960 – Após seis anos afastado da música, Alexandre Grooves volta a gravar e aos palcos com álbum Multi

O paulistano Alexandre Grooves está com álbum novo, que lançou em maio, com direito a concorrida apresentação em uma das mais badaladas casas de espetáculos de São Paulo. Multi, nome que ele escolheu para o disco independente, é o segundo da carreira e chega mesclando influências do rock, do folk e do blues, mas sem perder a identidade pop e as referências da MPB em dez faixas das quais nove são autorais. A lista é completada pela releitura de Ska, do Paralamas do Sucesso, que ganhou versão vibrante e surpreendente.

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915- USP lança revista/dossiê com onze artigos sobre MPB, com coordenação do violeiro Ivan Vilela

A Superintendência de Comunicação Social da USP (Universidade de São Paulo) lançou neste mês de fevereiro a edição 111 da Revista USP, cujas 180 páginas oferecem aos leitores, aos estudantes, aos acadêmicos, aos artistas e ao público afins um dossiê sobre a MPB. Os textos da publicação, organizados pelo violeiro Ivan Vilela, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA), são assinados por ele e mais dez professores e pesquisadores da Universidade que também gravaram vídeos para o Jornal da USP nos quais expõem ideias e abordam desdobramentos sociais e técnicos da música popular brasileira, tão apreciada ao redor do mundo, mas pouco estudada nas universidades. “O conhecimento da música brasileira pode nos trazer um outro olhar sobre nós mesmos, sobre a nossa história, sobre nossa formação cultural”, afirma Ivan Vilela, autor de Canonizações e esquecimentos na música popular brasileira. “No entanto, nossas escolas de música são, na grande maioria, escolas de música clássica europeia”, lamenta-se o coordenador.

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904 – Carol Saboya lança Carolina, álbum que considera o trabalho que mais mostra suas influências  

O nome Carolina tem origem alemã e significa “mulher forte, cuidadosa e amorosa”. A cantora Carol Saboya nem sabia disso quando resolveu escolher esse título, o próprio nome de batismo, para o 12º álbum da carreira. Mas gostou da coincidência, pois além do nome afirmar o quanto há de pessoal nesse disco, também ela se sente uma mulher assim depois dessas duas décadas de estrada: “De todos os meus discos, Carolina é o que mais demonstra minhas influências. Só fui perceber isso depois de escolher as músicas. Aí, vi que não existia nome mais apropriado para denominá-lo”.

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835 – Amelinha canta na Vila Formosa e na Mooca (SP) acompanhada por Cláudio Lacerda

A cantora Amelinha (Fortaleza/CE) estará em São Paulo nos dias 25 e 27 de março para protagonizar ao lado de Cláudio Lacerda Pra Seguir um Violeiro, projeto que une artistas que comungam o amor pela música brasileira ligada às suas raízes. Com classificação estaria livre e entradas francas, as apresentações estão marcadas para o Teatro Zanoni Ferrite (Avenida Renata, 163, Vila Formosa) e Teatro Municipal Arthur Azevedo (Avenida Paes de Barros, 955, Mooca), respectivamente as 19 e às 20 horas.

Amelinha é considerada pelo público brasileiro uma das mais queridas cantoras do país já há 40 anos. Neste período construiu uma carreira das mais premiadas e tornou-se uma das prediletas do poeta e compositor Vinícius de Moraes, que além dela sempre convidada para acompanhá-lo também Clara Nunes, Maria Bethânia e Maria Creuza. Pelo menos duas gerações, portanto, já ouvem e cantam de cor sucessos que a consagraram tais quais Frevo Mulher e Mulher Nova Bonita e Carinhosa Faz o Homem Gemer Sem Sentir Dor (ambas do ex-marido Zé Ramalho, a segunda em parceria com Otacílio Batista), além de Foi Deus Que Fez Você (Luiz Ramalho). Esta, por sinal, caso tivesse válido a escolha de boa parte das calculadas 30 mil pessoas presentes ao Maracanãzinho (RJ) em  23 de agosto de 1980, teria sido eleita e não apenas aclamada a vencedora do Festival da Nova Música Popular Brasileira.

Os jurados, entretanto, escolheram naquela noite de sábado Agonia, de Mongol, interpretada por Oswaldo Montenegro, deixando Foi Deus Quem Fez Você em segundo lugar. A repercussão da vice-campeã, gravada em seguida em compacto homônimo e depois reapresentada em Porta Secreta, contudo, renderam a Amelinha Disco Quádruplo de Platina para coroar o feito de mais de 1 milhão de cópias vendidas. Em 1979, Frevo Mulher já tinha permitido a Amelinha levar para a estante o Disco de Ouro que começara a impulsionar a carreira cujo primeiro álbum, Flor da Paisagem, saíra em 1976, sem muito impacto, ainda na esteira de sua excursão pelo Uruguai acompanhando, em 1975, Toquinho e Vinícius de Moraes.

Em 1982, com Mulher Nova Bonita… destacada pela Rede Globo para marcar a abertura da minissérie Lampião e Maria Bonita, Amelinha emplacou o segundo Disco de Ouro. O prestígio crescia e se fortaleceu nos dois anos consecutivos quando saíram o álbum Romance da Lua Lua (1983) e Água e Luz (Tavito / Ricardo Magno) registrada em compacto simples passou a ser das mais pedidas pelos ouvintes em emissoras de rádio por todo o país.

Além de composições de Zé Ramalho, canções em parceria com Fagner, Djavan, Gonzaguinha, Elomar, Geraldo Azevedo e Moraes Moreira passaram a enriquecer a obra de Amelinha até 1994, quando Só Forró, já o décimo disco, a reaproximou da música essencialmente nordestina. Para o repertório do projeto foram selecionadas composições de Luiz Gonzaga e José Fernandes; Gereba e Tuzé de Abreu; Robertinho do Recife e Capinam; Hervé Clodovil; Maciel Melo; João do Vale, Ernesto Pires e Silveira Júnior; Rita de Cássia; Walter Queiróz; e Sérgio Sá, por exemplo, promovidas em releituras de clássicos como Olha pro Céu, Pisa na Fulô, Gemedeira, A Vida do Viajante e Xote pra Lua.

Para suceder Cobra de Chifre (1996), Amelinha (1998) e Vento, Forró e Folia (2002), em 2011 saiu Janelas do Brasil, com temas inéditos e algumas releituras que ela própria já cantara. O projeto, inicialmente, chegou às lojas m formato de álbum, acústico, que Amelinha gravou apenas com o violonista Dino Baroni. Em maio de 2012, entretanto, agora ao lado de Baroni e Emiliano Castro, ganhou uma versão em DVD, ao vivo. As 18 faixas contam com participações de Fagner, Zeca Baleiro e Toquinho e incluem uma irretocável lista de sucessos tais quais Galos, Noites e Quintais (Belchior); Depende e Asa Partida (Fagner/Abel Silva); Sol de Primavera (Beto Guedes/Ronaldo Bastos), Ai quem me dera (que o padrinho Poetinha compôs na casa dela, e que Clara Nunes também gravou), Valsinha (Chico Buarque); Ponta Do Seixas (Cátia de França); O Silêncio (Zeca Baleiro); Légua Tirana (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira); Terral (Ednardo); Água e Luz (Tavito/Ricardo Magno); Felicidade (Chico César/Marcelo Jeneci), Quando Fugias De Mim (Alceu Valença Emannoel Cavalcanti) e, claro, Frevo MulherFoi Deus Quem fez Você; e Mulher Nova….

“Esses 40 anos de chegaram de repente e, olhando para a minha carreira, percebo que valeu a pena, porque tive um olhar que foi muito além do mercadológico, utópico e idealista”, disse Amelinha, que de batismo é Amélia Cláudia Garcia Colares. Nascida em família musical, aos 12 anos ela já formava trio vocal com a irmã Silvia e uma amiga para apresentações em escolas.

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Cláudio Lacerda é paulistano filho de mineiros. Estreou em 2003 ao lançar Alma Lavada e dois anos depois já obtinha como consagração o I Prêmio Rozini Nacional de Excelência da Viola Caipira, promovido pelo IBVC (Instituto Brasileiro de Viola Caipira) como melhor intérprete, feito repetido nas edições 2010 e 2013. Já dividiu palco e faixas de seus discos com Dominguinhos e Renato Teixeira e deu sequência à discografia gravando Alma Caipira (2007), Cantador (2010) e o novíssimo Trilha Boiadeira (2015),  este com canções sobre a atividade de boiadeiro, em parceria e com participações de Adriano Rosa e vários ícones da música de raiz como Neymar Dias, Zé Paulo Medeiros, Teddy Vieira, Almir Sater, Renato Teixeira e Paulo Simões, para marcar os 10 anos do canal Terra Viva.

Trilha Boiadeira será lançado em 15 de abril, no Sesc Pompeia (SP), com as participações de Neymar Dias, Igor Pimenta, Kabé Pinheiro e Thadeu Romano. Além de projetos próprios, Cláudio Lacerda é um dos protagonistas do projeto cultural 4 Cantos com Luiz Salgado (Araguari/MG), Rodrigo Zanc (São Carlos/SP) e Wilson Teixeira (São Paulo/SP).

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Serviço:

Pra Seguir um Violeiro, com Amelinha e Cláudio Lacerda

25/03, 19h – Teatro Zanoni Ferrite 
Avenida Renata, 163, Vila Formosa

27/03, 20h
Teatro Municipal Arthur Azevedo 
Avenida Paes de Barros, 955, Mooca

Entrada franca em ambas as datas

826 – Lê Coelho vai do rock progressivo ao samba tradicional em “Tuvalu”, disco de estreia que lançará em Sampa

O palco do auditório da unidade Vila Mariana do Sesc de São Paulo estará reservado a partir das 20h30 da quinta-feira, 10, para o lançamento de Tuvalu –Uma História Oral do Nosso Tempo, primeiro álbum solo do compositor, cantor e violonista Lê Coelho. Durante a apresentação, além de faixas deste trabalho, o púbico ouvirá canções inéditas do cantor e compositor, além de releituras dos repertórios da Banda de Argila e do grupo Urubus Malandros, entre as quais Gota por Gota, gravada recentemente pelo cantor Lineker e para o single Equivocado, com a banda Meia Dúzia de 3 ou 4.

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Filó e Felipe Machado, avó e neto, são atrações da terceira rodada do projeto Composição Ferroviária, em Poços de Caldas (MG)

 

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Filó Machado e o neto Felipe tocam e cantam juntos desde 2014 e já se apresentaram nas cidades japonesas de Toquio, Nagoya e Yokohama (Foto: Jo Takahashi | Jojoscope)

O público de Poços de Caldas e cidades vizinhas do Sul da Minas Gerais poderá assistir gratuitamente a partir das 10 horas desde domingo, 3 de maio, mais uma rodada do projeto Composição Ferroviária, coordenado pelos músicos Wolf Borges e Jucilene Buosi. A atração no pátio da antiga estação ferroviária desta vez será Filó Machado, que subirá ao palco com o neto, Felipe Machado, também ao violão, e o pianista Fábio Leandro. A abertura caberá à dupla Lorinho Fonseca e Pedro Bertozzi, dois dos mais populares músicos da história da cidade.

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SESC Consolação recebe Fabrício Conde no Teatro Anchieta para nova rodada do Instrumental SESC Brasil

O violeiro Fabrício Conde   fechará a programação de novembro do programa Instrumental Sesc Brasil nesta segunda-feira, 24, no Teatro Anchieta, do SESC Consolação, com entrada gratuita. Fabrício Conde é natural de Juiz de Fora (MG), cidade situada na Zona da Mata e recentemente conquistou o primeiro lugar do XIV Prêmio BDMG Instrumental de 2014. Na apresentação em São Paulo, o público ouvirá um repertório de composições autorais de um trabalho que conta com pesquisas sobre a música rural do Chile, Equador, Brasil e Argentina, afrocolombiana e afroperuana, tocadas com viola de cabaça e de cuatro venezuelano.  O SESC Consolação fica na avenida Doutor Vila Nova, 255, na Vila Buarque, em São Paulo.

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Fabrício Conde é mais um dos virtuosos violeiros de MG, com músicas destacadas pela famosa BBC, de Londres, autor de  premiado repertório que inclui ritmos afros e andinos (Foto: Élcio Paraíso)

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Fagner, mais um aniversariante de 13/10, passa por São Paulo antes de show marcado para Goiânia

Quando ainda tinha apenas seis anos incompletos, Fagner ganhou o primeiro dos muitos prêmios de uma carreira consagrada no Brasil e no exterior e que reúne mais de 70 álbuns, além de atuação em minissérie de televisão (Fotos de Elisa Espíndola)
Quando ainda tinha apenas seis anos incompletos, Fagner ganhou o primeiro dos muitos prêmios de uma carreira consagrada no Brasil e no exterior e que reúne mais de 70 álbuns, além de atuação em minissérie de televisão (Fotos de Elisa Espíndola)

O cantor e compositor Fagner vai se apresentar em Goiânia (GO) neste sábado, 18, em espetáculo marcado para o Atlantic Hall, a partir das 21h30. Cearense de Orós, ele está completando mais um aniversário hoje, 13/10, data especial pela qual ouviu o tradicional canto “Parabéns a você” dos fãs que o assistiram em 10 e 11 de outubro no Bradesco Hall, casa na qual fez mais um show em São Paulo. Representado pela fotógrafa Elisa Espíndola, amiga dele, o Barulho d’água Música estava entre os presentes e cumprimentou Fagner nos camarins.

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“Sons da Tarde”, do SESC São Carlos, recebe banda Ruído Fino

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Apresentação da Ruído Fino no SESC de Presidente Prudente: shows são festas com ritmos brasileiros e de outros países que variam do soul ao instrumental

A banda Ruído Fino será a primeira atração de setembro do SESC de São Carlos e tocará pelo projeto “Sons da Tarde” neste domingo, 7, feriado da Independência,  às 15h30, na Praça de Convivência externa. Os shows do grupo são sempre dos mais animados, verdadeiras festas proporcionadas pela execução de canções que se destacam pela valorização do groove e pelas letras poéticas que extravasam as fronteiras do funk. O trabalho é marcado por passagens pelo soul, pop, MPB e instrumental, fortemente influenciado pelas obras de Stevie Wonder, Ed Motta, James Brown, Sandra de Sá, The Meters e Djavan.

A Ruído Fino é formada por Fabíola Ognibeni (voz e guitarra), William de Paula (teclado), Felipe Gianei (baixo) e Vinicius Suzuki, (bateria), além de contar com o apoio da forte seção rítmica de um duo de metais. Existe desde 2009 e já teve a canção própria «Permita-se calma», classificada para o Festival Interunesp de MPB de Ilha Solteira (SP). Participou também da abertura do show da banda Pato Fu no Festival da Cerejeira de Garça (SP). Desde 2013, a Ruído Fino vem se apresentando em diversas unidades do SESC do Interior paulista, nas quais  já contou com participações especiais das cantoras Nanny Soul e Izzy Gordon.

O SESC São Carlos fica na avenida Comendador Alfredo Maffei, 700.

Demais atrações do projeto Sons da Tarde:

14| Flor de Abóbora 21| Grupo Xotirado 28|Samba da Antiga

 

Déa Trancoso e Carlinhos Ferreira no SESC da Vila Mariana

 

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 Déa Trancoso e Carlinhos Ferreira, mineiros e duas das maiores expressões da música brasileira, estão completando 50 anos de idade. Para comemorar, ambos resolveram juntar talentos, vozes e instrumentos para brindar o público com a turnê “Concerto nu para voz e percussão”. As apresentações começaram em março por Diamantina, e depois de passar por outras cidades próximas, chegou a São Paulo. A acolhida, com direito a lotação esgotada e vários músicos na plateia, foi proporcionada pelo SESC da Vila Mariana, na noite de quarta-feira, 16. Aplaudiram e pediram bis, por exemplo, Tita Parra, neta de Violeta Parra, Sarah Abreu e os violeiros Júlio Santin e Ricardo Vignini.

As flautas de PVC são usadas na abertura das apresentações. Os ouvintes já mergulham no ambiente do concerto, que busca despertar a espiritualidade e a atenção para valores ancestrais

Fiz propositadamente a menção ao fato de Déa e Ferreira serem frutos das Alterosas, respectivamente nascidos e Almenara e de Governador Valadares. Terra fértil e inesgotável da qual já brotaram nomes consagrados em vários setores da arte e da cultura, o Estado parece ter um bendito compromisso de só revelar à nação gente muito boa seja fazendo música, literatura, pintura, escultura, jogando bola, trem bão pelo qual o mundo inteiro acaba agradecido, uai! Drummonds e Cacasos, como expressa a joia “Ó, Minas Gerais”, de Sérvulo Augusto e Eduardo Santana, canção que Augusto gravou em “Coletivo” com a participação de Jane Duboc; “minas de ouro, minas de rimas, de tantos tesouros”, Tavinhos e Brants que parecem florescer em cada clube ou esquina; Rosas e Tostões que são patrimônios culturais como o pão de queijo, a broa de milho ou as estátuas de Aleijadinho; santuários de pretos em ruas de pé de moleque, montanhas douradas de verde ou veredas que conduzem a sertões e jequitinhonhas, berços de folias ancestrais, batuques e congadas.

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A cantora Déa Trancoso é natural de Almenara, das Minas Gerais que revelam talentos em vários setores da cultura nacional…

Deste múltiplo universo abençoado e sagrado também pela intervenção de orixás e de santos, das águas pelas quais correm marianas e franciscos e às margens cantam tropeiros e lavadeiras, Déa e Ferreira recolheram temas e cantigas de domínio público para costurar o repertório do concerto que inclui entre as músicas “Saudação aos orixás”, “Mandei caiar o meu sobrado” e “Eu sou bem pequenininho”. Apenas com voz e instrumentos bastante peculiares de percussão, de cordas ou de sopro como tumbi, pandeirão, flautas de PVC, cabaças, rabeca de duas cordas (Fá e Dó) cuja caixa de ressonância é uma lata de sardinha, alguns confeccionados por Ferreira os dois apresentam ainda novos arranjos e interpretações para vários sucessos populares. Isto sem contar tambores, bongô chinês e berimbau, que muitos acreditam ser da Bahia, mas que apenas foi abrasileirado.

Na Vila Mariana, por exemplo, eles acrescentaram à lista “Cara de índio” (Djavan), “Cio da terra” (Chico Buarque e Milton Nascimento), “Cego com cego” (Tom Zé e Zé Miguel Wisnik) e canções escritas pela artista, como “Cósmica” e “Ogum de frente”, além do ainda inédito “Eu também faço samba”. Estes concertos padrão A de arrebatadores, alegóricos, alcandorados também têm sido de reverência e tributos a Dércio Marques, cantor e compositor que morreu há dois anos e que além de Déa Trancoso e Carlinhos Ferreira influenciou Katya Teixeira, João Arruda e Wilson Dias entre vários expoentes da atual geração das músicas de raiz e regional. Do conterrâneo de Uberaba, a dupla lembrou, por exemplo, “Natureza Oculta”, faixa que está em “Segredos Vegetais” (1988) e que Déa cantou à capela em um dos momentos mais marcantes do espetáculo.

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… e canta com devoção, respeito e intensidade tanto as composições de parceiros consagrados, entre os quais Dércio Marques, quanto cantigas de lavadeiras do Vale do Jequitinhonha

Em São Paulo, ambos também fizeram homenagens a percussionistas que ajudaram-nos a abrir os caminhos tais quais Naná Vasconcelos, Dinho Nascimento e Papete; Ferreira inclui ao lado de Marques no panteão dos maiores representantes na América Latina da vertente que classificou como música de protesto Violeta Parra, explicando que o “protesto não é apenas ou necessariamente expresso no sentido político, mas ainda enquanto proposta de fortalecer a cultura popular e de ser a fonte de diversos ritmos”.

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Carlinhos Ferreira, de Governador Valadares, é luthier e muitos dos instrumentos que toca ele mesmo é quem confecciona ou adapta para retirar dele sons mais identificados com a brasilidade

“Fazer parte deste concerto é um trabalho de muita responsabilidade”, disse Carlinhos Ferreira”. “Eu e Déa estamos apresentando o canto chão, um tipo de música que traz em sua essência a mais profunda espiritualidade e religiosidade dos povos”.

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Déa Trancoso e Carlinhos Ferreira atraíram ao SESC da Vila Mariana público e admiradores dos mais qualificados e atentos, entre os quais a cantora Sarah Abreu (Fotos de Marcelino Lima)