1256 – HQ ‘A Viola Encarnada’ traz narrativa visual inspirada no cancioneiro caipira*

Projeto  de Yuri Garfunkel contemplado pelo ProAC retrata a música caipira com roteiro e artes visuais de Yuri Garfunkel e participação do violeiro Ivan Vilela

*Com Ellen Fernandes, da EBF  Comunicação 

ebfcomunicacao@gmail.com)/(11) 99189-0354//(11) 4525-1698

Faz sentido trazer para o desenho uma música que tem uma narrativa tão imagética”.

A afirmação do professor, violeiro, compositor, arranjador e pesquisador da música caipira Ivan Vilela contextualiza o enredo de A Viola Encarnada: Moda de Viola em Quadrinhos, uma história em quadrinhos (HQ) baseada em temas sugeridos em mais de 80 canções do repertório caipira. Com roteiro e artes visuais do desenhista, músico e educador Yuri Garfunkel, o projeto contemplado pelo Programa de Ação Cultural (ProAC) será lançado na cidade de São Paulo, no sábado,  9 de novembro, na Livraria do Espaço (veja a guia Serviços).

Dividida em dez capítulos, conforme as dez cordas da viola caipira, que também lhes dão título, A Viola Encarnada: Moda de Viola em Quadrinhos retrata as aventuras dos amigos Vaqueiro e Violeiro em viagens pelo interior do país nas quais protagonizam diversas situações recorrentes do cancioneiro caipira. “A narrativa aborda a função social da viola desde suas origens rurais, o trabalho no campo e com o gado, as pescarias, o próprio ofício do violeiro que toca nas festas e nas fazendas”, disse Garfunkel. “O ponto de partida da trama é o assassinato do Chico Mineiro. A partir daí busquei outras modas que esclarecesse esse mistério.”

Como a maioria das pessoas, Garfunkel teve seu primeiro contato com a música caipira quando era criança por conta das canções que suas avós cantavam. Com o passar dos anos, seu interesse pelo gênero aumentou e há cinco anos começou a tocar viola. “Desde então, o roteiro da HQ foi se formando na minha cabeça a partir do repertório que conheci ao longo da vida”, comentou. Para ele, a música caipira destaca-se por sua sonoridade única. “Ela engloba uma grande variedade de ritmos e a qualidade das composições é impressionante.”.

Garfunkel já possuía o conhecimento do repertório caipira como músico, flautista e violeiro. Para contextualizar o enredo, convidou Ivan Vilela para compartilhar seu conhecimento histórico na introdução do livro. Yuri Garfunkel teve a genial ideia de trazer este universo histórico da formação cultural do nosso povo para os quadrinhos. E traduziu em belas imagens tais narrativas reproduzindo cenas icônicas de modas e momentos. Além disso, a linguagem dos quadrinhos atinge um público diverso, inclusive mais jovem, e que desconhece essa história e essa música”, descreveu Vilela.

Em suas 172 páginas, a obra conduz o leitor para uma viagem sonora afinada com as características históricas e visuais da flora e da fauna dos estados brasileiros, fundamentais na formação da cultura caipira, numa jornada que percorre os sertões até chegar à cidade grande. Um dos diferenciais da produção é que os acontecimentos e paisagens descritos nas letras propõem ao leitor um encontro com a imaginação, pois estão interligados visualmente, ou seja, sem textos ou balões de fala. Desta forma, o leitor pode induzir o conteúdo do texto sugerido pelos títulos das canções de referência que são indicadas no rodapé das páginas e dispostas para conferência em uma playlist digital no Canal ‘A Viola Encarnada’ no Youtube: https://www.youtube.com/playlist?list=PLvcPsRrO7n0ud-bsTU1ljWts_cRRNzx-d

Com sua obra, o autor e ilustrador Yuri Carlos Garfunkel pretende apresentar uma visão do universo da música de viola diferente da proposta pelo mercado cultural. Desenhista, músico e educador desde 2004, é criador do Sopa Art Br, estúdio de artes visuais, de ilustração e de design, com mais de 10 anos de experiência em comunicação visual ligada à cultura. O estúdio Sopa desenvolve seu trabalho autoral a partir de pesquisas na união de linguagens artísticas, expandindo o formato das histórias em quadrinhos por meio de relações com a arte urbana, música e educação.

Quatro exposições criadas nesse conceito — Música-Visual (2009), X-Sampa (2011), Lendas na Rua (2013) e Centenário do Samba (2016) — circularam por diversas galerias, parques e estações do Metrô da cidade de São Paulo, e chegaram à Argentina, à Itália e à Espanha. Como profissional autônomo, Yuri Garfunkel ilustrou uma série de projetos de comunicação visual para artistas e festivais, além de diversas publicações, livros, revistas e histórias em quadrinhos, entre elas a HQ promocional da série Supermax, lançada na CCXP 2015. Como músico, flautista e violeiro, integra desde 2008 o grupo instrumental Kaoll e, recentemente, passou a integrar o grupo Pequeno Sertão, de música caipira autoral, dos quais também é responsável pela comunicação visual. Como educador, desenvolve oficinas de desenho e criação artística, entre elas a oficina Lendas na Rua para crianças e Memória Musical, voltada ao público da Terceira Idade, ambas com circulação no Estado de São Paulo pela rede do SESC.

Portfólio online: www.sopa.art.br

Ivan Vilela é violeiro, compositor, arranjador, e pesquisador da música caipira, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade do Estado de São Paulo e também diretor da Orquestra Filarmônica de Violas. Foi tema de um especial da TV Cultura em 2010 e cursou a faculdade de História antes de ingressar no curso de Composição musical da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde conclui o bacharelado em Artes, Composição Musical em 1994, e o mestrado em Composição Musical em 1999. Obteve o doutorado em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo, com a tese ‘Uma história social da música caipira’, em 2011. Foi indicado para o Prêmio Sharp de 1998, na categoria Revelação Instrumental, pelo álbum Paisagens. Em 2002, foi agraciado com a Medalha Carlos Gomes. É autor do livro ‘Cantando a Própria História’, em cujas páginas descreve o desenvolvimento da viola caipira no país desde o século XIV e as transformações sociais que culminaram no evento da cultura caipira. Atualmente faz residência na Universidade de Aveiro, em Portugal e vem circulando por várias cidades da Europa promovendo concertos, workshops e outros eventos acadêmicos que têm a viola caipira como tema.

A revista pode ser adquirida nas principais livrarias ou no site da editora Red Clown Books.  

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1253 – Caio Padilha (RJ/RN) lança segundo título dedicado à “santíssima trindade” dos instrumentos da música nordestina

OVERLAND: Violas e Veredas, de Caio Padilha, já está disponível nas plataformas digitais e pode ser encomendado, no formato físico, com o autor, carioca radicado em Natal e que abriu o projeto Aprendiz de Sertografias em 2016, quando saiu ARRIVALS: Rabecas e Arribaçãs; música potiguar também merece destaque pelo trabalho do flautista Carlos Zens. autor de sambas, frevos, cocos,  marchinhas, benditos, choros, entre outros ritmos 

A segunda etapa de uma trilogia nordestina que deverá estar pronta até 2022, o álbum OVERLAND: Violas e Veredas, de Caio Padilha, já está disponível nas plataformas digitais e pode ser encomendado, no formato físico, com o autor, carioca radicado desde 1994 em Natal (RN), capital do estado do Rio Grande do Norte. A trilogia, que Caio Padilha batizou de Aprendiz de Sertografias, já possui o título Rabecas e Arribaçãs (2016) e deverá ser fechada com Acordeons e Candeeiros. Músico tocador de rabeca, cientista social, ator e admirador da cultura popular, Caio Padilha também lançou, recentemente, Um Sonho de Rabeca No Meio da Bicharada, disco que saiu pela Kuarup, tema da atualização 1244 deste blogue, publicada em 8 de outubro.

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1247 – 6º Prêmio Grão de Música será entregue na galeria do Centro Cultural Olido, em São Paulo

Idealizado por Socorro Lira (PB) como coletânea anual para destacar quinze artistas nacionais, cada um dos escolhidos recebe uma estatueta de 30 cm, em bronze, criada pelo artista visual Elifas Andreato.

Um dos mais importantes troféus do cenário musical da atualidade, o Prêmio Grão de Música (PGM) será entregue em 19 de outubro no Centro Cultural Olido, onde fica a Sala Olido, no antigo Cine Olido, situado na cidade de São Paulo. Já em sua sexta edição continua desde 2014, o PGM neste ano contemplará cantores e compositores de dez estados brasileiros em cerimônia prevista para começar às 17 horas, com entrada franqueada ao público mediante retirada de senhas. O PGM teve início em Salvador (BA), idealizado pela cantora, compositora, escritora e produtora cultural Socorro Lira (PB) como coletânea anual para destacar quinze artistas. Cada um dos escolhidos recebe uma estatueta de 30 centímetros de altura, em bronze, criada pelo artista visual Elifas Andreato. Além da cerimônia de entrega, o evento oferece a #MostraPGM, um concerto com três artistas dentre os premiados do ano. 

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1245 – Rádio USP de Sampa muda programação para dar destaque à diversidade da música brasileira

Tom Jobim, Chico Buarque de Hollanda e Milton Nascimento, entre outros artistas consagrados, têm espaço, mas acervo de 6 mil composições definido com a colaboração de Ivan Vilela privilegia registros musicais produzidos nas cinco regiões do país  desde os primórdios  do século 20

Do original de Roberto C. G. Castro

Editorias: Cultura – URL Curta: jornal.usp.br/?p=275446

Exibir o máximo possível da enorme diversidade da música brasileira é o objetivo da nova programação musical da Rádio USP [Universidade de São Paulo], da cidade de São Paulo, que estreou em 1º de outubro, de acordo com o jornalista Gustavo Xavier, um dos responsáveis pela reformulação. Xavier explicou que a rádio dedicará o tempo de sua grade à música para manifestações de todas as regiões do País, do passado e do presente e nos mais variados ritmos. “Nós queremos oferecer aos nossos ouvintes a possibilidade de acesso à imensa riqueza da música brasileira”, observou. “É um patrimônio cultural riquíssimo, que para a maioria das pessoas permanece desconhecido.”

A nova programação da Rádio USP é resultado de quase três anos de trabalho. Nesse período, uma equipe da Superintendência de Comunicação Social (SCS) da USP – que mantém a emissora -, formada por diretores, produtores e estagiários, fez um amplo levantamento dos registros musicais produzidos nas cinco regiões do país (Norte, Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste), desde as primeiras décadas do século 20 até hoje.

Gustavo Xavier: “Queremos que os ouvintes tenham acesso à imensa variedade da música brasileira” (Foto: Cecília Bastos/USP Imagens)

No final do processo, a emissora montou acervo com 6 mil composições dos mais diversos ritmos, gêneros e origens, incluindo canções de artistas consagrados como Tom Jobim, Chico Buarque de Hollanda e Milton Nascimento, obras ligadas a ritmos folclóricos, como catira, chula, coco e lundu, e músicas tipicamente regionais, como a trova mineira, o fandango rio-grandense e o siriri mato-grossense. “Essas músicas serão apresentadas ao longo de toda a programação musical”, informou Xavier. “Dessa maneira, a qualquer momento em que ligar o rádio, o ouvinte terá contato com as mais diferentes expressões musicais”, acrescentou o jornalista, lembrando que o acervo continuará a ser ampliado.

 A equipe da SCS teve a consultoria do professor Ivan Vilela, do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, um dos maiores especialistas em música popular do Brasil.

Fora as novidades na programação musical, pouco foi modificado no restante da grade da emissora. Dedicado à música brasileira da década dos anos 1930 a 1960, o programa Memória Musical, que começava às 5h30 e terminava às 7 horas, passará a ser transmitido – a partir da segunda quinzena de outubro – das 6 às 7 horas. Haverá também novas vinhetas, que apresentarão os programas e a hora certa. Os tradicionais programas diários da emissora continuaram em seus horários normais, como o Jornal da USP no Ar (das 7h30 às 9h30) e o Via Sampa (das 12 às 13 horas). A emissora conta, ainda, com 28 colunistas – todos professores da USP – que, ao longo da programação da manhã, fazem análises aprofundadas sobre temas ligados à sua área de estudos.

 “Entendemos que o trabalho realizado até aqui expressa bem a missão da Rádio USP como uma rádio universitária de uma instituição pública, compromissada com a formação cultural dos ouvintes e sintonizada com todo o legado da música brasileira em todas as suas vertentes”, divulgou em nota a direção da Superintendência de Comunicação Social da USP, a respeito das reformulações na programação musical. “Continuamos contando com toda a equipe para dar a melhor expressão possível a esse projeto, e seguimos abertos a sugestões e comentários”, acrescentou a nota, assinada pelo superintendente de Comunicação Social da USP, Luiz Roberto Serrano, pelos jornalistas Marcia Blasques, Marcello Rollemberg e Gustavo Xavier e pelo estagiário Vitor Ramirez Lopes, aluno do Departamento de Música da ECA. 

A Rádio USP de São Paulo pode ser sintonizada em 93,7 MHz e pela internet, no endereço www.jornal.usp.br/radio. A programação completa da emissora está disponível neste link.

VIOLA EM DESTAQUE

A Rádio USP também mantem em sua grade Revoredo, programa produzido e apresentado pelo maestro José Gustavo Julião de Camargo, do Departamento de Música da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, com trabalhos técnicos de Luiz Antonio Fontana, que é dedicado ao universo da viola caipira e seus expoentes, tocadores e compositores . O Revoredo ocupa o horário das 17 horas todas às quinta-feiras e pode ser sintonizado tanto pela Rádio USP Ribeirão Preto, em 107,9 MHz, quanto pela Rádio USP São Paulo, em 93,7 MHz. Há reprise aos sábados, a partir das  8 horas, em ambas as emissoras.

O maestro Julião apresenta o programa Revoredo para as rádios de São Paulo e de Ribeirão Preto (Foto: André Estevão)

Todas as edições do Revoredo podem ser ouvidas pela internet e baixadas em formato Mp3 e já destacaram, entre outros, trabalhos de violeiros como Levi Ramiro, Fernando Caselato, Ricardo Vignini, Rodrigo Delage,  mais populares no universo caipira, quanto nomes ainda pouco conhecidos, tais quais Victor Gulin, Emiliano Pereira, Claudivan Santiago, Marcos Mesquita e Galvão Frade.

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1242 – João Bá: uma dádiva que não se apagará, uma facho de fogo que seguirá apontando os caminhos a seguirmos

Poeta, cantador, compositor, ator, violonista, homem de bondade e de sabedoria irrefutáveis, agora transmutado em estrela, o Bacurau Cantante sobe para o Plano Elevado deixando um legado que o aproxima de São Francisco de Assis e o transforma em em sinônimo de Humanidade

Lidar com e aceitar a morte costuma ser para a maioria das pessoas um desafio, doloroso, sobretudo no hemisfério católico-cristão, que a associa à perda, ausência, fim. Pessoalmente e à medida que envelheço e ficamos mais próximos, venho tentando me esforçar para Encará-la como São Francisco de Assis a considerava, uma Irmã redentora; ao mesmo tempo, exercito o esforço pra internalizar a convicção kardecista que preconiza a reencarnação — ou seja, a volta do espírito que um dia abrigou um corpo à matéria, credor de novas oportunidades de aprendizado que o levem à evolução até que, ao final de um ciclo, mereça residir em alto grau de felicidade e perfeição em planos mais elevados e sublimes.

Esta reflexão, mais uma vez, alcança-me nestas últimas horas em que tentamos aceitar que o querido amigo, cantor e compositor João Bá foi brincar no mar — justamente ele, o  menino que nós todos que o conhecemos (e o amaremos sempre) assim julgávamos, e, brincávamos, de fato, seria: eterno, invencível, resistente ao passar do tempo, á chegada do inexorável definhamento e do esgotamento dos órgãos e da mente, aos tombos do palco, uma espécie de alma de sete gatos, de entidade que pairaria acima deste desfecho pela força de sua personalidade risonha, generosa, poética, lúcida, abundante em luz e em sabedoria.

Fui acordado pela companheira Andreia Regina Beillo nas primeiras horas da manhã da sexta-feira, 4, com a notícia da passagem dele, lá em Caldas (MG), onde residia. Ainda estava meio imerso nas brumas do sono e demorei a processar e a apreender a informação, mas enquanto sob o impacto do anúncio tentava por meus circuitos para funcionar, a própria Andreia já se corrigia afirmando, com um tom de gratidão: “Notícia triste, na verdade, não totalmente, porque, claro, embora o João Bá nos fará falta, neste instante ele deve estar feliz pela vida que teve e pelo que nos legou, repleta de amigos, de encontros, de contribuições para o bem e para a nossa cultura, notadamente a popular”. Era o momento em que depois de alguns segundos e incredulidade a minha ficha caía. Eu até concordei com a Andreia quanto a sua sensata observação, mas no mesmo instante não consegui conter um suspiro profundo e soltei um “puta, que merda!”

Não encontramos informações sobre a causa do encantamento, mas, de fato, acredito que isto pouco interessa, olhando pelo prisma da Andreia. Melhor mesmo (não por amarga resignação, mas por fé e maturidade), é perceber que João Bá seguirá sendo uma dádiva inesgotável, um mimo enquanto por aqui estivermos arreunidos, um facho de fogo candeeiro a apontar o caminho que devemos seguir trilhando: pela música, pela cultura popular, por nossas tradições, pela humanidade. Agora que ele é todo passarinho, deixemos que os do Alto o aninhem no lugar em que merece, já plenamente completo, encantando com seu jeito de baiano-mineirim quem por ventura Lá também tenha merecido pousar. E como ele mesmo dizia que no Céu não há marmelada, vocês conseguem imaginar a festa que estão fazendo entre as nuvens Pixinguinha, John Lennon, Elis Regina, Beethoven, Tom Jobim, Bibi Ferreira, Ariano Suassuna, Mário Quintana, Manoel de Barros, Marília Pêra, Bach, Villa-Lobos, Gonzaguinha e Gonzagão? Posso até ver o comunicado que São Pedro mandou Dércio Marques ler:

Em virtude da superlotação do nosso Teatro Celestial para a apresentação de boas-vindas do Bacurau Cantante, Jesus pede para avisar que promoveremos mais quantas sessões do show forem necessárias até que todas as almas que Aqui no Mundo Perfeito se encontram e queiram aplaudir nosso companheiro consiga seu lugar na plateia.”

Lido o comunicado, até Deus voltará inúmeras vezes à fila de entrada e, mesmo Todo Poderoso, tentará descolar selfies e autógrafos da atração após cada cantoria, ô, se vai!

Amigo carinhoso, alegre e de coração humilde

Fato raro quando o artista que morre é um João, mas Bá, não Gilberto, pelo menos um veículo da grande mídia nacional, o Correio Braziliense, tirou o chapéu para repercutir a viagem astral do cantador. Também a versão online do Correio do Sul, de Poços de Caldas (MG), informou o fato aos seus leitores, lembrando que em julho recente ele e o seu pupilo João Arruda, de Campinas (SP), participaram do projeto Composição Ferroviária, promovido naquela cidade mineira pelo casal Jucilene Buosi e Wolf Borges, e que teve, ainda, Déo Lopes em cena.

Uma das mais tocantes homenagens e lembranças, entretanto, foi escrita pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), que publicou a seguinte nota de falecimento em sua página virtual:

João Bá foi um menino que dedicou toda sua vida à cultura popular e ao povo brasileiro. Nascido no sertão baiano, em Crisópolis, Bá é filho de lavradores. Ele contava que começou a trabalhar ainda criança, quando caiu o primeiro dente. Seu pai decidiu que ele estava pronto para ir à lavoura. Foi ajudando a família que ele começou a observar a natureza, grande motivo de inspiração para toda sua obra.

Aos 12 anos ele também já era cantor e compositor. Durante a trajetória, compôs mais de duzentas músicas, gravadas por artistas celebrados no cenário popular como Hermeto Pascoal, Almir Sater, Diana Pequeno, Dércio Marques, entre outros. Mas para o coração do povo Sem Terra a principal gravação é O menino e o mar, realizada junto com as crianças sem terrinha de Itapeva (SP), para o CD Plantando Ciranda 3.

João Bá esteve presente em muitos momentos de luta e de construção da cultura do MST. Ele participou dos Encontros de Violeiros, do II Festival Nacional de Arte e Cultura da Reforma Agrária, do Encontro com o Saci, em São Paulo, dos Festivais da Reforma Agrária em Minas Gerais, sempre alegrando e colocando as crianças mais adultas para brincar com suas canções.

Observado pelo olhar carinhoso e atento do filho Danilo Marques Oliveira, João Bá em abril de 2015, quando fez apresentação no Sesc Interlagos, da cidade de São Paulo, voltando á ativa depois de meses de internação e recuperação de problemas urinários (Foto: Marcelino Lima/Acervo Barulho d’água Música)

A música de João Bá é expressão de poesia, vida, natureza e luta. Ele foi o pioneiro na construção do lugar protagonista da cultura popular, do sujeito povo, que como criador de cultura e nas suas composições, que ele mesmo definia como orgânicas, por serem ligadas organicamente à natureza. A estética simples, mas intensa, despertava o senso crítico e retratava a luta de forma sensível e simples. João nos deixa um legado de humanidade, de fazer artístico e olhar sensível. De falar da luta como se fala da vida.”

Este texto do MST deixa de forma inequivocamente clara qual foi a opção preferencial de João Bá enquanto esteve encarnado: ao lado do povo, dos humildes, dos explorados de toda sorte.

Outro singelo tributo veio do violeiro natural de Salinas (MG) e radicado em Belo Horizonte Joaci Ornelas, um dos muitos músicos com quem João Bá conviveu. Ornelas escreveu, em forma de poema, o texto que segue:

O encantado se encantou!

Era menino feito de passarinhos
de anuns, araras, andorinhas e bacuraus
Era feito de rios e correntezas
Jequitinhonha e São Francisco
de barco e leme
calmaria do igarapé…
Era feito de areia, de mar e estrelas
de arvoredos e de matas
de uruçus e borboletas
Era feito de cerrado e sertão
de vales, sertanias!.

Era feito de brisa e ventania
de versos e melodias
de João, José e Hermeto
de Rosa e Severininha
Era feito de sonhos
de esperança
da mais pura alegria

João… o encantado se encantou!

Também mineiro e violeiro, Gustavo Guimarães comparou João Bá a São Francisco de Assis, santo cujos maiores louvores são promovidos justamente no dia em que João Bá torna-se luz:

Hoje é mesmo um dia especial, dia que é lembrado pela passagem de São Francisco de Assis e dia que o nosso querido João Bá também segue a sua viagem em direção a uma nova vida.

João foi uma espécie de São Francisco para nós e para nossa cultura, um amigo carinhoso, alegre e de coração humilde, poeta, sábio e professor. Um homem cheio da presença de Deus, que sempre procurava colocar o amor acima de tudo. Obrigado e siga em paz João, vá menino, brincar no mar do amor de Deus. No coração tudo permanece.”

Vale a pena, ainda, reproduzir o artigo do Correio do Sul, que observou

João Bá (…) reunia diversos talentos artísticos, como atuar, contar histórias, cantar e tocar violão. Como violeiro, começou a participar de shows e festivais em 1966, como o Festival da TV Tupi, no qual teve uma de suas músicas, Facho de Fogo, como destaque do evento. A canção foi composta em parceria com Vidal França. Seu primeiro disco, Carrancas, trouxe diversas participações especiais, como Hermeto Paschoal e Osvaldinho Acordeom. Sua discografia é composta também por Carrancas II, Ação dos Bacuraus Cantantes, Pica-Pau Amarelo (e o último, Cavaleiro Macunaíma, com o qual em 2014 ele festejava 80 anos] ¹.

Soma mais de 200 composições musicais. Teve seus trabalhos usados na trilha sonora de documentários como Entre o Mar e o Sertão, de 2007, sobre Gláuber Rocha, e Nas Terras do bem-virá, de Alexandre Rampezzo. Três músicas do disco Pica-Pau Amarelo foram inseridas na coletânea italiana Aruanã, sendo que a faixa Bicho-da-seda também foi usada no documentário Sindicato Operário Bolonha (Itália). Entre outras participações, João Bá também subiu ao palco do Conexão Vivo em 2009, como convidado do grupo Lavadeiras de Almenara.

Se o mundo precisa redescobrir o significado da palavra Humano, que estudem João Bá”, escreveu o produtor do programa Sr. Brasil, Lenir Boldrin, sobrinho do apresentador Rolando Boldrin. “João Bá, em um mundo em que ouvimos e conhecemos o poder e a destruição que pode causar o ego, sempre comentei que foi nele que aprendi o que pode ser a força e o poder da humildade, a riqueza de ser gente, de ligar o verdadeiro elo da humanidade.”

João Bá também atuou no cinema como autor e foi protagonista da sétima arte em um documentário de 60 minutos da Itoby Filmes há pouco mais de três anos.

Leia outros conteúdos sobre João Bá ou a ele relacionados aqui no Barulho d’água Música clicando no linque abaixo!

https://barulhodeagua.com/tag/joao-ba/


¹Também integram a discografia de João Bá: 50 Anos de Carreira (2004), Aruanã – Amigos da Orchestra do Mundo(2005) e Amigo Folharal (2010). Comprar os CDs do João Bá é possível enviando mensagem para Nanah Correia pelo endereço virtual nanahcorreia22@yahoo.com.br.

http://www.itobyfilmes.com.br/equipe-fitipaldi-1

https://quadradadoscanturis.blogspot.com/2014/01/joao-ba-discografia-para-download.html

https://www.mst.org.br/2019/10/04/joao-ba-foi-brincar-com-as-estrelas-do-mar.html

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2019/10/04/

http://correiodosul.com/regiao/morre-aos-87-anos-o-cantor-e-compositor-joao-ba/

1215 – Divulgados homenageados e datas de realização do 5º Prêmio Profissionais da Música, em Brasília (DF)

Cerimônia de entrega do troféu Parada da Música aos vencedores das 67 categorias de 3 modalidades está marcada para 3 de novembro

Os organizadores do 5º Prêmio Profissionais da Música (PPM) conseguiram driblar os efeitos das canetadas que cortaram recursos anteriormente garantidos à promoção dos eventos e à cerimônia de premiação dos finalistas, inicialmente planejadas para abril, e anunciaram que tudo será realizado entre 1º e 3 de novembro, em Brasília (DF). Os homenageados desta edição também foram divulgados: Ronaldo Bastos (Criação), Genildo Fonseca (Produção) e Claudio Santoro (Convergência), as três modalidades que concentram as 67 categorias dos finalistas, que juntas, envolvem 492 artistas e profissionais (selecionados a partir de mais de 1500 inscrições de todo o país que se submeteram às três etapas de votação ao longo do primeiro semestre de 2019). O Barulho d’água Música é finalista pela segunda vez consecutiva da categoria Canais de Divulgação de Música/Convergência e já confirmou que estará presente na capital federal.

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1206 – Banda de Pau e Corda (PE) lança disco comemorativo, pela Kuarup, em Belo Horizonte (MG)

Álbum traz 16 sucessos do grupo que está na estrada há 45 anos, com participações dos violeiros mineiros Chico Lobo e Tavinho Moura

A Banda de Pau e Corda, uma das mais longevas e tradicionais do Brasil, fará nesta quinta-feira, 4 de julho, apresentação em Belo Horizonte (MG) durante a qual será lançado o álbum comemorativo aos seus 45 anos de trajetória. O disco do grupo de Recife (PE), lançado pelo selo Kuarup, já está tocando aqui na redação do Barulho d’água Música, gentilmente enviado pela gravadora, a qual agradecemos à toda equipe e em especial a Rodolfo Zanke. A cantoria deverá começar às 21 horas, no Teatro do Centro Cultural Minas Tênis (ver a guia Serviços).

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1195 – Luis Kiari (PB) lança De Dentro, pelo selo Kuarup, com participações de Nando Cordel e Chico Lobo

Canções promovem a integração das raízes tradicionais sertanejas à modernidade sonora do artista de Campina Grande que mora na cidade do Rio de Janeiro  um dos mais destacados talentos da nova MPB

O selo Kuarup está lançando De Dentro, segundo álbum de Luis Kiari, paraibano de Campina Grande há seis anos radicado na cidade do Rio de Janeiro (RJ) e que acaba de promover miniturnê por cidades do Nordeste visitando os estados da Paraíba e de Pernambuco. O disco, gentilmente enviado ao boteco do Barulho d’água Música pelo produtor Rodolfo Zanke — ao qual mais uma vez somos gratos, estendendo os agradecimentos à toda a equipe da gravadora e editora — tem produção de Ricardo Gomes e mixagem e masterização feitas pelo consagrado engenheiro de som Ricardo Carvalheira. Reúne nove singelas, mas poéticas faixas nas quais se ouve a participação especial do cantor, compositor e instrumentista pernambucano Nando Cordel  — em A Paz de Esperar, que assina a parceria com Kiari na composição –, mais o brilhante e toque inconfundível das violas caipira e dinâmica do músico mineiro Chico Lobo, em todo o repertório¹. As canções promovem a integração das raízes tradicionais sertanejas à modernidade sonora do artista, um dos mais destacados talentos da nova geração da MPB. E o projeto gráfico De Dentro é outra atração do álbum. Assinado pelo conterrâneo do cantor, Vito Quintans, revela um conceito artístico baseado em xilogravura, conforme pode ser conferido nos clipes disponibilizados no sítio eletrônico de Kiari, acompanhado das letras (lyrics) das canções, ou nas principais plataformas digitais.

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1191 – Titane (MG) apresenta no Tusp, em curta temporada, álbum gravado para celebrar a obra de Elomar (BA)

Mineira se embrenha nas estradas do menestrel que nos levam ao sertão profundo e inova mais uma vez ao se dedicar de forma inédita a gravar repertório de um único compositor

A audição matinal de todos os sábados aqui no boteco do Barulho d’água Música começou neste dia 18/5 com Titane canta Elomar – Na Estrada Das Areias De Ouro, que a cantora e intérprete mineira de São João Del Rey lançou para celebrar a obra do menestrel baiano Elomar Figueira Mello e cujo repertório ela apresentará em curta temporada a partir de 30 de maio, no Teatro da Universidade de São Paulo (Tusp). O disco tem (apenas!) 10 faixas e ao final dele fica um gostinho de “quero mais”, bate a vontade de não mais se desplugar de uma das plataformas de streaming nas quais está disponível (Spotify, Deezer, Amazon, Apple Music, Youtube, Napster, Claro Música, Google Play). E ter o álbum físico em mãos é ainda melhor, pois é como tocar em uma moeda rara de rico tesouro, adornado por um primoroso encarte.

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1181 – Série “Clássico do Mês” volta a Pernambuco, berço do Ave Sangria

Passados 45 anos do emblemático álbum de estreia, grupo está de novo na estrada para lançar Vendavais, para o qual está promovendo uma vaquinha virtual e será atração em três shows em unidades paulistanas do Sesc, já disponível em plataformas de streaming

O Barulho d’água Música retoma nesta atualização a série Clássico do Mês dedicando-o ao disco Ave Sangria, único por enquanto gravado comercialmente pela homônima banda pernambucana, do Recife, em 1974. O grupo  Ave Sangria à época reunia por Marco Polo (vocais), Ivson Wanderley, o Ivinho, (guitarra solo e violão), Paulo Raphael (guitarra base, sintetizador, violão, vocal), Almir de Oliveira (baixo), Israel Semente (bateria) e Agrício Noya (percussão) e para este lendário álbum de 12 faixas levou ainda aos estúdios Zé Rodrix (Cidade Grande, com sintetizador) e Márcio Vip (Momento na praça, ao piano; Por que?, ao órgão; e Dois Navegantes, ao sintetizador).

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