Barulho d'Água Música

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1066 – Pereira da Viola convida Nádia Campos para mais uma rodada do projeto Viola de Feira, em BH

Evento da Picuá Promoções é promovido sempre no último domingo de cada mês durante a Feira Coberta, no Centro Cultural Padre Eustáquio

Marcelino Lima, com Nilce Gomes e Lilian Macedo

A Picuá Produções Artísticas, estabelecida em Belo Horizonte (MG), promoverá em 27 de maio a quarta rodada do projeto Viola de Feira, por meio do qual pretende fomentar e difundir a música de viola caipira oferecendo concertos mensais que transcorrerão no Centro Cultural Padre Eustáquio. Durante as apresentações, ponteado por dois ases do estado, o instrumento de dez cordas será a maior atração, sempre no último domingo de cada mês, a partir das 11 horas. Um violeiro anfitrião receberá outro, convidado, de forma que se possa estabelecer entre ambos e a plateia vínculos culturais, fomentando, ainda, diálogos com a música brasileira. A vez , agora, é de Pereira da Viola, que compartilhará a honra com Nádia Campos.

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824 – Pereira da Viola (MG) recebe amigos e admiradores para lançamento de álbum no qual compila sucessos de 20 anos de trajetória

Uma viagem musical em composições, parcerias e andanças pelo país, expressa por meio de repertório que inclui, aglomera e extrapola a diversidade da música de raiz, aumentando a visibilidade da criação artística de Minas Gerais e contribuindo para o enriquecimento e divulgação das artes, lendas e crenças dos povos mineiro e brasileiro. É com este chamamento que Pereira da Viola, um dos mais aclamados violeiros do país, está convidando amigos e admiradores para o “truvejo” que protagonizará ao lado da banda que o acompanha e vários companheiros de estrada neste sábado, 5 de março, no palco do Teatro Sesc Palladium, situado em Belo Horizonte (MG). Na ocasião, Pereira da Viola lançará o álbum em DVD Incelente Maravia – 20 anos, a partir das 21 horas. Quem tiver a oportunidade de prestigiar pode anotar que desfrutará de uma mescla de composições próprias e músicas da tradição oral e um show extremamente alegre e divertido, bem ao estilo do sempre sorridente e simpático Pereira da Viola e sua preciosa viola.

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709 – Sidnei de Oliveira (RS/SP) é convidado de Jair Marcatti para o próximo bate-papo do Imagens do Brasil Profundo

sidnei

O violeiro, filósofo e compositor Sidnei de Oliveira (São Francisco de Paula/RS) será a atração de mais um bate-papo musical do projeto Imagens do Brasil Profundo, série com curadoria do professor Jair Marcatti acolhida pela Biblioteca Mário de Andrade (BMA), situada em São Paulo, e que terá continuidade nesta quarta-feira, 4 de novembro, a partir das 20 horas, com entrada franca.

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“Arreuni” de agosto põe no mesmo palco oito atrações e homenageia “pais” Dércio Marques e Guimarães Rosa

 

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Pereira da Viola, Célio Sene, Levi Ramiro, Paulo Freire (fileira de trás), João Arruda, Tião Mineiro, João Bá e Wilson Dias: oito batutas no palco de Campinas (Fotos: Marcelino Lima)

A edição do “Arreuni” de agosto, promovida no domingo, 10, Dia dos Pais, tinha tudo para ser e já estava sendo inesquecível apenas com a presença das quatro principais atrações no palco do Centro Cultural Casarão do Barão Geraldo, em Campinas. Os violeiros de Minas Gerais Pereira da Viola (Vale do Mucuri) e Wilson Dias (Olhos d´Água), acompanhados pelo anfitrião João Arruda, até já haviam cantado com total interação do público uma música cujo refrão diz “se melhorar, vira rapadura”. Era, quem sabe, um prenúncio da apoteose que estaria por vir.

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Pereira da Viola, mineiro do Vale do Mucuri, cantou com devoção canções como a homenagem a Dércio Marques, “Tributo”, do disco “Pote, a melodia do chão”

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Célio Sene deu um toque de docilidade ao “Arreuni” com sua flauta

Já com Tião Mineiro (um dos “pais” de Arruda e que recentemente atingiu 50 anos de carreira) entre os três da formação inicial, o irrequieto coordenador da cantoria — que até com uma caneta já tinha demonstrado sua inesgotável capacidade de tocar entre tantos outros instrumentos um violão de doze cordas –, chamou para entrarem na roda, antes do encerramento e do “bis”, mais três ilustres músicos que figuravam na plateia.

Eles eram, vai ouvindo, vai ouvindo, simplesmente os violeiros Levi Ramiro e Paulo Freire, duas das mais respeitadas referências do meio, e o cantor e compositor João Bá — este no auge dos 80 anos, mas ainda demonstrando possuir a alegria de um menino. A convocação também reconduziu para a reunião Célio Sene. O flautista havia acompanhado Pereira da Viola na execução das primeiras músicas. 

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Wilson Dias, de Olhos d’Água (MG) deixou a plateia paralisada para o acompanhar durante a música “Canção de Siruiz”, poema do escritor João Guimarães Rosa

Arruda, Pereira da Viola, Wilson Dias e Tião Mineiro, antes das músicas de despedida, já haviam mostrado caprichado repertório. A lista incluía entre as canções uma ode a São Dércio Marques, “Tributo”, presente no álbum “Pote, A Melodia do Chão”, gravado por Pereira e por Dias, em parceria com o compositor João Evangelista Rodrigues. Natural de Uberlândia (MG), Dércio Marques desencarnou há dois anos, em Salvador (BA). Em vida terrena, Dércio teve João Bá entre os vários companheiros de criação. João Bá é autor de “Cavaleiro Macunaíma” e “Carrancas”, entre tantos discos que marcaram época e influenciam até hoje novos valores do regionalismo. E foi tratado por “pai” pelo pupilo Arruda, condição respeitosa e de gratidão a qual alçou ainda Dércio, Levi Ramiro e Tião Mineiro.

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João Arruda, anfitrião da festa em Barão Geraldo, com Tião Mineiro, cantador de modas de viola que já atingiu 50 anos de carreira e no dia 10 apresentou “Acordar com os passarinhos”

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O músico João Arruda, inventivo pupilo de Dércio Marques e de João Bá, toca as cordas de seu instrumento com uma caneta emprestada na hora pelo público

Arruda, por sinal, é João, como Bá. É João, como Evangelista Rodrigues. É João, como Guimarães Rosa, este sempre lembrado e grandiosamente homenageado na ocasião por Wilson Dias ao entoar “Canção de Siruiz” — épico poema do consagrado escritor de “Sagarana” e de “Grande Sertão: Veredas” que, no momento da interpretação do mineiro, mergulhou o Centro Cultural Casarão em profundo silêncio de admiração; quem fechou os olhos talvez tenha avistado Diadorim e Riobaldo juntos à terceira margem do rio debatendo se teria ou não, de fato, sido fechado o “pacto”, os códigos de honra dos jagunços e certos procedimentos do sertão cujas bases não poderiam ser jamais afrontadas, apesar da bem querência entre ambos.

Para quem conhece tanto Arruda, quanto os demais músicos e os acompanha (felicidade e honra da qual desfruta este Barulho d’Água), não cabem discussões quanto a estas observações alusivas aos talentos de cada um.

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Os mestres João Bá e Paulo Freire estavam na plateia, mas chamados ao palco por João Arruda, abrilhantaram ainda mais a apresentação regida pela luz da Super Lua

Dércio Marques e João Bá, por exemplo, têm obras à altura das contribuições de um Heitor Villa-Lobos ou de um Tom Jobim à cultura popular brasileira, ainda que estes possam ser mais conhecidos e cultuados como eruditos. Como a Irene de Manuel Bandeira ao chegar no céu, Elomar Figueira de Mello entra sem precisar pedir licença neste universo e compõe o timaço pelo qual também podem transitar e para o qual ser convocados a vestir a camisa e jogar em qualquer posição os oito expoentes da recente edição do “Arreuni”.

O menestrel baiano do vale do Rio Gavião, autor de “Arrumação” e de “Cantiga do Boi Encantado”, vate criador de bodes e de tarântulas, trovador dos mundos da quadrada das águas perdidas, maestro de outros vastos sertões onde habitam Antenoro, Faviela, Quilimero e tantos vaqueiros e malungos, fez, nos idos de 1980, parte de um projeto que entrou para a história: o “Cantoria”, com Elomar, Vital Farias, Geraldo Azevedo e Xangai, que resultou em dois antológicos álbuns, gravados pela Kuarup e patrocinados pela Funarte, no Teatro Castro Alves (BA).

Pois bem, leitores amigos e seguidores: arrisco afirmar que diferença entre o “Arreuni” do Dia dos Pais e o “Cantoria” talvez resida apenas nos lugares onde ocorreram e nas personagens que os protagonizaram. Se um não teve a merecida atenção dedicada ao outro, a vantagem do espetáculo realizado em Campinas é que os ouvintes voltaram para casa com as palmas e os pés doloridos depois de tanto aplaudirem e caírem na folia, sob as bênçãos da magnífica Super Lua, cheia de encantos e de luz. E olha que no palco a alegria era tanta que choveu até fulô.

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Tião Mineiro e Levi Ramiro, dois dos mais conceituados violeiros do interior paulista, momentos antes de o Arreuni do Dia dos Pais começar no Centro Cultural Casarão