Luis Perequê ergue a voz e brada em defesa de Paraty e dos caiçaras

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Luís Perequê canta as belezas naturais, incluindo joaninhas, borboletas, peixes, mas abarca com seus poemas e letras reflexões ambientais que estão entre as mais debatidas na atualidade, como a preservação de matas, mares e de rios (Fotos de Marcelino Lima)

O Barulho d’Água Música acompanhou em 1o. de fevereiro a apresentação na sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural Vergueiro de Luís Perequê, ativista cultural, cantor e compositor de Paraty (RJ). Fundador do Instituto Silo Cultural, da Rede Caiçara de Cultura e do movimento Defeso Cultural, Perequê canta as músicas que se referem ao seu lugar e mais do que divulgar a bela ilha do litoral fluminense universaliza-se e espalha sonoridades e versos capazes de sensibilizar o público e levar a todos a uma viagem imagética pela sua cultura.

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Noel Andrade e Katya Teixeira têm em seus repertórios músicas do compositor de Paraty

Durante o show, Luís Perequê cantou músicas dos seus álbuns “Eu, brasileiro…”, “Tô brincando”, “Encanto Caiçara”, o primeiro da carreira, de 1992, e “Luís Perequê ao Vivo”, gravado em 2012 na sede do Projeto Tamar, em Ubatuba (SP). Nesta apresentação em São Paulo pela “Caravana Paraty”, Perequê homenageou o mestre Dércio Marques, falecido em 2012, cantando “Vem comigo”, canção que abre um dos mais recentes trabalhos de Katya Teixeira, “Feito de Cordas e Cantigas”. Katya Teixeira, por sinal, foi uma das convidadas de Perequê para esta passagem pela sala Adoniran Barbosa: ambos cantaram “Joaninha”, letra da qual ele é autor, e que ela gravou no álbum “Lira do Povo”.

O violeiro Noel Andrade, de Patrocínio Paulista, mas radicado na Capital paulista, também foi recebido por Perequê. No álbum “Charrua”, Noel Andrade gravou “Beira de Mar, Beira de Rio”, do anfitrião, com quem cantou em duo. Depois, Andrade e Katya Teixeira dividiram o palco e cantaram, entre outras canções, “N’umbigo da Viola”, faixa da qual ela extraiu dos versos do paratiense o título para “Feito de Cordas e Cantigas”.

Estandarte da Caravana Paraty

Perequê recebeu ainda a dupla Sá e Guarabyra, uma das mais antigas e cultuadas do país, que fundou junto com o já falecido Zé Rodrix lançou um estilo que ficou conhecido como “rock rural”. O carioca e o baiano, no entanto, vêm encantando gerações com canções que falam de amizade, de amor, de sonhos e de desejos, como lembrou Perequê, entre os quais por o pé na estrada e ter uma casa no campo.

No palco, Sá e Guarabyra cantaram com Perequê “O Pó da Estrada”. Depois, nas palavras de Sá, “algumas canções que vocês ainda não conhecem” como “Dona”, que fez parte da trilha sonora da novela “Roque Santeiro”, “Espanhola”, também conhecida na voz de Flávio Venturini. O ponto alto da noite viria a ser a apresentação de “Sobradinho”, do disco “Pirão de peixe com pimenta”, de Sá e Guarabyra, que eles cantaram junto com os demais músicos numa apoteose que levantou a plateia.

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Guarabyra, Perequê e Sá proporcionaram momentos de intensa energia no palco da sala Adoniran Barbosa e juntos, cantaram “Sobradinho”, da dupla convidada, levantando o público

Depois de tanta energia e emoção transbordando pela sala Adoniran Barbosa, Sá e Guarabyra voltaram aos violões para o bis e a despedida. “Caçador de mim”, de Sá e Sérgio Magrão, foi a canção escolhida. Ela faz parte do álbum homônimo de Milton Nascimento (1981) e também está entre os sucessos da carreira de Venturini quando integrava o conjunto 14 Bis.

 A Caravana Paraty promoveu ainda debates, espetáculos de danças, exposição de bonecos e máscaras de Paraty, exibiu vídeos e documentários, utilizando-se também do salão do antigo Cine Olido, na avenida São João. Perequê, no dia primeiro dia de atividades, fez parte da mesa de debates sobre o movimento que discute a cultura e seus atuais desafios nas cidades turísticas (ao lado de Antônio Carlos Diegues, Bruno Tavares e Mauro Munhoz, com mediação de Anna Cecília Cortines). O show no começo de fevereiro, além dos artistas mencionados que ele convidou, teve na plateia as presenças dos cantores, compositores e produtor cultural Carlinhos Antunes e Consuelo de Paula.

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Cantora e compositora, Consuelo de Paula, autografando um disco da blogueira Andreia Beillo, fez parte da plateia que aplaudiu Luís Perequê

Madrugada se levanta, canta galo, tudo canta…
Beira de mar, Mata Atlântica!
Suave canção de aves, cheiro de erva pisada,
Trilha, trabalho, renda de orvalho,
Tramam tratores, novas estradas.
É a mentira do progresso mudando o rumo dos versos
Casa de aves e ervas, virando areia e deserto
Matas mortas, morros calvos e os corvos cuidam do resto
O povo vence o grileiro, mas não vence os projetos
Da mentira dos políticos mascarados, desonestos.
No canto bravo do Sono, vou deixando um manifesto
Adeus, adeus curupira, caipora e insetos
Os guardiões naturais não têm armas pro concreto
Mata Atlântica te levanta, deixo meu peito aberto
Pra te guardar na lembrança, pra te contar pros meus netos
No registrar dos meus olhos vou te cantar nos meus versos
Se pudesse eu te dava as asas do pensamento
Quem sabe te guardaria do jeito que eu te penso
Criando os teus nativos, crescendo no teu silêncio
Bem longe desses projetos de pseudo crescimento
Que prometem melhoria e trazem arrependimento
Porque vem os condomínios com o fascínio do dinheiro
E o pescador troca a rede pela colher de pedreiro
Depois só volta na praia de gari ou faxineiro
A estrada do político não foi feita pro roceiro
Só serve pra o levar no dia de ir limpar o lixo dos forasteiros
E a cultura é esmagada, como se deu tantas vezes
Trocamos trovas da roça por batuques e farofas
Ou silêncio pros burgueses
E assim começa outra história porque é o fim da estrada
Não tem matas, não tem aves, não tem ervas, não tem nada
Tem uma cerca, um portão, um caiçara de farda
E uma placa, atenção: É PROIBIDO A ENTRADA

“Aves e Ervas”,  poema de protesto contra a exploração turística meramente voltada para a exploração comercial e imobiliária de Paraty, declamado por Perequê entre as músicas do show de 1o. de fevereiro
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Duo Catrumano abre em julho projeto do SESC Osasco de valorização da viola caipira

 SESC de Osasco divulgou as atrações que o público poderá curtir nas noites de quinta-feira do mês de julho pelo projeto “Caldos com Sabores Brasileiros”, cujas apresentações ocorrem no Deck da Cafeteria, a partir das 19 horas. A lista começa com uma dupla formada por Rodrigo Nali e Elias Kopack, que integram o Duo Catrumano, programado para o dia 3. Nali e Kopack foram alunos de Ivan Vilela e, regidos pelo mestre, compuseram a Orquestra Filarmônica de Violas de Campinas, uma das mais premiadas do gênero.

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Capa do primeiro álbum, de 2010, premiado em 2013

Antes da entrada de Kopack, o Duo Catrumano contava com a participação de Anderson Batista. Com o novo integrante, veio em 2010 a gravação do primeiro álbum, batizado com o nome artístico e que rendeu aos autores o troféu de um dos três melhores discos instrumentais de 2013, conferido pelo Instituto Brasileiro de Viola Caipira, promotor em junho do 3º. Prêmio de Excelência de Música de Viola. 

A estatueta não foi entregue à toa, em noite memorável para quem esteve no Memorial da América Latina. O Duo Catrumano procura neste trabalho  explorar as possibilidades da viola caipira ao máximo. A utilização do instrumento que guarda estreita relação com a brasilidade e ao mesmo tempo soa universal proporcionou arranjos e interpretações refinadas dos clássicos da música de raiz brasileira. Nali e Kopack souberam aproveitar as múltiplas influências do rico universo da dama de dez cordas para realizar arranjos de sonoridade única. 

 O ouvinte delicia-se ao por o álbum para tocar, nota o requinte das linhas melódicas de cada uma das 12 faixas que valorizam ritmos e ricas harmonias do cancioneiro brasileiro, todas apresentadas por meio de uma ampla diversidade de texturas e nuances. O repertório conta com interpretações de composições de Tião Carreiro, Almir Sater, Ivan Vilela, Levi RamiroUlisses Rocha, Zeca Collares, e Renato Andrade, entre outros.

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Elias Kopack e Rodrigo Nali receberam o troféu do Prêmio Rozini no Memorial da América Latina (Foto: Marcelino Lima)

Em uma das páginas do encarte, Ivan Vilela escreve sobre o contentamento que sentiu ao curtir o Duo Catrumano. “Uma das coisas mais gratificantes da vida é ver os amigos crescerem e caminharem cada vez mais adiante”, observou Vilela. Em outro trecho do depoimento, o mestre apontou que “é também mágico observar como devolvem ao mundo com gratidão, através da música, todas as impressões que fixaram no tempo de aprendizado”.

Os pupilos, prossegue Ivan Vilela, foram eficazes em buscar “a nota certa, o som exato, a expressão adequada”. Por fim, ele considera o primeiro trabalho de Nali e Kopack “uma madura interpretação de ambos” de uma seleção de músicas bem escolhidas, composições densas, arranjos onde não sobra e não falta nenhuma nota, todas na medida exata. “São quatro mãos em ofício de encantamento (…) qual irmãos, encantados numa só busca, a de quem soma e com isso inebria a quem ouve.”

Programação do “Caldos com Sabores Brasileiros”, sempre a partir das 19 horas, com entrada franca. O SESC de Osasco fica na rua Sport Club Corinthians Paulista, 1.300, jardim das Flores, ao lado do campus da Universidade Federal

3 de julho – Duo Catrumano
10 de julho – Trio Carreiro
17 de julho – Anderson e Rodrigo Nali
24 de julho – Paulo Freire
31 de julho – Levi Ramiro
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A dupla do Duo Catrumano vai abrir a programação de julho do projeto do SESC Osasco “Caldos com Sabores Brasileiros” apresentando músicas do primeiro disco(Foto: Giancarlo Gianelli)

 

Neymar Dias e Toninho Ferragutti tabelam viola e sanfona com maestria e regravam clássicos caipiras

O encontro do acordeom de Toninho Ferragutti e a viola caipira de Neymar Dias resultou em “Festa na Roça”, alusão ao óleo sobre tela de José Antônio da Silva, pintado em 1957 (Fotos de Laura del Rey)

A releitura de clássicos da música caipira e regional exige cuidados e atenção às composições originais, mas via de regra se a tarefa couber a músicos que têm compromissos com a arte e com preservação das memórias e sentimentos coletivos em detrimento do mercado, raramente deixam de resultar em boas gravações, em álbuns que reafirmam a beleza e a diversidade sonora e de ritmos destas duas vertentes.

Expoentes da viola caipira e do acordeom, Neymar Dias e Toninho Ferragutti tabelaram com maestria neste sentido e produziram para o selo Borandá “Festa na Roça”. Lançado no primeiro semestre, o álbum ainda tem status de novidade e é difícil encontrá-lo nas lojas. Quem tiver a sorte sem precisar recorrer à compra on-line, experimentará no ato da audição como pode ser delicioso o ambiente das tradicionais quermesses e outras confraternizações que, nesta época, levam muita gente aos terreiros para compartilhar uma noite em torno da fogueira, assando milho ou batata doce com o calor das brasas, sorvendo goles reanimadores de quentão, testando o charme ao tentar fisgar uma prenda ou um peão a quem se enviou um correio elegante.NEymar Toninho 2a

Neymar Dias e Toninho Ferragutti tinham em mente utilizar percussão e violão, entre outros instrumentos,. Contudo, já no estúdio, após consumarem a gravação da abre-alas “Boiadeiro Errante” (Teddy Vieira) optaram por tocar a empreitada adiante apenas com as dez cordas e a sanfona. Ao final dela, o duo terminou por legar ao público e à cultura caipira uma singela homenagem. As treze músicas do repertório, todas executadas em versão instrumental com pequenos arranjos que acrescentam dinâmicas e sonoridades diferenciadas, embora conservando a força da simplicidade melódica, já embalaram sonhos, alimentaram saudades, modificaram planos pessoais, foram cantadas por muitos de nós e de nossos antigos ao pé do rádio ou em rodas entre amigos, fizeram parte de trilhas sonoras no cinema.

“Festa na Roça” traz, além de “Boaideiro Errante”, marcos de todos os tempos como “Rio de Lágrimas”, que entrou para o cânone do gênero como “Rio de Piracicaba”; “Menino da Porteira”, “Amargurado”, “De papo pro ar”, “Chico Mineiro” e “Tristeza do Jeca”. “Olímpico”, dos pomares de Ferragutti, a única que ainda não integrava esta plêiade, encontrou um lugar no arraial e agora também tende a se tornar imorredoura. Que meus netos tenham esta sorte!

“Muitos que regravam esses clássicos caipiras não respeitam sua verdadeira estrutura”, ponderou Ferragutti em uma entrevista para o blog “Divirta-se, uai!”. O acordeonista lembrou durante a conversa que tanto ele, como Neymar Dias, tiveram a delicadeza “de não mexer em melodias que estão no inconsciente do brasileiro”. Sem alterações harmônicas, “tocamos as músicas com propriedade, respeitando integralmente as características das canções. Acrescentamos algumas dinâmicas, mais no sentido da interpretação. Como mexer em Tristeza do Jeca?”.

Neymar Dias, por sua vez, contou que apesar da formação eclética de ambos, “o repertório sempre esteve em nosso consciente, pois crescemos ouvindo música sertaneja de raiz. Fazer um disco resgatando esses clássicos caipiras já rondava nossas cabeças fazia um tempo”. Em seguida, o violeiro deixou uma boa notícia para os admiradores da parceria: “Gostamos tanto do projeto e é tão bom fazer música com Toninho que já temos vontade de lançar um volume dois. Se fôssemos fazer um disco de todas as músicas caipiras que a gente gosta e respeita, daria um de 180 músicas. Então, vamos fazendo aos poucos.”

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Toninho Ferragutti e Neymar Dias preservaram a harmonia original dos clássicos que regravaram para não macular músicas que fazem parte da memória afetiva do Brasil

 

 

 

Tavinho Moura volta a gravar e fãs ganham “Minhas Canções Inacabadas”

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Na apresentação de novembro de 2013 Tavinho Moura relembrou ao violão clássicos da carreira ponteada por sucessos como “Paixão e Fé” e “Peixinhos do Mar” (Fotos Marcelino Lima)

Para deleite de muitos admiradores e daqueles que gostam de música de qualidade, o cantor e compositor Tavinho Moura encerrou um período de três anos sem gravar, voltou ao estúdio e lançou neste ano “Minhas Canções Inacabadas”. O mineiro de Juiz de Fora, cidade da Zona da Mata, atendeu ao pedido de Henrique Santana, dono da “Poleiro D’Angola Estúdio e Escola” e brindou o público com 13 faixas, entre as quais “Como Vai Minha Aldeia”, dele e de Márcio Borges, que integra também o “bolachão” homônimo de 1978, e “Confidências do Itabirano”, parceria com Carlos Drummond de Andrade baseada no célebre poema do conterrâneo “Itabira é apenas uma fotografia na parede./Mas como dói!” A amizade com Fernando Brant também está contemplada em “Minhas Canções Inacabadas”, por meio da faixa “Peixe Vivo” , entre outras maravilhas que Tavinho apresenta em voz limpa e afinada, com vocais, violões, violas e arranjos dele próprio, conforme destaca Chico Amaral no livreto do encarte.

SCAN0002Tavinho, durante o tempo sem novidades para o mercado fonográfico, não ficou pescando ou curtindo a vida merecidamente em outra atividade de lazer ou de entretenimento pessoal. Ao contrário, pescou em outras águas nas quais aprimorou a fértil vertente de compositor e de escritor, além de fotógrafo, para produzir os livros “Maria do Matué- Uma estória do Rio São Francisco”, que saiu com o álbum “Rua do Cachorro Sentado” encartado na terceira capa, e “Pássaros Poemas – Aves da Pampulha”, este um magnífico registro de imagens de aves que habitam a lagoa do Parque da Pampulha, em BH.

O hiato também foi preenchido com vários shows, um dos quais o blog Barulho d’Água presenciou, em 30 de novembro de 2013, na Biblioteca Municipal Alceu Amoroso Lima, situada em Pinheiros, bairro da zona Oeste paulistana. À capela, ao som do seu tinhoso violão, Tavinho Moura cantou e tocou ao lado do companheiro do “Clube da Esquina” Fernando Brant canções consagradas da carreira de ambos tais quais “Encontro das Águas”, “Paixão e Fé”, “Cálix Bento”, “Peixinhos do Mar”, “Em volta do fogo”, “Gente que vem de Lisboa”, “Noites do meu sertão” e “A grande graça”. Naquela ocasião em São Paulo, Brant ainda autografaria exemplares do livro “Casa Aberta”, uma reunião de crônicas publicadas  no quinquênio encerrado em 2012 pelo jornal “O Estado de Minas”. No exemplar que adquiri, o autor parceiro de Milton Nascimento em “Travessia” escreveu acima do inestimável autógrafo “A vida é o melhor vinho, a vida é a melhor cachaça”, refrão de “A grande graça”, que fecha o álbum “Fogueira do Divino”. Ave, Brant, ave Tavinho, ora e viva!

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A dupla que faz parte do famoso “Clube da Esquina” também integra o universo literário. Tavinho, fotógrafo e escritor, escreveu “Maria do Matué” e Fernando Brant as crônicas de “Casa Aberta”
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A simpatia de Tavinho Moura é outra característica deste baluarte da cultura nacional, que tem ainda trilhas sonoras para filmes e documentários tais quais “Cabaré Mineiro”

 

De Cuiabá, Daniel de Paula, uma talentoso sopro de viola de cocho

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Daniel de Paula recebeu do IBVC uma das estatuetas da edição de 2013 do Prêmio Rozini (categoria “Outras Vertentes) pelo álbum que gravou tocando viola de cocho (Foto: Marcelino Lima)

Para a galera que curte música de viola, o Barulho d´Água Música apresenta Daniel de Paula, nascido em Tangará da Serra (MT), mas desde muito cedo residente na capital do estado, Cuiabá . Daniel de Paula toca viola de cocho, instrumento tombado pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) produzido na região da bacia do rio Paraguai, baixada cuiabana e Pantanal, incluindo os estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Singular quanto à sua forma e sua sonoridade, produzida de forma artesanal com matéria prima encontrada no ecossistema regional, a confecção se processa a partir de um tronco de madeira esculpido a seu formato peculiar e escavada na parte que vem a ser a caixa de ressonância. Em geral possui cinco cordas de nylon, em particular linha de pesca de vários diâmetros, cuja afinação varia entre os sistemas “canotio preso” e “canotio solto” “rio acima” e “rio abaixo”.

A habilidade de tocar este instrumento rendeu a Daniel de Paula uma das estatuetas do 3º Prêmio Rozini de Excelência de Música de Viola, em reconhecimento à gravação do disco  Lufada em Viola de Cocho, entregue em 17 de junho de 2013 no Memorial da América Latina pelo Instituto Brasileiro de Viola Caipira. O álbum foi agraciado na categoria Outras Vertentes e tem entre as faixas Papo de Viola, destacada para compor uma das obras primas do paulista  Levi Ramiro, Prosa na base do Ponteio. O mato-grossense também emplacou Curva de Rio entre os finalistas do 2 º Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola, de 2006, e a própria  Lufada em Viola de Cocho no Prêmio Syngenta anterior.

Confira nos linques abaixo como é o som da viola de cocho executada pelo próprio Daniel de Paula, cujo endereço para contato é danielvioladecocho@gmail.com

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Osni Ribeiro completa 50 anos

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Osni Ribeiro, filho de Botucatu, autor de músicas como “Realeza” e “Me chama que eu vou”

Hoje, 30 de julho, Botucatu está em festa pela comemoração dos 50 anos de um dos seus mais ilustres filhos, o cantor e compositor Osni Ribeiro. Atual secretário de Cultura da cidade onde já viveu Angelino de Oliveira, de “Tristeza do Jeca”, Osni Ribeiro já soma mais de vinte anos de carreira, assinando letras de sambas e de outros gêneros, embora tenha maior identidade no meio por seu cultivo da cultura caipira e sua exímia arte de tocar viola. É autor dos álbuns Gênesis” e “Beberibando” e algumas de suas mais belas criações podem ser curtidas abrindo o linque abaixo. Parabéns em nome do Barulho d’Água Música e dos nossos seguidores, Osni!

 

 

Subtotal grava com Edvaldo Santana álbum ao vivo

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O acervo do Barulho d’Água acaba de ser enriquecido com o álbum M.úsica P.ropositalmente B.izarra, enviado pelos manos Drausio e Douglas Silva, de Oz, nome pelo qual popularmente é conhecida Osasco, cidade da Grande São Paulo onde já comi muita grama, mas que tem talentos brotando em todas as áreas desde bem antes da chegada do trem trazido por Antonio Agu. Entre estes poetas, compositores e músicos oriundi estão os irmãos do Grupo Subtotal, que nos enviaram um exemplar do álbum e do DVD simultaneamente gravados ao vivo em agosto de 2012, no SESC Belenzinho. O trabalho é biscoito fino, com duas letras assinadas pelo Drausião em poemas com o saltimbanco Paulo Netho, parceiro do também músico Salatiel Silva no projeto “Balaio de Dois”.

Para tornar o trabalho ainda mais instigante, o Subtotal convidou Edvaldo Santana, camarada lá de São Miguel Paulista cuja obra retrata o cotidiano das periferias em sambas, baladas, rock, folk, blues e que neste blog vai sempre navegar na janelinha da canoa. Santana canta “Raios do Oriente Médio” e, depois, no encerramento, volta com “Quem é que não quer ser feliz”.

Tá dado o recado Douglas, Dráuzio, Gilberto Campos, Jurah di Anin, Marco Soledade (Pepito). Agora é degustar umas empadas e umas brejas lá no Sr. Glutton por conta do Sala e do Paulo Netho…

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Capa do primeiro álbum do Subtotal, gravado ao vivo, no SESC Pinheiros em agosto de 2012, com participação de Edvaldo Santana e letras do poeta Paulo Netho

 

Festa junina do Pinheiros recebe Wilson Teixeira

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Teixeira é autor de “Almanaque Rural” e um dos melhores violeiros da atualidade (Foto de Nalu Fernandes)

 

Um dos shows da festa junina deste ano do Esporte Clube Pinheiros deste domingo, 29 de junho, Dia de São Pedro, terá como atração o cantor e compositor Wilson Teixeira. O autor de “Almanaque Rural” desembarca de Americana (SP), onde tocou ontem com os irmãos Vinícius e Walter Bini para ocupar o palco a partir das 15h30. Geraldo Azevedo cantará em seguida a Teixeira, dono de promissora carreira que além do trabalho solo inclui, ainda, participação no projeto 4 Cantos e tributos a Tonico e Tinoco e a Cascatinha e Inhana, este em parceria com Sarah Abreu.

Além de comidas e brincadeiras típicas, há atrações musicais no arraial do Pinheiros, um dos maiores da cidade. O ingresso é vendido apenas aos associados e convidados.

Hoje é dia de louvar o pescador que virou o porteiro do Paraíso

Hoje, 29, é dia de louvor a mais um dos santos motivadores das festas caipiras do mês de junho. O reverenciado, desta vez, é São Pedro, um cara que em vida teria sido turrão, mas por cuja simplicidade, bondade e força Jesus se encantou a ponto de enxergar no pescador de Cafarnaum qualidades para ser a viga mestra de apoio à doutrina que pregava e o líder dos seus apóstolos. Assim, tornou-se o primeiro discípulo do carpinteiro nascido em Nazaré, e, de acordo com a fé popular, santo cujas barbas todos nós, fatalmente, iremos ver no dia em que tivermos de prestar contas de nossos atos terrenos. Ele possui a chave do reino do Céu e só abre o portão de entrada para o Paraíso a quem no balanço não apresentar a mesma sorte da maioria daqueles que mantém uma conta bancária.

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O pescador de Cafarnaum, que chamava-se Simão ao ser convocado por Jesus, tem na mão esquerda a chave do Paraíso e a atribuição de controlar as chuvas

São Pedro ainda seria o chefe da ACC (Agência Celeste de Chuvas), o controlador lá em cima das torneiras, mangueiras e chuveiros que despencam água cá em baixo, às vezes em volume tão intenso que, dependendo de onde se vive, a consequência é uma desgraceira só! Esta função, por sinal tem trazido muita dor de cabeça e rendido nos últimos meses injustas cobranças à sentinela cuja espada decepou uma das orelhas de um centurião romano encarregado de levar Jesus ao suplício. Pois é: Pedro virou Cristo de políticos que cochilaram durante a vigília, e, por falta de planejamento, não promoveram obras capazes de poupar a maior região metropolitana do país de uma seca que ainda pode vir a ser dos infernos! Nesta porção de São Paulo ameaçada de racionamento de água situa-se, por sinal, Carapicuíba, uma das cidades brasileiras que cultuam São Pedro como Padroeiro.

Álbum de estreia do “Vozes Bugras” está disponível em várias lojas

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O grupo Vozes Bugras surgiu em 2002 e já possui dois discos gravados, “Folia”, e “Vozes Bugras” (Foto: Ulisses Matandos)

Amigos: o grupo Vozes Bugras, formado por sete belas aves cantadeiras, lançou recentemente o álbum “Folia”, com show no teatro do antigo Cine Olido. Este é o segundo trabalho das meninas que estão juntas desde 2002 e têm como norte de pesquisas dos repertórios a valorização de canções, contos, ritos, mitos e lendas que remetem à identidade mestiça brasileira. É uma delicada tarefa, por meio da qual  se busca renovar a cada apresentação o sentido de rituais ancestrais, celebrando a riqueza e a diversidade de nossas raízes culturais, e promover a reflexão sobre o sagrado e o feminino no nosso legado cultural.

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Cada do primeiro CD

“Folia” antecede o abre-alas “Vozes Bugras”, que ao ser gravado contou com participação especial de alguns instrumentistas, a percussão do Barbatuques, a craviola de Stenio Mendes e a voz de Marcelo Pretto. Sobre ele, um aviso: elas não dispõem mais de cópias para venda direta, mas o disco pode ser encontrado em várias lojas espalhadas pelo Brasil. Aqui em Sampa um endereço certo é o da Livraria da Vila da Fradique Coutinho, na Vila Madalena, e o da Cultura do Shopping Villa Lobos. Clique agora Vozes Bugras”, abra o linque com os endereços de todos os locais onde o álbum poderá ser localizado e entre as cantigas e canções ouça, por exemplo, a bela lenda da curumim tupi-guarani Mani, cujo pai despreza e acaba tornando-se alimento para a tribo, um dos mais belos mitos de nossa cultura.