1282 – Do concreto armado ao horário nobre: como, após ser apresentado a Elis, Tunai ganhou notoriedade na MPB

Cantor e compositor que emplacou vários sucessos em trilhas de telenovelas e a exemplo de Belchior morreu dormindo, resolveu trocar o diploma de Engenheiro Civil pelo microfone e pelo violão depois de a Pimentinha gravar As aparências enganam, uma das mais de 200 criações da obra do autor de Frisson. E o projeto de um DVD, com algumas inéditas, pode, em breve, chegar para amenizar a dor dos amigos e fãs

O feeling de Elis Regina para sacar músicas de outros autores que ela podia interpretar com a graça e o talento que possuía se não ajudaram Belchior, Renato Teixeira, Adoniran Barbosa e Ivan Lins a chegarem aonde chegaram após ela dar voz a Como Nossos Pais, Romaria, Tiro ao Álvaro e Madalena, entre outros compositores e canções, no mínimo, deu um empurrãozinho. Entre eles os que por ventura já não estavam depois caíram no gosto do público, e pelos próprios méritos se tornaram ícones incontestáveis da MPB, construindo trajetórias de tamanha grandeza que as canções deles interpretadas pela Pimentinha hoje são “apenas” uma das pulsantes estrelas das próprias constelações que iluminam as respectivas carreiras. Para o mineiro Tunai, a influência de Elis Regina não foi menor; na verdade talvez, conforme ele mesmo chegara a declarar aos dar os primeiros passos rumo á fama, tenha sido decisiva, levando-o a trocar sem pestanejar projetos de engenharia civil pelos palcos, microfones e seu violão.

Para tristeza dos que gostam do perfil da música do qual estamos tratando aqui, na manhã do domingo, 26, Tunai foi encontrado pela esposa, morto, em sua casa, no bairro carioca de Santa Tereza. O atestado de óbito indica que ele sofreu parada cardíaca enquanto dormia — assim como Belchior em abril de 2016, entretanto no caso do cearense autor de Como Nossos Pais devido ao rompimento de uma parede da artéria aorta, conforme foi confirmado mais tarde pela autópsia. Tunai era José Antônio de Freitas Mucci, e estava com 69 anos, foi cremado na tarde da segunda-feira, 27, depois do velório no Memorial do Carmo, no bairro carioca do Caju, situado na zona portuária do Rio de Janeiro, para onde acorreram à despedida amigos, admiradores e familiares, dentre os quais o irmão, o sambista João Bosco, também natural de Ponte Nova, município da Zona da Mata mineira, mas quatro anos mais velho.

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1276 – Gil Jardim rege OCAM e grava clássicos nacionais com gaitista Gianluca Littera

|| tambores comunicações || assessoria de comunicação

Repertório traz releituras de Chico Buarque, Milton Nascimento, Cartola, Djavan, Paulo Bellinati, Cesar Camargo Mariano , com participação de Léa Freire, Ari Colares e Neymar Dias, entre outros

O gaitista italiano Gianluca Littera descobriu a música brasileira na adolescência. Como conta, ‘foi amor à primeira escutada’. Na década dos anos 1970, um amigo apresentou para Luca um disco do violonista Baden Powell (1937-2000) e “com aquela música diferente, num equilíbrio perfeito entre ritmo e melodia”, relembrou, observando que naquele tempo ainda não havia as facilidades das redes sociais, e conseguir LPs brasileiros, na Itália, não era tarefa fácilGianluca não desistiu. Teve acesso a outros LPs, viu shows de músicos brasileiros em Roma, ficou amigo de alguns deles e se envolveu tanto, que, em 2003, foi convidado a tocar no Brasil, com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo Paulo (Osesp). Foi quando conheceu Gil Jardim, diretor artístico da Orquestra de Câmara da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), maestro que, por coincidência, tinha sido chamado pela Osesp para dirigir o concerto.

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1270 – Celsinho Silva (RJ) tira da gaveta sambas que desde criança planejava gravar

Integrante do Conjunto Época de Ouro e Nó Em Pingo D’Água, músico carioca mostra projeto solo, de estreia pela gravadora Kuarup, como intérprete de sambas e clássicos da música brasileira

O percussionista Celsinho Silva faz sua estreia pela gravadora Kuarup com o disco Nas Ondas da Noite, seu primeiro trabalho solo. Integrante do grupo Nó Em Pingo D’Água e do Conjunto Época de Ouro, Celsinho se lança como intérprete em projeto sonhado desde sua adolescência, com músicas que ficaram guardadas, à espera que, um dia, o seu sonho pudesse se realizarNo álbum financiado coletivamente por amigos, fãs e colegas músicos, também mostra seu lado compositor, com alguns sambas em parceria com Paulo Cesar Pinheiro, Délcio Carvalho e Agenor de Oliveira. Além das composições próprias o repertório passeia por canções de grandes mestres da música brasileira como Cartola, Dona Ivone Lara, Paulinho da Viola, Noel Rosa, Pedro Caetano, Zé Keti e do seu mestre de vida, o pai Jorginho do Pandeiro, um dos mais veteranos integrantes do grupo Época de Ouro, fundado por Jacob do Bandolim. 

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1268 – “Vendedor de Sonhos”, com canções escolhidas por Fernando Brant, chega ao mercado

Disco já em todas as plataformas digitais contém 20 canções cujos intérpretes o mineiro de Caldas escolheu para dar alma ao projeto idealizado pelo sobrinho, Robertinho

Antes de desencarnar em junho de 2015, vítima de complicações cirúrgicas decorrentes de um transplante de fígado, o compositor mineiro Fernando Brant estava desenvolvendo com o sobrinho, Robertinho, um projeto para gravar Vendedor de sonhos e, pessoalmente, escolhia, um a um, quem deveria interpretar vinte dos seus principais sucessos, parte do rico repertório de 320 composições que assinou, 110 das quais em duo com Milton Nascimento. A travessia de Fernando interrompeu os planos por algum tempo, mas para a sorte de quem gosta de boa música, agora como homenagem póstuma, as canções foram gravadas e o disco já se encontra nas principais plataformas digitais, lançado pelo selo carioca Biscoito Fino.

Para quem está brincando de “amigo secreto” ou pretende presentear alguém no Natal, tai uma bela dica para surpreender e agradar em cheio, sem medo de dar bola fora; eu, por exemplo, farei aniversário dia 26 e ficaria trifeliz se recebesse o regalo de alguém.

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1261 – Baiano por afeição, Walter Lajes é mais uma joia da ditosa galeria dos cantores e compositores da Boa Terra

Paranaense de berço, depois de passar pela cidade do Rio de Janeiro e também morar em Pernambuco, músico  que já lançou oito álbuns fixou-se em Vitória da Conquista, município onde um dos vereadores acaba de homenageá-lo por mais uma exitosa participação em festival, na cidade paulista de Barueri

A Bahia é generosa com o país e a cultura popular quando o assunto é a contribuição para a boa música e o enriquecimento do nosso cancioneiro. Partindo de Dorival Caymmi e toda a sua família, passando por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa, Pepeu Gomes — para ficar apenas em algumas consagradas joias do estilo popular –, passamos por Elomar, Xangai, Roque Ferreira, Gereba e seu parceiro Capinam — mais dedicados ao que o mercado gosta de classificar como “regional” — entre tantos outros exemplos, chega-se sem surpresas à conclusão que o estado de Castro Alves nada deixa a dever aos que consideram como referencial apenas o Sudeste maravilha — premissa que, por sinal, vale ainda para outros da região Nordeste, sem exceção de nenhuma de suas unidades federativas.

E colocando mais dendê na conversa, ainda que paranaense de nascimento “por um acidente de percurso”, conforme ele mesmo declarou ao Barulho d’água Música, o compositor, poeta, cordelista e como o próprio também se define, cantador Walter Lajes, joga fácil nesta seleção de baianos e tem feito por merecer que holofotes e emissoras, produtores e agentes de espetáculos e programas, bem como a indústria fonográfica, sejam mais generosos e o escalem sem medo de caneladas e de tomar gols contra.

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1259 -Evinha lança em Sampa e no Rio de Janeiro álbum cantando a obra de Guilherme Arantes (SP)

Disco intimista de voz e piano traz música inédita e consagrados sucessos do cantor e compositor paulistano

A cantora Evinha fará apresentações nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro para lançar seu disco de estreia na produtora e gravadora Kuarup,  com um projeto homenageando o cantor paulistano Guilherme Arantes, respectivamente em 12 e 16 de novembro (veja a guia Serviços). Comemorando seus 50 anos de carreira solo e em parceria com o pianista e diretor musical francês Gérard Gambus, a dona da mais emblemática voz do Trio Esperança (a eterna intérprete de Cantiga Por Luciana) em Evinha Canta Guilherme Arantes interpreta clássicos do músico paulistano. A ideia de interpretar obras de Guilherme Arantes nasceu durante uma troca de figurinhas musicais, em meados da década dos anos 1980, quando o músico presenteou Evinha com uma canção inédita, Sou O Que Ele Quer. A partir desse momento, a cantora soube que, mais cedo ou mais tarde, lançaria um álbum homenageando Arantes, o qual ela considera excepcional e sobre ele afirma: suas melodias e harmonias são ditas com inteligência, simplicidade e delicadeza. São sentimentos transformados em palavras que colam perfeitamente nas melodias que assina, sem filtro.

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1258 – Chico Teixeira (SP) dedica sexto álbum a temas de diversos sotaques da música nacional

Ciranda De Destinos é o segundo disco que o cantor e compositor lança pela Kuarup e traz canções de domínio público resgatadas de três das cinco regiões do país, com capa do prestigiado artista plástico Elifas Andreato

O cantor, compositor e violonista Chico Teixeira está lançando Ciranda De Destinos, sexto álbum da carreira e o segundo pela Kuarup Produtora  — cujo exemplar que ouvimos no boteco do Barulho d’água Música nos foi gentilmente enviado pelo diretor artístico Rodolfo Zanke, ao qual agradecemos, estendendo os cumprimentos à equipe toda. Neste novo projeto, Chico Teixeira traz clássicos da música brasileira de diversos sotaques, bem como canções de domínio público resgatadas por grupos folclóricos das regiões Sul, Sudeste e Nordeste, contando desta forma, histórias de um povo unido por diferentes costumes e lutas. 

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1254 – Kuarup lança “Mário Sève”, disco em comemoração aos 60 anos do flautista e saxofonista carioca

Album ao vivo do prestigiado músico é inspirado em temas tradicionais do Brasil e Argentina e conta com a participação de Cecilia Stanzione, além de homenagens ao Época de Ouro e Jonas Silva

A produtora e gravadora Kuarup está lançando um novo álbum do flautista, saxofonista, arranjador e pesquisador carioca Mário Sève, disco com título homônimo que apresenta temas instrumentais de autoria própria, alguns gravados pelos quintetos Aquarela Carioca e Nó em Pingo D’água e outros inéditos. Gravado ao vivo em 1º de maio de 2011 na sala do Itaú Cultural, o disco inclui canções como Sem Preparo, e em parceria com o letrista paulistano  Guilherme Wisnik, além de Una MilongaCanción Necesaría e Zamba Para Sus Manos, com a cantora e letrista argentina Cecília Stanzione, intérprete vocal do álbum. As composições são inspirações contemporâneas no universo sonoro das músicas tradicionais brasileira e argentina. Usando uma terminologia portenha poderiam ser classificadas como aires de choros, milongas, modinhas, tangos, valsas, zambas e baiões. O exemplar que estamos ouvindo aqui no boteco do Barulho d’água Música nos foi gentilmente enviado por Rodolfo Zanke, diretor artístico da Kuarup, a quem e à equipe agradecemos.

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1248 – Kuarup e Saravá Discos se unem para lançar raridades de Taiguara

De cantor romântico em festivais dos anos 1960 a compositor mais censurado do Brasil na década seguinte, exilado duas vezes pelos militares, o uruguaio deixou uma fita cassete com quatro gravações inéditas, agora recuperadas pelo colecionador Marcello Borghi; em uma delas, apresenta sua versão para Caminhando, de Geraldo Vandré, em outra, exalta o escritor negro Lima Barreto

A gravadora Kuarup e a Saravá Discos, do cantor e compositor Zeca Baleiro, lançaram em todas as plataformas digitais nesta sexta-feira, 18 de outubro, quatro gravações inéditas de Taiguara reunidas no EP Taiguara Como Lima Barreto, aproveitando o mês de nascimento do artista, que é de 9 de outubro. Os áudios foram recuperados de fitas cassetes do colecionador Marcello Pereira Borghi,  que também assina a produção dessa raridade. Além da minuciosa recuperação do áudio das fitas originais, a direção artística de Zeca Baleiro envolveu a gravação por estrelas da MPB de novos instrumentos e de um coral.

Taiguara Chalar da Silva (1945-1996) nasceu em Montevidéu (Uruguai) e morreu precocemente, vítima de um câncer, em São Paulo. Depois de grandes sucessos românticos nos festivais dos anos da década  de 1960, Taiguara se tornou o compositor mais censurado do Brasil na década seguinte. Perseguido pelo regime militar, foi para o exílio duas vezes. No segundo retorno, já nos anos 1980, Taiguara incluía as chamadas “canções de protesto” em seus shows.

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1244 – Presenteie sua criança interior com “Um Sonho de Rabeca …”, de Caio Padilha, lançado pela Kuarup

Álbum homenageia a cultura nordestina e mestres da música como Luiz Gonzaga e Antonio Nóbrega e é um excelente presente tanto para o público infantil, quanto para marmanjos que curtem fábulas populares

A gravadora Kuarup está lançando um disco que se dado no próximo dia 12 será uma excelente presente para as crianças, tanto aquelas que de fato ainda experimentam esta gostosa fase da vida, quanto aquelas interiores que sempre devem habitar dentro de nós, adultos, Trata-se de  Um Sonho de Rabeca no Reino da Bicharada, do músico e ator Caio Padilha. O projeto envolve parceria com o Grupo Estação do Teatro e se baseia em contação de histórias para valorizar a cultura popular centrada nos temas da fauna nordestina e fábulas que se encontram com a música de rabeca, instrumento lúdico que celebra os elementos da natureza. O repertório homenageia, ainda, os grandes mestres da música nordestina como Luiz Gonzaga, Elino Julião e Antônio Nóbrega, entre outros e dialoga com Os Saltimbancos,  peça de teatro musical infantil, inspirada no conto Os Músicos de Bremen, dos irmãos Grimm, que na versão em Português ganhou canções adicionais, de Chico Buarque.  Continue Lendo “1244 – Presenteie sua criança interior com “Um Sonho de Rabeca …”, de Caio Padilha, lançado pela Kuarup”