SESC Osasco pulsa iluminado por Tetê Espíndola e convidados

O repertório do show do SESC Osasco teve 17 músicas, além do bis especial

A cantora Tetê Espíndola esteve no SESC Osasco, cidade da Grande São Paulo, na noite de 14 de junho, para mais uma apresentação da turnê do álbum duplo formado por “Pássaros na garganta” (1982) e “Asas do etéreo“, lançamento do selo SESC.

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Tetê Espíndola trouxe para Osasco um mapa dos estados do Mato Grosso e encantou com vários timbres

Tetê abriu o repertório com “Fio de Cabelo”, sozinha, no palco. Ao conversar pela primeira vez com o público, desejou boas vindas a um show de “tons e timbres”. Então, literalmente cumpriu o anunciado: interpretou as demais 16 canções ao seu consagrado estilo, explorando toda a virtualidade da voz campeã do Festival dos Festivais da Rede Globo, em 1985. A plateia, então, curtiu uma variação de pios, silvos, uivos, gramilvos, cricris, assovios, coachares e outros sons sibilantes ora intensos, ora suaves, vocalises que libertariam do âmago dela não apenas aves bem como sapos, pererecas, jacarés, grilos, borboletas, vagalumes, cigarras e outros seres e elementos característicos e presentes tanto em seu meio pantaneiro-cuiabano-diamantino, como no folclore nacional, gosto de amora brava, zum de abelha em voo de araras…

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A plateia osasquense aplaudiu com entusiasmo à apresentação e mesmo depois do bis especial ficou pedindo “mais uma…”

Tetê tirou e soltou no SESC todos os bichos que tem em sua sala, têm sua cara, sua exuberante natureza. E abriu um mapa dos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul para reverenciar cidades de ambos, convite para uma viagem. Visceral sem deixar de ser doce, espontânea ou provocativa, com bailados e sua peculiar gestualidade, entoou desde cantigas habitadas por elfos, salamandras e orixás ao sertanejo lisérgico, tal qual ela mesma classificaria mais tarde “Diga não”, que compôs com Arrigo Barnabé. Nas letras dela e dos parceiros como Hermeto Pascoal, Marta Catunda, Carlos Rennó, o mano Geraldo Espíndola e Bené Fonteles, entre outros, cabem lugares como Ibiporã, a fauna e flora elementares e populares. Nesta alquimia se juntam tudo o que contiver uma galáxia ou se acolhe numa casca de noz; o amálgama faz-se de orquídeas, acácias, buritis, lisas brisas, palavras, palavretas, brisoletas, asalegres, pelepétalas, pacus, furrundus; em resumo, ela corporifica tudo isso: é triz que acende chamas e xamãs, seiva viva, rios de fartas águas e veios poéticos; volátil e cicatriz; motriz que emana em todas as cores; insólita lagarta que ao manejo da craviola transmuta-se mais do que em ponto de luz; crisálida da qual irrompe e ascende interestelar, atriz. Com as bênçãos de Tupã!

O trompetista Bocato ajudou com seu instrumento Tetê Espíndola a libertar pássaros e outros animais

A filha ilustre de Campo Grande (MS), portanto, por si só já seria atração. A escala dela em Osasco, entretanto, ainda contou com as presenças de luminares cujos atributos já são sinônimo de escolas: Félix Wagner (piano e vibrafone), Bocato (trombone), Paulo Lepetit (baixo), Adriano Magoo (acordeon), Jaques Morelenbaum (cello), e Dani Black (voz). A direção do show coube a Arnaldo Black e à filha, Milene, para a qual dedicou “Menina”.

Aquele que talvez seja considerado o maior sucesso da carreira de Tetê Espíndola, da lavra do marido Arnaldo Black e de Carlos Rennó, por sinal, estava reservado ao bis de encerramento. “Escrito nas estrelas”, vencedora em 26 de outubro de 1985 daquela edição do Festival dos Festivais, bateu asas em uníssono das gargantas de todos os fãs, há pouco minutos imersos em um brejo para imitar a saparia em um exercício vocal para fazer fundo a uma das músicas: se nada mais ficou em falta para tornar o ambiente ainda mais efluvioso e o show marcante, restavam os merecidos aplausos. Em pé!

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Tetê não apenas utiliza o recurso da versátil voz em apresentações: sabe unir a gestualidade às imagens que as letras evocam

O programa do show do SESC Osasco contem um texto de Tetê Espíndola sobre Pássaros na Garganta e “Asas do Etéreo”, que abaixo reproduzo:

“Todo mundo me conhece com a cantora de voz aguda. Realmente, em Pássaros na Garganta (1982), eu estava no auge de minha tessitura de soprano. As minhas composições tinham um ‘cheiro de mato’ quando comecei a explorar sons da natureza através das colagens.

E hoje, em Asas do Etéreo, sinto a maturidade do meu lado de instrumentista. Escolhi 12 músicas especiais e inéditas que compus durante estes anos* e convidei amigos que fazem parte da minha trajetória. Para cada composição um tom da escala musical, um timbre de instrumento diferente e uma emissão de voz única, onde a novidade é o contralto.”

Bocato, Félix Wagner, Tetê Espíndola, Jaques Morelenbaun, Adriano Magoo e Paulo Lepetit

* Os amigos mencionados por Tetê Espíndola, além dos já citados no texto acima, são: Egberto Gismonti, Duofel, Almir SaterTeco Cardoso e Trio Coroa.

Felix Wagner tocou piano e vibrafone
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Jaques Morelenbaun ficou com o cello
Dani Black
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Capa do álbum duplo de Tetê Espíndola já é uma obra de arte
Tetê encerrou o show com “Escrito nas Estrelas”
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“Viola de Arame”, mais uma obra prima de Roberto Corrêa

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A coleção do Barulho d’água tem uma nova aquisição, assinada pelo mestre brasiliense Roberto Corrêa, produzida por ele e Juliana Saenger. Com onze faixas instrumentais, o disco “Viola de Arame” apresenta os atributos de intérprete de Corrêa, resgatando o projeto do começo de sua carreira, quando preparava-se para ser um solista de viola, nos moldes dos violonistas clássicos. Neste trabalho de 2012, Corrêa executa apenas músicas de outros compositores: Ascendino Theodoro Nogueira, que na década de 1960 de forma pioneira, compôs sete prelúdios para a “viola brasileira” solo; o maestro Jorge Antunes e os violonistas Marco Pereira, Eustaquio Grilo e Mauricio Carrilho. O CD traz textos dos compositores sobre as suas obras, o que ajuda a contextualizar o momento histórico, as motivações e inspirações dos autores.

A obra de Corrêa é uma das mais valiosas do universo da viola caipira. Dela tenho o já raro “Urobóro“, “Crisálida“, “No sertão“, “Esbrangente“, “Temperança” e “Viola de Bronze“, gravado com Siba. “Esbrangente” reúne ainda Paulo Freire e Badia Medeiros, violeiros de diferentes tradições que demonstram, por meio da viola caipira e da viola de cocho, a complexidade caipira, a profundidade das canções do sertão, a beleza de sua poesia e os novos voos dos instrumentos em composições próprias. Deste disco destaco bela homenagem de Paulo Freire a Angelino de Oliveira, autor de “Tristeza do Jeca“.

 

 

Lume de Olhos d’ Água, pedra de encanto e de belezas

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Exemplar de “Lume”, lançado em BH, em novembro de 2013, autografado com carinho pelo querido Wilson Dias

 

Resgato do meu Facebook este texto de novembro de 2013:

Olha ai, galera, o que me esperava em casa quando cheguei do trabalho hoje: O novo álbum do violeiro Wilson Dias,Lume“, o sexto da carreira! O disco, que estou curtindo agora, foi feito em parceria com a querida Déa Trancoso, o talentoso e multinstrumentista André Siqueira e ainda tem a participação de Ná Ozetti, entre outros músicos de primeira. Muitas das letras são de autoria do Wilson com o João Evangelista Rodrigues, com o qual o mineiro de Miradouro (antiga Olhos d’Água) já trabalhou em “Pote“, ainda com o acréscimo do Pereira da Viola para deixar aquela obra mais bela! Wilson Dias está, atualmente, em Belo Horizonte, onde lançará “Lume”, oficialmente, na noite de quarta-feira, 20 de novembro, no Sesc Palladium. Toda esta gente boa citada nas linhas acima lá estará. Eu também estaria caso não tivesse por aqui minhas obrigações profissionais, que pena!

Meu exemplar de “Lume” baixou aqui autografado, e não veio só, não! No mesmo pacotim que os Correios entregaram acompanhavam-no um exemplar de “Outras Estórias” e de “Pequenas Histórias“, primeiros trabalhos do Wilson Dias, para completar minha coleção dele que já tinha “Mucuta” e “Picuá“, além de “Pote” e o “Viva Viola” — este reunindo timaço no qual ele compartilha o palco com Pereira da Viola, Bilora, Joaci Ornelas, Gustavo Guimarães e ainda Chico Lobo, uau, uai!

Bom, agora, se os amigos me dão licença, vou curtir estas preciosidades, ouvi-las até enjoar, se isto, claro, for possível. Obrigado Wilson Dias, Déa Trancoso, André Siqueira, Pedro Henrique Gomes, Nilce e pessoal da Picuá Produções! Parabéns a todos por mais esta pedra preciosa, repleta de luz e belezas, de lume, propriamente dito. Casa cheia os aguarde e os aplauda na quarta-feira, em BH, queridos. E que este “Lume” alumie por aqui, e por acolá também!

Nota: “Deus é violeiro”, de Wilson Dias e do João Evangelista Rodrigues, abre o Lume: assista aqui a apresentação dela ao programa Sr. Brasil, de Rolando Boldrin:

Marcelino Lima, Wilson Dias e Katya Teixeira, após show dele no SESC Consolação (agosto 2013). Na plateia estiveram ainda Levi Ramiro e Julio Santin.

Às margens do Ipiranga, a viola plácida de Levi Ramiro

Puxe a cadeira, estique as pernas, acomode-se: quando Levi Ramiro toca ele é orgânico, os sentidos se aguçam. É possível ouvir o correr sereno de um regato, traz o cheiro do mato nas cordas da viola e se sente na pele o arrepio do vento cortando invernadas.

Levi Ramiro, SESC Ipiranga,  Roberto Correa, Ricardo Vignini e Zé Helder,Orquestra Paulistana de Viola Caipira, Wilson Dias, Paulo Freire, João Arruda, Luciano Queiróz e Katya Teixeira.

Para pedir bis mais de 14 vezes

Flávio Venturini (Fotos de Marcelino Lima, SESC Itaquera, abril de 2014)
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Sérgio Magrão

A tarde fria de outono, mas com um sol gostoso, de 27 de abril, ficou marcada pela passagem da banda mineira 14 BIS pelo palco do belíssimo SESC Itaquera. Cresci ouvindo este grupo que tem um estilo característico e único de tocar rock e baladas e, até hoje, já rumando para os 51 anos, ainda curto os caras!  A formação atual reúne Cláudio Venturini, Sérgio Magrão, Vermelho e o batera Hely Rodrigues (o Flávio Venturini seguiu para carreira solo há tempos). Era aniversário do Vermelho e ele ganhou um retrato dele de presente, pintado no calor da apresentação, enquanto os músicos faziam arrepiar a pele da galera sentada no barranco ou em pé defronte ao palco relembrando a maioria dos sucessos gravados desde 1979, quando o 14 Bis botou o pé na estrada.

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Vermelho, aniversariante do dia

Vale a pena registrar ainda o show a parte do Cláudio Venturini com magníficos solos, e saltos no ar, de costas, da bateria do Hely! O amigo toca demais e, ao final de Linda Juventude, a música escolhida para o apoteótico encerramento, ele ainda arremessou a guitarra por sobre a cabeça do Magrão. Foi lindo ver o instrumento viajando pelo ar até cair, suave, seguro e bem amparado nas mãos de um dos assistentes do palco!

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Hely Rodrigues

O repertório teve para lá de quinze músicas e começou com Carrossel. Venturini e Magrão cantaram ainda (não nesta ordem) Bandeiras; Canção da América; Caçador de Mim; Planeta Sonho; Velha Canção Rock’n Roll; Nos bailes da vida; Canções de Guerra; Perdidos em Abbey Road; Nave de Prata; Nova Manhã, Mesmo de Brincadeira; Natural; Espanhola; Ainda é cedo; Mais uma vez; Todo azul do mar; O fogo do teu olhar; e até O sal da terra, do Beto Guedes.

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Cláudio Venturini no fantástico solo de Nave de Prata

Depois de tudo, ainda emocionado e tocado por tantas lembranças, chegou a hora da tietagem. Enquanto tirávamos fotos com os dois, o Venturini me informou que dentro de mais ou menos dois meses ele, o mano Flávio Venturini e o Sá & Guarabyra vão lançar um álbum chamado “Encontro Marcado” somente com faixas deles consagradas pelo público.

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O público cantou e dançou com entusiasmo durante o show do 14 BIS (Fotos de Marcelino Lima, SESC Itaquera, abril de 2014)

Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc cantam em programa do Terra Viva

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Rodrigo Zanc e Cláudio Lacerda entraram ao vivo para o quadro “Diversão e Arte”, do “Dia a Dia Rural” (Marcelino Lima)

Os cantores Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc participaram na manhã da sexta-feira, 13 de junho, do programa “Dia a Dia Rural”, ancorado por Tavinho Ceschi, no canal Terra Viva, emissora do grupo Bandeirantes. Ao vivo, eles cantaram “Triste Berrante”, de Adauto Santos e Solange Maria; “Chuá Chuá”, de Tonico e Tinoco; e “Bons Amigos”, de N.Ribeiro, M.Rivas, B. Rivas, L. Fraia. J. Reis. As duas primeiras fazem parte do repertório dos shows que Lacerda e Zanc escolheram para homenagear a dupla “Pena Branca e Xavantinho” em tributos que ambos vêm fazendo desde janeiro de 2010, quando, ainda ao lado de Pena Branca, iniciaram no SESC Pompeia uma série de apresentações baseadas em clássicos imortalizados pelos irmãos cujos nomes eram José Ramiro Sobrinho e Ranulfo Ramiro da Silva, respectivamente.

Tavinho Ceschi apresenta ao público do Terra Viva o álbum “Fruto da Lida”, que Zanc lançou em 2013 (Marcelino Lima)

Pena Branca (José Ramiro) morreria pouco mais de um mês depois, em 10 de fevereiro daquele ano. Xavantinho havia falecido em 8 de outubro 1999. O projeto, entretanto, foi mantido: Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc seguem levando a poesia da dupla que transformou em sucessos do universo caipira e regional composições como “Cio da Terra”, de Chico Buarque e Milton Nascimento, e “Vaca Estrela e Boi Fubá”, de Patativa do Assaré, entre outras.

Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc também formam com Wilson Teixeira e Luiz Salgado o grupo “4 Cantos”. Em carreira solo, Lacerda já gravou “Alma Lavada” (2003), “Alma Caipira” (2007) e “Cantador” (2010). Zanc é autor de “Pendenga” (2006) e no ano passado lançou “Fruto da Lida”. Durante o programa “Dia a dia Rural”, Ceschi apresentou ao público “Cantador” e “Fruto da Lida”.

Linque para ver o vídeo da apresentação: http://tvterraviva.band.uol.com.br/noticia.aspx?n=717839

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Ao final da apresentação dos violeiros, Tavinho Ceschi fez questão de posar com a dupla. E ouviu, de presente, fora do ar, “Bandeira do Divino”, de Ivan Lins. (Marcelino Lima)