1227 – Grazi Nervegna recebe convidados para lançamento do disco de estreia, na Unibes Cultural (SP)

Anambé’, nome do álbum, é palavra de origem tupi-guarani que significa “aqueles que caminham em parceria e permanecem unidos” e será apresentado com as presenças de Consuelo de Paula, Katya Teixeira, João Arruda, Carlinhos Ferreira, Francisco Prandi e Grupo EntreLatinos

Em 31 de agosto, sábado, a cantora e compositora Grazi Nervegna realizará no palco da Unibes Cultural concerto de lançamento de seu primeiro disco, intitulado Anambé, em cantoria que deverá transcorrer entres 20 e 22 horas e que contará com as participações de Consuelo de Paula, Katya Teixeira, do grupo EntreLatinos e dos músicos João Arruda, Francisco Prandi e Carlinhos Ferreira. Um marco na carreira de Nervegna, Anambé é palavra de origem tupi-guarani que significa “aqueles que caminham em parceria e permanecem unidos” e foi gravado após campanha de financiamento coletivo. “É um voo que a voz de Grazi Nervegna faz ao som da viola e das flautas feitas com tubos rústicos. Um voo ora rasante e rascante, ora amplo e lírico”, afirmou Consuelo de Paula, que também é diretora artística do disco gravado no estúdio VentaMoinho, de João Arruda, em Campinas.

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874 – Mauri de Noronha (PE) grava programa Sr.Brasil em edição que homenageia Cornélio Pires e recebe trombonista Raul de Souza

O apresentador Rolando Boldrin recebeu no palco do Sesc Pompeia para novas gravações do Sr. Brasil o cantador e poeta Mauri de Noronha (PE), que lançou em outubro com participação de Chico Pedro o álbum acústico De Repente, Cantador, o terceiro da carreira. Mauri de Noronha atualmente reside em Aracaju (SE), mas vem edificando sua trajetória com sessões musicais e declamações ao violão das mais aplaudidas em São Paulo junto ao flautista chileno integrante do grupo de música latino-americana Raíces de América. Na noite de 11 de maio, quando Boldrin o apresentou ao público brasileiro que sintoniza a TV Cultura, Mauri de Noronha ganhou de imediato a aprovação e a simpatia da plateia cantando a cappela Sereia de Aruanda, com marcante acompanhamento do percussionista Afonsinho Menino. Depois, com Chico Pedro, cantou Gameleira, seguida pela declamação de Face e por Proezas, cujas letras e versos carregam fortes mensagens de protesto contra a exploração do homem pelo homem.

raul de souza

Antes de receber Mauri de Noronha, Rolando Boldrin gravara com o trombonista Raul de Souza. O músico carioca que atualmente reside no sudoeste da França (“em uma cidade medieval próxima de Toulouse, numa casa que data de 1628 e está intacta”) tocara na véspera em Salvador (BA), durante festival de música instrumental. Tem 60 anos de carreira e 81 de idade, mas se chama de pia batismal João José Pereira de Souza. 

“Raul” é escolha de Ary Barroso, ocorrida durante programa de calouros da Rádio Nacional, na década dos anos 1940. O apresentador queria homenagear Raulzão, o então consagrado mestre do trombone Raul de Barros. E ainda acrescentou ao garoto que obtinha as notas máximas do juri: “João José não é nome para artista!” Como talento independe do nome… Raul de Souza virou referência do instrumento nos melhores palcos do jazz puro malte, incluindo temporadas das mais concorridas em Boston (Estados Unidos) onde morou e estudou na Berklee Music College, depois de um período de residência entre tacos e tequilas. E até no castelo do Principado Soberano de Mônaco, em festa de aniversário da princesa Greice Kelly, ele deixou nobres, súditos e plebeus de queixos caídos!

Entre seus muitos parceiros a biografia menciona Frank Rosolino, lenda do trombone nascida em Detroit, mais Johnson, Cannonball Adderley, Airto Moreira, Flora Purim e João Donato — um time no qual não haveria reservas, que não se resume a apenas 11 camisas e para ninguém botar defeito já que jamais pisaria na bola ou judiaria da donzela como compraz aos beques de fazenda. Ao lado de Glauco Solter (contrabaixo acústico) e Sandro Haick (violão), Raul de Souza, por sinal, elogiou com uma das composições que tocou no Sesc Pompeia o amigo Rosolino, Saudades do Frank. Em determinado ponto da gravação, didático, passou a explicar e a mencionar minúcias sobre os vários tipos de trombones que existem, explanação que concluiu antes de  Rio Novo com a seguinte exclamação: “Para falar a verdade, para mim, não importa muito de que tipo é um trombone, mas sim a sonoridade que ele toca. O meu, por exemplo, tem sonoridade azul. E não é um azul escuro, carregado, não! É um azul de céu, bem mais calmo!”.

pedromassa

Pamonha na conversa

A dupla de Tietê (SP) formada pelo violeiro Pedro Massa e Fábio Tomazela também se sentou no banco no qual está pousado o canário da terra de Boldrin para, tendo como porta-voz o primeiro, falar sobre a vida e a inestimável obra de Cornélio Pires, conterrâneo de ambos os convidados da região de Piracicaba.

Cornélio Pires é considerado o “Pai da Música Caipira” por ter aberto portas para os primeiros artistas do campo dedicados à viola, ainda na década de 1920, chegando ao primor de fundar um selo próprio (vermelho, para se diferenciar das demais gravadoras) e a pagar repetidas prensagens de discos que ele mesmo saia a vender pelo Estado, ajudando desta forma a consagrar o gênero. É de Cornélio Pires, por exemplo, Jorginho do Sertão, a primeira música caipira sulcada em 78 rpms no país, em maio de 1929, na voz de Mariano e Caçula, este pai do músico Caçulinha. Massa e Tomazela relembraram a pérola do empreendedor pioneiro que Boldrin trata por “guru” e ao qual sempre se refere com destacada reverência.  

chico santeiro

A gravação do Sr.Brasil da noite de 11 de maio abriu espaço, ainda, para a participação do artesão Chico Santeiro (Barbalha/CE), atualmente residindo em Votorantim, município da região de Sorocaba. Chico Santeiro é Francisco Vieira dos Santos, já esculpiu de acordo com os próprios cálculos mais de 1.600 imagens e trabalha também com decoração e restauração de artes sacras. Após a entrevista, entregou ao Sr. Brasil escultura de São Joaquim, em alusão à terra natal de Boldrin, São Joaquim da Barra (SP).  

As gravações com Raul de Souza, Mauri de Noronha, Paulo Massa e acompanhantes para o Sr. Brasil, além da entrevista de Boldrin com Chico Santeiro, ainda não têm datas definidas para serem levadas ao ar pela TV Cultura e, necessariamente, serão apresentadas em um único programa, acopladas como na noite que foram captadas. Enquanto aguardamos, quem quiser curtir um pouco mais ou conhecer a obra do cantador de Garanhuns poderá comparecer em 20 de maio ao Espaço da Rosa Latino-Americana (ERLA), situado na rua Santo Antônio,  1025-A, Bixiga, tradicional bairro paulistano. Mauri de Noronha assumirá o microfone a partir das 20 horas novamente em companhia de Afonsinho Menino e Chico Pedro, com o reforço de Narcirio Pinheiro à guitarra. Para mais informações há o telefone 11 3129-4374.

ninguém está vendo

Mauri de Noronha (PE), cantor e declamador, apresenta no Sarau dos Conversadores (SP) músicas e poemas autorais

mauri conversadores

O cantor e compositor Mauri de Noronha (Garanhuns/SP) vai participar neste sábado, 27, de mais uma edição do Sarau dos Conversadores, evento que desde junho de 2013 já ocorreu vinte vezes, sempre no último sábado de cada mês, marcado por apresentações curtas, pontuais e com um bate- papo na medida das boas conversas. Desta vez, vão abrir e fechar o Sarau Cacá Mendes e Edson Tobinaga, que convidarão para dar seu recado no auditório da Livraria da Vila da Alameda Lorena (SP), além de Mauri, o Grupo Cartola Branca e o Beco dos Escritores, com Adriana Calabró, Angela Senra, Danielle Cotrim, Lidia Izecson, Nina Maniçoba Ferraz, Patrícia Cardozo e Paula Marina. Ao final da primeira metade do sarau, o público será convidado a participar, ampliando o diálogo e compartilhando com os artistas talento e criatividade.

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Com vocês, senhora e senhores, o “poeta de caneta”: Mauri de Noronha, de Garanhuns (PE)!

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Mauri de Noronha canta com força e notável expressão poética, além de declamar, épicos e contundentes textos que retratam belezas do sertão, denunciam sem panfletarismo toda exploração e sofrimento dos povos do agreste. A poesia dele trata dos descaminhos e dos amores e mesmo quando canta ele está declamando; essa é sua essência (Foto: Marcelino Lima)

 

Em um ano de atividades completado hoje o Barulho d’água Música conheceu e esteve em contato com músicos, cantores e compositores de várias tendências, a maioria batalhando de maneira independente para conseguir gravar suas obras e por um palco onde possam tocar. São artistas que pelo talento, e também os compromissos que abraçam, já deveriam ter conquistado mais respeito e atenção, consequentemente o carinho e a admiração dos fãs — além de menor burocracia e muito mais boa vontade de quem dependem para alcançar aqueles propósitos, é claro.

Se todo artista tem de ir onde o povo está, ele precisa, também, indiscutivelmente, dos meios não apenas para chegar lá e honrar sua tarefa, mas também para dar o seu recado com o máximo de recursos e ferramentas, sem comprometer a qualidade de sua mensagem e trabalho, e gradativamente se firmar no cenário cultural em que estiver inserido.

Mauri de Noronha, cantor, compositor, poeta e exímio violonista é um exemplo entre tantos outros que estão na estrada — recorrendo a uma frase que todos entendem o que significa, buscam e já merecem seu lugar ao sol. Pernambucano de Garanhuns, há cinco anos residente em Aracaju (SE), Mauri de Noronha estará em São Paulo até outubro, estabelecido no bairro da Mooca, aguardando propostas para apresentações. Ele já viveu em Sampa (entre 1975 e 2010) e retornou agora para, entre outros objetivos, ser uma das atrações do 3º Festival de Arte Popular do Alto Tietê, atendendo ao convite do malungo e produtor cultural Déo Miranda (SE), que a exemplo do amigo também batalha para tirar do papel competentes projetos e para decolar a carreira de cantor e compositor que conduz na região de Mogi das Cruzes (SP). 

Noronha esteve no Festival em 2 de maio, no teatro Contadores de Mentira, situado em Suzano (SP). A atração principal, na ocasião, era Fernando Guimarães (MG) — que ele, Noronha, descreveu como sendo uma “escola” — mas o pernambucano cantou, declamou e interpretou músicas e poesias autorais com tamanha emoção que alcançou não apenas a imediata empatia, mas a justa simpatia junto a todo o público, deixando a impressão de que brilha mais do que suficiente para também fulgurar em outros espaços, encantar outros auditórios onde quer permitam que ele vá e assim aumentar (ou começar a angariar) seu cordão de fãs.

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