Ricardo Vignini e Zé Helder voltam a Osasco e anunciam “Moda de Rock 2”

Na noite de ontem, 26 de junho, o Barulho d’Água acompanhou a segunda apresentação dos músicos e professores de viola caipira Ricardo Vignini e Zé Helder, que voltaram ao Deck da Cafeteria, espaço para pequenas apresentações do SESC Osasco, mais uma vez para mostrar ao público as músicas do “Moda de Rock-Viola Extrema”. Para quem ainda não conhece este trabalho, uma breve descrição: a dupla toca sucessos de bandas e de expoentes do rock mundial, adaptadas para as dez cordas do instrumento que talvez melhor represente o Brasil, embora a viola tenha raízes ibéricas.

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O repertório do álbum, gravado em 2011, é de tirar o chapéu. Rola Led Zeppelin (Kashmir), Pink Floyd (In the Flash), Iron Maiden (Aces High), Mettallica (Master of Pupets), Sepultura (Kaiowas), Jethro Tull (Aqualung), Norwegian Wood (The Beatles), e Jimi Hendrix (May this be love) entre outros. Além destes clássicos, Ricardo Vignini e Zé Helder ainda brindam a plateia com Ramones, The Rolling Stones, Matuto Moderno e até a Quinta Sinfonia de Ludwig van Beethoven e pagodes de Tião Carreiro, Índio Cachoeira e Gedeão da Viola. No retorno ao SESC após três semanas para mais uma edição do projeto “Caldos com Sons Brasileiros”, eles informaram que o segundo volume de “Moda de Rock – Viola Extrema” já é projeto jurado e sacramentado e chegará em breve, com direito, inclusive, a faixas como “Why Worry”, do famoso álbum “Brothers in Arms”, do Dire Straits, quase uma cantiga de ninar que Sir Mark Knopfler toca utilizando um violão metálico National.

O primeiro “Moda de Rock-Viola Extrema”, possui ainda uma versão em DVD e outra gravada ao vivo no Teatro do SESC Pinheiros, em junho de 2011. Naquela ocasião, Vignini e Zé Helder contaram no palco com uma participação ilustre, o guitarrista Pepeu Gomes. O bom soteropolitano que encanta várias gerações mostrou toda sua arte e manhas em “Bilhete para Didi” (Jorginho Gomes), “May this be love”, do Hendrix, e ainda “Preta Pretinha”, de Moraes Moreira e Luiz Galvão. MK_guitars_nationalreissue

As apresentações de Ricardo Vignini e Zé Helder, que integram ainda a banda Matuto Moderno, merecem adjetivos maiores que a reducionista expressão “show”. Classificá-los como concertos a quatro mãos, talvez, faça mais jus ao que os caras tiram e como tiram das violas, explorando todas as possibilidades melódicas dos cinco pares de arames metodicamente afinados e bem entrosados. Neste sentido, são produções que merecem ser curtidas em total estado de concentração, pois são capazes, inclusive, de nos fazer transcender o ordinário. Sobre esta observação, por sinal, cabe nestas mal traçadas linhas um puxão de orelhas na direção do SESC de Osasco, que na noite de ontem por um triz quase melou o clima de contemplação programando simultaneamente ao “Caldos com Sabor Brasileiro” mais uma sessão do “Cine Chaparral”. Os diálogos da crônica “Boleiros”, uma joia de película do Ugo Georgetti que estava sendo exibido ao ar livre, a poucos metros do Deck da Cafeteria, em vários momentos sobrepuseram-se às violas, cortando a onda e atrapalhando a relação. O pior é que não é a primeira vez que isto ocorre…

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Beethoven e Dire Straits, do sir Mark Knopfler (acima, à esq.), vão pintar no Moda de Rock 2, de Vignini (dir.) e Zé Helder (Fotos da dupla: Marcelino Lima)
Foto de Marcelino Lima
Ricardo Vignini e Zé Helder entre admiradores do “Moda de Rock”: com ambos as novas gerações aprendem a tocar rock na viola caipira, mas primeiro conhecem os pagodes de Tião Carreiro, Índio Cachoeira e Gedeão da Viola

 

 

 

 

 

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Edvaldo Santana levanta a camiseta e presta homenagem a parceiro em blues do “Jataí”

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Edvaldo Santana: carreira chega aos 40 anos e ele segue tocando música redonda e de primeira, sem firulas

Edvaldo Santana é um daqueles caras sangue bom, que chega aos 40 anos de carreira como quem, quase como brincadeira, segue fazendo boa música e jogando muita bola. E a parte toda a genialidade de suas composições que vão do baião ao folk, passando por sambas que retratam o cotidiano das periferias, é ainda um homem grato, reconhece não ter vencido sozinho: tabelou rumo ao sucesso com e teve muitos “carregadores de piano” a apoia-lo, craques que rolaram a pelota para ele estufar as redes e sair para o abraço, consagrado.

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O amigo Waldir Aguiar, um ponta de lança que tabelava com Edvaldo e sempre o colocava na cara do gol

Um destes parceiros Santana homenageia na música cuja letra e linque seguem abaixo“Ai Joe”, blues que escreveu  em memória do amigo e produtor Waldir Aguiar, faz parte do sétimo disco do paulistano da cidade de São Miguel Paulista, o ótimo “Jataí”, em cuja gravação cantou e fez embaixadas ao violão com o auxilio luxuoso do pianista Daniel Szafran.

 

 

Ai Joe

Foi chegando como se não quisesse nada meu bom
Foi deixando o papo rolar no vapor
Se instalou no fundo da casa na cadeira sentou
Bebeu todo wisque da mesa e sonhou
Bebeu todo wisque da mesa e sonhou

Tava Baudelaire muita gente de pé
Tinha até irlandês no Bloomsday
Com colar de pajé 


Levantou a poeira do solo sagrado
Pegou sua voz e voou
Foi pra Vila cantar Jorge Amado Oxalá e Nono

Ai Joe onde é que você anda?
Na última que eu te vi
Nós fechamos o bar
Aí Joe onde é que você anda?
Naquela noite sem fim
Você queria falar

 

http://www.radio.uol.com.br/#/letras-e-musicas/edvaldo-santana/ai-joe/2520432

 

Bebericando nos ribeirões e fazendo samba de primeira, Osni Ribeiro se afirma em Botucatu

Botucatu, município de São Paulo no qual viveu Angelino de Oliveira, compositor de Tristeza do Jeca”, é também a terra natal de Osni Ribeiro, um dos mais versáteis violeiros da atual safra paulista e entre os que se dedicam no país à preservação da música de raiz. Presença marcante em vários festivais nacionais na década dos anos 1990, nas composições de Ribeiro ecoam tendências das mais variadas. O samba, inclusive, pelo qual transita com desenvoltura como se comprova ouvindo um dos álbuns de sua carreira, “Bebericando”, no qual o gênero está representado pela faixa título, “Samba,e, i, o, u” e “Me chama que eu vou”, um hino em homenagem ao Corinthians, time do coração.

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Osni Ribeiro, à direita, com Rubens Brito, durante show que ambos promoveram em 2012

A intimidade com a viola caipira e a valorização das origens interioranas, entretanto, formaram ao longo da vida de Osni Ribeiro laços mais estreitos, refletem-se com mais intensidade no repertório que ele vem construindo ao longo da carreira que já completou mais de duas décadas. As criações incluem canções do disco “Gênesis”, trilhas sonoras e temas para documentários como “Encontro das Águas”, da EPTV, revelam-nos a sua veia poética em composições primorosas como “Realeza” (com a qual disputou a edição de 1997 do Festival de Música e Poesia de Paranavaí, no Paraná), “Azuis reflexos” e “Viola afinada ao fim do dia”, todas integrantes de “Bebericando”.

O linque abaixo permite ouvir “Brinquedo”, cuja letra é uma síntese de todas as qualidades de quem para arrematar ainda produz modas nas quais paixões e envolvimentos amorosos passam longe do modismo,  não são derramados em rimas pobres e de gosto duvidoso, mas sim apresentados com sutileza e intimismo, exaltam a vida e nos convida a viver com mais alegrias e prazeres.

https://soundcloud.com/osni-ribeiro/brinquedo

Ricardo Vignini e Zé Helder retornam a Osasco com “Moda de Rock”

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Ricardo Vignini e Zé Helder tocam em violas caipiras clássicos do rock mundial

    Hoje, 26 de junho, a partir das 19 horas, tem mais uma edição do projeto “Caldos com Sons Brasileiros” no Deck da Cafeteria do SESC de Osasco. A atração, na verdade, as atrações, são mais uma vez Ricardo Vignini e Zé Helder, dupla integrantes da banda “Matuto Moderno”, reconhecida pela fusão da sonoridade da música caipira com o rock.  Ambos já tocaram naquele espaço  em 5 de junho e estarão de volta para mais uma vez apresentar ao público músicas de “Moda de Rock – Viola Extrema”, álbum gravado em 2011 no qual os músicos resgatam suas origens roqueiras interpretadas ao som da viola caipira de 10 cordas.

Foto: Ulisses Matandos

 

Wilson Dias apresenta “Mucuta” no Teatro Anchieta, do SESC Consolação

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Wilson Dias toca com simplicidade, mas tem técnica apurada e com a viola em mãos parece se elevar e trazer lá de dentro toda sua força e espiritualidade

 Olá amigos e seguidores!

Estou adicionando  ao Barulho d’Água Música por meio dos linques abaixo dois vídeos em que Wilson Dias, de Olhos d’Água (MG), apresenta toda a sua técnica de violeiro que transita entre o tradicional e o moderno, tocando com sensibilidade e entrega músicas de sua autoria as quais, em vários momentos, soam como peças de composição clássica de rara beleza. Em ambos há informações e depoimentos sobre a carreira que já resultou em seis discos gravados, as dificuldades do começo da vida pessoal em uma cidade do Vale do Jequitinhonha onde faltava na infância água e luz elétrica e ele precisava caminhar 16 quilômetros para ir à escola, por exemplo, e o envolvimento desde pequeno com a preservação da natureza e a divulgação da cultura do norte mineiro, motivado pelo ambiente familiar no qual a música e elementos da religiosidade,  os costumes e o comportamento típicos de um sertanejo que luta com tenacidade pela sobrevivência e sua afirmação no mundo sempre regavam as descobertas e apontavam os caminhos que o menino, mais tarde, viria a  seguir.

O primeiro vídeo, de pouco mais de 25 minutos, produzido pelo SESC para o programa “Passagem de Som”, mostra Wilson Dias em três ocasiões, nas quais em duas está em companhia do amigo e também violeiro Levi Ramiro. Em Campinas, ambos haviam acabado de encerrar um show do Projeto Café com Viola, no SESC local, quando começaram uma agradável prosa com Luís Franco, conhecido no meio por “Candeeiro”. Na sequência, Wilson e Levi aparecem narrando histórias pessoais e pitorescas no apartamento localizado em São Paulo do cardiologista e igualmente violeiro Júlio Santin. Os três revelam curiosidades como a alegria de ver chegar à casa da avó o primeiro lampião a gás (“que iluminava mais do que a lamparina”), os primórdios da música caipira em São Paulo (cuja origem se localiza no triângulo formado por Botucatu, Piracicaba e Sorocaba, cidades nas quais se encontram os primeiros registros fonográficos deste gênero em todo o Estado) e a inspiração para seguir a mesma trilha do pai, esteio e ídolo para o qual um deles afinava a viola utilizada em cantorias durante as quais este filho também tinha a oportunidade de ver a mãe cantar, acompanhando o marido festeiro.

O terceiro momento, ainda do primeiro vídeo, traz imagens do  bate-papo e do ensaio de Wilson Dias e dos músicos que o acompanhavam, cujas imagens foram captadas horas antes  da apresentação deles no projeto “Instrumental SESC Brasil”, coordenado por Patrícia Palumbo,  no palco do Teatro Anchieta, do SESC Consolação (SP). A gravação na integra daquela edição do SESC Instrumental realizada em 12 de agosto de 2013 é o que se poderá curtir assistindo ao segundo vídeo, durante cuja exibição valerá a pena prestar bastante atenção à narração de Patrícia.

“Neste show relembro cada momento que eu vivi na roça, cada música é uma fotografia da minha vida”, informou Wilson Dias ao público presente. Eu estava na plateia naquela fria noite em que após sofrer as agruras de andar de trem e de metrô em pleno horário de rush noturno, e entrar no Teatro atrasado, com a apresentação já rolando, tive a grata oportunidade de conhecer pessoalmente  Wilson Dias, Augusto Cordeiro (violão), Gladson Braga (percussão), André Siqueira (flauta e violão), e Pedro Gomes (baixo).  Depois viramos amigos, o que é uma satisfação, pois além de talentoso com a viola caipira nas mãos, Wilson Dias é descontraído e, como todo mineiro, tem aquele jeito brejeiro, acolhedor, doce e simpático. Como escrevi acima, algumas das músicas do “Mucuta” tocadas no Teatro Anchieta são verdadeiros concertos, revelam todo o apuro e excelência de Wilson Dias e do seu time que tem a esposa Nilce Gomes sempre atenta e dedicada nos bastidores e no qual a participação do professor da Universidade de Londrina (PR), arranjador e multi-instrumentista  André Siqueira, também merece destaque.  Siqueira é produtor de vários discos do mineiro, entre os quais “Lume”, lançado em novembro do ano passado, com participações de Déa TrancosoNá Ozetti e do poeta e jornalista João Evangelista Rodrigues, senhor compositor que assina várias belezuras do Wilson Dias e de outros bambas como Pereira da Viola.

 

Linques para ver os vídeos:

http://passagemdesom.sesctv.org.br/artistas/wilson-dias/programa-passagem-de-som-em-15-julho-2013

http://www.instrumentalsescbrasil.org.br/artistas/wilson-dias

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Da dir. para a esq.: Siqueira, Pedro Gomes, Wilson Dias, Patrícia Palumbo, Augusto Cordeiro e ao fundo,Gladson Braga (Fotos de Marcelino Lima)

 

Uma vez estrela, sempre estrela, seja na terra, seja no ar

A querida cantora Katya Teixeira compartilhou com seu público e amigos um registro em vídeo de Dércio Marques cantando no programa Brasil Caboclo “Serra da Boa Esperança”, composição de Lamartine Babo, autor de sucessos populares e famosas marchinhas de Carnaval como “O teu cabelo não nega” e dos hinos dos cinco principais clubes do futebol carioca, incluindo o alvirrubro América FC, entre outros. Lamartine Babo, que se casou com Maria José, irmã de Dércio, hoje é aclamado como uma das estrelas de mais intenso fulgor entre os compositores brasileiros de todos os tempos. A constelação, por sinal, é a mesma na qual agora pulsa também toda a magnificência do cunhado, astro de grandeza e brilho não menos cintilante que aquele, cuja voz há dois anos se calou em um fatídico 26 de junho de 2012.

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As canções de Dércio Marques se notabilizam pela defesa da natureza e de valores dos povos mais simples, presentes em congadas e folias de reis

Sempre acompanhei a carreira do mineiro de Uberaba Dércio Marques, mas não tive a honra de conhecê-lo pessoalmente. Poucos dias depois da morte em um hospital de Salvador, decorrente de complicações após uma cirurgia de retirada de três órgãos vitais, é que soube do ocorrido. E, acreditem, foi por acaso, já que procurava informações sobre outro assunto na internet quando visualizei um linque para a lacônica nota a respeito do óbito. Pasmei: a perda de um ícone como Dércio Marques quase não repercutiu além do círculo mais íntimo de amigos, admiradores, parceiros e familiares; foi tratada como uma pauta menor, corriqueira, sem atenção alguma fora das páginas, dos blogs especializados e dos programas que cultivam o cancioneiro de raiz e iberoamericano, duas das vertentes ao qual ele mais se dedicava na hora de escrever suas obras.

A trajetória marcante e luminosa de Dércio Marques, por sinal, começou a ser traçada em plenos “Anos de Chumbo”, na década dos anos 1970, o que já faz dele alguém cuja biografia merece todo o respeito, assim como se cultua Chico Buarque, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Taiguara, por exemplo. Filho de uruguaio, despontou no circuito universitário e independente de shows cantando para os companheiros e para o público canções de Violeta Parra e Atahualpa Yupanqui, entre outros nomes da música do continente. Era um período turbulento demais para letras com cunho libertário e avesso ao poder estabelecido por meio de fuzis, tanques, baionetas e torturas, a ideologização imperava na música popular, mas Dércio assim como Geraldo Vandré e Sérgio Ricardo escolheu marchar pela contramão, sustentando com coragem bandeiras proibidas entre as quais reivindicações políticas e ligadas à ecologia e à valorização da diversidade da cultura nacional, sem jamais fazer concessões.

E assim seguiu até expirar, sempre com a irmã Dorothy Marques ao seu lado, parceiros como a mencionada Katya Teixeira, João Bá, João do Vale, Paulinho Pedra Azul, Pereira da Viola, Dani Lasalvia, Xangai, Hilton Accioly, Carlos Pita, Milton Edilberto, Luiz Perequê, Diana Pequeno, Elomar, presentes em shows ou assinando com ele letras de conteúdo crítico e identidade. Dércio participou de vários projetos ligados às manifestações do nosso folclore como congado e folia de reis, além de promover entre outros benefícios e bons serviços à sociedade oficinas para crianças e jovens em várias regiões do Brasil. Os álbuns da carreira, como “Fulejo”, “Terra, Vento, Caminho”, “Monjolear”, “Segredos Vegetais”, “Cantigas de Abraçar I e II” não têm ao menos uma faixa em que possa ser acusado de fazer média para afagar meios de comunicação e empresários, nada desvia de seus valores e da sensibilidade de seu modo de olhar desde os pequenos seres até a grandeza de uma floresta que precisa ser preservada; sim, ah, Dércio: tomara que seja verdade, que exista mesmo disco voador que traga até nós um povo inteligente, que valorize a paz e o amor, quiçá tenha lições e soluções a curto prazo para um sistema global de produção e de vida coletiva que já começam a dar sinais de colapso evidenciados por eventos extremos e de proporções calamitosas. Vai ver deriva desta postura engajada o motivo de sua partida ter sido relegada, ofuscada; vai ver tratou-se de uma espécie de troco de emissoras, gravadoras e produtoras que não conseguiram tirar dele compromissos com seus lucros, não conseguiram banalizar seu profícuo trabalho e esvaziar suas mensagens de amor à natureza, aos bichos, aos homens, à vida.

Mas quem nasceu para ser estrela jamais perde o encanto, o viço, a capacidade de orientar, de despertar admiração, de alimentar a poesia, os sonhos. Tal qual os próprios astros que se espalham pelo firmamento, haverá de brilhar ainda por muito tempo. Mesmo que seu corpo já tenha se desintegrado e seja apenas a sua luz que viaje pelo espaço até nossos olhos e corações.

 

 

Trilogia de violão arretada de boa!

“Se a feira fô de passarim… gato que avua nem precisa sabê cantá!”

Tiradinha inspirada em “Feira do Passarinho”, do álbum Forró de Violão”.

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Fernando Melo e Luís Bueno (de óculos) formam o Duofel, dupla de violonistas que já gravou com Badal Roy e assina a trilha de “Olho de Boi”

 

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Capa de “Forró de Violão”, da trilogia de Fernando Melo

Hoje, 24 de junho, é dia de São João Batista, ocasião, portanto, propícia para acender uma boa fogueira e fazer aquela festa, já que o profeta que precedeu Jesus Cristo é considerado bastante festeiro. E ambiente de festejo popular só é bom se, além do fogo aceso no meio do terreiro, rolam comidas e bebidas típicas e a boa quadrilha. Dentro deste clima, a dica de hoje tem tudo a ver: o disco “Forró de Violão” , do alagoano de Arapiraca Fernando Melo.

Para quem não conhece o cara,  Melo, mais o paulistano Luís Bueno, compõe o Duofel”, consagrada dupla que já gravou discos ótimos, todos instrumentais, um deles em parceria com o indiano Badal Roy. Outro que faz jus ao título: “Precioso”. O “Duofel” assina, ainda, várias trilhas sonoras para o cinema, entre as quais as faixas para “Olho de Boi”.

“Forró de Violão” é o primeiro álbum da série “Alagoas em Trilogia”, que Melo fez em carreira solo e tem ainda “Tocador” e “Do mar para a lagoa e da lagoa para o mar”, de 2010. Clique no linque e ouça e/ou compre as músicas!

http://megastore.uol.com.br/acervo/mpb/f/fernando_melo/alagoas_em_trilogia__tocador

 

 

O balão vai subindo, vai caindo a garoa (…) acende a fogueira do meu coração

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Hoje é o dia de São João Batista, conhecido no Brasil como o Santo Festeiro, por causa das manifestações e celebrações, com muita dança e fogueira, fogos e diversão, e nome do qual deriva a festa “Joanina“, ou “Junina”. 
João era filho de Zacarias e Izabel, e teria nascido em um dia  24 de junho, na Judéia. De acordo com algumas historias, ele nasceu em uma noite muito bonita. A mãe, Izabel, para dar um sinal à prima Maria, mãe de Jesus, avisando-a que o bebê havia nascido, ergueu um mastro e acendeu uma fogueira para que pudesse ser vista à distância no deserto. 
Maria, em sua primeira visita ao bebê, levou uma capelinha, um feixe de palha seca, e folhas de manjericão perfumadas.  Por isso o mastro, a fogueira, balões e fogos, simbolizam a tradicional Festa Junina.
São João recebeu o nome de Batista devido à prática da purificação por meio da imersão na água, o  batismo. Ele, inclusive, batizou o primo, nas águas do Rio Jordão.
João era um pregador e falava de amor e do reino de Deus. Com seus discursos atacava também o domínio dos romanos, na época um Império, e ainda expunha a vida íntima bastante conturbada do Rei Herodes. As palavras, obviamente, desagradavam os poderosos. Acabou preso em uma fortaleza por 10 meses e, depois,  decapitado pelo rei,  atendendo aos caprichosos pedidos de Salomé, a filha da rainha Herodíades.
Um fato curioso é o nome de São João Batista ser citado nas três principais religiões: O Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo. 
Para celebrar este dia tão feliz, nada como comemorar a Festa Junina com quadrilha, fogueira, quentão e pipoca, entre outras guloseimas, animados por algumas cantigas populares em nome do santo. Mas nada de balão, pois, sabemos, eles são extremamente perigosos para o meio-ambiente!
Capelinha de Melão
Autor: João de Barros e Adalberto Ribeiro
Capelinha de melão, é de São João.
É de cravo, é de rosa, é de manjericão.
São João está dormindo, não me ouve não.
Acordai, acordai, acordai João.
Atirei rosas pelo caminho, a ventania veio e levou.
Tu me fizeste com seus espinhos uma coroa de flor.
Pedro, Antônio e João
Autor: Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago
Com a filha de João, Antônio ia se casar,
Mas Pedro fugiu com a noiva, na hora de ir pro altar.
A fogueira está queimando, o balão está subindo,
Antônio estava chorando, e Pedro estava fugindo.
E no fim dessa história, ao apagar-se a fogueira,
João consolava Antônio, que caiu na bebedeira.
Cai, cai, balão
Cai, cai, balão… Cai, cai, balão.
Aqui na minha mão. 
Não vou lá, não vou lá, não vou lá.
Tenho medo de apanhar. 
Balãozinho
Venha cá, meu balãozinho, diga aonde você vai.
Vou subindo, vou pra longe, vou pra casa dos meus pais.
Ah, ah, ah, mas que bobagem.
Nunca vi balão ter pai.
Fique quieto neste canto, e daí você não sai.
Toda mata pego fogo, passarinhos vão morrer.
Se cair em nossas matas, o que pode acontecer.
Já estou arrependido, quanto mal faz um balão.
Ficarei bem quietinho, amarrado num cordão.
Sonho de papel
Autor: Carlos Braga e Alberto Ribeiro
O balão vai subindo, vem caindo a garoa.
O céu é tão lindo e a noite é tão boa. 
São João, São João! Acende a fogueira no meu coração.
Sonho de papel a girar na escuridão
soltei em seu louvor no sonho multicor.
Oh! Meu São João.
Meu balão azul foi subindo devagar
O vento que soprou meu sonho carregou.
Nem vai mais voltar. 
Pula a fogueira
Autor: João B. Filho
Pula a fogueira Iaiá, pula a fogueira Ioiô.
Cuidado para não se queimar, olha que a fogueira já queimou o meu amor.
Nesta noite de festança, todos caem na dança alegrando o coração.
Foguetes, cantos e troca na cidade e na roça em louvor a São João.
Nesta noite de folguedo, todos brincam sem medo, a soltar seu pistolão.
Morena flor do sertão quer saber se tu és dona do meu coração
Olha pro céu, meu amor
Autores: José Fernandes e Luiz Gonzaga
Olha pro céu meu amor
Veja como ele está lindo
Olha praquele balão multicor
Que lá no céu vai sumindo
Foi numa noite
Igual a esta 
Que tu me deste
O teu coração
O céu estava
Todinho em festa
Pois era noite de São João
Havia balões no ar
Xote e baião no salão
E no terreiro o seu olhar
Que incendiou meu coração.

Leia Mais: http://www.gazetadebeirute.com/2013/06/24-de-junho-dia-de-sao-joao-batista-o.html#ixzz35Z2uA0Fp

 

Um momento de idílio, por um filho de Olhos d’Água

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No programa com Wilson Dias levado ao ar em fevereiro Rolando Boldrin contou causos e divertiu a plateia com sua irreverência

Ah, o Brasil, historicamente conhecido por tantas mazelas. Ah, mas por este imenso território de tortezas e torpezas afora, também há sutilezas, manifestações e pessoas muito ricas, cujos seus talentos e simplicidade ainda nos permitem saborear algum idílio. E um momento de rara poesia e de comunhão curtiu quem sintonizou Sr. Brasil e conferiu a apresentação do violeiro Wilson Dias no programa de Rolando Boldrin. Para começar muito bem a conversa e a cantoria, Boldrin declamou em um púlpito da Catedral da Sé (colocado no ar por meio de uma imagem recuperada dos arquivos da TV Cultura) poema em homenagem aos 460 anos da cidade de São Paulo. Wilson Dias é nativo de Olhos d’Água, cidade mineira que já chamou-se Miradouro e Mãe d’Água, cantor e compositor que tive a honra de conhecer e encheu meus olhos de água cantando “Deus é violeiro”. A obra prima é dele e do amigo, mestre, jornalista, poeta e fotógrafo João Evangelista Rodrigues.

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O mineiro de Olhos D’Água apresentou músicas em parceria com Evangelista Rodrigues e homenageou Cesaria Évora, cantora do Mindelo, em Cabo Verde

E não foi só! Afora os causos, aqueles temperos que o Boldrin e os convidados sempre acrescentam para deixar o Sr.Brasil ainda mais maneiro, com aquele gostinho de que precisamos urgentemente voltar a nos dedicar ao que é simples, ao que é mais humano (uma vida na roça, eu diria, em pegada carpe diem, não de correria e de sufoco no trânsito, empacado no túnel sob a Faria Lima; e a volta ao prosaico antes que a corredeira, o abismo água abaixo da vida surja à proa!), Wilson Dias ainda cantou “Anjo Negro”, dele e de Miguel Canguçu, e “Canção do Além Mar”. A letra desta é dele e de Evangelista Rodrigues, grata homenagem à cabo-verdiana Cesaria Evora (Mindelo, 27 de agosto de 1941 — Mindelo, 17 de dezembro de 2011). As três músicas integram “Lume”, mais recente disco de Wilson Dias, o sexto da carreira.

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Rolando Boldrin apresenta “Lume”, sexto disco da carreira do violeiro autor da canção “Deus é Violeiro”, com letra de Evangelista

O programa foi ai ar em 23 de fevereiro. Com Wilson Dias tocaram Augusto Cordeiro (violão), Gladson Braga (percussão) e Rodrigo Salvador (rabeca e bandolim). Para os que não tiveram a oportunidade de assistir e ouvir, basta clicar nos linques abaixo!

http://tvcultura.cmais.com.br/srbrasil/videos/deus-e-violeiro-por-wilson-dias-e-joao-evangelista-rodrigues-sr-brasil-23-02-14

http://tvcultura.cmais.com.br/srbrasil/videos/anjo-negro-por-wilson-dias-e-miguel-cangussu-sr-brasil-23-02-14

http://tvcultura.cmais.com.br/srbrasil/videos/cancao-de-alem-mar-por-wilson-dias-e-joao-evangelista-rodrigues-sr-brasil-23-02-14

Tita Parra participa de concertos para gravar “Violeta Terna e Eterna”

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Tira Parra, neta da chilena Violeta Parra, um dos ícones da cultura latino-americana, subirá ao palco da Casa de Francisca nos dias 27 e 28 de junho. Em suas duas apresentações, Tita estará acompanhada dos músicos Carlinhos Antunes (cordas do mundo e voz), Sarah Abreu (voz e pesquisa), Danilo Penteado (piano, acordeom, cavaco e voz), Rui Barossi (baixo acústico e voz), Maria Beraldo Bastos (clarinete e voz), Beto Angerosa (percussão e voz) e Gabriel Vieira (violino), a partir das 22 horas. Os concertos fazem parte do projeto do sexteto que busca por meio de financiamento coletivo utilizando-se da plataforma Catarse gravar o álbum “Violeta Terna e Eterna”.

http://www.youtube.com/watch?v=6b9zAWR5rmc

 

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Os concertos com Tita Parra são parte do projeto de gravação de um álbum em homenagem à avó Violeta (foto acima)
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Sarah Abreu e Carlinhos Antunes estão à frente de “Violeta Terna e Eterna”, abraçado pela Catarse