1313 -Consuelo de Paula e João Arruda protagonizam apresentações virtuais do projeto musical Beira de Folha*

*Com Eliane Verbena

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Os cantores, compositores, instrumentistas e parceiros Consuelo de Paula (Pratápolis/MG) e João Arruda (Campinas/SP) também se adaptaram aos tempos de pandemia do coronavírus (Covid-19) e vão protagonizar gratuitamente três apresentações virtuais ao vivo (lives) para começarem a divulgar o projeto musical Beirando as Folhas, que a dupla lançará em agosto como abre-alas para o álbum Beira de Folha. As composições do novo disco de Consuelo e Arruda nasceram de uma troca entre imagens e poemas: ela escreveu as letras a partir de imagens propostas por ele, autor de forma sincrônica e orgânica das melodias.

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1307 – IJC (SP) lança campanha para ajudar artistas em situação de vulnerabilidade devido à pandemia

Ideia é distribuir recursos para sobrevivência dos frequentadores do espaço situado no bairro paulistano do Sumarezinho mesmo depois do fim da quarentena social

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O Instituto Juca de Cultura (IJC), situado no bairro paulistano de Sumarezinho, está promovendo uma pesquisa socioeconômica com a finalidade de levantar dados e recursos e por em ação uma campanha permanente de apoio financeiro aos artistas ligados àquele espaço cultural e de convivência que estejam em situação mais vulnerável e com dificuldades de sobrevivência neste momento de quarentena e isolamento social por causa da pandemia do coronavírus (Covid-19). A meta nesta primeira fase é beneficiar artistas que frequentam o espaço, mas a intenção dos organizadores da ação é estendê-la conforme a necessidade e a evolução dos acontecimentos também à comunidade artística da cidade de São Paulo. Os dados ficarão retidos e em sigilo e, depois de usados, serão apagados.

Um formulário, que o IJC pede para não ser compartilhando, já foi disparado aos frequentadores contendo questões para o levantamento do perfil; as perguntas com asteriscos exigem respostas obrigatórias. Em caso de sugestões para a inclusão de alguém para ter acesso ao fundo, pede-se que os responsáveis pela campanha sejam procurados. Para o envio de mensagens solicitando a resolução de dúvidas está disponível o endereço virtual
pacenunes@yahoo.com.br.

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1298 – Em Ser Tão, Moraes Moreira busca resgate das próprias origens e passa de “cantor a cantador”

Cantor e compositor começou a carreira que trocou pela Medicina ainda garoto, no sertão baiano, e depois de brilhar com os  revolucionários Novos Baianos, optou pela carreira solo interrompida “na alvorada dos setenta” , enquanto dormia , por um infarto

 (…) O sertão, essa vaga ficção geográfica que sempre foge à localização precisa. Pode-se entrar pelo sertão, que sempre haverá um sertão mais para o interior do país.””, Aires da Mata Machado Filho, O negro e o garimpo em Minas Gerais, página 33 (III, Sob o signo do diamante), Editora Itatiaia Limitada, 1985

“Sertão é o sozinho”.
“Sertão: é dentro da gente”.
Grande Sertão: Veredas, João Guimarães Rosa, Livraria José Olympio, 1956

O último disco gravado pelo cantor e compositor Moraes Moreira, lançado em 2018, Ser Tão, foi o escolhido para abrirmos neste dia 18 de abril mais uma audição matutina dos sábados pela manhã, cumprindo a determinação de nos mantermos isolados durante a pandemia do coronavírus (Covid-19) aqui no boteco do Barulho d’água Música, em São Roque, cidade do Interior paulista a cerca de 60 quilômetros da cidade de São Paulo.

A morte de Moraes Moreira ocorrida na segunda-feira, 13, de infarto do miocárdio enquanto dormia em sua casa (assim como Belchior, em 2017, e Tunai, mais recentemente) na cidade do Rio de Janeiro, indiscutivelmente deixa mais uma vez de luto a cultura popular, abalando não apenas o universo musical brasileiro, mas como um todo nesta época de pandemônio federal o combalido meio artístico no qual ele despontou nos começo dos anos 1970 como um dos integrantes dos revolucionários Novos Baianos. A passagem ao Plano Maior, entretanto, não apagará a obra grandiosa que nos legou o baiano de Ituaçu frequentemente associado a ritmos mais quentes como o frevo, o samba, as marchas de carnaval, o baião, o maracatu e mesmo o rock, mas que recentemente, no auge da maturidade, vinha buscando uma nova identidade que, na verdade, o levava de volta às próprias raízes, o fazia experimentar uma verdadeira “alvorada” aos 70 anos.

Ser Tão é um disco breve, de nove faixas apenas, e saiu pelo Selo Discobertas seis anos após o estrondoso sucesso entre a crítica e o público do álbum antecessor, A Revolta dos Ritmos — o que, talvez, não tenha rendido à empreitada os devidos elogios que Moraes esperava. Mais afeito à poesia e à lapidação da palavra nos últimos dias, Moraes Moreira à la Patativa de Assaré, Zé Limeira e Cego Aderaldo vinha flertando e produzindo várias peças em cordel (como o poema, agora épico, que escreveu sobre a Covid-19, que estará ao final desta atualização) e em Ser Tão já se evidenciava com mais força parte deste resgate, já que era paixão que trazia adormecida em seu peito desde a infância.

A revista Isto É, em um texto publicado em sua versão on-line à época do lançamento do álbum e com base em informações do jornal O Estado de São Paulo, lembrava que a reaproximação de Moraes Moreira com a literatura de  cordel e tudo que envolve esse universo já era notada em A Revolta dos Ritmos, remonta à infância do músico, vivida no interior na Bahia e servia de amálgama à transição que ele pretendia e já festejava, de cantor para cantador. Vou fazer minha passagem/De cantor pra cantador/E durante essa viagem/O tempo que é passador/Vai me dar uma guarida/E muitos anos de vida/Na cantoria do amor”, são versos da faixa De Cantor Pra Cantador, na qual Moraes ora declama, ora canta, mostrando que uma habilidade não descarta a outra. “Hoje, ele é as duas coisas”, sentenciou a revista na matéria cuja integra poderá ser lida clicando aqui.

Nesse disco, pude fazer essa ideia que tenho de juntar literatura de cordel, a influência dos cantadores, dos repentistas, essa coisa da cantoria”, disse Moraes, segundo a Isto É. “É uma cantoria, às vezes, falada, mas, na maioria das vezes, cantada, é claro”, emendou. “Essa relação já vem desde criança, e eu vivia muito isso, a coisa da sanfona, bem sertaneja mesmo, o violonista de serenata. Então, essa memória toda eu carrego.”

Ser Tão é, portanto, completamente autoral, embora inclua uma parceria com Armandinho na faixa Nas Paradas. “”O Armandinho ficou ali meio representando os outros parceiros e eles entenderam isso, que era um momento muito meu, eu tinha que me concentrar nisso. É coisa de viola, de sanfona, quase não tem guitarra. Pedia menos guitarra e mais viola.

Inevitavelmente, o disco acaba sendo biográfico, de uma maneira mais direta, como na já citada De Cantor Pra Cantador e em Alvorada dos Setenta, cujos versos são declamados pelo próprio músico, fechando o repertório. Ou mais indireta, quando ele se envereda por suas raízes e memórias, como em O Nordestino do Século, também declamada, e Origens, recitada e cantada. No blues I Am The Captain of My Soul, o refrão em inglês entoado na letra em português pode até causar estranheza nesse trabalho tão impregnado de Nordeste. Mas, para Moraes, o refrão fazia mais sentido assim, sem tradução. “Esse verso, ‘eu sou o capitão da minha alma’, eu li num livro. Fui pesquisar sobre isso, esse verso era de um poema, Invictus, de Ernest Henley, um inglês da época vitoriana. Um dia, me peguei cantando ‘I am the captain of my soul’. Depois, fiz a parte B da música, em português, e aí volta sempre o refrão, que tinha de ser em inglês”, disse. “São os sertões se encontrando: o sertão de lá e de cá.”

Ainda durante a conversa reproduzida por Isto É, Moraes Moreira observara que em seus tempos de Novos Baianos, nos quais o grupo criava, literalmente, a própria música, suas raízes nunca desapareceram. “Por exemplo, Preta Pretinha é uma coisa interiorana, é muito brejeira. Então, sempre teve ali um pouquinho.O Selo Discobertas, ao lançar Ser Tão, produziu o seguinte press-release, que não apenas reforçou este perfil de Moraes Moreira, mas ampliou-o ao frisar que:

Se a Música Popular Brasileira fosse uma cidade, Moraes Moreira seria aquele caminhante que passa por todos os bairros, cruza todas as ruas, vira em todas as esquinas… e por onde anda ele se sente em casa. Não importa se é num afoxé carnavalesco ou num arrasta-pé junino, numa batucada de samba ou numa balada urbana, sua música é como um líquido que toma a forma de todos esses vasos, sem perder o sabor. Ser Tão não chega a ser uma novidade na obra desse compositor tão litorâneo e ensolarado, tão urbano e beira-mar. aquífero acessível a quem se dispõe a ir um pouco mais fundo. Há um subterrâneo de sertão por baixo de toda a cidade-Brasil. Há uma memória de sertão juntando histórias, lendas, melodias, ritmos e personagens.

Musicalmente, Moraes sempre foi um aproximador de águas, um acolhedor de belezas. A lição tropicalista foi rapidamente assimilada por sua geração para quem o rock e o samba eram bairros vizinhos que tinham a aprender um com o outro. Canções como I am the Captain of My Soul e Nas Paradas têm um sabor geracional cuja novidade não se perdeu, cuja tinta ainda não secou. Baladas de estrada, com algo de blues e das road songs que acompanharam as histórias dos andarilhos num dos muitos sertões que o Brasil descobriu dos anos 1960 para cá .Este é Moraes Moreira, sertanejo acampado à beira-mar, capitão da própria alma, setentão sempre jovem a cruzar um sertão eterno”.

Estetoscópio de pinho

De acordo com a biografia de Antonio Carlos Moreira Pires publicada pela Enciclopédia Itaú Cultural (EIC). a carreira do compositor, cantor e violonista que adotou o nome artístico de Moraes Moreira começou quando ele ainda era adolescente, tocando sanfona de 12 baixos. Com pouco tempo de aprendizado, o piá já animava festas de São João, casamentos e batizados. Em 1963, fez o curso científico na cidade de Caculé, no interior da Bahia, onde conheceu diversos violonistas e se apaixonou pelo violão. Com 19 anos, mudou-se para Salvador com o intuito de fazer o curso de Medicina, mas optou por estudar música no Seminário de Música da Universidade Federal da Bahia. Na pensão em que morava, conheceu os futuros parceiros do grupo Novos Baianos: Paulinho Boca de Cantor e Luiz Galvão. que o apresentou ao cantor e compositor baiano Tom Zé, professor de violão no seminário e com o qual Moraes Moreira trocava informações sobre harmonia e composição.

Seus amigos de pensão começaram, então, a elaborar o espetáculo de estreia do grupo Novos Baianos, O Desembarque dos Bichos depois do Dilúvio Universal, em 1968. Contando também com a cantora Baby Consuelo (atual Baby do Brasil) e o guitarrista Pepeu Gomes na formação, o grupo deslocou-se até São Paulo para participar do 5º Festival da Música Popular Brasileira, da TV Record (1969), defendendo a música De Vera, de Moraes Moreira, com letra de Galvão. Em seguida, saiu o primeiro disco, Ferro na Boneca, antecedendo o clássico Acabou Chorare, que em 1972 venderia mais de 100 mil cópias. Ícone da discografia nacional com decisiva participação de João Gilberto, Acabou Chorare inclui no repertório, entre outras o samba Brasil Pandeiro, de Assis Valente, além das composições próprias do grupo.

Moraes Moreira deixou os Novos Baianos e partiu para a carreira solo ainda em 1975, abraçado ao primeiro parceiro nessa caminhada, o guitarrista Armandinho. Já nesta fase, ele tocou com o trio elétrico de Dodô e Osmar (pai de Armandinho) em 1976, consagrando-se como o primeiro cantor de trio elétrico, embalando os seguidores com marchinhas como Pombo Correio, parceria dele com Dodô e Osmar. Rapidamente, Moraes Moreira ganhava fama e passava a ser apontado como um dos principais responsáveis pelo crescimento do carnaval de rua em Salvador.

Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira, outro dos seus sucessos, saiu em 1979, com canções em parceria com Pepeu Gomes, Jorge Mautner, Antonio Rizério, Abel Silva, Fausto Nilo, Armandinho e Oswaldinho do Acordeon. Santa Fé, parceria dele o poeta Fausto Nilo, é escolhida para ser o tema de abertura da novela Roque Santeiro, de Dias Gomes, mas a trama, censurada pelo governo militar em 1975, acabaria engaveta até 1985, quando enfim foi exibida pela Rede Globo.

Um novo encontro com os Novos Baianos ocorreu em 1997, para o lançamento do disco ao vivo Infinito Circular, com canções dos discos anteriores e algumas inéditas. Dez anos mais tarde, Moraes Moreira enveredou pelo mercado editorial ao publicar o A História dos Novos Baianos e Outros Versos e nesta publicação já adotou a linguagem de cordel, dando pistas da transição que viria adiante.

Análise da EIC

O diálogo entre gêneros musicais é  a marca da trajetória artística de Moraes Moreira. Ao começar a carreira, seu estilo tende para o rock, mas nutre também paixão pelo samba e pelo choro, e aponta nomes como Braguinha, Lamartine Babo, Zé Kéti e Jacob do Bandolim como seus maiores inspiradores. Sua obra dialoga com as produções de Roberto Carlos, Jimi Hendrix, e com a estética do tropicalismo, proposto por Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tom Zé e outros artistas. Tais referências estão presentes em Ferro na Boneca, primeiro disco do seu grupo Os Novos Baianos, que, nos anos 1960, vive numa espécie de comunidade alternativa.

A presença de João Gilberto na comunidade dos Novos Baianos contribui para acentuar o caráter musical multifacetado do grupo, fundindo sonoridades do samba, frevo e baião com o rock. Moraes Moreira aprende a maneira original de João Gilberto tocar violão e com ele se aproxima do repertório de compositores como Assis Valente. Logo cria, com Pepeu Gomes, um regional com cavaquinho e violão para o maior sucesso do autor, Brasil Pandeiro, gravado pelos Novos Baianos no álbum Acabou Chorare (1972). A canção, feita em 1940, exalta a entrada do samba no mercado musical dos Estados Unidos, alavancada principalmente por Carmen Miranda, intérprete de grande parte das músicas de Assis Valente.

As composições com Luiz Galvão vão de canções de simples harmonias, como o maior sucesso do Novos Baianos, Preta Pretinha (Acabou Chorare), de dois acordes apenas, até as de complexas estruturas, caso de Os Pingos da Chuva (Novos Baianos F.C., 1973). As influências da Bossa Nova, Jovem Guarda, tropicalismo e da música internacional resultam na sonoridade particular do grupo.

Integrando o trio elétrico de Dodô  e Osmar, expande suas referências ao ser apresentado a compositores como Capiba, Nelson Ferreira, Duda, Antônio Maria (1921 – 1964) e outros nomes do frevo pernambucano.  Moraes Moreira compõe a letra para uma música original de Dodô e Osmar que se torna outro grande sucesso, Pombo Correio, típica marchinha dos trios que animam o Carnaval de Salvador. Introduz a voz nos trios elétricos, que até então é só instrumental, até por uma questão técnica. Seu pioneirismo faz escola e fomenta o surgimento de uma geração de cantores de trio.

Lança seu quarto disco solo, Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira, em 1979. Além da faixa-título, que se torna hit nacional, o álbum traz canções que marcam o carnaval baiano, como Eu Sou o Carnaval, Chão da Praça e Assim Pintou Moçambique. Esta, em parceria com Antonio Rizério, é um marco na história da música baiana, pela mistura do frevo dos trios elétricos com o batuque dos blocos afro, prenunciando as fusões que animam o Carnaval e abrindo um novo caminho na música da Bahia, que culmina na chamada geração axé music.

No CD O Brasil Tem Conserto, de 1994, em parceria com o maestro e arranjador Vitor Santos, realiza um trabalho que mescla música popular com a erudita. Nesse álbum, reforça a harmonia e a melodia, mantendo as características rítmicas de suas composições. O baião e o samba são misturados no CD Bahião com H, de 2000, que aproveita na época o oportuno interesse das novas gerações pela música regional brasileira. Em 2005, o álbum De Repente funde o hip-hop com o repente nordestino, trazendo elementos da música eletrônica e do rap, ou da “palavra falada”, como Moraes classifica.

Leia abaixo o poema em cordel deixado por Moraes Moreira sobre a Covid-19, conforme consta na página do Diário Causa Operária (DCO) sobre a morte do cantor e compositor, veículo que relatou ainda que, recentemente, Moreira e Baby Consuelo teriam protagonizado um desentendimento que demonstra a personalidade forte, a autenticidade e o respeito às próprias convicções e à história que ele tinha.

Em novembro de 2019 estreou o espetáculo Novos Baianos, no qual treze atores contavam a história da banda, com direção musical de Pedro Baby (filho de Baby Consuelo) e Davi Moraes (filho de Moraes). Esse musical, conforme o DCO, teria causado uma desavença de Moraes com Baby Consuelo, hoje em dia a evangélica Baby do Brasil. Baby queria que o espetáculo ignorasse o uso de drogas pelo grupo. Moraes afirmou que “Baby queria que o espetáculo fosse evangélico. Que não dissesse que fumou maconha, que tomou ácido, que fez tudo. Assim os Novos Baianos não seriam revolucionários. João Gilberto deve estar se revirando na sepultura. Porque o nosso grupo fumou, sim, tomou ácido, sim, fez músicas maravilhosas em estado de fumar maconha, sim. A gente fazia música inclusive pra ela. As canções dela que fizeram sucesso como A Menina Dança, Tinindo, Trincando, Os Pingos da Chuva e tantas outras, foram feitas na onda, porque naquele tempo a onda era essa”.

O DCO também observou que Moraes esteve ativo até o final da vida. No carnaval deste ano cantou no Pelourinho, mesmo já aparentando estar debilitado. Desde março ele estava recolhido à sua casa por causa do coronavírus, mas ainda compondo e escrevendo. Uma de suas últimas obras foi o cordel que fala da Covid-19, mas também lembra de Marielle Franco:

Eu temo o coronavirus
E zelo por minha vida
Mas tenho medo de tiros
Também de bala perdida,
A nossa fé é vacina
O professor que me ensina
Será minha própria lida

Assombra-me a pandemia
Que agora domina o mundo
Mas tenho uma garantia
Não sou nenhum vagabundo,
Porque todo cidadão
Merece mais atenção
O sentimento é profundo

 Eu não queria essa praga
Que não é mais do Egito
Não quero que ela traga
O mal que sempre eu evito,
Os males não são eternos
Pois os recursos modernos
Estão aí, acredito

De quem será esse lucro
Ou mesmo a teoria?
Detesto falar de estupro
Eu gosto é de poesia,
Mas creio na consciência
E digo não a todo dia

Eu tenho medo do excesso
Que seja em qualquer sentido
Mas também do retrocesso
Que por aí escondido,
Às vezes é o que notamos
Passar o que já passamos
Jamais será esquecido

Até aceito a polícia
Mas quando muda de letra
E se transforma em milícia
Odeio essa mutreta,
Pra combater o que alarma
Só tenho mesmo uma arma
Que é a minha caneta

Com tanta coisa inda cismo.
Estão na ordem do dia
Eu digo não ao machismo
Também a misoginia,
Tem outros que eu não aceito
É o tal do preconceito
E as sombras da hipocrisia

 As coisas já forem postas
Mas prevalecem os relés
Queremos sim ter respostas
Sobre as nossas Marielles,
Em meio a um mundo efêmero
Não é só questão de gênero
Nem de homens ou mulheres

 O que vale é o ser humano
E sua dignidade
Vivemos num mundo insano
Queremos mais liberdade,
Pra que tudo isso mude
Certeza, ninguém se ilude
Não tem tempo, nem idade

Leia também no Barulho d’água Música: 

1101- “Acabou Chorare”, melhor disco já gravado no Brasil, faz a fama dos Novos Baianos sob as bênçãos de João Gilberto

Clique e ouça o último disco de Moraes Moreira:

Ser Tão

1294 – Conheça Doze Cantos Ibéricos & Uma Canção Brasileira, premiado disco que remete às nossas origens

Gaúcho Martim César, um dos autores do álbum em parceria com Marco Aurélio Vasconcellos, tem mais de 80 prêmios pelo conjunto da prolífica obra musical e literária

Em 14 de março publicamos matéria especial sobre Além das cercas de pedra, um belo trabalho de registro e de divulgação da música nativista gaúcha, destacando um dos três músicos que gravaram o álbum –, o cantor e compositor Marco Aurélio Vasconcellos, que se juntou ao também cantor e compositor, poeta e escritor, Martim César, e ao violeiro, produtor artístico e arranjador do álbum, Marcello Caminha.

Vasconcellos, que fez parte do grupo Os Posteiros e é uma das vozes mais conhecidas e admiradas do Sul do país pelas emocionadas interpretações do que canta, foi quem enviou à redação do Barulho d’água Música um exemplar do Além das cerca de pedra, que a nós chegou acompanhado de Doze Cantos Ibéricos & Uma Canção Brasileira, sucesso anterior dele com César, mais as participações de Caminha (arranjos, contrabaixo e percussão). Elias Barbosa (bandolim) e Rafael Ferrari (bandolim em Sobre os telhados de Lisboa), gravado de março de 2015 a maio de 2016.

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1288 – Compositor e poeta Wescley Gama (RN) apresenta no Dia da Poesia “Cantigas da Aldeia”, quatro disco da carreira*

Premiado artista potiguar apresenta canções que, além da matriz e do legado indígena presentes na faixa-título, passeiam pela alma feminina, representada pela obra das poetisas Iracema Macedo, Marize Castro e Adélia Danielli. *Com  Franco Mathson, da Frika Records 

O compositor e poeta potiguar Wescley Gama apresentou ontem, sábado, 14, no Dia da Poesia, o seu novo disco Cantigas de Aldeia, disco que considera conceitual, composto de oito poemas musicados e que já pode ser ouvido nas plataformas digitais (clique aqui e ouça).Lançado pela Frika Records é o quarto trabalho do artista e foi desenvolvido do micro ao macrocosmos com inspiração na matriz e legado indígena presentes na canção homônima. Além de contar com poemas de sua autoria, o material  também passeia pela alma feminina representada pela obra forte das poetisas Iracema Macedo, Marize Castro e Adélia Danielli. Wescley Gama é poeta e músico, ele já lançara seridolendas e campos grandes reunidos, ambos muito bem recebidos pela crítica especializada, e recentemente, o livro Com a força das folhas que estiveram vivas, todos de forma independente. É dele, ainda, Nove Contos Serranos, que saiu em 2017 pela Editora Offset.

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1280 – Silencia no sertão a viola de Manoel de Oliveira, o Mestre Manelim, autor do álbum Urucuia, com Paulo Freire

Menos de uma semana depois de a música brasileira perder o pernambucano menino passarinho Luiz Vieira, que desencarnou aos 91 anos na cidade do Rio de Janeiro na quinta-feira, 16/1, também bateu asas e subiu ao Mundo Maior, na terça-feira, 21, Manoel de Oliveira, o Mestre Manelim, violeiro que nasceu e viveu em Urucuia, uma pequena cidade no Noroeste de Minas Gerais que inspirou Guimarães Rosa, a 600 quilômetros de Belo Horizonte.

Mestre Manelim estava com 86 anos . Em Brasília (DF), durante uma ida à casa da filha no mês de dezembro,  ele recebeu recebeu visita do também violeiro Paulo Freire, seu mais notório discípulo, que com ele conviveu longamente e aprendeu vários toques que estão fora dos manuais didáticos dedicados ao ensino do instrumento.

Freire, que também é escritor, pesquisador e contador de causos dos bons, mora em Campinas, no interior de São Paulo e em 2006 ajudou a trazer à luz o único álbum gravado pelo mestre, Urucuia, contribuindo desta maneira para não deixar relegado apenas ao seu pequeno e encantador universo um baluarte da cultura popular — assim como mais recentemente o fizeram o poeta e compositor mineiro Paulo César Nunes e os músicos Danilo Gonzaga Moura e Victor Mendes, do Trio José, de São José dos Campos (SP), que nos revelaram e nos apresentaram à extensa e plural obra  do sêo Juca da Angélica, poeta da oralidade que atravessava seus últimos dias em Lagoa Formosa (MG) e que o Brasil ignorava até então, mas que pelo esforço deles ganhou um mínimo de notoriedade e carinho antes de subir para o Plano Celestial, aos 97 anos; vale lembrar, ainda, que a pantaneira Dama da Viola, Helena Meirelles, só “explodiu” cá em Pindorama  após ser “descoberta” pela edição norte-americana da Revista Guitar Player, já octogenária, no final da década dos 80.  

Sobre a vida, a partida e a obra de Manoel de Oliveira, portanto, não há ninguém melhor do que  Paulo Freire para nos contar — embora fosse admirado, ainda, basta ver os comentários à mensagem de Paulinho, por muitos craques dos gêneros caipira e regional, como Roberto Corrêa. É de Freire o pungente, emocionado depoimento que abaixo reproduzimos e compartilharemos, publicado também pela Revista Fórum, e cujas palavras explicitam o tamanho da importância de preservarmos a qualquer custo a memória de nossos artistas — notadamente aqueles que estão fora do mainstream, quando se faz apologia aos pilares do nazifascismo como modelo de cultura a ser seguido — que nos legam obras essencialmente brasileiras, que preservam e difundem nossos mais caros e imprescindíveis valores fundantes.

Na sequência do depoimento de Freire nesta atualização, o amigo e seguidor lerá texto de apresentação do álbum Urucuia que acompanha no sítio Em Canto Sagrado da Terra os arquivos, em formato Mp3, das 16 faixas do disco.

Hoje, 21 de janeiro de 2020, faleceu seu Manoel de Oliveira, mestre Manelim. Meu mestre. Não vou falar “encantou-se”, como diria o Rosa, pois não consigo ver poesia em sua partida. Mesmo sendo o Rosa quem me fez conhecer o seu Manoel e o grande sertão. Uma palavra melhor, ou mais adequada, seria: devastação.
Mestre Manelim me ensinou a enxergar a viola na natureza. Foi um exemplo de pai. Um outro pai. Sou irmão de seus filhos, e filho também de dona Vicentina. A lembrança do café na beira do cerrado, amanhecendo, no frio do sertão, em volta da fogueira, com o mundo despertando, até ouvir o chamado do mestre para todos irmos trabalhar na roça. No final do dia, no terreiro tão bem cuidado de dona Vicentina, pontear a viola e grudar a atenção no que estava acontecendo. Para onde vai tudo isso? Como permanece dentro de mim e deles, sem o seu Manoel?
Acredito cada vez mais que não existe céu e inferno, quer dizer, não existe só isso. Tem muito mais assunto. A alma é um assunto. E existem vários caminhos para se trilhar. Dentro desse nosso couro que vai enrugando, e fora desse couro. Os toques de viola que ele me ensinou, como o sapo e o veado, o papagaio, lagartixa, mostravam como poderíamos ser estes bichos, como entrar no sentido deles e, assim, esticar nossas vidas. Tenho certeza que estes últimos dias, mesmo bem longe dele, o seu Manoel esteve aqui ao lado. E dentro. Senti fundo um chamado, como o dia que ele foi me buscar na roça adivinhando uma tristeza que baixou em mim. Como o seu Manoel percebia isso? Me senti ao seu lado, no silêncio que ele carregava, e o peito apertando…
Não conseguirei ir à despedida do seu Manoel, amanhã, no Urucuia. O seu Manoel sabe por quê. Meus irmãos urucuianos e dona Vicentina também. Já que não consigo, vou de outro jeito. Desligar do que não tô precisado e deixar ele me guiar para algum outro lugar em comum. Em dezembro estive com ele, dona Vicentina, e minhas irmãs Joaninha e Valdinea, em sua casa, em Brasília. Seu Manoel estava se recuperando de uma pneumonia, mas bem fraquinho. Pediu que eu tocasse o “rio abaixo”. Peguei a viola e toquei. Experimentei passar a viola pra ele. Mesmo sem forças, o Manelim mostrou que não estava certo o meu ponteado. Tentei de novo, pelejando com o detalhe. E ele enfim disse: “um dia você aprende”. Com seu jeito doce e sentimento firme. Como que dizendo: continua, não para, não esmorece, olha eu aqui! O Cacai Nunes tava bem do ladinho e viu tudo.

Santíssima trindade: O mestre Manelim (sentado), o instrumento que os unia e o discípulo violeiro Paulo Freire

Desde cedo eu senti que hoje era um dia no lugar errado. A respiração não sai nem entra direito. Olhava para o telefone a todo momento, já que estou desacostumado do caminho das almas. Até que veio a notícia. Saí para andar. Procurei um canto que pudesse entender o acontecido, ou buscar forças para enfrentar a devastação. Fui num lugar que nunca tinha ido e uma árvore me buscou. Uma paineira. Fiquei calado o dia inteiro. Só uma conversinha de trabalho. E as trocas de afetos com meus irmãos, filhos do Manelim. Sei que tem um bocado de amigo passeando por aqui, então vim esvaziar o peito.
Vão ouvindo, seu Manoel tá quieto aqui na rede, fazendo um pinicado na viola, uma besteirinha, como ele dizia, diamante puro, água fresca de vereda, capaz de ultrapassar qualquer explicação de amor e saudade.

Urucuia é a terra natal de Riobaldo, personagem de Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. A cidadezinha de 11 mil habitantes fica no noroeste de Minas Gerais, na margem do rio homônimo, um dos afluentes do Rio São Francisco. Reza a lenda que o escritor Guimarães Rosa nunca esteve por lá, mas foi de pessoas de lá que ouviu, na venda do pai, diversas histórias da região que povoam sua fantástica literatura, cujo cinquentenário está sendo comemorado neste ano [2006, quando o álbum foi lançado].

É de lá também Manoel de Oliveira, o “Manelim”, um violeiro que dedilha pelo menos dois séculos de tradição foliã. É música que certamente Guimarães Rosa ouviu e que está registrada em disco pela primeira vez com ajuda do violeiro Paulo Freire. O disco Urucuia traz Mestre Manelim tocando e cantando 16 músicas, entre 11 criações próprias e cinco de domínio público que estão aquém do sertão de Minas. Atinge outros sertões como Caninha Verde, que toma diferentes feições por diversas regiões do País.

Criação própria e domínio público formam algo que se confunde na obra de Manelim, como na obra dos músicos anônimo do sertão, diz Paulo Freire, violonista já conhecido que foi aluno de Mestre Manelim. “Sempre quis gravar a música dele, mas como ele quase não sai de lá, aproveitei uma das raras visitas dele a São Paulo para trancá-lo num estúdio”, brinca Freire, que produziu o álbum convidando Adriano Busko (percussão), Zé Esmerindo (violão e voz) e Thomas Roher (rabeca) para o ornamento instrumental das músicas. Instigado pela leitura de Guimarães Rosa, Paulo Freire se embrenhou no sertão mineiro no final dos anos 70, quando descobriu e tornou-se seguidor do ponteio de Mestre Manelim, para ele, o mais importante violeiro da região.

Agricultor e marceneiro, Manoel de Oliveira aprendeu a pontear a viola com Onora Martins Alves, mulher que o criou. Onora era a fazendeira do lugar para quem os pais de Manelim trabalhavam e confiaram a criação do filho. O mestre tem 76 anos, por certo não conheceu Guimarães Rosa, mas já ouviu muitas histórias sobre o escritor famoso, conta Paulo Freire.

A música de Manelim é simples, ingênua até, de ponteado calcado nas folias de reis com temas que denotam a ancestralidade oral da cultura popular de sua terra (e brasileira, por extensão). Não há nem mesmo a influência de variações dadas ao gênero pelo pagode de Tião Carreiro ou a sofisticação de arpejos de Renato Andrade, por exemplo, o que aumenta o interesse histórico do álbum. De voz frágil, Manelim canta em apenas quatro faixas, concentrando-se no toque do instrumento que revela esmero igual ao dos artesãos urucuianos com o manejo da palmeira de buriti. Os temas versam sobre a natureza, o jeito de ser do sertanejo e as crendices que cercam a viola, como o pacto com o capeta. Aproveitando essa riqueza oral na obra do mestre, Paulo Freire aproveitou para registrar duas “conversas” no estúdio com Mestre Manelim. Numa delas, ele relata o causo d´A Corrida do Sapo e o Veado e noutra comenta o tal pacto em Laço do Capeta.

Várias músicas feitas no Brasil com incidência no imaginário criado por Guimarães Rosa são sugeridas sempre que se fala em Grande Sertão: Veredas. As mais frequentes são de medalhões da MPB, como Gilberto Gil (que fez Casinha Feliz no disco Dia Dorim Noite Neon, de 1985), Caetano Veloso (que fez com Milton Nascimento a canção A Terceira Margem do Rio, do disco Circuladô, 1991) e Chico Buarque de Assentamento, tema mais MST do que roseano, do álbum As Cidades (1998). Em que pese a beleza inegável destas composições, nenhuma delas, no entanto, são tão próximas e muito menos concernentes ao universo do escritor mineiro quanto este e outros violeiros brasileiros. Se Guimarães Rosa tiver que ter uma trilha sonora, esta deveria passar necessariamente por criadores como Mestre Manelim.

Para acessar o linque que dá acesso à cópia do disco Urucuia no site Em Canto Sagrado da Terra clique na palavra em destaque.

 

1275 – Edvaldo Santana, disco homônimo do cantor e compositor paulistano, completa 20 anos

Álbum tem 13 faixas, participações especiais de Titane, Bocato, Swami Júnior, Oswaldinho do Acordeon, entre outros, e parcerias com ou interpretações de poemas de Mauro Paes, Artenio Fonseca, Paulo Leminski, Arnaldo Antunes e Itamar Assumpção, mais projeto gráfico de Elifas Andreato

Um dos melhores discos da carreira do cantor e compositor são-miguel-paulistanês, o bardo mouro tupiauiense Edvaldo Santana (entre os oito que ela já lançou na carreira solo, desde 1993, quem se atreveria a dizer qual deles seria o mais-mais?), batizado simplesmente com o nome do artista (veja o tamanho da responsa, na verdade, a confiança no próprio taco, já que, caçapa, a estocada foi de mestre!) está completando vinte anos de lançamento. Por conta desta importante marca, Edvaldo Santana (o disco) foi o escolhido para abrirmos aqui no boteco do Barulho d’água Música neste dia 11 do apressadinho janeiro (para aonde será que ele quer nos levar assim, passando tão veloz?) mais uma rodada das audições matinais que promovemos aos sábados.

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1274 – Com Bruno Sanches e seu belo disco Do Barroco às Barrancas do Rio, abrimos os trabalhos em 2020

Solista inventivo, cantor e arranjador, violeiro recentemente vencedor do Prêmio Mimo é considerado pelo professor e pesquisador Ivan Vilela, seu mestre na USP, um músico completo, “aquele que pensa, toca, cria e recria”, elevando a viola um universo sonoro cada vez mais amplo. 

O Barulho d’água Música retoma os trabalhos após a passagem das festas do final de 2019 e nesta primeira atualização de 2020 apresenta aos amigos e seguidores o premiado violeiro paulista Bruno Sanches, nascido em Regente Feijó, “Cidade Pérola da Alta Sorocabana”, situada na região de Presidente Prudente, a cerca de 550 quilômetros a Oeste da Capital do Estado, a cidade de São Paulo. Compositor, cantor, pesquisador e arranjador que se dedica à música desde os 12 anos de idade, Sanches foi destaque em outubro de 2019 e em agosto de 2018 dos programas Sr.Brasil e Revoredo, na TV Cultura e na Rádio USP FM (de São Paulo e de Ribeirão Preto), respectivamente convidado por Rolando Boldrin e pelo maestro José Gustavo Julião de Camargo, e, em ambas as ocasiões, falou sobre a carreira, os projetos e o álbum Do Barroco às Barrancas do Rio. Com 11 faixas instrumentais que mesclam composições próprias com obras de Gaspar Sanz, J.S. Bach, Carreirinho, Dorival Caymmi, Paulo Cesar Pinheiro e Guinga e Augustin Barrios, o disco tem direção artística do professor, pesquisador e compositor violeiro Ivan Vilela, do qual Sanches foi aluno na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP).

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1249 – João Arruda (SP) volta a Sampa e se apresenta com Déa Trancoso (MG) no Espaço 91

Músico, cantador e trovador de Campinas (SP) apaixonado pela cultura musical dos povos, por toadas de bumba meu boi do maranhão, sambas de roda do Recôncavo Baiano, samba rural paulista, congadas e folias, dentre outras cantigas, apresentará o espetáculo Entre Violas e Couros

O cantor, compositor e multi-instrumentista João Arruda estará de volta a cidade de São Paulo para apresentação no Espaço 91 neste sábado, 26, do projeto Entre violas e couros, que terá a participação especial da também cantora, compositora e escritora mineira Déa Trancoso, a partir das 20h30. Residente em Campinas (SP), Cantador, tocador de violas e percussões, Arruda é um trovador apaixonado pela cultura musical dos povos, artista comprometido com a valorização e a recriação de temas e de canções da cultura popular brasileira e da América Latina e costuma envolver as plateias sempre que sobe o palco para promover seus espetáculos solos. Entre cantorias, palmas e risadas, o público costuma viajar ao sabor de toadas de bumba meu boi do Maranhão, sambas de roda do Recôncavo Baiano, samba rural paulista, congadas e folias, dentre outras cantigas que o violeiro traz na sua bagagem de trovador.

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1245 – Rádio USP de Sampa muda programação para dar destaque à diversidade da música brasileira

Tom Jobim, Chico Buarque de Hollanda e Milton Nascimento, entre outros artistas consagrados, têm espaço, mas acervo de 6 mil composições definido com a colaboração de Ivan Vilela privilegia registros musicais produzidos nas cinco regiões do país  desde os primórdios  do século 20

Do original de Roberto C. G. Castro

Editorias: Cultura – URL Curta: jornal.usp.br/?p=275446

Exibir o máximo possível da enorme diversidade da música brasileira é o objetivo da nova programação musical da Rádio USP [Universidade de São Paulo], da cidade de São Paulo, que estreou em 1º de outubro, de acordo com o jornalista Gustavo Xavier, um dos responsáveis pela reformulação. Xavier explicou que a rádio dedicará o tempo de sua grade à música para manifestações de todas as regiões do País, do passado e do presente e nos mais variados ritmos. “Nós queremos oferecer aos nossos ouvintes a possibilidade de acesso à imensa riqueza da música brasileira”, observou. “É um patrimônio cultural riquíssimo, que para a maioria das pessoas permanece desconhecido.”

A nova programação da Rádio USP é resultado de quase três anos de trabalho. Nesse período, uma equipe da Superintendência de Comunicação Social (SCS) da USP – que mantém a emissora -, formada por diretores, produtores e estagiários, fez um amplo levantamento dos registros musicais produzidos nas cinco regiões do país (Norte, Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste), desde as primeiras décadas do século 20 até hoje.

Gustavo Xavier: “Queremos que os ouvintes tenham acesso à imensa variedade da música brasileira” (Foto: Cecília Bastos/USP Imagens)

No final do processo, a emissora montou acervo com 6 mil composições dos mais diversos ritmos, gêneros e origens, incluindo canções de artistas consagrados como Tom Jobim, Chico Buarque de Hollanda e Milton Nascimento, obras ligadas a ritmos folclóricos, como catira, chula, coco e lundu, e músicas tipicamente regionais, como a trova mineira, o fandango rio-grandense e o siriri mato-grossense. “Essas músicas serão apresentadas ao longo de toda a programação musical”, informou Xavier. “Dessa maneira, a qualquer momento em que ligar o rádio, o ouvinte terá contato com as mais diferentes expressões musicais”, acrescentou o jornalista, lembrando que o acervo continuará a ser ampliado.

 A equipe da SCS teve a consultoria do professor Ivan Vilela, do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, um dos maiores especialistas em música popular do Brasil.

Fora as novidades na programação musical, pouco foi modificado no restante da grade da emissora. Dedicado à música brasileira da década dos anos 1930 a 1960, o programa Memória Musical, que começava às 5h30 e terminava às 7 horas, passará a ser transmitido – a partir da segunda quinzena de outubro – das 6 às 7 horas. Haverá também novas vinhetas, que apresentarão os programas e a hora certa. Os tradicionais programas diários da emissora continuaram em seus horários normais, como o Jornal da USP no Ar (das 7h30 às 9h30) e o Via Sampa (das 12 às 13 horas). A emissora conta, ainda, com 28 colunistas – todos professores da USP – que, ao longo da programação da manhã, fazem análises aprofundadas sobre temas ligados à sua área de estudos.

 “Entendemos que o trabalho realizado até aqui expressa bem a missão da Rádio USP como uma rádio universitária de uma instituição pública, compromissada com a formação cultural dos ouvintes e sintonizada com todo o legado da música brasileira em todas as suas vertentes”, divulgou em nota a direção da Superintendência de Comunicação Social da USP, a respeito das reformulações na programação musical. “Continuamos contando com toda a equipe para dar a melhor expressão possível a esse projeto, e seguimos abertos a sugestões e comentários”, acrescentou a nota, assinada pelo superintendente de Comunicação Social da USP, Luiz Roberto Serrano, pelos jornalistas Marcia Blasques, Marcello Rollemberg e Gustavo Xavier e pelo estagiário Vitor Ramirez Lopes, aluno do Departamento de Música da ECA. 

A Rádio USP de São Paulo pode ser sintonizada em 93,7 MHz e pela internet, no endereço www.jornal.usp.br/radio. A programação completa da emissora está disponível neste link.

VIOLA EM DESTAQUE

A Rádio USP também mantem em sua grade Revoredo, programa produzido e apresentado pelo maestro José Gustavo Julião de Camargo, do Departamento de Música da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, com trabalhos técnicos de Luiz Antonio Fontana, que é dedicado ao universo da viola caipira e seus expoentes, tocadores e compositores . O Revoredo ocupa o horário das 17 horas todas às quinta-feiras e pode ser sintonizado tanto pela Rádio USP Ribeirão Preto, em 107,9 MHz, quanto pela Rádio USP São Paulo, em 93,7 MHz. Há reprise aos sábados, a partir das  8 horas, em ambas as emissoras.

O maestro Julião apresenta o programa Revoredo para as rádios de São Paulo e de Ribeirão Preto (Foto: André Estevão)

Todas as edições do Revoredo podem ser ouvidas pela internet e baixadas em formato Mp3 e já destacaram, entre outros, trabalhos de violeiros como Levi Ramiro, Fernando Caselato, Ricardo Vignini, Rodrigo Delage,  mais populares no universo caipira, quanto nomes ainda pouco conhecidos, tais quais Victor Gulin, Emiliano Pereira, Claudivan Santiago, Marcos Mesquita e Galvão Frade.

CAMPANHA VIRTUAL

Você sabia que o Barulho d’água Música está promovendo campanha colaborativa para arrecadar fundos visando à compra de um pacote de armazenamento de imagens, áudios e vídeos, que permitirá um número ilimitado de postagens, sem corrermos riscos de perdemos as imagens das postagens mais antigas do blogue?

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O blogue Barulho d’Água Música é produzido sem nenhum financiamento oficial, de forma espontânea e gratuita, e é um importante meio de divulgação de músicos, compositores e produtores independentes que não encontram espaço na grande mídia.

Você sabia que sua eventual colaboração para este trabalho prosseguir poderá custar apenas o equivalente ao valor de um CD?

Veja mais detalhes no linque abaixo e desde já obrigado!

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