Barulho d'Água Música

Veículo de divulgação de cantores, duplas, grupos, compositores, projetos, produtores culturais e apresentadores de música independente e de qualidade dos gêneros popular e de raiz. Colabore com nossas atividades: leia, compartilhe e anuncie!


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1026 – Clássico do Mês destaca Cicatrizes, álbum crítico do MPB4 desafiador para os anos de chumbo

O Barulho d’água Música fez uma mudança em sua programação e nesta atualização destaca para a quarta edição da série Clássico do Mês um dos álbuns do MPB4, Cicatrizes (1972), deixando para o mês seguinte Ramilonga/A Estética do Frio, do gaúcho Vitor Ramil. Cicatrizes é o sexto título da discografia do grupo formado em 1964 por Miltinho (Milton Lima dos Santos Filho), Magro (Antônio José Waghabi), Aquiles (Aquiles Rique Reis) e Ruy Faria (Ruy Alexandre Faria), todos nascidos no estado do Rio de Janeiro. Dois anos antes, em 1962, Ruy, Aquiles e Miltinho respondiam pelo suporte musical do Centro Popular de Cultura (CPC), da Universidade Federal Fluminense (filiado ao CPC da UNE), em Niterói.

Em 1963, com a adesão de Magro, o trio aumentou e passou a atuar como Quarteto do CPC em casas de espetáculos como a Boate Petit Paris (Niterói, ainda capital do estado da extinta Guanabara), palco da estreia do grupo que também participava à época dos efervescentes festivais de música popular, principalmente ao lado de Chico Buarque. Por conta desta ligação com o músico carioca, censores do regime de exceção tesouraram bastante o trabalho do MPB4 , conforme apontou o Homem Traça, autor do blogue Criatura de Sebo, um dos nichos de resistência da música de qualidade e independente que disponibilizam obras antológicas na blogosfera. Traça ainda comentou que as faixas de Cicatrizes reúnem diversas canções que dão o tom daquele momento político do país, quando muitos defensores da democracia ou caiam presos, eram torturados e mortos ou acabavam exilados. O blogueiro paulistano classifica como exemplar a faixa Pesadelo, para ele um sinal dos tempos, que, infelizmente, também nos atormentam ainda hoje.

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1017 – Débora Leite reverencia Clara Nunes no Centro Cultural Cine São José, em São Roque (SP)*

* Com matéria publicada na revista Retrospectiva 2017 do jornal O Democrata

Clara Nunes, uma das mais consagradas cantoras e intérpretes da música brasileira de todos os tempos, será homenageada pela cantora Débora Leite  na noite de 27 de janeiro, a partir das 20h30, no palco do Centro Cultural Cine São José, situado em São Roque, aprazível cidade do Interior paulista a menos de 60 quilômetros da Capital. Clara Guerreira, que partiu bem antes do combinado, com 41 anos incompletos e no auge do sucesso, deixou para o público que a estimava uma obra composta por ritmos como afoxés e sambas, com fartas referências aos orixás e aos elementos da natureza, além de tributos à Portela, de compositores do naipe de Paulo César Pinheiro, João Bosco, Aldir Blanc e Chico Buarque, entre outros “bambas”. Deste cativante repertório, Débora escolheu canções como Conto de Areia e Canto das Três Raças, que apresentará acompanhada por Rodrigo Ferreira, ao violão, e o percussionista Manu Neto.

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1010 – Consulado da Portela (SP) recolhe composições históricas para registro em seu Acervo Musical

“Se for falar da Portela, hoje não vou terminar!” (Monarco)

O Acervo Musical, projeto do Consulado da Portela de São Paulo, está requisitando a amigos, aos admiradores, aos compositores portelenses e seus parceiros o envio de composições históricas que possuam para registro em uma única plataforma. O objetivo da campanha é garantir o acesso à perpetuação da memória da Águia Altaneira e da enorme comunidade que representa a atual campeã do Carnaval de 2017 (o título foi dividido com a Mocidade Independente de Padre Miguel) tanto no Rio de Janeiro, quanto no Brasil e no resto do mundo.  Para participar basta fazer o cadastro visitando o linque http://www.consuladodaportelasp.com.br/acervo/logar.php

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999 – Paraná guarda com carinho e saudade a obra de Romano Nunes, o Cabelo, desde menino exímio violonista

“O violão de Cabelo vale por uma orquestra inteira. Só assim para dar noção do talento desse músico paranaense. Mas, mesmo prevenido, você ainda pode sofrer de queixo caído quando ouvir a mágica” Beto Feitosa**, crítico musical fluminense

O Paraná despediu-se em 27 de fevereiro de 2015 de João Batista Nunes, um dos mais talentosos e virtuosos multi-instrumentista do Estado. Cabelo, como ficou conhecido pelos admiradores de todo o país, também utilizava o nome artístico Romano Nunes, sofria de trombose e morreu na véspera, em Curitiba, em consequência do entupimento de uma das vias do coração por um coágulo, após sofrer uma queda. O corpo do músico que estava com 65 anos encontra-se sepultado em Jacarezinho– cidade para a qual a família se mudou em 1951 (oriunda da terra natal, Carlópolis) formada pelos pais, Juvêncio Antônio e Rosa, e mais quatro filhos — um deles a menina Maria Margarida, com a qual, aos 7 anos, João Batista já cantava no programa A Bola da Semana, produzido em Jacarezinho. Aos 17 anos, levando entre os itens da bagagem a primeira guitarra elétrica, Cabelo trocou o Interior pela Capital, onde apesar da natureza humilde e tímida amadureceu profissionalmente, desenvolvendo a maior parte da carreira de violonista, de violeiro, de cavaquinista e de guitarrista, além de compositor, diretor musical e arranjador.

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995 – Para além do boto-cor-de-rosa: conheça o Imbaúba, grupo fundado pelo poeta Celdo Braga que canta o universo da Amazônia

“O Brasil não conhece o Brasil”, em uma adaptação do refrão que remete às Querellas do Brasil,  na qual Aldir Blanc e Maurício Tapajós escreveram “O Brazil não conhece o Brasil” para a canção imortalizada por Elis Regina em Transversal do Tempo (1978), é um bordão difícil de contestar em qualquer campo ou assunto artístico-cultural que se ponha em debate na roda. Para ficar apenas no vasto terreiro da música de Pindorama, a se julgar pelas playlists da maioria das emissoras de rádio, ainda vale mais por estes trópicos a frase original de Blanc e Tapajós, aquela com “z”. Em um país que  embora apresente variedade de estilos e de ritmos – que vão do samba ao caipira, do baião ao chamamé, do fandango ao xaxado, do choro ao Clube da Esquina –, tem prevalecido a porcaria movida tanto a jabá, quanto pela preguiça de programadores — se ruins ou sonsos, mesmo, pouca diferença faz. Entretanto, desde que a internet passou a oferecer ferramentas não apenas para divulgar, mas também compartilhar obras e carreiras, os hábitos de consumo e de produção de música vêm mudando, possibilitando a criação de públicos mais críticos, pluralistas e exigentes. E nesta onda blogues e serviços de streaming conseguem democratizar e oferecer (a baixos ou totalmente sem custos) não apenas novidades e lançamentos que a mídia teima em desprezar, sobretudo os alegadamente “independentes”, deixando disponível na rede para serem baixados em tablets, computadores e celulares conteúdos dos mais diversificados, ecléticos e muito, muito bons.

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982 – Tunai e Wagner Tiso apresentam “Saudades da Elis” na estação ferroviária de Poços de Caldas (MG)

Em mais uma rodada do projeto Composição Ferroviária, moradores de Poços de Caldas e região e turistas que estiverem aproveitando o inverno passeando pelo município sul mineiro poderão curtir, gratuitamente, na manhã de domingo, 30 de julho, apresentação dos músicos Tunai e Wagner Tiso, protagonistas do show Saudades da Elis. Antes de eles subirem ao palco do pátio da estação ferroviária, o público terá a oportunidade de matar saudades de músicas que embalam a memória afetiva de várias gerações, recordadas a partir das 10 horas pelo Choro a Dois. O duo é formado por Gabriel Carbonari (violão) e Jéssica Rosado (bandolim), novos talentos que têm encantado a cidade.

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772 – Graça Braga reverencia Candeia e Maria Alcina relembra sucessos de Luiz Gonzaga no Sesc Campo Limpo (SP)

Maria Alcina -por Vinicius Campos -b

A irreverente Maria Alcina protagonizará espetáculo em homenagem ao Rei do Baião (Foto: Vinícius Campos e arte da xilogravura em destaque de Ariovaldo Leite)

A unidade do Sesc Campo Limpo programou ótimas atrações musicais para os dias seguintes ao Natal e à entrada do Ano Novo para quem mora em São Paulo e não vai pegar a estrada em viagem de férias ou estiver na cidade ou região metropolitana a passeio. Uma das apresentações dará ao público a oportunidade de curtir Maria Alcina, um dos ícones da cultura brasileira, que levará à plateia em 3 de janeiro uma releitura da obra do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, com entrada franca, a partir das 18h30!

Júnior Meirelles, compositor e multi-instrumentista, abrirá a lista das boas opções no sábado, 26 de dezembro, a partir das 20 horas. A apresentação integra a turnê do projeto Pra Quem Tem Coragem de lançamento do álbum homônimo. O repertório é dos mais vibrantes, combina gêneros tradicionais como o samba e pop com timbres e arranjos contemporâneos de metais possibilitando um encontro que promete curar quem por acaso ainda estiver com ressaca de panetone, de peru e de champanha ou amarrando bode por não ter curtido o presente do amigo-oculto.

Júnior Meirelles -foto Divulgação -b

A apresentação de Júnior Meirelles dará sequência à turnê do projeto Pra Quem Tem Coragem de lançamento do álbum homônimo (Foto: Divulgação)

A Poesia Samba Soul, banda liderada por seu fundador, multi-instrumentista e produtor musical Cláudio Miranda, ocupará o palco no domingo, 27, a partir das 18h30. O repertório destacará músicas próprias com pegada dançante dos álbuns Antes Soul do que Mal Acompanhado e Favela da Paz. Claudinho Miranda, Fabio Bass, Pikeno, Paulinho e Hellem Fernandes começaram o projeto em 1988, no extremo sul da cidade de São Paulo, desde então já produziram seis discos e agora estão lançando o terceiro DVD (comemorativo aos 25 anos de estrada) com composições cujas letras transmitem mensagens de incentivo e histórias do cotidiano. A banda já tocou em países como Portugal, Espanha, França, Alemanha e Suíça, muito por conta da música e dos projetos que desenvolve em São Paulo por meio do Instituto Favela da Paz e o Estúdio Áudio Visual, localizado no Jardim Ângela, bairro da zona Sul da cidade.

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Graça Braga: potente voz em reverência a mestres como Candeia, Nelson Cavaquinho, Herivelto Martins e Adoniran Barbosa (Foto: Divulgação)

Graça Braga, que estará no Sesc Campo Limpo  quando os ponteiros cravarem 20 horas do sábado, 2 de janeiro, é intérprete e compositora dona de voz potente. Egressa do Samba da Vela, Graça Braga celebra o compositor Candeia (1935 – 1978), um dos papas do samba carioca, autor de canções como Réu Confesso e Preciso Me Encontrar e participa de vários projetos musicais em São Paulo nos quais presta tributos a Adoniran Barbosa, a Nelson Cavaquinho, e a Herivelto Martins. Eu Sou Brasil, primeiro álbum autoral, lançado em 2007, faturou o Troféu Catavento, reconhecido pela Rádio Cultura como melhor produção independente de samba e melhor música (Dona do Samba, dela em parceria com Paquera). Em 2011, saiu o segundo disco, Dia de Graça – Samba de Candeia, produzido por Thiago Marques Luiz com direção musical de Everson Pessoa, participação de Leci Brandão e Marcos Sacramento. Graça Braga participa também dos CDs 100 Anos de Adoniran Barbosa, 100 Anos de Nelson Cavaquinho e 100 anos de Herivelto Martins.

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Maria Alcina será a estrela de Asa Branca, em tributo ao Velho Lua, que promete interpretar com o merecido respeito, mas sem abrir mão de sua conhecida irreverência para trazer ao público entre mais de 20 sucessos do Rei do Baião clássicos como Paraíba Mulher Macho, Baião, Sabiá e Qui Nem Jiló, com acompanhamento de Olívio Filho (percussão/bateria, violão e o acordeon). A direção artística de Asa Branca será de Fran Carlo,  que também  está à frente de projeto no qual Vânia Bastos reedita o repertório que ela gravara em 1992 Vânia Bastos Cantando Caetano [Veloso].

Natural de Cataguases (MG), Maria Alcina começou a brilhar ainda naquele município antes de se estabelecer na cidade do Rio de Janeiro (RJ). Os primeiros trabalhos marcaram o chamado “Teatro de Revista”, no qual conviveu e atuou com a atriz Leila Diniz, e em casas de espetáculos. A  projeção nacional veio a partir de 1972 quando gravou Fio Maravilha (Jorge Ben Jor), seguida de interpretações de sucessos de artistas consagrados como Rita Lee, João Bosco e Aldir Blanc e Eduardo Dusek. Em 2003,  Maria Alcina voltou a surpreender fãs e críticos ao gravar Agora com o grupo de música eletrônica Bojo, com direito a participação durante a Feira de Música Popkomn, em Berlim.  Em 2009, a mineira ganhou o Prêmio da Música Brasileira nas categorias de melhor cantora, melhor álbum e melhor produção com Confete e Serpentina.

O Sesc Campo Limpo fica na rua Nossa Senhora do Bom Conselho, 120, a 500 metros da estação Campo Limpo da Linha 5 Lilás do Metrô e do terminal de ônibus do bairro. Para mais informações há o telefone 11 5510-2700.

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