Viva Santo Antônio!

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Hoje, 13, é dia de Santo Antônio, considerado por muitos, entre outros atributos, como capaz de providenciar casamentos. Santo Antônio é entre outras cidades do Brasil Padroeiro de Osasco, cidade da Grande São Paulo a 18 quilômetros da Capital.

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Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc cantam em programa do Terra Viva

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Rodrigo Zanc e Cláudio Lacerda entraram ao vivo para o quadro “Diversão e Arte”, do “Dia a Dia Rural” (Marcelino Lima)

Os cantores Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc participaram na manhã da sexta-feira, 13 de junho, do programa “Dia a Dia Rural”, ancorado por Tavinho Ceschi, no canal Terra Viva, emissora do grupo Bandeirantes. Ao vivo, eles cantaram “Triste Berrante”, de Adauto Santos e Solange Maria; “Chuá Chuá”, de Tonico e Tinoco; e “Bons Amigos”, de N.Ribeiro, M.Rivas, B. Rivas, L. Fraia. J. Reis. As duas primeiras fazem parte do repertório dos shows que Lacerda e Zanc escolheram para homenagear a dupla “Pena Branca e Xavantinho” em tributos que ambos vêm fazendo desde janeiro de 2010, quando, ainda ao lado de Pena Branca, iniciaram no SESC Pompeia uma série de apresentações baseadas em clássicos imortalizados pelos irmãos cujos nomes eram José Ramiro Sobrinho e Ranulfo Ramiro da Silva, respectivamente.

Tavinho Ceschi apresenta ao público do Terra Viva o álbum “Fruto da Lida”, que Zanc lançou em 2013 (Marcelino Lima)

Pena Branca (José Ramiro) morreria pouco mais de um mês depois, em 10 de fevereiro daquele ano. Xavantinho havia falecido em 8 de outubro 1999. O projeto, entretanto, foi mantido: Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc seguem levando a poesia da dupla que transformou em sucessos do universo caipira e regional composições como “Cio da Terra”, de Chico Buarque e Milton Nascimento, e “Vaca Estrela e Boi Fubá”, de Patativa do Assaré, entre outras.

Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc também formam com Wilson Teixeira e Luiz Salgado o grupo “4 Cantos”. Em carreira solo, Lacerda já gravou “Alma Lavada” (2003), “Alma Caipira” (2007) e “Cantador” (2010). Zanc é autor de “Pendenga” (2006) e no ano passado lançou “Fruto da Lida”. Durante o programa “Dia a dia Rural”, Ceschi apresentou ao público “Cantador” e “Fruto da Lida”.

Linque para ver o vídeo da apresentação: http://tvterraviva.band.uol.com.br/noticia.aspx?n=717839

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Ao final da apresentação dos violeiros, Tavinho Ceschi fez questão de posar com a dupla. E ouviu, de presente, fora do ar, “Bandeira do Divino”, de Ivan Lins. (Marcelino Lima)

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Sá e Guarabyra na Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural Vergueiro (SP), durante participação especial no show de Luís Perequê com Katya Teixeira e Noel Andrade (Foto: Marcelino Lima, 1 de fevereiro de 2014)

Já embarquei muitas vezes no trem de Pirapora até Sobradinho, depois voltei pela Rio-Bahia comendo pirão de peixe com pimenta, tomando uma boa Januária. No meu coração de maçã ardendo, febre equatorial, o amor por uma certa dona. Não havia pedras em meu caminho, nem tempestades que me impedissem de voar, voar, virar pássaro e fugir — e, no outro dia de manhã, ao fim da viração, ter chegado ao mar do Japão… Eu, caçador de mim, sempre quis é ter uma casa no campo mais do que um caderno de viagem, e nada abandonado num passado que se fez com tanto sentimento, já que, volta e meia, você nota que não morreu, pois somos nada mais que gente. No entanto, sempre foi assim, sempre fui assim. E preciso te falar, eu preciso, eu tenho que te contar: desde pequeno eu estou por ai, na mesma vida que sempre aprendi, muchacha! Jamais tive medo de correr nesta estrada (ainda que com a poeira grudada em meu rosto), nem mesmo quando do céu ameaça cair a noite escura. E como hoje o dia parece tranquilo, e até há uma brisa soprando de leve, com flores e folhas se abrindo sem ser hora da alvorada, vou me danar a rir, olhar nos olhos do espelho e cair na dança. Feito um atrevido que desacata a própria mãe, minha espanhola! Então, para que chorar se te amo? A nave louca que descubra se Nova York é mais perto que o sertão! E que se queime, eu quero é mais ziriguidum-tchan!!

 

Sob a mesma “nuvem” raízes, pássaros e cantadores

Eita que dentro do novo disco do Levi Ramiro, “Capiau“, a frase “os dispostos se atraem”, do Fernando Anitelli, de “O Teatro Mágico”, consumou-se a mais pura verdade! Não é, moço, que na “alma” daquela esfera e no livreto do encarte couberam uma mata inteira de passarinhos variados, além de uma constelação de gente boa que transita no universo caipira e regional da música de raiz? Começa que as ilustrações do álbum em papel reciclado brotaram da pena da Katya Teixeira. E ela ainda solta aquela voz poderosa em duas das 15 faixas! Uma delas, “Encantado”, é dedicada a São Dércio Marques, cujo homem outrora encarnado já emplumou e, mais do que uma estrela, hoje se tornou imensa nuvem que arreúne muitos seguidores, envoltos em agradável sombra.cd-capiau

As letras de “Capiau”, quando não são do próprio Levi Ramiro (que enquanto canta e dedilha as próprias violas, próprias não por serem objetos dele, apenas, mas por ter sido ele mesmo quem as artesanou!) têm assinatura do poeta e jornalista João Evangelista Rodrigues, ou, ainda, de ambos em combinação. Se falha uma o parceiro é Wilson Dias, mineiro que de vez em quando me enche os olhos de água e que no disco também nos encanta em duas cantorias.

Vamos adiante porque a prosa e as modas prosseguem com participações de Carlinhos Ferreira, Marcos Azevedo, Carlinhos Campos. E fecha com aquele irrequieto e criativo menino de Campinas, o pequeno notável João Arruda! E está achando que pára por ai? Ah, pois vai ouvindo, vai ouvindo: você ainda vai dar por ali com o mestre Paulo Freire, Adriano Rosa, Gustavo Guimarães, Júlio Santin, Luciano Queiroz, Bilora Violeiro, Rodrigo Delage, Thadeu Romano e o bom amigo que está sempre a festejar conosco, Cláudio Lacerda.

Olha, aqui, vamos combinar uma coisa, amigo (a)? Nesta lista ainda há um monte de nomes a serem mencionados e não quero deixar ninguém sem o reconhecimento do seu mérito. Então, faça assim, oh: entre em contato com o Levi Ramiro, encomende o seu exemplar do “Capiau”, e aguarde pelo carteiro. De posse da caixinha, dê umas esfregadas nas mãos, leve o poeta para um cantinho sossegado da sala, ou do quintal. Acomode-se em sua cadeira preferida debaixo daquela árvore que te dá sombra e frutos, munido de um recém-coado bule de café, ou de um pouco daquela boa que te trouxeram das Gerais, de Goiás, da Bahia, do Piauí e de onde quer que seja estava reservada para uma ocasião especial. Antes de por o disco para rodar, leia todas as informações, prestando bastante atenção ao alerta do Evangelista e nas ilustrações da Katya Teixeira; isto, assim mesmo, sem afobação, com o passo das águas de um regato que corta os fundos de um sítio ou chácara e não precisa de pressa para correr, como sabiá que pousou no galho da laranjeira e não quer mais bater asas dali. Então, simplesmente escute e ouça…

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O violeiro e compositor Levi Ramiro reúne pássaros de vários timbres no álbum “Capiau”, que tem encarte preparado por Katya Teixeira, letras de João Evangelista Rodrigues e homenagem a Dércio Marques (Marcelino Lima, Campinas, março de 2014)

 

 

Turcão restitui disco zoado por gato

Sérgio Turcão, que faz dupla com Jica, no palco do SESC Pompeia (Marcelino Lima)

O querido Sérgio Turcão, que forma com o amigo Jica uma das mais irreverentes duplas paulistas e do Brasil e que, juntos, também integraram o Tarancón na década dos anos 1970, restituiu à minha coleção de discos um título precioso, cujo exemplar anterior foi inutilizado por uma traquinagem de um dos meus antigos gatos: “Música de Relaxo”, o primeiro disco que eles lançaram, inicialmente pela Carambola Discos, e que agora ganhou nova tiragem com o selo da Tratore. Turcão salvou o acervo do Barulho d’água no camarim do teatro do SESC Pompeia em 4 de junho. Naquela noite, minutos antes, ele acabara de tocar com Daniel Franciscão e o convidado especial do programa Sr. Brasil, Lucas Ventania.

Classificar o estilo de Jica y Turcão seria algo impreciso demais. As faixas de “Música de Relaxo”, como eles mesmos indicaram no subtítulo, têm elementos “afrocaribenhalatinocaipirabrasileiros”, compostos em letras cujo tempero é o bom humor, a maioria escrita por ambos. A intenção é mesmo descontrair, e relaxar não necessariamente comporta aqui o sentido de esculachar. Dentro desta proposta, Jica y Turcão também readaptaram  marchinhas folclóricas como “Tororó”, da Bahia, e “La Cucaracha”, do México. Nesta sobrou até para a clássica “Chico Mineiro”. Cantada em italiano, a saga da última viagem para o sertão de Goiás virou “Francesco Minero”, com direito a referências a Rita Pavone e Nico Fidenco e Gino Paoli, entre outros cantores da Bota.

Capa de “Música de Relaxo”, da dupla Jica y Turcão, ambos ex-integrantes do Tarancón

Há no disco, ainda, cômicas alusões a algumas colônias de imigrantes cujos representantes elegeram Sampa para viver, como “Buxa o cordão”, cujas personagens são os libaneses Nagib e Salomão, “Melô do Portuga”, “Japa” e “Ai de mim”, cujo refrão é “ai de mim, ai de mim, eu fui passar o Carnaval em Berlim” onde quem toca o pandeiro é nada mais, nada menos, que o elegante Franz Beckenbauer, capitão da seleção alemã campeã do mundo em 1974.

Turcão e este blogueiro, no camarim do SESC Pompeia (Foto: Elisa Espíndola)

O repertório de “Música e Relaxo”, do qual se pode destacar, ainda, “Vinheta quem gosta”, e passeia por Paranapiacaba, Pindamonhangaba, Itaquaquecetuba, Pirassununga, Ituverarva e Aldeia de Carapicuíba, colocou o álbum entre os concorrentes ao Prêmio Sharp de 1996. A sátira e a paródia também são ingredientes básicos nos dois outros álbuns de Jica y Turcão, “Ord Music” e “Preto no Branco”.

 

O truta do Leminski e do índio que ri em câmera lenta

Edvaldo Santana é ZL na veia e traz em suas letras referências da cultura popular com toques que vão do blues ao reggae

Estou tocando sem parar desde março “Jataí“, sétimo CD de Edvaldo Santana, que recebi enviado diretamente por ele, com direito a um autógrafo!

Para quem ainda não o conhece, uma breve, mas suficiente informação: Edvaldo Santana é cantor e compositor da fervente e fervorosa cidade paulistana de São Miguel Paulista, é ZL na veia, na pele, no corpo, na alma. Poeta que ama a lua feito lobo solitário e usa o brilho dela para viajar, afinado com os passarinhos, sabe o tempo e o modo certos de podar rosas e de cultivar bromélias.

Capa da obra prima “Jataí”, o sétimo disco de Edvaldo Santana, com arte de Elifas Andreato

Edvaldo Santana bebe nas fontes de Baudelaire, Sérgio Sampaio e outros “malditos”, e com amigos fecha bares enquanto o papo rola no vapor. Nem santo, muito menos quem não presta, tem muito de blues, de folk, de rock … mas com a malemolência de quem chacoalha em trens do ramal Brás-Calmon Viana manda bem também nos sambas. Com bênçãos dos terreiros, umbanda e candomblé, dos manos, da vó que fazia comida pra toda a família.

Em suas músicas deste “Jataí” Edvaldo Santana alerta que é um “cara estragado pelo medo e pelo susto”, contudo não se enquadra no papel de pop star, não dá colher de chá, nem põe mel no cigarro de revistas mesquinhas; que sabe que cada mídia tem um lado e o que ele (convidado) vai falar, deixando o sujeito acabrunhado. Por isso (se) preserva e preza a independência, as posturas típicas de quem precisa driblar indiferenças e preconceitos, ginga típica de quem desde pivete precisa ralar na periferia mais distante dos centros (inclusive das atenções), mas bota fé no taco e, mesmo com quase todo mundo contra, leva muito em conta o que o próprio coração diz.

Quando tira a viola e o violão do saco, Edvaldo Santana canta pra um mundão que chega até além do Piauí de gente que joga fora o guardanapo e topa comer com a mão. “Quando Deus quer, até o diabo ajuda”, sabe. E assim vai seguindo dando certo um sujeito que acredita na franqueza, na liberdade que o orienta, que chegara ao mundo para dar errado mas conquistou a proteção do índio que ri em câmera lenta, venceu o temor pelos inimigos, mas sem perder a ternura e o tino.

A jornalista Teresa Albuquerque, do Correio Braziliense escreveu sua opinião sobre este guerrilheiro, samurai que aprendeu a costurar as próprias roupas quando as flores eram poucas, que seguiria o próprio destino sem dogmas e sem fé: “Edvaldo Santana é camarada de Tom Zé e Arnaldo Antunes. Assim como foi de Paulo Leminski, Haroldo de Campos e Itamar Assumpção (só para citar seus parceiros mais famosos)”.

O disco “Jataí”, ainda de acordo com Teresa, é o primeiro em que ES assina todas as faixas sozinho. Ai ela pondera e questiona: “achava que as letras chamavam a atenção porque eram escritas pelos parceiros? Que nada. As letras do novo CD (que vem com bela capa do artista Elifas Andreato) são muito boas. E as alquimias, como ele chama as misturas que faz — de blues, reggae, baião, xote, música cubana e o que mais vier à cabeça — continuam lá, assim como a voz rouca, ainda que em tom mais suave”.

Precisa mais? Então que tenha a palavra o próprio:

“Jataí tem uma sonoridade diferente dos outros discos que lancei. É semiacústico, mais baseado no meu violão. E a voz não está tão alta, dei uma suavizada”, comenta. “Continuo compondo com parceiros, claro. Mas, às vezes, as parcerias não batem com o momento que estou vivendo e acabam entrando em outro disco. Desta vez, quis gravar coisas bem minhas. Jataí tem muito do que estou pensando, do que estou sentindo.”

N.R.: Matéria publicada na revista eletrônica Kalang

2 Mares aporta em Centro Cultural da Lapa

Katya Teixeira

 O Centro Cultural de Estudos Superiores Authos Pagano, no Alto da Lapa (rua Tomé de Souza, 997, SP), recebeu em 29 de março Luiz Salgado e Katya Teixeira para apresentação de pré-lançamento do álbum “2 Mares“, em mais uma edição do projeto “Conversa Com Verso”. O disco ambos produziram recentemente, pela Catarse, plataforma que recolhe contribuições coletivas pela internet para financiamentos de projetos culturais (crowfunding). Se ambos, normalmente, já são muito bem humorados e talentosos, imagine quando eles ficam juntos! 2 mares

A proposta de trabalho em conjunto e a cuidadosa pesquisa sobre as raízes de Brasil e de Portugal, arrematada após árdua produção que envolveu artistas como Consuelo de Paula e Rolando Boldrin só poderia dar ótimos resultados. O “2 Mares” esteve cotado para receber um dos prêmios de melhor disco de 2014 (ô loco, meu: mas este é aquele para valer, viu, galera, não tem nada a ver com o que desmoralizou tanta gente de qualidade e que tem grandes méritos e trampo de verdade por trás!). E, em breve, deverá ganhar uma versão em DVD (com as bênçãos de São Gonçalo do Amarante, ora e viva!).

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Luiz Salgado

Estas novidades, além da maioria das faixas do disco, entre outras adicionais da carreira solo de Luiz Salgado, animaram o público que prestigiou a dupla no Authos Pagano. Contribuíram para o ambiente de descontração e alegria, ainda, os causos populares e as histórias de bastidores e curiosidades sobre as gravações que ambos contaram.

 

Fotos: Marcelino Lima

 

 

Tributo à dupla Cascatinha e Inhana une Wilson Teixeira e Sarah Abreu

O cantor e compositor Wilson Teixeira gravou em maio participação no programa Sr. Brasil, do apresentador Rolando Boldrin (TV Cultura). O autor de “Almanaque Rural” ocupou o palco do teatro do SESC Pompeia ao lado de Sarah Abreu, com quem compartilha projeto de resgate e preservação da obra de Cascatinha e Inhana.
Wilson e Sarah cantaram no primeiro bloco do programa que ainda não tem data definida para ir ao ar. “Índia” foi a primeira música do repertório da consagrada dupla que ambos relembraram. Depois, a pedido de Boldrin, o publico ouviu “Meu primeiro amor”. A guarânia “Colcha de retalhos” finalizou a gravação sob efusivos aplausos da plateia e do próprio Sr. Brasil. A viola de Wilson Teixeira e a voz de Sarah Abreu, que faz parte do grupo Nhambuzim, tiveram o competente apoio dos companheiros de estrada Vinícius Bini, Walter Bini e Thadeu Romano.

Wilson Teixeira sustenta uma carreira independente que desponta como uma das mais promissoras e primorosas entre os violeiros da atualidade que se dedicam a preservar a música de raiz, de alma caipira, aquela que faz jus ao rótulo sertaneja. Suas composições e jeito de tocar também evocam e flertam com muita qualidade com o blues e com o folk conforme comprovam a maioria das faixas do seu curto, mas premiado álbum de estreia, “Almanaque Rural”, de 2006. As 10 composições gravadas com apoio de amigos e de admiradores renderam a ele, em 2013, um dos troféus de melhor disco solo do III Prêmio Rozini de Excelência de Música de Viola. Wilson Teixeira recebeu a homenagem em 17 de junho, no Memorial da América Latina, em solenidade de gala encerrada com show de Almir Sater.

Wilson Teixeira e Sarah Abreu relembraram três clássicos de Cascatinha e Inhana no palco do Sr.Brasil (Foto: Marcelino Lima)

Natural de Avaré, residente em São Paulo, Wilson Teixeira prepara o segundo disco. A exemplo de “Almanaque Rural” deverá sair do próprio bolso  e deverá ser lançado ainda em 2014. E está, ainda, engajado a projeto pessoal de resgate das memórias e obras de Tonico e Tinoco, integra o “4 Cantos” ao lado dos também exímios violeiros e compositores Cláudio Lacerda (São Paulo), Luiz Salgado (Pato de Minas) e Rodrigo Zanc (Araraquara/São Carlos).

Wilson Teixeira já participou de e venceu vários festivais de viola, entre os quais o de Tatuí, com a música “No último pé do pomar”. Ao final de abril,  ao lado de parceiros de estrada como Jonavo e Tuia Lencioni, além de Chico Teixeira e o pai Renato (apesar do sobrenome, os três não têm parentesco, ao menos sanguíneo), ele passou pelo palco do Bourbon Street, consagrada casa de shows de Moema que já recebeu B.B.King. Durante 4 horas, foi uma das estrelas da Festa Folk Brasil. Os irmãos Bini também estavam lá.

Foi em festivais pelo Interior paulista que Wilson Teixeira conheceu Sarah Abreu, com quem voltou pela terceira vez ao palco do Sr. Brasil. A voz de Sarah é uma das condutoras dos cantos do Nhambuzim, grupo que em 2008 lançou “Rosário: Canções Inspiradas no Sertão de Guimarães Rosa”, pelo selo Paulus.

O álbum é inspirado na obra do escritor mineiro e foi lançado em 27 de junho daquele ano, data do centenário do nascimento do filho ilustre de Codisburgo. O show teve entrada franca, no Centro Cultural São Paulo, e apresentou as 17 canções das quais duas pertencem à tradição oral do norte das Alterosas (“Aboio”, originalmente entoada pelo vaqueiro Manuelzão, e “Encomendação de Almas”). Outro par é contribuição de Milton Nascimento e Caetano Veloso (“A Terceira Margem do Rio”), e João de Aquino e Paulo César Pinheiro (“Sagarana”), interpretada por Clara Nunes.

O Nhambuzim mescla gêneros e linguagens partindo de elementos da cultura regional inseridos em contexto contemporâneo. Assim pode-se notar nas faixas toques de jazz e de música erudita, apoiados em arranjos vocais e nas conexões da música popular com narrativas regionais e contação de histórias. Em “Rosário” soam aboios, cantos de rezadeiras, congadas, catiras, moçambiques e folia de reis. Em matéria assinada para a versão digital do “Correio Popular”, de Campinas, Carlota Cafieiro observa que as letras evocam Guimarães a partir do olhar dos compositores do grupo. Ainda de acordo com a jornalista, enquanto “Pé no Chão” é inspirada no livro “Manuelzão e Miguilim”, “Redenção” bebe do conto “A Hora e Vez de Augusto Matraga”. “Acerto de Contas”, por sua vez, surgiu de “Grande Sertão: Veredas”, continua Carlota. Há, por fim, as participações de Renato Braz (“Um Miguilim”), do mestre violeiro Paulo Freire (“Sagarana” e “Nonada de Mim“) e do acordeonista Gabriel Levy (“Arvorecer“).

O grupo Nhambuzim tem nascimento lavrado em 2002. Desde então vem caminhando com André Oliveira (percussão), Edson Penha (voz e berrante), Itamar Pereira (baixo), Joel Teixeira (voz, viola e violão), Rafael Mota (percussão) Xavier Bartaburu (piano e arranjos vocais) e Sarah. Em outubro de 2012, eles lançaram “Bichos de Cá” (Canções para os bichos do Brasil).

Sarah também tem carreira solo e nesta estrada, entre outros projetos, revelou a Boldrin que está estudando a obra do músico e compositor norte-americano nascido em Indiana Cole Porter (1891-1964). Pela plataforma de financiamento coletivo “Catarse”, sistema conhecido por crowfunding, está em campanha de arrecadação para gravar “Violeta: terna e eterna”, trabalho que dedicará à memória de Violeta Parra.

Para saber mais sobre o Nhambuzim e Sarah Abreu:

http://nhambuzim.wordpress.com/
http://povosdamusica.blogspot.com.br/2009/05/nhambuzim-rosario-2008.html
http://www.nhambuzim.com/
https://pt-br.facebook.com/pages/Nhambuzim
http://catarse.me/pt/violetaparra2

Para saber mais sobre Wilson Teixeira:
www.wilsonteixeira.mus.br

Para saber mais sobre Cascatinha e Inhana

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cascatinha_%26_Inhana
http://letras.mus.br/cascatinha-e-inhana/

Colabore com o projeto “Violeta – Terna e Eterna”!

Sarah Abreu integra o "Nhambuzim" e canta em projeto de tributo a Cascatinha e Inhana, ao lado de Wilson Teixeira
Sarah Abreu integra o “Nhambuzim” e canta em projeto de tributo a Cascatinha e Inhana, ao lado de Wilson Teixeira

Até 27 de junho ainda será possível colaborar com o projeto de gravação do álbum “Violeta – Terna e Eterna, por meio do qual a cantora e professora de canto Sarah Abreu pretende homenagear Violeta Parra, artista chilena e uma das maiores referências da cultura latino-americana em todos os tempos. A captação dos recursos necessários está sendo feita pela plataforma de financiamentos coletivos Catarse, e, até o momento, já recebeu 51 adesões.

Compositora, pesquisadora, instrumentista, tecelã, ceramista, figura comprometida com as causas sociais de seu tempo, incansável batalhadora, Violeta Parra ficou conhecida no Brasil pelo Tarancón, pelas vozes de Milton Nascimento, Mercedes Sosa e Elis Regina, profundos representantes da música de nosso continente. Músicas como ”Volver a los 17”, “Gracias a la Vida” e “Casamiento de Negros” fazem parte do universo de toda uma geração dos anos da década de 1970 e merecem ser conhecidas pelas novas gerações pela sua beleza estética e importância histórica.

Sarah Abreu é integrante do Nhambuzim e tem participações em vários outros álbuns. Em maio, ao lado de Wilson Teixeira, gravou participação no programa Sr. Brasil, de Rolando Boldrin, ainda não levado ao ar. Naquela ocasião, os convidados cantaram três sucessos consagrados pela dupla Cascatinha e Inhana.