Barulho d'Água Música

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976 -Festival de Inverno de Garanhuns (PE) homenageia Belchior e terá Geraldo Azevedo, Baby do Brasil e Chico César*

* Com o portal Zimel 

O cantor Belchior será o principal homenageado do 27° Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), que levará à cidade do Agreste de Pernambuco entre 20 e 29 de julho atrações de vários estados brasileiros com destaque para Baby do Brasil, Fernanda Abreu, Geraldo Azevedo, Lucy Alves, Chico César, Tom Zé, Marina Lima e a banda Mundo Livre S/A, além de representantes locais. A decoração do FIG terá letras do compositor de Apenas um rapaz latino americano e Divina Comédia Humana e Belchior merecerá, ainda, um concerto na Catedral de Santo Antônio com participações de Ednardo, Vanusa, Lira, Cida Moreira, Tulipa Ruiz, Isaar, Fernando Catatau, Juvenil Silva, Renata Arruda e Gabi da Pele Preta na sexta-feira, 21, após os shows da noite. Isadora Melo, Maurício Tizumba, Lui Coimbra e Mona Gadelha estão escalados para abrirem o festival, cuja cerimônia transcorrerá na véspera do concerto, no teatro Luiz Solto Dourado do Centro Cultural Alfredo Leite, situado na estação ferroviária, a partir das 21 horas.

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959 – Expoentes paulistas da viola caipira se encontram no Casarão Cultural de Barão Geraldo (SP)

O Centro Cultural Casarão de Barão Geraldo reservou quatro datas do comecinho do mês de junho para promover o I Casarão das Violas, apresentações que levarão ao local expoentes paulistas de variadas vertentes do instrumento de dez cordas. A primeira atração também será mais uma rodada do premiado projeto Dandô Circuito de Música Dércio Marques, que neste ano atravessa a quinta temporada. Em 8 de junho, o anfitrião João Arruda receberá Rodrigo Zanc, cantador de Araraquara residente na vizinha São Carlos. No dia seguinte, 9, o contador de causos radicado em Campinas Paulo Freire levará ao público o show O Violeiro descoberto. Para o sábado, 10, está escalado o grupo sul-mineiro Vento Viola que, na bagagem, trará para lançamento o segundo álbum da trajetória, Em Nome do Vento. Nestes três dias, as apresentações começarão às 20 horas. Já no domingo, 11, o grupo Catira de São Gonçalo abrirá os trabalhos às 18 horas. Uma hora depois, Levi Ramiro e Jackson Ricarte, de Pirajuí e São José dos Campos, vão se revezar ao microfone para encerramento do projeto.

O Centro Cultural Casarão está localizado na rua Maria Ribeiro Sampaio Reginato, sem número, na altura do KM 15 da Estrada da Rhodia (sentido Paulínia). Não há cobrança de entrada e a colaboração para o “chapéu” que ajuda a manter as atividades do Casarão, passado sempre ao final dos espetáculos, é espontânea.

Sobre as atrações

Rodrigo Zanc além de tocar gosta de pesquisar a viola brasileira e suas influências, há mais de 20 anos vem lutando incansavelmente e sem concessões pela manutenção e propagação da cultura ligada ao instrumento. Em nome desta bandeira, já participou de vários festivais, dentre eles o Viola de Todos os Cantos, da EPTV – Rede Globo, e chegou às finais de 2005 e de 2007. Em 2006, lançou Pendenga, o primeiro CD. Em 2010, foi à Europa divulgar seu trabalho. Em 2013, produziu Fruto da Lida, selecionado para o 26º Prêmio da Música Brasileira. Pelo segundo ano no Dandô, Rodrigo Zanc também está à frente do projeto Viola para Dominguinhos (que retomará no segundo semestre) e integra o projeto 4 Cantos,  que ele e Cláudio Lacerda (Botucatu/SP) mantém desde 2011 juntamente com Luiz Salgado (Patos de Minas/Araguari-MG) e Wilson Teixeira (Avaré/SP).

O cantor, compositor e multi-instrumentista João Arruda, natural de Campinas (SP), possui destacado talento para tocar violas e instrumentos de percussão. Declara-se trovador apaixonado pela cultura e tradições populares e vem ganhando elogios como artista comprometido com a valorização e a criação de temas e canções da cultura popular brasileira e da América Latina. Além de músico, é produtor fonográfico. Sua obra pode ser encontrada em mais de 15 álbuns nos quais aparece como artista, convidado ou produtor. É constantemente requisitados para festivais, programas de rádio e emissoras de televisão e assina diversas trilhas sonoras para espetáculos, documentários e filmes. A trajetória musical inclui turnês por Brasil e exterior; com o grupo de Pífanos Flautins Matuá integrou o projeto Samarro’s Brazil realizando concertos na França e na Itália; já percorreu Argentina, Bélgica, Inglaterra e o País Basco com seu concerto Entre Violas e Couros. É idealizador e curador do projeto musical Arreuní, que promove encontros com diversos artistas brasileiros e convidados estrangeiros. Em 2007 lançou Celebrasonhos. Seu mais recente disco solo é Venta Moinho (2013), mas já está preparando o terceiro “filho”, Entre Violas e Couros, apenas com canções autorais gravadas ao vivo.

Paulo Freire é de São Paulo, mas fixou-se em Campinas. A surpreendente e inesgotável capacidade de contar causos, bem como o modo peculiar de tocar viola (este blogue já testemunhou ocasiões em que, inclusive, colocou-a com o tampo inferior voltado para o público, tocando as cordas, portanto, com os dedos invertidos, ou de costas) são resultantes de sua incursão ao sertão de Urucuia, região situada no noroeste de Minas Gerais, onde teve contato com valores da tradição rural e bebeu nas fontes onde Guimarães Rosa ambientou o consagrado romance Grande Sertão: Veredas. Além de músico com viagens a vários centros da Europa carimbadas no passaporte, é escritor e entre outros já dividiu trabalhos com Arnaldo Antunes, Mônica Salmaso, Luiz Tatit, Isa Taube, Cida Moreira e Ivan Vilela.

O  grupo sul-mineiro de Itajubá Vento Viola, reúne Clayton Roma César DameireLúcio Lorena e Aidê Fernandes. Em nome do Vento chegou em dezembro de 2016 e sucede Viola de Todos os Cantos (2000), que conta com a participação do violeiro Levi Ramiro e é considerado entre os amantes da música regional e caipira uma verdadeira relíquia por não dispor mais de cópias. Em Nome do Vento reúne 13 faixas e conta com as participações em três delas de Ronaldo Chaplin (Cheiro de Minas), João Lúcio (Amo Minas) e Adriano Rosa (Pinho e Violeiro).”

Nascido do encontro de violeiros, catireiros e foliões de reis durante encontro casual no Centro de Cultura Caipira e Arte Popular de Campinas, o grupo Catira de São Gonçalo completou o primeiro aniversário em 21 de maio.

Levi Ramiro brotou em Uru, situada na mesorregião de Bauru, e atualmente reside e em Pirajuí. Neste recanto, quando não está percorrendo a estrada ou pescando (hábito que por anos manteve em companhia do inseparável cão Pitoco, que recentemente partiu antes do combinado) também desempenha o ofício de luthier. Violeiros como Fabrício Conde (Juiz de Fora/MG) e João Arruda (Campinas/SP) tocam instrumentos feitos por Levi Ramiro, mas ele começou a carreira, inicialmente, dedicando-se ao violão popular. Somente na década dos anos 1990 quedou-se pela viola caipira. Passou, então, a absorver e a trazer em suas dez cordas todo o universo cultural que forma suas raízes. Com base em valores da cultura caipira e misturando elementos que formam a música brasileira, Levi Ramiro compõe poeticamente a simplicidade da vida interiorana e já gravou nove álbuns, o mais recente intitulado Purunga.

Jackson Ricarte ainda tinha 7 anos quando junto com a família deixou a cidade de Senador Pompeu (CE) para fixar moradia em São Paulo. Antes de fazer as malas, já ouvia Luiz Gonzaga e o xará Jackson do Pandeiro, ídolos cuja paixão passou a dividir com  Tião Carreiro e Almir Sater, dentre tantos outros compositores e cantores, vivendo na nova cidade. O pai percebeu a inclinação do garoto e quando o filho completou 11 anos o presenteou com um violão. Começava, então, o ciclo artístico que em poucas semanas o levaria a tocar o clássico Boiadeiro Errante (Teddy Vieira) sua música do panteão caipira predileta. Aos 12 anos, animava bares, praças e gradativamente ganhava o público com seu carisma e talento. Desde muito cedo, portanto, Ricarte assumiu que seria baluarte da música regionalista brasileira e, aos 18, passou a se dedicar ao estudo da viola caipira, simultaneamente abraçando a carreira profissional de músico. Apaixonado pelo instrumento de dez cordas, aprimorou a técnica na Escola de Música do Estado de São Paulo Tom Jobim, com os professores Rui Torneze e João Paulo Amaral. Neste período, Jackson Ricarte participou como solista da Orquestra Paulistana de Viola Caipira e residiu por um tempo na sede da Orquestra, o Instituto São Gonçalo, onde teve contato com rico acervo musical e dedicou-se a pesquisas que o levaram a conhecer entre novas influências Dércio Marques, Rubinho do Vale, João Bá, Katya Teixeira, Dani Lasalvia, Fernando Guimarães, Paulinho Pedra Azul, Cicero Gonçalves, Amauri Falabella, Chico Lobo, Pereira da Viola, Levi Ramiro, Socorro Lira, Elomar, Xangai, Vital Farias e Geraldo Azevedo dentre tantos outros menestréis da música regional. Neste ano lançou o primeiro álbum, Estrada Afora

Sobre o Circuito Dandô

Ao idealizar o Dandô Circuito de Música Dércio Marquesa cantora, compositora e pesquisadora paulistana de cultura popular Katya Teixeira pretendia fomentar a circulação de música de qualidade inquestionável por todo o Brasil, reunindo artistas de várias regiões, e, assim, além de criar intercâmbios, gerar novas plateias. Quem já se apresentou possui trabalhos reconhecidos e merece melhor projeção no panorama nacional, o que proporcionaria às pessoas acesso a outras linguagens e propostas produzidas fora da “grande mídia”.  Um artista sai de cada cidade e passa por todos os pontos do circuito, girando a roda de forma contínua. Cada edição conta sempre com uma atração do local recebendo e abrindo o espetáculo para o convidado, em shows de aproximadamente noventa minutos. Ao final, um bate-papo entre artistas e plateia fecha a apresentação.

O público de várias cidades de São Paulo, do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, de Goiás, de Pernambuco e do Distrito Federal já prestigiou shows da caravana, que neste ano chegará a Portugal, Argentina, Chile e Uruguai.

O objetivo de Katya Teixeira é, ainda, tornar popular o nome de Dércio Marques e seu inestimável legado não apenas para a música, mas para toda a cultura brasileira. Mineiro de Uberaba, Dércio Marques morreu em julho de 2012, em Salvador (BA), deixando como maior legado uma grande escola que transcende a composição musical e poética e propõe, ainda, uma postura mais íntegra e solidária de viver, voltada tanto para a preservação da natureza, quanto para o aprimoramento espiritual de cada indivíduo, sem deixar de lado o engajamento político e social. 

O Dandô recebeu em dezembro de 2014 o Prêmio Brasil Criativo na categoria Artes de Espetáculo/Música, no Auditório Ibirapuera (SP). Promovido pelo Ministério da Cultura, pelo Projeto Hub e pela 3M, o Brasil Criativo contemplou 22 projetos  perante um público de mais de 800 pessoas. 


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955- MCB (SP) recebe Duo Paccola-Fiori, Duo Camará (com & Trio Saracuteia Fulô) e Quartier Latin

O público que acompanha as apresentações musicais que o Museu da Casa Brasileira (MCB) promove em São Paulo aos domingos, sempre a partir das 11 horas, poderá apreciar três shows de diferentes vertentes nas próximas rodadas do projeto, todos com entrada franca, mas sujeita à lotação do terraço nos quais transcorrerão. Para o espetáculo de 28 de maio, o Duo Paccola-Fiori selecionou as faixas gravadas no álbum de estreia e que mescla composições próprias com sucessos regionais de várias partes do Brasil, arranjados com nova roupagem. Sem fugir às características dos instrumentos que toca, por meio deste repertório eclético a dupla constituída pelos virtuoses Thiago Paccola (viola caipira) e Jonecir Fiori (acordeon) promete levar ao palco inovação e musicalidade jovial.

Duo Camará e o Trio Saracuteia Fulô (Foto: Sté Mendes)

Um inédito encontro entre o Duo Camará e o Trio Saracuteia Fulô está programado para 4 de junho. Victor Cremasco (voz) e Raphael Amoroso (violão) apresentarão acompanhados por Roberto Federicci (sanfona e teclados), Ruiz Mattos (bateria) e Jorginho da Silva (contrabaixo) canções que trazem influências do samba, bossa nova e outras vertentes, base dos dois álbuns que assinam. Já Ana de Mag, Jessica Dias e Babi Pacini , revezando-se nas vozes e na percussão, mostrarão criações autorais e do compositor Pedro Ribeirão.

O Quartier Latin é formado por Julia King (voz), Daniel Doctors (contrabaixo e ukulele), Rodrigo Scarcello (teclado e acordeon) e Camilo Zorilla (voz e bateria)

A inusitada mistura entre sonoridades do Brasil e da França será a atração do MCB em 11 de junho, data reservada ao Quartier Latin, formado por Julia King (voz), Daniel Doctors (contrabaixo e ukulele), Rodrigo Scarcello (teclado e acordeon) e Camilo Zorilla (voz e bateria). A plateia ouvirá tanto clássicos de Edith Piaf, Jacques Brel e Serge Gainsbourg, quanto músicas contemporâneas com a quais nomes como Zaz, Bem l’Oncle Soule e Stromae, em arranjos com tempero latino, têm embalado Paris. O programa do Quartier Latin ainda destaca o forró de Dominguinhos, o samba-rock de Simonal e versões francesas de Chico Buarque e Mutantes.

Com edições contínuas entre março e dezembro, o projeto Música no MCB acolhe a cada novo domingo perto de 400 pessoas e desde 1999 já beneficiou mais de 240 mil com acesso gratuito a shows de grupos como Pau Brasil, Zimbo Trio, Projeto Coisa Fina, Orquestra Bachiana Jovem, Grupo Aum, Mawaca e Traditional Jazz Band, entre outros. O prédio fica na avenida Brigadeiro Faria Lima, 2.705, Jardim Paulistano, distrito do bairro Pinheiros, a uma caminhada leve da estação Faria Lima da linha 4/Amarela do Metrô. O terraço é contíguo a uma agradável área verde que acolhe pessoas de várias faixas etárias e ao restaurante que explora refinados serviços de gastronomia, lanches e cafés. Cobra pelo estacionamento interno, mas como estimula o uso de transporte alternativo oferece bicicletário com cadeados gratuitos à disposição para até 42 ciclistas. Para mais informações, há o telefone (11) 3032-3727.

28 de maio: Duo Paccola-Fiori

1. Apanhei-te Cavaquinho (Ernesto Nazareth e Ubaldo)/2. Pagode Doido (Thiago Paccola)/3. Tristeza do Jeca/Mercedita (A. de Oliveira / R. S. Rilo)/4. Encontros (Jocenir Fiori)/5. Baião de 5 (Gabriel Levy)/6. Desvairada (Garoto)/7. Wave (Tom Jobim)/8. Saudades de Matão (Jorge Galati & Raul Torres)/9. Chalana (Luis Carlos Borges e Apparicio S. Rilo)/10. Feira de Mangaio (Sivuca)/11. Lamento Sertanejo (Dominguinhos)/12. Um tom para Jobim (Sivuca e Oswaldinho do Acordeon)/13. O Rio de Piracicaba (Tião Carreiro e Pardinho)/14. Libertango (Astor Piazzola)

 4 de junho,  Duo Camará e Trio Saracuteia Fulô

1.Bonsai (Raphael Amoroso)/2. Tanta Gente (Pedro Ribeirão)/3. Correnteza (Tom Jobim)/4. Samba do Chá (Victor Cremasco e Roberto Federicci)/5. A hora do Samba (Jéssica Dias e Paulo da Rosa)/6. Contramão (Pedro Ribeirão)/7. Tempo de Amor (Vinícius de Moraes e Baden Powell)/8. A Palmeira (Pedro Ribeirão)/9. Sabiá da gaiola (Domínio Público)/10. Chão (Victor Cremasco)/11. Valsa Pra Lua (Raphael Amoroso)/12. Nos bailes da vida (Milton Nascimento)/13. Há Braço (Victor Cremasco)/14. Teimoso (Pedro Ribeirão)/15. Maria Rosa (Victor Cremasco e Raphael Amoroso)/16. A do Feijão (Pedro Ribeirão)/17. Samba de Amanhã (Victor Cremasco e Raphael Amoroso)/18. Ponteio (Edu Lobo)

 11 de junho, Quartier Latin

1.Dans mon ile (Henri Salvador)/2. Couleur Café (Serge Gaisnbourg)/3. Mon manege a moi (Edith Piaf)/4. Belleville Rendez vous (Beatrice Bonifassi)/5. La foule (Edith Piaf)/6. Je ne veux pas travailler (Pink Martini)/7. Tu veux ou tu veux pas (Brigitte Bardot)/8. Joana Francesa (Chico Buarque)/9. La lune (Zaz)/10. J’ai deux amours (Madeleine Peyroux)/11. Je veux (Zaz)/12. La vie en rose (Edith Piaf)/13. Douce France (Charles Trenet)/14. Fibre de Verre (Paris Combo)/15. Ni oui ni non (Zaz)/16. Les mots d’amour (Mayra Andrade)/17. Xodó (Dominguinhos – versão em francês)


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947 – Lulinha Alencar e Mestrinho tocam e lançam álbum para Dominguinhos em Sampa

A unidade Pompeia do Sesc da cidade de São Paulo receberá no sábado, 6 de maio, Lulinha Alencar e Mestrinho para lançamento do álbum que ambos gravaram em homenagem a Dominguinhos. ToCantE  reúne em dez faixas criações tanto do cantor e compositor pernambucano que morreu em 2013, como dos próprios Alencar e Mestrinho nas quais estes reverenciam outros mestres que os influenciaram: Chiquinho do Acordeon, Jackson do Pandeiro e Pixinguinha. Richard Galliano, renomado sanfoneiro francês, também subirá ao palco como convidado especial da apresentação, prevista para começar às 21 horas.

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938 – Terceira rodada do projeto Forte Piano terá como atração Hércules Gomes e Rodrigo y Castro

O pianista Hércules Gomes e o flautista Rodrigo Y Castro, dois importantes representantes da música brasileira em seus instrumentos, subirão ao palco do teatro da unidade Ipiranga do Sesc da cidade de São Paulo no domingo, 23 de abril, para promoverem mais uma rodada do projeto Forte Piano, iniciado em 9 de abril. Os amigos já se apresentaram ao lado de músicos como Dominguinhos, Egberto Gismonti, Wilson das Neves, Letieres Leite e também em importantes festivais como o MIMO, o Chorando sem Parar e o festival Jazz Plaza (Cuba). Nestas ocasiões, os dois instrumentistas unem ritmos e estilos diferentes como o frevo, o samba, o baião e o choro, e com apurada técnica para concertos oferecem à plateia repertório de composições próprias e de arranjos para músicas de compositores como Radamés Gnattali, Pixinguinha, Edu Lobo e Dominguinhos. A soma de suas diversas influências, o passeio por diversos estilos e a exploração da grande gama de recursos de seus instrumentos resulta em uma música viva, brasileira e contemporânea.

O projeto  Forte Piano  propõe inéditos encontros entre representantes das diversas escolas brasileiras de piano, sempre aos domingos. Já recebeu o duo Bailado, composto pelo pianista Daniel Grajew e Marcos Paiva, Laércio de Freitas e depois do duo Hércules Gomes e Rodrigo y Castro, o encerramento caberá a Cristian Budu.

O Projeto Forte Piano é conduzido por Glauce Passeri, e a produção do show que Hércules Gomes e Rodrigo y Castro promoverão coube a Marcos Paiva e a Letícia Liñeira.


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883- Se sanfoneiro ou acordeonista, quem se importa? Thadeu Romano é o cara que toca vários sotaques do Brasil Profundo

O acordeonista Thadeu Romano (SP) foi a atração do primeiro bate-papo da temporada do projeto Imagens do Brasil Profundo, mediado pelo curador e professor de Sociologia Jair Marcatti na noite de quarta-feira, 25 de março, na Biblioteca Mário de Andrade, situada no Centro da cidade de São Paulo. Durante cerca de 90 minutos, Thadeu Romano revelou-se um músico inquieto, influenciado por costumes interioranos do distrito no qual nasceu, em Campinas, e a convivência com familiares italianos alguns, como os nonos, responsáveis pela escolha afetiva que o levou a se tornar uma das referências atuais no país, ao ponto de ter se tornado um dos mais elogiados por Dominguinhos (que o considerava “um diamante bruto”) e Sivuca (que dizia dele ser “um músico que toca com o coração!”).

Durante a entrevista com Marcatti, Thadeu Romano explicou que há diferenças não apenas técnicas, mas também de forma e tamanho, por exemplo, entre acordeon, sanfona e consertina, embora seja comum e já consagrado tratá-los como sinônimo um do outro. Ao comentar sobre as peculiaridades do bandoneon, que ele também toca, valorizado por conta dos tangos de Astor Piazzolla depois de incerta inserção na cultura platina (“era um instrumento desprezado e que marinheiros usavam como moeda para pagar contas em mercearias”) , soltou uma frase bem espirituosa: “Parece um pacote de pães Pullman!” .

Thadeu Romano também frequentou bancos de conservatórios de ponta, acrescentando ao seu dom formação e saberes clássicos, e, por isso, pode ainda discorrer com propriedade sobre a adaptação e a popularização do acordeon e seus similares nos estados do Brasil nos quais ocorrem com mais força. Nesta altura da entrevista, didático, apontou diferenças e similaridades que permitem ao instrumento não apenas figurar em apresentações, mas ganhar status de solista, afirmando-se no contexto nacional por meio de ritmos como Vanerão, Bugiu e Xote, no Rio Grande do Sul; outra variação de Xote, Baião, e Forró em manifestações comuns em Pernambuco e centros vizinhos; Chamamé e Valsa, no Centro-Oeste e no Interior de São Paulo, divulgando valores e tradições das culturas pampeira, caipira e nordestina que contribuem para moldar uma identidade brasileira. “O acordeon é uma orquestra, sozinho faz um baile, e por ter estes muito sotaques é que ganhou o coração do brasileiro!”

jair e thadeu

Entre um tema e outro da conversa com Marcatti, Thadeu Romano arrancou calorosos aplausos da plateia presente ao teatro Rubens Borba de Moraes ao interpretar joias tais quais Asa Branca, da Cor do Pecado, Perigoso, Saudades de Matão, Corta Jaca, Tico-Tico no Fubá, Feira de Mangaio e Lamento Sertanejo, sempre mencionando dados biográficos e curiosidades sobre os autores destes clássicos, entre os quais Luiz Gonzaga, Chiquinha Gonzaga e Zequinha de Abreu — o que permite mostrar que o acordeon também sempre se aclimatou e se sentiu bem-vindo a rodas de choro ou mesmo a temas românticos.

A entrevista de Thadeu Romano foi pontuada por várias pitadas de bom humor e, em especial, uma declaração de pura devoção, temperada por uma genuína e profunda saudade. Foi quando mencionou a convivência com Dominguinhos e com  Sivuca. Embora tenha acentuado “me considero ‘sivuquiano’ pelo jeito que ele tocava e pelo que almejo para a minha carreira”, o convidado desta rodada do Imagens do Brasil Profundo embargou a voz ao recordar a amizade com o parceiro pernambucano. “Dominguinhos era uma alma extremamente bondosa, tinha paciência com tudo, dava até dó, pois a turma abusava dele!”, contou Romano. “Ele morreu na data do meu aniversário [23 de julho, em 2013] e foi um presente que  me deu, pois a gente não gosta de ver uma pessoa que ama sofrendo”, emendou. “Sinto falta de conversar com ele!”

Os dois mestres do acordeon não são os únicos com quem Thadeu Romano já tocou e com os quais conviveu. A lista de artistas é extensa e de qualidade inquestionável e apresenta nomes como Renato Teixeira, Nailor Proveta, Zizi Possi, Guelo, Heraldo do Monte, Luciana Rabello, Fernanda Porto, Fátima Guedes, Peri Ribeiro, Eduardo Gudin, Mafalda Minozzi, Ary Holland, Giba Favery, Fábio Canela, Rodrigo Sater, Naná Vasconcelos, Dona Inah, João Borba, Celia e Celma, Cláudio Lacerda e Rodrigo Zanc. Além de acordeonista, o campineiro hoje radicado em São Paulo ele é arranjador, dirige um festival de choro com 10 horas de duração, todos os meses de dezembro, em São Carlos; integra grupos de tango e de gafieira; uma pequena orquestra que no segundo semestre  estará em ação para reinterpretar temas de trilhas sonoras do cinema, rearranjadas para um festival do gênero; e está aprendendo a tocar sanfonas de várias partes do mundo, disponibilizando os vídeos destas experiências (“eu arranjei sarna para me coçar”) em redes sociais.

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Todas estas atividades já somam 20 anos de pesquisas, de viagens, de shows, de gravações e de eventos correlatos por fim ganharam sua marca autoral e darão vida e alma ao primeiro disco solo da carreira que até a cidades minúsculas de Angola, além de países europeus, já o levou. Da Reza à Festa, uma ode à religiosidade e à amizade será lançado em São Paulo em 29 de julho, no teatro da Unibes, situado no bairro Sumaré. Reúne 10 faixas e uma vinheta dedicada por Thadeu Romano ao avô paterno, Albino; durante o bate-bapo na Biblioteca Mário de Andrade ele apresentou a música que abrirá o disco, Baião pro Malta, com participação do amigo homenageado, o saxofonista carioca Carlos Malta. Sobre este primeiro álbum, comentou: “Eu sempre estive atrás de artistas, de forma que, para  mim, este disco está sendo, mais do que uma grande novidade, uma responsabilidade de tremer na base. Mas tomará que seja o primeiro de muitos!”

A próxima atração do Imagens do Brasil Profundo já foi anunciada por Jair Marcatti, para 15 de junho, a partir das 20 horas: Jean e Joana Garfunkel, pai e filha, interpretando e adaptação exclusiva para o projeto poemas do patrono Mário de Andrade, com destaque para “Eu sou 300”.

A primeira temporada do Imagens do Brasil Profundo, em 2014, buscou imprimir um Olhar sobre a Cultura Caipira em quatro bate-papos com expoentes desta vertente das nossas tradições populares. Depois, em 2015, ampliada, a programação passou a abarcar outros aspectos das diversas culturas regionais, agora desvendados por meio de shows, bate-papos musicais, debates e palestras. Nestas ações, ao invés de promover abordagens tradicionais, Jair Marcatti interage com músicos, documentaristas, diretores de cinema, ativistas culturais e pesquisadores da cultura popular que em comum nutrem um modo peculiar de retratar o país e promovem trabalhos de pesquisa e de resgate das nossas mais entranhadas tradições.

Com cada um dos participantes, o sociólogo joga luz “sobre aspectos do universo cultural brasileiro, de nossas trajetórias, continuidades e rupturas,daquilo que sem nenhuma pretensão definidora poderíamos chamar de identidades brasileiras, no plural, com a vantagem dos exemplos serem pontuados no calor da prosa, ao vivo, pelo som dos instrumentos, muitos artesanais, e pela apresentação de outras formas de expressão cultural”, observa. Seguindo princípios e ideais de três dos nossos maiores expoentes culturais que são o patrono Mário de Andrade, Darcy Ribeiro e Ariano Suassuna, apoiado, ainda, em pensamentos de Machado de Assis, o projeto propõe “um reencontro do Brasil com ele mesmo”, mas não com o Brasil institucional, caricato e burlesco, e sim o mestiço, aquele que nos permite afirmar perante o mundo a originalidade da civilização tropical, revelador de nossos melhores instintos e mais arraigadas tradições.

 

 

 

 


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863 – Morre Fernando Faro, timoneiro e criador do “Ensaio”, programa intimista dedicado à música brasileira

O programa Ensaio ficou sem seu timoneiro e idealizador Fernando Faro, que morreu na noite de domingo, 24 de abril, vítima de infecção pulmonar, aos 88 anos, em São Paulo. Jornalista, produtor musical e diretor também conhecido por Baixo, Fernando Faro dera entrada há três meses acometido por desidratação no hospital onde veio a óbito. O velório se estenderá até por volta das 17 horas quando o corpo deverá ser sepultado no Cemitério do Araçá. De acordo com nota publicada em redes sociais assinada pela produção do programa, o Ensaio começou em 1969, na extinta TV Tupi. Entre 1972 e 1975, virou MPB Especial e passou a preencher a grade da TV Cultura. Ainda nesta canal da Fundação Padre Anchieta, em 1990, retomou o nome original e desde então pôs no ar pelo menos 700 edições. 

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