Barulho d'Água Música

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996 – Juliana e João Paulo Amaral apresentam “Açoite” como atração do Composição Ferroviária em Poços de Caldas (MG)

A voz marcante de Juliana Amaral e a viola vigorosa de João Paulo Amaral serão atrações neste domingo, 10 de setembro, em Poços de Caldas, cidade do Sul de Minas Gerais. Os irmãos levarão ao público que prestigia o projeto Composição Ferroviária o espetáculo Açoite, baseado no nome do quarto álbum de Juliana (selo Circus) disco de 2016 cuja direção musical e arranjos couberam a João Paulo. Marca registrada em todas as edições do projeto Composição Ferroviária, o show de abertura sempre é reservado a músicos locais e começa às 10 horas, no pátio da estação da antiga rede Mogyana. Para esta nova rodada, os produtores Wolf Borges e Jucilene Buosi convidaram Jesuane Salvador, intérprete que  oferecerá à plateia um repertório que contempla da MPB ao Jazz.

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804 – Um ano depois de lançar “O Tempo e o Branco”, Consuelo de Paula encanta o público do Sesc São Caetano e chega ao Japão

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Consuelo de Paula, mineira de Pratápolis, já aos 13 anos comandava bloco feminino de Carnaval e “inventava” peças de teatro, dando vazão à veia artística que herdou dos pais e que resulta de sua sensibilidade e inclinação às tradições da terra natal (Fotos acima e no destaque: Marcelino Lima/Arquivo Barulho d’água Musica)

 A cantora, compositora e poetisa Consuelo de Paula está comemorando um ano de sucesso de O Tempo e o Branco. O sexto álbum da carreira desta mineira de Pratápolis que adotou São Paulo, mas hoje mora em vários peitos, foi lançado em 1º de fevereiro do ano passado  no Auditório do Ibirapuera (SP), com participações de Guilherme Ribeiro (acordeom) e João Paulo Amaral (viola caipira), músicos que na ocasião substituíram, respectivamente, Toninho Ferraguti e Neymar Dias, que utilizando os mesmos instrumentos gravaram em estúdio com Consuelo de Paula, mas na ocasião atendiam outros compromissos profissionais. O disco, inspirado livremente nas poesias de Cecília Meireles,  apresenta composições próprias que unem aspectos da música erudita a uma essência e referências ligadas ao cancioneiro popular brasileiro do qual, no show que se tornou inesquecível, cantou, por exemplo, Cuitelinho, Mucuripe e Saudosa Maloca.

A escolha instrumental para os arranjos de O Tempo e o Branco, composta de acordeom e viola caipira, representa bem essa relação com as raízes musicais que levou Consuelo de Paula a homenagear no batismo da obra Dércio Marques, seu conterrâneo de Uberaba, e o sambista do Brás, do Bixiga, da Barra Funda, de Ermelino Matarazzo, da Penha, da Vila Ré, da Vila Matilde e adjacências Adoniran Barbosa. O tributo ao amigo do Arnesto foi por meio de uma composição que ela apresentou pela primeira vez após escrever a letra para melodia dele e de Copinha, de 1934, que ganhou o singelo título Valsa para Matilde — nome da esposa do mais famoso passageiro do trem das onze. Outro momento de emoção: por meio da projeção de um vídeo, o público pode ver e ouvir, também, Rubens Nogueira, o saudoso Rubão, um dos parceiros, compositores e arranjadores mais próximos da mais cintilante daquela noite que até então sucederia um dia chuvoso em Sampa, mas transformou-se em uma pintura de mil estrelas. 

Quase uma volta completa da Terra em torno do Sol depois deste evento que emplacou entre os dez mais destacados do Auditório do Ibirapuera em 2015, Consuelo de Paula de novo encantou e magnetizou o público, desta vez levando ao Sesc de São Caetano do Sul (SP), em 29 de janeiro, manifestações e ritmos como Moçambique, Toada de Congo, Folia, Jongo e Samba que escolhera para o repertório de  Tambor de Rainha, show com o qual encerrou o projeto Eu vi uma História. Para transmitir a emoção guardada de vários momentos de encantamento ao ver um cortejo popular passando (fascínio que aos 13 anos já a tomava e a estimulou a fundar um bloco feminino de Carnaval em Pratápolis só para extravasar sua paixão por batucar), Consuelo de Paula cantou do começo ao fim (acompanhada em coro pela plateia) alternando tambores, violão e um pandeiro composições autorais inspiradas em tambor de crioula, baião e maracatu.

Os admiradores ouviram, assim, tanto canções dos vários álbuns solo (incluindo o novíssimo O Tempo e o Branco), quanto versos do poeta africano Craveirinha e trecho de Azul Provinciano (que ouviu na voz de Mercedes Sosa), enriquecidos por um trecho do livro A Poesia dos Descuidos, que escreveu e recebeu ilustrações de Lúcia Arrais Morales. A lista teve ainda parcerias dela com Rubens Nogueira, Vicente Barreto, Luiz Salgado, Socorro Lira, João Arruda e Rafael Altério que se juntaram a clássicos de Ataúlfo Alves, Alceu Valença e Luís Perequê, à uma adaptação de Villa Lobos para o cancioneiro nordestino e à interpretação bem particular, ao pandeiro, de Insensatez (Vinícius de Moraes e Tom Jobim). Depois de vários cantos de chegança que incluíram congadas que aprendeu na terra natal com Capitão Custódio, o “recoiê” homenageou Milton Nascimento por meio de Caicó.

Tantas tradições evocadas pelas canções e, em particular, entre os instrumentos, os tambores, são justamente o que caracterizam Consuelo de Paula. Sem querermos ceder concessão aos estereótipos, embora saibamos a força que os rótulos ainda exercem, dona de beleza cujos traços a assemelham a uma exuberante nórdica, a cantora estaria a priori mais para a formação erudita e se encaixaria, à priori, muitíssimo bem a uma banqueta de  piano (instrumento que ela queria aprender a tocar, ao seis anos de idade, mas não encontrou professor na cidade, o que a fez chorar). Consuelo, entretanto, mais do que seguir impulsos ou ceder a eventuais modelos, atendeu ao som interior de suas raízes e optou por se entender com as baquetas de tambores e as platinelas dos pandeiros, dando vazão a ritmos crioulos e tupis, pois independentemente do tom da pele e de estéticas, é, antes, filha das sagradas Alterosas, uai,  estado no qual confluem para o mesmo caldeirão ascendências diversas como a afro, a indígenas e a caipira.

Desta bendita conjunção, enfim, brotou uma açucena que se regou bebendo destas fontes universais e, mais do que se apropriar de manifestações do nosso multiétnico povo para traçar uma trajetória “alternativa”, as incorporou, tornando-se para além de lídima porta-voz uma referência para pesquisadores, novatos, olhos e ouvidos aos quais interessarem não a aparência, os badulaques e os apelos sedutores da arte, mas a essência que tempera e colore as tradições nas quais repousam a alma da nação. O gene do Brasil Profundo revela-se em sua obra e esta identidade também começou a se constituir dentro de casa.

Consuelo de Paula é filha de Luiz Gonzaga de Paula e Zélia Silva de Paula. O pai gosta de escrever versos, contar causos e é craque nos improvisos que um bom repentista sempre tem as manhas de produzir. A mãe responde pela segunda voz sempre que se reúne a família em cantorias (“foi o ritmo que uniu o casal nos bailes da cidade”, informou-nos Consuelo, lembrando que a avó paterna já cantava na igreja). A biografia de Consuelo de Paula registra, ainda, que ela “inventava” peças de teatro, tocava na fanfarra e fazia serenatas quando adolescente e, e em Ouro Preto, tocou repinique no Bloco do Caixão.

O talento e sensibilidade de Consuelo de Paula, portanto, além de virem do barro de sua aldeia e dos arredores, têm origem no sangue. É por meio deles que ela consegue enxergar entre o sol e o vento a poesia presente tanto em  pequenas flores ou no fluir e refluir “corriqueiro” de uma onda do mar, quanto na imponência de uma Mantiqueira e na grandiosidade dos oceanos. Consuelo de Paula é particular e, sem ser genérica, atlântica, humanista que em suas letras indica-nos caminhos pacíficos quando abre as retinas para entoar as singularidades e o que nos deveria  fazer a todos irmãos (quer sejamos palestinos ou judeus, cristãos ou ateus); guerreira, à medida que levanta a voz (sem esgarçar o tom) remando contra a maré do mercado do entretenimento e das tendências, vai descobrindo o seu lugar: em cada vez mais e mais numerosos corações. E  lá, em cada um deles, espera por nós, sempre com um sorriso espontâneo, uma declaração de amor!

Então, salve o santo, salve o samba, salve o maracatu, salve a moda, o cururu, a Folia, salve ela, êxtase que passa e (nos) perpassa, doce, mas forte, sutil, entretanto enfática, arrepio que depois do show em São Caetano do Sul agora roçará peles do outro lado do planeta: por meio de um programa especial da rádio Shiga, em 11 de fevereiro, os japoneses terão a honra e o prazer de conhecer o repertório de O Tempo e o Branco. Namastê!

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766 – Contribua para Juliana Amaral lançar “Açoite”, quarto disco da carreira, com arranjos do irmão e violeiro João Paulo (SP)

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Juliana Amaral planeja lançar um disco que toque feridas provocadas pelas mazelas do mundo e as faça sangrar, mas também tenha força poesia para transformar dor em belezas (Fotos: Daniel Kersys, acima, e Marcelo Dacosta, no detalhe, ao lado do título)

A cantora, compositora e atriz Juliana Amaral planeja começar a gravar em 16 de janeiro de 2016 o quarto álbum da estrada que há já 23 anos percorre. O disco se chamará Açoite e para entrar em estúdio acompanhada por um time de músicos que inclui o irmão violeiro João Paulo Amaral Juliana disparou campanha de financiamento coletivo à qual amigos e fãs poderão aderir depositando valores a partir de R$ 25,00. Haverá várias recompensas como contrapartidas às doações, incluindo o envio da discografia completa de Juliana Amaral (formada pelas obras SM,XLS; Juliana Samba; e Águas Daqui), uma edição especial de Açoite, agradecimento no encarte do disco, pôster, camiseta, e sacola em tecido de algodão, além do livro Samba Mínimo, Extra Luxo Super,  tudo com frete incluso para todo o Brasil.

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738 – I Virada Cultural de Osasco teve poema, canção e bandeira branca por Rio Doce e pela paz

Entre os dias 21 e 22 de novembro Osasco, cidade da Grande São Paulo, promoveu a I Virada Cultural de Osasco por meio da qual ofereceu ao público 145 atrações que incluíram música, artes cênicas, dança e gastronomia em parceria da Prefeitura com o Ministério da Cultura e o Sesc.  Entre os shows, o público pode curtir apresentações dos grupos Ira!, O Teatro Mágico e Demônios da Garoa, e dos cantores Pereira da Viola, Zé Geraldo e Oswaldo Montenegro como destaques de um cardápio que teve, ainda, cantores, interpretes e grupos locais como a banda Euphúria, Bilo Mariano e Cecília Camaroto. De acordo com a Prefeitura de Osasco, 82% dos artistas incluídos na programação são do município.

Residente em um bairro identificado como um dos mais ativos redutos culturais de Osasco, o jardim Santo Antônio, Cecília Camaroto tem um rico histórico de participações em bares noturnos e casas de espetáculo e em saraus e festivais tradicionais como o Canto de Julho, que sempre revela bons artistas, cantores e compositores. Desde pequena, Cecília já demonstrava interesse por música, apurava os ouvidos e não resistia à atração que sofria pelas canções de autores consagrados ao ouvir em casa o pai (que tinha uma orquestra e tocava pistom) promover com os amigos rodadas animadas com choros, sambas e composições de baluartes  tais quais Ataulfo Alves  e Noel Rosa a clássicos da música raiz, entre outros ritmos nacionais.

“As meninas como eu, àquela época, iam todas brincar nos quintais, mas eu ficava lá, encantada, ao lado do meu pai e dos músicos e não arredava pé enquanto eles estivessem reunidos”, contou Cecília Camaroto ao blogue. “Trago de lá tudo o que ouvia e hoje gosto tanto de cantar que digo: viver sem música é como ficar sem respirar”.

Apesar desta paixão e do talento que sempre renderam pedidos e convites dos amigos mais chegados para continuar sempre em atividade, por compromissos familiares Cecília Camaroto precisou ficar dois anos longe do microfone. A volta, entretanto, ocorreu em grande estilo: (muito bem) acompanhada pelo maestro e tecladista Hanilton Messias, brindou no domingo, 22, a plateia do palco Nivaldo Santana da Escola de Artes Cesar Salvi com um repertório de primeira.

Logo de saída, Cecília Camaroto propôs uma oração pelo bom entendimento no mundo oferecendo A Paz (João Donato, mas mais conhecida na voz de Gilberto Gil). Depois, até encerrar com Tristeza (de Vinícius de Moraes, consagrada por Jair Rodrigues e interpretada, ainda, por Beth Carvalho) passou por Olha (Roberto Carlos; Chico Buarque e Maria Bethânia também gravaram esta canção), Tocando em Frente (Almir Sater e Renato Teixeira) e Desde que o samba é samba (Caetano Veloso/Gilberto Gil).

Sobre Hanilton Messias, para quem não sabe, basta dizer: tem formação tanto em instrumentos de sopro (como flauta transversal), quanto de cordas (como piano) e foi arranjador entre outros de Cauby Peixoto. O maestro, também parceiro de Bilo Mariano, outra estrela da 1ª Virada Cultural de Osasco, já está costurando um novo show para Cecília Camaroto retomar de vez as apresentações.

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Pereira da Viola e Zé Geraldo, dois consagrados músicos mineiros, tocaram e cantaram também no domingo, 22, no palco Centro. O violeiro começou a cantoria rendendo homenagens ao Rio Doce por meio da canção-poema Lamento do Rio (interpreta pelo poeta Gonzaga Medeiros, que Pereira gravou em seu álbum Viola Cósmica). O Rio Doce, cujas águas e peixes abastecem populações de várias cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo, ficou seriamente contaminado pelo metal que a lama tóxica oriunda da barragem que se rompeu em Mariana/MG, da Samarco/Vale, despejou em seu leito; especialistas dizem que o Rio Doce está “morto” e não conseguirá se recuperar em menos de dez anos. Pereira da Viola, como sempre bem humorado, também contou causos. E fez  tributo a Osasco lembrando, por exemplo, que a cidade é berço da primeira orquestra de violeiros do Brasil e por isso é conhecida como “a Capital da Viola”.

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Zé Geraldo e banda relembraram muitos dos  famosos rocks rurais do Bob Dylan das Alterosas como O Preço da Rosa, Senhorita, Galho Seco, Na barra do seu vestido (dele e de Zeca Baleiro), e Cidadão. Os fãs pediram, mas ele optou por não cantar Rio Doce: “Não vou cantar, mas vou falar: estou muito chateado com o descaso contra nossos rios e florestas e só me resta torcer para que o belo Rio Doce tenha forças para se recuperar”. Em seguida, Zé Geraldo fechou com Milho aos pombos, em cuja letra há versos emblemáticos que podem ser considerados como hino contra outras agressões à humanidade e atitudes tais quais as que levaram aos atentados praticados em Paris, no dia 13.  Após cantá-la, Zé Geraldo, visivelmente comovido, empunhou, agitou e ergueu um prosaico pano que pareceu a este blogueiro ser de secar pratos, mas que por ser branco ganhou o nobre status de bandeira da paz.

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700 – Centenário de Orlando Silva motiva Zé Guilherme (CE) a lançar álbum com 18 faixas para homenagear “O cantor das multidões”

Orlando Silva, nascido no Engenho de Dentro, bairro do Rio de Janeiro a 3 de outubro de 1915, na rua que hoje recebe o nome de Augusta (era General Clarindo outrora), é um daqueles artistas de quem recorrendo às palavras de Rolando Boldrin “viajou antes do combinado”, com apenas 62 anos, vítima de um ataque do coração. O curto período de vida, entretanto, não impediu que Orlando Silva ficasse eternizado como “O cantor das multidões”, título ao qual faz jus por em seu ofício de intérprete primoroso transformar em marcantes sucessos com aquela que até hoje vem sendo considerada a mais bela voz do Brasil obras de Assis Valente, Noel Rosa, Pixinguinha, Wilson Batista, Ataulfo Alves, Nássara, entre tantos outros compositores.

Artista cearense radicado em São Paulo, Zé Guilherme coordenou um árduo e minucioso trabalho de pesquisas do repertório que Orlando Silva apresentava e desta tarefa selecionou 18 canções para gravação do memorável álbum Abre a Janela – Zé Guilherme Canta Orlando Silva no qual homenageia o centenário de nascimento do carioca. Nesta delicada releitura estão, por exemplo, a canção que batiza o disco, a qual se tornou sucesso do Carnaval em 1938 e que lança o convite de Zé Guilherme para o público com ele apreciar o legado de Orlando Silva. 

 

 

“Abri a janela do meu coração para me apossar, com respeito e reverência, dos sucessos de Orlando Silva e reapresentá-los ao público pela minha voz, pela minha forma de cantar”, afirmou Zé Guilherme, tornando realidade um projeto sobre o qual e para o qual se debruçou por dez anos. “Estava ansioso por resgatar e reler a obra desse artista que foi, desde a minha infância, o combustível para a chama do desejo de ser cantor”, observou. “Minha principal diversão era ouvir no rádio a voz majestosa e brejeira do cantor, considerado a maior voz masculina do Brasil”, finalizou comunicando aos fãs e amigos que agora vive  “momento ímpar na minha carreira”.

Abre a Janela – Zé Guilherme Canta Orlando Silva será lançado em show programado para 11 de dezembro, a partir das 21 horas, na unidade do Sesc Belenzinho, em São Paulo. Além da faixa título, a plateia ouvira Zé Guilherme recordar joias que Orlando Silva interpretava tais quais  Cidade Brinquedo, Malmequer, A Jardineira, A Primeira Vez, Pela Primeira Vez, Curare, Dama do Cabaré, Lábios Que Beijei, Preconceito, Aos Pés da Cruz, O Homem Sem Mulher Não Vale Nada, Meu Consolo É Você, Lealdade, Meu Romance, Cidade do Arranha-céu, Faixa de Cetim e Alegria.

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Foto: Alessandra Fratus

Zé Guilherme também tecerá entre as canções comentários  a respeito da vida e da obra de Orlando Silva, bem como sobre o contexto social da época e as razões que nortearam sua escolha do repertório. Com ele estarão Adriano Busko (percussão), Bré Rosário (percussão), Cezinha Oliveira (direção musical, violão, baixo e vocal), Luque Barros (violão de 7 cordas, baixo e vocal), Maik Oliveira (cavaquinho e bandolim) e Pratinha Saraiva (flautas e bandolim). O espetáculo musical terádireção de cena assinada por Mario Tommaso, figurino de Elísio Kamers e iluminação de Silvestre Júnior.

A trajetória de Orlando Silva é marcada por apurado critério, pois ele mesmo deixou registrado que apenas escolhia para o repertório canções que tocavam a alma dele. Zé Guilherme apontou entre outros critérios que a brasilidade da obra norteou a escolha das 18 faixas e que ele optou por contemplar “um perfil mais leve e alegre do cantor” como na maioria dos sambas que trazem sempre um toque de humor nas letras. Já o diretor Cezinha Oliveira inseriu elementos clássicos nos arranjos como piano, baixo acústico, acordeon, trombone e violão de sete cordas, entre outros, conferindo desta forma requinte sonoro ao disco, sem cair no mero saudosismo.

Zé Guilherme e Cezinha buscaram conceber um álbum com base no tripé interpretação, arranjos e composições, mostrar que a chamada “música antiga” do Brasil pode se manter clássica em sua origem, popular em sua apresentação e sofisticada em sua concepção. “Para todos os sambas, busquei inspiração nos conjuntos regionais da época e nas orquestras que acompanhavam os artistas nas rádios”, explicou Cezinha. “O instrumental era, geralmente, formado por acordeon, violão, percussão e instrumento solo de sopro”, ponderou o produtor. “Apenas as marchinhas A Jardineira e Malmequer seguem outro caminho: a primeira tem introdução influenciada pela música barroca e a segunda ganhou um andamento mais jazzístico”

Zé Guilherme é de Juazeiro do Norte, e lá  cresceu ouvindo além de Orlando Silva expoentes como Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Cauby Peixoto, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, entre outros. Cantadores, repentistas e violeiros e ritmos tais quais maracatu, frevo e boi-bumbá também influenciaram seu sonho de ser cantor. Em São Paulo desde 1982, cantou no circuito de casas noturnas da cidade e participou de inúmeros shows ao lado de amigos e parceiros musicais como Maurício Pereira, Cris Aflalo, Madan, Cezinha Oliveira, Marcelo Quintanilha, Péri, entre outros. Em 2004,  estreou Canto Geral, com canções do primeiro disco e músicas inéditas de Marcelo Quintanilha, Carlos Careqa, Péri, Alexandre Leão. Em 2006, saiu  Tempo ao Tempo, com produção e arranjos de Serginho R., direção artística do próprio Zé Guilherme, que assina também a coprodução em parceria com Marcelo Quintanilha. Já em 2007, gravou participação no disco ao vivo Com os Dentes – Poesias Musicadas, de Reynaldo Bessa.

 Orlando Silva  foi filho de José Celestino da Silva, violonista parceiro de Pixinguinha no grupo Os Oito Batutas. José Celestino morreu vítima da gripe espanhola quando o garoto tinha três anos, mas a inclinação à música não se perdeu com a perda do pai. Na adolescência, Orlando Silva já curtia Carlos Galhardo e Francisco Alves, o “Rei da Voz”,  este um dos responsáveis por seu sucesso depois de ser a ele apresentado pelo compositor Bororó.

Francisco Alves imediatamente decidiu lançar o novo amigo em programa que mantinha na rádio Cajuti  e em menos de dez anos o afilhado já se tornara o intérprete cuja voz  ainda encanta pela naturalidade mesmo nos agudos mais vigorosos, os quais não pareciam requerer dele qualquer esforço. Orlando Silva ainda tocou artistas como João Gilberto, seu admirador confesso, e a quem confere  sua paternidade vocal e estética. Entre 1935 e 1942,  vivendo o auge, Orlando Silva atraía os fãs de tal forma que o radialista Oduvaldo Cozzi resolveu passar a apresentá-lo como “o cantor das multidões”. Com tamanho carisma, Orlando Silva chegou no final da  década dos anos 1930  a ser literalmente “atacado” por fãs alucinadas durante passagem por São Paulo.

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683 – Depois de receber Chico Lobo, Atibaia promove semana de homenagem a Sílvio Caldas

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O cantor e compositor Chico Lobo,  um dos mais aclamados violeiros do Brasil, apresentou-se pela primeira vez em Atibaia, estância turística do Interior de São Paulo, no domingo, 11. O mineiro de São João Del Rei residente em Belo Horizonte levou ao palco do Centro Cultural e de Eventos Victor Brecheret, atendendo a convites da Prefeitura e da produtora cultural Ruth Rubbo, um repertório que agradou em cheio a plateia e cantou e tocou com muito entusiasmo sucessos dos quatro álbuns já gravados em mais de 30 anos de carreira, mesclados a joias do cancioneiro regional, caipira e popular consagrados pelo público, dois dos quais teve a companhia do violonista e violeiro da cidade Rafael Cardoso.

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Cantora, arranjadora, compositora e pianista Andrea dos Guimarães lança CD ‘Desvelo’

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Andrea de Guimarães, mineira residente em São Paulo, já tem trabalho consagrado pela atuação no grupo Conversa Ribeira. Agora está lançando álbum solo cujo repertório ela apresenta ao piano com novos arranjos para sucessos de Ataulfo Alves, Dorival Caymmi, Chico Buarque e até da islandesa  Björk e do rei do pagode de viola Tião Carreiro

O que Dorival Caymmi tem a ver com Björk? Para a cantora, pianista, compositora e arranjadora Andrea dos Guimarães, muito. Apesar dos diferentes estilos, tanto o bardo baiano, quanto a vanguardista islandesa fazem uma música carregada de sentimentos, com um tipo de entrega radical. Essa entrega é o que importa para Andrea, que está lançando o primeiro álbum soloDesvelo (http://www.tratore.com.br/um_cd.php?id=7107), em apresentação única programada para a quinta-feira, 26,  partir das 20 horas, no Itaú Cultural (SP).

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