1306 – Músicos mineiros protagonizam segunda rodada regional da mostra “Dandô em Casa”

#DandoEmCasa #CircuitoDando #DercioMarques #CulturaPopular #MusicaDeQualidade  #BrasilProfundo

#FiqueEmCasa #MáscaraSalva #LaveBemAsMãos #Quarentenas

#Liberdade#Respeito#Pluralidade#Diversidade#Tolerância#ImprensaLivre#Democracia

#ForaBolsonaro

O Dandô Circuito de Música Dércio Marques também está se reinventando neste momento de pandemia provocada pelo surgimento do coronavírus e anunciando aos amigos e admiradores a realização de várias mostras virtuais que todos poderemos acompanhar ao vivo, pelo Facebook e pelo Youtube, sem que precisemos sair da residência e burlar a recomendação de isolamento domiciliar durante a quarentena, como preconizam as autoridades de saúde em combate à Covid-19. A primeira transmissão do projeto Dandô Em Casa rolou em maio e, doravante, haverá mais quatro, sempre no primeiro sábado de cada mês, entre  junho e setembro., começando às 17 horas; os linques para acompanhá-las estarão disponíveis ao final desta atualização.

Artistas do Circuito Minas Gerais estarão na rodada de junho, marcada para o dia 6. Com apresentação de Márcio Vesoli, terá as participações de Beatriz Faria (Belo Horizonte), Giancarlo Borba e Sol Bueno (Moeda) e Marcelo Taynara (Uberaba).

Continue Lendo “1306 – Músicos mineiros protagonizam segunda rodada regional da mostra “Dandô em Casa””

1302 – Festival Nova Viola Instrumental, totalmente virtual, reúne expoentes que executam o instrumento com abordagens que vão além do universo caipira

Fernando Sodré e Letícia Leal, organizadores do evento, pretendem congregar esforços teórico-metodológicos e experiências dos profissionais que trabalham com a viola instrumental da atualidade., reunindo uma geração  que têm trabalhos inovadores e conceituais; conteúdo ficará disponível  um ano para assinantes que se inscreverem 

#FiqueemCasa #MáscaraSalva #ForaBolsonaro

Em tempos de pandemia do coronavírus nos quais a quarentena para tentar conter a expansão da Covid-19 impõe o isolamento domiciliar e o distanciamento social em todo o mundo, as apresentações virtuais de cantores e músicos para seus públicos se tornaram frequente e, nesta onda, também resolveram surfar os violeiros mineiros Fernando Sodré e Letícia Leal. Entre os dias 15 e 17 de maio, eles estarão à frente do Festival A Nova Viola Brasileira Instrumental, que oferecerá em transmissões pela internet onze workshops, palestras, nove concertos e uma mesa redonda de debate com nomes renomados, entre os quais a francesa Fabienne Magnant, além da participação de um consagrado luthier e um técnico de áudio, ambos especialistas na atuação deste instrumento. Para ter acesso aos conteúdos pelo telefone celular, pelo computador ou pela televisão será necessário fazer inscrição prévia que liberará os sinais para a tela, cuja taxa está cotada em R$ 200, valor que poderá ser dividido em até doze vezes. Quem assinar poderá rever as atrações por até um ano visitando a plataforma que hospedará o evento. O endereço eletrônico para mais informações e providenciar a inscrição é https://www.novaviolabrasileira.com.br/

Continue Lendo “1302 – Festival Nova Viola Instrumental, totalmente virtual, reúne expoentes que executam o instrumento com abordagens que vão além do universo caipira”

1293 – Chico Lobo (MG) transmite show Quarentena ao Vivo e anuncia festival on line de viola em MG

Violeiro fará apresentação virtual de clássicos da carreira e músicas inéditas, de 35 minutos, com apoio dos filhos e de Tatá Sympa antes de participação em evento musical português, também transmitido pela internet

#fiqueemcasa

Chico Lobo, um dos mais aclamados violeiros do país, cantor, compositor, gestor e produtor cultural, vai inovar mais uma vez na carreira que já conta com 35 anos de contribuições à cultura popular promovendo por meio de um de seus canais virtuais uma apresentação on-line a partir das 17 horas deste sábado, 28. Quarentena ao Vivo é uma iniciativa de Chico Lobo que contará com apoio e participação dos filhos Mateus, Luisa e Tomás, que se incumbirão da transmissão, e do músico e amigo mineiro Tatá  Sympa, que ficou encarregado pela parte técnica juntamente com a esposa do violeiro, Ângela. O amigo e seguidor do Barulho d’água Música poderá acompanhar a apresentação pelo endereço https://www.youtube.com/channel/UCvPvMi0F3tG5lr6xND7DXqA. “Nesse momento tão dramático que o meio artístico vive, temos de usar a nossa criatividade, as nossas relações e levar ao público a nossa música, a nossa esperança”, afirmou Chico Lobo, referindo-se à pandemia global por conta do alastramento da Covid-19, causada pelo coronavírus. “Devemos usar os recursos da modernidade em nosso favor para assim chegar à casa das pessoas; criar vínculos maiores – de parceria dos artistas com o seu público. Acho isto importante e decidi ir à luta.”

Continue Lendo “1293 – Chico Lobo (MG) transmite show Quarentena ao Vivo e anuncia festival on line de viola em MG”

1285- Duo Aduar (MG) lança primeiro álbum em selo de Chico Lobo em parceria com a Kuarup

O Duo Aduar, formado pelos músicos Gabriel Guedez e Thobias Jacó, estará na cidade de São Paulo na sexta-feira, 13 de março, como atração da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, local escolhido para lançamento no Piso Deck do álbum Riachinho das Pedras. Primeiro disco da dupla, Riachinho das Pedras tem oito faixas e está sendo lançado pelo selo Lobo Kuarup, do violeiro Chico Lobo que inicia seu projeto fonográfico de curadoria de artistas para gravar e lançar novos talentos da música regional e brasileira em parceria com a produtora e gravadora Kuarup. Um exemplar do cedê nos foi gentilmente enviado pelo diretor artístico da Kuarup, Rodolfo Zanke, ao qual agradecemos, e abriu as audições matinais dos sábados neste dia 7 de março aqui no boteco do Barulho d’água Música, em São Roque, no Interior de São Paulo.

Continue Lendo “1285- Duo Aduar (MG) lança primeiro álbum em selo de Chico Lobo em parceria com a Kuarup”

1284 – Músico mineiro Tatá Sympa promove pocket show em Sampa para lançar álbum de estreia pela Kuarup 

João Brasileiro traz as participações especiais de Zeca Baleiro, Chico Lobo, Robério Molinari e Laura Souza e será apresentado, de graça, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional

Foto: Elmo Alves

O músico mineiro Tatá Sympa será atração na sexta-feira, 6 de março, de um pocket show previsto para começar às 19 horas, sem cobrança de entrada, no piso deck da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, situado na cidade de São Paulo (veja a guia Serviços). Durante a apresentação, Sympa lançará o seu disco de estreia pela gravadora Kuarup,  João Brasileiro, o primeiro de sua carreira. Um exemplar de João Brasileiro, gentilmente nos foi gentilmente enviado pelo diretor cultural da Kuarup, Rodolfo Zanke, ao qual agradecemos, e abriu neste dia 22 de fevereiro as audições matinais que o Barulho d’água Música promove aos sábados, a primeira no nosso novo boteco, aqui em São Roque, no Interior de São Paulo.

Continue Lendo “1284 – Músico mineiro Tatá Sympa promove pocket show em Sampa para lançar álbum de estreia pela Kuarup “

1282 – Do concreto armado ao horário nobre: como, após ser apresentado a Elis, Tunai ganhou notoriedade na MPB

Cantor e compositor que emplacou vários sucessos em trilhas de telenovelas e a exemplo de Belchior morreu dormindo, resolveu trocar o diploma de Engenheiro Civil pelo microfone e pelo violão depois de a Pimentinha gravar As aparências enganam, uma das mais de 200 criações da obra do autor de Frisson. E o projeto de um DVD, com algumas inéditas, pode, em breve, chegar para amenizar a dor dos amigos e fãs

O feeling de Elis Regina para sacar músicas de outros autores que ela podia interpretar com a graça e o talento que possuía se não ajudaram Belchior, Renato Teixeira, Adoniran Barbosa e Ivan Lins a chegarem aonde chegaram após ela dar voz a Como Nossos Pais, Romaria, Tiro ao Álvaro e Madalena, entre outros compositores e canções, no mínimo, deu um empurrãozinho. Entre eles os que por ventura já não estavam depois caíram no gosto do público, e pelos próprios méritos se tornaram ícones incontestáveis da MPB, construindo trajetórias de tamanha grandeza que as canções deles interpretadas pela Pimentinha hoje são “apenas” uma das pulsantes estrelas das próprias constelações que iluminam as respectivas carreiras. Para o mineiro Tunai, a influência de Elis Regina não foi menor; na verdade talvez, conforme ele mesmo chegara a declarar aos dar os primeiros passos rumo á fama, tenha sido decisiva, levando-o a trocar sem pestanejar projetos de engenharia civil pelos palcos, microfones e seu violão.

Para tristeza dos que gostam do perfil da música do qual estamos tratando aqui, na manhã do domingo, 26, Tunai foi encontrado pela esposa, morto, em sua casa, no bairro carioca de Santa Tereza. O atestado de óbito indica que ele sofreu parada cardíaca enquanto dormia — assim como Belchior em abril de 2016, entretanto no caso do cearense autor de Como Nossos Pais devido ao rompimento de uma parede da artéria aorta, conforme foi confirmado mais tarde pela autópsia. Tunai era José Antônio de Freitas Mucci, e estava com 69 anos, foi cremado na tarde da segunda-feira, 27, depois do velório no Memorial do Carmo, no bairro carioca do Caju, situado na zona portuária do Rio de Janeiro, para onde acorreram à despedida amigos, admiradores e familiares, dentre os quais o irmão, o sambista João Bosco, também natural de Ponte Nova, município da Zona da Mata mineira, mas quatro anos mais velho.

Continue Lendo “1282 – Do concreto armado ao horário nobre: como, após ser apresentado a Elis, Tunai ganhou notoriedade na MPB”

1280 – Silencia no sertão a viola de Manoel de Oliveira, o Mestre Manelim, autor do álbum Urucuia, com Paulo Freire

Menos de uma semana depois de a música brasileira perder o pernambucano menino passarinho Luiz Vieira, que desencarnou aos 91 anos na cidade do Rio de Janeiro na quinta-feira, 16/1, também bateu asas e subiu ao Mundo Maior, na terça-feira, 21, Manoel de Oliveira, o Mestre Manelim, violeiro que nasceu e viveu em Urucuia, uma pequena cidade no Noroeste de Minas Gerais que inspirou Guimarães Rosa, a 600 quilômetros de Belo Horizonte.

Mestre Manelim estava com 86 anos . Em Brasília (DF), durante uma ida à casa da filha no mês de dezembro,  ele recebeu recebeu visita do também violeiro Paulo Freire, seu mais notório discípulo, que com ele conviveu longamente e aprendeu vários toques que estão fora dos manuais didáticos dedicados ao ensino do instrumento.

Freire, que também é escritor, pesquisador e contador de causos dos bons, mora em Campinas, no interior de São Paulo e em 2006 ajudou a trazer à luz o único álbum gravado pelo mestre, Urucuia, contribuindo desta maneira para não deixar relegado apenas ao seu pequeno e encantador universo um baluarte da cultura popular — assim como mais recentemente o fizeram o poeta e compositor mineiro Paulo César Nunes e os músicos Danilo Gonzaga Moura e Victor Mendes, do Trio José, de São José dos Campos (SP), que nos revelaram e nos apresentaram à extensa e plural obra  do sêo Juca da Angélica, poeta da oralidade que atravessava seus últimos dias em Lagoa Formosa (MG) e que o Brasil ignorava até então, mas que pelo esforço deles ganhou um mínimo de notoriedade e carinho antes de subir para o Plano Celestial, aos 97 anos; vale lembrar, ainda, que a pantaneira Dama da Viola, Helena Meirelles, só “explodiu” cá em Pindorama  após ser “descoberta” pela edição norte-americana da Revista Guitar Player, já octogenária, no final da década dos 80.  

Sobre a vida, a partida e a obra de Manoel de Oliveira, portanto, não há ninguém melhor do que  Paulo Freire para nos contar — embora fosse admirado, ainda, basta ver os comentários à mensagem de Paulinho, por muitos craques dos gêneros caipira e regional, como Roberto Corrêa. É de Freire o pungente, emocionado depoimento que abaixo reproduzimos e compartilharemos, publicado também pela Revista Fórum, e cujas palavras explicitam o tamanho da importância de preservarmos a qualquer custo a memória de nossos artistas — notadamente aqueles que estão fora do mainstream, quando se faz apologia aos pilares do nazifascismo como modelo de cultura a ser seguido — que nos legam obras essencialmente brasileiras, que preservam e difundem nossos mais caros e imprescindíveis valores fundantes.

Na sequência do depoimento de Freire nesta atualização, o amigo e seguidor lerá texto de apresentação do álbum Urucuia que acompanha no sítio Em Canto Sagrado da Terra os arquivos, em formato Mp3, das 16 faixas do disco.

Hoje, 21 de janeiro de 2020, faleceu seu Manoel de Oliveira, mestre Manelim. Meu mestre. Não vou falar “encantou-se”, como diria o Rosa, pois não consigo ver poesia em sua partida. Mesmo sendo o Rosa quem me fez conhecer o seu Manoel e o grande sertão. Uma palavra melhor, ou mais adequada, seria: devastação.
Mestre Manelim me ensinou a enxergar a viola na natureza. Foi um exemplo de pai. Um outro pai. Sou irmão de seus filhos, e filho também de dona Vicentina. A lembrança do café na beira do cerrado, amanhecendo, no frio do sertão, em volta da fogueira, com o mundo despertando, até ouvir o chamado do mestre para todos irmos trabalhar na roça. No final do dia, no terreiro tão bem cuidado de dona Vicentina, pontear a viola e grudar a atenção no que estava acontecendo. Para onde vai tudo isso? Como permanece dentro de mim e deles, sem o seu Manoel?
Acredito cada vez mais que não existe céu e inferno, quer dizer, não existe só isso. Tem muito mais assunto. A alma é um assunto. E existem vários caminhos para se trilhar. Dentro desse nosso couro que vai enrugando, e fora desse couro. Os toques de viola que ele me ensinou, como o sapo e o veado, o papagaio, lagartixa, mostravam como poderíamos ser estes bichos, como entrar no sentido deles e, assim, esticar nossas vidas. Tenho certeza que estes últimos dias, mesmo bem longe dele, o seu Manoel esteve aqui ao lado. E dentro. Senti fundo um chamado, como o dia que ele foi me buscar na roça adivinhando uma tristeza que baixou em mim. Como o seu Manoel percebia isso? Me senti ao seu lado, no silêncio que ele carregava, e o peito apertando…
Não conseguirei ir à despedida do seu Manoel, amanhã, no Urucuia. O seu Manoel sabe por quê. Meus irmãos urucuianos e dona Vicentina também. Já que não consigo, vou de outro jeito. Desligar do que não tô precisado e deixar ele me guiar para algum outro lugar em comum. Em dezembro estive com ele, dona Vicentina, e minhas irmãs Joaninha e Valdinea, em sua casa, em Brasília. Seu Manoel estava se recuperando de uma pneumonia, mas bem fraquinho. Pediu que eu tocasse o “rio abaixo”. Peguei a viola e toquei. Experimentei passar a viola pra ele. Mesmo sem forças, o Manelim mostrou que não estava certo o meu ponteado. Tentei de novo, pelejando com o detalhe. E ele enfim disse: “um dia você aprende”. Com seu jeito doce e sentimento firme. Como que dizendo: continua, não para, não esmorece, olha eu aqui! O Cacai Nunes tava bem do ladinho e viu tudo.

Santíssima trindade: O mestre Manelim (sentado), o instrumento que os unia e o discípulo violeiro Paulo Freire

Desde cedo eu senti que hoje era um dia no lugar errado. A respiração não sai nem entra direito. Olhava para o telefone a todo momento, já que estou desacostumado do caminho das almas. Até que veio a notícia. Saí para andar. Procurei um canto que pudesse entender o acontecido, ou buscar forças para enfrentar a devastação. Fui num lugar que nunca tinha ido e uma árvore me buscou. Uma paineira. Fiquei calado o dia inteiro. Só uma conversinha de trabalho. E as trocas de afetos com meus irmãos, filhos do Manelim. Sei que tem um bocado de amigo passeando por aqui, então vim esvaziar o peito.
Vão ouvindo, seu Manoel tá quieto aqui na rede, fazendo um pinicado na viola, uma besteirinha, como ele dizia, diamante puro, água fresca de vereda, capaz de ultrapassar qualquer explicação de amor e saudade.

Urucuia é a terra natal de Riobaldo, personagem de Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. A cidadezinha de 11 mil habitantes fica no noroeste de Minas Gerais, na margem do rio homônimo, um dos afluentes do Rio São Francisco. Reza a lenda que o escritor Guimarães Rosa nunca esteve por lá, mas foi de pessoas de lá que ouviu, na venda do pai, diversas histórias da região que povoam sua fantástica literatura, cujo cinquentenário está sendo comemorado neste ano [2006, quando o álbum foi lançado].

É de lá também Manoel de Oliveira, o “Manelim”, um violeiro que dedilha pelo menos dois séculos de tradição foliã. É música que certamente Guimarães Rosa ouviu e que está registrada em disco pela primeira vez com ajuda do violeiro Paulo Freire. O disco Urucuia traz Mestre Manelim tocando e cantando 16 músicas, entre 11 criações próprias e cinco de domínio público que estão aquém do sertão de Minas. Atinge outros sertões como Caninha Verde, que toma diferentes feições por diversas regiões do País.

Criação própria e domínio público formam algo que se confunde na obra de Manelim, como na obra dos músicos anônimo do sertão, diz Paulo Freire, violonista já conhecido que foi aluno de Mestre Manelim. “Sempre quis gravar a música dele, mas como ele quase não sai de lá, aproveitei uma das raras visitas dele a São Paulo para trancá-lo num estúdio”, brinca Freire, que produziu o álbum convidando Adriano Busko (percussão), Zé Esmerindo (violão e voz) e Thomas Roher (rabeca) para o ornamento instrumental das músicas. Instigado pela leitura de Guimarães Rosa, Paulo Freire se embrenhou no sertão mineiro no final dos anos 70, quando descobriu e tornou-se seguidor do ponteio de Mestre Manelim, para ele, o mais importante violeiro da região.

Agricultor e marceneiro, Manoel de Oliveira aprendeu a pontear a viola com Onora Martins Alves, mulher que o criou. Onora era a fazendeira do lugar para quem os pais de Manelim trabalhavam e confiaram a criação do filho. O mestre tem 76 anos, por certo não conheceu Guimarães Rosa, mas já ouviu muitas histórias sobre o escritor famoso, conta Paulo Freire.

A música de Manelim é simples, ingênua até, de ponteado calcado nas folias de reis com temas que denotam a ancestralidade oral da cultura popular de sua terra (e brasileira, por extensão). Não há nem mesmo a influência de variações dadas ao gênero pelo pagode de Tião Carreiro ou a sofisticação de arpejos de Renato Andrade, por exemplo, o que aumenta o interesse histórico do álbum. De voz frágil, Manelim canta em apenas quatro faixas, concentrando-se no toque do instrumento que revela esmero igual ao dos artesãos urucuianos com o manejo da palmeira de buriti. Os temas versam sobre a natureza, o jeito de ser do sertanejo e as crendices que cercam a viola, como o pacto com o capeta. Aproveitando essa riqueza oral na obra do mestre, Paulo Freire aproveitou para registrar duas “conversas” no estúdio com Mestre Manelim. Numa delas, ele relata o causo d´A Corrida do Sapo e o Veado e noutra comenta o tal pacto em Laço do Capeta.

Várias músicas feitas no Brasil com incidência no imaginário criado por Guimarães Rosa são sugeridas sempre que se fala em Grande Sertão: Veredas. As mais frequentes são de medalhões da MPB, como Gilberto Gil (que fez Casinha Feliz no disco Dia Dorim Noite Neon, de 1985), Caetano Veloso (que fez com Milton Nascimento a canção A Terceira Margem do Rio, do disco Circuladô, 1991) e Chico Buarque de Assentamento, tema mais MST do que roseano, do álbum As Cidades (1998). Em que pese a beleza inegável destas composições, nenhuma delas, no entanto, são tão próximas e muito menos concernentes ao universo do escritor mineiro quanto este e outros violeiros brasileiros. Se Guimarães Rosa tiver que ter uma trilha sonora, esta deveria passar necessariamente por criadores como Mestre Manelim.

Para acessar o linque que dá acesso à cópia do disco Urucuia no site Em Canto Sagrado da Terra clique na palavra em destaque.

 

1268 – “Vendedor de Sonhos”, com canções escolhidas por Fernando Brant, chega ao mercado

Disco já em todas as plataformas digitais contém 20 canções cujos intérpretes o mineiro de Caldas escolheu para dar alma ao projeto idealizado pelo sobrinho, Robertinho

Antes de desencarnar em junho de 2015, vítima de complicações cirúrgicas decorrentes de um transplante de fígado, o compositor mineiro Fernando Brant estava desenvolvendo com o sobrinho, Robertinho, um projeto para gravar Vendedor de sonhos e, pessoalmente, escolhia, um a um, quem deveria interpretar vinte dos seus principais sucessos, parte do rico repertório de 320 composições que assinou, 110 das quais em duo com Milton Nascimento. A travessia de Fernando interrompeu os planos por algum tempo, mas para a sorte de quem gosta de boa música, agora como homenagem póstuma, as canções foram gravadas e o disco já se encontra nas principais plataformas digitais, lançado pelo selo carioca Biscoito Fino.

Para quem está brincando de “amigo secreto” ou pretende presentear alguém no Natal, tai uma bela dica para surpreender e agradar em cheio, sem medo de dar bola fora; eu, por exemplo, farei aniversário dia 26 e ficaria trifeliz se recebesse o regalo de alguém.

Continue Lendo “1268 – “Vendedor de Sonhos”, com canções escolhidas por Fernando Brant, chega ao mercado”

1267- Amauri Falabella (SP) recebe Pereira da Viola (MG) em “Cantos de bendizer”, no Sesc de Guarulhos

Autor de quatro álbuns, violeiro paulistano canta temas nos quais acredita e da maneira que gosta, de autoria própria ou em parceria com nomes como Elomar, Xangai, Vidal França, Dércio Marques, Katya Teixeira, Consuelo de Paula, Chico Branco e Lula Barbosa

O cantor e compositor paulista Amauri Falabella será atração na quinta-feira, 19/12, da unidade Guarulhos do Sesc do estado de São Paulo, em cujo palco apresentará a partir das 20 horas, Cantos de bendizer, espetáculo durante o qual deverá apresentar composições inéditas e sucessos da carreira, tanto os de autoria própria, quanto assinados em comunhão com Elomar, Xangai, Vidal França, Dércio Marques, Katya Teixeira, Consuelo de Paula, Chico Branco e Lula Barbosa, entre outros nomes do cancioneiro de resistência brasileiro. Um destes parceiros, Pereira da Viola, violeiro e compositor mineiro, pesquisador da cultura popular que ocorre no Vale do Jequitinhonha, aceitou o convite de Falabella e abrilhantará a cantoria que terá entrada franca.

Continue Lendo “1267- Amauri Falabella (SP) recebe Pereira da Viola (MG) em “Cantos de bendizer”, no Sesc de Guarulhos”

1265 – Chico Almeida (MG) lança álbum na Galeria Olido, em Sampa, com entrada na faixa!

Trazendo influências da música sertaneja raiz, MPB, rock, folk e jazz em arranjos para viola, o Chico Almeida divulga seu primeiro álbum, que tem participação de Fernando Sodré, Chico Lobo, Pedro Lucca, Esdras Neném e Gabriel Grossi

O cantor e compositor Chico Almeida estará na cidade de São Paulo nesta quarta-feira, 4, como atração do Teatro do Centro Cultural Olido para lançamento do álbum que leva seu nome, Chico Almeida, a partir das 20 horas, com entrada franca. Almeida é natural de Andrelândia, encravada no Sul de Minas Gerais, e nasceu em uma família de tradição musical. Ainda criança, conheceu os encantos da viola caipira com a Folia de Reis e se apaixonou pela sua sonoridade. Já na adolescência, surgiu a influência do rock, mas o encanto com as dez cordas o levou à graduação em Música pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) a partir de 2009, curso no qual se dedicou a estudar a linguagem do instrumento, fazendo releituras de outros ritmos e gêneros da música popular. Em 2010 e em 2011, foi premiado no Festival de Viola de Piacatuba (MG) e também já recebeu os Prêmios BMDG Jovem Instrumentista(2012) e Prêmio Música Independente (2013).

Continue Lendo “1265 – Chico Almeida (MG) lança álbum na Galeria Olido, em Sampa, com entrada na faixa!”