Noel Andrade encontra Renato Teixeira no Belenzinho

 

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Noel Andrade com Katya Teixeira durante o show em que eram convidados de Luís Perequê, realizado em São Paulo (Fotos de Marcelino Lima)

Divulgação com mais de um mês de antecedência, gente, para ninguém dar bobeira: Noel Andrade vai cantar e tocar no palco do SESC Belenzinho em 27 de julho, a partir das 18h30. O violeiro de Patrocínio Paulista (SP), residente na Capital, na ocasião, receberá o autor de “Romaria” Renato Teixeira.

 

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Capa do álbum do violeiro

Noel Andrade é um dos mais ativos violeiros da atual geração e já lançou o disco independente Charrua”distribuído pelo selo Tratore. O álbum tem participação de Renato Teixeira e do saudoso Dércio Marques, além de composições de Rosinha de Valença, Francisco Nepomuceno, Elpídio dos Santos, Luís Perequê, Chico Lobo e Godofredo Guedes, pai de Beto Guedes. Em junho de 2013, Charrua rendeu ao autor um dos troféus do 3o. Prêmio Rozini de Excelência de Moda de Viola, na categoria “CD”.

 

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Renato Teixeira estará com o autor de “Charrua” no Belenzinho

 

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Praça Benedito Calixto inspira álbum de chorinho

O grupo Vitor Lopes e Chorando as Pitangas chegou com “Um Passeio pela Benedito Calixto” ao segundo álbum, com o mesmo sucesso do anterior

 

Especial para a rádio UOL

 

Galera: vamos começar a atualização de hoje do Barulho d’Água Música dedicando atenção a um álbum que não é de violeiro,  mas que traz um sabor também brasileiro, e neste caso paulistano, das nossas mais representativas águas, o chorinho. Trata-se do segundo trabalho do Vitor Lopes & Chorando as Pitangas, do comecinho de 2013, lançado pela Lua Music. O título do disco é Um passeio na Benedito Calixto.

Para quem ainda não sabe Benedito Calixto é o nome da praça do bairro de Pinheiros que todo paulistano e quem mora por perto de Sampa curte, principalmente aos finais de semana, reduto de muita gente boa, de malucos e de cada figura! E de uma feira de antiguidades que vende de tudo o que é “tranqueira”, de moedas do tempo do Império a uniformes militares ianques, passando por cristaleiras, espelhos, canivetes, brinquedos, pôsteres. A BC é cercada de sebos, de botecos e de restaurantes onde dá para gente de todos os bolsos gastar, comer e beber decentemente (ou ao menos tomar um prosaico café) entre uma compra e outra de um treco para a casa, ou para uma alma do peito, ou do coração. Ah, tem a canseira que é estacionar! E, dependendo da muvuca, a ginástica que é caminhar entre as barracas! Ainda assim eu recomendaria como um programinha familiar básico, que, depois, pode ser esticado para outro canto, de Pinheiros, mesmo, ou da Madá.

Bom, mas o assunto é o disco de chorinho. Então, abaixo vai, para quem quiser saber mais e se interessar, a ficha de apresentação da obra, da própria Lua Music:

1620441_682894081774965_2133439060_nUm Passeio na Benedito Calixto é nome do segundo CD do grupo Vitor Lopes e Chorando as Pitangas, gravado pela Lua Music. Tendo como fonte de inspiração a mais charmosa feira de antiguidades e artesanato de São Paulo, o trabalho é uma homenagem aos artistas populares que dão vida à praça. As barracas coloridas, o murmúrio dos transeuntes, o cheiro das guloseimas, tudo serve de motivação para o quinteto paulista. Com um repertório sofisticado e variado executado com precisão e delicadeza, o Chorando as Pitangas traz um sopro de novidade ao universo da música instrumental brasileira. Com improvisos inspirados, passagens virtuosísticas, muito balanço e o timbre inconfundível da harmônica de boca, a simpática gaitinha, o CD tem uma surpresa a cada faixa. Misturando os ruídos da própria praça ao som das músicas gravadas em estúdio, o ouvinte tem a sensação de realmente estar caminhando pela Benedito! Então, respire fundo, relaxe, e se deixe levar por esse passeio à raiz da cultura popular brasileira!”

 

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As barracas da praça famosa de Pinheiros vendem de tudo, de brinquedos a espelhos, moedas antigas, roupas descoladas e guloseimas

 

“Chão Marcado” evidencia talento de Junior da Violla em composições do caipira ao blues

Dei um pulinho à Livraria da Vila da Fradique Coutinho, no badalado bairro da Vila Madalena hoje, e desta incursão, trouxe para a coleção do Barulho d’Água Música o álbum “Chão Marcado“, do paulistano Junior da Violla, um cara que parece talhado para a viola caipira, embora tenha habilidade também com outros instrumentos.

Nascido Ernestino Ciambarella Junior, em 1978, ainda pequeno, ele já acompanhava pelo rádio da casa dos avós músicas de Tião Carreiro, Tonico e Tinoco, Zé Carreiro e Carreirinho. Já na morada que dividia com os pais, conheceu o rock nacional das bandas Blitz, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, RPM, entre outros. A carreira musical, em consequência, começou já aos 4 anos, brincando com o violão do pai. Dois anos depois, em um teclado que ganhara, compôs a primeira obra, a instrumental “Amor”. Em pouco tempo, o precoce garoto já ensinava a molecada do prédio onde morava a tocar.

O interesse pela viola veio aos 18 anos, inspirado pela personagem de Almir Sater na novela “O Rei do Gado”, de Benedito Rui Barbosa. Ele ainda nutria admiração por The Beatles, Eric Clapton, Robert Johnson, e, dos astros da MPB, era admirador de Caetano Veloso e Chico Buarque. Já em 1997, quando passou a participar de festivais, levou a viola caipira por caminhos até então pouco trilhados como o blues e o rock, alternando suas apresentações também com um violão de 12 cordas, já que ambos os instrumentos possuem similaridades.

 

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Junior da Violla se entende com a viola caipira desde 1999, mas desde criança tem inclinações para a música

A carreira solo decolou em 1999,  dedicada exclusivamente à viola caipira. Surgem desta escolha, então, as primeiras faixas instrumentais como “Rio Sorocaba” e “Chão Marcado”. Aluno de Nestor da Viola, Júnior da Violla atuou como membro efetivo da Orquestra Paulistana de Viola Caipira e chegou aos programas televisivos do gênero, entre os quais “Viola Minha Viola”, e “Globo Rural”; em 25 de maio esteve no programa Dia a Dia Rural”, de Tavinho Ceschi, aparecendo ao vivo para o público do canal de agronegócios do Grupo Bandeirantes, a emissora Terra Viva.

Junior da Violla também ministrou aulas particulares de viola em renomados institutos e escolas como Música Opus, Escola Livre de Música e Pich & Bend e Jam Session, participou de inúmeros festivais e tocou em diversos bares da Paulicéia, emissoras de rádio e de televisão. A partir da Banda Forró com Viola, que formou com amigos universitários em 2001, concretizou o sonho de criar a Orquestra Sinfônica Caipira, mais tarde rebatizada como Orquestra dos Violeiros de São Paulo, hoje inativa.

“Chão marcado”, o primeiro álbum, completou em 13 de abril o quinto aniversário. Elenca onze músicas de sua autoria, todas instrumentais, como “Rio Sorocaba”, que está presente no álbum comemorativo do 2º. Prêmio Rozini de Excelência da Viola Caipira. Em junho do ano passado, o disco foi um dos agraciados na categoria “Violeiro” pelo Instituto Brasileiro de Viola Caipira, que promoveu no Memorial da América Latina (SP) a noite de gala da edição três do Prêmio Rozini.

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Capa do álbum que em abril completou cinco anos e marcou a estreia do virtuoso compositor com onze faixas instrumentais

 

É desta exitosa primeira empreitada solo que salta a veia do virtuoso compositor que domina diversos estilos musicais. O sotaque caipira de Junior da Violla, por exemplo, é marcante em “Toque de chamar moça”; “Pagode do Ovo”; e “Seu Jorge”. Em “Riobaldo” evoca o sertão nordestino e, por meio de “Chão Marcado”, explora as semelhanças entre as músicas do Nordeste e árabe. Já o sabor do Mississipi tempera “Johnson Blues”.

 

http://www.youtube.com/watch?v=E6kI84oxgFc

 

 

Música e haicai se encontram em “Rosas para João”

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Capa do álbum “Rosas para João”, de Renato Motha e Patrícia Lobato

 

 Fecha o tempo no sertão
É chuva vindo
Um rai cai, um clarão

Escrever, ler e estudar (sobre) haicais, assim como a moda de viola, é uma das minhas paixões. Sobre o instrumento não sou capaz de arranhar uma mísera corda. Mas acredito que consigo compensar esta frustração, de vez em quando, compondo algum poema em três linhas, nem sempre rigorosamente de acordo com as normas clássicas recomendadas pelas cartilhas japonesas do gênero, porém chego bem perto; desastre mesmo, acredito, seria tentar tocar um pagode ao modo de Tião Carreiro e Pardinho ou arriscar-me a pontear os dez arames com os quais muita gente talentosa tem conseguido pavimentar uma boa estrada.

As particularidades do haicai, por sinal, talvez pela brevidade e apesar de toda a beleza que os versos evocam, parecem dificultar que eles apareçam em letras de músicas, deixando-o gênero quase que restrito apenas ao campo da escrita literária — embora algumas experimentações associadas a vídeos ou fotografias sejam bem sucedidas. Toda a regra, felizmente, parece ter sua exceção e Valter Braga conseguiu ao fintar esta faturar em 2005 o troféu do Festival da TV Cultura com a composição “Haicai Baião”, da qual destaquei os versos acima.

A música de Braga que mereceu o primeiro lugar naquela ocasião conquistou a plateia interpretada pelo casal mineiro Renato Motha e Patrícia Lobato, que a incluiu entre as faixas de “Rosas para João”, primeiro álbum de ambos. O disco constava até há pouco tempo do catálogo da gravadora “Sonhos e Sons”, de Belo Horizonte, e também é digno de nota elogiosa. Mais do que registrar a joia de Braga, o trabalho autoral de Motha e Patrícia guarda mais uma grande homenagem ao ilustre João Guimarães Rosa, escritor também nascido nas Alterosas. E é uma mostra do talento da dupla que canta junta também em outros álbuns de rara beleza, entre os quais “Antigas Cantigas”. Em “Dois em Pessoa”, eles abrem o baú de Fernando Pessoa e, inclusive em ritmo de samba, relembram vários dos poemas clássicos do português e de seus heterônimos.

Renato Motha, individualmente, ainda assina outros títulos que valem a pena conhecer. Destaco “Trilha das mãos”, instrumental, e “Amarelo”, ambos de 1999. Quem adquirir “Todo” ou “Caixa de Sonhos” também não amargará arrependimento. Já Patrícia Lobato iniciou voo solo com “Suspirações”.

Veja abaixo a letra completa de “Haicai Baião”, formada por três haicais, e já apresentada noo programa “Sr.Brasil”, de Rolando Boldrin apresenta na TV Cultura. Embora grafada por Braga com “x”, a expressão “baxô” é uma clara referência a Matsuo Bashô, um dos mestres do haicai no Japão e em todo o mundo.

Fecha o tempo no sertão/É chuva vindo/Um rai cai, um clarão (2x)
 
Trovão e tambor
No céu, no roçado zabumbam

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Guimarães Rosa, escritor de Codisburgo (MG)
O santo baxô* (2x)
 
Manhã de água e cor
Até do outro lado do mundo
O chão fulorô (2x)
 
 

https://www.youtube.com/watch?v=LI_urK3NWfI&hd=1

“Dia Dia Rural”, de Tavinho Ceschi, apresenta Wilson Teixeira ao vivo

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Wilson Teixeira, acompanhado por Walter Bini, cantou músicas do “Almanaque Rural” e “Canta que é bonito”. de Cláudio Lacerda

 

Especial para a Rádio UOL

 

O programa “Dia Dia Rural”, que Tavinho Ceschi apresenta no canal Terra Viva, contou na sexta-feira, 20 de junho, com a participação do violeiro Wilson Teixeira. Acompanhado por Walter Bini ao violão, Teixeira cantou “Canção de Estrada” e “Seresteiro”, duas das músicas mais consagradas e solicitadas entre os admiradores cada vez mais numerosos. Ambas integram a lista de 10 faixas do “Almanaque Rural”, álbum independente lançado em 2007. Para o encerramento, o convidado de Ceschi escolheu a composição “Canta que é bonito”, escrita pelo parceiro Cláudio Lacerda e já incluída no rol das novidades que aparecerão no segundo disco de Teixeira, já em fase de produção.

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Tavinho Ceschi apresenta ao público o primeiro álbum do cantor de Avaré

Wilson Teixeira é natural de Avaré, cidade do Interior Paulista, embora já resida há 14 anos no bairro paulistano do Jaguaré. Além da carreira solo, ele tem percorrido o estado com shows nos quais presta tributo à dupla Tonico e Tinoco. Outro projeto dele, agora em conjunto com Sarah Abreu, dedicado à Cascatinha e Inhana, chamou a atenção de Rolando Boldrin. Uma edição do programa Sr. Brasil sobre o casal que encantava os fãs e está entre os mais cultuados no panteão da música brasileira, gravado em maio, em breve será apresentado pela TV Cultura.

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Wilson Teixeira já está produzindo o segundo álbum da carreira (Fotos de Marcelino Lima)

 

Vale a pena destacar, ainda, que Wilson Teixeira juntou-se no final de 2011 aos amigos Cláudio Lacerda (São Paulo), Luiz Salgado (Patos de Minas/MG) e Rodrigo Zanc (São Carlos/SP) para colocar na estrada o projeto 4 Cantos, grupo que também arrancou calorosos aplausos da plateia do Sr. Brasil quando esteve no Teatro do SESC Pompeia, em agosto de 2013. O avareense é, ainda, dono de uma estrela que costuma brilhar muito em festivais. Em 2012, por exemplo, faturou o certame de Tatuí (SP) defendendo “No último pé do pomar”. Mais recentemente (2009), “Trem de Verão”, que compôs com Adilson Casado, venceu o 440. Festival de Música e Poesia de Paranavaí (PR). Há um ano, em 17 de junho de 2013, Teixeira esteve no Memorial da América Latina. Em noite de gala, recebeu a estatueta do 3o. Prêmio Rozini de Excelência de Música de Viola conferida a “Almanaque Rural”, considerado pelo júri um dos três melhores da categoria álbum solo.

Linque para assistir ao programa:

http://mais.uol.com.br/view/15085296

Linque para o Femup de 2009:

http://www.youtube.com/watch?v=F_x1qFR257U

América 4 comemora 25 anos no Carlos Gomes de Vitória

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O Grupo América 4,  lá da cidade de Vila Velha (ES), vai dar continuidade ao projeto de comemoração aos 25 anos de estrada promovendo mais um show naquele estado. A apresentação desta vez será no Teatro Carlos Gomes, que fica em Vitória, e está marcada para começar às 19 horas de 6 de julho, sem cobrança de entrada. Na ocasião, Tobi Gil e os demais integrantes vão brindar o público com músicas do álbum comemorativo ao Jubileu de Prata e outros sucessos admirados pelo público.

O álbum  foi lançado em 2 de abril no Teatro Marista, em Vila Velha. O Grupo América 4 começou a tocar em 1988, inicialmente nos estados do Espírito Santo e de Minas Gerais por Tobi Gil, que está há 39 anos radicado naquele munícipio capixaba. No ano de fundação, ele buscou reunir diversos músicos de vários países da América Latina que residiam no Brasil. O objetivo era unir o “o canto dos quatro cantos da América Latina”.

A integração dos sons e ritmos das raízes culturais da América Latina e a mistura de instrumentos musicais folclóricos como a flauta andina, zampoñas, toyos, quenacho, charango, tambores de congo e tambor de maracatu, casaca e bombo leguero com instrumentos convencionais são as características marcantes do América 4. Essa fusão instrumental e de cantorias tornou o Grupo referência nesse gênero e pioneiro na divulgação da música latino-americana no ES. Sempre atuante em projetos culturais da cultura local e também fora do estado, os músicos já se apresentaram em aberturas de shows de nomes consagrados da MPB, entre os quais Fagner, Zé Ramalho, Zé Geraldo, Sá e Guarabira e Sérgio Reis. Participou, ainda, de vários shows em teatros, festivais e eventos e ações culturais no Vale Jequitinhonha (MG), em parcerias com os violeiros Rubinho do Vale, Sergio Moreira, Marku Rivas, Tizumba e outros.

Passados 25 anos, e já há 12 sem se apresentar, Tobi Gil retomou o projeto de integração em torno da musica latino-americana e convidou os parceiros Cesar Rebechi, Renato Pablo, Aguilar Alves, Raul Paredes, Graça Silva, Nina Candido, e Carmem Amorim para a nova empreitada que seria lançar o CD que marca a trajetória de um quarto de século. A novidade vem para se juntar na discografia a “12 anos de América 4”, coletânea de 1999; “Tambores de Congo” (1998); “Fusão Latina” (1996) ; “Cinco Anos de Estrada” (1992); “Amo Espírito Santo” (1991) e “Minas Latina” (1990).

 

Peleja de Chico Bento e Zé Lelé narrada por Almir Sater


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É período de festas populares e religiosas, quermesses, quadrilhas e fogueira (qu)então vou deixar uma dica  para leitores e amigos, especialmente os violeiros e rabequeiros: ler e ouvir A Peleja do Violeiro Chico Bento com o Rabequeiro Zé Lelé” (2012), de autoria de Fábio Sombra e de Maurício de Souza.

A obra é da Editora Melhoramentos e narra, em versos de cordel escritos por Sombra, o desafio entre os dois personagens do nicho caipira do criador da “Turma da Mônica“. A peleja é para tentar provar qual dos instrumentos que Chico Bento e Zé Lelé tocam seria o “mais importante”, se a “Luzia”, ou a “Serafina”. É uma história rápida e divertida, que corre em texto primoroso e que se apoia em ilustrações muito ricas do “pai” do Cebolinha. Ah, o CD é narrado por Almir Sater, e tem direito a uma faixa bônus instrumental!

 

Grupo Violado comemora cinco anos de gravação do primeiro DVD

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A partir da dir. Guilherme, Amaral, Fernando Tal, João Paulo e Filipe, do Grupo Violado, de SBO (Fotos: Azael Bild e Valter Guarnieri)

 

Já estou atrasado há quase um mês, mas acredito que, ainda assim, dá para enviar aqui pelo Barulho d’água (que nasceu bem depois e há apenas alguns dias) um abraço e desejar parabéns aos rapazes do Grupo Violado de Música Raiz, de Santa Barbara d’Oeste, cidade do Interior paulista. Em 22 de Guilherme, Filipe, Amaral, João Paulo e Fernando Tal, amigos e fãs comemoraram cinco anos de lançamento do primeiro DVD, gravado no Teatro Municipal Manoel Lyra, naquela cidade. Tenho o disco autografado por dois deles, Filipe e Guilherme, e desde abril, quando os conheci em Piracicaba, volta e meia o ponho para rolar e voltar a ter a oportunidade e o prazer de ouvir, por exemplo, o clássico de raiz “A Volta do boiadeiro”, de Sulino e Marrueiro — toada já gravada por Lourenço e Lourival e Sérgio Reis com a qual me reencontrei assistindo justamente ao DVD, removendo-a do esquecimento de um escaninho qualquer da minha memória.

A canção que destaquei é a #3 de 17 sucessos do repertório que relembra ainda Teddy Vieira e Luizinho, Moacyr dos Santos, Raul Torres, Tinoco, João Mulato, Dino Franco, Jacozinho e os parada-duras Creone e Barrerito (o terceiro era o Mangabinha), entre outros nomes consagrados do gênero que integram uma lista dourada complementada por vários pagodes do mestre Tião Carreiro. Entre os clássicos dos craques acima citados, o Grupo Violado apresenta “Pé de ipê”, “Amargurado”, “Moreninha linda”, “Chico Mineiro”, “Boiada Cuiabana”, “Empreitada Perigosa”, “Pagode de Brasília”, “Chora Viola”. A abertura é “Vide, Vida Marvada”, de Rolando Boldrin.

Para quem tem mais de 50 aninhos, como eu, esta seleção atiça uma gostosa saudade! Eu, por exemplo, voltei aos quintais da infância, revisitei tempos distantes e já meio esmaecidos que na verdade não passaram e estão marcados por experiências e brincadeiras aparentemente pouco significativas, mas que moldam o caráter e definem os valores que abraçamos para o resto da vida tais como subir em goiabeiras, beber leite ordenhado na hora, pisar em merda de vaca, ouvir moda de sanfona e de viola aos pés da cama dos pais, rezar em novenas ou em vias sacras, marcar as horas pelo canto de uma seriema, assustar-se com o pio de uma coruja. Acredito que as memórias se manifestam assim para todos; jamais morrem, ficam apenas quietinhas dentro da gente, só esperando a hora de a porteira que as aprisiona se abrir ou ser aberta a modo de correrem a galope por campinas, levando-nos a passear de canoa, a pescar na beira de um córrego, tomar café coado recém socado em pilão, a admirar a bunda de uma aranha, com reverência ao inseto, na varanda do sítio das nossas Tias Marias, onde escutamos tanta história de mulas sem cabeças, de assombração de tudo que é jeito esquisito.

Ah, então, vamos deixar de prosa. E parafraseando Paulo Freire, vai ouvindo, vai ouvindo e assistindo; não se contenha se de uma hora para outra a garganta apertar em um nó, os joelhos tremelicarem, o peito sufocar…

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Primeiro DVD do grupo, gravado em 22 de março de 2009, tem sucessos como “Menino da Porteira” e o pagode “Nove Nove”, de Tião Carreiro

 

 

Consuelo de Paula já arremata últimos bordados do novo álbum

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Consuelo de Paula está trabalhando para trazer ao público seu mais novo disco, intitulado “O Tempo no Branco”

Ah, tem novidades e coisas que a gente não pode deixar para divulgar e contar no dia seguinte! Tem de ser na hora que elas chegam, no momento em que elas pintam; é como haicai que resplandece diante dos teus olhos e se você não pára, pega um papel e o registra no ato, ele se esvai; é como perder a oportunidade de lascar um beijo de surpresa e arrebatador na pessoa que você paquera e, enfim, conquista-la; é como não sair correndo quando alguém chama entusiasmado por você dizendo “corre, corre, venha ver que legal”; é, enfim, aquela notícia de última hora que impõe o grito “parem às rotativas: temos uma nova e mais alvissareira manchete!”

Pois é, tudo isto para dizer: já tinha baixado as portas do boteco e fechado a contabilidade do dia, com alguns bocejos fazendo minha cabeça pender para os lados, sonolenta, marrenta, quando piscou em minha caixa postal uma mensagem nova, enviada pela querida Consuelo de Paula. Cantora, compositora e poetisa, a mineira de Pratápolis que já gravou entre outras maravilhas “Dança das Rosas”, “Tambor e Flor” e “Casa”, está preparando o lançamento já próximo da fase final de  “O Tempo e o Branco”, ou conforme ela mesma afirmou “acabando de fazer o último bordadinho de uma Bandeira do Divino”. Assim, em brevíssimo espaço de tempo, quem sabe junto com a entrada da Primavera, o álbum estará à disposição do público. Mais dia, menos dia, entretanto, no final das contas esta contagem e espera não farão mais diferença: o púbico vai receber esta nova florada certamente com muito carinho e constatar mais uma vez que a própria Consuelo é divina. Simples assim!