950 – Katya Teixeira volta ao Sesc Belenzinho (SP) e recebe convidados para lançar Flores do Meu Terreiro

A cantora, instrumentista e compositora paulistana Katya Teixeira ocupará o palco da unidade Belenzinho do Sesc de São Paulo na noite deste sábado, 13 de maio, para lançamento de As Flores do Meu Terreiro, nome que escolheu para o sexto álbum da carreira em cuja trajetória vem se destacando como ícone da música regional brasileira. Conhecida e querida tanto pela fibra, quanto pela generosidade que complementam seu indiscutível talento, Katya Teixeira não apenas representa uma bandeira em defesa da música independente e de qualidade: carrega-a, literalmente, pelo país afora e também pelo exterior, transmitindo e recolhendo por onde passa saberes e sonoridades que contribuem para revelar não apenas traços da mestiça identidade brasileira, mas descobrir o que em nós há de comum com outros povos. 

Desta forma e neste intercâmbio a garimpar novos e ancestrais valores pelo Brasil, o trabalho de Katya Teixeira tanto reflete as andanças – os quais acabam por serem incorporados à sua musicalidade — como é correia pela qual repassa os próprios. À medida que, ainda, presta reverência aos mestres populares que a influenciam em 23 anos de estrada, vem percorrendo nesta missão países da América do Sul e da Europa para promover shows, vivências e oficinas. Nascida em família de músicos e pesquisadores, portanto, estamos diante de um nome que personifica uma tríade brasileira e latino-americana (euro-afro-indígena) protagonista de um rico diálogo artístico no qual todas as linguagens não apenas se tornam possíveis, mas complementares e universais.

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947 – Lulinha Alencar e Mestrinho tocam e lançam álbum para Dominguinhos em Sampa

A unidade Pompeia do Sesc da cidade de São Paulo receberá no sábado, 6 de maio, Lulinha Alencar e Mestrinho para lançamento do álbum que ambos gravaram em homenagem a Dominguinhos. ToCantE  reúne em dez faixas criações tanto do cantor e compositor pernambucano que morreu em 2013, como dos próprios Alencar e Mestrinho nas quais estes reverenciam outros mestres que os influenciaram: Chiquinho do Acordeon, Jackson do Pandeiro e Pixinguinha. Richard Galliano, renomado sanfoneiro francês, também subirá ao palco como convidado especial da apresentação, prevista para começar às 21 horas.

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913 – Tonino Arcoverde (PE) assina discos de puro regionalismo e poesia que os aproximam de obras literárias

O Barulho d’água Música mais uma vez buscou nas páginas do blogue Terra Brasilis, mantido pelo mineiro Daniel Lamounier Paim, uma excelente dica para amigos e seguidores que apreciam música de qualidade produzida por artistas independentes que sobrevivem Brasil à dentro sem cachês de cervejarias, pagarem jabás para que tenham obras minimamente reconhecidas, nem são atrações em programas de Variedades, revistas e cadernos cults badalados. Entre tanta gente boa que Lamounier acolhe em sua tarefa de garimpagem (o blogueiro de Pará de Minas mantém, ainda, o Em Canto Sagrado da Terra, dedicado somente a trabalhos de conterrâneos, e o Nômade, de música étnica) destacamos o compartilhamento de um dos álbuns do pernambucano Tonino Arcoverde, intitulado Cidade das Abelhas (2005), o segundo da bela discografia que registra quatro títulos, ao todo, em mais de 20 anos de estrada.

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910 – Músicos da Argentina, do Brasil e do Chile protagonizam show de encerramento do III Encontro Nacional do Circuito Dandô

Katya Teixeira, João Arruda, Rodrigo Zanc e o Duo Flor de Maracujá (SP)*; Sol Bueno, Erick Castanho, Marcelo Taynara, André Salomão, Nádia Campos, Ana F., Ricardo Rodrigues, Adriano Bianchini, Letícia Leal, João Mendes Rio (MG); Giancarlo Borba, Cardo Peixoto, Cristiano Nunes, Mara Muniz, Roberto Pohlmann (RS); Isabela Rovo, Victor Batista, Cabocla Inez, Pedro Vaz, Milla, Franklin Borges, Rosa Barros (GO); Oswaldo Rios (PR); e Maryta de Humauaca, Marina Luppi, Anália Garcetti (Argentina) e Cecilia Concha-Laborde (Chile) vão subir ao palco do Teatro Experimental de Uberaba (MG) neste sábado, 18, a partir das 20 horas, para protagonizarem o espetáculo de encerramento do III Encontro Nacional do Dandô Circuito de Música Dércio Marques e I Encontro Latino Americano. Os dois eventos simultâneos estão transcorrendo desde a quarta-feira, 15, na Casa do Folclore, situada na mesma cidade do Triângulo Mineiro, onde os músicos, acolhidos pelo anfitrião, o empresário Gilberto Rezende, planejam a temporada do quinto ano consecutivo do projeto concebido por Katya Teixeira.

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881- Conheça a Orquestra Filarmônica de Cruzeta (RN), banda formada por jovens que é orgulho da cidade e terceira melhor do país

“Aprender uma nota e através dela conhecer o mundo” é mais do que uma frase o passaporte de entrada para uma atividade que vem mudando há três décadas o dia a dia de centenas de jovens e dando orgulho aos moradores de uma pequena cidade do sertão nordestino,situada a 220 quilômetros de Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte. Lugar no qual se contam aproximadamente 8 mil pessoas, o município, Cruzeta, sedia uma Escola de Música criada em 1984 e que dois anos depois passou a abrigar a Orquestra Filarmônica 24 de Outubro, assim batizada em homenagem a data de fundação da localidade e que com apenas um ano de estrada já conquistava o II lugar no I Concurso de Bandas em Carnaúbas dos Dantas em um estado com forte tradição musical.

Além de mudar as perspectivas de futuro de seus atuais 60 integrantes, a Orquestra de Cruzeta também trouxe alegria e aproximou famílias que todos os dias, sempre por volta das 19 horas, seguem acompanhando os ensaios regidos pelo exigente, mas admirado por todos Humberto Carlos Dantas, o Bembem, músico autodidata que dirige o grupo desde 1988, quando tinha apenas 19 anos, de acordo com matéria assinada por Mariana Kaipper Ceratti.

A jornalista produziu matéria sobre a Orquestra de Cruzeta para a versão eletrônica do jornal El Pais e entre outras informações divulgou em 2014 que o repertório privilegia composições dançantes e abarca desde ritmos mais conhecidos da música brasileira como forrós de Luiz Gonzaga (PE) ao pop-rock. Bembem acompanha tudo com rigor em busca da técnica própria de uma orquestra, chega a reprender quem comete erros, mas se os corrige, também não dispensa elogios. O orientador sabe que tem diante de si a delicada tarefa de formar artistas, incluindo à época da reportagem um garoto de 7 anos que, como os demais colegas, são procedentes das zonas rurais da região que é uma das mais vulneráveis do Brasil, já assolada pelo crack e pela ocorrência de outras drogas que são ameaças à juventude.

“Quando eu era jovem, consideravam músico como alguém que vivia mal”, comentou o maestro. “As pessoas convidavam meus colegas para tocar em festas e achavam que eles fariam isso de graça, só pela cerveja”, emendou. “Nunca aceitem essa condição: sei que vocês vão ser profissionais de primeiro nível, na música ou em qualquer outra área.”

A receita e o carinho de Bembem têm dado tão certo que mais do que encaminhar os meninos para uma forma digna de viver, as atividades da Orquestra de Cruzeta revigoraram a economia local. A Mariana Ceratti ele revelou: “hoje em dia movimentamos R$ 2 milhões por ano entre cachês de apresentações e salários de nossos músicos, demonstrando assim que investir em música é gerar ingressos e desenvolvimento”. Ele contou, ainda, que o grupo foi um dos beneficiados por um projeto do Banco Mundial que apoiou orquestras filarmônicas em 43 cidades de todo o Estado, aporte que permitiu custear os instrumentos musicais e as lições aos participantes das aulas.

“As bandas trouxeram não só a possibilidade de geração de renda, mas também desenvolvimento educativo e cultural para os jovens”, recordou também Fátima Amazonas, diretora do projeto que já em sua terceira geração fez brotar mais de 50 artistas contratados mais tarde por bandas profissionais, muitos dos quais se tornaram professores de música em universidades públicas ou dirigentes de orquestras em outras cidades do Rio Grande do Norte, entre as quais a de São Tomé, cuja metade dos membros da filarmônica é mulher. Ex-pupilos de Bembem, portanto, assumiram o perfil de agentes multiplicadores, ao mesmo tempo que iam ganhando experiência e conhecimentos para entrar no mercado de trabalho com currículos enriquecidos por saberes acadêmicos.

O governo do Rio Grande do Norte e o Banco Mundial, conforme publicou o El Pais, perceberam que a iniciativa da Escola de Música é, portanto, tanto via de preservação de tradições como via de inclusão e firmaram parceria que abriu a possibilidade de que essa atividade musical própria de Cruzeta repercuta e viceje em mais lugares do Estado, considerando-se a indiscutível tônica de encorajamento daquela Escola nos aspectos educacionais, culturais e principalmente social, centrada em valores que consideram a música não só meio de desentraves e de alegria às pessoas, mas também como importante veículo de inclusão social e agente transformador.

“Antes de formar grandes músicos, pensamos em formar grandes cruzetenses, seridoenses, norteriograndense, nordestinos, brasileiros, cidadãos do mundo e de si mesmos”, declarou Bembem. O Rio Grande do Norte durante a colonização portuguesa formou inúmeras bandas para tocar em eventos religiosos e militares, mas este interesse passou a diminuir com o correr do tempo e hoje abriga poucas filarmônicas. Uma das explicações é a falta de partituras e de peças musicais escritas antigamente, pois quando um compositor morria, era comum os familiares queimarem o material dele que poderia servir de referência a novos músicos e incentivar estudos e projetos.

“As pessoas  não davam valor às composições musicais”, aponta Bembem, em cuja árvore genealógica entre três compositores encontra-se Tonheca Dantas. As obras dele ficaram à salvo e mais bem conservadas porque Tonheca Dantas (1871-1940) pertencia à Polícia Militar, instituição que preserva melhor seus documentos.

As obras deste parente de Humberto Carlos Dantas e de muitos outros compositores locais pouco conhecidos pelo público em geral estão incluídas nos discos gravados pela Orquestra de Cruzeta. Descobrir e difundir esse repertório – valsas e ritmos brasileiros – alegra os jovens músicos toda vez que cai a noite no sertão e eles se reúnem para os ensaios. “As pessoas que não conhecem nossa cultura têm de entrar no mundo da música, pois vão descobrir ritmos de que nem imaginam que vão gostar”, disse o trompetista Edjarde Silva, de 16 anos. “É muito bom estar aqui aprendendo e em contato com a música brasileira.”

Hoje, além de cumprir este papel, a Filarmônica de Cruzeta já se afirmou como a melhor banda do Estado e de acordo com dados publicados no sítiio eletrônico da Orquestra ocupa um lugar entre as três melhores do Brasil, reconhecida por profissionais respeitados e conhecedores da realidade musical do país. As várias formações colecionam  apresentações pelas cidades e por eventos culturais realizados em solo potiguar e em localidades do Nordeste. A lista aponta, por exemplo, São José do Seridó, Caicó, Jardim de Piranhas, Parelhas, Jardim do Seridó, Carnaúbas do Dantas, Currais Novos, Florânia, Assu, Angicos, Apodi, Acari, São Gonçalo do Amarante, Macaíba, Pedro Avelino, São Paulo do Potengi, São Tomé, Carnaubais, Caraúbas, Cerro Corá, Lagoa Nova, Macau, Mossoró, Martins, Umarizal, Viçosa, Porta Alegre; João Pessoa, Baieux e Santa Luzia (PB); Recife, Olinda, Nazaré da Mata (PE); Aracajú, Laranjeiras e Instância (SE); Fortaleza e Aquiráz (CE); Salvador e São Félix (BA);  São João Del Rei, São Tiago, e Rezende Costa (MG). Em 2003 a Banda foi convidada para fazer a abertura do X Festival de Música de Recôncavo Baiano, em Salvador, um dos principais do país, e também já levou um concerto para ser apresentado no Teatro Alberto Maranhão, em Natal.           Participou juntamente com a Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte do Projeto Música no Interior, tocando na porção Oeste do Estado em locais como Martins, Umarizal, Riacho da Cruz, Pau dos Ferros, Viçosa, Porta Alegre e Lucrécia.

Discografia

 A Orquestra de Cruzeta lançou o primeiro álbum em 2002, em parceria com a Fundação Hélio Galvão e Projeto Nação Potiguar, só com músicas de compositores seridoenses. O segundo, ao vivo, gravou em sua sede própria, também em 2002, com músicas de vários autores brasileiros. O trabalho é “caseiro”, para ofertar aos amigos, e parte do plano de divulgação do trabalho. Em 2004, o grupo voltou ao estúdio e gravou um álbum didático para Universidade Federal do Rio Grande do Norte, mais o disco Cruzeta Revela Márcio Dantas e Filarmônica de Cruzeta interpreta a obra de Normando CarneiroEm 2006 saiu Banda de Cruzeta 20 Anos.

Para contato com a Orquestra Filarmônica de Cruzeta telefone teclando 0XX84-3473-2164.

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868 – André Rass corta o bolo de mais um aniversário em turnê pelo Canadá e Estados Unidos com o Matuto Moderno

A folhinha do Barulho d’água Música marca que em 1° de maio comemora-se o aniversário de André Rass, natural de Dom Pedrito (RS), e atualmente radicado em São Paulo onde desenvolve carreira das mais elogiadas como percussionista, conhecida por participações em destacados projetos acompanhando vários cantores e sobretudo na banda Matuto Moderno. Filho de casal formado por comerciante e dona de casa, André Rass criou-se em meio a festas populares e rodas de choro incentivado pelo pai, violonista, e pelo padrinho, acordeonista. A dupla, assim, tornou-se a primeira referência musical em sua vida. Mais tarde morando em Pelotas, passou a trabalhar profissionalmente como músico, ingressando na banda de Sulimar Rass. Juntos, ele e o irmão viajaram pelo Rio Grande do Sul e tocaram ainda o Uruguai e a Argentina. Nesse período, conheceu músicos tais quais Fernando do Ó, o guitarrista Daniel Sá, Gilberto Oliveira, Egbert Parada, Luciano Nasário, o violonista flamenco Romano Nunes, entre outros, e gravou com a cantora e compositora Ana Mascarenhas,Cardo Peixoto, Avendano Júnior, além do percussionista uruguaio Liber Bermudes, com que estudou ritmos latino-americanos.

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829 – Tábua de Pirulito: baixe e aprecie esta e outras iguarias do SaGRAMA, grupo com tempero armorial que há 20 anos encanta Pernambuco

A alegria, a religiosidade e também elementos alegóricos que revestem muitas das tradições populares do Nordeste estão representados na obra do SaGRAMA, grupo também conhecido por Banda Sinfônica do Recife que em 20 anos de estrada já tocou em países como a França e a Bélgica. Idealizado em 1995 pelo professor do Conservatório Pernambucano de Música, compositor e flautista Sérgio Campelo, o SaGRAMA difunde a música popular por meio de linguagem erudita, espalhando influencias do Movimento Armorial e ritmos tradicionais como frevo, baião e caboclinho. 

Com esta bem temperada sonoridade, o SaGRAMA já gravou sete álbuns, predominantemente instrumentais acústicos, um dos quais tem o sugestivo nome Tábua de Pirulito. Para quem não sabe, e portanto carrega o azar de jamais ter   experimentado uma, o título do disco faz referência à deliciosa iguaria em forma de pirulito puxa-puxa à base de mel, açúcar e água, tentação infelizmente já quase esquecida que fez a festa de crianças em ruas interioranas, envolta em embalagens de papel coloridas, vendida espetadas em tabuleiro de madeira cheia de furos e apoiada por um cabo longo que os vendedores carregavam ao ombro). Com esta mesma receita os nove músicos vêm animando vários eventos culturais em Pernambuco, além de compor trilhas sonoras para teatro e cinema, entre as quais a do filme O Auto da Compadecida, de Guel Arraes.

tabua de pirulito

O blogue Quadrada dos Canturis disponibilizou em formato mp3 seis dos sete álbuns do SaGRAMA. Visite o endereço http://quadradadoscanturis.blogspot.com.br/2014/01/sagrama-discografia-para-download.html#more, baixe os arquivos e boa curtição! Ah, e se você escutar o som de uma matraca ecoando pela rua onde mora, aperte a tecla de pausa e corra até o portão…

 

 

 

828 – País lamenta perda de Naná Vasconcelos (PE), eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo

Pernambuco vive desde o fim da manhã de hoje, 9 de março, luto oficial de três dias em respeito ao percussionista Naná Vasconcelos, que morreu em decorrência de complicações de um câncer de pulmão, no hospital de Recife onde convalescia desde 29 de fevereiro. Naná Vasconcelos sofreu parada respiratória por volta das s 7h40. Amigos e familiares velarão o corpo na Assembleia Legislativa de Pernambuco antes do sepultamento, marcado para as 10 horas da quinta-feira, 10, no Cemitério de Santo Amaro.

Assim que o esquife chegou ao prédio da Casa Legislativa foi recepcionado por amigos e familiares, entre os quais se encontravam a viúva, Patrícia Vasconcelos, e a filha do casal, Luz Morena. O grupo Maracatu Nação Porto Rico protagonizou homenagem ao percursionista, considerado símbolo da união dos maracatus de Pernambuco. ‘‘Toque o tambor que Naná chegou/ Todas as nações vêm saudar nesse carnaval”, ouvia-se entre outros versos entoados pelo grupo, liderado por Chacon Viana. “Naná deixava bem claro que não tem mestre, nem ninguém melhor, o mestre é só o do céu. Com seu papo pé no chão, conseguia que as nações do estado se unificassem e se tornassem uma só. Ele tinha uma coisa que Deus que deu. Ele não precisava se sacrificar tanto, ele já tinha nome”, disse Chacon Viana.

“Naná Vasconcelos partiu fazendo música no quarto do hospital nos últimos dias de vida”, afirmou Patrícia Vasconcelos. “Ele vivia a música, respirava a música”, complementou a ex-mulher. “Todo momento que falava sobre isso se sentia melhor”.  A viúva ainda observou que o ex-marido “espalhou muito amor e muita música pelo mundo todo”. Assim, para ela, “essa é uma perda material, mas a música e a humildade dele como lição, além de respeito ao próximo, ficarão”.

 A mulher de Naná Vasconcelos ainda enfatizou a obra dele em prol de crianças, mas que beneficia também outras faixas etárias. “Como músico, o trabalho que ele fazia com crianças se transporta para todas as idades. Era uma missão de vida se preocupar com o futuro de crianças que moravam na rua e que tinham problemas de deficiência.” 

Uma das coroas de flores destacou a inscrição “Amém e amem”, que, de acordo com o contrarregra de Naná Vasconcelos, Edelvan Barreto, era a mensagem que o músico gostaria de ver postergada. “Amém e amem ele compôs da primeira vez que se internou, no ano passado”, afirmou o amigo. “Essa música deve se propagar em toda a humanidade nesse mundo perturbado que vivemos hoje.”

Além de decretar o luto oficial, o governador Paulo Câmara divulgou a seguinte nota:

“Pernambuco acordou triste. O silêncio causado pelo desaparecimento de Naná Vasconcelos em nada combina com a força da sua música, dos ritmos brasileiros que ele, como poucos, conseguiu levar a todos os continentes. Naná era um gênio, um autodidata que com sua percussão inventiva e contagiante conquistou as ruas, os teatros, as academias”

A morte de Naná Vasconcelos também consternou parceiros de estrada, tais quais os conterrâneos  Lenine e Alceu Valença, e Gilberto Gil. Marcelo Melo, da banda Quinteto Violado, declarou que convivia com Naná Vasconcelos desde a década dos anos 1960. “Tínhamos um quarteto vocal, o Bossa Norte. Naná era uma pessoa muito querida, muito amiga. Eu assumi o Quinteto e ele, a vida dele. Eu tinha muito carinho por ele e era um talento muito grande”.

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Naná Vasconcelos abriu durante 15 anos o Carnaval do Recife, mantinha projetos sociais nos quais a música é veículo de inserção e no mundo inteiro era aclamado como mestre percussionista, inclusive por B.B.King (Foto: Prefeitura do Recife)

Apelido é herança de avó

Naná Vasconcelos passara quase um mês no mesmo hospital de Recife, em 2015, quando o câncer que o acometeu foi diagnosticado, apenas um ano após exames gerais que nada haviam detectado em seu organismo. Quando recebeu alta, em agosto, discorreu sobre o desafio de enfrentar a doença, demonstrando fé. ‘Tenho de enfrentar com força, pensamento positivo. E vou enfrentar com o pensamento de que vou chegar lá”.

Assim, mesmo em tratamento que incluiu sessões de quimioterapia e de radioterapia, por 40 dias, manteve a agenda e não largou dos tambores e dos berimbaus Entre os compromissos que honrou abrilhantou a abertura do Carnaval do Recife, no Marco Zero, neste ano, puxando cordão formado por mais de 400 batuqueiros. Ainda durante a folia, dividiu o palco com o Clube Carnavalesco Misto Pão Duro, grupo centenário homenageado no carnaval do Recife, com o Maracatu Nação Porto Rico, também celebrado, e com os cantores Lenine e Sara Tavares, de Cabo Verde.

Naná era apelido, perpetuado por uma das avós do então menino Juvenal de Holanda Vasconcelos, desde muito cedo apaixonado pela vibração das batidas que o levaram a adotar o ofício de percursionista. Na década dos anos 1960,  transferiu-se do Recife para o Rio de Janeiro e na Cidade Maravilhosa gravou, de saída, dois discos com Milton Nascimento. Depois, com o amigo Geraldo Azevedo, em São Paulo, participou do Quarteto Livro, que acompanhou Geraldo Vandré no Festival da Canção.

A obra de Naná Vasconcelos disseminou-se fora e dentro do Brasil e trouxe, gradativamente, respeito e fama. Integrante do grupo Jazz Codona, com o qual lançou três discos, chegou a gravar com B.B. King, com o violinista francês Jean-Luc Ponty e com a banda Talking Heads, liderada por David Byrne, um dos grupos precursores do movimento new wave. Por aqui, além de Milton Nascimento, seguia a bater bola com Caetano Veloso, Marisa Monte e Mundo Livre S/A, entre outros expoentes com os quais mantinha parcerias. A marca de Naná de Vasconcelos também está em trilhas sonoras para filmes nacionais e norte-americanos e, por oito vezes! revistas especializadas em música nos Estados Unidos o elegeram “o melhor percussionista do mundo”.

A fama não o envaideceu, pois Naná Vasconcelos acreditava que por meio da música poderia transformar e melhorar a vidas. Assim pensava, assim agia: encabeçava projetos sociais como o Língua Mãe, acolhendo crianças da América do Sul, da Europa e da África, ao passo que, paulatinamente, inseria a música no cotidiano das comunidades carentes do Recife como forma de incentivo à educação e cultura.

Como mestre carnavalesco, a contribuição de Naná Vasconcelos perdurou por pelo menos 15 anos, período no qual o primeiro grito sempre era dele, colocando em marcha  doze maracatus, 600 batuqueiros e o coral Voz Nagô, com ponto alto sempre às sexta-feiras. O que sempre se vê nestes dias nas ruas de Recife é o público rendendo-se à beleza e à euforia para acompanhar um dos mais coloridos e vigorosos espetáculos populares que o Brasil oferece. Em 2017, quem puxará os foliões?

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818 – Xangai, Ednardo, Tom Zé, Amelinha, Chico César: trilha sonora de Velho Chico embala novela que estreia em março

Velho Chico, mais uma telenovela com temática regionalizada com o dedo brilhante de Benedito Ruy Barbosa, escola que ganhou força no início dos anos 1990 quando ele produziu Pantanal para a extinta TV Manchete, já está sendo anunciada pela Rede Globo para suceder a inverossímil trama que atualmente ocupa o horário nobre da emissora e já deu com tanto maniqueísmo de feira, clichês, pancadões e regravações de gosto duvidoso de baladas românticas. Apoiada pela mesma fórmula de sucesso das histórias anteriores que o escritor assinou (desta, na verdade, será supervisor, pois a autoria cabe a Edmara Barbosa e Bruno Luperi, filha e neto, respectivamente de Benedito Ruy Barbosa) Velho Chico tem estreia prevista para março, quando na telinha passarão a comparecer atores consagrados do primeiro escalão da teledramaturgia de Pindorama contracenando com novatos (em sequências de tirar o fôlego, captadas em muitos planos abertos e apresentadas por fotografias dignas de Urso de Prata) e serão ouvidas músicas que compõem uma trilha sonora “recheada de brasilidade”, como indica o produtor musical Tim Rescala.

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Tarcísio Meira mais uma vez integra elencos convocados para as novelas que Benedito Ruy Barbosa escreve ou supervisiona e viverá Jacinto na trama que, em sua primeira fase, levará o telespectador para vários passeios pelo Rio São Francisco (Foto: Caiuá Franco/Globo; em destaque, imagem de Xangai, em uma das chamadas da emissora)

Os capítulos remontarão ao final da década dos anos 1960 e levarão o telespectador à cidade fictícia de Grotas de São Francisco, que se situaria em solo do Nordeste, às margens do majestoso e poético Rio São Francisco, desenrolando a novela em fases até a entrada nos dias atuais, outra das características do consagrado avohai. Para tanto, haverá compartilhamento de personagens, como Ruy Barbosa também já fez, por exemplo, na própria Pantanal e em O Rei do Gado. Tarcísio Meira, Antônio Fagundes, Rodrigo Santoro, Camila Pitanga, Selma Egrei, Christiane Torloni, Marcos Palmeira, Chico Diaz  atuarão ao lado de nomes menos tarimbados (o que não significa pouco talentosos em se tratando dos núcleos da Vênus Platinada!) tais como Julia Dalavia, Mariana Nery, Fabiula Nascimento e Pablo Morais, além do cantor e compositor baiano Xangai, que à pia batismal ganhou o nome de Eugênio Avelino.

Ao ser chamado para a trama, Xangai ganhou a mesma oportunidade (e reconhecimento) conferido a Almir Sater, Sérgio Reis, Yassír Chediak, Daniel, Rodrigo Sater e Gabriel Sater, por exemplo, que Ruy Barbosa já escalou em outras novelas de mesmo perfil. O parceiro, entre outros vates da música regional, de Elomar Figueira de Melo já protagoniza chamadas de Velho Chico (veja foto no destaque) e abrilhantará a trilha sonora para a qual a composição escolhida é Incelença pro amor retirante, que compôs com o mulungo criador de bodes de Vitória da Conquista (BA). O cearense Ednardo, que emplacou Pavão Misterioso (Pavão Mysteriozo) e decolou a partir da inclusão dela em Saramandaia (1976) ressurge com outro de seus grandes sucessos, Enquanto Engoma a Calça, que escreveu com Climério. O irreverente Tom Zé defenderá Senhor Cidadão dentro de um baú de joias que terá ainda pedras preciosas tais quais Amelinha, Marcelo Jeneci, Chico César, Renata Rosa, Alceu Valença, e Caetano Veloso cantando ou interpretando canções autorais ou de Robertinho do Recife, Capinam, Vital Farias, Thiago Pethit e Héli Flanders — dupla que contribuirá com L’Étranger (Forasteiro), com participação de Tiê, música que Cida Moreira gravou em seu álbum Soledade, de 2015.

“O Nordeste é o foco”, comentou Tim Rescala sobre o repertório, que, de acordo com ele, valoriza os toques de um sentimento nacional com características daquela região brasileira. A escolha das músicas coube a Luiz Fernando Carvalho – diretor da novela, “eu apenas dei uma assessoria”, complementou Rescala, que ainda assina o arranjo e a regência de Tropicália, canção gravada por Caetano Veloso e pela Orquestra Sinfônica de Heliópolis, que fará parte da abertura da novela.

Também o figurino de Velho Chico busca retratar com fidelidade a identidade brasileira que será a tônica dos demais recursos artísticos empregados para realçar a cenografia. Para ter as roupas ao gosto do projeto, recorreu-se a um processo inteiramente artesanal que de acordo com a figurinista Thanara Schonardie exigiu descoloração de tecidos e tingimentos até ser alcançada a cor definida. Nas primeiras fases, predominarão, por exemplo, tons pastéis para os personagens sertanejos, enquanto matizes saturadas vestirão os que habitam o meio urbano.

Repertório do primeiro álbum de Velho Chico

Tropicália
Intérprete: Caetano Veloso
Autor: Caetano Veloso

Gemedeira
Intérprete: Amelinha
Autores: Robertinho do Recife e Capinam

Me leva
Intérprete: Renata Rosa
Autora: Renata Rosa

Flor de tangerina
Intérprete: Alceu Valença
Autor: Alceu Valença

Enquanto engoma a calça
Intérprete: Ednardo
Autores: Ednardo e Climério

Veja Margarida
Intérprete: Marcelo Jeneci
Autor: Vital Farias

Como 2 e 2
Intérprete: Gal Costa
Autor: Caetano Veloso

L’Étranger (Forasteiro)
Intérpretes: Thiago Pethit part. Tiê
Autores: Thiago Pethit e Héli Flanders/ Versão: Dominique Pinto e Rafael Barion

I-Margem
Intérprete: Paulo Araújo
Autores: Paulo Araújo e João Filho

Incelença pro amor retirante
Intérpretes: Xangai participação Elomar
Autor: Elomar

Serenata (Standchen)
Intérprete: Chico César
Autor: Franz Schubert, Ludwig Rellstab e Arthur Nestrovski

Pot-pourri Suíte Correnteza – Barcarola do São Francisco, Talismã e Caravana
Intérpretes: Elomar, Geraldo Azevedo, Vital Farias e Xangai
Autores: Geraldo Azevedo e Carlos Fernando (Barcarola do São Francisco), Geraldo Azevedo e Alceu Valença (Talismã), Alceu Valença e Geraldo Azevedo (Caravana)

Triste Bahia
Intérprete: Caetano Veloso
Autores: Caetano Veloso e Gregório de Mattos

Senhor cidadão
Intérprete: Tom Zé
Autor: Tom Zé

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Tom Zé também está escalado para a trilha sonora de Velho Chico, álbum cujo repertório realça a brasilidade que os produtores da nova novela da Globo buscam imprimir à trama (Foto: Marcelino Lima/Arquivo Barulho d’água Música)

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814- Músicos de quatro estados estão em Uberaba (MG) para planejar nova temporada do Circuito Dandô ; no dia 20 todos sobem ao palco do TEU

Olhem ai, povos: foi divulgado o time de músicos que participará da apresentação de confraternização e encerramento do 2º Encontro Nacional do Dandô – Circuito de Música Dércio Marques,  que está sendo promovido desde ontem, 17, em Uberaba (MG), em uma nova realização da Katxerê Produções Artísticas, de São Paulo, e do Hotel Casa do Folclore, além da sempre inestimável colaboração do anfitrião Gilberto Rezende, incentivador da cultura popular, residente naquela cidade do Triângulo Mineiro. A partir das 20 horas do sábado, 20, subirão ao palco do Teatro Experimental de Uberaba Kátya Teixeira e João Arruda (SP); Valdir Verona, Cristiano Nunes e Giancarlo Borba (RS); Erick Castanho, André Salomão, Marcelo Taynara, Sol Bueno, Ricardo Rodrigues e Alexandre Bianchini (MG); e Victor Batista, Pedro Vaz, Isabella Rovo, Rosa Barros, Cabocla Inez (GO). Vai ser melhor do que carne seca com araticum!

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