1286- Selma Fernands emplaca “Samba de Maria”, dedicado à irmã, em lista dos 100 melhores de 2019

Disco com 11 canções, lançado em São Roque, no Interior paulista, reúne 10 composições de parceiros da cantora paulista criada em rodas de samba e uma releitura de clássico de Pixinguinha

#forabolsonaro

O Barulho d’água Música acompanhou no sábado, 7, a apresentação da cantora Selma Fernands na Casa Rosa Manjericão, em São Roque (SP), durante a qual, ao lado de Daniel Conti, ela lançou o disco Samba de Maria. O álbum, gravado no ano passado, traz 11 faixas e é dedicado à irmã Maria Aparecida Fernands, que em abril de 2014 partiu antes do combinado vítima de um câncer que interrompeu sua carreira de cantora lírica.

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1279 – Conversa Ribeira (SP) lança Do Verbo Chão, terceiro álbum do trio

 Andrea Guimarães, Daniel Muller e João Paulo Amaral tecem em 11 faixas, mais uma vez, um desdobramento singular da música caipira cultivando, ao mesmo tempo, o vínculo essencial com a tradição e a liberdade de recriá-la em novas concepções de arranjo e de interpretação. Disco está na lista dos 100 melhores de 2019

Com Tânia Bernucci

Os 17 anos de formação do trio Conversa Ribeira estão sendo comemorados pelos amigos e fãs de Andrea dos Guimarães, Daniel Muller e João Paulo Amaral com Do Verbo Chão, terceiro álbum da trajetória de meticulosa e entusiasmada pesquisa na qual buscam trazer à superfície joias lapidadas por destacados autores do cancioneiro caipira. Neste novo trabalho, já disponível nas plataformas digitais e lançado após bem-sucedida vaquinha virtual (clique aqui e ouça), o trio tece um desdobramento singular do gênero cultivando, ao mesmo tempo, o vínculo essencial com essa tradição e a liberdade de recriá-la em novas concepções de arranjo e interpretação.

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1235 -Vânia Bastos, Túlio Mourão e Rafa Castro voltam a Sampa com Tons de Minas

Repertório que passeia pelos clássicos de compositores consagrados e novos será apresentado na unidade Carmo do Sesc paulistano

Pérolas como Cais (Milton Nascimento/Ronaldo Bastos), Nascente (Flávio Venturini/Murilo Antunes) e Choveu (Beto Guedes), passando pelas contemporâneas Resposta (Samuel Rosa), Românticos (Wander Lee) e Fronteira , do jovem compositor Rafa Castro, compõem a refinada lista de sucessos presentes em Tons de Minas  para a cantora Vânia Bastos interpretar neste 30 de setembro. Em apresentação única, Vânia subirá ao palco do Sesc do Carmo, na cidade de São Paulo, a partir das 19h30, muitíssimo bem acompanhada pelos pianistas Rafa Castro e Túlio Mourão, ambos mineiros, em um novo espetáculo talhado por Fran Carlo e Petterson Mello à altura da voz singular de uma das divas da música nacional e para o qual os produtores culturais reservam muitas surpresas. Algumas músicas de Tons de Minas estão gravadas em Vânia Bastos Canta Clube da Esquina, mas agora ganharam releitura sob a ótica dos arranjadores Mourão e Castro para execução a quatro mãos, constituindo um desafio para os dois pianistas que, embora de gerações diferentes, possuem talentos únicos e certeiros. 

Tons de Minas estreou em janeiro de 2019, com duas apresentações no Sesc de Santo André, em São Paulo. É espetáculo sensível em que a canção fica em primeiro plano num roteiro que busca desvendar um pouco dos mistérios que abarcam o repertório popular da música mineira”. escreveu a jornalista Bruna Cavalcanti, do portal Anna Ramalho.

Vânia Bastos começou a carreira profissional no início da década dos anos 1980 ao lado de Arrigo Barnabé, como solista de Clara Crocodilo – o disco marcante da chamada Vanguarda Paulista. Com Arrigo também foi a solista de Tubarões Voadores. Durante dois anos, cantou com Itamar Assumpção na Banda Isca de Polícia, nomes que pontificavam  ao lado de Arrigo em um circuito que girava em torno de templos da música contemporânea como o Teatro Lira Paulistana, na cidade de São Paulo.

Com mais de 30 anos de carreira, Vânia Bastos é considerada uma das mais importantes vozes da MPB,  dona de timbre raro que permite interpretação singular e que encanta em 12 discos, todos com ótimas respostas de crítica e público.  A discografia de Vânia Bastos, nascida em Ourinhos (SP), destaca obras marcantes do nosso cancioneiro de Tom Jobim e Caetano Veloso, por exemplo.

Pelos seus muitos atributos artísticos, Vânia Bastos recebeu convite para protagonizar o concerto inaugural da Orquestra Jazz Sinfônica e, ao longo de sua trajetória, teve participações especiais em seus discos de Ivan Lins, Milton Nascimento, Caetano Veloso e Edu Lobo. Recentemente, reabriu o Memorial da América Latina com a Jazz Sinfônica cantando com Elza Soares e Baby do Brasil, em 2017. Suas gravações fizeram parte de trilhas sonoras de novelas da TV Globo e do SBT. Em 2017, ganhou o Prêmio Profissionais da Música 2017 pelo consagrado álbum Concerto para Pixinguinha, um marco na MPB que gravou com o Marcos Paiva Quarteto.

A música instrumental de Túlio Mourão se apoia numa consistente construção melódica. O exercício e a vivência como premiado autor de trilhas sonoras lhe permite criar temas que estão muito longe de meros pretextos para improvisação.  Mourão busca um perfil pessoal e original dentro da música instrumental brasileira, metabolizando elementos que vão da música erudita aos cânticos religiosos da tradição sacra e popular de Minas Gerais. O pianista exercita um perfil mais brasileiro e rítmico por meio de uma estimulante dinâmica entre a mão esquerda e direita, resultando numa síntese batizada de jazz mineiro.

Mineiro de Divinópolis, Túlio Mourão é protagonista de uma rica história dentro da música brasileira: integrou a banda Os Mutantes na fase do rock progressivo e, em seguida, banda de artistas como Milton Nascimento, Maria Bethânia, Chico Buarque, Caetano Veloso e Ney Matogrosso, entre outros.

Pianista, compositor e cantor, Rafa Castro é mineiro de São João Nepomuceno  radicado em São Paulo desde 2017.  Em julho lançou o terceiro álbum, Fronteira (Tratore), que reúne Mônica Salmaso, Teco Cardoso, Léa Freire, Neymar Dias, entre outros, mostrando que está em casa na capital paulista.  Rafa tem traçado um caminho de exploração do piano em todas as suas possibilidades, prezando pela liberdade de criação e consolidado sua forma abrangente de compor, com forte influência da música instrumental mineira. 

Apesar de ter menos de 10 anos de carreira, Rafa Castro reúne considerável  bagagem. Autor de trilhas sonoras para cinema (Cacos de vitral, 2015, e Modorra, 2016) e teatro, em 2011 recebeu o prêmio BDMG, em Belo Horizonte (MG), na categoria Jovem Instrumentista. Mais tarde, em 2015, gravou o primeiro álbum solo, Casulo, além de ter realizado uma turnê europeia que passou pela Alemanha, Rússia, Noruega, Portugal e França. Um fato significativo na sua carreira foi a parceria com o Mourão — com quem lançou o DVD/CD Teias (selo Delira Música/2014). Recentemente fez concerto na Sala Palestrina em Roma.

Vânia Bastos, Túlio Mourão e Rafa Castro – Tons de Minas

Dia: 30 de setembro, segunda-feira, às 19h30.
Local: SESC Carmo  
Endereço: Rua do Carmo, 147, Sé, São Paulo,  SP
Ingressos*:  R$ 20,00 / R$ 10,00 (meia-entrada) / R$ 6,00 (comerciário) * Venda limitada a seis ingressos por pessoa/CPF
Informações:    (11) 3111-7000
Vendas online:  https://www.sescsp.org.br/programacao/203076_VANIA+BASTOS ( Venda online a partir de 24/09/2019, às 12:00)

1183 – Jazz B (SP) recebe Ubaldo Versolato Quarteto para lançamento de álbum de estreia, Portal

Saxofonista de Roberto Carlos e da banda Mantiqueira apresentará Portal, com participações dos filhos Léo e Renata, pela gravadora Kuarup

A audição matinal aos sábados neste dia 04 de maio aqui no boteco do Barulho d’água Música, em São Roque, Interior de São Paulo, começaram com Portal, disco de estreia que o saxofonista Ubaldo Versolato lançará em 10 de maio, em São Paulo (confira a guia Serviço). O álbum nos foi enviado pela gravadora Kuarup, à qual mais uma vez agradecemos em nome de Rodolfo Zanke. O aguardado projeto do músico reúne oito faixas, todas instrumentais, e é o trabalho de estreia do instrumentista paulista que tem mais de 40 anos de carreira.

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1172 – Espetáculo multicultural em Brasília marca lançamento de “Afrodísia”, de Renata Jambeiro (DF)

Projeto do quarto álbum da cantora brasiliense ressalta a força da mulher e segue a linha de pesquisa  já apresentada nos três anteriores, com sambas que flertam com a cultura popular, dialogam com células rítmicas africanas e passeiam pelo Brasil e pela África*

Afrodísia, novo trabalho da cantora, compositora  e atriz brasiliense Renata Jambeiro, foi lançado em formatos de álbum e de vídeo com um espetáculo multicultural promovido em 25 de março, no Clube do Choro, em Brasília (DF). O projeto Afrodísia segue a linha de pesquisa já apresentada por Renata, com sambas que flertam com a cultura popular, dialogam com células rítmicas africanas, passeiam pelo Brasil e pela África e, dessa vez, refletiram influências da diáspora africana, explorando as culturas portuguesa e latino-americana.

O ponto norteador é a mulher, conforme aponta o texto de apresentação de Afrodísia divulgado pela assessoria de imprensa de Renata, explicando que “Afrodísia é aquela que gera, aquela que se permite dar e receber prazer”. É a dona de si, do seu mundo, a grávida de seus próprios desejos e poderes, pronta para dar à luz toda a própria potência, sua voz, sua verdade, sua sensualidade, sua dor e suas angústias, sua gargalhada mais aberta, seu olhar discreto, suas ordens dilacerantes, sua saia rodada, seu vento, sua espada e seu escudo.

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1150 – “Flor do Morro”, matéria da Revista E, destaca vida e obra de Cartola (RJ)

Amigos e seguidores, boas novas!

Barulho d’água Música reproduzirá na íntegra, a partir de hoje, matérias de conteúdos relacionados à músicas publicadas pela Revista E (em versões impressa e digital). o que desde já agradecemos à equipe que a produz em nome de Adriana Reis, que nos ajudo u a articular esta parceria.  

A revista é mantida pelo SESC para divulgação da agenda cultural e de eventos de recreação e de lazer programados a cada mês nas unidades que a entidade mantém tanto na Capital, quanto em diversas cidades do estado de São Paulo. As matérias das variadas sessões trazem pautas relativas a temas do universo das artes e de suas personagens, agentes e autores — do cinema ao grafite, da literatura ao teatro –,  uma sessão de poesias, crônicas e muito mais para uma agradável e enriquecedora leitura.

A cada novo número, os leitores podem encontrar pelo menos duas matérias relacionadas à música.

Nesta primeira atualização a escolhida pela nossa redação foi Flor do Morro, postada em 21/12/2018 para a edição de janeiro da Revista E. Flor do Morro aborda um pouco da história e da contribuição de Angenor de Oliveira, o fantástico cantor e compositor carioca Cartola! Confira toda a edição de janeiro da Revista E, números anteriores e dentro de alguns dias a de fevereiro em sescsp.org.br/revistae

Texto originalmente publicado na Revista E do Sesc São Paulo, edição de janeiro/2019

Flor do Morro

Cartola driblou adversidades, caiu e se levantou mais de uma vez para compor um roteiro de vida repleto de canções que atravessam o tempo

 

Histórias de redenção não faltam na cultura brasileira. Artistas geniais que comem o pão que o diabo amassou com os pés (como diria Elza Soares em sua biografia) até alcançarem o reconhecimento do público e uma trajetória bem-sucedida em vida se misturam com gênios que caem no gosto popular apenas após a morte.

Angenor de Oliveira, o Cartola, não está no último grupo, mas, usando a máxima do “tarda mas não falha”, comparava sua vida ao filme de faroeste no qual ele, o mocinho, só venceria no final. O fato é que a obra do sambista segue atravessando o tempo, como exemplifica o escritor Denilson Monteiro, autor da biografia Divino Cartola – Uma Vida em Verde e Rosa (2013): “Se você chegar num grupo e cantar: ‘Bate outra vez com esperanças o meu coração…’, imediatamente as pessoas vão te acompanhar. Minha sobrinha tem 19 anos, e desde os 13 tem em seu perfil nas redes sociais vídeos do Cartola ou as letras das suas músicas”. No entanto, para entender a dimensão da vitória de Cartola, vale voltar no tempo.

Meu novo chapéu

O menino Angenor nasceu em 1908, na cidade do Rio de Janeiro. A família numerosa vivia sob os cuidados do pai, operário. Para escapar das dificuldades financeiras, moravam um pouco em cada morro carioca. Quando se mudaram para o Morro da Mangueira, a vida de Cartola se transformou. Aos 11 anos, conheceu seu grande amigo e principal parceiro, Carlos Cachaça, este beirando a maioridade, com 17 anos.

A amizade foi cenário para inserção no mundo do samba e da boemia. Os estudos deixaram de fazer parte de sua vida logo cedo, dando lugar ao trabalho árido em diferentes funções. O apelido de Cartola surgiu graças à temporada como servente de pedreiro. Incomodado com os resíduos da obra que caíam no cabelo e na testa, improvisou um chapéu-coco – de formato arredondado –, que logo virou sua cartola. Diferentemente do uso geral atrelado ao chapéu, presente em ocasiões de pompa, o sambista logo fez da dificuldade poesia.

Aos 15 anos, perdeu o pai e a mãe – uma morte em seguida da outra. A mãe morre e o pai se muda do morro da Mangueira, descontente com a situação e com a vida boêmia do filho. Cartola resiste e continua por ali, vagando pelas noites de samba até que uma moradora local, dona Deolinda,  abriga-o. Desempregado, usa o tempo para compor e se apresentar nos bares, além de integrar a fundação de blocos de Carnaval. Em 1928, sugere as cores, o nome e é responsável pelo samba tema do desfile inaugural da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, Chega de Demanda.

Tempo de florescer

A trajetória de Cartola apenas se iniciava: no ano seguinte à fundação da escola, teve um samba de sua autoria gravado por Francisco Alves (Que Infeliz Sorte). O compositor recebeu uma boa quantia nessa transação, o que significou sua validação no meio artístico da época. Francisco Alves também gravou Não Faz Amor Qual Foi o Mal Que Te Fiz, escritas pela dupla de bambas Cartola e Noel Rosa. Os anos 1930 foram palco das composições do sambista em outras vozes: Carmem Miranda, Silvio Caldas e Aracy de Almeida.

Cartola, Nara Leão, Zé Keti e Nelson Cavaquinho, em 1965 (Reprodução Revista E)

Nos anos 1940, Cartola se uniu a Paulo Portela e a Heitor dos Prazeres no conjunto Os Cariocas. Do Rio de Janeiro para São Paulo, o grupo chegou a tocar na rádio Cosmos, responsável por grandes sucessos na capital paulista.

Das qualidades musicais, o maestro e produtor musical Rildo Hora diz que Cartola é um artesão sonoro. “Suas melodias são perfeitas e não são redundantes. Não têm nota repetida ou nota não boa, como chamava o [violonista carioca] Guerra Peixe. Ele sempre vai na nota boa”, afirma Rildo Hora.

Ventania

Em 1944, Cartola tornou-se presidente de honra da ala dos compositores da Mangueira. Porém, em 1946, a maré revidou, afastando-o da escola. Primeiro, um golpe da saúde. Teve meningite, ficou sem condições de dar sequência às atividades e viveu sob os cuidados de sua esposa na época, dona Deolinda. Ao golpe da saúde seguiu-se o golpe do destino. Pouco tempo depois de se recuperar, Deolinda morreu, deixando o compositor mergulhado na tristeza.

Ainda sob o efeito da perda, envolveu-se com uma nova companheira, chamada Donária. No entanto, a nova relação o afastou da música e do morro onde sempre viveu. Deixou as criações musicais de lado e foi morar em diferentes regiões do Rio de Janeiro, de Nilópolis ao bairro do Caju. Os anos 1950 representaram o ostracismo de Cartola. Havia até quem pensasse que ele tinha morrido.

O bom filho à casa torna

Cartola voltou ao Morro da Mangueira e à música pelas mãos de dona Zica, irmã da esposa de seu grande amigo Carlos Cachaça. O amor de dona Zica e Cartola o ajudou a se reerguer. De cara, por seu intermédio, arrumou um novo emprego como lavador de carros no bairro do Pirajá. Depois, foi a hora de levá-lo para a Mangueira e para o samba. Mas não foi a bênção de dona Zica, e sim uma nova onda do destino, que o reencaminhou. Durante uma pausa no trabalho para o café, Cartola encontrou o jornalista Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), que se desdobrou para conduzir o compositor de volta aos seus. A iniciativa o levou a um emprego de fôlego curto no rádio. A experiência durou pouco, mas rendeu o contato de amigos e parceiros, que não o abandonariam.

Daí em diante

Em 1963, foi inaugurado o restaurante Zicartola, na rua da Carioca, que também foi a casa dos dois. O sucesso foi tanto que o local começou a funcionar nos dois períodos, de manhã e à noite. O samba rolava solto às quartas e às sextas. Valorizava a cultura do samba e seus compositores. Em quase dois anos de existência, foi onde se reuniram Hermínio Bello de Carvalho, Paulinho da Viola, Clementina de Jesus, Nelson Cavaquinho, Zé Keti, Elton Medeiros, Nelson Sargento, o jornalista Sérgio Cabral, Ferreira Gullar, Oduvaldo Vianna e Armando Costa.

 Dona Zica (Eusebia Silva do Nascimento) e Cartola  (Foto: Folhapress)

Dona Zica e Cartola casaram-se em 1964, depois de Cartola ser operado para se ver livre de uma rosácea no nariz. A cirurgia foi financiada pelos amigos. Dificuldades financeiras motivaram a mudança do casal para o bairro de Bento Ribeiro, onde vivia o pai de Cartola. Os dois se aproximaram e retomaram a boa relação de pai e filho, estremecida desde a adolescência do compositor.

Mangueira querida

Em 1968, Cartola e dona Zica receberam um terreno para que construíssem sua casa no Morro da Mangueira. A construção, na rua Visconde de Niterói, nº 896, abrigou a foto do Cartola II, disco de 1976.

Em um roteiro com tantas reviravoltas, a vida de Cartola foi cheia de tragédias e momentos líricos, como suas canções. O câncer acabou levando o compositor em 1980, mas sua obra continua presente na história da música brasileira. Em meio a tantos momentos intensos, o biógrafo Denilson Monteiro salienta a importância da fundação da Estação Primeira de Mangueira. Além desse episódio, outros foram destacados pelo especialista: “Cartola teve a rixa com a Mangueira e chegou inclusive a ser dado como morto; depois, foi viver com Zica, que o resgatou do alcoolismo, praticamente salvando sua vida. Também houve a redescoberta pelo jornalista Sérgio Porto e o empenho de nomes como Lúcio Cardoso, Jota Efegê e Nuno Veloso, a criação do Zicartola e a gravação do primeiro LP em 1974, uma grande luta do produtor João Carlos Botezelli, o Pelão, que tornou Cartola sucesso em todo o país”.

Companheiros de viagem

Amigos e parceiros falam sobre sua relação com um dos maiores sambistas brasileiros

Foto: Manfred Pollert

Guinga, compositor e violonista

“Conheci o Cartola no show chamado Vem Quem TemVem Quem Não Tem (1975). Esse show era de João Nogueira, Roberto Nascimento e Cartola. Eu era um músico que acompanhava o João. Cartola utilizou o grupo do João para acompanhá-lo também. Eu acompanhava o Cartola no samba Acontece. E aí o Cartola se amarrou no acompanhamento e ficamos amigos naquela convivência. Depois ele me convidou para outros shows e isso culminou com a minha participação na gravação de O Mundo É um Moinho”.

Martinho da Vila, compositor e cantor

Foto: Philippe Dutoit

“Todo mundo vê o Cartola como um sonho, uma coisa diferente. Por exemplo, ele é um compositor de morro, fundador da Mangueira, mas não existe um sambão do Cartola, no estilo das escolas de samba. Ele é um poeta doce. Até o samba enredo mais famoso (Vale do São Francisco), feito em parceria com Carlos Cachaça, é um samba doce”.

Foto: Silvana Marques

Elton Medeiros, compositor

“O meu maior sucesso foi o O Sol Nascerá, que fiz junto com Cartola, que também disse que foi o maior sucesso dele. Costumo dizer que o conheci em 1930, uma brincadeira que faço, pois ouvi falar dele quando criança.

O Heitor dos Prazeres, que frequentava muito a minha casa, disse uma vez que iria encontrar o Cartola. Eu era bem pequeno e disse para minhas irmãs que achei estranho ele falar que iria encontrar uma cartola. Elas riram e me explicaram, mas fiquei com aquele nome na cabeça. Então, em 1965, o Zé Keti disse que o Cartola formaria um conjunto integrado por compositores de escolas de samba. Como na época eu já compunha para a Aprendizes de Lucas, ele perguntou se eu queria participar, e eu, que já era fã do Cartola, disse ‘claro’. Então, o Zé Keti me apresentou a ele e digo que, naquele dia, apertei a mão do Cartola e não larguei mais”.

Foto: Ubirajara Dettmar (Folhapress)

Reverendo do samba

Entre as inúmeras homenagens a Cartola ao longo dos últimos anos
estão discos, shows e a recente celebração do Dia Nacional do Samba [2 de dezembro]

Em dezembro de 2018, Elton Medeiros, Monarco, Adriana Moreira, Yvison Pessoa e Moisés da Rocha comandaram a festa para Cartola no Sesc Pompeia. O show, que celebrou o Dia Nacional do Samba, foi realizado na comedoria da unidade e apresentou obras do compositor carioca, como O Sol Nascerá, Peito Vazio, Preconceito e Alegria.

A programação do Sesc se rendeu a Cartola em outras ocasiões. O CD Cartola foi relançado pelo Selo Sesc em comemoração ao centenário de Angenor de Oliveira, em 2008. Já na comemoração dos 90 anos do compositor, em outubro de 1998, um time especial de músicos reuniu-se para a homenagem num show no Sesc Pompeia: na direção e arranjos, o maestro Théo de Barros; no cavaquinho, Henrique Cazes; e vozes de Márcia e Elton Medeiros. Esse lendário show teve como resultado um disco. Em 2016, Emicida levou a releitura do disco Cartola para a unidade Belenzinho.

Adquira pelo Selo Sesc:


Em 1998, quando era lembrado o 90º aniversário do genial Angenor de Oliveira, Mestre Cartola (1908-1980), o Sesc de São Paulo lançou uma biografia do compositor, feita pelo saudoso jornalista e pesquisador Arley Pereira, e um CD gravado ao vivo no Sesc Pompéia, reunindo Márcia e Elton Medeiros interpretando clássicos do mangueirense com direção musical, arranjos e regência do maestro Théo de Barros.

No centenário de nascimento de Cartola, biografia e CD ganharam reedições. O disco, primoroso, traz Márcia e Elton Medeiros revivendo sambas como Tive Sim, AconteceAutonomiaO Mundo é Um MoinhoCordas de AçoNão Quero Mais Amar a Ninguém e Alvorada. As interpretações, belíssimas, ganham qualidade ainda maior graças aos arranjos primorosos de Théo de Barros. Reedição mais que oportuna.

Como adquirir o CD: www.sescsp.org.br ou em qualquer unidade do Sesc

Imagem da capa

A imagem de capa da edição de janeiro da Revista E é do curso Estamparia bogolan e adinkra: símbolos e narrativas da África Ocidental, que propõe apresentar ao público o estudo dos acervos gráficos dos bogolans e das estampas impressas do povo Ashanti, do Gana. Durante os encontros, a partir dos estudos teóricos em aula, os participantes construirão estampas para impressão sobre algodão, por meio da técnica de serigrafia manual. Com o artista e educador Celso Lima, de 17 a 31 de janeiro, no Sesc Vila Mariana.

Leia também no Barulho d’água Música:

957 – Selo Sesc disponibiliza primeiros 16 álbuns do catálogo para audição por streaming
1131 – Dia Nacional do Samba, comemorado em 2 de dezembro, exalta gênero de origem controversa e marginalizada
1140 – Nelson da Rabeca e esposa, com Thomas Rohrer, lançam álbum “áspero”, mas que encanta pelo tom festivo*

1143 – Vânia Bastos, Túlio Mourão e Rafa Castro estreiam “Tons de Minas” no SESC Santo André (SP)

Nova produção de Fran Carlo e Petterson Mello, ganhadores do Prêmio Profissionais da Música com Concerto Para Pixinguinha, reúne a voz que encanta desde a Vanguarda Paulista e dois dos nossos mais aclamados pianistas num passeio pelas composições da terra do Clube da Esquina 

Ainda degustando o merecido sucesso de Concerto para Pixinguinha, que rendeu ao disco que ambos produziram a partir do show com Vânia Bastos e o Marcos Paiva Quarteto um dos troféus do 3º Prêmio Profissionais da Música (2017), os produtores culturais Fran Carlo e Petterson Mello anunciam para 11 e 12 de janeiro a estreia de um novo espetáculo. As duas primeiras apresentações de Tons de Minas, ambas marcadas para o palco da unidade Santo André do Sesc paulista, terá como atração mais uma vez a consagrada cantora de Ourinhos (SP), desta vez acompanhada pelos pianistas Túlio Mourão e Rafa Castro (ver a guia Serviços). Tons de Minas passeia pelos clássicos de grandes compositores, consagrados e novos, da música mineira, promovendo um desfile de canções que não só se tornaram populares no estado de origem do Clube da Esquina, mas no Brasil e no mundo.

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1141 – Antonio Guerra e Silvério Pontes formam duo piano/trompete e lançam “Coração Brasileiro”

Álbum gravado pela Kuarup inaugura um novo caminho na trajetória do trompetista fluminense que se consagrou ao lado do trombonista Zé da Velha

A gravadora Kuarup, à qual agradecemos na pessoa de Rodolfo Zanke, enriqueceu o acervo do Barulho d’água Música com um exemplar do álbum Coração Brasileiro, recentemente gravado por Silvério Pontes, trompetista, e Antonio Guerra (Rio de Janeiro/RJ) ao piano; considero o disco como um presente do meu aniversário de 55 anos, neste dia 26/12, e estou curtindo de monte! Silvério Pontes  (Laje do Muriaé/RJ) já emplacou pelo menos 30 anos tocando ao lado do trombonista sergipano de Aracaju Zé da Velha e com este novo trabalho inaugura outra história musical, concretizando um sonho antigo de formar um duo neste formato, que proporcionou uma mistura harmoniosa de sensibilidade, com humor e alegria contagiantes que resumem uma brasilidade refinada!

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1112 – Bernardo Pellegrini (PR) lança em São Paulo “Outros Planos”, com Alzira E e Edvaldo Santana*

O álbum revela o manancial criativo do cantor e compositor e um cancionista maduro e intenso, que redefine afro-brasilidades, jazz e ritmos latinos, consolidando sua assinatura musical e sua estética autoral

O cantor e compositor Bernardo Pellegrini (PR) será atração nesta sexta-feira, 28, da unidade paulistana Belenzinho do Sesc, onde ocupará o palco a partir das 21 horas para lançamento de Outros Planos, sexto álbum da carreira. Com seu violão, Pellegrini cantará acompanhado pelo Bando do Cão Sem Dono, formado por Edu Batistella (bateria e vocal), Hermano Pellegrini (guitarra e vocal), Filipe Barthem (contrabaixo e trompete), Sofia Pellegrini (sax e vocal) e Emilio Mizão (guitarra e violão). Como convidados para abrilhantar a apresentação, ele receberá Alzira E. e Edvaldo Santana (ver a guia Serviços).

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1050 – Nova temporada de “Concertos para Pixinguinha” volta ao Sesc Bom Retiro (SP), ponto de partida do sucesso que já dura cinco anos

O espetáculo, que uniu no palco pela primeira vez a cantora Vânia Bastos e o baixista Marcos Paiva, ajudou a atualizar a obra do carioca Alfredo da Rocha Vianna Filho

Marcelino Lima, com Petterson Mello

O espetáculo que há cinco anos lota espaços, teatros e casas por onde passa abrirá sua sexta temporada na sexta-feira, 20 de abril, retornando ao local onde estreou e começou a fazer sucesso, em 2013. Concerto para Pixinguinha, aclamado por público e crítica e premiado em 2017, será novamente atração da unidade paulistana Bom Retiro, do Sesc, a partir das 21 horas — apenas três dias antes dos 121 anos de nascimento de Pixinguinha na cidade do Rio de Janeiro (RJ), data na qual também se comemora o Dia Nacional do Choro, conforme consta no calendário oficial do país. No palco, Vânia Bastos, a dona da impecável voz que tem emocionado a plateia com interpretações marcantes de sucessos do maestro, compositor e arranjador carioca, desta vez, excepcionalmente, estará acompanhada pelo baixista Gustavo Sato — que substituirá o  maestro, arranjador e diretor artístico Marcos Paiva que está em viagem fora do país  Jônatas Sansão (bateria), César Roversi (sopros) e Nelton Essi (vibrafone).

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