Renato Teixeira, filho e banda relembram seus clássicos em Barueri

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Em sua passagem por Barueri, Renato Teixeira apresentou composições consagradas, entre as quais “Romaria” (Fotos de Marcelino Lima)

Texto recuperado do Facebook, de outubro de 2013

O cantor e compositor Renato Teixeira, acompanhado de uma banda que entre outros reunia o filho Chico Teixeira e Natan Marques, esteve em Barueri, cidade da região Oeste da Grande São Paulo na tarde de 27 de outubro, domingo frio e de garoa. Um público dos mais ecléticos prestigiou no Parque Municipal Dom José a apresentação do autor da consagrada “Romaria”, sucesso do começo dos anos 1.980 que projetou Renato Teixeira de vez no cenário nacional, sempre transitando entre a MPB e a música de raiz. Talvez por saber que seria emocionante demais, Teixeira deixou-a para o final do show. Mal começou a tocar os primeiros acordes, assim que a plateia identificou que a canção em homenagem à Padroeira soaria das cordas e na voz do astro, os aplausos irromperam. Ninguém mais ficou sentado.

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Renato Teixeira também contou causos ao público, revezando-os com a cantoria
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A alça do violão de Renato Teixeira tem um trecho da letra de “Tocando em Frente”

O que não faltou na passagem de Renato Teixeira por Barueri, aliás, foram sucessos da carreira deste paulista que as biografias grafam que teria nascido em Santos, mas que no palco revelou ser de Ubatuba. De saída, “Amanheceu, peguei a viola”, abrindo a estrada para “Frete”, duas composições sucessivas com Almir Sater, (“Um violeiro toca” e “Tocando em frente”), “Plantinhas do Mato” e “Você vai gostar/Casinha Branca”. Antes de “Plantinhas do Mato”, Teixeira, batucando em um agogô fez um “ritual” para tirar a “ziquizira” do ambiente e ainda o “limpou” com um galhinho de arruda com o qual mandou tudo o que era ruim embora. Em  “Você vai gostar”, ele mencionou com reverência o autor, Elpídio dos Santos, de São Luís do Paraitinga (SP). “Estas crianças que hoje são netos, quando forem avós, ainda ouvirão falar em Elpídio dos Santos, um homem simples, mas genial, que nos deixou muitas músicas e coisas boas”. Deus te ouça, Renato Teixeira, Deus de ouça!

(Por falar em Elpídio dos Santos, a família do maestro de Paraitinga entregou a Chico Teixeira uma letra inédita, “Saudade danada”. Chico a gravou e a incluiu entre as faixas de seu álbum de estreia, “Mais que o viajante”. E a apresentou em Barueri, na primeira oportunidade em que cantou em parceria com o pai. O momento mais marcante da vinda dos Teixeira a Barueri, entretanto, ocorreu quando ambos cantaram, olhando um ao outro nos olhos, com respeito, admiração e carinho mútuos, a versão que escreveram para Father and Son”, uma das mais belas canções de Cat Stevens. O show foi gratuito, mas apenas por este momento teria já valido o ingresso.)

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Chico Teixeira e o pai Renato cantaram, juntos, um clássico de Cat Stevens, Father Son, cuja versão está gravada no álbum do jovem cantor

Renato Teixeira também fez homenagens a Pena Branca & Xavantinho, com “Cálix Bento” em ritmo de rock rural, e a Paulo Vanzolini, que morreu em São Paulo no dia 28 de abril de 2013, três dias depois de completar 89 anos. Vanzolini é o autor de “Ronda” e de “Volta por cima”, entre outras canções consagradas. Renato e Chico Teixeira ainda relembraram “Cuitelinho”, o outro nome do beija-flor, música do folclore do Pantanal de Mato Grosso que Vanzolini recolheu e que a dupla José Ramiro Sobrinho e Ranulfo Ramiro da Silva, como eram chamados Pena Branca e Xavantinho, também eternizaram, acrescentando à letra o verso “eu vou pegar teu retratinho e colocar numa medalha, com um vestidinho branco e um lenço de cambraia, colocar junto do peito, onde o coração trabalha”. Para a despedida, com o público concentrado junto ao palco, Renato Teixeira e banda reservaram “Amizade sincera”, “Cabecinha no ombro” (Paulo Borges) e “Beijinho Doce” (Nhô Pai).

N.A.: Renato Teixeira e banda, realmente, encantaram com o repertório que trouxeram a Barueri. Havia algumas imperfeições no sistema de som, tanto que Renato, gentilmente, por duas vezes, pediu à mesa que as corrigissem; quando Chico Teixeira cantou “Saudade danada” quase não se ouvia a voz dele, pois a música estava alta. O show seguiu e apesar disso atingiu seus objetivos. Mas duro, mesmo, foi ter de aguentar a apresentação começar, depois da passagem das músicas, ouvindo melodramas ditos “sertaneja” e pagodinhos de gostos e letras duvidosos. Pois é, é como diz o ditado: em casa de ferreiro, o espeto é de pau…

 

Tributo à dupla Cascatinha e Inhana une Wilson Teixeira e Sarah Abreu

O cantor e compositor Wilson Teixeira gravou em maio participação no programa Sr. Brasil, do apresentador Rolando Boldrin (TV Cultura). O autor de “Almanaque Rural” ocupou o palco do teatro do SESC Pompeia ao lado de Sarah Abreu, com quem compartilha projeto de resgate e preservação da obra de Cascatinha e Inhana.
Wilson e Sarah cantaram no primeiro bloco do programa que ainda não tem data definida para ir ao ar. “Índia” foi a primeira música do repertório da consagrada dupla que ambos relembraram. Depois, a pedido de Boldrin, o publico ouviu “Meu primeiro amor”. A guarânia “Colcha de retalhos” finalizou a gravação sob efusivos aplausos da plateia e do próprio Sr. Brasil. A viola de Wilson Teixeira e a voz de Sarah Abreu, que faz parte do grupo Nhambuzim, tiveram o competente apoio dos companheiros de estrada Vinícius Bini, Walter Bini e Thadeu Romano.

Wilson Teixeira sustenta uma carreira independente que desponta como uma das mais promissoras e primorosas entre os violeiros da atualidade que se dedicam a preservar a música de raiz, de alma caipira, aquela que faz jus ao rótulo sertaneja. Suas composições e jeito de tocar também evocam e flertam com muita qualidade com o blues e com o folk conforme comprovam a maioria das faixas do seu curto, mas premiado álbum de estreia, “Almanaque Rural”, de 2006. As 10 composições gravadas com apoio de amigos e de admiradores renderam a ele, em 2013, um dos troféus de melhor disco solo do III Prêmio Rozini de Excelência de Música de Viola. Wilson Teixeira recebeu a homenagem em 17 de junho, no Memorial da América Latina, em solenidade de gala encerrada com show de Almir Sater.

Wilson Teixeira e Sarah Abreu relembraram três clássicos de Cascatinha e Inhana no palco do Sr.Brasil (Foto: Marcelino Lima)

Natural de Avaré, residente em São Paulo, Wilson Teixeira prepara o segundo disco. A exemplo de “Almanaque Rural” deverá sair do próprio bolso  e deverá ser lançado ainda em 2014. E está, ainda, engajado a projeto pessoal de resgate das memórias e obras de Tonico e Tinoco, integra o “4 Cantos” ao lado dos também exímios violeiros e compositores Cláudio Lacerda (São Paulo), Luiz Salgado (Pato de Minas) e Rodrigo Zanc (Araraquara/São Carlos).

Wilson Teixeira já participou de e venceu vários festivais de viola, entre os quais o de Tatuí, com a música “No último pé do pomar”. Ao final de abril,  ao lado de parceiros de estrada como Jonavo e Tuia Lencioni, além de Chico Teixeira e o pai Renato (apesar do sobrenome, os três não têm parentesco, ao menos sanguíneo), ele passou pelo palco do Bourbon Street, consagrada casa de shows de Moema que já recebeu B.B.King. Durante 4 horas, foi uma das estrelas da Festa Folk Brasil. Os irmãos Bini também estavam lá.

Foi em festivais pelo Interior paulista que Wilson Teixeira conheceu Sarah Abreu, com quem voltou pela terceira vez ao palco do Sr. Brasil. A voz de Sarah é uma das condutoras dos cantos do Nhambuzim, grupo que em 2008 lançou “Rosário: Canções Inspiradas no Sertão de Guimarães Rosa”, pelo selo Paulus.

O álbum é inspirado na obra do escritor mineiro e foi lançado em 27 de junho daquele ano, data do centenário do nascimento do filho ilustre de Codisburgo. O show teve entrada franca, no Centro Cultural São Paulo, e apresentou as 17 canções das quais duas pertencem à tradição oral do norte das Alterosas (“Aboio”, originalmente entoada pelo vaqueiro Manuelzão, e “Encomendação de Almas”). Outro par é contribuição de Milton Nascimento e Caetano Veloso (“A Terceira Margem do Rio”), e João de Aquino e Paulo César Pinheiro (“Sagarana”), interpretada por Clara Nunes.

O Nhambuzim mescla gêneros e linguagens partindo de elementos da cultura regional inseridos em contexto contemporâneo. Assim pode-se notar nas faixas toques de jazz e de música erudita, apoiados em arranjos vocais e nas conexões da música popular com narrativas regionais e contação de histórias. Em “Rosário” soam aboios, cantos de rezadeiras, congadas, catiras, moçambiques e folia de reis. Em matéria assinada para a versão digital do “Correio Popular”, de Campinas, Carlota Cafieiro observa que as letras evocam Guimarães a partir do olhar dos compositores do grupo. Ainda de acordo com a jornalista, enquanto “Pé no Chão” é inspirada no livro “Manuelzão e Miguilim”, “Redenção” bebe do conto “A Hora e Vez de Augusto Matraga”. “Acerto de Contas”, por sua vez, surgiu de “Grande Sertão: Veredas”, continua Carlota. Há, por fim, as participações de Renato Braz (“Um Miguilim”), do mestre violeiro Paulo Freire (“Sagarana” e “Nonada de Mim“) e do acordeonista Gabriel Levy (“Arvorecer“).

O grupo Nhambuzim tem nascimento lavrado em 2002. Desde então vem caminhando com André Oliveira (percussão), Edson Penha (voz e berrante), Itamar Pereira (baixo), Joel Teixeira (voz, viola e violão), Rafael Mota (percussão) Xavier Bartaburu (piano e arranjos vocais) e Sarah. Em outubro de 2012, eles lançaram “Bichos de Cá” (Canções para os bichos do Brasil).

Sarah também tem carreira solo e nesta estrada, entre outros projetos, revelou a Boldrin que está estudando a obra do músico e compositor norte-americano nascido em Indiana Cole Porter (1891-1964). Pela plataforma de financiamento coletivo “Catarse”, sistema conhecido por crowfunding, está em campanha de arrecadação para gravar “Violeta: terna e eterna”, trabalho que dedicará à memória de Violeta Parra.

Para saber mais sobre o Nhambuzim e Sarah Abreu:

http://nhambuzim.wordpress.com/
http://povosdamusica.blogspot.com.br/2009/05/nhambuzim-rosario-2008.html
http://www.nhambuzim.com/
https://pt-br.facebook.com/pages/Nhambuzim
http://catarse.me/pt/violetaparra2

Para saber mais sobre Wilson Teixeira:
www.wilsonteixeira.mus.br

Para saber mais sobre Cascatinha e Inhana

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cascatinha_%26_Inhana
http://letras.mus.br/cascatinha-e-inhana/