1590 – Conheça o Manuí (SP), que há dez anos promove projetos multiculturais que costuram tradições afro-brasileiras, indígenas e caipiras

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Música, teatro, cinema, contação de histórias estão contemplados nas ações e apresentações do grupo que buscou o seu nome nas fontes guaranis e leva aos palcos (com a descontração  e a leveza de um beija-flor) a arte e magia de contar e cantar histórias, rezas e causos em trabalhos assinados por Toninho Carrasqueira e elogiados por Kaká Werá e  Ivan Vilela

O Barulho d’água Música acompanhou no SESC de Araraquara, no Interior do estado de São Paulo, a apresentação de Africanidade Caipira, com o grupo paulista Manuí, que neste ano completa uma década dedicada à produção de projetos nas áreas de música, teatro, cinema, festivais e narração de histórias. Na cidade conhecida por Morada do Sol, o Manuí esteve no palco com Tatiana Zalla (narração de histórias); Rosângela Macedo (voz); Melina Cabral (voz e percussão); Leandro Pfeifer (voz, cavaquinho, viola caipira e violão); Felipe Soares (acordeon) e Barba Marques (percussão) e fez o público presente dançar e cantar com músicas que comprovam a marcante influência Banto na formação cultural caipira. O repertório de variados estilos musicais (como os vissungos, canto de trabalho dos africanos escravizados, congadas, jongos e sambas paulistas) foi costurado para ajudar a revelar elementos da africanidade dessa região cultural do Brasil.

De inspiração indígena, em sua trajetória o Manuí busca levar magia e encantar quem ouve suas músicas e assiste às suas performances. O grupo se popularizou ao protagonizar diversos festivais culturais em São Paulo e escolheu como nome a palavra Mainui, uma adaptação em Guarani que significa beija-flor. Ave de beleza encantadora, o beija-flor em algumas tradições é considerado mágico, capaz de unir os mundos visível e invisível. Esse conceito, segundo o casal de Sorocaba (SP) Leandro Pfeifer e Tatiana Zalla demonstra-se apropriado para a arte de contar e cantar as histórias presentes (entre outros trabalhos disponíveis no portal manui.art.br) nos álbuns e projetos Nhemonguatá; Ecos da Paulistânia; e, ainda na área musical, Mãos que Segurei, do Grupo Encantoria. Para o teatro, com direção de Ricardo Camargo, o Manuí produziu, em 2021, Nhanderuvuçu, o menino trovão! No portal também é possível acessar seis narrações de histórias, fotos e vídeos, e os endereços e telefones para contratar o Manuí e saber mais sobre o grupo.

A partir do alto, o grupo Manuí apresentou Africanidade Caipira com Rosângela Macedo, Leandro Pfeifer. Tatiana Zalla, Melina Cabral, Barba Marques e Felipe Soares (Fotos: Marcelino Lima/Acervo Barulho d’água Musica 2022- SESC Araraquara)

O Manuí ainda oferece na internet aos seguidores e amigos um canal bem diversificado que pode ser visitado pelo link https://www.youtube.com/channel/UC8–K0d2ay-rD0j0UZi5LNg Neste ambiente há videoclipes, teasers, os álbuns Nhemonguatá e Ecos da Paulistânia (cuja edição física encontra-se esgotada) e aulas, por exemplo, o que demonstra a versatilidade do grupo e os múltiplos talentos dos seus integrantes.

O disco Nhemonguatá, por exemplo, tem 12 faixas e pode ser ouvido em plataformas digitais como https://soundcloud.com/grupomanui/sets/nhemonguata. Durante o processo de concepção desse álbum inúmeros parceiros foram convidados a contribuir para a realização do projeto, a direção musical coube ao flautista Toninho Carrasqueira e os arranjos a Edson Alves. Entre as participações especiais destacam-se o escritor Kaká Werá e Elaine Saron, coordenadora do Ponto de Cultura Arapoty Cultural; o violeiro e produtor cultural Domingos de Salvi (viola caipira); Thomas Rohrer (rabeca e violino); Gabriel Levy (acordeon); Ari Colares (percussão); Neymar Dias (contrabaixo); Julio Ortiz (violoncelo); Rosângela Macedo (vocais), mais um coral de crianças dirigido por e com e arranjos de Pedro Paulo Salles e regência de Daisy Fragoso. A concepção do encarte e do sítio eletrônico contou com desenhos de Sawara (filha de Werá) aliados à programação visual de Iago Sartini para atingirem o brilho almejado e estimular o imaginário sobre a imagem dessas histórias.

Já o Ecos da Paulistânia contempla a produção e o lançamento do álbum homônimo, além de apresentações e vivências em cinco cidades da Baixada Santista. Afora o trabalho autoral dos integrantes do grupo, reúne composições de Wagner Tiso e de Fernando Brant, de integrantes da aldeia Rio Silveira, Juraildes da Cruz, Companhia de Reis São Lucas, Trem das Gerais e Querubim, Braz da Viola, J. dos Santos e Lourival dos Santos, José Asunción Flores e Manuel Ortiz Guerrero e Geraldo Filme.  

A direção musical de Ecos da Paulistânia também e de Toninho Carrasqueira, com arranjos de Adail Fernandes, textos de Kaká Werá e as presenças especiais da Companhia de Reis de São Lucas, de Limeira (SP); do Coral da Aldeia Guarani Rio Silveira, de Boracéia (SP); de integrantes do grupo Sambaqui com seus jongos e moçambiques, mais o coral de crianças dirigido por Pedro Paulo Salles e regido por Daisy Fragoso. Entre os músicos convidados estão Thomas Rohrer (rabeca), Neymar Dias (contrabaixo), Julio Ortiz (violoncelo), Marquinho Mendonça (violão), Allan Abbadia (trombone), Ricardo Camargo (bombardino), Marco Stoppa (trompete), Marcelo Troni (tuba), Marcel Martins (cavaquinho), Samba Sam (percussão), Carlos Amaral (violão 7 cordas), Luiz Lobo Fonseca, César Vilão e Fernando Boi (tambores), Marina Costa (narração), Marcelo Pretto e Ana Maria Carvalho (vocais). O portal do projeto e o encarte do disco e as fotos couberam a André Dib e Milton Shirata, respectivamente, e o autor da programação visual é Iago Sartini, cujos traços revelam fragmentos visuais sobre nossa identidade, cultura e história. 

Ecos da Paulistânia tem patrocínio da Usiminas, por meio do Programa de Ação Cultural (ProAc) da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e apoio das Secretarias de Cultura e Educação de Cubatão, Praia Grande, Guarujá, São Vicente e Santos, todas na Baixada Santista. Suas 27 faixas e contação de histórias são executadas e contadas por Pfeifer (voz, cavaquinho e violão); Tatiana Zalla (narração de histórias); Rosângela Macedo (voz); Melina Cabral (voz e percussão), Pedro Gava (viola caipira); Felipe Soares (acordeon).

Sobre este trabalho o compositor, violeiro, pesquisador e docente da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) Ivan Vilela escreveu que:

Traçar um panorama histórico-musical de uma determinada região do Brasil é um projeto ousado que exige, de seus executantes, muito estudo e pesquisa.

O trabalho foi concebido pelos jovens Leandro Pfeifer e Tatiana Zalla e tornado música pelos dois, mais Rosângela Macedo, Melina Cabral, Domingos de Salvi e Felipe Soares, sob a direção do grande mestre Toninho Carrasqueira. Com textos de Kaká Werá, Ecos da Paulistânia nos traz um rico relato de um Brasil interior, passado, mas presente que deixou em nós e em nossa cultura os seus traços.

À revelia das imposições culturais feitas, outrora pela elite e hoje pela mídia, o povo do Brasil, desde seu início, soube narrar sua história através do canto, do bater e do tocar seus instrumentos. E a música popular se fez cronista dos acontecimentos que não foram registrados por outras vias, ou por descuido ou mesmo porque a história que aprendemos é sempre a história dos que detinham o controle dos meios administrativos e de difusão de sua própria cultura.

Desde os primeiros mamelucos, ninados pelas canções de suas mães índias, uma música particular foi se criando neste país. Somada aos cantares portugueses e aos cânticos e tambores africanos, desenhamos uma música popular sem igual no mundo, tanto pela sua diversidade como pela sua qualidade.

Antonio Candido definiu como Paulistânia todo o eixo de expansão e difusão da cultura bandeirante. Região esta onde se fixou o que entendemos por cultura caipira. Os estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, metade Norte do Paraná, parte de Tocantins, parte do Mato Grosso e regiões como Sul de Minas e Triângulo Mineiro, são os locais onde se ambientaram esses valores.

Para quem tiver este disco em mãos fica de presente este roteiro histórico-musical, Ecos da Paulistânia. Tal qual uma xácara [canção narrativa de versos sentimentais, no passado, popular na península Ibérica, e de origem árabe, como a Nau Catarineta], de forma lúdica, os textos e as músicas traçam um mapa histórico-cultural da nossa região que foi se desenhando com o tempo. Assim, se intercalam viola, violão, acordeão, tambores, flautas, vozes, instrumentos de banda de coreto, num correr criativo e musical por onde passam cururus, recortados, pagodes, jongos, congados, moçambiques, folias, guarânias, polcas. Um mapa sonoro do nosso Brasil.

Quem tiver a chance de ouvir Ecos da Paulistânia se deliciará com as belezas de nosso país, construída a partir de uma refinada pesquisa histórica e musical concebida e realizada por esses talentosos músicos.

Ecos da Paulistânia é também o tema da Tese de Mestrado defendida por Pfeifer e  conta, ainda, com um filme que poderá ser assistido pelo link https://www.youtube.com/watch?v=h3hxZyMiVHQ&feature=youtu.be

O projeto Encantoria celebra em 2022 quinze anos. Um recorte desta rica trajetória ganhou elogios no texto abaixo, de Kaká Werá, sobre o álbum Mãos que Segurei

ESSA COISA BOA DE OUVIR!

Pipoca quentinha com o cheiro de gengibre do quentão. Pássaros trovadores de violas enraizadas em brasis. Cores. Bandeiras. Estandartes. Não. Não é festa junina e nem folia de reis. Não é feriado santo. São os tons e melodias que saem das canções deste CD. Um Senhor Brasil musicalmente presente, atento, esperto, vivificando uma escuta além das modas e modinhas que existem por aí; fazendo o rosto abrir em riso e o corpo em dança. O som pipoca variando os tons de diversas influências e cadências; quentes, ardentes, melodiosas!

Essa coisa boa é pra João, pra José, pra Maria! Algumas letras quase são “causos”, outras quase “rezas”. Coisas dos Brasis que somos e que nossos avós foram construindo; algo assim, como diria um amigo: memórias sonoras.  “Cantação” de histórias com sofisticação de arranjos e ritmos que lembram aquelas auroras que os galos do interior anunciam.

Pense em uma paisagem sem tom pastel, bandeirolas de diversos matizes no céu, com resgate da reverência, coisas dos antigos, abaixando o chapéu, (quando havia chapéus nas cabeças) para as damas passarem.

É assim que ouvi estas canções: alegres damas passando…

Ouçam! Mas ponham as mãos nas abas dos chapéus, como nas festas de junho que esquentam as noites; e percebam as damas passando sonoramente pelos ouvidos.

Mãos que Segurei reforça o perfil artístico do Manuí, que mistura a beleza poética das cantorias com sotaques da viola caipira e a força dos arranjos de metais em busca de uma sonoridade rica, inusitada e sem perder a simplicidade e a sabedoria que permeiam culturas tradicionais do Brasil. Revela também nos arranjos a presença da percussão, violão, cavaco, flautas e naipe de cordas na faixa Sobre a Terra

Neste álbum o Encantoria reuniu o sanfoneiro e cantador Enock Virgulino; o cantador e compositor Tião Carvalho; o compositor e violonista Marquinho Mendonça; o acordeonista Gabriel Levy; Tatiana Zalla; as cantoras e compositoras Rosângela Macedo e Ana Maria Carvalho; e o quarteto de cordas dos xarás Fabio Engle e Fabio Chamma, Cristina Geraldini e Jonas Góes. Todas as canções foram compostas e arranjadas pelo Encantoria com participação do maestro Luciano Filho e do produtor musical Cleyver Rossi em alguns arranjos e na produção musical. Duas faixas são adaptação de poesias cedidas por Roseana Murray (Terremoto Furacão) e Kléber Albuquerque (Isopor). 

O projeto Mãos que Segurei é uma idealização de Pfeifer, aprovado no ProAC ICMS Música da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Recebeu patrocínio da Elektro e copatrocínio do Grupo São Martinho. As ações foram realizadas no segundo semestre de 2010 nas cidades paulistas de Rio Claro, Limeira, Iracemápolis, Ilha Bela e São Luís do Paraitinga unindo arranjos autorais e interpretações de cantigas da cultura popular, intervenções poéticas, cênicas e narrações de fragmentos de histórias para promove uma viagem pela trajetória do grupo.

Integrantes do Encantoria, a partir da fileira em pé, da esquerda para a direita: João Vitor dos Santos (sax tenor); Flávio Vasconcelos (flauta transversal, violão e vocal); Gustavo Terra ( bateria, violão e vocais); Leandro Pfeifer (voz, cavaquinho e violão); Domingos de Salvi (viola caipira) e Rafael de Souza (trombone). Sentados, no mesmo sentido: Alexandre Martins (brincante); Melina Cabral (voz e percussão); Luca Barel (percussão); Gilson Caetano (trompete) e Max Vieira (baixo e intervenções poéticas)

Inspirado na beleza poética das cantorias e na força transcendente dos batuques, cordas e metais presentes em todos os cantos do Brasil, o Encantoria materializa seu som e sua luz revelando diversidade de ritmos e timbres. Os seus espetáculos e produções fonográficas e audiovisuais se apoiam na força transcendente dos batuques, cordas e metais presentes em todos os cantos do Brasil e permitem ao Encantoria materializar seu som e sua luz por meio de trabalhos autorais presentes nas gravações.

Além de dar título ao álbum, Mãos que Segurei ilustra o espírito do trabalho e nesse balaio que revela a identidade do Encantoria os rasqueados e ponteados da viola caipira se encontram com metais de quadrilhas, cirandas e batuques do maracatu, baião, coco de roda, sambas e outras modas.

Leia entrevista de Leandro Pfeifer e de Tatiana Zalla em https://editoranewmusic.wordpress.com/2021/11/19/conheca-a-magia-que-se-esconde-por-tras-das-letras-do-grupo-manui%EF%BF%BC/

SOBRE O POVO BANTO

Os bantus ou bantos constituem um grupo etnolinguístico localizado principalmente na África subsaariana e que engloba cerca de 400 subgrupos étnicos diferentes. A unidade desse grupo, contudo, aparece de maneira mais clara no âmbito linguístico, uma vez que essas centenas de grupos e subgrupos têm, como língua materna, uma língua da família banta.

A palavra bantu é derivada de ba-ntu, formado por ba (prefixo nominal de classe 2) e nto, que significa pessoa ou humanos. Versões dessa palavra ocorrem em todas as línguas bantus, como, por exemplo, watu em suaíli; muntu em quicongo; batu em lingala; bato em duala; abanto em gusii; andũ em quicuio; abantu em zulu, quitara, e ganda; vanhu em xona; batho em sesoto; vandu em alguns dialetos luia; mbaityo em tive; e vhathu em venda.

Os bantus são povos provavelmente originários da República dos Camarões e do Sudeste da Nigéria. Por volta de 2.000 antes de Cristo (a.C.), eles teriam começaram a expandir seu território na floresta equatorial da África central. Mais tarde, por volta do ano 1000, ocorreu uma segunda e mais rápida fase da diáspora , para o Leste, e finalmente, uma terceira fase, em direção ao Sul do continente, quando os bantos se miscigenaram a grupos autóctones e constituíram novas sociedades.

Conheça mais sobre os bantos em https://pt.wikipedia.org/wiki/Bantus

O Canto dos Escravos é dividido em 14 cantos ancestrais dos negros benguelas de São João da Chapada e Quartel do Indaiá, povoados de Diamantina, município de Minas Gerais, e interpretados por três dos mais importantes defensores da preservação das tradições ancestrais afro-brasileiras na música nacional

PRECIOSIDADE FONOGRÁFICA

Cantos negros de trabalho denominados vissungos estão gravados em O Canto dos Escravos, disco lançado em 1982 dentro da série Memória Eldorado, da Gravadora Eldorado, que em 2022 completa 40 anos. Nabor Jr (fundador-diretor da revista eletrônica O Menelick 2° Ato, jornalista com especialização em Jornalismo Cultural e História da Arte, além de fotógrafo, que atua com o pseudônimo MANDELACREW) classifica este magistral disco como “preciosidade da história fonográfica tupiniquim e um dos mais reveladores discos produzidos no Brasil no século 20”. Este elogio de Nabor data de 2012, quando ele escreveu um artigo a respeito na revista Menelick e O Canto dos Escravos  alcançava bodas de pérola (30 anos) “ainda ocupando o privilegiado posto de mais importante documentação sonora a cerca da cultura oral africana praticada pelos negros escravos em terras brasileiras.”

O autor do texto acredita ser impossível escutar O Canto dos Escravos e permanecer imune “à sua rica ancestralidade sonora e rítmica, bem como às inevitáveis lembranças do terrível período da escravidão”. Em outro trecho, observou que o registro documental da existência e resistência cultural da tradição bantófone no Brasil ao que o trabalho se propõe “por si só já seria suficiente para torná-lo singular (o álbum foi o primeiro registro sonoro da ‘música’ do tempo da escravidão no país)”. Contudo, sabedores do arqueológico material que tinham em mãos, o pernambucano Aluísio Falcão, coordenador artístico do projeto, e Marcus Vinícius de Andrade, produtor e diretor musical do disco, transformaram o que seria apenas mais uma documentação histórica em um dos mais belos trabalhos artísticos dedicados à preservação das tradições culturais do negro escravizado no Brasil.

Dividido em 14 cantos ancestrais dos negros benguelas de São João da Chapada e Quartel do Indaiá, povoados de Diamantina, município de Minas Gerais, e interpretados por três dos mais importantes defensores da preservação das tradições ancestrais afro-brasileiras na música nacional que são Geraldo Filme (1928 1995), Clementina de Jesus (1901 1987) e Tia Doca da Portela (1932 2009), o projeto O Canto dos Escravos reúne as qualidades técnicas essenciais para um trabalho musical que se propõe a transpor com eficiência a barreira da superficialidade e do “mero” entretenimento: originalidade, sensibilidade, intensidade e, obviamente, boa música, bons músicos e simplicidade nos arranjos, sempre de acordo com o texto de Nabor Jr, que aponta: o primeiro diferencial do trabalho está no ineditismo das 14 faixas do repertório selecionadas entre 65 cantos colhidos pelo filólogo, professor e linguista mineiro Aires da Mata Machado Filho (1909 1985) que, entre o final dos anos 1920 e durante a década dos anos 1930 dedicou-se à pesquisa de “cantigas em língua africana ouvidas outrora nos serviços de mineração” no interior de Minas Gerais, conforme o próprio escritor descreveu no livro O Negro e o Garimpo em Minas Gerais (1943).

Clique no link abaixo e ouça, na íntegra, o disco O Canto dos Escravos

https://www.youtube.com/watch?v=gil3Mw32OnU

Leia o artigo de Nabor Jr na íntegra ao visitar http://www.omenelick2ato.com/musicalidades/o-canto-dos-escravos

 

 

1563- Toninho Carrasqueira (SP) lança disco autoral por selo do Departamento de Música da USP

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O flautista e professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP) Toninho Carrasqueira lançou recentemente o seu primeiro álbum autoral, batizado Oriente-se, Ocidente, com 31 composições para flauta solo, duos e trios. O disco está disponível no sítio do selo LAMI (clique aqui), que produz a obra. O LAMI é um projeto vinculado ao Departamento de Música da USP voltado para a difusão da produção de música brasileira.

Como Carrasqueira explicou em 15 de julho ao conceder entrevista ao apresentador Cido Tavares, do programa De Papo Pro Ar, da Rádio USP (93,7 MHz), Oriente-se, Ocidente foi concebido para ilustrar os procedimentos criativos propostos no livro Divertimentos-Descobertas Estudos Criativos para o Desenvolvimento Musical (Editora da USP, 2017), que é resultado da tese de Doutorado defendida pelo professor no Departamento de Música da ECA, em 2011.

Ao redigir a tese, Carrasqueira criticou os métodos europeus adotados nas escolas de música do Brasil a maioria deles do século XIX à primeira metade do século XX. Segundo o professor, esses métodos sofrem a influência do pensamento originário da Revolução Industrial, no século XVIII, que promoveu a divisão do trabalho. Assim como numa indústria os operários se especializam em determinadas funções, na música houve uma segmentação parecida: muitas vezes o compositor e o maestro não tocam nenhum instrumento e o músico, mesmo um virtuose, não compõe nem rege. “Esses métodos são ótimos em vários aspectos, formaram virtuoses, grandes músicos e professores, mas não estimulam a criar”, opinou Carrasqueira.

Ao refletir a respeito que Carrasqueira elaborou a tese que busca estimular a criatividade do estudante de música. “Desde o começo eu proponho que a gente vá estudando os diferentes elementos da linguagem musical, como escalas e acordes, de forma criativa, criando nossos próprios exercícios”, disse a Tavares para a entrevista de Papo Pro Ar, que poderá ser ouvida pelo linque ao final desta atualização. Para ilustrar o que propõe na tese, Carrasqueira compôs os exercícios e estudos que agora formam o álbum Oriente-se, Ocidente.A ideia é que o aluno use esses estudos como exemplo, como referência, para fazer as próprias composições.”

Toninho Carrasqueira escreveu que

Oriente-se, Ocidente proporciona um passeio por paisagens modais, tonais e atonais. Embora a flauta utilizada seja a transversal moderna, nas diferentes composições (flauta solo, duos e trios) podem-se ouvir as vozes de flautas de diferentes partes do mundo, como shakuhashis, nais, bansuris, pífanos, queñas e samponhas que sempre me encantaram. Obviamente a flauta seresteira e forrozeira brasileira também comparecem.

Esse meu primeiro álbum autoral é um mergulho corajoso e sonhado pelo improviso. Tem o frescor, a espontaneidade e o vigor da música sentida e criada no momento da gravação, com a sensibilidade à flor da pele, na intenção da escuta e de diálogo com o outro. Nessa experiência única de “música viva”, tive o privilégio de contar com a colaboração especial de músicos brilhantes, instrumentistas e compositores, coautores das músicas em que participam, já que criaram os arranjos para seus instrumentos; a pianista Heloisa Fernandes, o acordeonista Gabriel Levy, o percussionista Luiz Bastos e o violonista Guilherme Sparrapan, que também fez a produção de estúdio. Participam também dois de meus alunos na época, os excelentes flautistas Stefânia Benati e Jonas Ribeiro.

Algumas das músicas modais, como Prece pela Paz na Palestina e Revoada Lócria, tinham um motivo já escrito, posteriormente desenvolvido no estúdio. Outras, como Hiroshima, dor do Mundo, Alvorecer e Vislumbres Frígios, gravadas com Gabriel Levy, foram totalmente improvisadas. Baseados em intervalos, estudos atonais para flauta solo são entremeados por peças tonais para duos e trios, sempre com espaço para a criação espontânea. O texto sobreposto a Gênesis é de Beatriz Raposo. Os textos sobrepostos a Todos Somos Um e Alquimia Lídia são do poeta sufi Rumi.

Curiosamente, o álbum Oriente-se, Ocidente agora disponibilizado nas plataformas digitais, não foi concebido para esse fim; foi pensado com o intuito de ilustrar os procedimentos criativos propostos em minha tese de doutoramento na Universidade de São Paulo, que, por sua vez gerou o livro Divertimentos-Descobertas – Estudos Criativos para o Desenvolvimento Musical (São Paulo – Edusp, 2017).

Nesse livro proponho que curiosidade, alegria, fantasia e imaginação sejam componentes essenciais no processo de formação de um artista. E que o aprendizado se realize com estímulo à criatividade, improviso e produção de conteúdo. Através de uma estratégia lúdica e criativa de manipulação dos diferentes elementos da linguagem musical, esta proposta pretende mobilizar intelecto e emoção, razão e sensibilidade. Tem como objetivo o desenvolvimento pleno do potencial criativo e expressivo do artista, a formação de um músico capaz de se expressar livre e plenamente.

Agradeço a Fernando Iazzetta, meu colega na Universidade de São Paulo, por viabilizar a difusão de Ocidente-se, Ocidente pelo selo LAMI. Como foi feito com genuína entrega e emoção, penso que estas músicas podem atingir corações e mentes.

São Paulo, 30 de março de 2022 

Ficha técnica:
Gravado em fevereiro de 2015 no estúdio do Lami, CMU,ECA, USP
Engenheiro de gravação : Pedro Paulo Köhler.
Mixado no estúdio Trilha Certa por Homero Lotito e Toninho Carrasqueira.

Masterizado no Reference Mastering por Homero Lotito.
Concepção e Direção musical: Toninho Carrasqueira.
Produção: Guilherme Sparrapan e Toninho Carrasqueira.
Músicos:
Heloisa Fernandes: piano
Gabriel Levy: acordeon
Luis Bastos: percussão
Guilherme Sparrapan: violão
Stefania Benati: flauta nas faixas 21 e 22.
Jonas Ribeiro: flauta nas faixas 21,22,25 e 26.
Toninho Carrasqueira: flauta em todas as faixas.

Clique no link abaixo e ouça a entrevista de Carrasqueira sobre o álbum para o programa De Papo pro Ar da Rádio USP FM (93,7 Mhz)

https://jornal.usp.br/cultura/toninho-carrasqueira-lanca-o-album-oriente-se-ocidente/

1168 – Gabriel Levy apresenta “Terra e Lua” no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo

Disco contemplado pelo ProAc reúne 11 faixas e é uma soma da música brasileira com o universo de músicas do mundo no qual ele está envolvido desde o começo de sua carreira, no início dos anos da década de 1980

O Museu da Casa Brasileira (MCB) promoverá neste domingo, 24, apresentação com Gabriel Levy, em mais uma rodada da 20º temporada do projeto Música no MCB. Compositor, produtor e acordeonista, Levy estará no palco do terraço a partir das 11 horas para, ao lado de músicos amigos, executar as onze faixas do seu álbum de estreia, Terra e Lua, que traz composições inspiradas nas tradições regionais brasileiras.

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1076 – Xaxado Novo (SP) lança segundo álbum com registros de show promovido no Auditório Ibirapuera

O Xaxado Novo, formado em 2013 e, atualmente, integrado por cinco músicos paulistas, está lançando o segundo álbum, Xaxado Novo ao Vivo, registro sonoro com 13 faixas da apresentação promovida em 10 de dezembro de 2016, no Auditório Oscar Niemeyer do Ibirapuera, em São Paulo, experiência que o grupo relata como “noite mágica e encantada, que marcou nossas vidas e apresentou um espetáculo único e inédito, que sempre sonhávamos fazer”. Para ser gravado, o disco finalizado em maio de 2017 utilizou recursos dos próprios músicos somados à vaquinha virtual (crowdfunding) pela plataforma Catarse e conta com as participações de Gabriel Levy (sanfona), Ricardo Herz (violino popular) e Orkestra Bandida (coletivo dedicado à difusão de música oriental) que dividiram o palco do Ibirapuera com o Xaxado Novo.

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955- MCB (SP) recebe Duo Paccola-Fiori, Duo Camará (com & Trio Saracuteia Fulô) e Quartier Latin

O público que acompanha as apresentações musicais que o Museu da Casa Brasileira (MCB) promove em São Paulo aos domingos, sempre a partir das 11 horas, poderá apreciar três shows de diferentes vertentes nas próximas rodadas do projeto, todos com entrada franca, mas sujeita à lotação do terraço nos quais transcorrerão. Para o espetáculo de 28 de maio, o Duo Paccola-Fiori selecionou as faixas gravadas no álbum de estreia e que mescla composições próprias com sucessos regionais de várias partes do Brasil, arranjados com nova roupagem. Sem fugir às características dos instrumentos que toca, por meio deste repertório eclético a dupla constituída pelos virtuoses Thiago Paccola (viola caipira) e Jonecir Fiori (acordeon) promete levar ao palco inovação e musicalidade jovial.

Duo Camará e o Trio Saracuteia Fulô (Foto: Sté Mendes)

Um inédito encontro entre o Duo Camará e o Trio Saracuteia Fulô está programado para 4 de junho. Victor Cremasco (voz) e Raphael Amoroso (violão) apresentarão acompanhados por Roberto Federicci (sanfona e teclados), Ruiz Mattos (bateria) e Jorginho da Silva (contrabaixo) canções que trazem influências do samba, bossa nova e outras vertentes, base dos dois álbuns que assinam. Já Ana de Mag, Jessica Dias e Babi Pacini , revezando-se nas vozes e na percussão, mostrarão criações autorais e do compositor Pedro Ribeirão.

O Quartier Latin é formado por Julia King (voz), Daniel Doctors (contrabaixo e ukulele), Rodrigo Scarcello (teclado e acordeon) e Camilo Zorilla (voz e bateria)

A inusitada mistura entre sonoridades do Brasil e da França será a atração do MCB em 11 de junho, data reservada ao Quartier Latin, formado por Julia King (voz), Daniel Doctors (contrabaixo e ukulele), Rodrigo Scarcello (teclado e acordeon) e Camilo Zorilla (voz e bateria). A plateia ouvirá tanto clássicos de Edith Piaf, Jacques Brel e Serge Gainsbourg, quanto músicas contemporâneas com a quais nomes como Zaz, Bem l’Oncle Soule e Stromae, em arranjos com tempero latino, têm embalado Paris. O programa do Quartier Latin ainda destaca o forró de Dominguinhos, o samba-rock de Simonal e versões francesas de Chico Buarque e Mutantes.

Com edições contínuas entre março e dezembro, o projeto Música no MCB acolhe a cada novo domingo perto de 400 pessoas e desde 1999 já beneficiou mais de 240 mil com acesso gratuito a shows de grupos como Pau Brasil, Zimbo Trio, Projeto Coisa Fina, Orquestra Bachiana Jovem, Grupo Aum, Mawaca e Traditional Jazz Band, entre outros. O prédio fica na avenida Brigadeiro Faria Lima, 2.705, Jardim Paulistano, distrito do bairro Pinheiros, a uma caminhada leve da estação Faria Lima da linha 4/Amarela do Metrô. O terraço é contíguo a uma agradável área verde que acolhe pessoas de várias faixas etárias e ao restaurante que explora refinados serviços de gastronomia, lanches e cafés. Cobra pelo estacionamento interno, mas como estimula o uso de transporte alternativo oferece bicicletário com cadeados gratuitos à disposição para até 42 ciclistas. Para mais informações, há o telefone (11) 3032-3727.

28 de maio: Duo Paccola-Fiori

1. Apanhei-te Cavaquinho (Ernesto Nazareth e Ubaldo)/2. Pagode Doido (Thiago Paccola)/3. Tristeza do Jeca/Mercedita (A. de Oliveira / R. S. Rilo)/4. Encontros (Jocenir Fiori)/5. Baião de 5 (Gabriel Levy)/6. Desvairada (Garoto)/7. Wave (Tom Jobim)/8. Saudades de Matão (Jorge Galati & Raul Torres)/9. Chalana (Luis Carlos Borges e Apparicio S. Rilo)/10. Feira de Mangaio (Sivuca)/11. Lamento Sertanejo (Dominguinhos)/12. Um tom para Jobim (Sivuca e Oswaldinho do Acordeon)/13. O Rio de Piracicaba (Tião Carreiro e Pardinho)/14. Libertango (Astor Piazzola)

 4 de junho,  Duo Camará e Trio Saracuteia Fulô

1.Bonsai (Raphael Amoroso)/2. Tanta Gente (Pedro Ribeirão)/3. Correnteza (Tom Jobim)/4. Samba do Chá (Victor Cremasco e Roberto Federicci)/5. A hora do Samba (Jéssica Dias e Paulo da Rosa)/6. Contramão (Pedro Ribeirão)/7. Tempo de Amor (Vinícius de Moraes e Baden Powell)/8. A Palmeira (Pedro Ribeirão)/9. Sabiá da gaiola (Domínio Público)/10. Chão (Victor Cremasco)/11. Valsa Pra Lua (Raphael Amoroso)/12. Nos bailes da vida (Milton Nascimento)/13. Há Braço (Victor Cremasco)/14. Teimoso (Pedro Ribeirão)/15. Maria Rosa (Victor Cremasco e Raphael Amoroso)/16. A do Feijão (Pedro Ribeirão)/17. Samba de Amanhã (Victor Cremasco e Raphael Amoroso)/18. Ponteio (Edu Lobo)

 11 de junho, Quartier Latin

1.Dans mon ile (Henri Salvador)/2. Couleur Café (Serge Gaisnbourg)/3. Mon manege a moi (Edith Piaf)/4. Belleville Rendez vous (Beatrice Bonifassi)/5. La foule (Edith Piaf)/6. Je ne veux pas travailler (Pink Martini)/7. Tu veux ou tu veux pas (Brigitte Bardot)/8. Joana Francesa (Chico Buarque)/9. La lune (Zaz)/10. J’ai deux amours (Madeleine Peyroux)/11. Je veux (Zaz)/12. La vie en rose (Edith Piaf)/13. Douce France (Charles Trenet)/14. Fibre de Verre (Paris Combo)/15. Ni oui ni non (Zaz)/16. Les mots d’amour (Mayra Andrade)/17. Xodó (Dominguinhos – versão em francês)

953 – Fernanda de Paula e Zé Modesto se encontram em Sampa e promovem show para espalhar belezas e cantar a vida

A cantora Fernanda de Paula (MG) protagonizará o Home Concert Experience programado pelo Spiritual Mindstyle Sohá para começar a partir das 18 horas e se estender até às 21 horas do domingo, 21. Fernanda de Paula tocará violão e percussão e aos que comparecem prepara histórias pessoais e músicas inéditas, destacando que terá a companhia do cantor e compositor paulistano Zé Modesto. O Duo Lume abrirá a apresentação planejada para transcorrer em clima de roda de fogueira, em ambiente acolhedor envolto em luzes, estampas, cores e cheiros de flores, bebidas e comidas saudáveis. “Venha ajudar a gente a espalhar belezas e cantar a vida”, convida Fernanda. “O espaço é pequeno, mas nele cabe o universo todo”, emenda. “Tenho certeza que todos sairemos melhores de lá”.

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Sarah Abreu, Carlinhos Antunes e Sexteto Mundano promovem em Sampa novo show para homenagear Violeta Parra

Mundano

Violeta Parra é um exemplo de artista para o Chile, para o continente sul-americano e para todo o mundo. Compositora, pesquisadora, instrumentista, tecelã, ceramista, mulher comprometida com as causas sociais de seu tempo, incansável batalhadora, Violeta Parra ficou conhecida no Brasil pelo Grupo Tarancón, nas vozes de Milton Nascimento, Mercedes Sosa e Elis Regina, entre outros, que cantaram músicas como Volver a los 17, Gracias a la Vida e Casamiento de Negros. Estas composições de beleza estética e importância histórica incentivaram as lutas de boa parte da geração dos anos 1970 e agora ganharam uma releitura em trabalho dos mais aguardados, promovida por Sarah Abreu e Carlinhos Antunes. Com os amigos que compõem o Sexteto Mundano, Sarah e Carlinhos estarão juntos novamente para apresentá-lo no espetáculo Violeta Terna e Eterna, que terá mais uma edição nesta sexta-feira, 29 de maio, a partir das 22h30, em casa de shows localizada na rua José Maria Lisboa, 190, Jardim Paulista, em São Paulo. 

O repertório de Violeta Terna e Eterna integra um álbum que os músicos brasileiros estão prestes a começar a distribuir, gravado a partir de  financiamento coletivo que mobilizou  amigos e seguidores do Sexteto Mundano e admiradores de Violeta Parra. Ao todo, 122 colaboradores fizeram contribuições para a materialização do disco.

parra chile

klango violeiro

SESC Consolação reserva manhãs dos sábados de janeiro para gurizada ouvir “Bichos de Cá”, do Nhambuzim

Nhambuzim 4

O Nhambuzim, formado em 2002, gravou dois discos com repertórios que mesclam vários ritmos brasileiros e que contemplam os amantes do escritor mineiro da cidade de Codisburgo, Guimarães Rosa,  e o público infantil (Fotos: Reproduções de vídeo do grupo)

 

Crianças também têm vez no Barulho d’água Música e em nome delas o blog convoca pais e responsáveis a levarem filhos, sobrinhos, netos, afilhados, enteados e coleguinhas destes a uma das cantorias que o grupo Nhambuzim fará aos sábados, durante o mês de janeiro, no Sesc Consolação, no Centro paulistano, sempre a partir das 11 horas, divulgando as músicas do álbum Bichos de Cá. Neste dia 10, por exemplo, até nosso pessoal vai esquecer que já tem barba e cabelos brancos e estará presente na unidade que fica na Rua Doutor Vila Nova, 245, a 900 metros da estação República, a 1.000 metros da estação Santa Cecília, ambas do Metrô, ou a 850 metros do terminal Amaral Gurgel. Para mais informações tecle 11 3234-3000. 

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Tributo à dupla Cascatinha e Inhana une Wilson Teixeira e Sarah Abreu

O cantor e compositor Wilson Teixeira gravou em maio participação no programa Sr. Brasil, do apresentador Rolando Boldrin (TV Cultura). O autor de “Almanaque Rural” ocupou o palco do teatro do SESC Pompeia ao lado de Sarah Abreu, com quem compartilha projeto de resgate e preservação da obra de Cascatinha e Inhana.
Wilson e Sarah cantaram no primeiro bloco do programa que ainda não tem data definida para ir ao ar. “Índia” foi a primeira música do repertório da consagrada dupla que ambos relembraram. Depois, a pedido de Boldrin, o publico ouviu “Meu primeiro amor”. A guarânia “Colcha de retalhos” finalizou a gravação sob efusivos aplausos da plateia e do próprio Sr. Brasil. A viola de Wilson Teixeira e a voz de Sarah Abreu, que faz parte do grupo Nhambuzim, tiveram o competente apoio dos companheiros de estrada Vinícius Bini, Walter Bini e Thadeu Romano.

Wilson Teixeira sustenta uma carreira independente que desponta como uma das mais promissoras e primorosas entre os violeiros da atualidade que se dedicam a preservar a música de raiz, de alma caipira, aquela que faz jus ao rótulo sertaneja. Suas composições e jeito de tocar também evocam e flertam com muita qualidade com o blues e com o folk conforme comprovam a maioria das faixas do seu curto, mas premiado álbum de estreia, “Almanaque Rural”, de 2006. As 10 composições gravadas com apoio de amigos e de admiradores renderam a ele, em 2013, um dos troféus de melhor disco solo do III Prêmio Rozini de Excelência de Música de Viola. Wilson Teixeira recebeu a homenagem em 17 de junho, no Memorial da América Latina, em solenidade de gala encerrada com show de Almir Sater.

Wilson Teixeira e Sarah Abreu relembraram três clássicos de Cascatinha e Inhana no palco do Sr.Brasil (Foto: Marcelino Lima)

Natural de Avaré, residente em São Paulo, Wilson Teixeira prepara o segundo disco. A exemplo de “Almanaque Rural” deverá sair do próprio bolso  e deverá ser lançado ainda em 2014. E está, ainda, engajado a projeto pessoal de resgate das memórias e obras de Tonico e Tinoco, integra o “4 Cantos” ao lado dos também exímios violeiros e compositores Cláudio Lacerda (São Paulo), Luiz Salgado (Pato de Minas) e Rodrigo Zanc (Araraquara/São Carlos).

Wilson Teixeira já participou de e venceu vários festivais de viola, entre os quais o de Tatuí, com a música “No último pé do pomar”. Ao final de abril,  ao lado de parceiros de estrada como Jonavo e Tuia Lencioni, além de Chico Teixeira e o pai Renato (apesar do sobrenome, os três não têm parentesco, ao menos sanguíneo), ele passou pelo palco do Bourbon Street, consagrada casa de shows de Moema que já recebeu B.B.King. Durante 4 horas, foi uma das estrelas da Festa Folk Brasil. Os irmãos Bini também estavam lá.

Foi em festivais pelo Interior paulista que Wilson Teixeira conheceu Sarah Abreu, com quem voltou pela terceira vez ao palco do Sr. Brasil. A voz de Sarah é uma das condutoras dos cantos do Nhambuzim, grupo que em 2008 lançou “Rosário: Canções Inspiradas no Sertão de Guimarães Rosa”, pelo selo Paulus.

O álbum é inspirado na obra do escritor mineiro e foi lançado em 27 de junho daquele ano, data do centenário do nascimento do filho ilustre de Codisburgo. O show teve entrada franca, no Centro Cultural São Paulo, e apresentou as 17 canções das quais duas pertencem à tradição oral do norte das Alterosas (“Aboio”, originalmente entoada pelo vaqueiro Manuelzão, e “Encomendação de Almas”). Outro par é contribuição de Milton Nascimento e Caetano Veloso (“A Terceira Margem do Rio”), e João de Aquino e Paulo César Pinheiro (“Sagarana”), interpretada por Clara Nunes.

O Nhambuzim mescla gêneros e linguagens partindo de elementos da cultura regional inseridos em contexto contemporâneo. Assim pode-se notar nas faixas toques de jazz e de música erudita, apoiados em arranjos vocais e nas conexões da música popular com narrativas regionais e contação de histórias. Em “Rosário” soam aboios, cantos de rezadeiras, congadas, catiras, moçambiques e folia de reis. Em matéria assinada para a versão digital do “Correio Popular”, de Campinas, Carlota Cafieiro observa que as letras evocam Guimarães a partir do olhar dos compositores do grupo. Ainda de acordo com a jornalista, enquanto “Pé no Chão” é inspirada no livro “Manuelzão e Miguilim”, “Redenção” bebe do conto “A Hora e Vez de Augusto Matraga”. “Acerto de Contas”, por sua vez, surgiu de “Grande Sertão: Veredas”, continua Carlota. Há, por fim, as participações de Renato Braz (“Um Miguilim”), do mestre violeiro Paulo Freire (“Sagarana” e “Nonada de Mim“) e do acordeonista Gabriel Levy (“Arvorecer“).

O grupo Nhambuzim tem nascimento lavrado em 2002. Desde então vem caminhando com André Oliveira (percussão), Edson Penha (voz e berrante), Itamar Pereira (baixo), Joel Teixeira (voz, viola e violão), Rafael Mota (percussão) Xavier Bartaburu (piano e arranjos vocais) e Sarah. Em outubro de 2012, eles lançaram “Bichos de Cá” (Canções para os bichos do Brasil).

Sarah também tem carreira solo e nesta estrada, entre outros projetos, revelou a Boldrin que está estudando a obra do músico e compositor norte-americano nascido em Indiana Cole Porter (1891-1964). Pela plataforma de financiamento coletivo “Catarse”, sistema conhecido por crowfunding, está em campanha de arrecadação para gravar “Violeta: terna e eterna”, trabalho que dedicará à memória de Violeta Parra.

Para saber mais sobre o Nhambuzim e Sarah Abreu:

http://nhambuzim.wordpress.com/
http://povosdamusica.blogspot.com.br/2009/05/nhambuzim-rosario-2008.html
http://www.nhambuzim.com/
https://pt-br.facebook.com/pages/Nhambuzim
http://catarse.me/pt/violetaparra2

Para saber mais sobre Wilson Teixeira:
www.wilsonteixeira.mus.br

Para saber mais sobre Cascatinha e Inhana

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cascatinha_%26_Inhana
http://letras.mus.br/cascatinha-e-inhana/