em diferentes festivais de música Este disco contou com a participação especial de Tinoco, da dupla Tonico e Tinoco, homenageado na faixa Viola.

Mergulho no Brasil de dentro

Dedos de prosa, boa conversa, música, imagens, artesanato e cultura popular. Essa é a receita de Imagens do Brasil Profundoprojeto que desde 2014 oferece ao público da Biblioteca Mário de Andrade shows, debates, bate papos musicais e ações para crianças, quinzenalmente sempre às quartas-feiras, com entrada franca sob a batuta do historiador e sociólogo Jair Marcatti. A ideia é mostrar e trazer à luz manifestações populares e objetos que revelam o Brasil por dentro, aquele país que nas palavras do mestre Ariano Suassuna vive escondido em rincões considerados profundos, mas é muito vivo. Ao invés de promover abordagens tradicionais, Marcatti prefere convidar músicos, documentaristas, diretores de cinema, ativistas culturais e pesquisadores da cultura popular que em comum nutrem um modo de olhar aprofundado e amplo sobre o país e trabalhos de pesquisa e resgate das nossas mais entranhadas tradições.

Com cada um dos participantes, Marcatti aborda aspectos do universo cultural e musical  brasileiro, de nossas trajetórias, continuidades e rupturas; daquilo que, sem nenhuma pretensão definidora, poderíamos chamar de identidades brasileiras, no plural, com a vantagem dos exemplos serem pontuados no calor da prosa, ao vivo, pelo som dos instrumentos, muitos artesanais, e pela apresentação de outras formas de expressão cultural.

A Biblioteca Mário de Andrade fica na Rua da Consolação, 94, entre as estações República e Anhangabaú da linha 3 Vermelha do Metrô e para mais informações disponibiliza o número de telefone 11 3775-0002.

 

ninguém está vendo

872 – Sob o manto da delicadeza, Consuelo de Paula abre terceira temporada do Imagens do Brasil Profundo, em São Paulo

Consuelo de Paula vestiu-se do seus melhores sorrisos e cobriu com sonhos, arrepios e músicas o público que a prestigiou na noite de quarta-feira, 4 de abril, quando a convite do professor Jair Marcatti abriu em São Paulo a terceira temporada do projeto Imagens do Brasil Profundo. Do centro do acolhedor palco Rubens Borba de Moraes da Biblioteca Mário de Andrade, a cantora, compositora e poetisa conduziu ao violão e sob o manto da delicadeza, após a chegança ao toque de tambor, uma inesquecível navegação acústica pela Mantiqueira, passeio que cruzou também lilases, azuis, verdes, vermelhos, rios e oceanos para nos religar às nossas origens tanto em Portugal, quanto em África e onde o coração alcançou. Em meio a homenagens aos pais e a alguns dos seus mais amados mestres e parceiros (citou João Arruda, João Bá, os irmãos Dércio e Doroty Marques e Rubens Nogueira), quem a ouviu e também a acompanhou marcando a viagem com palmas ancorou ainda em cais que se abriram para feiras, quermesses e congadas vivenciadas desde menina em cidades do Sul de Minas vizinhas à terra natal, Pratápolis.

Em uma delas, Itamogi, contou ter avistado um certo capitão Donizete e que estabeleceu de imediato com ele, sem jamais ambos terem se visto antes, um afinado reconhecimento mútuo que se deu pela troca do primeiro olhar. Salve Maria: em sua sapiência e sensibilidade, o congadeiro intuía que em suas retinas pousava a imagem de uma nova rainha daqueles costumes e tradições, a qual, gentilmente, cedeu o cajado, bastão simbólico de majestade que em sua simplicidade com certeza deveria ser mais nobre que um cetro cravejado de diamantes. “A cidade inteira saia no congado, eu nunca tinha visto, que lindo! E todos comiam juntos no mesmo lugar, era uma delícia”.

“Fiquei pensando o dia todo que este Imagens do Brasil Profundo de hoje seria do começo ao fim para mim a relação que a gente tem com o nosso lugar, nossas terras, rezas e estranhezas, mas sobretudo de um imenso coração que une nós todos, nossos rios, nossas lutas, nossos sonhos”.

Do outro lado do Atlântico
Alguém ainda chora a dor da África sem América
Mãe roubada, barriga roubada
Do lado de cá respondo com o toque do meu tambor
No encontro do meu coração reúno as duas partes
Lado esquerdo e direito,
Artéria e veia:
Dou à luz um índio
Filho do negro que já fui!

Consuelo de Paula é assim, multiétnica; pluralista e universal,  palestina, judia, americana de todas as latinidades. Trilha de uma Folia de Reis, de tonalidades suaves, não perde a essência e o perfume, como um manacá. Jair Marcatti apresentou a porção brasileira dela como síntese entre Cecília Meirelles, Guimarães Rosa e Manoel de Barros: de fato, ela sabe como ninguém tanto do tratado das coisas e dos sentimentos, quanto da poesia dos cuidados diários, como encontrar rimas que soam como curativos ou flores que saram  descuidos e dores ocasionais e saudades ancestrais; Consuelo de Paula transforma o ínfimo em grandeza. A imensidão que existe em seu mar e que em seu íntimo também se configura sertão pede velejar sem pressa… uma, duas, três, quantas vezes soprar um vento de bonança ou um cavalo passar arriado, pois, embora intensa, em sua correnteza jamais se mareia e naufragam barcos, em seu solo jamais vingam estiagens: mesmo os que têm cascos frágeis como papel, mesmo as mais perdidas asas brancas, por fim ancoram e encontram o amor que ela nos dá! Entre uma batida ritmada no tambor e um ponteio do violão, não há negror que resista no horizonte. Mesmo que a gente tenha que seguir remando contra a maré, com Consuelo de Paula na proa, seja no palco ou entre nós, a viagem sempre será profunda e abençoada!

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Consuelo de Paula, mineira de Pratápolis, cantou sucessos de sua discografia, composta por seis álbuns, entre os quais parcerias com mestres como Rubens Nogueira e Mário Gil

Jair Marcatti afirmou que o Imagens do Brasil Profundo está sendo retomado em um momento no qual o país enfrenta polarizações que têm gerado várias formas de agressões e aguda desesperança — contexto que reafirma os propósitos do projeto como ele o pensou, há três anos, seguindo princípios e ideais de três dos nossos maiores expoentes culturais que são o patrono Mário de Andrade, Darcy Ribeiro e Ariano Suassuna, apoiado, ainda, em pensamentos de Machado de Assis. Conforme o entendimento do curador, estes propunham  “um reencontro do Brasil com ele mesmo”, mas não com o Brasil institucional, caricato e burlesco, e sim o mestiço, aquele que nos permite afirmar perante o mundo a originalidade da civilização tropical, revelador de nossos melhores instintos e mais arraigadas tradições.

Em 2016 a temporada se estenderá até 14 de dezembro. A próxima rodada, 22 de maio, um domingo, contemplará a partir das 11 horas o público infantil. O convidado é o grupo inserido no circuito mundial de contação de histórias Boca do Céu, cuja participação será finalizada pelo violeiro Paulo Freire (Campinas/SP). Depois, na quarta-feira, 25 de maio, Marcatti receberá para o primeiro bate-papo  deste ano o acordeonista Thadeu Romano (São Paulo/SP) com o mote “A geografia afetiva dos caminhos da sanfona no brasil”    

“Vá meu cavalo alado, vá cumprir sua sina,
Leve este recado, esta carta pendurada em seu dorso
Corra porque a paz tem pressa!”

Do livro A Poesia dos Descuidos, de Consuelo de Paula e Lúcia Arrais Morales. Consuelo o declamou motivada pela imagem que Marcatti escolheu para ilustrar o projeto, um viajante à cavalo, extraída dos Cadernos de Viagem de Guimarães Rosa.

Prestigiaram a apresentação de Consuelo vários expoentes da música de qualidade e da imprensa, alguns de primeira grandeza como ela: Katya Teixeira, Paulo César Nunes, Antônio João Galba, Sidnei de Oliveira, Amauri Falabella, Jean Garfunkel, Joana Garfunkel, Fábio Jorge, Betto Ponciano, Vitor Nuzzi, Mercedes Cumaru, Marco Aurélio Olímpio e Joel Emídio, do blogue Ser-tão Paulistano. O Barulho d’água Música também destaca o primoroso trabalho dos técnicos de som e de iluminação do teatro e a presença na plateia da supervisora de ações culturais da Biblioteca Mário de Andrade Tarsila Lucena.

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O violeiro e o sanfoneiro Paulo Freire e Thadeu Romano: o projeto Imagens do Brasil Profundo, ainda em maio, terá mais duas atrações imperdíveis (Foto: Arquivo Barulho d’água Música/Marcelino Lima)

862 – Ao tambor e ao violão, Consuelo de Paula anuncia: começa nova temporada do Imagens do Brasil Profundo em São Paulo

Para quem estava com saudade o reencontro com o projeto Imagens do Brasil Profundo transcorrerá a partir da quarta-feira, 4 de maio, e enseja que ficará entre os mais marcantes de todos os espetáculos congêneres já promovidos na Biblioteca Municipal Mário de Andrade, em São Paulo. A cantora, poetisa e compositora Consuelo de Paula, aclamada pelo público que prestigia e cultua música de qualidade, é a primeira convidada do curador professor de Sociologia Jair Marcatti para a temporada. Mineira de Pratápolis radicada em Sampa, Consuelo de Paula ocupará o palco Rubens Borba de Moraes a partir das 20 horas. Não haverá cobrança de entrada para vê-la e ouvi-la tocando manifestações e os ritmos como Moçambique, Toada de Congo, Folia, Jongo, Samba, Baião e Maracatu que compõem o repertório de Tambor de Rainha, por meio do qual transmite com a emoção que a caracteriza memórias de vários momentos de encantamento e fascínio que guarda e a inspira desde os 13 anos quando, por exemplo, seguindo cortejos populares, sentiu-se estimulada a fundar um bloco feminino de Carnaval em Pratápolis só para extravasar a paixão por batucar. Durante a apresentação, Consuelo de Paula alternará tambores e violão e até mesmo um pandeiro poderá entrar em cena para que ela desfile composições clássicas e autorais dos seis álbuns da discografia, entre os quais o mais recente, O Tempo e o Branco.

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