1311 – TV Aparecida programa festival com temática caipira para marcar mês das festas juninas

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Uma homenagem às Irmãs Galvão pelos 70 anos de carreira e o documentário Viola Perpétua, ambos inéditos na telinha, fazem parte da programação da emissora católica que será fechada com  registro da visita de Gilberto Gil a arraiais do Nordeste e do Sudeste

A TV Aparecida encontrou uma maneira de promover a cultura caipira neste mês reservado às festas que celebram os santos Antônio (13), João (24) e Pedro (29), quando boa parte das nossas tradições ligadas ao gênero e a fé católica são revividas, mas que neste ano serão prejudicadas por conta da pandemia do coronavírus (Covid-19). Como a quarentena nos obriga a ficar em casa, longe das fogueiras e das quadrilhas, a emissora preparou uma seleção de filmes e documentários para o Festival Caipira que já está rolando desde o dia 3 e terá atrações até dia 28.

Elementos vinculados à música caipira, ao sertanejo, à arte e à lida do campo e suas mais diversas histórias estarão na tela, oferecendo entre os títulos trilhas inéditas. O elenco das produções apresenta atores e artistas consagrados como As Irmãs Galvão – que ganharam tributo pelos 70 anos de carreira, enquanto Viola Perpétua oferecerá um passeio pelo universo caipira e as sonoridades do instrumento. O pacote será completado por Viva São João, estrelado por Gilberto Gil.

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1308 – A identidade lusófona nas dez cordas da viola, por Ivan Vilela (MG)

Em 30 de maio, o compositor, pesquisador e professor de viola caipira Ivan Vilela (Itajubá/MG) concedeu entrevista a José Carlos da Silva, correspondente brasileiro residente em Campinas (SP) do Portal Galego da Língua (PGL), sítio eletrônico que visa a informar acerca da atualidade da língua na Galiza cujo conteúdo abaixo reproduzimos, na íntegra, e formato de perguntas e respostas (ping-pong).

Um dos maiores incentivadores deste Barulho d’água Música, Ivan Vilela é professor na Faculdade de Música e no Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) na área de musicologia e etnomusicologia, onde também leciona na graduação viola brasileira, história da Música Popular Brasileira, Percepção Musical, Rítmica, Música de Câmera e Produção Radiofônica. Doutor em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo, mestre e graduado em Composição Musical pela Universidade de Campinas (Unicamp), suas produções e pesquisas acadêmicas estão voltadas ao estudo das culturas populares e da música popular brasileira e portuguesa. Atua como compositor, arranjador e instrumentista e mantém intensa atividade artística musical e didática no Brasil e no exterior. Atualmente é pesquisador principal do Projeto AtlaS (Atlântico Sensível) e estuda os trânsitos e as relações sociais de instrumentos portugueses, notadamente a viola e o cavaquinho, pelo Atlântico lusófono, projeto acolhido no Instituto de Etnomusicologiada Universidade de Aveiro (Inet-md) no triênio 2018-2021.


Viola caipira, viola sertaneja, viola de dez cordas, viola cabocla, viola de arame, viola de folia, viola nordestina, viola de repente, viola brasileira. Não se assuste leitor, comecei listando tantos nomes, para mostrar o quanto a viola caipira (de 10 cordas) é popular no Brasil, sendo um dos porta-vozes do interior do Brasil.

Mesmo com tanta identidade por todo o Brasil, a origem da viola é lusitana, navegou com os portugueses por todo o Globo, quando o “mar com fim era grego ou romano e, o mar sem fim era português”. “No século XVI (16) vários tipos de viola de mão coexistiam na Península Ibérica”.

O Espaço Brasil entrevistou Ivan Vilela, um dos mais renomados instrumentistas brasileiros, com uma sólida carreira de 18 discos gravados e ainda, Professor Doutor e criador do primeiro curso de viola brasileira em âmbito universitário no mundo, na Universidade de São Paulo (USP) e que agora está na Universidade de Aveiro, Portugal, envolvido no Projeto AtlaS, uma importante pesquisa sobre os instrumentos de corda, em especial o cavaquinho e a viola portuguesa (e a viola caipira, obviamente).

Ivan Vilela além de destacado músico e pesquisador, é o responsável por colocar a Cultura Caipira e a viola em um patamar mais elevado na arte. Sua obra, musical e acadêmica, ocupa lugar de excelência na música mundial.

Apesar de nos remeter ao mundo rural, a viola tem um passado urbano, tanto em Portugal quanto no Brasil.

Desde 2018, você está em Portugal, pesquisando na Universidade de Aveiro. Qual é o objetivo do Projeto “Memória e mediação das práticas e dos instrumentos musicais na circulação entre comunidades interligadas”?

O projeto se chama AtlaS, Atlântico Sensível e pretende estudar as relações sociais e mudanças organológicas alavancadas pelos instrumentos de cordas dedilhadas portugueses no espaço da lusofonia no Atlântico. Mais notadamente as violas e os cavaquinhos, mas também dando atenção ao bandolim.

Tem havido uma revitalização no uso desses instrumentos supracitados bem como uma manifesta mobilidade de seu uso para outros segmentos musicais e funções nas celebrações. Cremos que uma série de fatores internos, em cada país, e externos têm movido esta roda de transformações como um efeito colateral à tentativa de globalização como uniformização dos mercados pela via do consumo. Isto gerou manifestações contrárias, de afirmação das culturas locais em todo o planeta. O próprio mercado fonográfico, percebendo isto, incorporou este fazer de fusões sonoras dando caminho a um novo segmento que foi chamado em meados da década dos anos 1980 de World Music, ou música étnica, música dos povos; quando não apresentadas em seu estado natural, estas manifestações eram fundidas a elementos de uma música porque tem pretensões de universalidade no mercado fonográfico.

Também há a ideia de pensamento ecológico que acabou por valorizar a diversidade cultural e, nisto, as manifestações das culturas populares perceberam um espaço de divulgação de suas naturezas.

No caso do Brasil, uma certa desilusão com o viver numa grande cidade fez as pessoas, impossibilitadas de retornar ao campo ou cidades pequenas, buscarem valores que outrora fizeram parte de suas vidas, muitos ligados aos seus universos de origem, frequentemente um mundo mais ruralizado e onde as relações humanas passavam por um outro crivo, diferente do imposto pelo capitalismo nas cidades mais populosas.

É importante repararmos que todos estes países em foco têm uma realidade de sobreposição de tempos históricos em seus territórios, ou seja, há uma diversidade de valores convivendo contemporaneamente num mesmo país. Como exemplo podemos apontar que há vários Brasis, o Brasil do século XXI das grandes cidades, o Brasil de 1940 dos interiores, o Brasil de 1910 dos interiores mais profundos. O mesmo ocorre em Portugal e em Cabo Verde. Enfim, há uma malha de sobreposição de tempos históricos que de certa forma resulta, também, na sobreposição de valores culturais. E certamente a viola e o cavaquinho protagonizam ações dentro desses diferentes tempos históricos.

A presença de artistas como o Almir Sater em telenovelas, a presença de artistas cabo-verdianos no cenário da música mundial como a Cesária Évora, dentre outros mais jovens, e a revitalização das culturas locais em Portugal também são fatores que muito ajudam na exposição e aceitação desses instrumentos em uma prática mais contemporânea de música e de cultura.

A cabo-verdiana Cesária Évora

Note o fenômeno das quase duas centenas de ensembles de viola (chamados de Orquestras de viola) no Brasil, das orquestras de bandolins e de cordofones dedilhados de Portugal Continental e da Madeira, dos grupos de cavaquinhos (braguinhas e machinhos) na Madeira, dos grupos de violas nos Açores. Há todo um universo de reapropriação destes instrumentos afirmando as suas raízes e agora dando-lhes asas para voar por outras paisagens sonoras.

Enfim, há todo um campo a ser estudado e onde esses instrumentos podem ser vistos agora como agentes de uma expressiva modificação cultural e não apenas como objetos passivos nas mãos dos tocadores e fabricantes.

Os instrumentos de cordas ganharam os mares e o mundo com as navegações portuguesas e foram “alterados” em cada país. Podemos dizer que cada nativo colocou a sua identidade nesses instrumentos?


Sim. Partindo da ideia de que os efeitos específicos das forças globais dependem da maneira como são mediados em esquemas locais, uma ideia afirmada pelo antropólogo estadunidense Marshall Sahlins, é muito claro como cada povo foi criando soluções de adaptação dos instrumentos à sua cultura específica. Haja vista no Brasil as violas feitas de buriti, de lata, de cabaça, de bambu. Os multiformatos dos instrumentos, as adaptações a recursos eletrônicos como os cavaquinhos de Cabo Verde e também as violas do Brasil, algumas de corpo sólido como as utilizadas pelos violeiros que tocam rock’nroll. A criatividade humana se manifesta para que não falte nunca a música em seus ritos, festas e manifestações de louvor à vida, à amizade, ao amor.

Explique qual é a situação atual da viola de Portugal (braguesa, amarantina, beiroa, toeira e campaniça)

Notamos que tem havido uma revitalização no uso destes instrumentos nos países em questão (Brasil, Cabo Verde e Portugal; não conseguimos verba para chegar em São Thomé e Príncipe, na Guiné e em Angola) mas estes processos têm sido diferente em cada país, o que nos motivou a entender quais as razões de tantas diferenças e, no caso do Brasil e de Portugal, um dos fatores esteve ligado a como o chamado Estado Novo – Getúlio Vargas, no Brasil e Salazar, em Portugal – trataram as suas culturas populares a partir dos anos 1930.

Antonio Ferro, um dos idealizadores do projeto cultural salazarista, nas décadas dos anos 1930-40, percebeu que os grupos folclóricos (em Portugal chamados de ranchos folclóricos) poderiam muito bem ser a estampa de manifestação identitária de Portugal diante da Europa e, por conseguinte, do mundo. Desta forma buscou-se algo idílico como uma Portugal do século XIX (19) que ainda estivesse manifesta nesses grupos (difícil imaginar como eram exatamente essas manifestações no século XIX pela própria falta de registros mais detalhados, dada a ausência de recursos fotográficos, videográficos e até iconográficos desta época).

Assim foi ocorrendo um engessamento dessas manifestações no sentido de uniformizá-las e as tornarem mais “artísticas” e performáticas que folclóricas no que tocam às suas coreografias, instrumental e canto. Até encontros lugares onde as pessoas vivenciavam como era viver na idade média, com ritos, vestimentas e comportamentos que ocorreram neste período em questão.

Ora, acabaram por inventar uma nova tradição, por recontarem a história à maneira que imaginariam que ela serviria melhor ao ideário do regime ditatorial de Salazar.

Nesta medida, o que era a manifestação de um conjunto de crenças, de um conteúdo, que chamamos de folclore, passou a ser uma manifestação de uma ideia preconcebida onde a forma, outrora resultante de uma percepção de mundo passasse agora a viver por si própria e pelo ideário político-ideológico que a orientava. No Brasil tratamos estas manifestações pelo nome de parafolclórico, pois as expressões estão desconectadas das cosmologias que as geraram.

Aí, as vestimentas e a maneira de se tocar os instrumentos passaram de uma forma livre e espontânea para uma forma fixa, predeterminada. Ocorreu então uma musealização do folclore enquanto expressão natural e espontaneidade de um povo. A viola acabou entrando nesta circunscrição, o que impediu que ela se desenvolvesse no quesito de tocabilidade, de ser mais afeita a um desenvolvimento performático mais amplo, pois a própria estrutura física (organológica) do instrumento muitas vezes não favorece a essas demandas.

 A viola caipira, no final dos anos 1980, ganhou novos adeptos, formas de tocar e despertou interesse em uma juventude acostumada com música estrangeira, chegando à Universidade de São Paulo como curso de graduação, com centenas de inscritos. O que é preciso para a viola portuguesa alcançar esse patamar?


Ótima pergunta. Um dia numa loja de discos vi uma estante de souvenires musicais como pequenos instrumentos, avulsos e em suas várias formações. Assim, tinha uma pequena orquestra na vitrine. Havia também uma big band, um grupo de fado e instrumentos avulsos. Enquanto manifestação identitária da cultura do país, a guitarra portuguesa, ou guitarra de fado como aqui é chamada, tinha em suas várias formas e formações. Em nenhum momento encontrei nesta vitrine uma viola, nenhum modelo de uma das cinco violas existentes em Portugal. Isso pra mim disse muito de como a viola é vista e sentida de maneira geral pela cultura portuguesa.

É certo também que esta situação vem se modificando desde a criação de um projeto no Alentejo, em Castro Verde, onde um jovem em 2003 aprendeu os toques da viola campaniça com os velhos tocadores e passou a ensiná-los a outros jovens. Pedro Mestre, este notável músico, acabou por protagonizar um movimento de resgate das violas portuguesas que a cada dia se fortalece mais aqui em Portugal. Em Braga, aqui no Norte do país, já se criou a Associação da Viola Braguesa (Avibra) que promove encontros e cursos permanentemente. A viola e o cavaquinho têm entrado

Pedro Mestre protagoniza um movimento de resgate das violas portuguesas que a cada dia se fortalece mais naquele país 

em alguns currículos de ensino público aqui em Portugal continental. Na Madeira, este processo já se encontra bem mais andado e com visíveis resultados musicais de disseminação e apropriação desses instrumentos em questão pelas camadas mais jovens da população. Isto ocorre a partir do trabalho de músicos e professores locais como é o caso da Associação Xarabanda. Nos Açores, a viola também está no ensino da rede pública e há muitos anos é um instrumento presente no ensino musical em conservatórios com cadeira de viola, métodos e bons professores.

Tem ocorrido em diversas cidades aqui de Portugal, Encontros de Cultura Popular onde fabricantes, músicos, pesquisadores e artista de outros segmentos podem trocar impressões entre si e com o público que lota esses espaços. Vários deles com participação de músicos e agentes culturais galegos como Ramón Almuinha e Mauro Sanin, dentre outros. Cidades como Braga, Odemira, Santo Tirso, Vila Real, Caminha e Amarante mantém encontros permanentes de ensino pesquisa e difusão desses instrumentos em questão.

Creio que a viola em Portugal caminha a passos largos para um reconhecimento e aceitação. Este movimento se dá por simpatizantes e também por ações nas Câmaras onde legislações e apoio físico e financeiro são criados a estas manifestações.


Quais serão os desdobramentos dessa pesquisa? Livros, discos, concertos, cursos, palestras etc.

Exatamente. O AtlaS é projeto para uma vida inteira e pretendemos, cada qual em sua universidade, manter uma frente de estudos na pós-graduação com este fim. Estamos trabalhando em videodocumentários, a edição de, pelo menos, dois livros, dos quais um será escrito a partir das indagações levantadas nas entrevistas. Cursos e palestras já começaram a ocorrer desde o ano passado. Também a apresentação acadêmica em congressos nacionais e internacionais. Quanto aos discos temos ideia de fazer um com as vozes dos cantadores entrevistados e também outros para o quais chamaríamos cantores da lusofonia para interpretar músicas tradicionais recolhidas por nós ou já muito presentes nesses cancioneiros.

A viola de Braga, típica da região do Minho, obviamente teve (e ainda deve ter) grandes tocadores galegos. Este projeto pretende incluir a Galiza e suas obras para viola?


Certamente. Esta foi uma das minhas primeiras propostas quando aqui cheguei e curioso que depois comecei a constatar o imenso trânsito cultural que existe entre a Galiza e o Norte de Portugal. Não podemos nos esquecer que as origens de Portugal se dão num território galego, se não me falha a memória histórica. Falam a mesma língua, tem afeições um pela cultura do outro, e universos culturais muito aproximados. Curioso também com a Galiza é a proximidade com alguns povos de regiões do Brasil. Guimarães Rosa explorou muito esta questão em sua literatura.

O pesquisador Ivan Vilela está em pleno desenvolvimento em Aveiro. E o músico Ivan Vilela, com 17 discos gravados, como está aparecendo no continente europeu?


De maneira muito acanhada (risos) e depois desta pandemia então, nem se fala. Embora haja um estímulo do coordenador do AtlaS, o professor Jorge Castro Ribeiro, e da diretora do Instituto de Etnomusicologia da Universidade de Aveiro (Inet), a professora Susana Sardo, onde o projeto está sediado, eu não me sinto muito à vontade de fazer desse tempo de pesquisa, para o qual fui contratado, um período de desenvolvimento pessoal de minha carreira artística.

Minhas saídas foram poucas e rápidas. Em 2019, no Rudolstadt Festival, na cidade de Rudolstadt, Alemanha; também em Berlim, no Sarau Mundi, e em Weimar, na comemoração dos dez anos da criação pela Unesco da Cátedra de Estudos Transculturais na Universidade de Weimar, sob a batuta do antropólogo Tiago de Oliveira Pinto. Por ocasião de uma palestra que fiz na Universidade de Viena, aproveitei para tocar em Viena e em Krems, a convite da professora de línguas românicas Marina Ellend Corrêa.

Em abril eu faria duas apresentações em Paris e em algumas cidades de Portugal com a violeira francesa Fabienne Magnant, mas fomos impedidos pelas condições de confinamento impostas pelos governos em função da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Neste mês de junho iria para a Madeira e possivelmente para os Açores, em outubro, mas tudo ficará suspenso até segunda ordem.

Fiz algumas apresentações em Portugal nesses encontros acima citados e em outras ocasiões de festivais e encontros.

Para conhecer mais a viola caipira, Ivan Vilela é o professor do curso livre e gratuito de viola caipira idealizado pelo Sesc São Paulo, disponível aqui.

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Paisagens

1297 – Autor de cinco álbuns instrumentais, Rafael Carvalho é referência maior da viola da terra dentro e fora de Portugal

Dedicado à música desde os 13 anos, músico que vive em uma das ilhas açorianas ganhou fama também como pesquisador e exímio docente, além de autor de trinca de livros com métodos para o instrumento

#fiqueemcasa

 

Paralelo 38 é um dos álbuns da discografia de Rafael Carvalho dedicado à viola da terra

O Barulho d’água Música graciosamente recebeu, enviados à redação pelo próprio Rafael Carvalho, cópias integrais dos cinco álbuns por ele gravados entre 2014 e 2019, todos instrumentais, e um deles duplo, com nada mais, nada menos, que 80 faixas! Rafael Carvalho, amigos e seguidores, é um jovem e carismático músico de não completados, ainda, 40 anos de idade (marca que conquistará em setembro próximo), mas em sua trajetória artística iniciada no viço dos seus 13 anos já se tornou em um dos maiores dinamizadores do instrumento que além-mar, onde ele vive, é popularmente conhecido por viola da terra, com o qual alcançou fama e por ele é hoje referência cultural e acadêmica, dentro e fora de seu país. Compositor, além de exímio docente e pesquisador dedicado, autor de uma consagrada trinca de livros os quais compartilha seu Método para Viola da Terra – Iniciação, Básico e Avançado, Carvalho é de Ribeira Quente, freguesia da ilha de São Miguel, uma das nove que formam em Portugal o arquipélago dos Açores.   

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1294 – Conheça Doze Cantos Ibéricos & Uma Canção Brasileira, premiado disco que remete às nossas origens

Gaúcho Martim César, um dos autores do álbum em parceria com Marco Aurélio Vasconcellos, tem mais de 80 prêmios pelo conjunto da prolífica obra musical e literária

Em 14 de março publicamos matéria especial sobre Além das cercas de pedra, um belo trabalho de registro e de divulgação da música nativista gaúcha, destacando um dos três músicos que gravaram o álbum –, o cantor e compositor Marco Aurélio Vasconcellos, que se juntou ao também cantor e compositor, poeta e escritor, Martim César, e ao violeiro, produtor artístico e arranjador do álbum, Marcello Caminha.

Vasconcellos, que fez parte do grupo Os Posteiros e é uma das vozes mais conhecidas e admiradas do Sul do país pelas emocionadas interpretações do que canta, foi quem enviou à redação do Barulho d’água Música um exemplar do Além das cerca de pedra, que a nós chegou acompanhado de Doze Cantos Ibéricos & Uma Canção Brasileira, sucesso anterior dele com César, mais as participações de Caminha (arranjos, contrabaixo e percussão). Elias Barbosa (bandolim) e Rafael Ferrari (bandolim em Sobre os telhados de Lisboa), gravado de março de 2015 a maio de 2016.

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1258 – Chico Teixeira (SP) dedica sexto álbum a temas de diversos sotaques da música nacional

Ciranda De Destinos é o segundo disco que o cantor e compositor lança pela Kuarup e traz canções de domínio público resgatadas de três das cinco regiões do país, com capa do prestigiado artista plástico Elifas Andreato

O cantor, compositor e violonista Chico Teixeira está lançando Ciranda De Destinos, sexto álbum da carreira e o segundo pela Kuarup Produtora  — cujo exemplar que ouvimos no boteco do Barulho d’água Música nos foi gentilmente enviado pelo diretor artístico Rodolfo Zanke, ao qual agradecemos, estendendo os cumprimentos à equipe toda. Neste novo projeto, Chico Teixeira traz clássicos da música brasileira de diversos sotaques, bem como canções de domínio público resgatadas por grupos folclóricos das regiões Sul, Sudeste e Nordeste, contando desta forma, histórias de um povo unido por diferentes costumes e lutas. 

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1207 – Paisagens, primeiro disco de Ivan Vilela (MG), chega à maioridade e é destaque em festival na Alemanha

Álbum contem 17 faixas compostas e tocadas de modos peculiares no universo da viola de dez cordas e desde o seu lançamento, em 1998, já supera a casa dos 25 mil exemplares vendidos de mão em mão

O compositor, pesquisador e professor do Departamento de Música da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), violeiro Ivan Vilela, está na Alemanha, país europeu no qual protagonizará duas apresentações como uma das atrações do Rudolstadt Roots and Folk Music, festival que reunirá músicos de várias partes do mundo iniciado na quinta-feira, 4, e previsto para ser encerrado no domingo, 7, em Rudolstadt, cidade localizada no distrito de Saalfeld-Rudolstadt, estado da Turíngia.  O brasileiro poderá ser ouvido pela plateia em dois concertos marcados para às 17 horas do local, em uma praça da cidade, neste sábado, 6, e para às 15 horas, agora no teatro central, do domingo, 7. O repertório que Ivan Vilela executará terá entre outras músicas do seu álbum Paisagens, o primeiro disco solo de sua carreira e que está chegando aos 21 anos de lançamento.

Ivan Vilela é um dos maiores apoiadores deste blogue. Seu disco Paisagens é tão emblemático no universo da música de viola e no meio caipira que mereceu um programa  dedicado a ele na série USP Especiais, da rádio paulistana USP FM (93,7 MHz), apresentado no dia 29 de maio de 2019. Paisagens reúne 17 faixas instrumentais¹ , todas com arranjos de Vilela e entre as quais apenas Asa Branca (Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira) e Saudade de Minha Terra (Goiá e Belmonte) não são composições do mineiro de Itajubá (acesse o linque por aqui e ouça a íntegra do programa).

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1192 – Chico Buarque (RJ) fatura Prêmio Camões pelo conjunto da obra e colaboração com o vernáculo

Autor de 17 álbuns, peças de teatro e romances que arrebataram o Jabuti é o 13º brasileiro a ganhar a honraria instituída em 1989 e em cuja lista constam João Cabral e Jorge Amado

O compositor, cantor e escritor Chico Buarque é o vencedor do 31º Prêmio Camões, considerado o mais importante troféu literário da Língua Portuguesa. O carioca é primeiro autor ligado á música e o 13º brasileiro a figurar na ilustre lista que entre os compatriotas inclui João Cabral de Melo Neto (1990), Rachel de Queiroz (1993), Jorge Amado (1994), Antonio Candido (1998), Autran Dourado (2000), Rubem Fonseca (2003), Lygia Fagundes Telles (2005), João Ubaldo Ribeiro (2008), Ferreira Gullar (2010), Dalton Trevisan (2012), Alberto da Costa e Silva (2014) e Raduan Nassar (2016). No mesmo panteão Chico Buarque fará companhia a ganhadores como o português José Saramago (1995), o moçambicano Mia Couto (2013), e  Germano Almeida, escritor de Cabo Verde, consagrado em 2018¹.

A decisão a favor do autor do romance Leite Derramado e de sucessos como Construção saiu na terça-feira, 21 de maio, durante reunião realizada na Biblioteca Nacional, no Centro da cidade do Rio de Janeiro (RJ) da qual participaram representantes do Ministério da Cultura de Portugal e da comunidade artística africana².

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1187 – Paranapanema, grupo de São Paulo, lança Luzeiro, trabalho que exalta as tradições de matriz africana do Sudeste

O trabalho autoral surge como resultante entre o novo e o tradicional, entre as manifestações “de raízes” e o samba contemporâneo que circula na cosmopolita capital paulista; uma leitura artística cuja pretensão é ser a “ponte” entre as margens socioculturais mostrando que as tradições continuam vivas na atualidade e sendo transformadas com o tempo, e o quanto grande é a necessidade de mantê-las e de propagá-las.

As audições matinais dos sábados neste dia 11, aqui no Barulho d’água Música, véspera do Dia das Mães, começou com Luzeiro, um bem produzido e recém-lançado álbum, abre alas do grupo paulistano Paranapanema. O grupo reúne músicos, militantes da valorização e reconhecimento das culturas tradicionais brasileiras que, desde 2004, vêm construindo um trabalho que exalta as tradições de matriz africana do Sudeste, patrimônio cultural pouco conhecido e reconhecido, sobretudo pela população do estado de São Paulo, e um repertório que une as origens do samba paulista, as manifestações “de raízes” e o samba presente nos grandes centros urbanos. Luzeiro foi aprovado e realizado por meio do edital de Promoção das Culturas Populares e Tradicionais do Programa de Ação Cultural (ProAc) da Secretaria da Cultura e Economia Criativa do governo do estado de São Paulo.

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1167 – Trio que Chora lança Onze, segundo álbum do grupo paulistano, no Atelier Paulista

Novo disco segue a linha do álbum de estreia, Setembro,  destacando a diversidade rítmica brasileira por meio da fusão do choro com o baião, frevo, samba, marabaixo, boi e arrasta-pé entre outros gêneros

O Trio que Chora, formado por Martha Ozzetti (flauta), Rosana Bergamasco (violão sete cordas) e Cássia Maria (percussão e voz) lançará na quarta-feira, 20 de março, o segundo álbum de sua trajetória, Onze, que renovará a discografia aberta com Setembro (2012). A apresentação, com entrada franca, deverá começar a partir das 20h20 horas, no Atelier Paulista, situado na rua rua Amália de Noronha, 301,  Sumarezinho, bairro da região de Pinheiros, em São Paulo.

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1009 – Vamos dar uma força à campanha para gravação de Trancelim, novo álbum do premiado coletivo Ponto BR?

Tran·ce·lim
substantivo masculino
1. Trança estreita para guarnições ou bordados.
2. Cordão de ouro muito delgado.
 
“trancelim”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/trancelim [consultado em 13-12-2017].

 

Amigos e seguidores:

O coletivo de artistas Ponto BR está em campanha, aberta em uma das plataformas virtuais de crowdfunding, para tentar levantar os recursos mínimos e gravar o disco Trancelim, segundo álbum desta galera que reúne mestres da cultura popular  —Walter do Maracatu Estrela Brilhante do Recife, Mestra Zezé de Iemanjá da Casa Fanti Ashanti, e Ribinha do Bumba Boi de Maracanã, em diálogo com a paulistana Renata Amaral, o pernambucano Eder “O” Rocha, o suíço radicado em Sampa Thomas Rohrer e o maranhense Henrique Menezes — álbum com o qual os integrantes pretendem, sob o risco da graça, do improviso e da experimentação, possibilitar a descoberta de uma terceira margem do fazer artístico, diluindo supostos limites entre erudito e popular, tradição e contemporaneidade, sagrado e profano. As contribuições partem de módicos R$15,00 e dão direito a recompensas bem legais (diretamente das comunidades de origem dos mestres e músicos, carregando um pouco da história e da sabedoria que embasam este trabalho) e que incluem desde exemplares de discos e dvds a colares, sabonetes artesanais de ervas medicinais, matracas, oficinas de percussão, camisetas, baquetas e até café com os mestres. Saiba mais detalhes e colabore clicando em https://benfeitoria.com/pontobr

O alagoano Seu Nelson da Rabeca (de chapéu, ao lado de Thomas Rohrer) é um dos músicos que o Ponto BR convidará para participar de Trancelim caso o coletivo atinja a segunda meta da campanha (Foto: Joelia Braga)

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