728 – André Salomão (MG) e Pareia Baião de Dois: ótimas receitas para encarar tempestades e escuridão!

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Noite de sexta-feira, 13 (atentem para a data!). Centro Cultural Casarão de Barão Geraldo (Campinas/SP), um local que conforme o Barulho d’água Música tem testemunhado, parece imerso em magia, onde a cada show ou espetáculo situações inusitadas e marcantes se repetem, beirando o fantástico! Os céus despejando lá fora uma tempestade que parece ter vindo do nada, que começou quando a principal atração daquela edição do  Dandô – Circuito de Música Dércio Marques dedilhou as primeiras notas em seu violão, quase abafadas pela ruidosa e violenta ventania que fazia portas e janelas baterem, abrirem e se fecharem, árvores ao redor caírem como se fossem raquíticos galhos; o alarme de um carro dispara: tudo começa a conspirar para que não haja apresentação alguma. O palco, aos poucos, formando pequenas poças, um louva-deus busca abrigo em um holofote. Providência desnecessária: para que o inseto não morresse torrado, o “técnico” de iluminação e da mesa de som, gentilmente, com o aval simpático do músico, desliga a lâmpada, mas mal o cantor conclui aquela primeira música do repertório tudo cai em total escuridão!

André Salomão, paulista que se fixou em Araguari (MG), mas atualmente estuda e mora em Barbacena, era o cantor convidado. Recém chegado de Guarulhos, onde na noite anterior iniciara seu giro por São Paulo fazendo rodar a caravana do circuito idealizado há dois anos por Katya Teixeira, ele, em Barão Geraldo, cumpria a escala que fecharia hoje, 15, em Caldas (MG). Com o súbito temporal que deixou o bairro imerso no breu, Salomão compreensível e confortavelmente poderia ter recolhido trens e tralhas, pedido desculpas e cancelado a cantoria, só que não: levou adiante o compromisso, alheio à fúria de São Pedro, com alegria e contagiante descontração. Fez valer o lema todo artista tem de ir onde o povo está (sem se importar para quantos gatos pingados irá cantar) e cumpriu seu ofício, sob bateria das mais assustadoras de raios e de trovões!

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Enquanto todo o interior do salão clareava a cada novo estalo, seguido por sinistros trovões, André Salomão desafiava o tempo lá fora à medida que desfiava (tranquilo como um louva-deus meditando) obras do repertório próprio e do álbum Planos e Muros entremeadas a sucessos do Clube da Esquina – primeiro iluminado por uma minilanterna que acoplou ao pedestal do microfone, depois por fachos de celulares, e por fim, apenas por chamas de velas. Assim, música a música, conquistou a plateia, fazendo-a interagir em animados esquetes e coros e ignorar o dilúvio. Só ele e o violão. Ou melhor: só ele, o violão e a viola caipira, já que vem gradativamente se tornando bamba também neste instrumento e com um que ganhou em Brasília (DF) ofereceu ao público canções dos álbuns Brasileirinho e Meus Quintais, de Maria Bethânia (Cigarro de Paia, de Armando Cavalcante/Klecius Caldas, e Imbelezô eu), além de Calma, do seu primeiro disco

(Calma /agora que tudo passou /não tem porque correr/ Calma/ agora que tudo passou/já nem tem mais porquê/Junte os cacos / junte os trapos / juntos / Ouça / pois quem não ouve / o outro pode não ouvir você / Ouça /pois quem não se ouve /pode não se ver/Junte os pontos/junte os laços/juntos/Juntos, somos muito/quando fracos são os sós/que são por si e só. Não parece letra feita para aquela noite, tirada do bolso do colete para amenizar a situação?)

No final das contas valeu mais que pelo dobro do “ingresso” a noite na apagada Campinas — que por horas ficou tempestuosa enquanto, simultaneamente, na Cidade Luz, começava a transcorrer tenebrosa — ao menos dentro da sala de Barão Geraldo; onde a apresentação de Salomão se consumou correu das mais agradáveis, em ambiente de intimidade e de bom humor. Agora, corta! Mudemos de plano para observar que gosto não se discute, segundo reza uma máxima popular, mas desinformação pode custar caro quando o assunto for diversão e a chance para desfrutar acesso a ótimas oportunidades de entretenimento.

Tem muita gente protestando contra os salgados preços dos ingressos para ver em um majestoso estádio David Gilmour (que, diga-se de passagem, é estrela incontestável do rock progressivo e este blogueiro adora!). Pessoas vociferam “assim não dá!” (pois estaria sendo promovido um atentado contra o bolso do público que cativa o Pink Floyd) enquanto artistas independentes como André Salomão (no caso de Barão Geraldo diante de escasso número de amigos e fãs que foram prestigia-lo) batalham por uma pataca de reconhecimento! E cantando e tocando de graça, em espetáculos sem cobrança de ingresso ao final do qual se passa um chapéu! Se existe o lado escuro da lua, é gente sideral como André Salomão que faz o sol brilhar mesmo em ocasiões das mais improváveis. É gente que além de talento, banhada por luz própria, consegue protagonizar shows memoráveis diante de poucas cadeiras ocupadas (o que poderia ser frustrante e brochar) e de dois bravos tocos de parafina e pavio. Se gente assim não acalma tempestades, ao menos abranda escuridões!

Quem sabendo ou não que os céus desabariam dirigiu-se na sexta-feira, 13 (será que a tempestade teve correlação com a data?) ao Casarão não voltou para casa satisfeito apenas pelo que André Salomão ofereceu. Antes dele, como anfitrião do convidado desta rodada do Dandô, o casal Mirna Rolim e Bruno Dutra estrearam a Pareia Baião de Dois, dupla que formaram para cantar, tocar, declamar e encenar trechos de obras literárias brasileiras. Ao violão, acompanhada por Dutra tocando flauta, Mirna Rolim interpretou Bêradero, de Chico César, A Lua Girou, de Milton Nascimento, declamou um poema de autoria própria e dramatizou com estilo a narrativa em terceira pessoa do conto Sequência, extraído de Primeiras Estórias, de Guimarães Rosa.  

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Sequência é o desenrolar de uma busca, a princípio, material, na qual um rapaz sai à procura de uma vaca desgarrada (Pitanga) do rebanho, mas que no decorrer da trama transforma-se numa busca espiritual — o animal se converte em ponte entre os dois mundos. Volta-se aqui a se deparar com a força que teria o destino — um elemento recorrente à concepção roseana de como a existência transcorreria: o vaqueiro, saindo à procura de um animal extraviado, termina por ir ao encontro, sem saber, da pessoa amada. “É como se, na vida, o próprio acaso, tecido de erros e de enganos, de repente, sem razão aparente, iluminasse o caminho certo entre os muitos descaminhos da vida”, aponta um texto sobre a obra em um portal preparatório para vestibulares. “A narrativa do conto retoma a crença na predestinação e na recompensa que advém da resistência ao sofrimento: o rapaz e a vaquinha superam obstáculos, enfrentam sérios perigos e são recompensados, pois o moço encontra o verdadeiro amor, a vaquinha, a liberdade”.  

“Baião de dois é um prato aparentemente simples, composto basicamente por dois ingredientes apenas, mas que pode ser oferecido com muitos outros, tornando-o ainda mais saboroso”, disse Mirna, que além de cantora e atriz trabalha como palhaço juntamente com Bruno Dutra.

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719 – MinC confere a Rolando Boldrin grau de Comendador da Ordem do Mérito Cultural

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A presidenta Dilma Rousseff homenageou na segunda-feira, 9 de novembro, em Brasília (DF), artistas brasileiros agraciados com a Ordem do Mérito Cultural de 2015, concedida pelo Ministério da Cultura (MinC) nos graus Grã-Cruz, Comendador e Cavaleiro a personalidades, grupos ou instituições como reconhecimento por suas contribuições ao país. Com direito a show com Caetano Veloso, que entre outros dos seus sucessos cantou Alegria, Alegria, a edição deste ano teve como maior homenageado o poeta paulista Augusto de Campos – criador, ao lado do irmão, Haroldo de Campos, e de Décio Pignatari, do movimento nacional de poesia concreta, na década de 1950. Entre os laureados vinculados à musica estiveram Daniela Mercury e as Ceguinhas de Campina Grande (Grã-Cruz), Arnaldo Antunes e Rolando Boldrin (Comendador), além de Humberto Teixeira, cearense reconhecido Cavaleiro póstumo por entre outras obras ser o coautor de clássicos em parceria com o Rei do Baião, Luiz Gonzaga (PE).

Rolando Boldrin dispensa qualquer tipo de apresentação. Cantor, compositor, ator de cinema, de teatro, de televisão e escritor, tornou-se o querido Sr. Brasil, deferência pela qual seus fãs e amigos passaram a tratá-lo e que faz referência ao programa que já está há 35 anos no ar, dos quais a década mais recente com gravações no teatro do Sesc Pompeia, em São Paulo, acolhidas pela TV Cultura.

Em 20 de julho, Boldrin pode sentir todo o carinho que merece do público nacional — que alcançou por ser um defensor e promotor dos valores tradicionais da cultura popular — durante o programa especial que a emissora da Fundação Padre Anchieta gravou na Sala São Paulo, com a presença de expoentes como Vital Farias, Saulo Laranjeira, Arismar do Espírito Santo, Jane Duboc, Casuariana, Quinteto Violado e os membros do grupo Pau-Brasil, entre os quais Mônica Salmaso, Léa Freire, Paulo Bellinati, Teco Cardoso e Nélson Ayres. Em 25 de setembro, um pouco menos  de um mês antes de completar 78 anos, Rolando Boldrin recebeu o título de Cidadão Guairense, conferido pela Câmara Municipal de Guaíra, cidade do Interior paulista no qual iniciou a carreira aos doze anos e que integra a região da terra natal, São Joaquim da Barra.

Da lavoura ao cinema, hoje esquecidas

As irmãs Indaiá, Maroca e Poroca são as Ceguinhas de Campina Grande, alusão à cidade paraibana em cujas ruas Francisca Conceição Barbosa (Indaiá), Maria das Neves Barbosa (Maroca) e Regina Barbosa (Poroca) começaram a cantar, antes dos sete anos. O reconhecimento do trio veio em 1999, ano do lançamento do documentário A pessoa é para o que nasce, que conta a vida delas, mas as três vêm se queixando de terem sido esquecidas após o sucesso do filme, conforme relataram em programa da qual foram destaque, levado ao ar pela TV Record, em rede nacional, no dia 4 de outubro, e gravado na residência de uma amiga onde há um ano vivem de favor após perderem tudo que ganharam na carreira por má administração dos gestores dos seus bens.

 As Ceguinhas de Campina Grande já se apresentaram com Gilberto Gil e os Paralamas do Sucesso. Cegas de nascença, as três trabalharam na lavoura desde crianças.  E chegaram a ser alugadas como mão de obra temporária pelo próprio pai, que era alcoólatra. O pai morreu quando Indaiá tinha sete anos e elas passaram a se apresentar nas ruas de Campina Grande, cantando emboladas e tocando ganzá. Com as doações que recebiam, sustentavam 14 parentes.

O repertório do trio, aos poucos, passou a incluir cantigas, cocos e outros ritmos do cancioneiro nordestino que as irmãs reprocessaram com acréscimo de improvisos. Em 1997, foram levadas pelo cineasta Roberto Berliner para uma participação no programa Som da Rua, da TVE. Em seguida, Berliner utilizou as gravações feitas para o programa e montou o documentário de curta-metragem A pessoa é para o que nasce.

O sucesso do curta levou a um convite para participar do festival de percussão Percpan de 2000, em Salvador (BA). O grupo recebeu elogios de Naná Vasconcelos e de Otto, além de ser homenageado numa composição de Gilberto Gil. Em 2004, Berliner lançou a versão em longa-metragem do seu documentário. No mesmo ano as três irmãs receberam pela primeira vez a Ordem do Mérito Cultural.

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O amigo do Rei

Humberto Teixeira, nascido em Iguatu (CE) em 1915, é um dos mais representativos e produtivos compositores da música popular brasileira. Músico e poeta, criou com Luiz Gonzaga clássicos como Asa Branca. Teixeira exerceu mandato de deputado federal e criou lei que leva seu nome para divulgar a arte e a cultura brasileira pelo mundo por meio das Caravanas de Música Popular Brasileira. Conhecido como “O Doutor do Baião” e como “O Grande Poeta da Seca”, faleceu em 3 de outubro de 1979, no Rio de Janeiro.

 

668 – Sesc Pinheiros (SP) promove com Renato Varoni e Marcus Ferrer segunda noite da Série Erudita Viola em Concerto

O Barulho d’Água Música acompanhou na noite de 30 de setembro a segunda rodada da Série Erudita Viola em Concerto, que entre agosto e dezembro, mensalmente, sempre na última quarta-feira de cada mês, oferecerá concertos, conferências e masterclasses com grandes nomes da viola instrumental brasileira, buscando mostrar a versatilidade deste instrumento que se confunde com a formação histórica do Brasil. Sob a curadoria do violeiro, compositor, pesquisador e professor Ivan Vilela , a Série buscará estabelecer relações, diálogos e contrapontos no intuito de contribuir para a ampliação e formação de repertório do público em geral.

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Os convidados do dia 30 de setembro foram os cariocas Renato Varoni e Marcos Ferrer. Varoni ministrou a palestra Os caminhos da viola no mundo urbano: Rio de Janeiro – século XIX, seguida pelo concerto de Marcos Ferrer. De acordo com ele, após a transferência da corte portuguesa para o Brasil em 1808 e com a recolocação de 15.000 membros da aristocracia no Rio de Janeiro, teve início um processo civilizatório que transformou política, econômica e culturalmente a então capital do país naquele começo de século XIX. O carioca teve de se adaptar a uma inusitada realidade, levando-o a incorporar novos costumes e a rejeitar outros que passaram a ser considerados ultrapassados.

Nesse contexto, a viola, um dos cordofones mais populares no país desde o século XVI, começou a cair em importância no Rio de Janeiro, enquanto o violão e seus similares como a viola francesa (ou “guitarra francesa”) ocuparam, gradativamente, o papel de principal acompanhador da música popular à medida que os anos 1800 avançavam. Renato Varoni apoiou-se em representações musicais na literatura e na iconografia da época paara durante a palestra mostrar como o declínio da viola no Rio de Janeiro esteve atrelado às disputas sociais mais amplas, resultando na desvalorização simbólica do instrumento ante forças que pretendiam europeizar e modernizar a cidade.

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Renato Varoni tem experiência na área de música popular brasileira como músico, professor e pesquisador. Dedica-se desde 2003 à investigação dos cordofones luso-brasileiros, e é especialista em viola de arame. Concluiu doutorado em Etnomusicologia pela Queens University Belfast com a tese Tuning in to the past: the viola and its representations in 19th century in Rio de Janeiro  e mestrado em Musicologia Histórica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com a dissertação Os caminhos da viola no Rio de Janeiro do século XIX , posteriormente ao Bacharelado em Música com habilitação em Música Popular Brasileira também pela UFRJ. Atualmente,escreve artigos sobre a viola e leciona temporariamente na Universidade Federal do Maranhão (MA).

O concerto que Marcus Ferrer apresentou no Sesc Pinheiros seguiu repertório baseado em acurada seleção de diversos compositores nacionais, entre os quais Guerra-Peixe (Prelúdio número 5), Villa-Lobos (Prelúdio número 2), Radamés Gnattali (Estudo número 5), Edino Krieger (Ponteando), Marisa Resende (Psiu!) bem como composições próprias, tais quais Modinha Prelúdio e Toada Serra Mar, além de peças criadas especialmente para o músico, como Casa de Ferrer, Viola de pau, de Jorge Antunes (DF). Nesta execução, o músico inovou utilizando um arco de violino para tocar uma das suas duas violas e a encerrou com a viola segura pela mão esquerda, em posição vertical com a frente voltada para a plateia e elevada enquanto a vibração das cordas e da batida que ele dera no tampo ressoavam pelo ar; Ferrer levou ao palco duas violas, uma das quais, centenária, tocou a maior parte do concerto, afinada em “rio abaixo”, e com a qual também executou ainda os chorinhos Magoado (Dilermando Reis), Carinhoso (Pixinguinha) e Odeon (Chiquinha Gonzaga); o violeiro Neymar Dias prestigiou o concerto e tocou a viola centenária após o encerramento do concerto.

12049618_992422467488790_5496190345852504206_nMarcus Ferrer é professor da UFRJ, doutor em Teoria e Prática da Interpretação, com a tese A viola de 10 cordas e o Choro: arranjos e análises, pela Universidade Federal do Estado do Rio/UniRio. Mestre em Composição, defendeu a dissertação Choros 4 e Suíte Retratos: o Choro visto por Heitor Villa-Lobos e Radamés Gnattali pela Escola de Música da UFRJ. Ferrer ainda é compositor, violonista e violeiro, além de fundador e integrante da Orquestra de Cordas Brasileira com a qual ganhou três prêmios Sharp: melhor grupo de música instrumental e melhor disco de música instrumental; e melhor disco de música instrumental com Chiquinho do Acordeon e Raphael Rabello. Classificou-se em terceiro lugar no II Prêmio Syngenta de Música Instrumental de Viola com Toada Serra Mar.

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Próximas atrações da Série Erudita Viola em Concerto

28 de outubro, 19 horas – Conferência com Paulo Castagna: A difusão das violas no Brasil, do século XVI ao início do século XIX/ 20h30 – Concerto: Fabrício Conde (Juiz de Fora/MG)
29 de outubro, 19 horas – Masterclass: A viola percussão de Fabrício Conde
25 de novembro –  Conferência com Lia Marchi: Entre Brasil e Portugal: viola e tradição/ 20h30 – Concerto: Duo Arcoverde, com André e Adelmo Arco Verde (Nazaré da Mata/PE)
9 de dezembro – Conferência com  José de Souza Martins: O Caipira, modos de ser e de não ser/ 20h30: Concerto: Duo Catrumano, com Rodrigo Nali e Anderson Baptista (Campinas/SP)
O Sesc Pinheiros fica na rua Paes Leme, 195,  a menos de 1.000 metros das estações Faria Lima da linha 4 Amarela do Metrô e Pinheiros da CPTM, com saída pela praça Victor Civita. Para mais informações telefone para 11 3095-9400 e visite sescsp.org.br/pinheiros.
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654 – Julian Silva, gaúcho nativista de Restinga Sêca, canta o amor à terra e a eventos como a Primavera no álbum de estreia, lançado em 2011

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A Primavera chegará, oficialmente, na quarta-feira, 23 de setembro, e chutará para escanteio o Inverno quando os ponteiros atingirem em Brasília (DF) 5h20. A estação considerada a mais charmosa e colorida dentre todas as quatro traz a exuberância das flores e outros fenômenos dos mais marcantes; em muitas tradições é associada tanto a renascimento, quanto aos viçosos dias da juventude, quando se vive o frescor da vida; historicamente, é pródiga em chuvas a princípio de bonança, mas que à medida que vem vindo o Verão, tornam-se mais intensas e frequentes. Músicos e artistas costumam se inspirar nestes dias para compor e se expressarem, e, um deles, é o jovem gaúcho Julian Silva, do município de Restinga Sêca, localizado na parte central do Rio Grande do Sul, na região que tem Formigueiro, Agudo, Dona Francisca,São João do Polêsine,Cachoeira do Sul e Santa Maria, à distância de 285 quilômetros da Capital, Porto Alegre.

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615 – Victor Batista promove mais duas rodadas do Dandô Dércio Marques cantando em Guarulhos e em Campinas (SP)

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O cantor e compositor Victor Batista, mineiro radicado em Goiás, estará em São Paulo nesta semana para duas apresentações pelo Dandô Circuito de Música Dércio Marques, em Guarulhos, e, depois, em Campinas. No município da região metropolitana, Victor Batista será recepcionado por Amauri Falabella a partir das 19 horas da quinta-feira, 20 de agosto, no anfiteatro da Biblioteca Monteiro Lobato. Já na cidade do Interior, com João Arruda atuando como anfitrião, Victor Batista cantará na sexta-feira, 21, a partir das 20 horas, no distrito de Barão Geraldo. 

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613 – Ivan Vilela recebe Tavinho Moura para primeiro concerto de série do Sesc Pinheiros (SP) sobre viola erudita

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O violeiro e músico Ivan Vilela (Itajubá/MG) coordenará como curador, entre agosto e dezembro, a Série Erudita Viola em Concerto, que transcorrerá no Sesc de Pinheiros, bairro paulistano, e oferecerá concertos, palestras e masterclasses com o intuito de desvendar a viola caipira desde os primórdios do instrumento até o contexto contemporâneo. O próprio Ivan Vilela abrirá o projeto, já nesta quarta-feira, 19, a partir das 19 horas, com entrada franca, distribuída com uma hora de antecedência. O curador abordará no Auditório do terceiro andar, durante sessenta minutos, a trajetória da viola desde as origens há aproximadamente 800 anos até alcançar a atualidade, época na qual, além de ter se consolidado como porta-voz da cultura popular de diversas regiões brasileiras, conquista espaço como objeto de estudo e contemplação no meio acadêmico.

Após a palestra ministrada por Ivan Vilela haverá o primeiro concerto da série, com Tavinho Moura (Juiz de Fora/MG), a partir das 20h30, e para o qual o ingresso custará entre R$ 7,50 e R$ 25,00. Tavinho estará de volta ao Sesc Pinheiros no dia seguinte, desta vez para masterclass a partir das 18 horas, com duração de 120 minutos,  na Sala de Múltiplo Uso que fica, também, no terceiro andar.

Sobre os músicos

Ivan Vilela é doutor em Psicologia Social e mestre em Composição Musical, além de músico, pesquisador e professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP), onde leciona História da Música Popular Brasileira, Viola Brasileira, Rítmica e Percepção Musical. Como curador da Série Erudita Violas em Concerto planeja promover um mergulho no universo da viola caipira, que surgiu há cerca de oito séculos percorrendo, inicialmente, caminhos diversos pelo mundo lusófono.

Herdeira direta do Oud, instrumento persa do século VI, a viola deriva de um dos maiores berços de instrumentos de cordas dedilhadas do mundo, a Península Ibérica. Com ela nos braços, portugueses atravessaram o mar durante o período das grandes navegações, possibilitando, assim, a inserção do instrumento em outras terras fora da Europa. Ivan Vilela também atua como solista e junto a grupos de câmara no Brasil e no exterior, tem livros sobre o tema e outros assuntos relativos à cultura popular, além de vários álbuns.

Tavinho Moura tem mais de uma dezena de álbuns de canções e instrumentais gravados. Seu primeiro trabalho como compositor foi para o cinema, na trilha sonora do filme O Homem de Corpo Fechado, de Schubert Magalhães. Depois algumas de suas obras ficaram consagradas e estão gravadas por artistas e grupos como Milton Nascimento, Beto Guedes, Almir Sater, Boca Livre, 14 Bis, Flávio Venturini, Simone, Pena Branca e Xavantinho e Engenheiros do Havaí. O mais recente álbum, Minhas Canções Inacabadas, foi finalista do Grammy Latino. É um dos fundadores do Clube da Esquina.

Paralelamente ao trabalho musical, Tavinho Moura dedica-se à composição para cinema e também é fotógrafo, além de escritor. Na área do cinema recebeu prêmios como melhor autor de trilha sonora nos festivais de Gramado (RS) e de Brasília (DF), ambos em três ocasiões; prêmio da crítica de São Paulo e Minas; e Coruja de Ouro. É autor dos livros Maria do Matué – Uma estória do Rio São Francisco e Pássaros Poemas – Aves na Pampulha, com imagens que clicou durante caminhadas junto à Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte (MG). O livro Maria do Matué traz encartado o disco Rua do Cachorro Sentado

Para o concerto de Tavinho a venda estará limitada a quatro ingressos por pessoa e não se admitirá a entrada após o início.

“Tocar viola é a afirmação da virtude; tocar viola se transforma em algo essencial. Quando componho na viola visito seu universo, seu social, o sertão, e experimento a sensação de fazer parte da história”, declara Tavinho Moura, que em sua masterclass (aula sobre técnica, processos de criação e recursos utilizados, sobre o instrumento) compartilhará com o público suas experiências pessoais e profissionais como violonista.

Mais Ivan Vilela

28/08, Sesc Itaquera (SP), 14 horas: História da Viola, grátis ウ 22/08, Sesc Itaquera, 14 horas: Do Corpo à raiz, com a Companhia Dançavidal ウ 26/08, Cine Theatro Brasil Valouréc, Belo Horizonte (MG), 19h30: Canto & Viola ウ 29/08, Sesc Itaquera, 15 horas: NóisCaipira

 Endereços das unidades e mais informações sobre o Sesc disponíveis em http://www.sescsp.org.br

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Barulho d’água Música recebe Ciência Matuta, álbum de Zé Mulato e Cassiano, melhor dupla da música brasileira

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Zé Mulato e Cassiano, ao lado do violeiro Zeca Collares, do blogueiro Marcelino Lima e do produtor Volmi Batista, após apresentação de Collares em 21 de junho, no Sesc Campinas, onde a dupla também cantou ao final daquele domingo (Foto: Clayton Januzzi)

O acervo do Barulho d’água Música já conta com o álbum Ciência Matuta, que em 10 junho rendeu a Zé Mulato e Cassiano a estatueta do 26º Prêmio da Música Brasileira, na categoria Melhor Dupla. Ciência Matuta pôs fim a um intervalo de quatro anos sem gravações dos irmãos mineiros que residem em Brasília (DF) e que, com este novo trabalho, enriquecem ainda mais não apenas o próprio repertório, como também a antologia de canções do gênero caboclo, dos quais são expoentes.

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Casa do Núcleo (SP) recebe Sahib Pashazadeh e Kyungso Park, atrações do Azerbaijão e da Coréia do Sul

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Sahib Pashazadeh, músico do Azerbaijão  que toca Tar,  um instrumento tradicional da cultura do país asiático, vai fazer uma apresentação especial na Casa do Núcleo nesta terça-feira, 21 de julho, a partir das 21 horas. Sahib Pashazadeh está de no Brasil para participar de uma residência artística que transcorrerá  durante o Festival da  Serrinha- Bragança, que prosseguirá até 26 de julho em Bragança Paulista (SP).

Músico versátil no repertório mugam (a música tradicional local) e em música de câmara e sinfônica, Sahib nasceu em Baku, a capital do Azerbaijão.  Formado em Mestrado pelo Conservatório Nacional de Música, em 2005, é desde então professor naquela instituição. Coleciona importantes  prêmios em competições nacionais e nos Festivais  de Música Fajr, em Teerã (capital do Irã), Caspian-Sea of Friendshipl, em Aktau, Cazaquistão, e Niagara Chamber Music Festival, no Canadá.

O Serrinha apresenta shows nesta 14ª edição em todos os sábados. Tatá Aeroplano e Canções Velhas Para Embrulhar Peixes se apresentaram em 4 de julho, seguidos por Criolina (11/7); Márcia Castro e Mayra Andrade (18/7). Otto será a atração de 25/7 e, uma semana depois, será a vez do Bixiga 70. Além das apresentações músicas, há  workshops e palestras de artes visuais, cinema e fotografia.

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Dois dias depois de receber Sahib Pashazadeh, a Casa do Núcleo terá no palco Kyungso Park, musicista contemporânea de Gayageum, tradicional instrumento da Coréia do Sul. Kyunsgo é compositora e improvisa dinamicamente com sua vasta gama de músicas desde a tradicional local à vanguarda da música experimental. Ela tem dado concertos em todo os Estados Unidos, Europa e Ásia. Atualmente, faz doutorado na Seoul National University.

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Imagens captadas no Festival de Serrinha (Fotos: Marcelo Delduque, Talita Virginia, Walter Costa)

Serviço

Sahib Pashazadeh
Data: 21 de julho, às 21 horas

Kyungso Park
Data: 23 de julho, às 21 horas

Abertura da Casa às 20 horas
Endereço: Rua Padre Cerdá, 25, Alto de Pinheiros (SP)

Capacidade: 70 pessoas
Aceita Cartão de crédito, débito e dinheiro (não tem estacionamento)
Ingresso: R$35

Classificação indicativa: livre
Venda de ingressos: Bilheteria da Casa do Núcleo ( segunda à sexta de 12h às 18h) ou site www.casadonucleo.com.br.

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Flávio Venturini, Sá & Guarabyra, 14 Bis: Encontro Marcado em 15/05, em São Paulo, depois ES, RJ, GO e DF

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As apresentações do Encontro Marcado começaram em BH, passaram por várias cidades mineiras antes de chegar a SP e vão nos próximos dias ao ES, ao RJ, a GO e ao DF

 

Flávio Venturini, Sá & Guarabyra e a banda 14 Bis estarão juntos em São Paulo na noite de sexta-feira, 15, para uma única apresentação do show Encontro Marcado, no qual devem recordar sucessos como Espanhola, Dona, Caçador de mim, Sobradinho e Canção da América, entre outras que marcaram a trajetória do cantor, da dupla e do grupo. O local do show fica na Avenida das Nações Unidas (Marginal Pinheiros), 17.955, Vila Almeida. O preço do ingresso varia de R$ 40 a R$ 240,00.

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Renato Teixeira divulga agenda até setembro de shows pelo país; dia 26 a entrada é franca em Uberlândia (MG).

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Renato Teixeira, cantando ao lado do filho Chico Teixeira, será atração gratuita em Uberlândia/MG (Foto: Marcelino Lima/set 2013/Barueri-SP)

 

O cantor e compositor Renato Teixeira divulgou a relação de cidades pelas quais passará promovendo shows até pelo menos setembro deste ano. A agenda inclui, inclusive, a apresentação programada para daqui a um ano, no dia 26 de março de 2016, em Curitiba. Fãs do autor de Romaria, Tocando em Frente, Amanheceu, Peguei a Viola, Frete e Amora e amigos e seguidores do Barulho d’água Música em vários dos estados brasileiros já podem anotar as datas no calendário, a começar pelo dia 26 próximo, quando a partir das 19h30 Renato Teixeira será atração na praça de alimentação do shopping local, convidado pelos organizadores do Uberlândia Cultural, projeto vanguardista na região, que busca promover cultura democrática naquele município do Triângulo Mineiro. Não haverá cobrança de ingresso para vê-lo tocar seus grandes sucessos ao lado do filho Chico Teixeira (violão e voz), mais dois músicos.

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O álbum Amizade Sincera – Volume 2, com Renato Teixeira e Sérgio Reis, já pode ser curtido em várias plataformas onlines. As vozes desses grandes nomes da nossa música apresentam neste trabalho um retrato intimista da música caipira e fazem uma grande homenagem aos grandes compositores e intérpretes das letras e melodias que marcaram diferentes públicos do país.

Spotify:http://som.li/19rnl7h|Deezer: http://som.li/1x843hP|Rdio: http://som.li/1xrLhwg|Google Play: http://som.li/1EpYxXb

 

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