Barulho d'Água Música

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1021 – Cinco álbuns da rica discografia de Roberto Corrêa (MG/DF) já podem ser ouvidos em plataformas digitais

O som sertanejo antes do dilúvio

“Para fechar o arco interiorano, o mineiro de Campina Verde, Roberto Corrêa (…), ponteia com erudição sua assumida viola caipira no CD independente Uróboro, na pele de um Guimarães Rosa encordoado.”
Tárik de Souza, Jornal do Brasil, 10/10/1995

Cinco dos álbuns autorais de Roberto Corrêa, um dos mais conceituados violeiros da atualidade, agora estão disponíveis e podem ser ouvidos, integralmente, em plataformas digitais. Uróboro (1994); Crisálida (1996); Extremosa-Rosa (2002); Temperança (2009); e Viola de Arame (2012), que o mineiro de Campina Verde radicado em Brasília (DF) chama de “filhos muito queridos” é apenas uma amostra da valiosa discografia de Corrêa, respeitado no meio da cultura popular e erudita como instrumentista, arranjador, compositor, pesquisador e professor. Apenas a produção autoral dele conta, ainda, com mais sete títulos e, além destes doze que incluem os cinco disponíveis na internet, ele assina mais uma dúzia, todos dedicados à pesquisas (Chapada dos Veadeiros, 2008; Cantos de Festa e Fé, 2002, por exemplo) e toca e canta como parceiro em outros onze (Violas de Bronze, com Siba, que saiu em 2009; e Esbrangente, com Paulo Freire e Badia Medeiros, de 2003, estão nesta lista). As participações em coletâneas e obras de outros artistas somam 22 (Mestres do Rasqueado, com a Orquestra do Estado do Mato Grosso, sob direção artística de Leandro Carvalho, no qual atua como solista de viola caipira e viola de cocho, 2010; e Meu Céu, de Zé Mulato & Cassiano, 1997)

 

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878 – “Chamamento”, álbum de viola caipira de Fábio Miranda (DF): chapéu no goleiro antes do grito de gol

Há algum tempo  é corrente a expressão “o Brasil é um celeiro de craques”, guardando referência com uma manifestação cultural das mais típicas em Pindorama, o futebol.  Hoje, entretanto, o esporte bretão por aqui está mais para atividade lucrativa e científica do que hedonista ou idílica. De tão maçante que se tornou o que antes afirmava-se com toques de arte, teme-se que tenha sido quebrado um encanto do qual éramos fartamente beneficiários e aquinhoados, com direito a passarmos incontáveis vezes pela fila. Consequência desta desdita: já rareiam peladeiros fabulosos, arteiros pela macunaímica nata, aqueles que ainda podem ou tentam surpreender com um drible de nos deixar de boca escancarada, improvisando do nada um lançamento despretensioso em cujo desfecho a senhorita, após amortecida no peito do atacante, ganha o caminho que a aninhará à rede; personagem assim, capaz ou interessado em ser protagonista de um lance impensado ou improvável que vire o jogo e nos arrebate, quando pinta rapidamente é rapinado pelo mercado externo. E, quem diria, até em negócio da China acaba envolvido!

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724 – Vinícius Alves, autor de Violas e Veredas, é atração do Viola & Café, projeto do Sesc Campinas (SP)

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O Sesc Campinas receberá Vinícius Alves neste domingo, 15, a partir das 10 horas, em nova rodada do projeto Viola & Café. Considerado um virtuose da viola caipira por utilizar várias afinações enquanto toca, Vinícius Alves interpreta e compõe trazendo ao palco a bagagem e a alma do homem do Interior, características que já o premiaram em vários festivais. Em outubro, acompanhando a cantora e compositora Walgra Maria (São João da Boa Vista) ao programa Sr.Brasil, recebeu elogios de Rolando Boldrin e após as gravações entregou ao blogue um exemplar de Violas e Veredas, primoroso disco instrumental que gravou em 1998 e mereceu reedição em 2009. 

Atualmente, entre um show e outro pelo Brasil, Vinícius Alves coordena o Projeto Guri. Para a apresentação gratuita em Campinas com direito a café com sabor de roça acompanhado por bolo de milho, preparou repertório com músicas do disco, novas obras e clássicos da música caipira sempre pedidos pelo público.

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Vinícius Alves em foto reproduzida do álbum Violas e Veredas

A Viola e o Sabiá, por Zé Jabur*

Se o sabiá é um sábio e natural sabedor da arte do “devorteio” do assoviar, ninguém melhor que ele para afirmar que a beleza repousa nas notas e acordes violados desse primeiro trabalho de Vinícius Alves. Explico: assim que botei o cd pra tocar, foi um tal de sabiás passando pela janela de meu quarto, pousando no flamboyanzinho em flor, como que pra saber que som seria aquele? Bom presságio, pensei! Passavam, faziam um duetinho e seguiam seu curso: uma canjinha na minha seleta audição!

Vinícius Alves é fruto da “terceira onda” de violeiros, pois a viola brasileira sofreu verdadeira revolução do século passado (ou seria milênio?) para cá. A “primeira onda” reuniu clássicos como Tião Carreiro, Renato Andrade, Badia Medeiros e outros desbravadores e reinventores desse instrumento português e mouro. Na “segunda onda” vemos uma revolução ainda maior capitaneada por Almir Sater, Roberto Corrêa, Ivan Vilela, Tavinho Moura, Braz da Viola, Paulo Freire e outros bambas que modernizaram a viola trazendo um fraseado mais refinado, misturando os acordes duetados e múltiplas afinações da tradição da viola a solfejos e acordes como o do violão clássico e popular. Os estilos mineiro e mato-grossense passaram a ter roupagem muito sofisticada a partir de então, fundidos às influências que vinham do flamengo, do violão clássico, do blues.

A “terceira onda” revela violeiros entre os quais há Fernando Deghi, Pereira da Viola e Chico Lobo integrando uma lista que parece não acabar mais e traz só uma conclusão: a viola cresce dentro cultura brasileira, diversifica-se e se enriquece, fundindo-se e recriando-se. O caboclo Vinícius Alves é figura de proa nesta cena.  Apresenta jeito reservado como caipira paulineiro que é, intransigente em seus princípios de arte e ética, com sua pureza artística e de coração. Em seu “imborná” cultural todas as influências ancestrais e contemporâneas estão presentes, tanto que no primeiro disco, reeditado em 2009, podemos ouvir multiplicidade de estilos: o violeiro passeia com tranquila autoridade, sem fazer força, fluindo como chalana no Rio Paraguai.

Os traços dos mestres de boa lavra como diria meu avô e seresteiro Zé Pifani enobrecem o álbum. Assim como Elis Regina, que tinha grande influência de Ângela Maria no início da carreira, em Violas e Veredas podemos perceber as fontes de onde Vinícius Alves bebeu de boa água, porém há algo muito particular no fraseado desse violeiro: a limpeza, a claridade, a verdade das coisas feitas com coração e arte, sem excesso de técnica, medida das mais difíceis de ser atingida (que o digam os grandes instrumentistas que criaram escola).

Então, para os afortunados que tiveram acesso a esse trabalho, só resta degustar a mestiça seleção de repertório bem brasileiro, com pagode de viola, guarânia, valsa, folk-blues, chamamé e outros mais… e aguardar o segundo disco que já está no forno. Bom proveito!!!

*Médico-psiquiatra, violeiro aprendiz, poeta nas horas febris e fotógrafo de cultura popular

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Viola Quebrada, grupo de Curitiba (PR), será atração do programa Terra da Padroeira neste domingo, 8

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O grupo paranaense Viola Quebrada renova sucessos da música de raiz com arranjos modernos, mas em todas as canções que grava procura manter as tradições que representam a vertente caipira de nossa cultura popular. O nome do quarteto é inspirado em composição de Mário de Andrade, presente no primeiro álbum.

 

O grupo paranaense Viola Quebrada vai ser o destaque do programa Terra da Padroeira que a TV Aparecida, de Aparecida (SP), levará ao ar neste domingo, 8 de março, a partir das 9 horas. Oswaldo Rios (voz e violão), Mari Amatti (voz), Rogério Gulin (viola) e Rubens Pires (acordeon) formam o grupo, um dos principais representantes do Estado de música brasileira de raiz. Em seu repertório, o Viola Quebrada resgata preciosidades desta vertente para interpreta-las com arranjos modernos, embora não menos singelos, de uma maneira não saudosista, mas que respeita a tradição. 

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“Viola de Arame”, mais uma obra prima de Roberto Corrêa

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A coleção do Barulho d’água tem uma nova aquisição, assinada pelo mestre brasiliense Roberto Corrêa, produzida por ele e Juliana Saenger. Com onze faixas instrumentais, o disco “Viola de Arame” apresenta os atributos de intérprete de Corrêa, resgatando o projeto do começo de sua carreira, quando preparava-se para ser um solista de viola, nos moldes dos violonistas clássicos. Neste trabalho de 2012, Corrêa executa apenas músicas de outros compositores: Ascendino Theodoro Nogueira, que na década de 1960 de forma pioneira, compôs sete prelúdios para a “viola brasileira” solo; o maestro Jorge Antunes e os violonistas Marco Pereira, Eustaquio Grilo e Mauricio Carrilho. O CD traz textos dos compositores sobre as suas obras, o que ajuda a contextualizar o momento histórico, as motivações e inspirações dos autores.

A obra de Corrêa é uma das mais valiosas do universo da viola caipira. Dela tenho o já raro “Urobóro“, “Crisálida“, “No sertão“, “Esbrangente“, “Temperança” e “Viola de Bronze“, gravado com Siba. “Esbrangente” reúne ainda Paulo Freire e Badia Medeiros, violeiros de diferentes tradições que demonstram, por meio da viola caipira e da viola de cocho, a complexidade caipira, a profundidade das canções do sertão, a beleza de sua poesia e os novos voos dos instrumentos em composições próprias. Deste disco destaco bela homenagem de Paulo Freire a Angelino de Oliveira, autor de “Tristeza do Jeca“.