Barulho d'Água Música

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998 – Roberto Seresteiro é a próxima atração do Projeto Retratos do Brasil-Prosa e Música, na BMA (SP)

Serestas e Serenatas Brasileiras será o tema da edição de setembro do Projeto Retratos do Brasil – Prosa e Música, marcada para a quinta-feira, 21, quando o curador Jair Marcatti receberá o músico e pesquisador Roberto Seresteiro para um bate-papo com entrada franca, à partir das 19 horas, no palco da Biblioteca Mário de Andrade (BMA). Roberto Saglietti Mahn, nome de batismo do convidado de Marcatti, é jornalista, cantor, professor e ministra palestras sobre a História da Música Popular Brasileira, trabalhando desde 2010 em cursos da Pontifícia Universidade Católica (PUC), Unisant’anna, Anhembi Morumbi e em algumas unidades do Sesc. Seresteiro estará acompanhado do violonista Júnior Pitta.

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930- Sesc Ipiranga (SP) oferecerá em abril encontros inéditos entre consagradas escolas brasileiras de piano

O teatro da unidade Ipiranga do Sesc da cidade de São Paulo estará reservado em todos os domingos de abril a partir do dia 9 para as apresentações do projeto Forte Piano, um inédito e imperdível encontro das diversas escolas brasileiras de piano. Expoentes da nova geração tais quais Hércules Gomes, Daniel Grajew e Cristian Budu irão se revezar no palco com um dos mais importantes e conceituados pianistas brasileiros, o também compositor Laércio de Freitas (veja horários, valores de ingresso e cronograma em Serviço, ao final do texto)

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863 – Morre Fernando Faro, timoneiro e criador do “Ensaio”, programa intimista dedicado à música brasileira

O programa Ensaio ficou sem seu timoneiro e idealizador Fernando Faro, que morreu na noite de domingo, 24 de abril, vítima de infecção pulmonar, aos 88 anos, em São Paulo. Jornalista, produtor musical e diretor também conhecido por Baixo, Fernando Faro dera entrada há três meses acometido por desidratação no hospital onde veio a óbito. O velório se estenderá até por volta das 17 horas quando o corpo deverá ser sepultado no Cemitério do Araçá. De acordo com nota publicada em redes sociais assinada pela produção do programa, o Ensaio começou em 1969, na extinta TV Tupi. Entre 1972 e 1975, virou MPB Especial e passou a preencher a grade da TV Cultura. Ainda nesta canal da Fundação Padre Anchieta, em 1990, retomou o nome original e desde então pôs no ar pelo menos 700 edições. 

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846 – “Alucinação”, álbum que fez de Belchior mais do que apenas um rapaz latino-americano, completa 40 anos

Belchior, um dos mais consagrados, inspirados e lúcidos cantores e compositores da música popular brasileira motivou o portal de notícias 247 a produzir, em 23 de maio do ano passado, uma matéria especial que teve por mote os 39 anos do álbum Alucinação, que hoje, portanto, já se aproxima dos 40.  A empreitada para escrever sobre o disco e o cearense de Sobral que ao vencer o IV Festival Universitário da Música Brasileira em agosto de 1971, concorrendo com Na Hora do Almoço, iniciou a trajetória que o firmaria entre as mais fulgurantes estrelas da constelação da música nacional foi confiada a um jornalista com nome de poeta. Khalil Gibran, então, começou recordando em seu texto no qual nos apoiaremos que Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, ou simplesmente Belchior, teve infância simples, de menino do interior. Porém, a Sobral da sua meninice era uma cidade repleta de sons, cores e poesia que iluminariam seu imaginário. Para ajudar, o contato com a música começou dentro da própria família: o pai tocava sax e flauta, enquanto a mãe cantava no coro da igreja local.

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802 – Maria Alcina e Roberto Seresteiro são atrações da folia no Sesc de São Caetano do Sul (SP)

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Maria Alcina: em mais de quarenta anos de carreira a irreverência sempre foi a marca principal da cantora que interpreta gênios como Luiz Gonzaga e Pixinguinha e que no Sesc cantará Carmem Miranda (Foto: Marcelino Lima/Arquivo Barulho d’água Música)

Para quem mora em Sampa e região metropolitana e está a fim de folia, mas não gasta paciência incrustado em uma poltrona assistindo aos desfiles de escolas de samba, nem alimenta disposição para encarar a muvuca do Anhembi ou de um bloco de rua, o Barulho d’água Música tem duas dicas relacionadas a conteúdos de Carnaval, ambas a serem promovidas pelo Sesc São Caetano, situado em São Caetano do Sul. A primeira, já na sexta-feira, 5, é curtir Maria Alcina interpretando sucessos consagrados por Carmem Miranda, a partir das 20 horas, na área de convivência, com entrada entre R$ 5 e R$ 17. No mesmo espaço, mas no dia seguinte, e mais cedo, a partir das 15 horas, estará Roberto Seresteiro relembrando marchinhas e músicas tradicionais que marcaram época na festa mais popular do Brasil. De graça!

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738 – I Virada Cultural de Osasco teve poema, canção e bandeira branca por Rio Doce e pela paz

Entre os dias 21 e 22 de novembro Osasco, cidade da Grande São Paulo, promoveu a I Virada Cultural de Osasco por meio da qual ofereceu ao público 145 atrações que incluíram música, artes cênicas, dança e gastronomia em parceria da Prefeitura com o Ministério da Cultura e o Sesc.  Entre os shows, o público pode curtir apresentações dos grupos Ira!, O Teatro Mágico e Demônios da Garoa, e dos cantores Pereira da Viola, Zé Geraldo e Oswaldo Montenegro como destaques de um cardápio que teve, ainda, cantores, interpretes e grupos locais como a banda Euphúria, Bilo Mariano e Cecília Camaroto. De acordo com a Prefeitura de Osasco, 82% dos artistas incluídos na programação são do município.

Residente em um bairro identificado como um dos mais ativos redutos culturais de Osasco, o jardim Santo Antônio, Cecília Camaroto tem um rico histórico de participações em bares noturnos e casas de espetáculo e em saraus e festivais tradicionais como o Canto de Julho, que sempre revela bons artistas, cantores e compositores. Desde pequena, Cecília já demonstrava interesse por música, apurava os ouvidos e não resistia à atração que sofria pelas canções de autores consagrados ao ouvir em casa o pai (que tinha uma orquestra e tocava pistom) promover com os amigos rodadas animadas com choros, sambas e composições de baluartes  tais quais Ataulfo Alves  e Noel Rosa a clássicos da música raiz, entre outros ritmos nacionais.

“As meninas como eu, àquela época, iam todas brincar nos quintais, mas eu ficava lá, encantada, ao lado do meu pai e dos músicos e não arredava pé enquanto eles estivessem reunidos”, contou Cecília Camaroto ao blogue. “Trago de lá tudo o que ouvia e hoje gosto tanto de cantar que digo: viver sem música é como ficar sem respirar”.

Apesar desta paixão e do talento que sempre renderam pedidos e convites dos amigos mais chegados para continuar sempre em atividade, por compromissos familiares Cecília Camaroto precisou ficar dois anos longe do microfone. A volta, entretanto, ocorreu em grande estilo: (muito bem) acompanhada pelo maestro e tecladista Hanilton Messias, brindou no domingo, 22, a plateia do palco Nivaldo Santana da Escola de Artes Cesar Salvi com um repertório de primeira.

Logo de saída, Cecília Camaroto propôs uma oração pelo bom entendimento no mundo oferecendo A Paz (João Donato, mas mais conhecida na voz de Gilberto Gil). Depois, até encerrar com Tristeza (de Vinícius de Moraes, consagrada por Jair Rodrigues e interpretada, ainda, por Beth Carvalho) passou por Olha (Roberto Carlos; Chico Buarque e Maria Bethânia também gravaram esta canção), Tocando em Frente (Almir Sater e Renato Teixeira) e Desde que o samba é samba (Caetano Veloso/Gilberto Gil).

Sobre Hanilton Messias, para quem não sabe, basta dizer: tem formação tanto em instrumentos de sopro (como flauta transversal), quanto de cordas (como piano) e foi arranjador entre outros de Cauby Peixoto. O maestro, também parceiro de Bilo Mariano, outra estrela da 1ª Virada Cultural de Osasco, já está costurando um novo show para Cecília Camaroto retomar de vez as apresentações.

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Pereira da Viola e Zé Geraldo, dois consagrados músicos mineiros, tocaram e cantaram também no domingo, 22, no palco Centro. O violeiro começou a cantoria rendendo homenagens ao Rio Doce por meio da canção-poema Lamento do Rio (interpreta pelo poeta Gonzaga Medeiros, que Pereira gravou em seu álbum Viola Cósmica). O Rio Doce, cujas águas e peixes abastecem populações de várias cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo, ficou seriamente contaminado pelo metal que a lama tóxica oriunda da barragem que se rompeu em Mariana/MG, da Samarco/Vale, despejou em seu leito; especialistas dizem que o Rio Doce está “morto” e não conseguirá se recuperar em menos de dez anos. Pereira da Viola, como sempre bem humorado, também contou causos. E fez  tributo a Osasco lembrando, por exemplo, que a cidade é berço da primeira orquestra de violeiros do Brasil e por isso é conhecida como “a Capital da Viola”.

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Zé Geraldo e banda relembraram muitos dos  famosos rocks rurais do Bob Dylan das Alterosas como O Preço da Rosa, Senhorita, Galho Seco, Na barra do seu vestido (dele e de Zeca Baleiro), e Cidadão. Os fãs pediram, mas ele optou por não cantar Rio Doce: “Não vou cantar, mas vou falar: estou muito chateado com o descaso contra nossos rios e florestas e só me resta torcer para que o belo Rio Doce tenha forças para se recuperar”. Em seguida, Zé Geraldo fechou com Milho aos pombos, em cuja letra há versos emblemáticos que podem ser considerados como hino contra outras agressões à humanidade e atitudes tais quais as que levaram aos atentados praticados em Paris, no dia 13.  Após cantá-la, Zé Geraldo, visivelmente comovido, empunhou, agitou e ergueu um prosaico pano que pareceu a este blogueiro ser de secar pratos, mas que por ser branco ganhou o nobre status de bandeira da paz.

doe sangue

 


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700 – Centenário de Orlando Silva motiva Zé Guilherme (CE) a lançar álbum com 18 faixas para homenagear “O cantor das multidões”

Orlando Silva, nascido no Engenho de Dentro, bairro do Rio de Janeiro a 3 de outubro de 1915, na rua que hoje recebe o nome de Augusta (era General Clarindo outrora), é um daqueles artistas de quem recorrendo às palavras de Rolando Boldrin “viajou antes do combinado”, com apenas 62 anos, vítima de um ataque do coração. O curto período de vida, entretanto, não impediu que Orlando Silva ficasse eternizado como “O cantor das multidões”, título ao qual faz jus por em seu ofício de intérprete primoroso transformar em marcantes sucessos com aquela que até hoje vem sendo considerada a mais bela voz do Brasil obras de Assis Valente, Noel Rosa, Pixinguinha, Wilson Batista, Ataulfo Alves, Nássara, entre tantos outros compositores.

Artista cearense radicado em São Paulo, Zé Guilherme coordenou um árduo e minucioso trabalho de pesquisas do repertório que Orlando Silva apresentava e desta tarefa selecionou 18 canções para gravação do memorável álbum Abre a Janela – Zé Guilherme Canta Orlando Silva no qual homenageia o centenário de nascimento do carioca. Nesta delicada releitura estão, por exemplo, a canção que batiza o disco, a qual se tornou sucesso do Carnaval em 1938 e que lança o convite de Zé Guilherme para o público com ele apreciar o legado de Orlando Silva. 

 

 

“Abri a janela do meu coração para me apossar, com respeito e reverência, dos sucessos de Orlando Silva e reapresentá-los ao público pela minha voz, pela minha forma de cantar”, afirmou Zé Guilherme, tornando realidade um projeto sobre o qual e para o qual se debruçou por dez anos. “Estava ansioso por resgatar e reler a obra desse artista que foi, desde a minha infância, o combustível para a chama do desejo de ser cantor”, observou. “Minha principal diversão era ouvir no rádio a voz majestosa e brejeira do cantor, considerado a maior voz masculina do Brasil”, finalizou comunicando aos fãs e amigos que agora vive  “momento ímpar na minha carreira”.

Abre a Janela – Zé Guilherme Canta Orlando Silva será lançado em show programado para 11 de dezembro, a partir das 21 horas, na unidade do Sesc Belenzinho, em São Paulo. Além da faixa título, a plateia ouvira Zé Guilherme recordar joias que Orlando Silva interpretava tais quais  Cidade Brinquedo, Malmequer, A Jardineira, A Primeira Vez, Pela Primeira Vez, Curare, Dama do Cabaré, Lábios Que Beijei, Preconceito, Aos Pés da Cruz, O Homem Sem Mulher Não Vale Nada, Meu Consolo É Você, Lealdade, Meu Romance, Cidade do Arranha-céu, Faixa de Cetim e Alegria.

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Foto: Alessandra Fratus

Zé Guilherme também tecerá entre as canções comentários  a respeito da vida e da obra de Orlando Silva, bem como sobre o contexto social da época e as razões que nortearam sua escolha do repertório. Com ele estarão Adriano Busko (percussão), Bré Rosário (percussão), Cezinha Oliveira (direção musical, violão, baixo e vocal), Luque Barros (violão de 7 cordas, baixo e vocal), Maik Oliveira (cavaquinho e bandolim) e Pratinha Saraiva (flautas e bandolim). O espetáculo musical terádireção de cena assinada por Mario Tommaso, figurino de Elísio Kamers e iluminação de Silvestre Júnior.

A trajetória de Orlando Silva é marcada por apurado critério, pois ele mesmo deixou registrado que apenas escolhia para o repertório canções que tocavam a alma dele. Zé Guilherme apontou entre outros critérios que a brasilidade da obra norteou a escolha das 18 faixas e que ele optou por contemplar “um perfil mais leve e alegre do cantor” como na maioria dos sambas que trazem sempre um toque de humor nas letras. Já o diretor Cezinha Oliveira inseriu elementos clássicos nos arranjos como piano, baixo acústico, acordeon, trombone e violão de sete cordas, entre outros, conferindo desta forma requinte sonoro ao disco, sem cair no mero saudosismo.

Zé Guilherme e Cezinha buscaram conceber um álbum com base no tripé interpretação, arranjos e composições, mostrar que a chamada “música antiga” do Brasil pode se manter clássica em sua origem, popular em sua apresentação e sofisticada em sua concepção. “Para todos os sambas, busquei inspiração nos conjuntos regionais da época e nas orquestras que acompanhavam os artistas nas rádios”, explicou Cezinha. “O instrumental era, geralmente, formado por acordeon, violão, percussão e instrumento solo de sopro”, ponderou o produtor. “Apenas as marchinhas A Jardineira e Malmequer seguem outro caminho: a primeira tem introdução influenciada pela música barroca e a segunda ganhou um andamento mais jazzístico”

Zé Guilherme é de Juazeiro do Norte, e lá  cresceu ouvindo além de Orlando Silva expoentes como Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Cauby Peixoto, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, entre outros. Cantadores, repentistas e violeiros e ritmos tais quais maracatu, frevo e boi-bumbá também influenciaram seu sonho de ser cantor. Em São Paulo desde 1982, cantou no circuito de casas noturnas da cidade e participou de inúmeros shows ao lado de amigos e parceiros musicais como Maurício Pereira, Cris Aflalo, Madan, Cezinha Oliveira, Marcelo Quintanilha, Péri, entre outros. Em 2004,  estreou Canto Geral, com canções do primeiro disco e músicas inéditas de Marcelo Quintanilha, Carlos Careqa, Péri, Alexandre Leão. Em 2006, saiu  Tempo ao Tempo, com produção e arranjos de Serginho R., direção artística do próprio Zé Guilherme, que assina também a coprodução em parceria com Marcelo Quintanilha. Já em 2007, gravou participação no disco ao vivo Com os Dentes – Poesias Musicadas, de Reynaldo Bessa.

 Orlando Silva  foi filho de José Celestino da Silva, violonista parceiro de Pixinguinha no grupo Os Oito Batutas. José Celestino morreu vítima da gripe espanhola quando o garoto tinha três anos, mas a inclinação à música não se perdeu com a perda do pai. Na adolescência, Orlando Silva já curtia Carlos Galhardo e Francisco Alves, o “Rei da Voz”,  este um dos responsáveis por seu sucesso depois de ser a ele apresentado pelo compositor Bororó.

Francisco Alves imediatamente decidiu lançar o novo amigo em programa que mantinha na rádio Cajuti  e em menos de dez anos o afilhado já se tornara o intérprete cuja voz  ainda encanta pela naturalidade mesmo nos agudos mais vigorosos, os quais não pareciam requerer dele qualquer esforço. Orlando Silva ainda tocou artistas como João Gilberto, seu admirador confesso, e a quem confere  sua paternidade vocal e estética. Entre 1935 e 1942,  vivendo o auge, Orlando Silva atraía os fãs de tal forma que o radialista Oduvaldo Cozzi resolveu passar a apresentá-lo como “o cantor das multidões”. Com tamanho carisma, Orlando Silva chegou no final da  década dos anos 1930  a ser literalmente “atacado” por fãs alucinadas durante passagem por São Paulo.

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