913 – Tonino Arcoverde (PE) assina discos de puro regionalismo e poesia que os aproximam de obras literárias

O Barulho d’água Música mais uma vez buscou nas páginas do blogue Terra Brasilis, mantido pelo mineiro Daniel Lamounier Paim, uma excelente dica para amigos e seguidores que apreciam música de qualidade produzida por artistas independentes que sobrevivem Brasil à dentro sem cachês de cervejarias, pagarem jabás para que tenham obras minimamente reconhecidas, nem são atrações em programas de Variedades, revistas e cadernos cults badalados. Entre tanta gente boa que Lamounier acolhe em sua tarefa de garimpagem (o blogueiro de Pará de Minas mantém, ainda, o Em Canto Sagrado da Terra, dedicado somente a trabalhos de conterrâneos, e o Nômade, de música étnica) destacamos o compartilhamento de um dos álbuns do pernambucano Tonino Arcoverde, intitulado Cidade das Abelhas (2005), o segundo da bela discografia que registra quatro títulos, ao todo, em mais de 20 anos de estrada.

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741- Duo Arcoverde (PE), precedido por conferência de Lia Marchi, movimenta a Série Erudita Viola em Concerto (SP)

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O Sesc Pinheiros promoveu na noite de quarta-feira, 25, a penúltima rodada da Série Erudita Viola em Concerto, projeto que desde agosto, com curadoria do violeiro, compositor e professor Ivan Vilela procura levar o público a um mergulho ao universo da viola, desde suas origens seculares até o contexto contemporâneo, desdobrando-se numa série de concertos, palestras e masterclasses que desvendarão o instrumento. Ivan Vilela recebeu desta vez Lia Marchi, para uma nova conferência, e, depois, o palco coube ao Duo Arcoverde, formado pelos pernambucanos Adelmo e André Arcoverde, pai e filho. Antes da apresentação dos Arcoverde, Vilela comentou que por conta das festas natalinas a última sessão da Série está antecipada para 9 de dezembro, a partir das 19 horas. Naquela data a conferência terá por tema O caipira, modos de ser e de não ser, com José de Souza Martins. O show reunirá o Duo Catrumano, dupla formada por ex-alunos de Vilela, os violeiros Rodrigo Nali e Anderson Baptista. 

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668 – Sesc Pinheiros (SP) promove com Renato Varoni e Marcus Ferrer segunda noite da Série Erudita Viola em Concerto

O Barulho d’Água Música acompanhou na noite de 30 de setembro a segunda rodada da Série Erudita Viola em Concerto, que entre agosto e dezembro, mensalmente, sempre na última quarta-feira de cada mês, oferecerá concertos, conferências e masterclasses com grandes nomes da viola instrumental brasileira, buscando mostrar a versatilidade deste instrumento que se confunde com a formação histórica do Brasil. Sob a curadoria do violeiro, compositor, pesquisador e professor Ivan Vilela , a Série buscará estabelecer relações, diálogos e contrapontos no intuito de contribuir para a ampliação e formação de repertório do público em geral.

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Os convidados do dia 30 de setembro foram os cariocas Renato Varoni e Marcos Ferrer. Varoni ministrou a palestra Os caminhos da viola no mundo urbano: Rio de Janeiro – século XIX, seguida pelo concerto de Marcos Ferrer. De acordo com ele, após a transferência da corte portuguesa para o Brasil em 1808 e com a recolocação de 15.000 membros da aristocracia no Rio de Janeiro, teve início um processo civilizatório que transformou política, econômica e culturalmente a então capital do país naquele começo de século XIX. O carioca teve de se adaptar a uma inusitada realidade, levando-o a incorporar novos costumes e a rejeitar outros que passaram a ser considerados ultrapassados.

Nesse contexto, a viola, um dos cordofones mais populares no país desde o século XVI, começou a cair em importância no Rio de Janeiro, enquanto o violão e seus similares como a viola francesa (ou “guitarra francesa”) ocuparam, gradativamente, o papel de principal acompanhador da música popular à medida que os anos 1800 avançavam. Renato Varoni apoiou-se em representações musicais na literatura e na iconografia da época paara durante a palestra mostrar como o declínio da viola no Rio de Janeiro esteve atrelado às disputas sociais mais amplas, resultando na desvalorização simbólica do instrumento ante forças que pretendiam europeizar e modernizar a cidade.

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Renato Varoni tem experiência na área de música popular brasileira como músico, professor e pesquisador. Dedica-se desde 2003 à investigação dos cordofones luso-brasileiros, e é especialista em viola de arame. Concluiu doutorado em Etnomusicologia pela Queens University Belfast com a tese Tuning in to the past: the viola and its representations in 19th century in Rio de Janeiro  e mestrado em Musicologia Histórica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com a dissertação Os caminhos da viola no Rio de Janeiro do século XIX , posteriormente ao Bacharelado em Música com habilitação em Música Popular Brasileira também pela UFRJ. Atualmente,escreve artigos sobre a viola e leciona temporariamente na Universidade Federal do Maranhão (MA).

O concerto que Marcus Ferrer apresentou no Sesc Pinheiros seguiu repertório baseado em acurada seleção de diversos compositores nacionais, entre os quais Guerra-Peixe (Prelúdio número 5), Villa-Lobos (Prelúdio número 2), Radamés Gnattali (Estudo número 5), Edino Krieger (Ponteando), Marisa Resende (Psiu!) bem como composições próprias, tais quais Modinha Prelúdio e Toada Serra Mar, além de peças criadas especialmente para o músico, como Casa de Ferrer, Viola de pau, de Jorge Antunes (DF). Nesta execução, o músico inovou utilizando um arco de violino para tocar uma das suas duas violas e a encerrou com a viola segura pela mão esquerda, em posição vertical com a frente voltada para a plateia e elevada enquanto a vibração das cordas e da batida que ele dera no tampo ressoavam pelo ar; Ferrer levou ao palco duas violas, uma das quais, centenária, tocou a maior parte do concerto, afinada em “rio abaixo”, e com a qual também executou ainda os chorinhos Magoado (Dilermando Reis), Carinhoso (Pixinguinha) e Odeon (Chiquinha Gonzaga); o violeiro Neymar Dias prestigiou o concerto e tocou a viola centenária após o encerramento do concerto.

12049618_992422467488790_5496190345852504206_nMarcus Ferrer é professor da UFRJ, doutor em Teoria e Prática da Interpretação, com a tese A viola de 10 cordas e o Choro: arranjos e análises, pela Universidade Federal do Estado do Rio/UniRio. Mestre em Composição, defendeu a dissertação Choros 4 e Suíte Retratos: o Choro visto por Heitor Villa-Lobos e Radamés Gnattali pela Escola de Música da UFRJ. Ferrer ainda é compositor, violonista e violeiro, além de fundador e integrante da Orquestra de Cordas Brasileira com a qual ganhou três prêmios Sharp: melhor grupo de música instrumental e melhor disco de música instrumental; e melhor disco de música instrumental com Chiquinho do Acordeon e Raphael Rabello. Classificou-se em terceiro lugar no II Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola com Toada Serra Mar.

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Próximas atrações da Série Erudita Viola em Concerto

28 de outubro, 19 horas – Conferência com Paulo Castagna: A difusão das violas no Brasil, do século XVI ao início do século XIX/ 20h30 – Concerto: Fabrício Conde (Juiz de Fora/MG)
29 de outubro, 19 horas – Masterclass: A viola percussão de Fabrício Conde
25 de novembro –  Conferência com Lia Marchi: Entre Brasil e Portugal: viola e tradição/ 20h30 – Concerto: Duo Arcoverde, com André e Adelmo Arco Verde (Nazaré da Mata/PE)
9 de dezembro – Conferência com  José de Souza Martins: O Caipira, modos de ser e de não ser/ 20h30: Concerto: Duo Catrumano, com Rodrigo Nali e Anderson Baptista (Campinas/SP)
O Sesc Pinheiros fica na rua Paes Leme, 195,  a menos de 1.000 metros das estações Faria Lima da linha 4 Amarela do Metrô e Pinheiros da CPTM, com saída pela praça Victor Civita. Para mais informações telefone para 11 3095-9400 e visite sescsp.org.br/pinheiros.
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Primeiro violeiro a tocar no Free Jazz Festival, Adelmo Arcoverde (PE) é o aniversariante de hoje

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O Barulho d’água Música envia hoje, 31 de julho, um abraço dos mais especiais para Nazaré da Mata (PE), cidade onde reside o aniversariante Adelmo Arcoverde, violeiro que traz em suas composições tanto o burburinho e o cheiro das feiras públicas, quanto a elegância e imponência das salas de concerto camerísticos quando empunha sua viola, e dos dez arames extrai sonoridades tipicamente nordestinas, desfilando peças instrumentais que remetem ao universo de cordel e seus múltiplos temas tanto populares, quanto universais, tais como romances proibidos, a saga de cangaceiros que guerreiam em defesa de sertanejos explorados, a fé e a esperança do camponês em seus santos. Adelmo Arcoverde, em julho, foi uma das atrações ao lado do filho, André, do projeto Viola dos 5 Cantos, organizado pelo violeiro Zeca Collares no Sesc Vila Mariana, de São Paulo. 

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Garrincha bate bola, Cora Coralina divide doces e Cartola puxa o refrão em novo álbum de Zeca Collares (MG)

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O cantor e compositor Zeca Collares (Grão Mogol/MG) lançou no domingo, 21 de junho, o oitavo álbum da carreira, acompanhado pelos músicos Cléber Almeida (percussão), Zé Marcos (violão) e Luiz Anthony (contrabaixo) e como plateia para a primeira audição de Estação, biscoito de nata que chegara apenas dois dias antes, teve o público que frequenta a unidade Campinas do Sesc. Zeca Collares ocupou o palco da área de convivência como atração do projeto Folias de Junho. O disco tem dez faixas, das quais duas são instrumentais, e apresentam o universo das rezas, das folias e das vivências sertanejas que formam o ambiente onde, desde menino, ele está inserido, compostas em parceria com Valter Silva e que extrapolam a sonoridade da viola caipira com inovações nas propostas melódicas e harmônicas. “Sempre fui conhecido como um violeiro dedicado ao lado tradicional do instrumento, e já toquei, por exemplo, com Pena Branca e Xavantinho, mas neste novo trabalho vocês notarão: fiz questão de manter os pés nas raízes, com a cabeça colocada no mundo”, disse Zeca Collares que, atualmente, reside em Sorocaba (SP).

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Adelmo e André Arcoverde (PE) trazem em suas violas tanto o encantamento das feiras nordestinas, quanto a elegância dos conservatórios

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O burburinho e o cheiro das feiras populares; um romance proibido entre uma índia e um bandeirante que vinga e resulta em nova família, outro entre um padre e uma freira, este condenado à moda da inquisição; histórias de cangaceiros que guerreiam em defesa de sertanejos explorados ou que bem na horinha “h” negam fogo, deixam de cumprir a “encomenda”, e se convertem; mensagens celestiais transmitidas por querubins por meio das quais Deus reafirma seu amor pela humanidade. Estes e outros temas e personagens da cultura Nordestina inspiram Adelmo Arcoverde em suas magistrais composições e afinações para viola caipira — literatura de cordel da melhor qualidade que ele recita pela voz dos dez arames, ora com sabor ibérico e trovadoresco, ora com elegância camerística — encheram o auditório do Sesc Vila Mariana (SP) na noite de 19 de junho, quando Adelmo e o filho, André, encerraram o projeto Viola dos 5 Cantos. Quem não se rendeu ao frio que castigava Sampa na ocasião, e foi prestigiá-los, acabou voltando para casa com as palmas aquecidas de tanto batê-las!

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Zeca Collares lança Estação, álbum de rezas, folias e violas, no Sesc Campinas (SP)

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O compositor, cantor, e cineasta Zeca Collares, mineiro de Grão Mogol, estará em Campinas na manhã de domingo, 21, para animar mais uma rodada do projeto Folias de Junho/Viola&Café, programação que remete às memórias afetivas dos diversos festejos juninos com danças, música, crenças, aromas e sabores. Atualmente residente em Sorocaba (SP), Zeca Collares apresentará na Área de Convivência seu mais novo trabalho com composições inéditas assinadas por ele, em parceria com o compositor Valter Silva, somada ao cello e contrabaixo de Luiz Anthony, ao violão de Zé Marcos e a percussão de Cléber Almeida. O álbum, Estação, traz o universo regional das rezas, das folias e das violas, além de inovações nas propostas melódicas e harmônicas. 

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Daniel de Paula: epifânico e abrejeirado

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O Sesc Vila Mariana, em São Paulo, acolheu o projeto Viola dos 5 Cantos, com curadoria de Zeca Collares, mineiro de Grão Mogol atualmente residente em Sorocaba (SP), que pretende por meio desta iniciativa belíssima mostrar as particularidades e as semelhanças das várias afinações e modos de tocar a viola nas diferentes regiões do país. O primeiro convidado, Julio Santin, de Irapuru (SP), mostrou em 10 de junho, por meio de cururus, cateretês, pagodes, guarânia e até chamamés, falou um pouco sobre cada estilo e as sonoridades que a viola caipira tem no Estado de São Paulo. Santin estava acompanhado por Marcos Azevedo (violão) e Andre Rass (percussão).

Na sexta-feira, 12 de junho, Daniel de Paula, aniversariante, revelou ao público que ainda não conhecia o instrumento a magia e a singularidade da viola de cocho, presença obrigatória em festas religiosas há séculos no Centro-Oeste e diretamente vinculada a festas populares como  siriri e a cururu. É de impressionar a variedade melódica que ele consegue extrair das suas duas acompanhantes — que, para começo de conversa, na maior parte do tempo, toca de olhos fechados, como se estivesse em oração, no auge de uma epifania, ou saracoteando o corpo como se brejeiro fosse, em sutis bailados e movimentos como se a música fluísse por ele, ou dele estivesse se esvaindo em meio a uma celebração litúrgica cuja comunhão ele atinge com siriemas, araras e arancuãs, rios, peixes, poentes e luares, rituais pantaneiros nos quais ele parece estar imerso.

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Vila Mariana recebe Viola dos 5 Cantos, projeto que enfoca a diversidade e a beleza da viola caipira

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O mineiro Zeca Collares é o idealizador do projeto que o Sesc abraçou e que mostrará ao público que for à unidade da Vila Mariana as belezas e particularidades da viola caipira nas cinco regiões brasileiras ; além dele vão se apresentar Júlio Santin, Adelmo Arcoverde, Daniel de Paula e o Grupo de Catira Botas de Ouro (Foto: Marcelino Lima)

Quatro dos mais conceituados violeiros do Brasil e o grupo de catira Botas de Ouro (Guarulhos/SP) vão se apresentar no mês de junho no SESC da Vila Mariana (SP) como atrações do Projeto Viola dos 5 Cantos, idealizado por um deles, o mineiro radicado em Sorocaba (SP) Zeca Collares. Autor de obras do gênero antológicas tais como Feito em Rendas, Primavera Mineira, Pés descalços e o mais recente Estação, Collares afirma que todo povo se faz caracterizar pela sua cultura autêntica e toda autenticidade se distingue nas raízes. “O exemplo disso é a nossa música popular que pode se orgulhar (e muito) por também ser gerada no bojo de uma viola caipira/brasileira”, aponta.

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