Barulho d'Água Música

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976 -Festival de Inverno de Garanhuns (PE) homenageia Belchior e terá Geraldo Azevedo, Baby do Brasil e Chico César*

* Com o portal Zimel 

O cantor Belchior será o principal homenageado do 27° Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), que levará à cidade do Agreste de Pernambuco entre 20 e 29 de julho atrações de vários estados brasileiros com destaque para Baby do Brasil, Fernanda Abreu, Geraldo Azevedo, Lucy Alves, Chico César, Tom Zé, Marina Lima e a banda Mundo Livre S/A, além de representantes locais. A decoração do FIG terá letras do compositor de Apenas um rapaz latino americano e Divina Comédia Humana e Belchior merecerá, ainda, um concerto na Catedral de Santo Antônio com participações de Ednardo, Vanusa, Lira, Cida Moreira, Tulipa Ruiz, Isaar, Fernando Catatau, Juvenil Silva, Renata Arruda e Gabi da Pele Preta na sexta-feira, 21, após os shows da noite. Isadora Melo, Maurício Tizumba, Lui Coimbra e Mona Gadelha estão escalados para abrirem o festival, cuja cerimônia transcorrerá na véspera do concerto, no teatro Luiz Solto Dourado do Centro Cultural Alfredo Leite, situado na estação ferroviária, a partir das 21 horas.

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959 – Expoentes paulistas da viola caipira se encontram no Casarão Cultural de Barão Geraldo (SP)

O Centro Cultural Casarão de Barão Geraldo reservou quatro datas do comecinho do mês de junho para promover o I Casarão das Violas, apresentações que levarão ao local expoentes paulistas de variadas vertentes do instrumento de dez cordas. A primeira atração também será mais uma rodada do premiado projeto Dandô Circuito de Música Dércio Marques, que neste ano atravessa a quinta temporada. Em 8 de junho, o anfitrião João Arruda receberá Rodrigo Zanc, cantador de Araraquara residente na vizinha São Carlos. No dia seguinte, 9, o contador de causos radicado em Campinas Paulo Freire levará ao público o show O Violeiro descoberto. Para o sábado, 10, está escalado o grupo sul-mineiro Vento Viola que, na bagagem, trará para lançamento o segundo álbum da trajetória, Em Nome do Vento. Nestes três dias, as apresentações começarão às 20 horas. Já no domingo, 11, o grupo Catira de São Gonçalo abrirá os trabalhos às 18 horas. Uma hora depois, Levi Ramiro e Jackson Ricarte, de Pirajuí e São José dos Campos, vão se revezar ao microfone para encerramento do projeto.

O Centro Cultural Casarão está localizado na rua Maria Ribeiro Sampaio Reginato, sem número, na altura do KM 15 da Estrada da Rhodia (sentido Paulínia). Não há cobrança de entrada e a colaboração para o “chapéu” que ajuda a manter as atividades do Casarão, passado sempre ao final dos espetáculos, é espontânea.

Sobre as atrações

Rodrigo Zanc além de tocar gosta de pesquisar a viola brasileira e suas influências, há mais de 20 anos vem lutando incansavelmente e sem concessões pela manutenção e propagação da cultura ligada ao instrumento. Em nome desta bandeira, já participou de vários festivais, dentre eles o Viola de Todos os Cantos, da EPTV – Rede Globo, e chegou às finais de 2005 e de 2007. Em 2006, lançou Pendenga, o primeiro CD. Em 2010, foi à Europa divulgar seu trabalho. Em 2013, produziu Fruto da Lida, selecionado para o 26º Prêmio da Música Brasileira. Pelo segundo ano no Dandô, Rodrigo Zanc também está à frente do projeto Viola para Dominguinhos (que retomará no segundo semestre) e integra o projeto 4 Cantos,  que ele e Cláudio Lacerda (Botucatu/SP) mantém desde 2011 juntamente com Luiz Salgado (Patos de Minas/Araguari-MG) e Wilson Teixeira (Avaré/SP).

O cantor, compositor e multi-instrumentista João Arruda, natural de Campinas (SP), possui destacado talento para tocar violas e instrumentos de percussão. Declara-se trovador apaixonado pela cultura e tradições populares e vem ganhando elogios como artista comprometido com a valorização e a criação de temas e canções da cultura popular brasileira e da América Latina. Além de músico, é produtor fonográfico. Sua obra pode ser encontrada em mais de 15 álbuns nos quais aparece como artista, convidado ou produtor. É constantemente requisitados para festivais, programas de rádio e emissoras de televisão e assina diversas trilhas sonoras para espetáculos, documentários e filmes. A trajetória musical inclui turnês por Brasil e exterior; com o grupo de Pífanos Flautins Matuá integrou o projeto Samarro’s Brazil realizando concertos na França e na Itália; já percorreu Argentina, Bélgica, Inglaterra e o País Basco com seu concerto Entre Violas e Couros. É idealizador e curador do projeto musical Arreuní, que promove encontros com diversos artistas brasileiros e convidados estrangeiros. Em 2007 lançou Celebrasonhos. Seu mais recente disco solo é Venta Moinho (2013), mas já está preparando o terceiro “filho”, Entre Violas e Couros, apenas com canções autorais gravadas ao vivo.

Paulo Freire é de São Paulo, mas fixou-se em Campinas. A surpreendente e inesgotável capacidade de contar causos, bem como o modo peculiar de tocar viola (este blogue já testemunhou ocasiões em que, inclusive, colocou-a com o tampo inferior voltado para o público, tocando as cordas, portanto, com os dedos invertidos, ou de costas) são resultantes de sua incursão ao sertão de Urucuia, região situada no noroeste de Minas Gerais, onde teve contato com valores da tradição rural e bebeu nas fontes onde Guimarães Rosa ambientou o consagrado romance Grande Sertão: Veredas. Além de músico com viagens a vários centros da Europa carimbadas no passaporte, é escritor e entre outros já dividiu trabalhos com Arnaldo Antunes, Mônica Salmaso, Luiz Tatit, Isa Taube, Cida Moreira e Ivan Vilela.

O  grupo sul-mineiro de Itajubá Vento Viola, reúne Clayton Roma César DameireLúcio Lorena e Aidê Fernandes. Em nome do Vento chegou em dezembro de 2016 e sucede Viola de Todos os Cantos (2000), que conta com a participação do violeiro Levi Ramiro e é considerado entre os amantes da música regional e caipira uma verdadeira relíquia por não dispor mais de cópias. Em Nome do Vento reúne 13 faixas e conta com as participações em três delas de Ronaldo Chaplin (Cheiro de Minas), João Lúcio (Amo Minas) e Adriano Rosa (Pinho e Violeiro).”

Nascido do encontro de violeiros, catireiros e foliões de reis durante encontro casual no Centro de Cultura Caipira e Arte Popular de Campinas, o grupo Catira de São Gonçalo completou o primeiro aniversário em 21 de maio.

Levi Ramiro brotou em Uru, situada na mesorregião de Bauru, e atualmente reside e em Pirajuí. Neste recanto, quando não está percorrendo a estrada ou pescando (hábito que por anos manteve em companhia do inseparável cão Pitoco, que recentemente partiu antes do combinado) também desempenha o ofício de luthier. Violeiros como Fabrício Conde (Juiz de Fora/MG) e João Arruda (Campinas/SP) tocam instrumentos feitos por Levi Ramiro, mas ele começou a carreira, inicialmente, dedicando-se ao violão popular. Somente na década dos anos 1990 quedou-se pela viola caipira. Passou, então, a absorver e a trazer em suas dez cordas todo o universo cultural que forma suas raízes. Com base em valores da cultura caipira e misturando elementos que formam a música brasileira, Levi Ramiro compõe poeticamente a simplicidade da vida interiorana e já gravou nove álbuns, o mais recente intitulado Purunga.

Jackson Ricarte ainda tinha 7 anos quando junto com a família deixou a cidade de Senador Pompeu (CE) para fixar moradia em São Paulo. Antes de fazer as malas, já ouvia Luiz Gonzaga e o xará Jackson do Pandeiro, ídolos cuja paixão passou a dividir com  Tião Carreiro e Almir Sater, dentre tantos outros compositores e cantores, vivendo na nova cidade. O pai percebeu a inclinação do garoto e quando o filho completou 11 anos o presenteou com um violão. Começava, então, o ciclo artístico que em poucas semanas o levaria a tocar o clássico Boiadeiro Errante (Teddy Vieira) sua música do panteão caipira predileta. Aos 12 anos, animava bares, praças e gradativamente ganhava o público com seu carisma e talento. Desde muito cedo, portanto, Ricarte assumiu que seria baluarte da música regionalista brasileira e, aos 18, passou a se dedicar ao estudo da viola caipira, simultaneamente abraçando a carreira profissional de músico. Apaixonado pelo instrumento de dez cordas, aprimorou a técnica na Escola de Música do Estado de São Paulo Tom Jobim, com os professores Rui Torneze e João Paulo Amaral. Neste período, Jackson Ricarte participou como solista da Orquestra Paulistana de Viola Caipira e residiu por um tempo na sede da Orquestra, o Instituto São Gonçalo, onde teve contato com rico acervo musical e dedicou-se a pesquisas que o levaram a conhecer entre novas influências Dércio Marques, Rubinho do Vale, João Bá, Katya Teixeira, Dani Lasalvia, Fernando Guimarães, Paulinho Pedra Azul, Cicero Gonçalves, Amauri Falabella, Chico Lobo, Pereira da Viola, Levi Ramiro, Socorro Lira, Elomar, Xangai, Vital Farias e Geraldo Azevedo dentre tantos outros menestréis da música regional. Neste ano lançou o primeiro álbum, Estrada Afora

Sobre o Circuito Dandô

Ao idealizar o Dandô Circuito de Música Dércio Marquesa cantora, compositora e pesquisadora paulistana de cultura popular Katya Teixeira pretendia fomentar a circulação de música de qualidade inquestionável por todo o Brasil, reunindo artistas de várias regiões, e, assim, além de criar intercâmbios, gerar novas plateias. Quem já se apresentou possui trabalhos reconhecidos e merece melhor projeção no panorama nacional, o que proporcionaria às pessoas acesso a outras linguagens e propostas produzidas fora da “grande mídia”.  Um artista sai de cada cidade e passa por todos os pontos do circuito, girando a roda de forma contínua. Cada edição conta sempre com uma atração do local recebendo e abrindo o espetáculo para o convidado, em shows de aproximadamente noventa minutos. Ao final, um bate-papo entre artistas e plateia fecha a apresentação.

O público de várias cidades de São Paulo, do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, de Goiás, de Pernambuco e do Distrito Federal já prestigiou shows da caravana, que neste ano chegará a Portugal, Argentina, Chile e Uruguai.

O objetivo de Katya Teixeira é, ainda, tornar popular o nome de Dércio Marques e seu inestimável legado não apenas para a música, mas para toda a cultura brasileira. Mineiro de Uberaba, Dércio Marques morreu em julho de 2012, em Salvador (BA), deixando como maior legado uma grande escola que transcende a composição musical e poética e propõe, ainda, uma postura mais íntegra e solidária de viver, voltada tanto para a preservação da natureza, quanto para o aprimoramento espiritual de cada indivíduo, sem deixar de lado o engajamento político e social. 

O Dandô recebeu em dezembro de 2014 o Prêmio Brasil Criativo na categoria Artes de Espetáculo/Música, no Auditório Ibirapuera (SP). Promovido pelo Ministério da Cultura, pelo Projeto Hub e pela 3M, o Brasil Criativo contemplou 22 projetos  perante um público de mais de 800 pessoas. 


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952 – Sesc São José dos Campos promove estreia do álbum Estrada Afora, de Jackson Ricarte

O violeiro, cantor e compositor Jackson Ricarte agradou em cheio amigos e quem curte boa música com Estrada Afora, álbum de estreia da carreira acolhido para distribuição pela Tratore e em crescente projeção com os sucessivos convites para shows de lançamento que o cearense de Senador Pompeu (há duas décadas em São Paulo) vem recebendo. Uma destas apresentações transcorrerá  a partir das 18 horas do sábado, 20 de maio, quando Jackson Ricarte visitará o Sesc de São José dos Campos, cidade da porção paulista do Vale do Paraíba, logo após passagem, na véspera, por Cajati. Na Área de Convivência, o público poderá curtir gratuitamente as 13 faixas de Estrada Afora — entre elas, a instrumental Cearando na Viola,  que assim como as demais transitam entre a cultura do sertanejo nordestino e a do caipira paulista, sem deixar de expressar influências sonoras contemporâneas, marcantes nos arranjos. Do cururu ao baião, Jackson Ricarte desenha um mapa sonoro por vertentes e ritmos nacionais à medida que desfia composições de autoria própria ou de amigos tais quais Aidê Fernandes, Braga, Cícero Gonçalves, Luís Avelima, Levi Ramiro e João Evangelista Rodrigues. Repleto de elementos da brasilidade, o repertório que no disco fica ainda mais mestiço com as participações especiais de Dani Lasalvia, Cícero Gonçalves, Katya Teixeira, Ruthe Glória e Socorro Lira. O cedê conta com direção musical dos compadres Levi Ramiro e Ricardo Vignini e pode ser ouvido nas plataformas digital da Napster e Tidal.

O Sesc de São José dos Campos fica na Avenida Adhemar de Barros, 999, Jardim São Dimas, e disponibiliza para mais informações o número de telefone (12) 3904-2000.

Jackson Ricarte ainda tinha 7 anos quando junto com a família deixou a cidade do sertão do Ceará para fixar moradia em São Paulo. Antes de fazer as malas, já ouvia Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro, ídolos cuja paixão passou a dividir com  Tião Carreiro e Almir Sater, dentre tantos outros compositores e cantores, vivendo na nova cidade . O pai percebeu a inclinação do garoto e quando o filho completou 11 anos o presenteou com um violão.

Começava, então, o ciclo artístico que em poucas semanas o levaria a tocar o clássico Boiadeiro Errante,(Teddy Vieira) sua música do panteão caipira predileta. Aos 12 anos, animava bares, praças e gradativamente ganhava o público com seu carisma e talento. Desde muito cedo, portanto, Ricarte assumiu que seria baluarte da música regionalista brasileira e, aos 18, passou a se dedicar ao estudo da viola caipira, simultaneamente abraçando a carreira profissional de músico. Apaixonado pelo instrumento de dez cordas, aprimorou a técnica na Escola de Música do Estado de São Paulo Tom Jobim, com os professores Rui Torneze e João Paulo Amaral.

Neste período, Jackson Ricarte participou como solista da Orquestra Paulistana de Viola Caipira e residiu por um tempo na sede da Orquestra, o Instituto São Gonçalo, onde pôde ter contato com o rico acervo musical e dedicar-se à pesquisas que o levaram a conhecer entre novas influências Dércio Marques, Rubinho do Vale, João Bá, Katya Teixeira, Dani Lasalvia, Fernando Guimarães, Paulinho Pedra Azul, Cicero Gonçalves, Amauri Falabella, Chico Lobo, Pereira da Viola, Levi Ramiro, Socorro Lira, Elomar, Xangai, Vital Farias e Geraldo Azevedo dentre tantos outros menestréis da música regional.

Atualmente participando da Orquestra de Viola Caipira de São José dos Campos como assistente de regência do diretor musical Ivan Vilela, Ricarte também se dedica à arte de ensinar viola caipira na Casa de Cultura Rancho Tropeiro pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo, situada em São José dos Campos. Como educador musical, já lecionou viola caipira no Instituto São Gonçalo, violão popular no Projeto Fábricas de Cultura, Iniciação Musical no projeto Vivencias Musicais na Escola SESI da cidade paulista de Salto, desenvolveu diversas oficinas e palestras de Viola Caipira nas Oficinas Culturais do Estado de São Paulo e em Bibliotecas da Prefeitura de São Paulo.


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947 – Lulinha Alencar e Mestrinho tocam e lançam álbum para Dominguinhos em Sampa

A unidade Pompeia do Sesc da cidade de São Paulo receberá no sábado, 6 de maio, Lulinha Alencar e Mestrinho para lançamento do álbum que ambos gravaram em homenagem a Dominguinhos. ToCantE  reúne em dez faixas criações tanto do cantor e compositor pernambucano que morreu em 2013, como dos próprios Alencar e Mestrinho nas quais estes reverenciam outros mestres que os influenciaram: Chiquinho do Acordeon, Jackson do Pandeiro e Pixinguinha. Richard Galliano, renomado sanfoneiro francês, também subirá ao palco como convidado especial da apresentação, prevista para começar às 21 horas.

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873 – Xangai volta a Sampa para lançar novo álbum, no Sesc Belenzinho

O cantor Xangai voltará a São Paulo para protagonizar duas  apresentações no palco do Sesc Belenzinnho, nos dias 14 e 15, respectivamente às 21 horas e às 18 horas. Xangai é o nome artístico de Eugênio Avelino, baiano de Itapebi (cidade do extremo Sul da B0a Terra, às margens de um dos afluentes do rio Jequitinhonha, o Jundiá) que atinge 40 anos de carreira paralelamente ao momento no qual atua pela primeira vez como ator, escalado pelos autores da novela Velho Chico para ser ao lado de Maciel Melo (Iguaraci/PE) uma das personagens repentistas da trama, também chamado Avelino. Nestes encontros com o público paulistano ele lançará após hiato de nove anos o 17º álbum da discografia, Xangai. Além de canções deste novo trabalho, o repertório que o coloca entre os mais importantes cantadores de xotes, baiões, forrós e outros ritmos por meio dos quais exprime o que há de mais peculiar e belo entre os povos do Norte e do Nordeste deverá vir recheado de  sucessos que ele consagrou como Ai que Saudade d’ Ocê (Vital Farias),  Estampas Eucalol (Hélio Contreiras), Kukukaya (Cátia de França), ABC do Preguiçoso e composições do amigo Elomar Figueira de Melo, do qual é um dos mais próximos intérpretes. Com o menestrel de Vitória da Conquista (BA), Xangai gravou Cantoria 1 e 2, antologia célebre da Kuarup que conta ainda com Geraldo Azevedo e Vital Farias.

O Sesc Belenzinho fica na rua Padre Adelino, 1.000, a uma caminhada leve da estação Belenzinho da Linha 3 vermelha do Metrô. Para mais informações sobre disponibilidade e valor do ingresso há o telefone 11 2076-9700.

xangai avelino

ninguém está vendo

 

 


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835 – Amelinha canta na Vila Formosa e na Mooca (SP) acompanhada por Cláudio Lacerda

A cantora Amelinha (Fortaleza/CE) estará em São Paulo nos dias 25 e 27 de março para protagonizar ao lado de Cláudio Lacerda Pra Seguir um Violeiro, projeto que une artistas que comungam o amor pela música brasileira ligada às suas raízes. Com classificação estaria livre e entradas francas, as apresentações estão marcadas para o Teatro Zanoni Ferrite (Avenida Renata, 163, Vila Formosa) e Teatro Municipal Arthur Azevedo (Avenida Paes de Barros, 955, Mooca), respectivamente as 19 e às 20 horas.

Amelinha é considerada pelo público brasileiro uma das mais queridas cantoras do país já há 40 anos. Neste período construiu uma carreira das mais premiadas e tornou-se uma das prediletas do poeta e compositor Vinícius de Moraes, que além dela sempre convidada para acompanhá-lo também Clara Nunes, Maria Bethânia e Maria Creuza. Pelo menos duas gerações, portanto, já ouvem e cantam de cor sucessos que a consagraram tais quais Frevo Mulher e Mulher Nova Bonita e Carinhosa Faz o Homem Gemer Sem Sentir Dor (ambas do ex-marido Zé Ramalho, a segunda em parceria com Otacílio Batista), além de Foi Deus Que Fez Você (Luiz Ramalho). Esta, por sinal, caso tivesse válido a escolha de boa parte das calculadas 30 mil pessoas presentes ao Maracanãzinho (RJ) em  23 de agosto de 1980, teria sido eleita e não apenas aclamada a vencedora do Festival da Nova Música Popular Brasileira.

Os jurados, entretanto, escolheram naquela noite de sábado Agonia, de Mongol, interpretada por Oswaldo Montenegro, deixando Foi Deus Quem Fez Você em segundo lugar. A repercussão da vice-campeã, gravada em seguida em compacto homônimo e depois reapresentada em Porta Secreta, contudo, renderam a Amelinha Disco Quádruplo de Platina para coroar o feito de mais de 1 milhão de cópias vendidas. Em 1979, Frevo Mulher já tinha permitido a Amelinha levar para a estante o Disco de Ouro que começara a impulsionar a carreira cujo primeiro álbum, Flor da Paisagem, saíra em 1976, sem muito impacto, ainda na esteira de sua excursão pelo Uruguai acompanhando, em 1975, Toquinho e Vinícius de Moraes.

Em 1982, com Mulher Nova Bonita… destacada pela Rede Globo para marcar a abertura da minissérie Lampião e Maria Bonita, Amelinha emplacou o segundo Disco de Ouro. O prestígio crescia e se fortaleceu nos dois anos consecutivos quando saíram o álbum Romance da Lua Lua (1983) e Água e Luz (Tavito / Ricardo Magno) registrada em compacto simples passou a ser das mais pedidas pelos ouvintes em emissoras de rádio por todo o país.

Além de composições de Zé Ramalho, canções em parceria com Fagner, Djavan, Gonzaguinha, Elomar, Geraldo Azevedo e Moraes Moreira passaram a enriquecer a obra de Amelinha até 1994, quando Só Forró, já o décimo disco, a reaproximou da música essencialmente nordestina. Para o repertório do projeto foram selecionadas composições de Luiz Gonzaga e José Fernandes; Gereba e Tuzé de Abreu; Robertinho do Recife e Capinam; Hervé Clodovil; Maciel Melo; João do Vale, Ernesto Pires e Silveira Júnior; Rita de Cássia; Walter Queiróz; e Sérgio Sá, por exemplo, promovidas em releituras de clássicos como Olha pro Céu, Pisa na Fulô, Gemedeira, A Vida do Viajante e Xote pra Lua.

Para suceder Cobra de Chifre (1996), Amelinha (1998) e Vento, Forró e Folia (2002), em 2011 saiu Janelas do Brasil, com temas inéditos e algumas releituras que ela própria já cantara. O projeto, inicialmente, chegou às lojas m formato de álbum, acústico, que Amelinha gravou apenas com o violonista Dino Baroni. Em maio de 2012, entretanto, agora ao lado de Baroni e Emiliano Castro, ganhou uma versão em DVD, ao vivo. As 18 faixas contam com participações de Fagner, Zeca Baleiro e Toquinho e incluem uma irretocável lista de sucessos tais quais Galos, Noites e Quintais (Belchior); Depende e Asa Partida (Fagner/Abel Silva); Sol de Primavera (Beto Guedes/Ronaldo Bastos), Ai quem me dera (que o padrinho Poetinha compôs na casa dela, e que Clara Nunes também gravou), Valsinha (Chico Buarque); Ponta Do Seixas (Cátia de França); O Silêncio (Zeca Baleiro); Légua Tirana (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira); Terral (Ednardo); Água e Luz (Tavito/Ricardo Magno); Felicidade (Chico César/Marcelo Jeneci), Quando Fugias De Mim (Alceu Valença Emannoel Cavalcanti) e, claro, Frevo MulherFoi Deus Quem fez Você; e Mulher Nova….

“Esses 40 anos de chegaram de repente e, olhando para a minha carreira, percebo que valeu a pena, porque tive um olhar que foi muito além do mercadológico, utópico e idealista”, disse Amelinha, que de batismo é Amélia Cláudia Garcia Colares. Nascida em família musical, aos 12 anos ela já formava trio vocal com a irmã Silvia e uma amiga para apresentações em escolas.

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Cláudio Lacerda é paulistano filho de mineiros. Estreou em 2003 ao lançar Alma Lavada e dois anos depois já obtinha como consagração o I Prêmio Rozini Nacional de Excelência da Viola Caipira, promovido pelo IBVC (Instituto Brasileiro de Viola Caipira) como melhor intérprete, feito repetido nas edições 2010 e 2013. Já dividiu palco e faixas de seus discos com Dominguinhos e Renato Teixeira e deu sequência à discografia gravando Alma Caipira (2007), Cantador (2010) e o novíssimo Trilha Boiadeira (2015),  este com canções sobre a atividade de boiadeiro, em parceria e com participações de Adriano Rosa e vários ícones da música de raiz como Neymar Dias, Zé Paulo Medeiros, Teddy Vieira, Almir Sater, Renato Teixeira e Paulo Simões, para marcar os 10 anos do canal Terra Viva.

Trilha Boiadeira será lançado em 15 de abril, no Sesc Pompeia (SP), com as participações de Neymar Dias, Igor Pimenta, Kabé Pinheiro e Thadeu Romano. Além de projetos próprios, Cláudio Lacerda é um dos protagonistas do projeto cultural 4 Cantos com Luiz Salgado (Araguari/MG), Rodrigo Zanc (São Carlos/SP) e Wilson Teixeira (São Paulo/SP).

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Serviço:

Pra Seguir um Violeiro, com Amelinha e Cláudio Lacerda

25/03, 19h – Teatro Zanoni Ferrite 
Avenida Renata, 163, Vila Formosa

27/03, 20h
Teatro Municipal Arthur Azevedo 
Avenida Paes de Barros, 955, Mooca

Entrada franca em ambas as datas


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828 – País lamenta perda de Naná Vasconcelos (PE), eleito oito vezes o melhor percussionista do mundo

Pernambuco vive desde o fim da manhã de hoje, 9 de março, luto oficial de três dias em respeito ao percussionista Naná Vasconcelos, que morreu em decorrência de complicações de um câncer de pulmão, no hospital de Recife onde convalescia desde 29 de fevereiro. Naná Vasconcelos sofreu parada respiratória por volta das s 7h40. Amigos e familiares velarão o corpo na Assembleia Legislativa de Pernambuco antes do sepultamento, marcado para as 10 horas da quinta-feira, 10, no Cemitério de Santo Amaro.

Assim que o esquife chegou ao prédio da Casa Legislativa foi recepcionado por amigos e familiares, entre os quais se encontravam a viúva, Patrícia Vasconcelos, e a filha do casal, Luz Morena. O grupo Maracatu Nação Porto Rico protagonizou homenagem ao percursionista, considerado símbolo da união dos maracatus de Pernambuco. ‘‘Toque o tambor que Naná chegou/ Todas as nações vêm saudar nesse carnaval”, ouvia-se entre outros versos entoados pelo grupo, liderado por Chacon Viana. “Naná deixava bem claro que não tem mestre, nem ninguém melhor, o mestre é só o do céu. Com seu papo pé no chão, conseguia que as nações do estado se unificassem e se tornassem uma só. Ele tinha uma coisa que Deus que deu. Ele não precisava se sacrificar tanto, ele já tinha nome”, disse Chacon Viana.

“Naná Vasconcelos partiu fazendo música no quarto do hospital nos últimos dias de vida”, afirmou Patrícia Vasconcelos. “Ele vivia a música, respirava a música”, complementou a ex-mulher. “Todo momento que falava sobre isso se sentia melhor”.  A viúva ainda observou que o ex-marido “espalhou muito amor e muita música pelo mundo todo”. Assim, para ela, “essa é uma perda material, mas a música e a humildade dele como lição, além de respeito ao próximo, ficarão”.

 A mulher de Naná Vasconcelos ainda enfatizou a obra dele em prol de crianças, mas que beneficia também outras faixas etárias. “Como músico, o trabalho que ele fazia com crianças se transporta para todas as idades. Era uma missão de vida se preocupar com o futuro de crianças que moravam na rua e que tinham problemas de deficiência.” 

Uma das coroas de flores destacou a inscrição “Amém e amem”, que, de acordo com o contrarregra de Naná Vasconcelos, Edelvan Barreto, era a mensagem que o músico gostaria de ver postergada. “Amém e amem ele compôs da primeira vez que se internou, no ano passado”, afirmou o amigo. “Essa música deve se propagar em toda a humanidade nesse mundo perturbado que vivemos hoje.”

Além de decretar o luto oficial, o governador Paulo Câmara divulgou a seguinte nota:

“Pernambuco acordou triste. O silêncio causado pelo desaparecimento de Naná Vasconcelos em nada combina com a força da sua música, dos ritmos brasileiros que ele, como poucos, conseguiu levar a todos os continentes. Naná era um gênio, um autodidata que com sua percussão inventiva e contagiante conquistou as ruas, os teatros, as academias”

A morte de Naná Vasconcelos também consternou parceiros de estrada, tais quais os conterrâneos  Lenine e Alceu Valença, e Gilberto Gil. Marcelo Melo, da banda Quinteto Violado, declarou que convivia com Naná Vasconcelos desde a década dos anos 1960. “Tínhamos um quarteto vocal, o Bossa Norte. Naná era uma pessoa muito querida, muito amiga. Eu assumi o Quinteto e ele, a vida dele. Eu tinha muito carinho por ele e era um talento muito grande”.

Nana Vasconcelos 2

Naná Vasconcelos abriu durante 15 anos o Carnaval do Recife, mantinha projetos sociais nos quais a música é veículo de inserção e no mundo inteiro era aclamado como mestre percussionista, inclusive por B.B.King (Foto: Prefeitura do Recife)

Apelido é herança de avó

Naná Vasconcelos passara quase um mês no mesmo hospital de Recife, em 2015, quando o câncer que o acometeu foi diagnosticado, apenas um ano após exames gerais que nada haviam detectado em seu organismo. Quando recebeu alta, em agosto, discorreu sobre o desafio de enfrentar a doença, demonstrando fé. ‘Tenho de enfrentar com força, pensamento positivo. E vou enfrentar com o pensamento de que vou chegar lá”.

Assim, mesmo em tratamento que incluiu sessões de quimioterapia e de radioterapia, por 40 dias, manteve a agenda e não largou dos tambores e dos berimbaus Entre os compromissos que honrou abrilhantou a abertura do Carnaval do Recife, no Marco Zero, neste ano, puxando cordão formado por mais de 400 batuqueiros. Ainda durante a folia, dividiu o palco com o Clube Carnavalesco Misto Pão Duro, grupo centenário homenageado no carnaval do Recife, com o Maracatu Nação Porto Rico, também celebrado, e com os cantores Lenine e Sara Tavares, de Cabo Verde.

Naná era apelido, perpetuado por uma das avós do então menino Juvenal de Holanda Vasconcelos, desde muito cedo apaixonado pela vibração das batidas que o levaram a adotar o ofício de percursionista. Na década dos anos 1960,  transferiu-se do Recife para o Rio de Janeiro e na Cidade Maravilhosa gravou, de saída, dois discos com Milton Nascimento. Depois, com o amigo Geraldo Azevedo, em São Paulo, participou do Quarteto Livro, que acompanhou Geraldo Vandré no Festival da Canção.

A obra de Naná Vasconcelos disseminou-se fora e dentro do Brasil e trouxe, gradativamente, respeito e fama. Integrante do grupo Jazz Codona, com o qual lançou três discos, chegou a gravar com B.B. King, com o violinista francês Jean-Luc Ponty e com a banda Talking Heads, liderada por David Byrne, um dos grupos precursores do movimento new wave. Por aqui, além de Milton Nascimento, seguia a bater bola com Caetano Veloso, Marisa Monte e Mundo Livre S/A, entre outros expoentes com os quais mantinha parcerias. A marca de Naná de Vasconcelos também está em trilhas sonoras para filmes nacionais e norte-americanos e, por oito vezes! revistas especializadas em música nos Estados Unidos o elegeram “o melhor percussionista do mundo”.

A fama não o envaideceu, pois Naná Vasconcelos acreditava que por meio da música poderia transformar e melhorar a vidas. Assim pensava, assim agia: encabeçava projetos sociais como o Língua Mãe, acolhendo crianças da América do Sul, da Europa e da África, ao passo que, paulatinamente, inseria a música no cotidiano das comunidades carentes do Recife como forma de incentivo à educação e cultura.

Como mestre carnavalesco, a contribuição de Naná Vasconcelos perdurou por pelo menos 15 anos, período no qual o primeiro grito sempre era dele, colocando em marcha  doze maracatus, 600 batuqueiros e o coral Voz Nagô, com ponto alto sempre às sexta-feiras. O que sempre se vê nestes dias nas ruas de Recife é o público rendendo-se à beleza e à euforia para acompanhar um dos mais coloridos e vigorosos espetáculos populares que o Brasil oferece. Em 2017, quem puxará os foliões?

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