O balão vai subindo, vai caindo a garoa (…) acende a fogueira do meu coração

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Hoje é o dia de São João Batista, conhecido no Brasil como o Santo Festeiro, por causa das manifestações e celebrações, com muita dança e fogueira, fogos e diversão, e nome do qual deriva a festa “Joanina“, ou “Junina”. 
João era filho de Zacarias e Izabel, e teria nascido em um dia  24 de junho, na Judéia. De acordo com algumas historias, ele nasceu em uma noite muito bonita. A mãe, Izabel, para dar um sinal à prima Maria, mãe de Jesus, avisando-a que o bebê havia nascido, ergueu um mastro e acendeu uma fogueira para que pudesse ser vista à distância no deserto. 
Maria, em sua primeira visita ao bebê, levou uma capelinha, um feixe de palha seca, e folhas de manjericão perfumadas.  Por isso o mastro, a fogueira, balões e fogos, simbolizam a tradicional Festa Junina.
São João recebeu o nome de Batista devido à prática da purificação por meio da imersão na água, o  batismo. Ele, inclusive, batizou o primo, nas águas do Rio Jordão.
João era um pregador e falava de amor e do reino de Deus. Com seus discursos atacava também o domínio dos romanos, na época um Império, e ainda expunha a vida íntima bastante conturbada do Rei Herodes. As palavras, obviamente, desagradavam os poderosos. Acabou preso em uma fortaleza por 10 meses e, depois,  decapitado pelo rei,  atendendo aos caprichosos pedidos de Salomé, a filha da rainha Herodíades.
Um fato curioso é o nome de São João Batista ser citado nas três principais religiões: O Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo. 
Para celebrar este dia tão feliz, nada como comemorar a Festa Junina com quadrilha, fogueira, quentão e pipoca, entre outras guloseimas, animados por algumas cantigas populares em nome do santo. Mas nada de balão, pois, sabemos, eles são extremamente perigosos para o meio-ambiente!
Capelinha de Melão
Autor: João de Barros e Adalberto Ribeiro
Capelinha de melão, é de São João.
É de cravo, é de rosa, é de manjericão.
São João está dormindo, não me ouve não.
Acordai, acordai, acordai João.
Atirei rosas pelo caminho, a ventania veio e levou.
Tu me fizeste com seus espinhos uma coroa de flor.
Pedro, Antônio e João
Autor: Benedito Lacerda e Oswaldo Santiago
Com a filha de João, Antônio ia se casar,
Mas Pedro fugiu com a noiva, na hora de ir pro altar.
A fogueira está queimando, o balão está subindo,
Antônio estava chorando, e Pedro estava fugindo.
E no fim dessa história, ao apagar-se a fogueira,
João consolava Antônio, que caiu na bebedeira.
Cai, cai, balão
Cai, cai, balão… Cai, cai, balão.
Aqui na minha mão. 
Não vou lá, não vou lá, não vou lá.
Tenho medo de apanhar. 
Balãozinho
Venha cá, meu balãozinho, diga aonde você vai.
Vou subindo, vou pra longe, vou pra casa dos meus pais.
Ah, ah, ah, mas que bobagem.
Nunca vi balão ter pai.
Fique quieto neste canto, e daí você não sai.
Toda mata pego fogo, passarinhos vão morrer.
Se cair em nossas matas, o que pode acontecer.
Já estou arrependido, quanto mal faz um balão.
Ficarei bem quietinho, amarrado num cordão.
Sonho de papel
Autor: Carlos Braga e Alberto Ribeiro
O balão vai subindo, vem caindo a garoa.
O céu é tão lindo e a noite é tão boa. 
São João, São João! Acende a fogueira no meu coração.
Sonho de papel a girar na escuridão
soltei em seu louvor no sonho multicor.
Oh! Meu São João.
Meu balão azul foi subindo devagar
O vento que soprou meu sonho carregou.
Nem vai mais voltar. 
Pula a fogueira
Autor: João B. Filho
Pula a fogueira Iaiá, pula a fogueira Ioiô.
Cuidado para não se queimar, olha que a fogueira já queimou o meu amor.
Nesta noite de festança, todos caem na dança alegrando o coração.
Foguetes, cantos e troca na cidade e na roça em louvor a São João.
Nesta noite de folguedo, todos brincam sem medo, a soltar seu pistolão.
Morena flor do sertão quer saber se tu és dona do meu coração
Olha pro céu, meu amor
Autores: José Fernandes e Luiz Gonzaga
Olha pro céu meu amor
Veja como ele está lindo
Olha praquele balão multicor
Que lá no céu vai sumindo
Foi numa noite
Igual a esta 
Que tu me deste
O teu coração
O céu estava
Todinho em festa
Pois era noite de São João
Havia balões no ar
Xote e baião no salão
E no terreiro o seu olhar
Que incendiou meu coração.

Leia Mais: http://www.gazetadebeirute.com/2013/06/24-de-junho-dia-de-sao-joao-batista-o.html#ixzz35Z2uA0Fp

 

Um momento de idílio, por um filho de Olhos d’Água

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No programa com Wilson Dias levado ao ar em fevereiro Rolando Boldrin contou causos e divertiu a plateia com sua irreverência

Ah, o Brasil, historicamente conhecido por tantas mazelas. Ah, mas por este imenso território de tortezas e torpezas afora, também há sutilezas, manifestações e pessoas muito ricas, cujos seus talentos e simplicidade ainda nos permitem saborear algum idílio. E um momento de rara poesia e de comunhão curtiu quem sintonizou Sr. Brasil e conferiu a apresentação do violeiro Wilson Dias no programa de Rolando Boldrin. Para começar muito bem a conversa e a cantoria, Boldrin declamou em um púlpito da Catedral da Sé (colocado no ar por meio de uma imagem recuperada dos arquivos da TV Cultura) poema em homenagem aos 460 anos da cidade de São Paulo. Wilson Dias é nativo de Olhos d’Água, cidade mineira que já chamou-se Miradouro e Mãe d’Água, cantor e compositor que tive a honra de conhecer e encheu meus olhos de água cantando “Deus é violeiro”. A obra prima é dele e do amigo, mestre, jornalista, poeta e fotógrafo João Evangelista Rodrigues.

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O mineiro de Olhos D’Água apresentou músicas em parceria com Evangelista Rodrigues e homenageou Cesaria Évora, cantora do Mindelo, em Cabo Verde

E não foi só! Afora os causos, aqueles temperos que o Boldrin e os convidados sempre acrescentam para deixar o Sr.Brasil ainda mais maneiro, com aquele gostinho de que precisamos urgentemente voltar a nos dedicar ao que é simples, ao que é mais humano (uma vida na roça, eu diria, em pegada carpe diem, não de correria e de sufoco no trânsito, empacado no túnel sob a Faria Lima; e a volta ao prosaico antes que a corredeira, o abismo água abaixo da vida surja à proa!), Wilson Dias ainda cantou “Anjo Negro”, dele e de Miguel Canguçu, e “Canção do Além Mar”. A letra desta é dele e de Evangelista Rodrigues, grata homenagem à cabo-verdiana Cesaria Evora (Mindelo, 27 de agosto de 1941 — Mindelo, 17 de dezembro de 2011). As três músicas integram “Lume”, mais recente disco de Wilson Dias, o sexto da carreira.

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Rolando Boldrin apresenta “Lume”, sexto disco da carreira do violeiro autor da canção “Deus é Violeiro”, com letra de Evangelista

O programa foi ai ar em 23 de fevereiro. Com Wilson Dias tocaram Augusto Cordeiro (violão), Gladson Braga (percussão) e Rodrigo Salvador (rabeca e bandolim). Para os que não tiveram a oportunidade de assistir e ouvir, basta clicar nos linques abaixo!

http://tvcultura.cmais.com.br/srbrasil/videos/deus-e-violeiro-por-wilson-dias-e-joao-evangelista-rodrigues-sr-brasil-23-02-14

http://tvcultura.cmais.com.br/srbrasil/videos/anjo-negro-por-wilson-dias-e-miguel-cangussu-sr-brasil-23-02-14

http://tvcultura.cmais.com.br/srbrasil/videos/cancao-de-alem-mar-por-wilson-dias-e-joao-evangelista-rodrigues-sr-brasil-23-02-14

Tita Parra participa de concertos para gravar “Violeta Terna e Eterna”

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Tira Parra, neta da chilena Violeta Parra, um dos ícones da cultura latino-americana, subirá ao palco da Casa de Francisca nos dias 27 e 28 de junho. Em suas duas apresentações, Tita estará acompanhada dos músicos Carlinhos Antunes (cordas do mundo e voz), Sarah Abreu (voz e pesquisa), Danilo Penteado (piano, acordeom, cavaco e voz), Rui Barossi (baixo acústico e voz), Maria Beraldo Bastos (clarinete e voz), Beto Angerosa (percussão e voz) e Gabriel Vieira (violino), a partir das 22 horas. Os concertos fazem parte do projeto do sexteto que busca por meio de financiamento coletivo utilizando-se da plataforma Catarse gravar o álbum “Violeta Terna e Eterna”.

http://www.youtube.com/watch?v=6b9zAWR5rmc

 

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Os concertos com Tita Parra são parte do projeto de gravação de um álbum em homenagem à avó Violeta (foto acima)
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Sarah Abreu e Carlinhos Antunes estão à frente de “Violeta Terna e Eterna”, abraçado pela Catarse

 

 

Luiz Salgado empunha a bandeira de defesa das belezas e fé dos povos do Cerrado

Luiz Salgado canta as belezas do cerrado e as tradições de um povo cuja fé torna as pessoas mais fortes (Fotos de Nalu Fernandes)

“Eu sou salgado como o mar, calmo como rio em dia de cheia/sou forte como o carcará, eu sou jequitibá que não titubeia”

Luiz Salgado, em“Raízes”, do álbum Trem Bão

Luiz Salgado é cantor e compositor nascido em Pato de Minas, atualmente residente em Araguari (MG). De acordo com a própria forma de se apresentar, procura revelar a alma simples do povo ao tocar e cantar  suas modas. Para tanto, costura seus estandartes com elementos simples e ao mesmo tempo relevantes, característica que se soma à irreverência pessoal, ao bom humor e a profícua capacidade de recolher e contar causos. A preservação do bioma cerrado e de toda fauna e flora, assim como das culturas mineira e brasileira, é outra meta deste expoente da viola caipira que integra o Projeto 4 Cantos ao lado de Cláudio Lacerda, Rodrigo Zanc e Wilson Teixeira. O mais recente trabalho, em parceria com Katya Teixeira, o álbum “2 Mares”, esteve cotado para receber o troféu de melhor da música neste ano na categoria regional.

“A cultura é um canal transformador e criador”, declara Luiz Salgado. “Meu trabalho é fincado na expressão musical arraigada no Brasil profundo, eleva a música que emana das tradições e das festas populares, da Folia de Reis, do Congado e da viola caipira”. Com acordes, ponteados e versos que ilustram poeticamente as belezas do cerrado, as criações dele acabam por se constituir em uma atitude protagonista e militante, uma ferramenta e um brado de resistência e de combate — como é, por sinal, bravo e obstinado o próprio meio que ele retrata.

“O cerrado tem uma particularidade encantadora: mesmo em uma região que aparentemente está totalmente árida, sempre há uma flor vicejando, por menor que seja”, conta. “O mais fantástico é presenciar como, em pouco tempo, da aparente desolação é brota o verde de novo, colocando diante dos olhos lugares de pura exuberância”.

O folclore de Minas Gerais e todo o fervor religioso dos povos do sertão também encontram na obra de Salgado um pujante defensor e estão presentes em sua discografia. A lista começa por “Trem Bão”, tem “Sina de Cantadô”, o dvd “Noite e Viola” e “Navegantes”, este dedicado ao público infantil, além do “2 Mares”. Entre as faixas desta profícua e doce cesta de frutos dos mais variados, há parcerias dele com Consuelo de Paula, Cátia de França, Orquestra de Viola Caipira do Cerrado, Viola de Nóis, Trem das Gerais, Pena Branca & Manuvéi, Levi Ramiro e João Bá.

Recentemente, Salgado apresentou-se no SESC de Araraquara. Em 6 de julho, ao lado de Katya Teixeira e Carol Ladeira ele será atração de mais uma edição do “Arreuni”, projeto de João Arruda realizado sempre no Centro Cultural Casarão, em Campinas. O show está marcado para começar às 19 horas. Ao lado dos companheiros do 4 Cantos, em agosto de 2013, gravou participação no programa Sr.Brasil, de Rolando Boldrin, quando cantou “Carcará, guardião do cerrado”. É um dos ganhadores do 3o. Prêmio Rozini de Excelência de Viola Caipira, entregue em junho de 2013 pelo Instituto Brasileiro de Viola Caipira , no Memorial da América Latina (SP).

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Com Katya Teixeira, o cantor mineiro produziu 2 Mares, que tem canções e cantigas das culturas do Brasil e de Portugal (Marcelino Lima)

Noel Andrade encontra Renato Teixeira no Belenzinho

 

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Noel Andrade com Katya Teixeira durante o show em que eram convidados de Luís Perequê, realizado em São Paulo (Fotos de Marcelino Lima)

Divulgação com mais de um mês de antecedência, gente, para ninguém dar bobeira: Noel Andrade vai cantar e tocar no palco do SESC Belenzinho em 27 de julho, a partir das 18h30. O violeiro de Patrocínio Paulista (SP), residente na Capital, na ocasião, receberá o autor de “Romaria” Renato Teixeira.

 

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Capa do álbum do violeiro

Noel Andrade é um dos mais ativos violeiros da atual geração e já lançou o disco independente Charrua”distribuído pelo selo Tratore. O álbum tem participação de Renato Teixeira e do saudoso Dércio Marques, além de composições de Rosinha de Valença, Francisco Nepomuceno, Elpídio dos Santos, Luís Perequê, Chico Lobo e Godofredo Guedes, pai de Beto Guedes. Em junho de 2013, Charrua rendeu ao autor um dos troféus do 3o. Prêmio Rozini de Excelência de Moda de Viola, na categoria “CD”.

 

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Renato Teixeira estará com o autor de “Charrua” no Belenzinho

 

Praça Benedito Calixto inspira álbum de chorinho

O grupo Vitor Lopes e Chorando as Pitangas chegou com “Um Passeio pela Benedito Calixto” ao segundo álbum, com o mesmo sucesso do anterior

 

Especial para a rádio UOL

 

Galera: vamos começar a atualização de hoje do Barulho d’Água Música dedicando atenção a um álbum que não é de violeiro,  mas que traz um sabor também brasileiro, e neste caso paulistano, das nossas mais representativas águas, o chorinho. Trata-se do segundo trabalho do Vitor Lopes & Chorando as Pitangas, do comecinho de 2013, lançado pela Lua Music. O título do disco é Um passeio na Benedito Calixto.

Para quem ainda não sabe Benedito Calixto é o nome da praça do bairro de Pinheiros que todo paulistano e quem mora por perto de Sampa curte, principalmente aos finais de semana, reduto de muita gente boa, de malucos e de cada figura! E de uma feira de antiguidades que vende de tudo o que é “tranqueira”, de moedas do tempo do Império a uniformes militares ianques, passando por cristaleiras, espelhos, canivetes, brinquedos, pôsteres. A BC é cercada de sebos, de botecos e de restaurantes onde dá para gente de todos os bolsos gastar, comer e beber decentemente (ou ao menos tomar um prosaico café) entre uma compra e outra de um treco para a casa, ou para uma alma do peito, ou do coração. Ah, tem a canseira que é estacionar! E, dependendo da muvuca, a ginástica que é caminhar entre as barracas! Ainda assim eu recomendaria como um programinha familiar básico, que, depois, pode ser esticado para outro canto, de Pinheiros, mesmo, ou da Madá.

Bom, mas o assunto é o disco de chorinho. Então, abaixo vai, para quem quiser saber mais e se interessar, a ficha de apresentação da obra, da própria Lua Music:

1620441_682894081774965_2133439060_nUm Passeio na Benedito Calixto é nome do segundo CD do grupo Vitor Lopes e Chorando as Pitangas, gravado pela Lua Music. Tendo como fonte de inspiração a mais charmosa feira de antiguidades e artesanato de São Paulo, o trabalho é uma homenagem aos artistas populares que dão vida à praça. As barracas coloridas, o murmúrio dos transeuntes, o cheiro das guloseimas, tudo serve de motivação para o quinteto paulista. Com um repertório sofisticado e variado executado com precisão e delicadeza, o Chorando as Pitangas traz um sopro de novidade ao universo da música instrumental brasileira. Com improvisos inspirados, passagens virtuosísticas, muito balanço e o timbre inconfundível da harmônica de boca, a simpática gaitinha, o CD tem uma surpresa a cada faixa. Misturando os ruídos da própria praça ao som das músicas gravadas em estúdio, o ouvinte tem a sensação de realmente estar caminhando pela Benedito! Então, respire fundo, relaxe, e se deixe levar por esse passeio à raiz da cultura popular brasileira!”

 

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As barracas da praça famosa de Pinheiros vendem de tudo, de brinquedos a espelhos, moedas antigas, roupas descoladas e guloseimas

 

“Chão Marcado” evidencia talento de Junior da Violla em composições do caipira ao blues

Dei um pulinho à Livraria da Vila da Fradique Coutinho, no badalado bairro da Vila Madalena hoje, e desta incursão, trouxe para a coleção do Barulho d’Água Música o álbum “Chão Marcado“, do paulistano Junior da Violla, um cara que parece talhado para a viola caipira, embora tenha habilidade também com outros instrumentos.

Nascido Ernestino Ciambarella Junior, em 1978, ainda pequeno, ele já acompanhava pelo rádio da casa dos avós músicas de Tião Carreiro, Tonico e Tinoco, Zé Carreiro e Carreirinho. Já na morada que dividia com os pais, conheceu o rock nacional das bandas Blitz, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, RPM, entre outros. A carreira musical, em consequência, começou já aos 4 anos, brincando com o violão do pai. Dois anos depois, em um teclado que ganhara, compôs a primeira obra, a instrumental “Amor”. Em pouco tempo, o precoce garoto já ensinava a molecada do prédio onde morava a tocar.

O interesse pela viola veio aos 18 anos, inspirado pela personagem de Almir Sater na novela “O Rei do Gado”, de Benedito Rui Barbosa. Ele ainda nutria admiração por The Beatles, Eric Clapton, Robert Johnson, e, dos astros da MPB, era admirador de Caetano Veloso e Chico Buarque. Já em 1997, quando passou a participar de festivais, levou a viola caipira por caminhos até então pouco trilhados como o blues e o rock, alternando suas apresentações também com um violão de 12 cordas, já que ambos os instrumentos possuem similaridades.

 

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Junior da Violla se entende com a viola caipira desde 1999, mas desde criança tem inclinações para a música

A carreira solo decolou em 1999,  dedicada exclusivamente à viola caipira. Surgem desta escolha, então, as primeiras faixas instrumentais como “Rio Sorocaba” e “Chão Marcado”. Aluno de Nestor da Viola, Júnior da Violla atuou como membro efetivo da Orquestra Paulistana de Viola Caipira e chegou aos programas televisivos do gênero, entre os quais “Viola Minha Viola”, e “Globo Rural”; em 25 de maio esteve no programa Dia a Dia Rural”, de Tavinho Ceschi, aparecendo ao vivo para o público do canal de agronegócios do Grupo Bandeirantes, a emissora Terra Viva.

Junior da Violla também ministrou aulas particulares de viola em renomados institutos e escolas como Música Opus, Escola Livre de Música e Pich & Bend e Jam Session, participou de inúmeros festivais e tocou em diversos bares da Paulicéia, emissoras de rádio e de televisão. A partir da Banda Forró com Viola, que formou com amigos universitários em 2001, concretizou o sonho de criar a Orquestra Sinfônica Caipira, mais tarde rebatizada como Orquestra dos Violeiros de São Paulo, hoje inativa.

“Chão marcado”, o primeiro álbum, completou em 13 de abril o quinto aniversário. Elenca onze músicas de sua autoria, todas instrumentais, como “Rio Sorocaba”, que está presente no álbum comemorativo do 2º. Prêmio Rozini de Excelência da Viola Caipira. Em junho do ano passado, o disco foi um dos agraciados na categoria “Violeiro” pelo Instituto Brasileiro de Viola Caipira, que promoveu no Memorial da América Latina (SP) a noite de gala da edição três do Prêmio Rozini.

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Capa do álbum que em abril completou cinco anos e marcou a estreia do virtuoso compositor com onze faixas instrumentais

 

É desta exitosa primeira empreitada solo que salta a veia do virtuoso compositor que domina diversos estilos musicais. O sotaque caipira de Junior da Violla, por exemplo, é marcante em “Toque de chamar moça”; “Pagode do Ovo”; e “Seu Jorge”. Em “Riobaldo” evoca o sertão nordestino e, por meio de “Chão Marcado”, explora as semelhanças entre as músicas do Nordeste e árabe. Já o sabor do Mississipi tempera “Johnson Blues”.

 

http://www.youtube.com/watch?v=E6kI84oxgFc

 

 

Música e haicai se encontram em “Rosas para João”

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Capa do álbum “Rosas para João”, de Renato Motha e Patrícia Lobato

 

 Fecha o tempo no sertão
É chuva vindo
Um rai cai, um clarão

Escrever, ler e estudar (sobre) haicais, assim como a moda de viola, é uma das minhas paixões. Sobre o instrumento não sou capaz de arranhar uma mísera corda. Mas acredito que consigo compensar esta frustração, de vez em quando, compondo algum poema em três linhas, nem sempre rigorosamente de acordo com as normas clássicas recomendadas pelas cartilhas japonesas do gênero, porém chego bem perto; desastre mesmo, acredito, seria tentar tocar um pagode ao modo de Tião Carreiro e Pardinho ou arriscar-me a pontear os dez arames com os quais muita gente talentosa tem conseguido pavimentar uma boa estrada.

As particularidades do haicai, por sinal, talvez pela brevidade e apesar de toda a beleza que os versos evocam, parecem dificultar que eles apareçam em letras de músicas, deixando-o gênero quase que restrito apenas ao campo da escrita literária — embora algumas experimentações associadas a vídeos ou fotografias sejam bem sucedidas. Toda a regra, felizmente, parece ter sua exceção e Valter Braga conseguiu ao fintar esta faturar em 2005 o troféu do Festival da TV Cultura com a composição “Haicai Baião”, da qual destaquei os versos acima.

A música de Braga que mereceu o primeiro lugar naquela ocasião conquistou a plateia interpretada pelo casal mineiro Renato Motha e Patrícia Lobato, que a incluiu entre as faixas de “Rosas para João”, primeiro álbum de ambos. O disco constava até há pouco tempo do catálogo da gravadora “Sonhos e Sons”, de Belo Horizonte, e também é digno de nota elogiosa. Mais do que registrar a joia de Braga, o trabalho autoral de Motha e Patrícia guarda mais uma grande homenagem ao ilustre João Guimarães Rosa, escritor também nascido nas Alterosas. E é uma mostra do talento da dupla que canta junta também em outros álbuns de rara beleza, entre os quais “Antigas Cantigas”. Em “Dois em Pessoa”, eles abrem o baú de Fernando Pessoa e, inclusive em ritmo de samba, relembram vários dos poemas clássicos do português e de seus heterônimos.

Renato Motha, individualmente, ainda assina outros títulos que valem a pena conhecer. Destaco “Trilha das mãos”, instrumental, e “Amarelo”, ambos de 1999. Quem adquirir “Todo” ou “Caixa de Sonhos” também não amargará arrependimento. Já Patrícia Lobato iniciou voo solo com “Suspirações”.

Veja abaixo a letra completa de “Haicai Baião”, formada por três haicais, e já apresentada noo programa “Sr.Brasil”, de Rolando Boldrin apresenta na TV Cultura. Embora grafada por Braga com “x”, a expressão “baxô” é uma clara referência a Matsuo Bashô, um dos mestres do haicai no Japão e em todo o mundo.

Fecha o tempo no sertão/É chuva vindo/Um rai cai, um clarão (2x)
 
Trovão e tambor
No céu, no roçado zabumbam

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Guimarães Rosa, escritor de Codisburgo (MG)
O santo baxô* (2x)
 
Manhã de água e cor
Até do outro lado do mundo
O chão fulorô (2x)
 
 

https://www.youtube.com/watch?v=LI_urK3NWfI&hd=1

“Dia Dia Rural”, de Tavinho Ceschi, apresenta Wilson Teixeira ao vivo

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Wilson Teixeira, acompanhado por Walter Bini, cantou músicas do “Almanaque Rural” e “Canta que é bonito”. de Cláudio Lacerda

 

Especial para a Rádio UOL

 

O programa “Dia Dia Rural”, que Tavinho Ceschi apresenta no canal Terra Viva, contou na sexta-feira, 20 de junho, com a participação do violeiro Wilson Teixeira. Acompanhado por Walter Bini ao violão, Teixeira cantou “Canção de Estrada” e “Seresteiro”, duas das músicas mais consagradas e solicitadas entre os admiradores cada vez mais numerosos. Ambas integram a lista de 10 faixas do “Almanaque Rural”, álbum independente lançado em 2007. Para o encerramento, o convidado de Ceschi escolheu a composição “Canta que é bonito”, escrita pelo parceiro Cláudio Lacerda e já incluída no rol das novidades que aparecerão no segundo disco de Teixeira, já em fase de produção.

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Tavinho Ceschi apresenta ao público o primeiro álbum do cantor de Avaré

Wilson Teixeira é natural de Avaré, cidade do Interior Paulista, embora já resida há 14 anos no bairro paulistano do Jaguaré. Além da carreira solo, ele tem percorrido o estado com shows nos quais presta tributo à dupla Tonico e Tinoco. Outro projeto dele, agora em conjunto com Sarah Abreu, dedicado à Cascatinha e Inhana, chamou a atenção de Rolando Boldrin. Uma edição do programa Sr. Brasil sobre o casal que encantava os fãs e está entre os mais cultuados no panteão da música brasileira, gravado em maio, em breve será apresentado pela TV Cultura.

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Wilson Teixeira já está produzindo o segundo álbum da carreira (Fotos de Marcelino Lima)

 

Vale a pena destacar, ainda, que Wilson Teixeira juntou-se no final de 2011 aos amigos Cláudio Lacerda (São Paulo), Luiz Salgado (Patos de Minas/MG) e Rodrigo Zanc (São Carlos/SP) para colocar na estrada o projeto 4 Cantos, grupo que também arrancou calorosos aplausos da plateia do Sr. Brasil quando esteve no Teatro do SESC Pompeia, em agosto de 2013. O avareense é, ainda, dono de uma estrela que costuma brilhar muito em festivais. Em 2012, por exemplo, faturou o certame de Tatuí (SP) defendendo “No último pé do pomar”. Mais recentemente (2009), “Trem de Verão”, que compôs com Adilson Casado, venceu o 440. Festival de Música e Poesia de Paranavaí (PR). Há um ano, em 17 de junho de 2013, Teixeira esteve no Memorial da América Latina. Em noite de gala, recebeu a estatueta do 3o. Prêmio Rozini de Excelência de Música de Viola conferida a “Almanaque Rural”, considerado pelo júri um dos três melhores da categoria álbum solo.

Linque para assistir ao programa:

http://mais.uol.com.br/view/15085296

Linque para o Femup de 2009:

http://www.youtube.com/watch?v=F_x1qFR257U

América 4 comemora 25 anos no Carlos Gomes de Vitória

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O Grupo América 4,  lá da cidade de Vila Velha (ES), vai dar continuidade ao projeto de comemoração aos 25 anos de estrada promovendo mais um show naquele estado. A apresentação desta vez será no Teatro Carlos Gomes, que fica em Vitória, e está marcada para começar às 19 horas de 6 de julho, sem cobrança de entrada. Na ocasião, Tobi Gil e os demais integrantes vão brindar o público com músicas do álbum comemorativo ao Jubileu de Prata e outros sucessos admirados pelo público.

O álbum  foi lançado em 2 de abril no Teatro Marista, em Vila Velha. O Grupo América 4 começou a tocar em 1988, inicialmente nos estados do Espírito Santo e de Minas Gerais por Tobi Gil, que está há 39 anos radicado naquele munícipio capixaba. No ano de fundação, ele buscou reunir diversos músicos de vários países da América Latina que residiam no Brasil. O objetivo era unir o “o canto dos quatro cantos da América Latina”.

A integração dos sons e ritmos das raízes culturais da América Latina e a mistura de instrumentos musicais folclóricos como a flauta andina, zampoñas, toyos, quenacho, charango, tambores de congo e tambor de maracatu, casaca e bombo leguero com instrumentos convencionais são as características marcantes do América 4. Essa fusão instrumental e de cantorias tornou o Grupo referência nesse gênero e pioneiro na divulgação da música latino-americana no ES. Sempre atuante em projetos culturais da cultura local e também fora do estado, os músicos já se apresentaram em aberturas de shows de nomes consagrados da MPB, entre os quais Fagner, Zé Ramalho, Zé Geraldo, Sá e Guarabira e Sérgio Reis. Participou, ainda, de vários shows em teatros, festivais e eventos e ações culturais no Vale Jequitinhonha (MG), em parcerias com os violeiros Rubinho do Vale, Sergio Moreira, Marku Rivas, Tizumba e outros.

Passados 25 anos, e já há 12 sem se apresentar, Tobi Gil retomou o projeto de integração em torno da musica latino-americana e convidou os parceiros Cesar Rebechi, Renato Pablo, Aguilar Alves, Raul Paredes, Graça Silva, Nina Candido, e Carmem Amorim para a nova empreitada que seria lançar o CD que marca a trajetória de um quarto de século. A novidade vem para se juntar na discografia a “12 anos de América 4”, coletânea de 1999; “Tambores de Congo” (1998); “Fusão Latina” (1996) ; “Cinco Anos de Estrada” (1992); “Amo Espírito Santo” (1991) e “Minas Latina” (1990).