1564 – O livro do desassossegado: Letícia Bertelli revisita trajetória do cantor e compositor Dércio Marques (MG)

#MPB #MúsicaLatinoAmericana #MúsicaIberoAmericana #CulturaPopular #InsitutoÇare 

Estudo que sai pelo Instituto Çare (SP) resgata potência da obra e atualidade do pensamento do cantador, compositor e pesquisador que a mídia e a cultura de massas negligenciam, mas que revelou ao mundo a força e as tradições anticolonialistas latino-americanas

Autor de uma obra que espelha a riqueza multicultural da música, Dércio Marques dedicou sua carreira a pesquisar as raízes musicais ibero-americanas e a pensar a cultura popular como forma de ação social. Cantador, compositor, agregador, Dércio produziu talentos como Elomar e Diana Pequeno e tornou-se elo entre o Brasil e os movimentos musicais latino-americanos de resistência política a partir dos anos 1960. Dércio Marques: da Latinoamérica ao Brasil de dentro, livro da artista e pesquisadora Letícia Bertelli, que o Instituto Çarê, situado na cidade de São Paulo, lançará na sexta-feira, 19 de agosto, resgata a potência singular de um ícone apagado pela crítica canônica – e ilumina a atualidade de um pensamento que valoriza o legado musical autóctone do continente e o papel social da cultura. A noite de autógrafos começará às 18 horas. 

Continuar lendo

1544 – Aldy Carvalho (PE) lança Tempo-menino, quinto álbum da carreira, e estreita os laços entre o erudito e o popular mais uma vez

#MPB #MúsicaNordestina #Literatura #LiteraturadeCordel #Cinema #CulturaPopular #Petrolina #Pernambuco

As canções do petrolinense que também é escritor, cordelista e violonista, têm raízes fincadas no Nordeste e são revestidas por linguagem musical não estereotipada, cujas letras apresentam um interessante diálogo entre as peculiaridades de Euclides da Cunha, de Guimarães Rosa e Ariano Suassuna e a universalidade de Manuel Bandeira.

Depois da trilogia composta pelos álbuns Alforje, Cantos d’Algibeira e SerTão andante, o petrolinense Aldy Carvalho lançou Tempo-menino, álbum já disponível nas plataformas digitais e em formato físico com um belo encarte e ficha técnica das músicas, arte de capa e contracapa assinada pelo artista plástico e músico Ivan Jubran. A faixa título, Tempo-menino, é composição do próprio compositor e cantor pernambucano em parceria com Rubenio Marcelo, poeta e compositor cearense radicado em Campo Grande (MS) O álbum traz ainda apresentação do ensaísta e educador Ely Veríssimo.  Continuar lendo

1526 – Kátya Teixeira (SP) anuncia agenda de lançamentos com dois novos álbuns e livro de memórias para marcar 28 anos de carreira*

#MPB #Literatura #CulturaPopular

Primeiro disco de Canções Para Atravessar a Noite Escura – Canções na Quarentena já chegou às plataformas digitais, com gravações acústicas ao vivo baseadas no repertório dos shows Acalantos

*Com Mercedes Cumaru

Ao completar 28 anos de carreira, a cantora e compositora paulistana Kátya Teixeira fará uma série de ações comemorativas a começar pelo lançamento do primeiro álbum que integra o disco Canções Para Atravessar a Noite Escura | Canções na Quarentena, já disponível nas plataformas digitais. Acústico, o álbum foi gravado ao vivo em estúdio e traz as canções que fizeram parte de Acalantos, apresentação virtual que Kátya protagonizou em março de 2021, com recursos da Lei Aldir Blanc, pelo Proac SP.

O show Acalantos que deu origem ao CD, contou com a participação de André Venegas e da contadora de histórias Nani Braun. O espetáculo foi realizado dentro de uma proposta artística para o público infanto-juvenil, mas o olhar para o mesmo repertório difere a partir da percepção de cada pessoa. Nas canções presentes nesta obra, pr’além de acalentar pais e filhos, existe a intenção de acessar a nossa criança interior, sobretudo, com todos os acontecimentos dos últimos anos, nos quais estamos lidando com tanta dor e luto, pandemia, questões sociais, ambientais e políticas tão duras. Andamos, de fato, muito carentes de afeto e fé de que isso tudo vai passar. Parafraseando o poeta Thiago de Mello: ‘…faz escuro mas eu canto, porque a manhã já vai chegar“, escreveu Kátya Teixeira ao detalhar a essência do recente trabalho.

Continuar lendo

1515 – Antes de atravessar o rio, Joaci Ornelas (MG) deixa pronto o inédito disco Líricas

#MPB #MúsicaMineira #ViolaCaipira #ViolaBrasileira #CulturaPopular #MinasGerais #SalinasMG #BeloHorizonte #JoaciOrnelas #ElifasAndreato

Violeiro autodidata deixa o plano terreno consagrado entre amigos e fãs como autor de composições que retratam paisagens do sertão mineiro e discorrem sobre temas universais, relativos aos sentimentos humanos, suas diversas formas de expressão e existência.

O ritual das audições matinais de todos os sábados aqui no boteco do Barulho d’água Música, em São Roque (SP), antes de ser retomado, ainda a pulso, neste dia 2 de abril, em meio a uma sucessão de mortes de parentes e amigos no período de pouco mais de trinta dias, foi antecedido por um minuto de silêncio, uma prece e o acendimento de uma vela em intenção de dois expoentes dos mais elevados de nossa cultura popular: Joaci Ornelas e Elifas Andreato, que nos deixaram nos últimos dias de março.

Conterrâneos de Minas Gerais e do Paraná, Ornelas e Andreato em suas vidas se dedicaram à sublime missão de nos encorajar a sermos o que somos: brasileiros, gente que forma um povo sofrido e que, em sua maioria, sempre haverá de trabalhar (o que é salutar e honrado!) para ter o mínimo de dignidade e conforto, sem, no entanto, nunca ficar completamente livre daqueles que usurpam nossos mais caros direitos fundamentais, aviltando-nos e nos esculachando, dai a necessidade do encorajamento.

Por meio de cada palavra e nota que um cantou e tocou ou cada traço que o outro desenhou, corajosos, teimosos, o violeiro e o artista gráfico acreditaram e nos fizeram ainda acreditar que, mesmo sofrendo revezes e amargando retrocessos, pela arte todos podemos encontrar um caminho para a plena redenção… inclusive desta triste sina que, para alguns, é ser, justamente, brasileiro! Em memória e em tributo a ambos, resgato um bordão que fez sucesso há alguns anos antes da pandemia da Covid-19: apesar de eles não estarem mais em campo, ao menos, fisicamente, que ninguém solte a mão de ninguém e quem soltou, reate o laço. Nossos sonhos ainda são possíveis, mas há muita luta pela frente, a começar por apear do Palácio do Planalto a súcia que lá se instalou e, no tempo certo, dentro dos rigores da lei, dar a cada um o troco que estão a merecer…

Feita a reza, acesa a vela, guardado o silêncio, um dos dois discos escolhidos para a audição é No Dizer do Sertão, que Ornelas lançou em 2016 para evocar tradições e hábitos do lugar onde o dia chega mais cedo e o céu quase nunca escurece, conforme ele mesmo observou. O outro disco é Líricas, ainda inédito: Joaci mantinha um canal no Youtube e, antes de virar Luz, registrou nesta plataforma as oito canções daquele que será seu terceiro disco autoral, realizado com recursos da Lei Aldir Blanc e com composições dele ou em parceria com Felipe Bedetti e Lima Júnior. A pedido de Joaci, o trabalho com participações de Lígia Jaques, Leopoldina e Bedetti (que lançou, recentemente, Afluentesdo qual vamos falar em breve aqui) deverá ser finalizado ainda em 2022 por amigos aos quais confiou o projeto.

Continuar lendo

1510 – Conheça e baixe o álbum Canção Atual, de André Luís (SE), ligado à terra e à gente que dela vive

#MPB #música #musicaautoral #poesia #violãobrasileiro #musicabrasileira #cantoria #cantautor #cantante #compositor #artebrasileira #culturapopular #agroecologia #agrofloresta #somosnaturaleza #igualdade #igualdad #espiritualidade #andreluiscanta #cancaoatual #PedraBranca #PocinhosdoRioVerde #JacintaPassos

Primeiro disco do cantor e compositor sergipano que atualmente reside aos pés da Serra da Mantiqueira traz, ainda, um tributo à memória de Jacinta Passos, jornalista e poetisa baiana que mesmo trancada em manicômios jamais deixou de erguer sua voz e de lutar por causas libertárias

 

(…) o meu canto é flecha/a viola, canoa/ponteando navego/versos e orações/que conspiram o sonho/um só povo/ um só chão/esperança que eu vivo pra cantar”

Voz da Mata, de André Luís e Felipe Bedetti

O cantor e compositor André Luís, sergipano de Aracaju, radicado em Pocinhos do Rio Verde, no Sul de Minas Gerais, lançou, em fevereiro de 2021, Canção Atual, o primeiro álbum da carreira. Distribuído pelo selo Tratore, o disco está disponível nas plataformas digitais depois de ser gravado, mixado e masterizado no Estúdio Bordão da Mata (Bordão da Mata/MG), com 10 faixas, e pode ser baixado do blogue Terra Brasilis 2, cujo linque estará ao final desta atualização. A direção e o design sonoro de Canção Atual são de Poli Brandani e do próprio André Luís, que gravou voz e violão ao lado de Alê Vilhena (voz), Rodrigo Sestrem (voz, flauta e rabeca) e Carlinhos Ferreira (percussão, flautas de PVC, rabeca de lata). Entre os parceiros, André Luís contou com Fernando Guimarães e João Bá, Daniela Lasalvia, Levi Ramiro, Ferreira e Sestrem. Os arranjos de base são de André Luís, exceto na faixa Cantiga de Amor Peregrino (de Fernando Guimarães) e Bendita Caminhada (de Levi Ramiro). A arte da capa é assinada por Mariana Brandani. 

Continuar lendo

1504- Cultura popular do Brasil perde mestre Vidal França, cantor, compositor e maestro baiano

#MPB #Aporá #Bahia #CulturaPopular

Na minha terra, as estradas são tortuosas e tristes/Como o destino de seu povo errante/

Viajou?/Se ardes em sede/Bate sem susto ao primeiro pouso e terás/Água fresca para a tua sede/Rede cheirosa e branca para teu sono/

Na minha terra o cangaceiro é leal e valente/Jura que vai matar e mata/Jura que morre por alguém e morre/

Nasci nos tabuleiros mansos do Quixadá/Me criei nos canaviais do Cariri/Entre caboclos belicosos e ágeis/

Eu sou o seringueiro que foi destravar a selva virgem do Amazonas/

Eu sou o sertanejo que planta de sol a sol o algodão para vestir o Brasil/

Brasil onde mais energia?/Nas águas de um só destino do teu Salto de Sete Quedas/Ou na vida de mil destinos do teu jagunço?/Aventureiro e nômade/Filho de gleba/Fruto em sazão ao sol dos trópicos!/

Eu sou o índice de um povo:/Se o homem é bom, eu o respeito/Se gostar de mim, morro por ele/Se no entanto, por ser forte, entender de humilhar-me:/Ai, sertão, viverei o teu drama selvagem/Te acordarei ao tropel de meu cavalo errante/Como antes te acordava/Ao choro de minha viola.

Terra Bárbara, faixa do álbum Fazenda, de Vidal França, que interpreta texto de Jader de Carvalho

Da minha parte, continuo com o meu compromisso com a arte, e os meus parceiros têm essa mesma visão: de não se deixar levar pelo sistema, pela falsa democracia, lutando contra a correnteza, preservando a cultura e o povo (Vidal França)

O cantor, compositor e instrumentista Vidal França morreu de causas naturais no sábado, 12 de fevereiro, na cidade de São Paulo, onde foi velado e sepultado no Cemitério de Vila Alpina no dia seguinte. Filho do cantor, compositor e repentista Venâncio (da dupla Venâncio e Corumba), o pai há 76 anos o batizara como José Calixto de Souza, após nascer em Aporá, no sertão da Bahia, em 7 de outubro de 1946. Venâncio queria seguir a carreira artística e com o garoto ainda com 7 anos veio com a família para a cidade de São Paulo, em 1953. Na terra que o acolheu e onde dezenas de pessoas entre familiares e amigos durante a despedida prestaram a Vidal França as últimas homenagens cantando sucessos de sua discografia, o músico cursou a Faculdade Superior de Música São Paulo, onde se formou maestro arranjador, outra de suas habilidades.

Composições do mestre maestro Vidal França são tocadas em meus aparelhos de som desde o começo da juventude, em sua própria voz, por João Bá e Dércio Marques (estes dois dos seus principais parceiros, também já chamados ao Plano Maior) ou Diana Pequeno e Katya Teixeira, por exemplo. Em maio de 2015, muito honrado, estive com ele em um dos saraus que o Instituto Juca de Cultura (IJC) costumava promover, no bairro paulistano Sumarezinho, sob a batuta do anfitrião poeta e compositor Paulo Nunes, suspensos há já quase dois anos por conta do flagelo da Covid-19.

A morte de Vidal França nos pegou todos de surpresa e ocorreu no mesmo dia em que partiu – bem antes do combinado – também minha ex-esposa, Rosa Barna, fechando uma semana em que já haviam nos deixado outro amigo querido, aqui de São Roque (SP), e um tio de minha atual companheira, Andreia Beillo. Quatro pauladas para  lutos que ainda me abatem, fases para as quais jamais estaremos totalmente prontos para experienciar e compreender, ainda mais quando nos privam de pessoas que se dedicaram ao bem comum e promoveram a cultura do amor e da paz entre seus valores.

Continuar lendo

1493 – Até 29/12, assista Os Quatro Cantos de Elpídio, produção da Companhia Navega Jangada de Teatro(SP)*

*Com Miriam Bemelmans, Assessoria de imprensa Bemelman’s, e Cláudio Lacerda, cantor e intérprete

Os Quatro Cantos de Elpídio, projeto da Companhia Navega Jangada, com 50 minutos de duração e classificação etária livre, poderá ser visto entre 19 e 29 de dezembro no canal online cujo linque estará ao final desta atualização. Contemplado pelo edital ProAC Expresso Programa de Ação Cultural Expresso Lei Aldir Blanc (LAB), Os Quatro Cantos de Elpídio busca revelar o universo de sons e cores do maestro e compositor Elpídio dos Santos, que nasceu e morreu em São Luiz do Paraitinga (entre janeiro de 1909 e setembro de 1970), município encravado na porção paulista do Vale do Paraíba, a cerca de 170 quilômetros da Capital de São Paulo. A companhia contará com a participação do grupo musical Paranga, integrado por familiares de Elpídio: Lia Marques, neta; Negão dos Santos, filho; e Renata Marques, nora; além do músico e compositor João Gaspar.

Continuar lendo

1480 – Kátya Teixeira apresenta Violetas e Margaridas, concerto inédito, no Sesc Belenzinho

#MPB #CulturaPopular #VioletaParra #Chile #AlagoaGrande #MargaridaMariaAlves #PB

A cantora e compositora paulistana Kátya Teixeira fará três apresentações no Sesc Belenzinho, nos dias 3, 4 e 5 de dezembro, quando protagonizará o espetáculo Violetas e Margaridas. Além de marcar o aguardado reencontro com o público, a cantora ressaltou que esta série de apresentações trará, ainda, outras marcas representativas e significantes tanto na sua carreira de quase três décadas, como no aspecto pessoal para uma mulher, artista, com seus 50 anos de vida recém-completados. A importância desse concerto se expande ainda mais, pois durante as apresentações haverá a gravação, ao vivo, das canções que integrarão o sétimo álbum da artista. “Estar no palco é um momento sublime para mim e quando isso acontece após um hiato forçado de quase dois anos a emoção chega a ser indescritível”, comentou Katya entre os preparativos para o primeiro show presencial após a pandemia de Covid-19.

Continuar lendo

1433 – Cantor, compositor, violeiro ativista de causas ambientais e humanistas: Josino Medina (MG) é sertanejo plural com alma de vaqueiro roseano

#MPB #MúsicaBrasileira #MinasGerais #LiteraturaBrasileira #ViolaCaipira #ViolaBrasileira #ViolaCaipira #Araçuari #CarlosChagas #GuimarãesRosa #Sertão #Aboio #Coco #ValedoMucuri

O disco Quadras do Sertão – A história do vaqueiro Sebastião Eugênio foi recentemente enviado à redação do Barulho d’água Música, aqui em São Roque, Interior paulista, pelo seu autor, o mineiro nascido em Carlos Chagas Josino Medina. O álbum constitui um trabalho essencial à memória cultural brasileira para dele se dizer o mínimo. Lançado em 2016 após uma bem-sucedida vaquinha virtual, com pesquisa, adaptação e gravação do próprio Medina — que toca viola caipira nas 16 “faixas”, apresentadas como “Cenas” –, Quadras do Sertão… reúnem quadrinhas recolhidas da obra de João Guimarães Rosa e parte de vaqueiros dos vales do Rio São Francisco como Manoel Ferreira, Seo Erotides (da Vila dos Gaúchos, Grande Sertão Veredas) e Manoelzão, na região do município de São Francisco (MG), e por Valdomiro Francisco Medina, pai do Josino. Aboios, contradanças, ABC e coco voltado compõem o repertório cantado entre narrativas, tudo masterizado no Estúdio Lira por Bilora e gravado por Gustavo Guimarães, dois dos mais proeminentes violeiros e produtores culturais conterrâneos de Medina. Guimarães também assina o encarte, ilustrado por desenhos de Clarissa Magalhães.

Continuar lendo

1429 -TV Dandô começa a transmitir conteúdos artísticos que incluem concertos, curtas-metragens e oficinas

#MúsicaBrasileira #CulturaPopular #Dança #Poesia

O premiado Dandô – Circuito de Música Dércio Marques expandiu ainda mais a sua atuação artística com o lançamento em 16 de agosto da TV Dandô, um novo veículo para divulgação de conteúdos inéditos que serão disponibilizados pelo canal Youtube (http://youtube.com/circuitodandobr), sempre a partir das 20 horas. A programação é das mais ecléticas e oferecerá novidades sobre os concertos que o Dandô oferece, espetáculos virtuais exibidos na íntegra, entrevistas exclusivas com os artistas participantes do circuito e convidados, depoimentos, homenagens, clipes, lives, curtas-metragens e oficinas, entre outras ações e manifestações culturais.

Continuar lendo