Lume de Olhos d’ Água, pedra de encanto e de belezas

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Exemplar de “Lume”, lançado em BH, em novembro de 2013, autografado com carinho pelo querido Wilson Dias

 

Resgato do meu Facebook este texto de novembro de 2013:

Olha ai, galera, o que me esperava em casa quando cheguei do trabalho hoje: O novo álbum do violeiro Wilson Dias,Lume“, o sexto da carreira! O disco, que estou curtindo agora, foi feito em parceria com a querida Déa Trancoso, o talentoso e multinstrumentista André Siqueira e ainda tem a participação de Ná Ozetti, entre outros músicos de primeira. Muitas das letras são de autoria do Wilson com o João Evangelista Rodrigues, com o qual o mineiro de Miradouro (antiga Olhos d’Água) já trabalhou em “Pote“, ainda com o acréscimo do Pereira da Viola para deixar aquela obra mais bela! Wilson Dias está, atualmente, em Belo Horizonte, onde lançará “Lume”, oficialmente, na noite de quarta-feira, 20 de novembro, no Sesc Palladium. Toda esta gente boa citada nas linhas acima lá estará. Eu também estaria caso não tivesse por aqui minhas obrigações profissionais, que pena!

Meu exemplar de “Lume” baixou aqui autografado, e não veio só, não! No mesmo pacotim que os Correios entregaram acompanhavam-no um exemplar de “Outras Estórias” e de “Pequenas Histórias“, primeiros trabalhos do Wilson Dias, para completar minha coleção dele que já tinha “Mucuta” e “Picuá“, além de “Pote” e o “Viva Viola” — este reunindo timaço no qual ele compartilha o palco com Pereira da Viola, Bilora, Joaci Ornelas, Gustavo Guimarães e ainda Chico Lobo, uau, uai!

Bom, agora, se os amigos me dão licença, vou curtir estas preciosidades, ouvi-las até enjoar, se isto, claro, for possível. Obrigado Wilson Dias, Déa Trancoso, André Siqueira, Pedro Henrique Gomes, Nilce e pessoal da Picuá Produções! Parabéns a todos por mais esta pedra preciosa, repleta de luz e belezas, de lume, propriamente dito. Casa cheia os aguarde e os aplauda na quarta-feira, em BH, queridos. E que este “Lume” alumie por aqui, e por acolá também!

Nota: “Deus é violeiro”, de Wilson Dias e do João Evangelista Rodrigues, abre o Lume: assista aqui a apresentação dela ao programa Sr. Brasil, de Rolando Boldrin:

Marcelino Lima, Wilson Dias e Katya Teixeira, após show dele no SESC Consolação (agosto 2013). Na plateia estiveram ainda Levi Ramiro e Julio Santin.
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Às margens do Ipiranga, a viola plácida de Levi Ramiro

Puxe a cadeira, estique as pernas, acomode-se: quando Levi Ramiro toca ele é orgânico, os sentidos se aguçam. É possível ouvir o correr sereno de um regato, traz o cheiro do mato nas cordas da viola e se sente na pele o arrepio do vento cortando invernadas.

Levi Ramiro, SESC Ipiranga,  Roberto Correa, Ricardo Vignini e Zé Helder,Orquestra Paulistana de Viola Caipira, Wilson Dias, Paulo Freire, João Arruda, Luciano Queiróz e Katya Teixeira.

Para pedir bis mais de 14 vezes

Flávio Venturini (Fotos de Marcelino Lima, SESC Itaquera, abril de 2014)
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Sérgio Magrão

A tarde fria de outono, mas com um sol gostoso, de 27 de abril, ficou marcada pela passagem da banda mineira 14 BIS pelo palco do belíssimo SESC Itaquera. Cresci ouvindo este grupo que tem um estilo característico e único de tocar rock e baladas e, até hoje, já rumando para os 51 anos, ainda curto os caras!  A formação atual reúne Cláudio Venturini, Sérgio Magrão, Vermelho e o batera Hely Rodrigues (o Flávio Venturini seguiu para carreira solo há tempos). Era aniversário do Vermelho e ele ganhou um retrato dele de presente, pintado no calor da apresentação, enquanto os músicos faziam arrepiar a pele da galera sentada no barranco ou em pé defronte ao palco relembrando a maioria dos sucessos gravados desde 1979, quando o 14 Bis botou o pé na estrada.

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Vermelho, aniversariante do dia

Vale a pena registrar ainda o show a parte do Cláudio Venturini com magníficos solos, e saltos no ar, de costas, da bateria do Hely! O amigo toca demais e, ao final de Linda Juventude, a música escolhida para o apoteótico encerramento, ele ainda arremessou a guitarra por sobre a cabeça do Magrão. Foi lindo ver o instrumento viajando pelo ar até cair, suave, seguro e bem amparado nas mãos de um dos assistentes do palco!

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Hely Rodrigues

O repertório teve para lá de quinze músicas e começou com Carrossel. Venturini e Magrão cantaram ainda (não nesta ordem) Bandeiras; Canção da América; Caçador de Mim; Planeta Sonho; Velha Canção Rock’n Roll; Nos bailes da vida; Canções de Guerra; Perdidos em Abbey Road; Nave de Prata; Nova Manhã, Mesmo de Brincadeira; Natural; Espanhola; Ainda é cedo; Mais uma vez; Todo azul do mar; O fogo do teu olhar; e até O sal da terra, do Beto Guedes.

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Cláudio Venturini no fantástico solo de Nave de Prata

Depois de tudo, ainda emocionado e tocado por tantas lembranças, chegou a hora da tietagem. Enquanto tirávamos fotos com os dois, o Venturini me informou que dentro de mais ou menos dois meses ele, o mano Flávio Venturini e o Sá & Guarabyra vão lançar um álbum chamado “Encontro Marcado” somente com faixas deles consagradas pelo público.

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O público cantou e dançou com entusiasmo durante o show do 14 BIS (Fotos de Marcelino Lima, SESC Itaquera, abril de 2014)

Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc cantam em programa do Terra Viva

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Rodrigo Zanc e Cláudio Lacerda entraram ao vivo para o quadro “Diversão e Arte”, do “Dia a Dia Rural” (Marcelino Lima)

Os cantores Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc participaram na manhã da sexta-feira, 13 de junho, do programa “Dia a Dia Rural”, ancorado por Tavinho Ceschi, no canal Terra Viva, emissora do grupo Bandeirantes. Ao vivo, eles cantaram “Triste Berrante”, de Adauto Santos e Solange Maria; “Chuá Chuá”, de Tonico e Tinoco; e “Bons Amigos”, de N.Ribeiro, M.Rivas, B. Rivas, L. Fraia. J. Reis. As duas primeiras fazem parte do repertório dos shows que Lacerda e Zanc escolheram para homenagear a dupla “Pena Branca e Xavantinho” em tributos que ambos vêm fazendo desde janeiro de 2010, quando, ainda ao lado de Pena Branca, iniciaram no SESC Pompeia uma série de apresentações baseadas em clássicos imortalizados pelos irmãos cujos nomes eram José Ramiro Sobrinho e Ranulfo Ramiro da Silva, respectivamente.

Tavinho Ceschi apresenta ao público do Terra Viva o álbum “Fruto da Lida”, que Zanc lançou em 2013 (Marcelino Lima)

Pena Branca (José Ramiro) morreria pouco mais de um mês depois, em 10 de fevereiro daquele ano. Xavantinho havia falecido em 8 de outubro 1999. O projeto, entretanto, foi mantido: Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc seguem levando a poesia da dupla que transformou em sucessos do universo caipira e regional composições como “Cio da Terra”, de Chico Buarque e Milton Nascimento, e “Vaca Estrela e Boi Fubá”, de Patativa do Assaré, entre outras.

Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc também formam com Wilson Teixeira e Luiz Salgado o grupo “4 Cantos”. Em carreira solo, Lacerda já gravou “Alma Lavada” (2003), “Alma Caipira” (2007) e “Cantador” (2010). Zanc é autor de “Pendenga” (2006) e no ano passado lançou “Fruto da Lida”. Durante o programa “Dia a dia Rural”, Ceschi apresentou ao público “Cantador” e “Fruto da Lida”.

Linque para ver o vídeo da apresentação: http://tvterraviva.band.uol.com.br/noticia.aspx?n=717839

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Ao final da apresentação dos violeiros, Tavinho Ceschi fez questão de posar com a dupla. E ouviu, de presente, fora do ar, “Bandeira do Divino”, de Ivan Lins. (Marcelino Lima)

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Sá e Guarabyra na Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural Vergueiro (SP), durante participação especial no show de Luís Perequê com Katya Teixeira e Noel Andrade (Foto: Marcelino Lima, 1 de fevereiro de 2014)

Já embarquei muitas vezes no trem de Pirapora até Sobradinho, depois voltei pela Rio-Bahia comendo pirão de peixe com pimenta, tomando uma boa Januária. No meu coração de maçã ardendo, febre equatorial, o amor por uma certa dona. Não havia pedras em meu caminho, nem tempestades que me impedissem de voar, voar, virar pássaro e fugir — e, no outro dia de manhã, ao fim da viração, ter chegado ao mar do Japão… Eu, caçador de mim, sempre quis é ter uma casa no campo mais do que um caderno de viagem, e nada abandonado num passado que se fez com tanto sentimento, já que, volta e meia, você nota que não morreu, pois somos nada mais que gente. No entanto, sempre foi assim, sempre fui assim. E preciso te falar, eu preciso, eu tenho que te contar: desde pequeno eu estou por ai, na mesma vida que sempre aprendi, muchacha! Jamais tive medo de correr nesta estrada (ainda que com a poeira grudada em meu rosto), nem mesmo quando do céu ameaça cair a noite escura. E como hoje o dia parece tranquilo, e até há uma brisa soprando de leve, com flores e folhas se abrindo sem ser hora da alvorada, vou me danar a rir, olhar nos olhos do espelho e cair na dança. Feito um atrevido que desacata a própria mãe, minha espanhola! Então, para que chorar se te amo? A nave louca que descubra se Nova York é mais perto que o sertão! E que se queime, eu quero é mais ziriguidum-tchan!!

 

Sob a mesma “nuvem” raízes, pássaros e cantadores

Eita que dentro do novo disco do Levi Ramiro, “Capiau“, a frase “os dispostos se atraem”, do Fernando Anitelli, de “O Teatro Mágico”, consumou-se a mais pura verdade! Não é, moço, que na “alma” daquela esfera e no livreto do encarte couberam uma mata inteira de passarinhos variados, além de uma constelação de gente boa que transita no universo caipira e regional da música de raiz? Começa que as ilustrações do álbum em papel reciclado brotaram da pena da Katya Teixeira. E ela ainda solta aquela voz poderosa em duas das 15 faixas! Uma delas, “Encantado”, é dedicada a São Dércio Marques, cujo homem outrora encarnado já emplumou e, mais do que uma estrela, hoje se tornou imensa nuvem que arreúne muitos seguidores, envoltos em agradável sombra.cd-capiau

As letras de “Capiau”, quando não são do próprio Levi Ramiro (que enquanto canta e dedilha as próprias violas, próprias não por serem objetos dele, apenas, mas por ter sido ele mesmo quem as artesanou!) têm assinatura do poeta e jornalista João Evangelista Rodrigues, ou, ainda, de ambos em combinação. Se falha uma o parceiro é Wilson Dias, mineiro que de vez em quando me enche os olhos de água e que no disco também nos encanta em duas cantorias.

Vamos adiante porque a prosa e as modas prosseguem com participações de Carlinhos Ferreira, Marcos Azevedo, Carlinhos Campos. E fecha com aquele irrequieto e criativo menino de Campinas, o pequeno notável João Arruda! E está achando que pára por ai? Ah, pois vai ouvindo, vai ouvindo: você ainda vai dar por ali com o mestre Paulo Freire, Adriano Rosa, Gustavo Guimarães, Júlio Santin, Luciano Queiroz, Bilora Violeiro, Rodrigo Delage, Thadeu Romano e o bom amigo que está sempre a festejar conosco, Cláudio Lacerda.

Olha, aqui, vamos combinar uma coisa, amigo (a)? Nesta lista ainda há um monte de nomes a serem mencionados e não quero deixar ninguém sem o reconhecimento do seu mérito. Então, faça assim, oh: entre em contato com o Levi Ramiro, encomende o seu exemplar do “Capiau”, e aguarde pelo carteiro. De posse da caixinha, dê umas esfregadas nas mãos, leve o poeta para um cantinho sossegado da sala, ou do quintal. Acomode-se em sua cadeira preferida debaixo daquela árvore que te dá sombra e frutos, munido de um recém-coado bule de café, ou de um pouco daquela boa que te trouxeram das Gerais, de Goiás, da Bahia, do Piauí e de onde quer que seja estava reservada para uma ocasião especial. Antes de por o disco para rodar, leia todas as informações, prestando bastante atenção ao alerta do Evangelista e nas ilustrações da Katya Teixeira; isto, assim mesmo, sem afobação, com o passo das águas de um regato que corta os fundos de um sítio ou chácara e não precisa de pressa para correr, como sabiá que pousou no galho da laranjeira e não quer mais bater asas dali. Então, simplesmente escute e ouça…

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O violeiro e compositor Levi Ramiro reúne pássaros de vários timbres no álbum “Capiau”, que tem encarte preparado por Katya Teixeira, letras de João Evangelista Rodrigues e homenagem a Dércio Marques (Marcelino Lima, Campinas, março de 2014)