Barulho d'Água Música

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853 – Katya Teixeira (SP) recebe amigos e fãs em teatro lotado e lança Cantariar comemorando 21 anos de trajetória

A cantora, instrumentista e compositora Katya Teixeira (SP) recepcionou no palco e na plateia do teatro do Sesc Belenzinho, em São Pailo, na noite de sábado, 9 de abril, familiares, amigos, fãs e parceiros de estrada para festejar o lançamento de Cantariar, álbum com o qual marca 21 anos de carreira. O espetáculo merece adjetivos como deslumbrante e memorável, mas ambos, além de correr o risco de parecerem reducionistas, soariam com pouca fidelidade ao que foi visto e ouvido. Acompanhada por Cássia Maria (percussão), Ney Couteiro (violão) e Thomas Rohrer (rabeca), Katya Teixeira apresentou o repertório ao seu melhor estilo, costurando a apresentação com histórias sobre sua trajetória artística pelo Brasil afora e alguns países latino-americanas, narradas com bom humor mais acentuado do que o de costume, e interpretando com propriedade e deleite as canções que no disco, cuja distribuição agora cabe a Tratore, teve remasterização de Júlio Santin (SP).

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823 – Caixa Cultural (SP) programa shows com Tetê Espíndola e Alzira E em comemoração ao Dia Internacional da Mulher

As irmãs Tetê Espíndola e Alzira E (Campo Grande/MS) estarão juntas entre 8 e 11 de março, em todos os dias a partir das 19h15, para apresentações gratuitas que a Caixa Cultural São Paulo programou para marcar mais uma passagem do Dia Internacional da Mulher. Tetê Espíndola (craviola) e Alzira E (violão) têm timbres de vozes diferentes e trajetórias singulares, mas uma íntima sintonia que permitirá ao público ouvi-las relembrando músicas de autorias próprias mescladas a clássicos do cancioneiro regional, ora em solo e, em outros momentos, protagonizando belos duetos.

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815 – Cida Moreira brilha em “Soledade”, anuncia no Itaú Cultural (SP) novo show e que estrelará filme de terror*

Cida Moreira, uma das mais destacadas cantoras e intérpretes paulistas, ícone nacional desde a época da turma de vanguarda que armou seu bunker no teatro do Lira Paulistana, abriu em 18 fevereiro a temporada do projeto Quintas Musicais, do Itaú Cultural, em São Paulo, protagonizando o show do disco Soledade. Lançado em outubro de 2015 em homenagem a uma pequena cidade do sertão da Paraíba, o álbum revela a música brasileira em um roteiro tanto biográfico quanto histórico, trazendo as influências da artista e transportando o público a diferentes tempos e espaços. No palco, ela alia dotes dramatúrgicos da atriz que também é à proposta do disco que, em suas palavras, “discorre com emoção e lucidez sobre um país que está dentro do meu coração de brasileira, e encravado na inestimável experiência do conhecimento concreto dos lugares mais remotos e significantes.”

Acompanhada por Adriano Busko (percussão), Izaías Amorim (contrabaixo acústico e elétrico), Yuri Salvagnini (acordeom, teclado e piano) e Omar Campos (violões, viola e guitarra),  a própria Cida Moreira se encarrega da direção musical do show que começa caipira, com Viola Quebrada (Mário de Andrade), prossegue com interpretações bastante personalizadas de canções como Bom Dia (Gilberto Gil e Nana Caymmi); o domínio público Moreninha; Forasteiro (Hélio Flanders e Thiago Pethit); Poema, (Alice Ruiz); O Pulso (Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Tony Bellotto); e As Pastorinhas (Noel Rosa e João de Barro), passando por A Última Voz do Brasil (Tico Terpins, Zé Rodrix, Próspero Albanese e Armando Ferrante) em levada de rock. Dentro do roteiro cênico e sonoro do disco, apresenta, ainda, três canções que dialogam com a linha melódica, dramática e musical: Cajuína, (Caetano Veloso); Minha Nossa Senhora (Fátima Guedes); e Na Hora Do Almoço (Belchior).

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Projeções de imagens ao fundo do palco fazem de Soledade mais do que um simples show musical no qual Cida Moreira se reafirma como uma das intérpretes mais ecléticas da música nacional (Foto: Christina Rufatto/Itaú Cultural)

O perfeito resumo da ópera é que Cida Moreira segue sendo um fenômeno ao seu modo absolutamente independente e avesso às concessões. Na volta do Quintas Musicais, encantou e surpreendeu não apenas interpretando um primoroso repertório (no qual “uma música que não tem explicação!”, como se referiu à Construção, de Chico Buarque, por exemplo, ganhou um arranjo de calle de San Telmo), mas também dramatizando e declamando poemas que derivam e se fundem a canções atemporais e ecléticas, revelando um bom gosto por meio do qual aproveitou para homenagear compositores como Taiguara e Nico Nicolaiewsky — que partiram bem antes do combinado, e, assim como ela, seguem “fora das paradas de sucesso, mas no coração das paradas do prestígio”.

Completamente à vontade no palco para distribuir alfinetadas (nem sempre sutis ou veladas), fazer provocações, improvisar e contar piadas (inclusive sobre o atual momento político), gargalhar (muito!) e, irreverente, conversar com a plateia, Cida Moreira, em alguns momentos, parecia se tornar etérea, convocando a acompanhá-la, no máximo, um instrumento além do piano ao qual se sentara, trazendo ao Itaú Cultural uma atmosfera de intimismo que, convidando-nos a fechar os olhos, impunha como forma de devoção cúmplice silêncio da plateia e dos próprios músicos: eles pareciam, também, ascender, desconectados do tempo e do espaço — tal qual a pera esquecida na fruteira, não a apodrecer, mas a se revitalizar por sorver, nota a nota, a seiva conduzida por um floema harmoniosamente melódico. O tecladista e acordeonista Yuri, por exemplo, em vários momentos, quedava-se imerso, talvez, em meditação, demonstrando que estaria em respeitoso transe ou que estaria a absorver as canções tal qual ouvisse orações ou as rezasse. Amorim, encostado à parede, fora do alcance da luz, enquanto sorvia um copo d’água, também se manteve imóvel por um longo intervalo, contemplativo, com os olhos fixos na fonte de sua admiração: a diva que tem declarado amor a todos os admiradores — como se fossem únicos — e entre ela e o coração de cada um construiu pontes sólidas como se fosse mágica. 

Para estes momentos de enlevo e descontração contribuíram não apenas impecável iluminação, com predomínio de tons vermelhos (ora quentes, ora suaves), mas também projeções de imagens ao fundo do palco, em planos e ritmos com andamento ao compasso das músicas — e como nem sempre em linguagem linear ou lógica, beirando o onírico, com direito a um sol nascente elevando-se ao céu e, a cena final, uma ponta de unha, a lua crescente. Enfim, cada pausa ou gesto de Cida Moreira, cada variação do timbre de sua voz do grave ao agudo, todos os demais recursos artísticos empregados para enriquecer a apresentação musical em si, encaixaram-se perfeitamente na concepção do projeto: permitir ao público viajar entre sertão e cidade durante o desdobramento de um espetáculo concebido não apenas com rigor técnico e profissional, bem como, sem perder a ternura, com sensibilidade e a delicadeza. 

 Soledade é assim: um passeio pelo Brasil meu, de cantora e cidadã brasileira, dentro de uma poesia extraordinária e de sua música absolutamente deslumbrante”, comentou Cida Moreira, sem se omitir de, generosamente, dividir os aplausos e o marcante carinho do apinhado auditório (as poltronas das galerias inferior e superior foram todas ocupadas) com sua equipe de trabalho — dentro da qual há e mencionou, por exemplo, o autor das imagens e sua montagem em clipes, Murilo Alvesso; e o cenógrafo, iluminador e diretor geral Humberto Vieira. O disco Soledade, segundo ela, esgotou-se, mas em breve nova prensagem estará disponível e o show seguirá sendo oferecido em casas de grande afluência de público e a Virada Cultural paulistana, ao passo em que ela, paralelamente, costura outros projetos, inclusive um filme de “terror contemporâneo, maravilhoso” do qual será a mocinha e terá parte das locações no Capão Redondo (bairro do extremo da zona Sul de São Paulo), mais outro musical, Copo de Veneno, com Murilo Alvesso.  

 

Sobre Cida Moreira

Cida Moreira (São Paulo, 1951) estreou nos palcos brasileiros na década dos anos 1970, depois de cantar pela primeira vez na rádio Marconi, de Paraguaçu Paulista. Seu primeiro trabalho musical, Summertime, produção independente realizada ao vivo, foi lançado em 1981, no teatro do Lira Paulistana, mesclando clássicos do jazz e do blues, além da versão censurada de Geni e o Zepelim (Chico Buarque). Cantora, pianista e atriz, já lançou dez álbuns, dentre os quais Cida Moreira interpreta Brecht (1988), Cida Moreira canta Chico Buarque (1993) e A Dama Indigna (2011). Ganhou o prêmio de Melhor Atriz pelo filme O Que Se Move (2013), no Lakino Film Festival, em Berlim.

* Com Larissa Corrêa, jornalista do Itaú Cultural

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812 – Em meio a várias homenagens, Passoca, Alzira Espíndola e Gereba relembram sucessos do Vozes e Viola, que apresentavam no Lira Paulistana (SP)

Os cantores e compositores Passoca, Alzira Espíndola e Gereba se encontraram na noite de domingo, 14 de fevereiro, para protagonizarem acompanhados por Noel Bastos (percussão) e Peri Pane (violão e violoncelo) mais um show do projeto Lira Paulistana: 30 anos. E depois? que vem sendo promovido desde janeiro no teatro da unidade Ipiranga do Sesc da cidade de São Paulo. Mais do que recordarem canções que os consagraram quando integravam a Vanguarda Paulista, o trio homenageou vários expoentes da música regional e popular brasileira, um dos quais Geraldo Roca. Com voz embargada, Alzira Espíndola (que tem como nome artístico, atualmente, Alzira E.) conseguiu conter o choro, mas não represou a emoção ao interpretar, ao violão, Trem do Pantanal, que Roca compôs com o conterrâneo Paulo Simões e que se tornou um hino oficioso do Mato Grosso do Sul. Geraldo Roca foi encontrado morto em seu apartamento situado em Campo Grande (MS), na manhã do mais recente Natal.

passoca ate

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661 – Paulo Netho recebe com Salatiel Silva amigos e artistas para rodas de poesias e música em Osasco (SP)

paulus radio
Poesia e boa música em Osasco e para quem mora na cidade e na região situada a menos de 20 quilômetros de São Paulo, lindeiras às Rodovias Castello Branco, Raposo Tavares e Rodoanel Mário Covas agora têm dia e endereço. Todas às quartas-feiras, a partir das 20h15, o poeta, cantor, compositor e recitador Paulo Netho receberá amigos e artistas no restaurante Sr. Glutton, onde em 23 de setembro estreou acompanhado por Salatiel Silva (violão) e participação especial de Marcelo Manfra (sax e flauta) Poesia Futebol Clube — projeto no qual declama poemas e canta músicas de sua autoria e de Salatiel que fazem parte do repertório de Balaio de Doi2, de outros espetáculos da animada dupla, bem como de autores e escritores diversos, entre os quais Arnaldo Baptista, Arnaldo Antunes, Evandro Camperon, Rafael Altério, Bilo Mariano, Carlos Drummond de Andrade, Manoel de Barros, Manuel Bandeira e Paulo Leminski. 

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