1147 – Carreira de Marciano, um dos quatro ases do sertanejo romântico, registra 10 discos de ouro

Cantor nascido em Bauru, que está na memória afetiva de várias gerações por compor e interpretar dezenas de sucessos ao lado do parceiro João Mineiro, atualmente se apresentava com Milionário, da dupla com José Rico 

Um dos quatro ícones do estilo sertanejo brega-romântico, cantor e compositor paulista, Marciano morreu na madrugada de sexta-feira, 18 de janeiro, de acordo com informações divulgadas pela família em decorrência de um infarto enquanto dormia, sofrido na residência na qual morava em São Caetano do Sul (SP), cidade da região metropolitana de São Paulo. José Marciano, que ficou conhecido por O Inimitável, gravou entre outros marcantes sucessos do gênero Ainda Ontem Chorei de Saudade (A Carta), Seu Amor Ainda é Tudo, Crises de Amor, Paredes Azuis, Menina Escuta Meu Conselho, Esta Noite como Lembrança e Minha Serenata. Era um dos autores do clássico Fio de Cabelo, interpretado em versão consagradora por Chitãozinho & Xororó

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1144 – Morre o cantor e compositor Pedro Bento (SP), parceiro de Zé da Estrada, autor de “Galopeira”

O artista estava internado há 50 dias, em São Caetano do Sul. Ao lado do seu companheiro de trajetória, gravou mais de 2 mil músicas e se consagrou pelo estilo “mariachi” adotando sombreros nos trajes e trompete nas canções

O luto começou cedo em 2019 para a música brasileira, em especial, para o gênero caipira e seus amantes com a passagem no dia 3 de janeiro do cantor Pedro Bento, que fez sucesso em dupla com Zé da Estrada. Para quem não se recorda ou sabe Pedro Bento era um dos compositores, junto com o paraguaio Mauricio Cardoso Ocampo, entre outros sucessos que emplacou com seu companheiro,  da música Galopeira, guarânia que ficou famosa na versão de Chitãozinho e Xororó. Pedro Bento estava com 84 anos e morreu por complicações de uma pneumonia após 50 dias de internação, em São Caetano do Sul, cidade da Grande São Paulo. O corpo foi cremado na sexta-feira, 4/1, em Porto Feliz, terra natal do cantor, no Interior do estado bandeirante.

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1104 – Música do Brasil perde Zé Béttio, comunicador popular que está na raiz e na alma deste blogue

Apresentador que fez fama acordando o país com bordões e personagens que estão na memória do povo morreu, ironicamente, dormindo, em São Paulo

Já há quase uma semana, na segunda-feira, 27 de agosto, foi-se embora para o Plano Celestial Zé Béttio,  que alguns grafam também como Zé Bettio, considerado por muitos “o maior comunicador popular de todos os tempos”. Se pode gerar dúvidas  o jeito como se deve escrever o nome do apresentador dos programas de rádio que marcaram a minha vida, ainda na tenra infância, e são responsáveis, hoje, por eu estar à frente deste blogue, o título entre aspas, com certeza, é mais do que merecido e indiscutível.

Vou ficar com a opção Zé Béttio, ao qual e à cuja família envio meu respeito e reverências e transmito meus votos de pesar, para recordar que minha paixão por modas de viola (primeira razão do Barulho d’água Música existir) começou e se desenvolveu ouvindo clássicos como Poeira, com Duo Glacial; Chitãozinho e Xororó e “Sessenta dias apaixonado”, com a dupla homônima; Velha Porteira, com Lourenço e Lourival; Saudades de Minha Terra, com Belmonte e Amaraí; Flor do Cafezal ou Índia, com Cascatinha e Inhana; vários dos pagodes de Tião Carreiro e Pardinho; Moça do carro de boi, com Carlos Cezar e Cristiano; As Andorinhas, com o Trio Parada Dura; Menino da Porteira, com Sérgio Reis; A Gaivota, com Léo Canhoto e Robertinho; Berrante de Ouro, com Duduca & Dalvan; Estrada da Vida, com Milionário e José Rico, entre tantas outras que ajudaram a formar meu gosto; “a música quando é boa, e não bandalheira, faz bem pra gente”, ele dizia, tocando exclusivamente música sertaneja de raiz.

Eu era um garoto medroso, às vezes de madrugada ou no começo da manhã acordava assustado (até hoje não sei por que motivo!)  e para me acalmar me aboletava aos pés da cama de meus pais, Geraldo Caetano e Catarina Anjos de Lima, que ainda não haviam se levantado, mas estavam despertos, fazendo uma “horinha”.  O “velho”, sempre ligado a um rádio à pilhas Everedy (a do “gato” ou as “amarelinhas”) que mais chiava do que “proseava”, invariavelmente estava ouvindo o Zé Béttio, na Rádio Record de São Paulo (AM 1.000 KHz), apresentador que sempre “com seu carisma e alto astral” não apenas tocava músicas de um repertório valioso, como ainda divertia muita gente com bordões e quadros com personagens memoráveis (o Gordo, o Guerino, a Fortuna — a vaca que era corintiana, “preta da cara branca; a “Gatona”) que àquela  época todos curtiam, mas que hoje, como algumas coisas ficaram chatas,  poderiam até ser tachadas de “politicamente incorretos”, sem contar o “carnaval” que promovia com cucos, buzinas, campainhas  e sons os mais estridentes para acordar todo mundo, se fosse preciso “jogando água” e mais “água” nos “cabra da muléstia”.

Zé Bettio partiu aos 92 anos. Curiosamente — para quem tirava da cama “o maridão que pensa estar com  o burro na sombra” e nossos pais e avós fazendo tanto barulho  ao ponto de, entre outros títulos, colecionar também o de “despertador do Brasil” –, morreu enquanto dormia, em casa, no bairro Horto Florestal, na Zona Norte da Capital paulista.

Era funcionário da Rádio Difusora de Guarulhos quando, ao assumir o microfone para ler um texto publicitário, acabou se tornando locutor por acaso, pois o titular do horário havia faltado. O jeito de ele transmitir o “reclame”  não passou despercebido pela direção da emissora, que acabou o efetivando, valorizando seu modo irreverente e simples de dar os recados na “latinha” .

Zé Béttio (ao volante) entre amigos, em uma rara imagem pública, às portas da Rádio Cometa, em São Paulo

Da Difusora,  Zé Béttio se transferiu para a Rádio Cometa, mas sua enorme popularidade, entretanto, ganhou corpo na Rádio Record, na década dos anos 1970, estúdio no qual seus bordões ficaram eternizados na memória de seus ouvintes e lançou diversos artistas que se tornaram consagrados, como a dupla Milionário e José Rico; ele fez parte, ainda, dos quadros da Rádio Capital.  A revista Vejinha, no dia se sua morte, observou que Zé Béttio fora  “uma espécie de Silvio Santos do rádio”, um comunicador respeitado e imitado que, com sua simplicidade, cativava a todos.

Sapateiro e jogador de futebol

Zé Béttio se aposentou apenas em 2009, encerrando a carreira na Rádio Record, aos 81 anos. Há pouco mais de dois anos sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), do qual se recuperou bem, mas vinha vivendo desde então com algumas limitações e recluso, entre a casa do Horto Florestal e fazendas que possuía em Garça e  Rinópolis, ambas no  estado de São Paulo, organizando memórias para lançar um livro que, quiçá, apareçam  editoras interessadas em publicar; é notório, ainda, que era avesso à mídia e à aparições públicas, dizem que por ter sofrido uma doença rara, a qual teria deixado marcas em sua face.

Zé Béttio era natural de Promissão, onde veio à luz em 2 de janeiro de 1926. Antes de abraçar a música, foi sapateiro e até jogou futebol no Clube Atlético Linense. Em sua carreira percorreu o interior de São Paulo e do Paraná com o trio Sertanejos Alegres (junto com Antonio Moraes e Afonso) e, após o término do grupo, passou a tocar sanfona em um concurso de calouros da Rádio Tupi, quando conheceu alguns outros músicos e formou o Zé Béttio e seu Conjunto, que se apresentou algumas vezes na Rádio Cometa e gravou seu primeiro disco, em 1958.

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1079 – Em São Paulo, inscrições para terceiro disco Meninos Diamantes prosseguem até 15/07

Meta é incentivar músicos maiores de 13 anos a se aprimorarem e impedir que potenciais talentos se desvirtuem por falta de apoios e de recursos

Marcelino Lima

O projeto Meninos Diamantes, cujo principal objetivo é apoiar e profissionalizar o trabalho de novos músicos a partir de 13 anos com iniciativas como a gravação anual de um álbum com canções autorais destes artistas, está com inscrições abertas até 23h59 do domingo, 15 de julho. Além da gravação do disco dos selecionados, os coordenadores e parceiros dos Meninos Diamantes promovem shows de lançamento em um evento anual, com direção do produtor musical Ney Marques do Studio Flautin 55. Não há cobrança de taxas para o artista e o regulamento para se inscrever e participar pode ser consultado em http://www.meninosdiamantes.com.br

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659 – Ivan Vilela e José Hamilton Ribeiro, mediados por Sérgio Martins, falam sobre música caipira em festival literário de Santos (SP)

tarrafa 33

O Barulho d’água Música acompanhou no Teatro Guarany, em Santos (SP), na noite de sexta-feira, 25 de setembro, As Raízes da Música Caipira, rodada do 7º Tarrafa Literária mediada pelo jornalista Sérgio Martins com o violeiro escritor, compositor e pesquisador Ivan Vilela (Itajubá/MG) e o jornalista José Hamilton Ribeiro (Santa Rosa do Viterbo/SP). Os convidados abordaram o tema da mesa contando fatos, causos e comentando aspectos históricos e atuais relacionados à música caipira — uma das mais ricas e duradouras expressões das tradições populares do Brasil, presente com grande força no Interior de São Paulo e em estados como MG, PR, GO.

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Bambas da viola brasileira encontram-se na Galeria Olido, em São Paulo

Matuto e Indio
Matuto Moderno e Índio Cachoeira (Fotos: Marcelino Lima)

Entre os dias 27 e 29 de novembro quem esteve na Galeria Olido, situada no centro de São Paulo, teve a oportunidade de prestigiar mais uma edição do Encontro Nacional de Violeiros, que há oito anos não ocorria depois de ter sido organizado em Ribeirão Preto. O evento na Capital paulista foi promovido pela Secretaria Municipal de Cultura e reuniu no palco do antigo cinema parte dos mais expressivos cantores, compositores e expoentes do país que se dedicam à transmissão, à preservação e à divulgação de valores vinculados à viola de dez cordas, seja por meio de sua vertente caipira ou regional, permitindo a plateia conhecer variados ritmos e toques numa verdadeira ode à cultura popular.

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