Barulho d'Água Música

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914- Edvaldo Santana e banda, incluindo metais, lançam “Só vou chegar mais tarde”, no CC Vergueiro

O Barulho d’água Música congratula-se, mais uma vez, com Edvaldo Santana que, entrando no 43° ano de carreira, brinda seu público com Só Vou Chegar Mais Tarde, oitavo álbum da carreira dele, marcada por um perfil de independência e irreverência. O novo disco está bombando sem parar aqui na redação do blogue, onde baixou devidamente autografado pelo cantor e compositor, e será apresentado em 25 de março, a partir das 19 horas, na Sala Adoniran Barbosa do Centro Cultural Vergueiro, ao lado da estação Vergueiro da linha 1/ Azul do Metrô de São Paulo. Cole lá, amigo ou seguidor, pois mesmo que o camelo passe no buraco da agulha nenhuma das 13 faixas (abaixo apresentadas em um primoroso texto do jornalista e escritor Jotabê Medeiros* que reproduzimos na íntegra) tocará em rádio ou será apresentada em programas de televisão…    

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651- Da série “Vale a pena guardar”: Um tereré com a aniversariante Helena Meirelles!

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Um dia destes, organizando minhas tralhas cá no Solar da Lageado (onde instalamos a redação do Barulho d’água Música), entre meus bolachões de vinil encontrei o folheto cujas imagens compartilharemos aqui. Uma relíquia agora, o folder informa que entre 11 e 14 de agosto de 1994 estaria no Sesc Pompeia, em São Paulo, Helena Meirelles e Banda, conforme pode-se notar na parte frontal. As páginas do meio trazem dados biográficos e o repertório das apresentações.

A “grande dama da viola”, que recentemente caíra nas graças do público e da mídia (mas apenas após ser “descoberta” e merecer destacada matéria na revista Guitar Player, em novembro de 1993), na ocasião completaria 70 anos, em 13 de agosto de 1994. Naquele dia, fui prestigiá-la e, após o show, tive a honra de compartilhar no camarim um tereré com ela e com os músicos,  enquanto a parabeniza, e ouvi relatos muito interessantes sobre sua vida; Helena Meirelles era uma mulher de baixa estatura, se tanto não mais do que 1,60 m, e lembro-me perfeitamente de sua fragilidade: ao abraçá-la, pude sentir os seus ossos das costelas.

Dias depois, em 17 de agosto de 1994, dona Helena e a banda, da qual fazia parte o sobrinho, Mário Araújo, tocariam no Sesi da avenida Paulista (repare no alto da capa do folheto que anotei os então números do telefone dele, e a data na qual ocorreria a nova apresentação, agora no prédio da Fiesp). A convite de Mário Araújo, mais uma vez, fui vê-los. Até hoje tenho na memória a imagem dela tocando a caráter, usando chapéu pantaneiro, de camisa impecavelmente branca, calça preta, botas, lenço em torno do pescoço; marcou-me a intimidade com a qual ela dedilhava as cordas da viola dinâmica, produzindo uma sonoridade que permanece inigualável aos meus ouvidos; se não estou levando um passa-moleque da memória, em afinação “cebolão”, assim chamada porque ao ser tocada faz como a cebola ao ser cortada os olhos de quem ouve chorarem.

As letras “HM” que estão assinaladas também na capa do folheto é o autógrafo dela, suas iniciais, já que não sabia escrever. Helena Meirelles morreu quase dez anos depois, em Presidente Epitácio (SP), no dia 28 de setembro de 2005, gozando de um merecido prestígio, embora hoje esteja mais uma vez obliterada, sendo “apagada” e largada, desrespeitando-se sua obra e memória, a exemplo do que sofre, por exemplo, o legado de Dércio Marques, que só não prossegue no auge do anonimato por conta da obstinação de um punhado de fãs, de amigos e de pupilos. A Grande Dama da Viola, sem aspas, era natural de Bataguassu (MS), onde nascera em 13 de agosto de 1924.

Choro de tristeza, tiros de alegria

Em 13 de agosto próximo, a instrumentista sul-mato-grossense Helena Meirelles chega aos 70 anos em esplêndida forma, e os comemora no palco do Teatro Sesc Pompéia com quatro dias de shows. Ser reverenciada pela mídia nacional e norte-americana já se tornou um fato corriqueiro na vida repleta de acontecimentos insólitos dessa mulher, que viveu 67 anos em total ostracismo artístico.

O jornal O Estado de São Paulo, por exemplo, tem a música de Helena Meirelles como “a herança folclórica do Mato Grosso em estado bruto, sem sofisticações. Os rasqueados que saltam de sua viola são integrados por melodias e harmonias ancestrais, frutos do aprendizado auditivo feito com o passar dos anos. É a tradição musical de uma região do Brasil, que chega incrivelmente intacta aos ouvidos de uma grande metrópole como São Paulo.” Nada mal para uma mulher analfabeta, que foi considerada a Spotlight Artist (Revelação) do mês de novembro passado pela Guitar Player, principal publicação especializada em violão e guitarra do mundo.

Em sua edição deste mês de julho, a Guitar Player apresenta a famosa palheta de chifre de boi que Helena faz às sextas-feiras santas, entre uma coleção de 101 palhetas pertencentes aos grandes heróis da guitarra, entre elas Eric Clapton, Jeff Beck, John Mac Laughlin, B. B. King,. Pete Townshend, Keith Richards, George Benson e muitos outros famosos nas últimas décadas. Em breve, Helena se tornará tema de um filme a ser dirigido pelo cineasta novaiorquino Douglas Cooper, prestes a chegar ao Brasil com esse propósito, além de que terá um CD lançado pelo selo Arhoolie, da Califórnia.

A história da vida de Helena Meirelles poderia ter sido tema para alguns dc nossos escritores regionalistas. Nascida numa sexta-feira treze, do mês de agosto, na fazenda Jararaca, próxima a Campo Grande (MS), a artista é uma virtuose que executa solos ligeiros e vibrantes cm instrumentos de corda como a viola caipira e o violão, este em diferentes afinações.

Helena Meirelles viveu perambulando por seu nativo Mato Grosso do Sul, animando festas, bares e bordéis frequentados por boiadeiros, tendo, também, sido parteira – fez sozinha, por onze vezes, os seus próprios partos – e benzedeira. Seus solos incluem raridades do repertório folclórico-sertanejo mato-grossense, com acentuada influência do Paraguai, e dentre eles podemos citar as polcas Guaxo, com a qual imita o ruído de um pássaro comedor de laranjas, e Araponga. No espetáculo comemorativo de seus 70 anos, Helena Meirelles convida a plateia a tomar um tereré, o chimarrão frio mato-grossense, e não conta causos, mas passagens reais de sua aventurosa vida, ilustradas com muitos dos belos solos que faziam valentes boiadeiros não apenas “chorar de tristeza”, como também “dar tiros de alegria”

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Discografia e filmes de e com Helena Meirelles

  • 1994 – Helena Meirelles
  • 1996 – Flor de Guavira
  • 1997 – Raiz pantaneira
  • 2002 – Ao vivo (também conhecido como De volta ao Pantanal)
  • 2004 – Os bambas da viola (compilação com um tema de Helena Meirelles)
  • Helena Meirelles – A Dama da Viola (2004); direção de Francisco de Paula
  • Dona Helena (2004); direção de Dainara Toffoli

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Helena Meirelles, a “Dama da Viola”, ganha homenagem no “Viola, minha Viola”

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Helena Meirelles teve apenas doze anos de carreira, que iniciou já aos 67 anos, mas tocava desde garota com maestria em bailes e até bordéis (Foto Rui Mendes)

O programa Viola, minha viola”, apresentado por Inezita Barroso da manhã deste domingo, 13 de julho, fez uma homenagem a Helena Meirelles, reapresentando uma participação dela ocorrida em 1997, no palco do anfiteatro do SESC Pompeia. O programa está atingindo a marca de 34 anos no ar e vem tirando das prateleiras do acervo da TV Cultura vários momentos deste período, matando saudades de muitos telespectadores que apreciam os gêneros caipira e regional, tanto reavivando a memória do público que é fiel há mais de três décadas, quanto revelando às novas gerações expoentes que, com o passar do tempo, sempre tendem a ficar esquecidos.

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A “Dama da Viola” tocava com afinações exigentes polcas, chamamés e rasqueados (Foto: Mário Araújo)

Helena Meirelles, para quem ainda não a conhece, violeira, cantora e compositora nascida em Bataguassu (MS), em 1924, apenas ganhou a atenção da mídia nacional e dos setores relacionados à divulgação da música regional em meados da década dos anos 1990, descoberta pela revista “Guitar Player”. Antes, apenas a própria Inezita Barroso, por meio do programa “Mutirão”, e Pena Branca & Xavantinho, dedicavam-se a tirá-la do anonimato. Corria 1993 quando repercutiu em vários centros a ampla reportagem sobre a franzina senhora que animava magistralmente festas, bailes, bares e até bordéis no Centro Oeste e interior paulista que, em vida, aprendera a tocar viola escondida e para o que teve de fugir de casa (driblando, assim, a proibição dos pais), frequentava rodas de peões e comitivas e casou-se três vezes, inclusive com um paraguaio tocador de harpa.

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Capa de um dos álbuns de Helena Meirelles

A Guitar Player acabara de elegê-la naquele ano como uma das 100 melhores instrumentistas do mundo, com voto do pop star Eric Clapton. As portas dos palcos e dos auditórios tanto de televisão, quanto de rádio, entidades e casas de espetáculos, além das páginas de diversos veículos especializados e gravadoras, enfim se abriram. Em curto espaço de tempo, o sucesso após a primeira aparição pública em um teatro, já quando somava 67 anos, consumou-se e ela atingiu a merecida fama com direito, inclusive, a dois filmes para o cinema nacional. Sua vida marcada por fatos pitorescos, alguns narrados em voz própria como parir sozinha, à beira de rios, os próprios rebentos, onze no total, motivaram as películas. Nesta altura, já recebia o tratamento de “Dama da Viola”.

Até a morte, em Presidente Epitácio, no dia 28 de setembro de 2005, foram doze anos de aplausos e consagração. Este blogueiro teve a oportunidade de apreciá-la em vários shows e de compartilhar uma roda de mate das mais animadas com ela nos camarins do Teatro do SESC Pompeia, onde Helena Meirelles acabara de encantar a plateia em uma memorável cantoria, sempre acariciando nos intervalos sua inseparável viola de aço.  A carreira durante a qual defendeu com técnica incomum e afinações das mais exigentes músicas nativas como polcas, rasqueados e chamamés, além de costumes do Mato Grosso do Sul e do Pantanal, poderia ter sido bem mais gloriosa. Ficou registrada em quatro álbuns autorais, alguns hoje raros. A revista “Rolling Stones” a incluiu em 2012 na lista dos trinta maiores ícones brasileiros da guitarra e do violão (categoria Raízes Brasileiras).

Outra láurea póstuma veio em junho de 2013, conferida pelo Instituto Brasileiro de Viola Caipira, no Memorial da América Latina. Um sobrinho de Helena Meirelles, emocionado, recebeu a estatueta do 3º Prêmio Rozini de Excelência de Música de Viola, ao qual fez jus na categoria “Referência”, entregue também a representante do compositor Bambico.

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Sobrinho de Helena Meirelles recebe em São Paulo troféu do 3o. Prêmio Rozini em nome da tia consagrada após matéria da revista Guitar Player (Foto: Marcelino Lima)

 Álbuns de Helena Meirelles

Helena Meirelles (1994)/ Flor da Guavira (1996)/ Raiz Pantaneira (1997)/ De volta ao Pantanal (2002, ao vivo)/ Os bambas da viola (2004)

Filmes

Helena Meirelles – A Dama da Viola (2004), direção de Francisco de Paula/ Dona Helena (2004), direção de Dainara Toffoli

Linque para ver Helena Meirelles tocando:

http://rollingstone.uol.com.br/blog/musica-popular-brasileira/helena-meirelles-e-sua-viola-genial-que-toca-alma-da-gente

 

 


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“Chão Marcado” evidencia talento de Junior da Violla em composições do caipira ao blues

Dei um pulinho à Livraria da Vila da Fradique Coutinho, no badalado bairro da Vila Madalena hoje, e desta incursão, trouxe para a coleção do Barulho d’Água Música o álbum “Chão Marcado“, do paulistano Junior da Violla, um cara que parece talhado para a viola caipira, embora tenha habilidade também com outros instrumentos.

Nascido Ernestino Ciambarella Junior, em 1978, ainda pequeno, ele já acompanhava pelo rádio da casa dos avós músicas de Tião Carreiro, Tonico e Tinoco, Zé Carreiro e Carreirinho. Já na morada que dividia com os pais, conheceu o rock nacional das bandas Blitz, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, RPM, entre outros. A carreira musical, em consequência, começou já aos 4 anos, brincando com o violão do pai. Dois anos depois, em um teclado que ganhara, compôs a primeira obra, a instrumental “Amor”. Em pouco tempo, o precoce garoto já ensinava a molecada do prédio onde morava a tocar.

O interesse pela viola veio aos 18 anos, inspirado pela personagem de Almir Sater na novela “O Rei do Gado”, de Benedito Rui Barbosa. Ele ainda nutria admiração por The Beatles, Eric Clapton, Robert Johnson, e, dos astros da MPB, era admirador de Caetano Veloso e Chico Buarque. Já em 1997, quando passou a participar de festivais, levou a viola caipira por caminhos até então pouco trilhados como o blues e o rock, alternando suas apresentações também com um violão de 12 cordas, já que ambos os instrumentos possuem similaridades.

 

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Junior da Violla se entende com a viola caipira desde 1999, mas desde criança tem inclinações para a música

A carreira solo decolou em 1999,  dedicada exclusivamente à viola caipira. Surgem desta escolha, então, as primeiras faixas instrumentais como “Rio Sorocaba” e “Chão Marcado”. Aluno de Nestor da Viola, Júnior da Violla atuou como membro efetivo da Orquestra Paulistana de Viola Caipira e chegou aos programas televisivos do gênero, entre os quais “Viola Minha Viola”, e “Globo Rural”; em 25 de maio esteve no programa Dia a Dia Rural”, de Tavinho Ceschi, aparecendo ao vivo para o público do canal de agronegócios do Grupo Bandeirantes, a emissora Terra Viva.

Junior da Violla também ministrou aulas particulares de viola em renomados institutos e escolas como Música Opus, Escola Livre de Música e Pich & Bend e Jam Session, participou de inúmeros festivais e tocou em diversos bares da Paulicéia, emissoras de rádio e de televisão. A partir da Banda Forró com Viola, que formou com amigos universitários em 2001, concretizou o sonho de criar a Orquestra Sinfônica Caipira, mais tarde rebatizada como Orquestra dos Violeiros de São Paulo, hoje inativa.

“Chão marcado”, o primeiro álbum, completou em 13 de abril o quinto aniversário. Elenca onze músicas de sua autoria, todas instrumentais, como “Rio Sorocaba”, que está presente no álbum comemorativo do 2º. Prêmio Rozini de Excelência da Viola Caipira. Em junho do ano passado, o disco foi um dos agraciados na categoria “Violeiro” pelo Instituto Brasileiro de Viola Caipira, que promoveu no Memorial da América Latina (SP) a noite de gala da edição três do Prêmio Rozini.

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Capa do álbum que em abril completou cinco anos e marcou a estreia do virtuoso compositor com onze faixas instrumentais

 

É desta exitosa primeira empreitada solo que salta a veia do virtuoso compositor que domina diversos estilos musicais. O sotaque caipira de Junior da Violla, por exemplo, é marcante em “Toque de chamar moça”; “Pagode do Ovo”; e “Seu Jorge”. Em “Riobaldo” evoca o sertão nordestino e, por meio de “Chão Marcado”, explora as semelhanças entre as músicas do Nordeste e árabe. Já o sabor do Mississipi tempera “Johnson Blues”.

 

http://www.youtube.com/watch?v=E6kI84oxgFc