1382 – Ema Klabin oferece Mostra Lei Aldir Blanc, com cinco apresentações virtuais*

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Martha Galdos, Orquestra Mundana Refugi, Liv Moraes, Ricardo Baldacci Trio, Vanessa Moreno & Salomão Soares participarão do evento que será promovido entre 23 e 27 de abril

*Com Cristina Aguilera, Mídia Brazil Comunicação Integrada (cristina.aguilera@midiabrazil.com.br/@midiabrazilcomunicacao)

jornaslistas antifascistasA Casa Museu Ema Klabin, situada na cidade de São Paulo, oferecerá até 27 de abril a Mostra Lei Aldir Blanc, com cinco apresentações virtuais iniciadas na sexta-feira, 23, que serão transmitidas pelo canal YouTube da promotora, permitindo ao público assisti-los sem sair de casa e assim respeitar as restrições sanitárias em vigor por conta da pandemia de Covid-19.

A cantora peruana Martha Galdos abriu a série, com participação de Dante Ozzetti, e será seguida por Dedicado a Você, protagonizado por Liv Moraes (voz) e Cainã Cavalcanti (violão). A programação inclui o primeiro de seis episódios do projeto Foxtrot e a Música Brasileira: 1920 a 1960, interpretado pelo Ricardo Baldacci Trio. Os internautas também poderão passear por diversas vertentes da música brasileira em Chão de Flutuar, com Vanessa Moreno (voz) e Salomão Soares (piano), além de conhecer mais da música étnica que caracteriza o eclético repertório da Orquestra Mundana Refugi, formada por músicos brasileiros, imigrantes e refugiados.

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1173 – Flautista Maiara Moraes (SC) homenageia Copinha, parceiro de Adoniran e de Pixinguinha, com show no MCB

Música é autora do álbum Nós, que além da obra do paulistano, aborda também a criação de expoentes contemporâneos como Léa Freire, Toninho Carrasqueira e Eduardo Neves e explora as múltiplas possibilidades do instrumento de sopro na cena nacional

A flautista Maiara Moraes, catarinense radicada na cidade de São Paulo, será neste  7 de abri, a atração do projeto Música no MCB, que o Museu da Casa Brasileira promove aos domingos, a partir das 11 horas, com entrada franca. O repertório destacará as faixas do álbum Nós, que Maiara lançou em 2018 a partir de estudo sobre a obra de Nicolino Cópia (1910-1984), o Copinha, um dos mais consagrados nomes do instrumento no Brasil. A música estendeu a pesquisa para os trabalhos de contemporâneos como Eduardo Neves, Léa Freire e Toninho Carrasqueira, entre outros, e alinhavou no disco composições próprias e criações deles.

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1150 – “Flor do Morro”, matéria da Revista E, destaca vida e obra de Cartola (RJ)

Amigos e seguidores, boas novas!

Barulho d’água Música reproduzirá na íntegra, a partir de hoje, matérias de conteúdos relacionados à músicas publicadas pela Revista E (em versões impressa e digital). o que desde já agradecemos à equipe que a produz em nome de Adriana Reis, que nos ajudo u a articular esta parceria.  

A revista é mantida pelo SESC para divulgação da agenda cultural e de eventos de recreação e de lazer programados a cada mês nas unidades que a entidade mantém tanto na Capital, quanto em diversas cidades do estado de São Paulo. As matérias das variadas sessões trazem pautas relativas a temas do universo das artes e de suas personagens, agentes e autores — do cinema ao grafite, da literatura ao teatro –,  uma sessão de poesias, crônicas e muito mais para uma agradável e enriquecedora leitura.

A cada novo número, os leitores podem encontrar pelo menos duas matérias relacionadas à música.

Nesta primeira atualização a escolhida pela nossa redação foi Flor do Morro, postada em 21/12/2018 para a edição de janeiro da Revista E. Flor do Morro aborda um pouco da história e da contribuição de Angenor de Oliveira, o fantástico cantor e compositor carioca Cartola! Confira toda a edição de janeiro da Revista E, números anteriores e dentro de alguns dias a de fevereiro em sescsp.org.br/revistae

Texto originalmente publicado na Revista E do Sesc São Paulo, edição de janeiro/2019

Flor do Morro

Cartola driblou adversidades, caiu e se levantou mais de uma vez para compor um roteiro de vida repleto de canções que atravessam o tempo

 

Histórias de redenção não faltam na cultura brasileira. Artistas geniais que comem o pão que o diabo amassou com os pés (como diria Elza Soares em sua biografia) até alcançarem o reconhecimento do público e uma trajetória bem-sucedida em vida se misturam com gênios que caem no gosto popular apenas após a morte.

Angenor de Oliveira, o Cartola, não está no último grupo, mas, usando a máxima do “tarda mas não falha”, comparava sua vida ao filme de faroeste no qual ele, o mocinho, só venceria no final. O fato é que a obra do sambista segue atravessando o tempo, como exemplifica o escritor Denilson Monteiro, autor da biografia Divino Cartola – Uma Vida em Verde e Rosa (2013): “Se você chegar num grupo e cantar: ‘Bate outra vez com esperanças o meu coração…’, imediatamente as pessoas vão te acompanhar. Minha sobrinha tem 19 anos, e desde os 13 tem em seu perfil nas redes sociais vídeos do Cartola ou as letras das suas músicas”. No entanto, para entender a dimensão da vitória de Cartola, vale voltar no tempo.

Meu novo chapéu

O menino Angenor nasceu em 1908, na cidade do Rio de Janeiro. A família numerosa vivia sob os cuidados do pai, operário. Para escapar das dificuldades financeiras, moravam um pouco em cada morro carioca. Quando se mudaram para o Morro da Mangueira, a vida de Cartola se transformou. Aos 11 anos, conheceu seu grande amigo e principal parceiro, Carlos Cachaça, este beirando a maioridade, com 17 anos.

A amizade foi cenário para inserção no mundo do samba e da boemia. Os estudos deixaram de fazer parte de sua vida logo cedo, dando lugar ao trabalho árido em diferentes funções. O apelido de Cartola surgiu graças à temporada como servente de pedreiro. Incomodado com os resíduos da obra que caíam no cabelo e na testa, improvisou um chapéu-coco – de formato arredondado –, que logo virou sua cartola. Diferentemente do uso geral atrelado ao chapéu, presente em ocasiões de pompa, o sambista logo fez da dificuldade poesia.

Aos 15 anos, perdeu o pai e a mãe – uma morte em seguida da outra. A mãe morre e o pai se muda do morro da Mangueira, descontente com a situação e com a vida boêmia do filho. Cartola resiste e continua por ali, vagando pelas noites de samba até que uma moradora local, dona Deolinda,  abriga-o. Desempregado, usa o tempo para compor e se apresentar nos bares, além de integrar a fundação de blocos de Carnaval. Em 1928, sugere as cores, o nome e é responsável pelo samba tema do desfile inaugural da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, Chega de Demanda.

Tempo de florescer

A trajetória de Cartola apenas se iniciava: no ano seguinte à fundação da escola, teve um samba de sua autoria gravado por Francisco Alves (Que Infeliz Sorte). O compositor recebeu uma boa quantia nessa transação, o que significou sua validação no meio artístico da época. Francisco Alves também gravou Não Faz Amor Qual Foi o Mal Que Te Fiz, escritas pela dupla de bambas Cartola e Noel Rosa. Os anos 1930 foram palco das composições do sambista em outras vozes: Carmem Miranda, Silvio Caldas e Aracy de Almeida.

Cartola, Nara Leão, Zé Keti e Nelson Cavaquinho, em 1965 (Reprodução Revista E)

Nos anos 1940, Cartola se uniu a Paulo Portela e a Heitor dos Prazeres no conjunto Os Cariocas. Do Rio de Janeiro para São Paulo, o grupo chegou a tocar na rádio Cosmos, responsável por grandes sucessos na capital paulista.

Das qualidades musicais, o maestro e produtor musical Rildo Hora diz que Cartola é um artesão sonoro. “Suas melodias são perfeitas e não são redundantes. Não têm nota repetida ou nota não boa, como chamava o [violonista carioca] Guerra Peixe. Ele sempre vai na nota boa”, afirma Rildo Hora.

Ventania

Em 1944, Cartola tornou-se presidente de honra da ala dos compositores da Mangueira. Porém, em 1946, a maré revidou, afastando-o da escola. Primeiro, um golpe da saúde. Teve meningite, ficou sem condições de dar sequência às atividades e viveu sob os cuidados de sua esposa na época, dona Deolinda. Ao golpe da saúde seguiu-se o golpe do destino. Pouco tempo depois de se recuperar, Deolinda morreu, deixando o compositor mergulhado na tristeza.

Ainda sob o efeito da perda, envolveu-se com uma nova companheira, chamada Donária. No entanto, a nova relação o afastou da música e do morro onde sempre viveu. Deixou as criações musicais de lado e foi morar em diferentes regiões do Rio de Janeiro, de Nilópolis ao bairro do Caju. Os anos 1950 representaram o ostracismo de Cartola. Havia até quem pensasse que ele tinha morrido.

O bom filho à casa torna

Cartola voltou ao Morro da Mangueira e à música pelas mãos de dona Zica, irmã da esposa de seu grande amigo Carlos Cachaça. O amor de dona Zica e Cartola o ajudou a se reerguer. De cara, por seu intermédio, arrumou um novo emprego como lavador de carros no bairro do Pirajá. Depois, foi a hora de levá-lo para a Mangueira e para o samba. Mas não foi a bênção de dona Zica, e sim uma nova onda do destino, que o reencaminhou. Durante uma pausa no trabalho para o café, Cartola encontrou o jornalista Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), que se desdobrou para conduzir o compositor de volta aos seus. A iniciativa o levou a um emprego de fôlego curto no rádio. A experiência durou pouco, mas rendeu o contato de amigos e parceiros, que não o abandonariam.

Daí em diante

Em 1963, foi inaugurado o restaurante Zicartola, na rua da Carioca, que também foi a casa dos dois. O sucesso foi tanto que o local começou a funcionar nos dois períodos, de manhã e à noite. O samba rolava solto às quartas e às sextas. Valorizava a cultura do samba e seus compositores. Em quase dois anos de existência, foi onde se reuniram Hermínio Bello de Carvalho, Paulinho da Viola, Clementina de Jesus, Nelson Cavaquinho, Zé Keti, Elton Medeiros, Nelson Sargento, o jornalista Sérgio Cabral, Ferreira Gullar, Oduvaldo Vianna e Armando Costa.

 Dona Zica (Eusebia Silva do Nascimento) e Cartola  (Foto: Folhapress)

Dona Zica e Cartola casaram-se em 1964, depois de Cartola ser operado para se ver livre de uma rosácea no nariz. A cirurgia foi financiada pelos amigos. Dificuldades financeiras motivaram a mudança do casal para o bairro de Bento Ribeiro, onde vivia o pai de Cartola. Os dois se aproximaram e retomaram a boa relação de pai e filho, estremecida desde a adolescência do compositor.

Mangueira querida

Em 1968, Cartola e dona Zica receberam um terreno para que construíssem sua casa no Morro da Mangueira. A construção, na rua Visconde de Niterói, nº 896, abrigou a foto do Cartola II, disco de 1976.

Em um roteiro com tantas reviravoltas, a vida de Cartola foi cheia de tragédias e momentos líricos, como suas canções. O câncer acabou levando o compositor em 1980, mas sua obra continua presente na história da música brasileira. Em meio a tantos momentos intensos, o biógrafo Denilson Monteiro salienta a importância da fundação da Estação Primeira de Mangueira. Além desse episódio, outros foram destacados pelo especialista: “Cartola teve a rixa com a Mangueira e chegou inclusive a ser dado como morto; depois, foi viver com Zica, que o resgatou do alcoolismo, praticamente salvando sua vida. Também houve a redescoberta pelo jornalista Sérgio Porto e o empenho de nomes como Lúcio Cardoso, Jota Efegê e Nuno Veloso, a criação do Zicartola e a gravação do primeiro LP em 1974, uma grande luta do produtor João Carlos Botezelli, o Pelão, que tornou Cartola sucesso em todo o país”.

Companheiros de viagem

Amigos e parceiros falam sobre sua relação com um dos maiores sambistas brasileiros

Foto: Manfred Pollert

Guinga, compositor e violonista

“Conheci o Cartola no show chamado Vem Quem TemVem Quem Não Tem (1975). Esse show era de João Nogueira, Roberto Nascimento e Cartola. Eu era um músico que acompanhava o João. Cartola utilizou o grupo do João para acompanhá-lo também. Eu acompanhava o Cartola no samba Acontece. E aí o Cartola se amarrou no acompanhamento e ficamos amigos naquela convivência. Depois ele me convidou para outros shows e isso culminou com a minha participação na gravação de O Mundo É um Moinho”.

Martinho da Vila, compositor e cantor

Foto: Philippe Dutoit

“Todo mundo vê o Cartola como um sonho, uma coisa diferente. Por exemplo, ele é um compositor de morro, fundador da Mangueira, mas não existe um sambão do Cartola, no estilo das escolas de samba. Ele é um poeta doce. Até o samba enredo mais famoso (Vale do São Francisco), feito em parceria com Carlos Cachaça, é um samba doce”.

Foto: Silvana Marques

Elton Medeiros, compositor

“O meu maior sucesso foi o O Sol Nascerá, que fiz junto com Cartola, que também disse que foi o maior sucesso dele. Costumo dizer que o conheci em 1930, uma brincadeira que faço, pois ouvi falar dele quando criança.

O Heitor dos Prazeres, que frequentava muito a minha casa, disse uma vez que iria encontrar o Cartola. Eu era bem pequeno e disse para minhas irmãs que achei estranho ele falar que iria encontrar uma cartola. Elas riram e me explicaram, mas fiquei com aquele nome na cabeça. Então, em 1965, o Zé Keti disse que o Cartola formaria um conjunto integrado por compositores de escolas de samba. Como na época eu já compunha para a Aprendizes de Lucas, ele perguntou se eu queria participar, e eu, que já era fã do Cartola, disse ‘claro’. Então, o Zé Keti me apresentou a ele e digo que, naquele dia, apertei a mão do Cartola e não larguei mais”.

Foto: Ubirajara Dettmar (Folhapress)

Reverendo do samba

Entre as inúmeras homenagens a Cartola ao longo dos últimos anos
estão discos, shows e a recente celebração do Dia Nacional do Samba [2 de dezembro]

Em dezembro de 2018, Elton Medeiros, Monarco, Adriana Moreira, Yvison Pessoa e Moisés da Rocha comandaram a festa para Cartola no Sesc Pompeia. O show, que celebrou o Dia Nacional do Samba, foi realizado na comedoria da unidade e apresentou obras do compositor carioca, como O Sol Nascerá, Peito Vazio, Preconceito e Alegria.

A programação do Sesc se rendeu a Cartola em outras ocasiões. O CD Cartola foi relançado pelo Selo Sesc em comemoração ao centenário de Angenor de Oliveira, em 2008. Já na comemoração dos 90 anos do compositor, em outubro de 1998, um time especial de músicos reuniu-se para a homenagem num show no Sesc Pompeia: na direção e arranjos, o maestro Théo de Barros; no cavaquinho, Henrique Cazes; e vozes de Márcia e Elton Medeiros. Esse lendário show teve como resultado um disco. Em 2016, Emicida levou a releitura do disco Cartola para a unidade Belenzinho.

Adquira pelo Selo Sesc:


Em 1998, quando era lembrado o 90º aniversário do genial Angenor de Oliveira, Mestre Cartola (1908-1980), o Sesc de São Paulo lançou uma biografia do compositor, feita pelo saudoso jornalista e pesquisador Arley Pereira, e um CD gravado ao vivo no Sesc Pompéia, reunindo Márcia e Elton Medeiros interpretando clássicos do mangueirense com direção musical, arranjos e regência do maestro Théo de Barros.

No centenário de nascimento de Cartola, biografia e CD ganharam reedições. O disco, primoroso, traz Márcia e Elton Medeiros revivendo sambas como Tive Sim, AconteceAutonomiaO Mundo é Um MoinhoCordas de AçoNão Quero Mais Amar a Ninguém e Alvorada. As interpretações, belíssimas, ganham qualidade ainda maior graças aos arranjos primorosos de Théo de Barros. Reedição mais que oportuna.

Como adquirir o CD: www.sescsp.org.br ou em qualquer unidade do Sesc

Imagem da capa

A imagem de capa da edição de janeiro da Revista E é do curso Estamparia bogolan e adinkra: símbolos e narrativas da África Ocidental, que propõe apresentar ao público o estudo dos acervos gráficos dos bogolans e das estampas impressas do povo Ashanti, do Gana. Durante os encontros, a partir dos estudos teóricos em aula, os participantes construirão estampas para impressão sobre algodão, por meio da técnica de serigrafia manual. Com o artista e educador Celso Lima, de 17 a 31 de janeiro, no Sesc Vila Mariana.

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957 – Selo Sesc disponibiliza primeiros 16 álbuns do catálogo para audição por streaming
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879 – Está saindo do forno álbum com Vânia Bastos e Marcos Paiva em homenagem à Pixinguinha

O álbum Concerto para Pixinguinha, um dos mais bonitos tributos dos últimos tempos ao carioca mestre do choro, está previsto para chegar em junho. O trabalho é resultado das apresentações que a cantora Vânia Bastos e o contrabaixista Marcos Paiva fazem há mais de três anos pelo Brasil e  marca a estreia do selo Conexão Musical, do paulista Fran Carlo. O produtor cultural trabalha com Vânia Bastos, há vinte anos, é responsável pela direção artística do projeto que por onde passa lota teatros e casas de espetáculos e em formato digital trará temas consagrados e canções de Pixinguinha pouco divulgadas, nem por isso menos marcantes, tais quais Lamento, Rosa,  Samba de Fato e Isso é que é Viver. Marcos Paiva responde pela direção musical, divide-se entre vários instrumentos e também participa com vocais. O designer da capa é de Luciano Murina, a foto de Vinícius Campos.

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700 – Centenário de Orlando Silva motiva Zé Guilherme (CE) a lançar álbum com 18 faixas para homenagear “O cantor das multidões”

Orlando Silva, nascido no Engenho de Dentro, bairro do Rio de Janeiro a 3 de outubro de 1915, na rua que hoje recebe o nome de Augusta (era General Clarindo outrora), é um daqueles artistas de quem recorrendo às palavras de Rolando Boldrin “viajou antes do combinado”, com apenas 62 anos, vítima de um ataque do coração. O curto período de vida, entretanto, não impediu que Orlando Silva ficasse eternizado como “O cantor das multidões”, título ao qual faz jus por em seu ofício de intérprete primoroso transformar em marcantes sucessos com aquela que até hoje vem sendo considerada a mais bela voz do Brasil obras de Assis Valente, Noel Rosa, Pixinguinha, Wilson Batista, Ataulfo Alves, Nássara, entre tantos outros compositores.

Artista cearense radicado em São Paulo, Zé Guilherme coordenou um árduo e minucioso trabalho de pesquisas do repertório que Orlando Silva apresentava e desta tarefa selecionou 18 canções para gravação do memorável álbum Abre a Janela – Zé Guilherme Canta Orlando Silva no qual homenageia o centenário de nascimento do carioca. Nesta delicada releitura estão, por exemplo, a canção que batiza o disco, a qual se tornou sucesso do Carnaval em 1938 e que lança o convite de Zé Guilherme para o público com ele apreciar o legado de Orlando Silva. 

 

 

“Abri a janela do meu coração para me apossar, com respeito e reverência, dos sucessos de Orlando Silva e reapresentá-los ao público pela minha voz, pela minha forma de cantar”, afirmou Zé Guilherme, tornando realidade um projeto sobre o qual e para o qual se debruçou por dez anos. “Estava ansioso por resgatar e reler a obra desse artista que foi, desde a minha infância, o combustível para a chama do desejo de ser cantor”, observou. “Minha principal diversão era ouvir no rádio a voz majestosa e brejeira do cantor, considerado a maior voz masculina do Brasil”, finalizou comunicando aos fãs e amigos que agora vive  “momento ímpar na minha carreira”.

Abre a Janela – Zé Guilherme Canta Orlando Silva será lançado em show programado para 11 de dezembro, a partir das 21 horas, na unidade do Sesc Belenzinho, em São Paulo. Além da faixa título, a plateia ouvira Zé Guilherme recordar joias que Orlando Silva interpretava tais quais  Cidade Brinquedo, Malmequer, A Jardineira, A Primeira Vez, Pela Primeira Vez, Curare, Dama do Cabaré, Lábios Que Beijei, Preconceito, Aos Pés da Cruz, O Homem Sem Mulher Não Vale Nada, Meu Consolo É Você, Lealdade, Meu Romance, Cidade do Arranha-céu, Faixa de Cetim e Alegria.

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Foto: Alessandra Fratus

Zé Guilherme também tecerá entre as canções comentários  a respeito da vida e da obra de Orlando Silva, bem como sobre o contexto social da época e as razões que nortearam sua escolha do repertório. Com ele estarão Adriano Busko (percussão), Bré Rosário (percussão), Cezinha Oliveira (direção musical, violão, baixo e vocal), Luque Barros (violão de 7 cordas, baixo e vocal), Maik Oliveira (cavaquinho e bandolim) e Pratinha Saraiva (flautas e bandolim). O espetáculo musical terádireção de cena assinada por Mario Tommaso, figurino de Elísio Kamers e iluminação de Silvestre Júnior.

A trajetória de Orlando Silva é marcada por apurado critério, pois ele mesmo deixou registrado que apenas escolhia para o repertório canções que tocavam a alma dele. Zé Guilherme apontou entre outros critérios que a brasilidade da obra norteou a escolha das 18 faixas e que ele optou por contemplar “um perfil mais leve e alegre do cantor” como na maioria dos sambas que trazem sempre um toque de humor nas letras. Já o diretor Cezinha Oliveira inseriu elementos clássicos nos arranjos como piano, baixo acústico, acordeon, trombone e violão de sete cordas, entre outros, conferindo desta forma requinte sonoro ao disco, sem cair no mero saudosismo.

Zé Guilherme e Cezinha buscaram conceber um álbum com base no tripé interpretação, arranjos e composições, mostrar que a chamada “música antiga” do Brasil pode se manter clássica em sua origem, popular em sua apresentação e sofisticada em sua concepção. “Para todos os sambas, busquei inspiração nos conjuntos regionais da época e nas orquestras que acompanhavam os artistas nas rádios”, explicou Cezinha. “O instrumental era, geralmente, formado por acordeon, violão, percussão e instrumento solo de sopro”, ponderou o produtor. “Apenas as marchinhas A Jardineira e Malmequer seguem outro caminho: a primeira tem introdução influenciada pela música barroca e a segunda ganhou um andamento mais jazzístico”

Zé Guilherme é de Juazeiro do Norte, e lá  cresceu ouvindo além de Orlando Silva expoentes como Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Cauby Peixoto, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, entre outros. Cantadores, repentistas e violeiros e ritmos tais quais maracatu, frevo e boi-bumbá também influenciaram seu sonho de ser cantor. Em São Paulo desde 1982, cantou no circuito de casas noturnas da cidade e participou de inúmeros shows ao lado de amigos e parceiros musicais como Maurício Pereira, Cris Aflalo, Madan, Cezinha Oliveira, Marcelo Quintanilha, Péri, entre outros. Em 2004,  estreou Canto Geral, com canções do primeiro disco e músicas inéditas de Marcelo Quintanilha, Carlos Careqa, Péri, Alexandre Leão. Em 2006, saiu  Tempo ao Tempo, com produção e arranjos de Serginho R., direção artística do próprio Zé Guilherme, que assina também a coprodução em parceria com Marcelo Quintanilha. Já em 2007, gravou participação no disco ao vivo Com os Dentes – Poesias Musicadas, de Reynaldo Bessa.

 Orlando Silva  foi filho de José Celestino da Silva, violonista parceiro de Pixinguinha no grupo Os Oito Batutas. José Celestino morreu vítima da gripe espanhola quando o garoto tinha três anos, mas a inclinação à música não se perdeu com a perda do pai. Na adolescência, Orlando Silva já curtia Carlos Galhardo e Francisco Alves, o “Rei da Voz”,  este um dos responsáveis por seu sucesso depois de ser a ele apresentado pelo compositor Bororó.

Francisco Alves imediatamente decidiu lançar o novo amigo em programa que mantinha na rádio Cajuti  e em menos de dez anos o afilhado já se tornara o intérprete cuja voz  ainda encanta pela naturalidade mesmo nos agudos mais vigorosos, os quais não pareciam requerer dele qualquer esforço. Orlando Silva ainda tocou artistas como João Gilberto, seu admirador confesso, e a quem confere  sua paternidade vocal e estética. Entre 1935 e 1942,  vivendo o auge, Orlando Silva atraía os fãs de tal forma que o radialista Oduvaldo Cozzi resolveu passar a apresentá-lo como “o cantor das multidões”. Com tamanho carisma, Orlando Silva chegou no final da  década dos anos 1930  a ser literalmente “atacado” por fãs alucinadas durante passagem por São Paulo.

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683 – Depois de receber Chico Lobo, Atibaia promove semana de homenagem a Sílvio Caldas

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O cantor e compositor Chico Lobo,  um dos mais aclamados violeiros do Brasil, apresentou-se pela primeira vez em Atibaia, estância turística do Interior de São Paulo, no domingo, 11. O mineiro de São João Del Rei residente em Belo Horizonte levou ao palco do Centro Cultural e de Eventos Victor Brecheret, atendendo a convites da Prefeitura e da produtora cultural Ruth Rubbo, um repertório que agradou em cheio a plateia e cantou e tocou com muito entusiasmo sucessos dos quatro álbuns já gravados em mais de 30 anos de carreira, mesclados a joias do cancioneiro regional, caipira e popular consagrados pelo público, dois dos quais teve a companhia do violonista e violeiro da cidade Rafael Cardoso.

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Dia Nacional do Choro, em homenagem a Pixinguinha, completa 15 anos

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Pixinguinha, compositor e arranjador, flautista e saxofonista, deixou obras primas do choro como Carinhoso, 1×0 e Lamento

 

Hoje, 23 de abril, comemora-se o 15º ano da introdução no Brasil do Dia Nacional do Choro, data escolhida em 2.000 por ser o dia de nascimento de Alfredo da Rocha Vianna Filho, que ficou conhecido por Pixinguinha (Rio de Janeiro, 1897, Rio de Janeiro, 1973), flautista, saxofonista, compositor e arranjador brasileiro, criador entre outros do célebre Carinhoso.

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