1595 – Chega às plataformas digitais o primeiro volume de Sarará, álbum de Erasmo Dibell*

#MPB #Reggae #Carolina (MA) #Maranhão #CulturaPopular #SaraváDiscos

Com a participação da cantora moçambicana Lenna Bahule e do conterrâneo  Zeca Baleiro, mais um dueto póstumo com Papete, disco tem nove faixas e capa assinada pelo artista plástico Elifas Andreato

*Com Adriana Bueno

Desde a sexta-feira, 25 de novembro está disponível nas plataformas digitais o primeiro volume do álbum Sarará, do maranhense Erasmo Dibell, lançado pela Saravá Discos. Dibell é um artista dos mais populares e requisitado compositor, da safra que despontou a partir da primeira metade da década de 1990 no berço de Catulo da Paixão Cearense, João do Vale, Maria Firmina dos Reis, Chico Maranhão e Alcione, entre outros. Sarará revela uma amostra deste trabalho, com novas leituras e inéditas da obra autoral deleParceiros e amigos de longa data, Zeca Baleiro e Erasmo Dibell se reencontraram em maio de 2019, durante a gravação do documentário musical Maranhão-Ventos que Sopram, de Neto Borges. A partir do reencontro nasceu a canção São Nunca, faixa do primeiro volume, e ficou selada a parceria entre ambos para o lançamento de Sarará pelo selo de Baleiro.

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1590 – Conheça o Manuí (SP), que há dez anos promove projetos multiculturais que costuram tradições afro-brasileiras, indígenas e caipiras

#MPB #MúsicaCaipira #MúsicaÍndigena #MúsicaAfro #Vissungo #CantosdeTrabalho #Congada #Jongo #SambaPaulista #Cururu #Recortado #Pagode #Jongo #Congado #Batuques #Moçambique #FoliadeReis #Folia #Guarânia #Polca #Xácara #Quadrilha #Ciranda #Maracatu #Baião #Embolada #CocodeRoda #Samba #Rasqueado #Causos #Rezas #ContaçãodeHistórias #Paulistânia #CulturaGuarani #CulturaBanto #CulturaPopular #São Paulo #Goiás #Mato Grosso do Sul #Paraná #Tocantins #Mato Grosso #MinasGerais #SuldeMinasGerais #TriânguloMineiro #SãoJoãodaChapada #QuarteldoIndaiá #Diamantina #RepúblicadosCamarões #Nigéria #ÁfricaCentral #ÁfricaSaariana #OCantodosEscravos

Música, teatro, cinema, contação de histórias estão contemplados nas ações e apresentações do grupo que buscou o seu nome nas fontes guaranis e leva aos palcos (com a descontração  e a leveza de um beija-flor) a arte e magia de contar e cantar histórias, rezas e causos em trabalhos assinados por Toninho Carrasqueira e elogiados por Kaká Werá e  Ivan Vilela

O Barulho d’água Música acompanhou no SESC de Araraquara, no Interior do estado de São Paulo, a apresentação de Africanidade Caipira, com o grupo paulista Manuí, que neste ano completa uma década dedicada à produção de projetos nas áreas de música, teatro, cinema, festivais e narração de histórias. Na cidade conhecida por Morada do Sol, o Manuí esteve no palco com Tatiana Zalla (narração de histórias); Rosângela Macedo (voz); Melina Cabral (voz e percussão); Leandro Pfeifer (voz, cavaquinho, viola caipira e violão); Felipe Soares (acordeon) e Barba Marques (percussão) e fez o público presente dançar e cantar com músicas que comprovam a marcante influência Banto na formação cultural caipira. O repertório de variados estilos musicais (como os vissungos, canto de trabalho dos africanos escravizados, congadas, jongos e sambas paulistas) foi costurado para ajudar a revelar elementos da africanidade dessa região cultural do Brasil.

De inspiração indígena, em sua trajetória o Manuí busca levar magia e encantar quem ouve suas músicas e assiste às suas performances. O grupo se popularizou ao protagonizar diversos festivais culturais em São Paulo e escolheu como nome a palavra Mainui, uma adaptação em Guarani que significa beija-flor. Ave de beleza encantadora, o beija-flor em algumas tradições é considerado mágico, capaz de unir os mundos visível e invisível. Esse conceito, segundo o casal de Sorocaba (SP) Leandro Pfeifer e Tatiana Zalla demonstra-se apropriado para a arte de contar e cantar as histórias presentes (entre outros trabalhos disponíveis no portal manui.art.br) nos álbuns e projetos Nhemonguatá; Ecos da Paulistânia; e, ainda na área musical, Mãos que Segurei, do Grupo Encantoria. Para o teatro, com direção de Ricardo Camargo, o Manuí produziu, em 2021, Nhanderuvuçu, o menino trovão! No portal também é possível acessar seis narrações de histórias, fotos e vídeos, e os endereços e telefones para contratar o Manuí e saber mais sobre o grupo.

A partir do alto, o grupo Manuí apresentou Africanidade Caipira com Rosângela Macedo, Leandro Pfeifer. Tatiana Zalla, Melina Cabral, Barba Marques e Felipe Soares (Fotos: Marcelino Lima/Acervo Barulho d’água Musica 2022- SESC Araraquara)

O Manuí ainda oferece na internet aos seguidores e amigos um canal bem diversificado que pode ser visitado pelo link https://www.youtube.com/channel/UC8–K0d2ay-rD0j0UZi5LNg Neste ambiente há videoclipes, teasers, os álbuns Nhemonguatá e Ecos da Paulistânia (cuja edição física encontra-se esgotada) e aulas, por exemplo, o que demonstra a versatilidade do grupo e os múltiplos talentos dos seus integrantes.

O disco Nhemonguatá, por exemplo, tem 12 faixas e pode ser ouvido em plataformas digitais como https://soundcloud.com/grupomanui/sets/nhemonguata. Durante o processo de concepção desse álbum inúmeros parceiros foram convidados a contribuir para a realização do projeto, a direção musical coube ao flautista Toninho Carrasqueira e os arranjos a Edson Alves. Entre as participações especiais destacam-se o escritor Kaká Werá e Elaine Saron, coordenadora do Ponto de Cultura Arapoty Cultural; o violeiro e produtor cultural Domingos de Salvi (viola caipira); Thomas Rohrer (rabeca e violino); Gabriel Levy (acordeon); Ari Colares (percussão); Neymar Dias (contrabaixo); Julio Ortiz (violoncelo); Rosângela Macedo (vocais), mais um coral de crianças dirigido por e com e arranjos de Pedro Paulo Salles e regência de Daisy Fragoso. A concepção do encarte e do sítio eletrônico contou com desenhos de Sawara (filha de Werá) aliados à programação visual de Iago Sartini para atingirem o brilho almejado e estimular o imaginário sobre a imagem dessas histórias.

Já o Ecos da Paulistânia contempla a produção e o lançamento do álbum homônimo, além de apresentações e vivências em cinco cidades da Baixada Santista. Afora o trabalho autoral dos integrantes do grupo, reúne composições de Wagner Tiso e de Fernando Brant, de integrantes da aldeia Rio Silveira, Juraildes da Cruz, Companhia de Reis São Lucas, Trem das Gerais e Querubim, Braz da Viola, J. dos Santos e Lourival dos Santos, José Asunción Flores e Manuel Ortiz Guerrero e Geraldo Filme.  

A direção musical de Ecos da Paulistânia também e de Toninho Carrasqueira, com arranjos de Adail Fernandes, textos de Kaká Werá e as presenças especiais da Companhia de Reis de São Lucas, de Limeira (SP); do Coral da Aldeia Guarani Rio Silveira, de Boracéia (SP); de integrantes do grupo Sambaqui com seus jongos e moçambiques, mais o coral de crianças dirigido por Pedro Paulo Salles e regido por Daisy Fragoso. Entre os músicos convidados estão Thomas Rohrer (rabeca), Neymar Dias (contrabaixo), Julio Ortiz (violoncelo), Marquinho Mendonça (violão), Allan Abbadia (trombone), Ricardo Camargo (bombardino), Marco Stoppa (trompete), Marcelo Troni (tuba), Marcel Martins (cavaquinho), Samba Sam (percussão), Carlos Amaral (violão 7 cordas), Luiz Lobo Fonseca, César Vilão e Fernando Boi (tambores), Marina Costa (narração), Marcelo Pretto e Ana Maria Carvalho (vocais). O portal do projeto e o encarte do disco e as fotos couberam a André Dib e Milton Shirata, respectivamente, e o autor da programação visual é Iago Sartini, cujos traços revelam fragmentos visuais sobre nossa identidade, cultura e história. 

Ecos da Paulistânia tem patrocínio da Usiminas, por meio do Programa de Ação Cultural (ProAc) da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e apoio das Secretarias de Cultura e Educação de Cubatão, Praia Grande, Guarujá, São Vicente e Santos, todas na Baixada Santista. Suas 27 faixas e contação de histórias são executadas e contadas por Pfeifer (voz, cavaquinho e violão); Tatiana Zalla (narração de histórias); Rosângela Macedo (voz); Melina Cabral (voz e percussão), Pedro Gava (viola caipira); Felipe Soares (acordeon).

Sobre este trabalho o compositor, violeiro, pesquisador e docente da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) Ivan Vilela escreveu que:

Traçar um panorama histórico-musical de uma determinada região do Brasil é um projeto ousado que exige, de seus executantes, muito estudo e pesquisa.

O trabalho foi concebido pelos jovens Leandro Pfeifer e Tatiana Zalla e tornado música pelos dois, mais Rosângela Macedo, Melina Cabral, Domingos de Salvi e Felipe Soares, sob a direção do grande mestre Toninho Carrasqueira. Com textos de Kaká Werá, Ecos da Paulistânia nos traz um rico relato de um Brasil interior, passado, mas presente que deixou em nós e em nossa cultura os seus traços.

À revelia das imposições culturais feitas, outrora pela elite e hoje pela mídia, o povo do Brasil, desde seu início, soube narrar sua história através do canto, do bater e do tocar seus instrumentos. E a música popular se fez cronista dos acontecimentos que não foram registrados por outras vias, ou por descuido ou mesmo porque a história que aprendemos é sempre a história dos que detinham o controle dos meios administrativos e de difusão de sua própria cultura.

Desde os primeiros mamelucos, ninados pelas canções de suas mães índias, uma música particular foi se criando neste país. Somada aos cantares portugueses e aos cânticos e tambores africanos, desenhamos uma música popular sem igual no mundo, tanto pela sua diversidade como pela sua qualidade.

Antonio Candido definiu como Paulistânia todo o eixo de expansão e difusão da cultura bandeirante. Região esta onde se fixou o que entendemos por cultura caipira. Os estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, metade Norte do Paraná, parte de Tocantins, parte do Mato Grosso e regiões como Sul de Minas e Triângulo Mineiro, são os locais onde se ambientaram esses valores.

Para quem tiver este disco em mãos fica de presente este roteiro histórico-musical, Ecos da Paulistânia. Tal qual uma xácara [canção narrativa de versos sentimentais, no passado, popular na península Ibérica, e de origem árabe, como a Nau Catarineta], de forma lúdica, os textos e as músicas traçam um mapa histórico-cultural da nossa região que foi se desenhando com o tempo. Assim, se intercalam viola, violão, acordeão, tambores, flautas, vozes, instrumentos de banda de coreto, num correr criativo e musical por onde passam cururus, recortados, pagodes, jongos, congados, moçambiques, folias, guarânias, polcas. Um mapa sonoro do nosso Brasil.

Quem tiver a chance de ouvir Ecos da Paulistânia se deliciará com as belezas de nosso país, construída a partir de uma refinada pesquisa histórica e musical concebida e realizada por esses talentosos músicos.

Ecos da Paulistânia é também o tema da Tese de Mestrado defendida por Pfeifer e  conta, ainda, com um filme que poderá ser assistido pelo link https://www.youtube.com/watch?v=h3hxZyMiVHQ&feature=youtu.be

O projeto Encantoria celebra em 2022 quinze anos. Um recorte desta rica trajetória ganhou elogios no texto abaixo, de Kaká Werá, sobre o álbum Mãos que Segurei

ESSA COISA BOA DE OUVIR!

Pipoca quentinha com o cheiro de gengibre do quentão. Pássaros trovadores de violas enraizadas em brasis. Cores. Bandeiras. Estandartes. Não. Não é festa junina e nem folia de reis. Não é feriado santo. São os tons e melodias que saem das canções deste CD. Um Senhor Brasil musicalmente presente, atento, esperto, vivificando uma escuta além das modas e modinhas que existem por aí; fazendo o rosto abrir em riso e o corpo em dança. O som pipoca variando os tons de diversas influências e cadências; quentes, ardentes, melodiosas!

Essa coisa boa é pra João, pra José, pra Maria! Algumas letras quase são “causos”, outras quase “rezas”. Coisas dos Brasis que somos e que nossos avós foram construindo; algo assim, como diria um amigo: memórias sonoras.  “Cantação” de histórias com sofisticação de arranjos e ritmos que lembram aquelas auroras que os galos do interior anunciam.

Pense em uma paisagem sem tom pastel, bandeirolas de diversos matizes no céu, com resgate da reverência, coisas dos antigos, abaixando o chapéu, (quando havia chapéus nas cabeças) para as damas passarem.

É assim que ouvi estas canções: alegres damas passando…

Ouçam! Mas ponham as mãos nas abas dos chapéus, como nas festas de junho que esquentam as noites; e percebam as damas passando sonoramente pelos ouvidos.

Mãos que Segurei reforça o perfil artístico do Manuí, que mistura a beleza poética das cantorias com sotaques da viola caipira e a força dos arranjos de metais em busca de uma sonoridade rica, inusitada e sem perder a simplicidade e a sabedoria que permeiam culturas tradicionais do Brasil. Revela também nos arranjos a presença da percussão, violão, cavaco, flautas e naipe de cordas na faixa Sobre a Terra

Neste álbum o Encantoria reuniu o sanfoneiro e cantador Enock Virgulino; o cantador e compositor Tião Carvalho; o compositor e violonista Marquinho Mendonça; o acordeonista Gabriel Levy; Tatiana Zalla; as cantoras e compositoras Rosângela Macedo e Ana Maria Carvalho; e o quarteto de cordas dos xarás Fabio Engle e Fabio Chamma, Cristina Geraldini e Jonas Góes. Todas as canções foram compostas e arranjadas pelo Encantoria com participação do maestro Luciano Filho e do produtor musical Cleyver Rossi em alguns arranjos e na produção musical. Duas faixas são adaptação de poesias cedidas por Roseana Murray (Terremoto Furacão) e Kléber Albuquerque (Isopor). 

O projeto Mãos que Segurei é uma idealização de Pfeifer, aprovado no ProAC ICMS Música da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Recebeu patrocínio da Elektro e copatrocínio do Grupo São Martinho. As ações foram realizadas no segundo semestre de 2010 nas cidades paulistas de Rio Claro, Limeira, Iracemápolis, Ilha Bela e São Luís do Paraitinga unindo arranjos autorais e interpretações de cantigas da cultura popular, intervenções poéticas, cênicas e narrações de fragmentos de histórias para promove uma viagem pela trajetória do grupo.

Integrantes do Encantoria, a partir da fileira em pé, da esquerda para a direita: João Vitor dos Santos (sax tenor); Flávio Vasconcelos (flauta transversal, violão e vocal); Gustavo Terra ( bateria, violão e vocais); Leandro Pfeifer (voz, cavaquinho e violão); Domingos de Salvi (viola caipira) e Rafael de Souza (trombone). Sentados, no mesmo sentido: Alexandre Martins (brincante); Melina Cabral (voz e percussão); Luca Barel (percussão); Gilson Caetano (trompete) e Max Vieira (baixo e intervenções poéticas)

Inspirado na beleza poética das cantorias e na força transcendente dos batuques, cordas e metais presentes em todos os cantos do Brasil, o Encantoria materializa seu som e sua luz revelando diversidade de ritmos e timbres. Os seus espetáculos e produções fonográficas e audiovisuais se apoiam na força transcendente dos batuques, cordas e metais presentes em todos os cantos do Brasil e permitem ao Encantoria materializar seu som e sua luz por meio de trabalhos autorais presentes nas gravações.

Além de dar título ao álbum, Mãos que Segurei ilustra o espírito do trabalho e nesse balaio que revela a identidade do Encantoria os rasqueados e ponteados da viola caipira se encontram com metais de quadrilhas, cirandas e batuques do maracatu, baião, coco de roda, sambas e outras modas.

Leia entrevista de Leandro Pfeifer e de Tatiana Zalla em https://editoranewmusic.wordpress.com/2021/11/19/conheca-a-magia-que-se-esconde-por-tras-das-letras-do-grupo-manui%EF%BF%BC/

SOBRE O POVO BANTO

Os bantus ou bantos constituem um grupo etnolinguístico localizado principalmente na África subsaariana e que engloba cerca de 400 subgrupos étnicos diferentes. A unidade desse grupo, contudo, aparece de maneira mais clara no âmbito linguístico, uma vez que essas centenas de grupos e subgrupos têm, como língua materna, uma língua da família banta.

A palavra bantu é derivada de ba-ntu, formado por ba (prefixo nominal de classe 2) e nto, que significa pessoa ou humanos. Versões dessa palavra ocorrem em todas as línguas bantus, como, por exemplo, watu em suaíli; muntu em quicongo; batu em lingala; bato em duala; abanto em gusii; andũ em quicuio; abantu em zulu, quitara, e ganda; vanhu em xona; batho em sesoto; vandu em alguns dialetos luia; mbaityo em tive; e vhathu em venda.

Os bantus são povos provavelmente originários da República dos Camarões e do Sudeste da Nigéria. Por volta de 2.000 antes de Cristo (a.C.), eles teriam começaram a expandir seu território na floresta equatorial da África central. Mais tarde, por volta do ano 1000, ocorreu uma segunda e mais rápida fase da diáspora , para o Leste, e finalmente, uma terceira fase, em direção ao Sul do continente, quando os bantos se miscigenaram a grupos autóctones e constituíram novas sociedades.

Conheça mais sobre os bantos em https://pt.wikipedia.org/wiki/Bantus

O Canto dos Escravos é dividido em 14 cantos ancestrais dos negros benguelas de São João da Chapada e Quartel do Indaiá, povoados de Diamantina, município de Minas Gerais, e interpretados por três dos mais importantes defensores da preservação das tradições ancestrais afro-brasileiras na música nacional

PRECIOSIDADE FONOGRÁFICA

Cantos negros de trabalho denominados vissungos estão gravados em O Canto dos Escravos, disco lançado em 1982 dentro da série Memória Eldorado, da Gravadora Eldorado, que em 2022 completa 40 anos. Nabor Jr (fundador-diretor da revista eletrônica O Menelick 2° Ato, jornalista com especialização em Jornalismo Cultural e História da Arte, além de fotógrafo, que atua com o pseudônimo MANDELACREW) classifica este magistral disco como “preciosidade da história fonográfica tupiniquim e um dos mais reveladores discos produzidos no Brasil no século 20”. Este elogio de Nabor data de 2012, quando ele escreveu um artigo a respeito na revista Menelick e O Canto dos Escravos  alcançava bodas de pérola (30 anos) “ainda ocupando o privilegiado posto de mais importante documentação sonora a cerca da cultura oral africana praticada pelos negros escravos em terras brasileiras.”

O autor do texto acredita ser impossível escutar O Canto dos Escravos e permanecer imune “à sua rica ancestralidade sonora e rítmica, bem como às inevitáveis lembranças do terrível período da escravidão”. Em outro trecho, observou que o registro documental da existência e resistência cultural da tradição bantófone no Brasil ao que o trabalho se propõe “por si só já seria suficiente para torná-lo singular (o álbum foi o primeiro registro sonoro da ‘música’ do tempo da escravidão no país)”. Contudo, sabedores do arqueológico material que tinham em mãos, o pernambucano Aluísio Falcão, coordenador artístico do projeto, e Marcus Vinícius de Andrade, produtor e diretor musical do disco, transformaram o que seria apenas mais uma documentação histórica em um dos mais belos trabalhos artísticos dedicados à preservação das tradições culturais do negro escravizado no Brasil.

Dividido em 14 cantos ancestrais dos negros benguelas de São João da Chapada e Quartel do Indaiá, povoados de Diamantina, município de Minas Gerais, e interpretados por três dos mais importantes defensores da preservação das tradições ancestrais afro-brasileiras na música nacional que são Geraldo Filme (1928 1995), Clementina de Jesus (1901 1987) e Tia Doca da Portela (1932 2009), o projeto O Canto dos Escravos reúne as qualidades técnicas essenciais para um trabalho musical que se propõe a transpor com eficiência a barreira da superficialidade e do “mero” entretenimento: originalidade, sensibilidade, intensidade e, obviamente, boa música, bons músicos e simplicidade nos arranjos, sempre de acordo com o texto de Nabor Jr, que aponta: o primeiro diferencial do trabalho está no ineditismo das 14 faixas do repertório selecionadas entre 65 cantos colhidos pelo filólogo, professor e linguista mineiro Aires da Mata Machado Filho (1909 1985) que, entre o final dos anos 1920 e durante a década dos anos 1930 dedicou-se à pesquisa de “cantigas em língua africana ouvidas outrora nos serviços de mineração” no interior de Minas Gerais, conforme o próprio escritor descreveu no livro O Negro e o Garimpo em Minas Gerais (1943).

Clique no link abaixo e ouça, na íntegra, o disco O Canto dos Escravos

https://www.youtube.com/watch?v=gil3Mw32OnU

Leia o artigo de Nabor Jr na íntegra ao visitar http://www.omenelick2ato.com/musicalidades/o-canto-dos-escravos

 

 

1588 – Beba Trio (SP) mescla ritmos brasileiros e latinos com jazz e lança álbum após turnê pela Europa*

#MPB #Jazz #Chacarera #Ijexá #Choro #MúsicaInstrumental

Disco com oito faixas, todas instrumentais, foi gravado ao vivo após a banda ser contemplada com a Lei Aldir Blanc

*Com Beto Priviero e Moisés Santana, Tambores Comunicações Assessoria de Comunicação, São Paulo (SP)

A pandemia de Covid-19 fez artistas se adaptarem e procurarem outras formas de manifestação e de produção. O grupo paulista Beba Trio deu um exemplo neste sentido ao lançar o álbum Beba Trio & Convidados nas plataformas digitais, com distribuição pela Tratore, após projeto aprovado pela Lei Aldir Blanc (LAB). Formado por Beba Zanettini (piano, composições e arranjos), Victor Kutlak (contrabaixo) e Gudino Miranda (bateria), o beba Trio transformou o azedo limão dos tempos de isolamento social e fez uma doce limonada com a série de apresentações virtuais (lives) no estúdio paulista Arsis que possibilitou gravar seu primeiro disco.

As apresentações online transmitidas por rede social incluíram composições dos integrantes (tais como Vagalumeando e Chorando em 3, de Zanettini, e Sambareia, de Kutlak), além de uma versão para April Child, de Moacir Santos e Ney Lopes. Para gravar o álbum, reforçaram o time Edu Paes (guitarra), Paulo Oliveira (flauta e sax) e Gustavo Godoy (percussão), os “convidados”. A produção cultural coube à agência Belic Arte Cultura.

O Beba Trio surgiu em 2020, a partir de uma ideia de Beba Zanettini: misturar ritmos brasileiros, como samba e baião, a elementos da música latino-americana e caribenha, sem se esquecer do jazz e do pop. Beba Zanettini encontrou o baixista Victor e o baterista Gudino, seus ex- alunos no curso de Faculdade de Música, e descobriu o quanto todos tinham afinidade. A parceria deu tão certo que em 2021 o trio acabou contemplado pela LAB e pode pensar em, além de apresentar seis concertos virtuais, registrar o material para o disco inédito.

Em 2022, o Beba Trio visitou Portugal e Alemanha em sua primeira viagem internacional. Nestes países protagonizou o Festival Internacional de Teatro do Alentejo (FITA), em Beja, depois tocou no Salão Brazil, em Coimbra, ambas em Portugal; esteve, ainda, na Embaixada do Brasil (em Berlim); Festival Guten Morgen (Eberswalde); e Berlin Drum Days (Noisy Rooms), todos situados na terra onde nasceram os algozes do 7×1. 

O Beba Trio com os convidados que participam do álbum (Foto: Adri Belic)

Beba Zanettini comentou o trabalho do grupo ao citar as músicas registradas no disco: “Nós temos desde um choro em três tempos, que não é muito usual, como o Chorando em 3, até a Chacarera dos Esquecidos, que é uma chacarera, ritmo argentino com molho brazuca; passando por Balbúrdia, uma mistura contemporânea, que traz ‘improvisação livre’ e ijexá; Giro é uma balada jazzística. além de nossa homenagem a Moacyr Santos e Ney Lopes, na versão de April Child, que virou um samba/bossa”.

Zanettini é formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Pós-graduado em Canção Popular pela Faculdade Santa Marcelina (SP). Integrou os grupos Café Jam e Aquilo DeI Nisso e gravou vários discos solos, entre eles Beba Música! (2009), com Vânia Bastos e Luciana Souza. Participou de concertos e  de discos de Dominguinhos, Alzira E., Jaques Morelenbaum e Guinga.

Victor Kutlak é Pós-graduado em Música Popular e Bacharel em baixo elétrico pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU/SP). Gudino Miranda é Bacharel em Bateria também pela FMU paulistana. Seu primeiro contato com percussão foi ainda criança, na tradicional Escola de Samba paulista Rosas de Ouro. Miranda começou bem cedo os estudos de bateria numa escola que é referência na América Latina, a EM&T, onde se formou sob a orientação do professor Giba Favery.

Acesse mais informações e as músicas do Beba Trio & Convidados pelo QR Code abaixo.

1586- Regina Machado convida Mário Manga, grava Enquanto o Tempo Para e faz três apresentações em São Paulo

#MPB #CulturaPopular

Disco  gravado “ao vivo” no estúdio, com a autora munida do seu violão e cantando simultaneamente enquanto tocava, traz parcerias com as mineiras Consuelo de Paula e Déa Trancoso. Shows serão em três domingos de novembro, todos no Teatro Maria Dudé, situado no Itaim Bibi

A cantora, compositora e violonista Regina Machado gravou e já lançou nas plataformas digitais Enquanto o Tempo Para (Canto Discos e plataformas digitais), álbum com distribuição pela Tratore para o qual convidou o multi-instrumentista Mário Manga. De modo diferente do seu trabalho anterior, Regina Machado entrou no estúdio e, com o violão e a voz, gravou, na hora, algumas de suas parcerias com as mineiras Consuelo de Paula e Déa Trancoso. Um detalhe é que o violão, sempre presente em sua trajetória, dessa vez protagonizou o processo. A partir do resultado, Manga entrou com violoncelo, guitarra e violão de aço e deu singularidade ao álbum, de cinco faixas.

A cooperação entre Regina e Manga é antiga e se apoia em ideias que se complementam. Ele propõe soluções originais para arranjos das composições dela – que, observa ele, já vêm bem prontas. Por sua vez, Regina enfatizou que entre ambos “há aquela química que funciona” e gera “musicalidade e diversão”. E ainda destacou que “trabalhar com Manga é um acontecimento sempre alimentado pela alegria, e isso é necessário, principalmente no momento que estamos vivendo no Brasil. E preciso graça e coragem para transformar, com nossa força criativa, o estado de coisas.

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1584 – Contrabaixista premiado na cena do choro, Marcos Paiva (SP) inova com Slamousike, que une hip-hop a samba e jazz

#MPB #Hiphop #Bebop #Rap #Slam #Samba #Jazz #PPM #Choro #Maracatu #Jongo #Maracatu #CulturaPopular

O contrabaixista, compositor, maestro, autor, educador, produtor musical e arranjador Marcos Paiva, nome de ponta da cena da música instrumental brasileira, lançou recentemente Slamousike, álbum de oito faixas inéditas no qual ele trabalhava desde 2017 e que une ritmos do hip hop como o rap ao samba e ao jazz, com pitadas de saborosas improvisações e letras de cunho social e político. Slamousike chegou às plataformas digitais em agosto, está disponível no sítio Cenaindie para ser baixado na íntegra em formato MP3 e conta com as participações do MP6, o sexteto do maestro, além dos rappers Max B.O., Kivitz, Killa Bi e com a slammer e performer Juliana Jesus.

Slamousike abriu neste dia 22 de outubro as audições matinais que promovemos no Solar do Barulho aos sábados, aqui na Estância Turística de São Roque, no Interior paulista, onde fica a redação do Barulho d’água Música. O álbum é o sétimo disco de Paiva, paulista de Tupã, e valoriza ainda mais o troféu que o contrabaixista arrebatou em 2017: naquele ano, Paiva conquistou o Prêmio Profissionais da Música (PPM) de melhor álbum com Concerto para Pixinguinha, que gravou ao lado da cantora Vânia Bastos, mais César Roversi (sopros), Nelton Esse (vibrafone) e Jônatas Sansão (bateria). Concerto para Pixinguinha deriva de projeto concebido em 2013 e que, antes do disco, estreara na cidade de São Paulo como show em 2016, com produção impecável de Fran Carlo e Petterson Mello, depois virou atração em turnês das mais concorridas em vários teatros pelo Brasil por cinco anos.

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1583 – Amigos do poeta e compositor homenageiam Spiga (SP) com lançamento de Noturno Coração, em Araraquara

#MPB #Literatura #Poesia #SESCAraraquara #Araraquara #MoradadoSol #CulturaPopular

Disco encartado em segunda edição do livro homônimo reúne em 13 faixas sambas escritos por Pedro Paulo Zavagli, boêmio paulista e percussionista que agora batiza lei de apoio aos músicos da cidade conhecida por Morada do Sol

O Barulho d’água Música acompanhou na noite de sábado, 15 de outubro, o lançamento no teatro do SESC de Araraquara (SP) de Noturno Coração, álbum encartado à segunda edição do livro homônimo de poemas, de autoria de Pedro Paulo Zavagli, o Spiga. Noturno Coração apresenta 13 faixas do cancioneiro do sambista e poeta araraquarense, personalidade marcante do bairro local Vila Xavier e figura proeminente na vida boêmia e cultural da cidade, situada a 270 quilômetros da Capital, São Paulo. Ao longo de sua carreira, Spiga compôs mais de 80 obras e suas poesias foram musicados por diversos artistas, vários deles presentes ao palco para apresentarem Amigos Cantam Pedro Paulo Zavagli — entre os quais o parceiro Rogério Noia da Cruz, além de outros mais íntimos de Spiga tais quais Kris Pires, Ibys Maceióh, Sergio Turcão, Rodolfo Sotratti, Vinha Haddad, Elói Brito e membros do Grupo Seresteiros.

O evento teve direção musical de Noia e Sotratti, com realização da Secretaria Municipal de Cultura de Araraquara (Fundart) e SESC Araraquara, em parceria com a Câmara Municipal de Araraquara e encerrou a Iª Semana Municipal de Valorização dos Compositores Locais Pedro Paulo Zavagli Spiga, iniciada em 10 de outubro em atendimento à lei nº 10.438/2022. A lei é de autoria da vereadora Fabi Virgílio (PT) e deverá ser realizada anualmente ao longo da segunda semana dos meses de outubro com o objetivo de fomentar e valorizar o trabalho dos compositores araraquarenses; apoiar, incentivar e difundir o trabalho artístico de Araraquara e atuar na formação de público para as produções locais.

Spiga faleceu em 13 de janeiro deste ano. Além de poeta e compositor com passagem pelo programa Senhor Brasil (gravado em 3 de maio de 2012 e apresentado por Rolando Boldrin), Spiga era percussionista, com predileção pelo tamborim. Residiu em São Paulo e na Capital recebeu o título de Cidadão Paulistano antes de, em 2007, voltar a morar em Araraquara.

Parceiros de música e amigos de boemia, Spiga e Noia (centro) estiveram no palco do Sr.Brasil, programa da TV Cultura apresentado por Rolando Boldrin (Foto: frame capturado de vídeo disponível na internet)

Em sua trajetória, Spiga dividiu palcos com Jorge Costa, Nelson Cavaquinho, Zé Kéti e Paulo Vanzolini entre outros bambas, alternando-se entre tamborins e timbas e sem nunca tirar da cabeça seu chapéu branco. Cantava com firmeza e maestria como demonstrou diante da plateia comandada por Boldrin ao cantar com Noia o samba Seu Norberto, presente em Noturno Coração; Verso/Reverso, faixa 8 no disco, foi gravada por Renato Teixeira e a anterior, Realidade, por Carmem Queiroz.

Pedro Paulo Zavagli integrou a diretoria do Grupo Artístico e Cultural Vinícius de Moraes, do qual foi um dos fundadores. Sua vasta obra está condensada nas páginas do livro Noturno Coração, cuja primeira edição é de 1986, reeditado com nova capa e acrescido com letras de alguns dos seus sambas.

Além de poeta e compositor, Spiga era percussionista notável e costumava se apresentar como  tamborinista (Foto: Tetê Viviane)

CORAÇÃO MAIOR QUE MONTANHA, por Luis Carlos Guimarães Brondi*

*Texto extraído das orelhas da segunda edição do livro Noturno Coração

Coube-me esse mister – ou seria um mistério? escrever ou desvendar os caminhos ocultos desse poeta e compositor, e nosso grande amigo, Pedro Paulo Zavagli, mais conhecido como Spiga.

Ora, escrever sim, desvendar jamais, pois nenhum poeta tem caminhos ocultos a serem desvendados, mesmo porque ele próprio se revela através de seus contos, de seus causos, de seus versos, de seus poemas e de suas músicas. Assim sendo, o que podemos falar de nosso poetinha? Que ele viveu entre “exus e querubins”? Que ele foi um eterno apaixonado e que “levava a vida sem vaidade”? Isso todos já sabíamos, já que vivia um amor sem fim e sempre “morrendo de saudade”.

Spiga foi eclético e escreveu sobre tudo e sobre todas as coisas que lhe bateram à porta de sua inteligência. Nada lhe escapou, nada lhe passou despercebido e ileso. Sempre quieto e reservado foi colhendo ideias e catando versos em suas andanças, onde adquiriu o mestrado na boemia, em mesas de bares e botecos da pauliceia desvairada; o doutorado veio na sequência, ouvindo sempre atentamente as figuras fantasmagóricas de filósofos e psicólogos de ocasião que surgiam do nada, sempre na madrugada, arrastados ali pela solidão, pela “sofrência”, e, alguns outros, pela decadência moral e financeira. São as loucas surpresas que a escuridão da noite nos apresenta e nos obriga, prazerosamente, a suportar.

E foi exatamente nesse ambiente que Spiga obteve a sua formação de autodidata, pois, nos botecos, a livre docência é realmente livre e nunca pede licença, eis que o ensino e a aprendizagem surgem de forma espontânea e natural.

E o nosso poeta ali se encontrou, sobreviveu e se realizou, arregimentando a si toda cultura necessária para transcrevê-la em seus versos. Pedro Paulo, cuja tradução é uma “Pedra Pequena-. transformou-se nessa imensa montanha de letras, de causos, de contos, de escritas, de versos, de estrofes, de poesias, de poemas, de músicas e de composições. Porém, aqui para nós, seus amigos, ele será sempre o nosso querido Spiguinha, baixinho, sisudo, cantando e batendo seu tamborim, com aquele humor um tanto quanto esquisito, mas, com um coração bem maior que aquela montanha que construiu através do tempo!

A partir da direita, no sentido horário, de braços abertos Rodolfo Sotratti e Rogério Noia da Cruz; no segundo bloco estão Sergio Turcão, Kris Pires, Flávio Costa, Guga Pires; no terceiro quadro Vinha Haddad, Ibys Maceióh, e Mauricio Pires, Mônica e Luciana Pires durante a apresentação em Araraquara, que contou, ainda, com Elói Brito (Fotos: Nalu Fernandes/Araraquara)

Eloi Brito tocou cavaquinho e outros instrumentos entre os amigos de Pedro Paulo Zavagli na noite de lançamento do álbum e da segunda edição do livro Noturno Coração (Foto: Arquivo pessoal)

1582 – Jackson Ricarte (CE) apresenta Fé Sincera Devoção, primeira música do novo disco que gravará para resgate de valores como caridade e partilha

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O cantor e compositor violeiro Jackson Ricarte (CE) agendou para 14 de outubro o lançamento de Fé Sincera Devoção, primeira das músicas que ele gravará em seu novo álbum. Inspirado pela fé cristã de seus antepassados e sem levantar bandeiras que tremulam em discurso esvaziado, prática muito em moda em setores retrógrados, Ricarte dará ênfase à reflexão sincera sobre a importância do resgate de valores tais como a importância da família; da vida do homem no campo ao cultivar a terra; da fé sincera e da devoção religiosa manifestada pela caridade e partilha do pão; das tradições populares (como das Folias de Reis), entre outros.

O propósito é levantar contrapontos ao mundo atual, agitado por divisões ideológicas e guerras baseadas nas ambições. Para tanto, ele seguiu o espírito do “compartilhar” e de “se arreuni” herdado dos irmãos cantores e compositores Dércio e Doroty Marques: convidou Bruno Sanches (@brunosanchesmusico), paulista de Regente Feijó; Rodrigo Zanc (@rodrigozanc), nascido em Araraquara e radicado em São Carlos, no Interior do estado de São Paulo; e Luiz Salgado (@luizsalgadooficial), mineiro de Patos de Minas que mora na vizinha Araguari, para a cantoria de Fé Sincera Devoção, todos convidados que ele considera “prá lá de especiais, amigos e manos de caminhada”. A direção musical será do próprio Jackson Ricarte em dupla com  Ricardo Vignini, a quem caberá, ainda, a mixagem e a masterização em seu estúdio, Bojo Elétrico.

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1581 – Cantos sagrados entoados por Mestre Sapopemba (AL) evocam forças ancestrais dos povos pretos e suas contribuições que enriquecem a cultura e a fé brasileiras

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A energia dos terreiros de Candomblé e a vibração dos atabaques em Gbó, disco do Selo SESC, convidam a um mergulho nas raízes espirituais que unem o Brasil à África das nações Angola, Ketu, Jêje e Ijexá, em 15 faixas que incluem clássico de Dorival Caymmi

Hoje, 8 de outubro, abrimos as tradicionais audições matinais dos sábados aqui na redação do Barulho d’água Música, no Solar do Barulho, na Estância Turística de São Roque (SP), com Gbó, palavra em yorubá que o autor escolheu para dar nome ao seu primeiro álbum solo. Ele é Sapopemba, cantor, compositor e percussionista e selecionou como repertório a musicalidade das tradições culturais afro-brasileiras. Lançado em 2020 pelo Selo Sesc, Gbó conta com a produção musical de André Magalhães, especialista na gravação audiovisual das culturas populares. Ari Colares, Leo Mendes, João Taubkin, Lula Alencar e Waldemar Pereira acompanham Sapopemba em 13 das 15 faixas do álbum que ainda tem a participação especial de Benjamin Taubkin, da cantora amapaense Patrícia Bastos e do cantor e violonista baiano Roberto Mendes

É impossível compreender a música popular brasileira sem passar pelo terreiro.” Ao abrir o encarte de Gbọ́ – termo em yorubá que significa ouça, logo de cara será possível dar com os olhos nessa frase, informa o texto de apresentação que consta na página virtual do Selo Sesc, que assim prossegue: “É nas batidas do candomblé que somos herdeiros de múltiplas áfricas, reelaboradas pelas pessoas escravizadas em solo nacional.” 

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1580 – João Ormond (MT/SP) grava novo projeto, em audiovisual e em álbum, contemplado pelo ProAc LAB

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Eu Nasci com Asas – Violas do Brasil – Sotaques e Sonoridades da Viola traz um pouco da trajetória do compositor e violeiro que partiu de Cuiabá para Jundiaí e hoje já tem 12 discos gravados

O compositor violeiro João Ormond (MT) lançou em 23 de setembro o audiovisual e álbum Eu Nasci com Asas – Violas do Brasil Sotaques e Sonoridades da Viola, resultado do Prêmio Musical ProAcLAB (Lei Aldir Blanc)/SP de 2021. Neste novo projeto, Ormond revela uma síntese da sua trajetória musical desde 1999, quando saiu de Cuiabá rumo a Jundiaí (SP), onde permanece e mora. A meta de pôr o pé na estrada era levar sua cantoria Brasil afora, assim como expressa a canção com um dos seus parceiros, Zé Geraldo: “…eu nasci com asas e precisava voar…Tô saindo de casa/porque quem tem asas/precisa voar”.

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1579 – FAAP (SP) terá a partir de 6 de outubro temporada de musical em homenagem a Dominguinhos

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A entrada estará bem salgada para os padrões socioeconômicos e financeiros da maioria, hoje, aqui destes tristes trópicos e, vamos combinar? mesmo para um espetáculo que, indubitavelmente, deverá ter muita qualidade – a julgar pela competência dos idealizadores e diretores e dos envolvidos com a produção, ou seja, a galera que a fará acontecer no palco, em homenagem ao ícone da nossa cultura popular que a inspirou. Então se você, amigo e seguidor, tiver 120 mangos disponíveis na carteira ou no banco, não pense duas vezes, e, se der, abstraia as demais despesas como, por exemplo, estacionamento, transporte etc: invista-os na entrada para assistir ao menos uma das sessões de Dominguinhos: Isso Aqui Tá Bom Demais. Muito mais do que contar de forma linear e cronológica a história de Dominguinhos, a montagem dramatúrgica explora a combinação entre o documental e o poético. A temporada vai começar em 6 de outubro e seguirá em cartaz até 27 de novembro, no Teatro da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), que fica em Higienópolis, bairro da capital paulistana.

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