1275 – Edvaldo Santana, disco homônimo do cantor e compositor paulistano, completa 20 anos

Álbum tem 13 faixas, participações especiais de Titane, Bocato, Swami Júnior, Oswaldinho do Acordeon, entre outros, e parcerias com ou interpretações de poemas de Mauro Paes, Artenio Fonseca, Paulo Leminski, Arnaldo Antunes e Itamar Assumpção, mais projeto gráfico de Elifas Andreato

Um dos melhores discos da carreira do cantor e compositor são-miguel-paulistanês, o bardo mouro tupiauiense Edvaldo Santana (entre os oito que ela já lançou na carreira solo, desde 1993, quem se atreveria a dizer qual deles seria o mais-mais?), batizado simplesmente com o nome do artista (veja o tamanho da responsa, na verdade, a confiança no próprio taco, já que, caçapa, a estocada foi de mestre!) está completando vinte anos de lançamento. Por conta desta importante marca, Edvaldo Santana (o disco) foi o escolhido para abrirmos aqui no boteco do Barulho d’água Música neste dia 11 do apressadinho janeiro (para aonde será que ele quer nos levar assim, passando tão veloz?) mais uma rodada das audições matinais que promovemos aos sábados.

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1119 – Conheça João Bid, cantor e compositor de Mairinque (SP), autor de “Ensaio sobre nossas coisas”

Músico natural de Mairinque fez parte do grupo Catavento e também se destaca por premiadas obras na literatura e pela montagem de peças teatrais

O acervo do Barulho d’água Música agora conta com Ensaio sobre nossas coisas, segundo álbum solo do cantor e compositor João Bid, de Mairinque ¹ — cidade situada a cerca de 70 quilômetros da capital de São Paulo, com entrada na altura do Km 67 da rodovia Raposo Tavares, no sentido Sorocaba e que em 27 de outubro completará 128 anos. Ensaio sobre nossas coisas marca o aniversário de 60 anos de Bid, que ele comemorou em 2016, quando lançou o álbum gravado em casa e produzido de maneira independente, reunindo 14 músicas inéditas compostas com 13 parceiros ao longo de quase 40 anos de carreira. “A ideia do disco é celebrar as parcerias musicais que a vida me deu“, comentou o artista, que é acompanhado pelo violão de Matheus Pezzotta, jovem talento da vizinha São Roque e filho do também cantor e compositor Edson d’aisa. O disco pode ser encomendado pelo endereço virtual daisaprodcult@bol.com.br. 

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1117 – Elifas Andreato estreia na literatura infantil com livro musicado por Tom Zé

Fábula escrita há quase 40 anos, que estava na gaveta do consagrado capista,  é lançada por editora premiada no segmento de obras didáticas;  antes de chegar às prateleiras das livrarias virou disco na voz do baiano tropicalista

O jornalista, artista gráfico e cenógrafo paranaense de Rolândia radicado em São Paulo Elifas Andreato, conhecido por conceber algumas das mais belas capas de discos de todos os tempos da música brasileira, muitas premiadas e expostas em mostras até fora do país ¹, acaba de estrear na literatura também como escritor de histórias infantis. Em 6 de outubro, em uma concorrida livraria da rua Fradique Coutinho, em São Paulo, seus amigos e fãs mais uma vez o prestigiaram, desta vez para o lançamento de A Maior Palavra do Mundo, uma Fábula Alfabética, que conta com 56 páginas ilustradas por Fê, considerado uma dos mais criativos ilustradores da atualidade.

A Maior Palavra do Mundo… é o abre-alas da nova fase da Palavras Projetos Editorias, liderada pelo editor Cândido Grangeiro e formada no segmento de didáticos, destacada por inúmeros títulos aprovados pelo Programa Nacional de Livros Didáticos (PNLD), e que, agora, aposta fichas também no segmento infanto-juvenil. Para Elifas Andreato levar o livro ao prelo, entretanto, demorou 37 anos, tempo no qual os originais ficaram na gaveta do autor. O trabalho teve origem a partir de uma das muitas histórias que Elifas contava para seus filhos quando eram pequenos: contos envolvendo as letras do abecedário.

Depois de pronta, Elifas Andreato enviou a obra para que um amigo especial a musicasse: Tom Zé. “Para mim, uma boa narrativa sempre vem acompanhada de música”, explicou o artista gráfico. Na época, Andreato gravou as composições feitas por Tom Zé em uma fita cassete, que os filhos acabaram levando à escola, fazendo com que toda a turma decorasse as canções e “cansassem” de brincar com as cantigas.

Capa e contracapa do disco de Tom Zé sobre as fábulas de Elifas Andreato

O projeto da fábula musical foi retomado no ano passado, dando origem, primeiramente, ao álbum para o público infantil Sem você não A, que Tom Zé lançou na semana do Dia das Crianças, em outubro de 2017. O livro e o CD, portanto, estão prontos, mas o projeto poderá ganhar, ainda um novo formato, agora como musical.

A Maior Palavra do Mundo, uma Fábula Alfabética envolve um mistério, que se inicia quando o ressentido Silêncio, habitante mais antigo daquelas terras, resolve sequestrar a Curiosidade, a regente de todas as letras. Para libertá-la, Silêncio propõe um enigma: descobrir qual a maior palavra do mundo: “Ela começa com E, tem pelo meio Amor, Alegria, Vontade, Amizade, Felicidade, Solidariedade, Respeito e acaba com as últimas das vogais”.

Antes de gravar o álbum Sem Você não A, Tom Zé ainda estava às voltas com a repercussão do disco de 2016, com temática sexual, Canções Eróticas de Ninar (2016). Guinou de um universo ao outro mostrando o quanto é eclético e sua obra abrangente em apenas 30 dias, após receber um convite do Sesc para apresentar algo novo como parte da programação da entidade para o Dia das Crianças de 2017, da qual ele seria atração. O baiano tropicalista tinha em seus armários a fita cassete que Elifas enviar e sacou que chegara a hora de , enfim, musicá-la. Recorreu a alguns amigos e na empreitada que arremataram em 30 dias buscou colocar elementos que são marcantes para a petizada, deixando  com cara de gente miúda o disco que tem participações de 
Leandro Paccagnella (bateria), Daniel Maia (violões), Paulo Lepetit (baixo, guitarras), Jarbas Mariz (percussões), Adriano Magoo (sanfona, teclados), Luanda, Andreia Dias, Daniel Maia e Jarbas Mariz (coro).

“As repetições, por exemplo. Crianças gostam muito de repetições, por isso eu fiz algumas poucas alterações nas letras do Elifas para colocar um pouco mais desse recurso, disse Tom, complementando: as letras seguiram a ideia central da fábula criada por Elifas Andreato, explicada minuciosamente no encarte. “Esta fábula não começa com ‘era uma vez…’ porque acontece no abecedário, terra onde vivem os habitantes do alfabeto”, explicou Elifas. A história em que “não há reis nem rainhas, nem princesas, sapos ou fadas” tem as letras como protagonistas. As maiúsculas precisam das minúsculas e as vogais, das consoantes. “Elas bem entendem que letra nenhuma escreve nada de fundamental sozinha.”

A música de Tom Zé para o episódio do enigma proposto pelo Silêncio (lembram dele?) mata a charada: “A maior palavra do mundo é eu / Eu, eu, eu, eu, digo eu / Simplesmente Eu / Eu, eu, eu, eu digo eu / Simplesmente eu.”  A música continua: “O Eu é tão gorduchão / É tão gigante grandão / Que o mundo é um pigmeu / Diante de um simples Eu / E como, não se sabe como”.

Tom Zé recordou que em shows de lançamento do disco no ano passado, no Sesc Pinheiros, e a reação das crianças a músicas como esta foi das mais gratas, conforme disse em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo. “Resolvemos usar elementos que usamos em shows, mas trocando símbolos para o universo infantil”, contou Tom. O capacete dos integrantes da banda, um artifício incorporado em outros shows de Tom Zé, era golpeado por um martelo. “Mas, se eu colocasse isso no show de agora e elas fizessem isso em casa, iriam parar no hospital. Trocamos então o martelo por frutas”.

Mas e o Silêncio, esse esperto que cria o conflito na história ao sequestrar a Curiosidade? Tom Zé fala sobre ele na música A Praga do Silêncio, valendo-se à vontade das repetições. “Eu vou te rogar uma praga / Praga, praga / Abracadabra te pega / pega, pega / Assim como flor arrancada do chão / Murcha, murcha, ah ah ah / Estrela tirada do céu / Apaga, apaga, apaga, apaga, apaga.” “Isso (no show) foi uma grande felicidade. As crianças subiram no palco, contra a orientação do próprio Sesc. Olha, quando eu fui fazer esse disco, pedi ao espírito que ele fizesse uma música interessante, e ele respondeu. As crianças, como escreveu alguém, são o mundo a começar de novo.”

Curiosidade fica presa para sempre, mas as letras começam a se solidarizar. Elas se juntam e começam a pensar no enigma, até que o A se desespera e foge para tentar resolver o caso sozinho. E quem se desespera agora são as outras letras, que sentem a falta que um A faz no alfabeto. O mágico G dá uma solução para o problema, quando faz descer do céu algumas de suas amigas estrelas. Elas ocupam as lacunas deixadas pelo A e fazem a leitura ainda possível. Alivia, mas não cura. “Sem você não haverá luas / Nem teremos o azul do mar pra navegar / Ai ai, hum hum / Sem você não A / Sem você não haverá canção”, canta Tom Zé na faixa-título Sem Você Não A.

As letras e as palavras passam por uma  revolução desde a chegada das novas tecnologias. Ao mesmo tempo em que as pessoas começaram a escrever mais, o tempo todo, nunca a língua portuguesa foi tão maltratada em abreviações de postagens em Twitter, Facebook e WhatsApp. Tom Zé acredita que o buraco é mais fundo. “Há mais de 20 anos que a universidade forma pessoas que não sabem ler, nem escrever. Antes da internet, a língua portuguesa já estava depreciada pelas autoridades públicas.”

O traço das ilustrações de Elifas Andreato não é conhecido apenas das capas de discos, como a antológica de Bebadosamba, de Paulinho da Viola: ele também é autor de cartazes que marcaram época como o da imagem central

¹Elifas Andreato nasceu em 1946. É jornalista, artista gráfico, capista e cenógrafo com carreira  permeada de trabalhos artísticos e jornalísticos; às vezes, simultâneos. Como mostra do reconhecimento pela qualidade de sua obra, recebeu diversos prêmios, entre eles:  em 1997, o Prêmio Sharp de Música pela capa do CD Bebadosambade Paulinho da Viola; em 1999, o Prêmio Aberje (Nacional e Regional) pela exposição itinerante O Brasil Encantado de Monteiro Lobato; em 2011, o Prêmio Especial Vladimir Herzog, concedido pelo Instituto Vladimir Herzog e outras entidades a pessoas que se destacam na defesa de valores éticos e democráticos e na luta pelos direitos humanos. Entre seus trabalhos mais conhecidos, vale mencionar o musical infantil Canção dos Direitos da Criançaem parceria com Toquinho, que ganhou os palcos em 2017.

Clique no linque abaixo para ler o livro de Elifas Andreato:

A Maior Palavra do Mundo, uma Fábula Alfabética

Leia também no Barulho d’água Música:

809 – Correios promovem em Brasília exposição que retrata 50 anos de carreira do artista plástico Elifas Andreato

 

1112 – Bernardo Pellegrini (PR) lança em São Paulo “Outros Planos”, com Alzira E e Edvaldo Santana*

O álbum revela o manancial criativo do cantor e compositor e um cancionista maduro e intenso, que redefine afro-brasilidades, jazz e ritmos latinos, consolidando sua assinatura musical e sua estética autoral

O cantor e compositor Bernardo Pellegrini (PR) será atração nesta sexta-feira, 28, da unidade paulistana Belenzinho do Sesc, onde ocupará o palco a partir das 21 horas para lançamento de Outros Planos, sexto álbum da carreira. Com seu violão, Pellegrini cantará acompanhado pelo Bando do Cão Sem Dono, formado por Edu Batistella (bateria e vocal), Hermano Pellegrini (guitarra e vocal), Filipe Barthem (contrabaixo e trompete), Sofia Pellegrini (sax e vocal) e Emilio Mizão (guitarra e violão). Como convidados para abrilhantar a apresentação, ele receberá Alzira E. e Edvaldo Santana (ver a guia Serviços).

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914- Edvaldo Santana e banda, incluindo metais, lançam “Só vou chegar mais tarde”, no CC Vergueiro

O Barulho d’água Música congratula-se, mais uma vez, com Edvaldo Santana que, entrando no 43° ano de carreira, brinda seu público com Só Vou Chegar Mais Tarde, oitavo álbum da carreira dele, marcada por um perfil de independência e irreverência. O novo disco está bombando sem parar aqui na redação do blogue, onde baixou devidamente autografado pelo cantor e compositor, e será apresentado em 25 de março, a partir das 19 horas, na Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural Vergueiro, ao lado da estação Vergueiro da linha 1/ Azul do Metrô de São Paulo. Cole lá, amigo ou seguidor, pois mesmo que o camelo passe no buraco da agulha nenhuma das 13 faixas (abaixo apresentadas em um primoroso texto do jornalista e escritor Jotabê Medeiros* que reproduzimos na íntegra) tocará em rádio ou será apresentada em programas de televisão…    

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911 – Vote até 19 de fevereiro e indique os finalistas para o III Prêmio Profissionais da Música!

Terminará amanhã, 19 de fevereiro, a votação popular dos semifinalistas do III Prêmio Profissionais da Música, evento que desde 2015 pretende proporcionar maior visibilidade para artistas e agentes de produção, de promoção e de divulgação envolvidos nas diversas áreas deste segmento cultural.

A produtora musical GRV (Gustavo Ribeiro de Vasconcellos) colhe votos desde 9 de fevereiro pelo portal do PPM 2017; quem participará pela primeira vez precisará apenas preencher o cadastramento prévio que liberará, mediante login e senha, o acesso à área de votação.

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851 – Paulo Netho e Dráusio Silva (SP) comemoram 30 anos de projeto concebido para provocar festas e “desmilitarizar” pensamentos

O recitador Paulo Netho e o cantor e compositor Dráusio Silva vão se reencontrar no sábado, 16 de abril, a partir das 21h30, no Espaço Versátil Multi Eventos, situado em Osasco, para celebrarem 30 anos da realização do primeiro Poemashow, parceria que promoviam na cidade declamando e cantando sucessos da MPB e do rock em meados da década de 1980, embrião da carreira que ambos passaram a desenvolver como poeta, essencialmente, no caso de Paulo Netho, e músico, no caso de Dráusio, um dos integrantes da banda Subtotal. A apresentação terá a participação do também cantor e compositor Salatiel Silva, que ao lado de Paulo Netho forma a Cara de Pavio Produções Artísticas e desenvolve os projetos Balaio de Doi2, Drops Urbano, e Ciranda de Cantigas.

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691 – Edvaldo Santana canta gentilmente para auxiliar na recuperação de pacientes do Hospital Municipal de Barueri (SP)

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Edvaldo Santana cantou canções dele como Reserva da Alegria; Quem é que não quer ser feliz; Samba do Japonês; e Cara, Carol nos quartos do HMB. A assessoria de imprensa do hospital recebeu autorização por escrito dos pacientes para divulgação das imagens (Foto: Marcelino Lima/Acervo Barulho d’água Música)

O músico Edvaldo Santana (SP) demonstrou na sexta-feira, 16, que não é apenas um cantor e compositor dos mais admirados e talentosos entre os artistas independentes, mas que é também um homem fraterno, gentil e solidário. Na tarde daquele dia, intermediado pelo Barulho d’água Música, Edvaldo Santana esteve no Hospital Municipal de Barueri (HMB) onde percorreu leitos, corredores e o setor de hemodiálise, além da maternidade, local no qual entoou ao violão Cara Carol para os pais e a recém nascida Milene. Suas musicas e de autores como Elpídio dos Santos (Você vai gostar/Casinha Branca) e Adoniran Barbosa (Trem das Onze) despertaram sorrisos, derrubaram lágrimas e arrancaram muitos aplausos. Cara Carol, oferecida à Milene, ele compôs em homenagem ao nascimento da filha na época da Guerra do Golfo, travada no início da década dos anos 1990 entre Estados Unidos e Iraque. 

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Atitudes como a de Edvaldo Santana cantando para a paciente e irmã que a acompanha na convalescênça são dignas de aplausos e exemplo a ser seguido (Fotos acima, no destaque e abaixo: Vladimir Soares/Assessoria de Comunicação do HMB)

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Barueri está situada a 26 quilômetros de São Paulo, lindeira à Rodovia Castello Branco (SP 280). Para cantar no HMB acompanhado pela esposa, Sueli, Edvaldo Santana partira pela manhã de São José do Rio Preto — dependendo do trajeto percorrido, a viagem exige deslocamento superior a 450 quilômetros até a Capital — e chegou pontualmente em relação ao horário assumido. O artista abriu mão de cachê, da cobertura da mídia e o que enobrece ainda mais seu gesto: superou a dor pelo luto da mãe, que sepultara no domingo anterior para honrar o compromisso voluntário com entusiasmo e carinho.

“Se a arte existir apenas para dar dinheiro e fama, não tem sentido, precisamos também colocá-la a serviço de quem precisa, sobretudo em momentos e em ambientes nos quais as pessoas se convalescem”, disse. 

A trajetória de Edvaldo Santana é repleta de aventuras e de belas canções. Criado na Zona Leste de São Paulo e muito popular no efervescente bairro de São Miguel Paulista, o músico se destaca pela voz rouca e por um repertório que mescla variados ritmos do forró ao blues, do choro ao jazz. “Ações como essa, que levam alegria aos que estão acamados e em situação delicada, sempre devem ser apoiadas”, ressalvou.

Com mais de 40 anos de carreira nos quais gravou sete álbuns, celebrou parcerias com nomes como Ademir Assunção, Itamar Assumpção, Paulo Leminski, Tom Zé e Arnaldo Antunes. Nestas quatro décadas, constrói uma obra irretocável, sem fazer concessões sobretudo à mídia e preservando postura independente expressa em letras contundentes, mas também repleta de personagens populares, poesias e astral iluminado.

“Eu acredito muito na franqueza e na liberdade que me orienta, não há motivo para virar a mesa: se tem confiança não há violência”, canta Edvaldo Santana em uma das faixas de Jataí.  Ainda curtindo o sucesso desta pérola do nosso cancioneiro, ele contou aos jornalistas Marcelino Lima e Vladimir Soares que no primeiro semestre de 2016 pretende lançar o oitavo álbum.

Vladimir Soares é jornalista dos mais tarimbados e corretos da região metropolitana Oeste da Grande São Paulo e atualmente responde pela Assessoria de Comunicação do HMB. A ação de humanização por meio da qual levou Edvaldo Santana é um projeto que o hospital pretende repetir de acordo com o interesse voluntário de artistas. Para colaborar e saber mais detalhes, o telefone de Vladimir Soares é (11) 9 7486-8268.

Quarenta anos na contramão e dizendo não ao ouro dos tolos*

* Texto publicado pela Rádio UOL, em 01/09/2014, dias depois de Edvaldo Santana se apresentar com sua banda na sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural Vergueiro, em São Paulo

Por Marcelino Lima

Edvaldo Santana está chegando a 40 anos de carreira e embora neste tempo já tenha gravado inúmeros sucessos deixa a impressão que ainda canta e toca com a mesma disposição, alegria, contundência, irreverência e, no caso particularíssimo dele, simpatia de quem estaria empunhando o microfone e um violão pela primeira vez, estreando nos palcos disposto a conquistar cada pessoa da plateia. Se a frase “quanto mais velho o vinho…” para ele se encaixa, a obra de sete discos deste bardo filhos de nordestinos que baixou lá em São Miguel Paulista e neste lendário, efervescente e mágico bairro-cidade da Zona Leste (ZL) paulistana cresceu andando na contramão estabelece, ainda, outra constatação: quanto mais o cara amadurece, mais parece que se renova e, assim, e remoçando-se, deixa para o público que o cultua a marca perene de um trabalho que prima pela qualidade e pela verdade, pelo engajamento e pela inteligência crítica. Só alguém que desde pivete tem posicionamento, ideias, suingue, poética e um anjo da guarda barroco poderia colocar se serviço da cultura que é (do) contra o ouro dos tolos, dos que adoram jabaculês e paparicos do jet-set.

Senhora contribuição ao país, sim senhor, digna de ser objeto de teses de mestrado e receber espaços mais generosos em cadernos B, os quais normalmente se gabam de serem antenados e reverenciarem os “malditos”! Os xotes, baiões, sambas, raps, hip-hops, baladas ou blues urbanos-agrestes deste guerrilheiro retratam com fidelidade — portanto sem retoques, sem maneirismos ou manérismos –, por exemplo, a periferia dos grandes centros e seu povo mais para crioulo e caboclo do que para loiro. Gente que rala em vagões lotados de trens sucateados, joga bola e resolve o jogo, trampa de pedreiro (até morrer, se preciso for, ou não tiver jeito), desvia de foguetes e de balas atiradas a esmo, corre dos gambés, suporta todo tipo de opressão andando de lado e fingindo-se de morto e, quando não tem a sorte de sair da linha de tiro, sequer uma testemunha ou caixão consegue; revelam manos de carne, dente, osso e unha — aliás, com mais osso do que carne, com dentes e unhas de menos –, mas que no dia a dia insistem em seguir avante, sorrindo, banguelas, fazendo churrasco na laje, descolando uma mina nova, tomando uns tragos aqui e acolá por que ninguém é de ferro — e nem sempre o santo ajuda!  E vamos arrematando um novo cordel, rimando caldo de cana com um pastel de japonês: afinal, quem é que não quer ser feliz ou não merece um copo de vermute?

Como se não bastasse a bandeira empunhada em defesa desta massa, a música de Edvaldo Santana é antipanfletária e anti(pros)elitista, não troca passes com chavões banais. “Jataí”, por exemplo, é um mapa das riquezas do Brasil e dos seus vários tipos humanos, do Oiapoque ao Piauí. Este blog por todas estas características já escreveu sobre ele mais de uma vez, em todas deixando claro que no nosso barco ES navegará sempre na proa — e na janelinha! O tiozinho que saiu de sua cadeira e pediu humildemente para a plateia reverenciar e aplaudir o “Lobo Solitário” antes mesmo dos acordes finais da música de despedida que Edvaldo Santana e sua banda* executavam no domingo, 24 de agosto, no Centro Cultural Vergueiro, em São Paulo -– e, não contente, subiu no palco para cumprimentá-lo com a música ainda em andamento –, é um dos admiradores que sabem: o cantor e compositor merece que por ele tiremos o chapéu!

Crédito: Marcelino Lima

Durante a maior parte da apresentação, Edvaldo Santana, aliás, usava óculos de lentes escuras. Tirou-os apenas na hora de pegar um papel para ler nomes das pessoas as quais deveria agradecer, do técnico de som ao responsável pela Sala Adoniran Barbosa. Alguém poderia até pensar que o adereço das lentes seria um disfarce de alguém supostamente marrento, quem sabe parte da fantasia de uma mera personagem. Mas como poderia ser esnobe ou entrar em cena mascarado um camarada que é o que é, e estando no centro das atenções no calor daquele momento, despiu-se do papel de astro e brincou o tempo todo com quem o curtia, contou sem delongas ou autocensura de onde veio e alguns hábitos, várias vezes bateu as palmas para seus músicos, ergueu-as para os céus agradecendo aos parceiros de estrada que com ele contribuíram nestas quatro décadas — entre os quais Paulo Leminski, Itamar Assumpção, Ademir Assunção e Luiz Waack?

“Estes caras e muitos outros que já passaram para outro plano ou ainda estão por aqui sempre me ajudaram muito, foram me moldando, me deram conselhos fundamentais no começo da minha carreira, me orientaram direitinho e muitas vezes com sua sabedoria até me recomendaram segurar um pouco minha onda”, disse Edvaldo Santana. Ele pediu aplausos para um destes mestres, o poeta-samurai polaco-curitibano que não discutia com o destino. E não se esqueceu de jogar uma rosa também para “seu Valdemar”, amigo da ZL cuja especialidade é podar flores e livrar-se adequadamente dos espinhos para não furar dedo de menininhos. Com estas palavras, Edvaldo Santana revelou que a gratidão é outra de suas marcas. Eis, portanto, mais que um artista, um homem elegante que nos descarrega do peso de algumas dores. Se você trombar com ele por ai, diga que mandamos um forte abraço e que estamos indo pela mesma trilha!

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689 – Edvaldo Santana cantará para pacientes do Hospital Municipal de Barueri (SP)

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O Hospital Municipal de Barueri (HMB), cidade da região Oeste da Grande São Paulo a 26 quilômetros da Capital, receberá nesta sexta-feira, 16 de outubro, a partir das 13 horas, o músico Edvaldo Santana (SP). Com 41 anos de carreira, Edvaldo Santana usará todo seu talento e experiência, de forma voluntária, para apoiar o trabalho de Humanização do HMB. A trajetória de Edvaldo Santana é repleta de aventuras e belas canções. Criado na Zona Leste de São Paulo, no bairro de São Miguel Paulista, o músico se destaca pela voz rouca e por um repertório que vai do forró ao blues.

“Ações como essa, que levam alegria aos que estão acamados e em situação delicada, sempre devem ser apoiadas. Não pensei para aceitar o convite. Será uma honra usar minha música para confortar os pacientes do Hospital Municipal de Barueri”, afirmou Santana.

A gerente de Humanização do HMB, Patrícia Netzer, explica que o músico percorrerá o hospital e cantará em alguns leitos, além de áreas comuns. “Ações como esta ajudam imensamente no tratamento e recuperação dos pacientes. Só podemos agradecer quando um músico renomado como o Edvaldo Santana de dispõe a ajudar desta forma”, comentou.

Além de canções de seus próprios discos, o músico também tocará sucessos de outros artistas, como Adoniran Barbosa e Raul Seixas. Parceiro de músicos como Arnaldo Antunes, Itamar Assumpção e Tom Zé e com sete álbuns lançados, Santana começou a trabalhar aos 12 anos e, aos 20, já tinha a música como profissão. Com sua primeira banda, a Caaxió (depois rebatizada de Matéria Prima), chegou a ter 10 músicas censuradas num show no Teatro de Arena, em 1974. Ligado a movimentos universitários, viajou Brasil afora, acompanhou as primeiras ocupações do que viria a ser o Movimento dos Sem Terra. “Sempre fui envolvido com esse lado social, porque venho do povo, das dificuldades”, finalizou Santana.

Para mais informações o contato deverá ser feito com Vladimir Soares, cujo número é (11) 9 7486-8268.

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611 – Poeta da periferia fazendo o que gosta sem precisar de negócios há 40 anos, Edvaldo Santana (SP) hoje comemora aniversário

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O Barulho d’água Música congratula-se hoje, 17 de agosto, com Edvaldo Santana, cantor e compositor paulistano nascido em São Miguel Paulista e que os amigos e admiradores do blogue já conhecem e admiram por ser um dos mais destacados bardos da periferia. Em 40 anos de carreira, Edvaldo Santana construiu uma trajetória ímpar sem jamais fazer concessões, apoiadas em composições individuais e parcerias com amigos rotulados como “malditos” tais quais Paulo Leminski, Itamar AssumpçãoSérgio Sampaio, Arnaldo Antunes, Ademir Assumpção entre outros, sempre preservando a pegada independente, peculiar e engajada.

Poesia e contestação são marcas presentes nos blues, reggaes, salsas, rock e jazz que Edvaldo Santana mescla com sambas, xotes, choros, e baiões, criando uma identidade estética única dentro do caldeirão sonoro do país. Seus balaços costumam ter as bênçãos de Tupã e de Tupi e o mais recente, certeiro mais uma vez, atingiu a mesmice na testa, deve ter doído como picada de mil abelhas na cafonalha: Jataí é das boas com mel, retrato sem retoques de moradores, personagens e costumes das quebradas de Sampa e do país afora, onde sobram tragédias, a imprensa só baixa quando rola matança, autoridades para pedir voto, mas que tem, em sua maioria, conterrâneos sangue,  manos que combatem as angústias e as barras ralando e se divertindo como e quando podem, com o maior respeito e solidariedade pelo e ao  próximo, equilibrando a vida com um churrasco ou uma boa pelada dominical, por exemplo.

 

 

O “Lobo Solitário”, em frases inspiradas em letras dele é baião com piqui, chamamé com sanfona, pandeiro do Salim e tambor de crioula. Não é pop star, mas tanto Raimundo. como Jackson e Johnson, adoram. Embora não semeie desencantos, sabe que não é santo e alguns podem até considerá-lo vira-lata, mas indiscutivelmente é mandarim que tem a cara do Brasil, cultiva amizades sem precisar de negócios e costuma estar sempre em boa companhia quando sobe aos palcos ao lado dos inseparáveis Luiz Waack (violão), Reinaldo Chulapa (baixo acústico), Ricardo Garcia (percussão), entre outros. Ouvir Edvaldo Santana, enfim, é gole de cachaça com caju, liga mais que muito fio!

Feliz aniversário, Edvaldo Santana!

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