Barulho d'Água Música

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1051 – Segundo disco de Rita Lee, com Os Mutantes, é destaque do Clássico do Mês

Disco atribuído a Rita Lee que levou Os Mutantes ao estúdio pela última vez, tema do Clássico do Mês, foi  primeiro a utilizar a tecnologia multicanais e segundo da carreira da eterna Rainha do rock

Marcelino Lima, com jornal Extra

Hoje É o Primeiro Dia do Resto da Sua Vida, o segundo álbum de estúdio da cantora Rita Lee, é o disco escolhido como tema de abril da série Clássico do Mês, que o Barulho d’água Música vem publicando desde dezembro. Lançado em 1972 pela Philips Records, por meio do selo Polydor Records. Este disco, na verdade, foi a maneira encontrada pela banda Os Mutantes para aproveitar a inauguração do Estúdio Eldorado — que possuía uma mesa de 16 canais, a única disponível no Brasil naquele momento. O álbum, portanto, é creditado à estrela maior do rock brasileiro, mas na prática acabou colocando na fita toda a banda, de tal sorte que, na prática, o bolachão acabou tendo a honra de ser o último disco gravado pela formação clássica d’Os Mutantes[1] do qual a corintiana confessa fez parte no início da carreira. Os Mutantes já haviam lançado Mutantes e Seus Cometas no País do Baurets naquele ano, mas o contrato com a gravadora só permitia o lançamento de um disco por ano.

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1026 – Clássico do Mês destaca Cicatrizes, álbum crítico do MPB4 desafiador para os anos de chumbo

O Barulho d’água Música fez uma mudança em sua programação e nesta atualização destaca para a quarta edição da série Clássico do Mês um dos álbuns do MPB4, Cicatrizes (1972), deixando para o mês seguinte Ramilonga/A Estética do Frio, do gaúcho Vitor Ramil. Cicatrizes é o sexto título da discografia do grupo formado em 1964 por Miltinho (Milton Lima dos Santos Filho), Magro (Antônio José Waghabi), Aquiles (Aquiles Rique Reis) e Ruy Faria (Ruy Alexandre Faria), todos nascidos no estado do Rio de Janeiro. Dois anos antes, em 1962, Ruy, Aquiles e Miltinho respondiam pelo suporte musical do Centro Popular de Cultura (CPC), da Universidade Federal Fluminense (filiado ao CPC da UNE), em Niterói.

Em 1963, com a adesão de Magro, o trio aumentou e passou a atuar como Quarteto do CPC em casas de espetáculos como a Boate Petit Paris (Niterói, ainda capital do estado da extinta Guanabara), palco da estreia do grupo que também participava à época dos efervescentes festivais de música popular, principalmente ao lado de Chico Buarque. Por conta desta ligação com o músico carioca, censores do regime de exceção tesouraram bastante o trabalho do MPB4 , conforme apontou o Homem Traça, autor do blogue Criatura de Sebo, um dos nichos de resistência da música de qualidade e independente que disponibilizam obras antológicas na blogosfera. Traça ainda comentou que as faixas de Cicatrizes reúnem diversas canções que dão o tom daquele momento político do país, quando muitos defensores da democracia ou caiam presos, eram torturados e mortos ou acabavam exilados. O blogueiro paulistano classifica como exemplar a faixa Pesadelo, para ele um sinal dos tempos, que, infelizmente, também nos atormentam ainda hoje.

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1006 – “Extra”, homenagem de Thomas Roth (RJ) ao parceiro Luiz Guedes (MG), abre nova série do Barulho d’água Música

Barulho d’água Música começa a publicar a partir desta atualização a série Clássico do Mês, que, mensalmente, compartilhará com amigos e seguidores matéria especial sobre determinado álbum que marcou época na história da música brasileira. Para abrir os trabalhos o escolhido é Extra, joia do catálogo da Lua Music que reúne as 19 músicas gravadas pela dupla Luiz Guedes e Thomas Roth em Extra (um vinil pop de 1982, eficiente e bem elaborado, com melodias e harmonias refinadas e vocais bem apurados) e Jornal do Planeta (produzido com requinte, em 1983, destacando arranjos sofisticados e inventivos, a faixa-título e Ela Sabe Demais), mais duas faixas bônus, de 1981. Mais do que resgatar os dois únicos lançamentos que resumem a obra de ambos os amigos, a compilação Extra foi a maneira que o carioca e fundador da Lua Nova Discos, Roth, encontrou para reverenciar o parceiro Guedes (carinhosamente tratado por Lulu), mineiro de Montes Claros que desencarnou em 25 de novembro de 1997, três anos depois de descobrir que estava com câncer.

A dupla esteve ativa apenas entre 1979 e 1984. Apesar do curto período em que percorreu a estrada, protagonizou nestes concorridos cinco anos apresentações em várias cidades do país e atingiu sucesso de público e de crítica cantando composições próprias que embalaram jovens daquela geração e também enriqueceram o repertório de expoentes como Emílio Santiago, Ronnie Von, Beto Guedes (primo de Luiz Guedes, professor de violão do autor de Contos da Lua Vaga), Peninha, Angela Maria, Roupa Nova e Elis Regina; a “Pimentinha”, por exemplo, tornou nacionalmente conhecida Nova Estação, cujos versos proclamavam Nova esperança/nova estação / renascer cada dia / com a luz da manhã.

Em Extra é possível se deliciar recordando, por exemplo, as canções Milagre da Criação e Chuva de Vento, marca registrada das vozes e do estilo de compor de Luiz Guedes e Thomas Roth. Canção de Verão, Voo Livre, Clube do Coração, Ela Sabe Demais, Jornal do Planeta, Amoramar, Angra, Estradas (Dentro da Cabeça) e Milagre do Amor (ambas campeãs de execução em FMs) também estão na lista do álbum cuja renda obtida com a venda de exemplares foi toda revertida para Lenita, esposa de Guedes, e as filhas do casal, Bárbara e Débora.

Luiz Guedes e Thomas Roth se conheceram-se em São Paulo, mas antes de se unir ao carioca, o mineiro tentou carreira com outro primo, o letrista Paulo Flexa, com o qual assinou Estradas, Clube do Coração e Amoramar. Guedes também flertou, em Belo Horizonte, com o Clube da Esquina antes de fazer as malas e desembarcar em Sampa, em 1973. Entre os amigos da turma do bairro de Santa Tereza era visto sempre ao lado de Milton Nascimento, Lô Borges, Márcio Borges, Flávio Venturini, Fernando Brant e Novelli.

“Conheci Luiz Guedes [de batismo Luiz MacArthur Costa Guedes] num daqueles encontros que a vida nos proporciona e que a gente chama, apesar de eu não acreditar, de coincidência”, escreveu Roth no encarte de Extra. “Com Luiz Guedes aprendi a garimpar a melodia, cada palavra, até a exaustão. Assim era o nosso processo de trabalho. Diuturno. Obsessivo. Ficou, além das canções, a lembrança de um artista puro, intuitivo e sensível. E por quem sempre guardarei a mais profunda admiração. Eternamente.”

 

 

Próximo Clássico do Mês:

Sidney Miller (1982)

Leia também no Barulho d’água Música:

Flávio Venturini, Sá & Guarabyra, 14 Bis: Encontro Marcado em 15/05, em São Paulo, depois ES, RJ, GO e DF

762 – Cirinho Rio Doce, que em agosto lançara quinto disco da carreira, compõe canção e poema em homenagem ao Rio Doce

931 – Após “uma surra boa”, Vento Viola (MG) encerra dezesseis anos de silêncio e lança “Em Nome do Vento”

981 – Clareza, despretensão e singularidade são marcas de Bernardo do Espinhaço (MG), compositor das montanhas e dos sertões