Barulho d'Água Música

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959 – Expoentes paulistas da viola caipira se encontram no Casarão Cultural de Barão Geraldo (SP)

O Centro Cultural Casarão de Barão Geraldo reservou quatro datas do comecinho do mês de junho para promover o I Casarão das Violas, apresentações que levarão ao local expoentes paulistas de variadas vertentes do instrumento de dez cordas. A primeira atração também será mais uma rodada do premiado projeto Dandô Circuito de Música Dércio Marques, que neste ano atravessa a quinta temporada. Em 8 de junho, o anfitrião João Arruda receberá Rodrigo Zanc, cantador de Araraquara residente na vizinha São Carlos. No dia seguinte, 9, o contador de causos radicado em Campinas Paulo Freire levará ao público o show O Violeiro descoberto. Para o sábado, 10, está escalado o grupo sul-mineiro Vento Viola que, na bagagem, trará para lançamento o segundo álbum da trajetória, Em Nome do Vento. Nestes três dias, as apresentações começarão às 20 horas. Já no domingo, 11, o grupo Catira de São Gonçalo abrirá os trabalhos às 18 horas. Uma hora depois, Levi Ramiro e Jackson Ricarte, de Pirajuí e São José dos Campos, vão se revezar ao microfone para encerramento do projeto.

O Centro Cultural Casarão está localizado na rua Maria Ribeiro Sampaio Reginato, sem número, na altura do KM 15 da Estrada da Rhodia (sentido Paulínia). Não há cobrança de entrada e a colaboração para o “chapéu” que ajuda a manter as atividades do Casarão, passado sempre ao final dos espetáculos, é espontânea.

Sobre as atrações

Rodrigo Zanc além de tocar gosta de pesquisar a viola brasileira e suas influências, há mais de 20 anos vem lutando incansavelmente e sem concessões pela manutenção e propagação da cultura ligada ao instrumento. Em nome desta bandeira, já participou de vários festivais, dentre eles o Viola de Todos os Cantos, da EPTV – Rede Globo, e chegou às finais de 2005 e de 2007. Em 2006, lançou Pendenga, o primeiro CD. Em 2010, foi à Europa divulgar seu trabalho. Em 2013, produziu Fruto da Lida, selecionado para o 26º Prêmio da Música Brasileira. Pelo segundo ano no Dandô, Rodrigo Zanc também está à frente do projeto Viola para Dominguinhos (que retomará no segundo semestre) e integra o projeto 4 Cantos,  que ele e Cláudio Lacerda (Botucatu/SP) mantém desde 2011 juntamente com Luiz Salgado (Patos de Minas/Araguari-MG) e Wilson Teixeira (Avaré/SP).

O cantor, compositor e multi-instrumentista João Arruda, natural de Campinas (SP), possui destacado talento para tocar violas e instrumentos de percussão. Declara-se trovador apaixonado pela cultura e tradições populares e vem ganhando elogios como artista comprometido com a valorização e a criação de temas e canções da cultura popular brasileira e da América Latina. Além de músico, é produtor fonográfico. Sua obra pode ser encontrada em mais de 15 álbuns nos quais aparece como artista, convidado ou produtor. É constantemente requisitados para festivais, programas de rádio e emissoras de televisão e assina diversas trilhas sonoras para espetáculos, documentários e filmes. A trajetória musical inclui turnês por Brasil e exterior; com o grupo de Pífanos Flautins Matuá integrou o projeto Samarro’s Brazil realizando concertos na França e na Itália; já percorreu Argentina, Bélgica, Inglaterra e o País Basco com seu concerto Entre Violas e Couros. É idealizador e curador do projeto musical Arreuní, que promove encontros com diversos artistas brasileiros e convidados estrangeiros. Em 2007 lançou Celebrasonhos. Seu mais recente disco solo é Venta Moinho (2013), mas já está preparando o terceiro “filho”, Entre Violas e Couros, apenas com canções autorais gravadas ao vivo.

Paulo Freire é de São Paulo, mas fixou-se em Campinas. A surpreendente e inesgotável capacidade de contar causos, bem como o modo peculiar de tocar viola (este blogue já testemunhou ocasiões em que, inclusive, colocou-a com o tampo inferior voltado para o público, tocando as cordas, portanto, com os dedos invertidos, ou de costas) são resultantes de sua incursão ao sertão de Urucuia, região situada no noroeste de Minas Gerais, onde teve contato com valores da tradição rural e bebeu nas fontes onde Guimarães Rosa ambientou o consagrado romance Grande Sertão: Veredas. Além de músico com viagens a vários centros da Europa carimbadas no passaporte, é escritor e entre outros já dividiu trabalhos com Arnaldo Antunes, Mônica Salmaso, Luiz Tatit, Isa Taube, Cida Moreira e Ivan Vilela.

O  grupo sul-mineiro de Itajubá Vento Viola, reúne Clayton Roma César DameireLúcio Lorena e Aidê Fernandes. Em nome do Vento chegou em dezembro de 2016 e sucede Viola de Todos os Cantos (2000), que conta com a participação do violeiro Levi Ramiro e é considerado entre os amantes da música regional e caipira uma verdadeira relíquia por não dispor mais de cópias. Em Nome do Vento reúne 13 faixas e conta com as participações em três delas de Ronaldo Chaplin (Cheiro de Minas), João Lúcio (Amo Minas) e Adriano Rosa (Pinho e Violeiro).”

Nascido do encontro de violeiros, catireiros e foliões de reis durante encontro casual no Centro de Cultura Caipira e Arte Popular de Campinas, o grupo Catira de São Gonçalo completou o primeiro aniversário em 21 de maio.

Levi Ramiro brotou em Uru, situada na mesorregião de Bauru, e atualmente reside e em Pirajuí. Neste recanto, quando não está percorrendo a estrada ou pescando (hábito que por anos manteve em companhia do inseparável cão Pitoco, que recentemente partiu antes do combinado) também desempenha o ofício de luthier. Violeiros como Fabrício Conde (Juiz de Fora/MG) e João Arruda (Campinas/SP) tocam instrumentos feitos por Levi Ramiro, mas ele começou a carreira, inicialmente, dedicando-se ao violão popular. Somente na década dos anos 1990 quedou-se pela viola caipira. Passou, então, a absorver e a trazer em suas dez cordas todo o universo cultural que forma suas raízes. Com base em valores da cultura caipira e misturando elementos que formam a música brasileira, Levi Ramiro compõe poeticamente a simplicidade da vida interiorana e já gravou nove álbuns, o mais recente intitulado Purunga.

Jackson Ricarte ainda tinha 7 anos quando junto com a família deixou a cidade de Senador Pompeu (CE) para fixar moradia em São Paulo. Antes de fazer as malas, já ouvia Luiz Gonzaga e o xará Jackson do Pandeiro, ídolos cuja paixão passou a dividir com  Tião Carreiro e Almir Sater, dentre tantos outros compositores e cantores, vivendo na nova cidade. O pai percebeu a inclinação do garoto e quando o filho completou 11 anos o presenteou com um violão. Começava, então, o ciclo artístico que em poucas semanas o levaria a tocar o clássico Boiadeiro Errante (Teddy Vieira) sua música do panteão caipira predileta. Aos 12 anos, animava bares, praças e gradativamente ganhava o público com seu carisma e talento. Desde muito cedo, portanto, Ricarte assumiu que seria baluarte da música regionalista brasileira e, aos 18, passou a se dedicar ao estudo da viola caipira, simultaneamente abraçando a carreira profissional de músico. Apaixonado pelo instrumento de dez cordas, aprimorou a técnica na Escola de Música do Estado de São Paulo Tom Jobim, com os professores Rui Torneze e João Paulo Amaral. Neste período, Jackson Ricarte participou como solista da Orquestra Paulistana de Viola Caipira e residiu por um tempo na sede da Orquestra, o Instituto São Gonçalo, onde teve contato com rico acervo musical e dedicou-se a pesquisas que o levaram a conhecer entre novas influências Dércio Marques, Rubinho do Vale, João Bá, Katya Teixeira, Dani Lasalvia, Fernando Guimarães, Paulinho Pedra Azul, Cicero Gonçalves, Amauri Falabella, Chico Lobo, Pereira da Viola, Levi Ramiro, Socorro Lira, Elomar, Xangai, Vital Farias e Geraldo Azevedo dentre tantos outros menestréis da música regional. Neste ano lançou o primeiro álbum, Estrada Afora

Sobre o Circuito Dandô

Ao idealizar o Dandô Circuito de Música Dércio Marquesa cantora, compositora e pesquisadora paulistana de cultura popular Katya Teixeira pretendia fomentar a circulação de música de qualidade inquestionável por todo o Brasil, reunindo artistas de várias regiões, e, assim, além de criar intercâmbios, gerar novas plateias. Quem já se apresentou possui trabalhos reconhecidos e merece melhor projeção no panorama nacional, o que proporcionaria às pessoas acesso a outras linguagens e propostas produzidas fora da “grande mídia”.  Um artista sai de cada cidade e passa por todos os pontos do circuito, girando a roda de forma contínua. Cada edição conta sempre com uma atração do local recebendo e abrindo o espetáculo para o convidado, em shows de aproximadamente noventa minutos. Ao final, um bate-papo entre artistas e plateia fecha a apresentação.

O público de várias cidades de São Paulo, do Paraná, de Santa Catarina, do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, de Goiás, de Pernambuco e do Distrito Federal já prestigiou shows da caravana, que neste ano chegará a Portugal, Argentina, Chile e Uruguai.

O objetivo de Katya Teixeira é, ainda, tornar popular o nome de Dércio Marques e seu inestimável legado não apenas para a música, mas para toda a cultura brasileira. Mineiro de Uberaba, Dércio Marques morreu em julho de 2012, em Salvador (BA), deixando como maior legado uma grande escola que transcende a composição musical e poética e propõe, ainda, uma postura mais íntegra e solidária de viver, voltada tanto para a preservação da natureza, quanto para o aprimoramento espiritual de cada indivíduo, sem deixar de lado o engajamento político e social. 

O Dandô recebeu em dezembro de 2014 o Prêmio Brasil Criativo na categoria Artes de Espetáculo/Música, no Auditório Ibirapuera (SP). Promovido pelo Ministério da Cultura, pelo Projeto Hub e pela 3M, o Brasil Criativo contemplou 22 projetos  perante um público de mais de 800 pessoas. 

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839 – Três mestres e um pupilo inquieto promovem roda de cantoria em Barão Geraldo, distrito de Campinas (SP)

Mais do que um show, um descontraído encontro entre três mestres cantadores e um jovem artista e pesquisador que, juntos, no palco e no dia a dia, sempre celebram a união entre a sabedoria do mais velho e a inquietude do mais novo. Assim está sendo apresentada a 1ª Roda de Mestres entre poetas e brincantes populares que reunirá nesta sexta-feira, 1º de abril, Sinhá Rosária (80 anos, Campinas/SP), João Bá (82 anos, Crisópolis/Bahia), Tião Mineiro (72 anos, Boa Esperança/Minas Gerais) e João Arruda (29 anos, Campinas/ SP), prevista para começar às 20 horas, no Espaço Cultural Casarão do Barão, situado em Barão Geraldo, e que não terá cobranças de ingresso. 

A cantoria deriva dos trabalhos de direção musical que João Arruda empreendeu para produção dos álbuns autorais Acordar com os Passarinhos, de Tião Mineiro (2012), Cavaleiro Macunaíma, de João Bá (2013) e Eu sou Sinhá, de Sinhá Rosária (2015). Por meio de suas músicas e de suas histórias cada artista da roda nos levará a uma paisagem diferente, revelando universos culturais e existenciais particulares. Sinhá Rosária embalará a plateia por meio do samba de bumbo e do samba de lenço paulista, Tião Mineiro resgatará giros presentes em Folias de Reis e os temas das modas de viola caipira, enquanto João Bá oferecerá a poética encantada dos sertões nordestinos e do Norte de Minas Gerais. Assim, por meio da arte de cada um, os três partilharão sabedorias e conhecimentos ao mesmo tempo que espalham a mais leve alegria anciã.

João Arruda entra em cena munido de violas, violão e instrumentos de percussão. Com sua peculiar  descontração, o jovem músico deixa irrecusável o convite ao embarque para um passeio pelas águas que formam estes três grandes rios, ao passo que  costura o repertório que concentra e revisita várias das mais ricas tradições da cultura popular do Brasil. 

sinhá rosaria medalhaSabedoria que serena, alegria libertadora

Sinhá Rosária é cantora e compositora popular de Campinas, cofundadora do grupo Urucungos, Puítas e Quijengues, criado por Raquel Trindade, filha do poeta Solano Trindade, na Universidade de Campinas. Sinhá preserva e divulga cantos, ritmos e danças do samba de bumbo campineiro, samba de lenço rural paulista, jongo, coco, maracatu, samba de roda, bumba meu boi, baião, lundu entre outros. Celebrando 80 anos de vida, em 2015 lançou Eu sou Sinhá (FICC 2014), sob direção musical do violeiro João Arruda. Os gestos e palavras de Sinhá trazem a humildade rara daqueles que muito sabem. Seu canto convida a serenar, a ouvir o chamado das boas madrugadas, a vestir camisa de folha e calça de cipó, a sambar no terreiro, a pegar na enxada e abrir as portas de qualquer tipo de cativeiro com a força da alegria e da amizade.

 

 

sinha rosariaMestre-griô de sorriso maroto

Tião Mineiro é violeiro, cantor, compositor e mestre-embaixador de Folia de Reis da Companhia de Reis Azes do Brasil, formada há mais de 20 anos em Campinas. Nascido em Boa Esperança (MG), aprendeu com o pai as mais variadas tradições da cultura caipira e, em 2009, foi escolhido pelo Ministério da Cultura como Mestre-griô de Campinas, tornando-se guardião das tradições. Lançou em 2013 Acordar com os passarinhos (FICC 2012), gravado e dirigido por João Arruda, álbum que oferece uma viagem no tempo e no espaço da alegria, do encantamento e do sagrado com músicas que nos fazem silenciar. E é justamente isso que Tião Mineiro, com sorriso maroto e discurso firme, ensina: a força da fé, da amizade, da solidariedade e da alegria.

 

 

Dejoão bá medalhasde pequeno, forte e poeta

João Bá é poeta, ator, compositor e cantador. Tem oito álbuns gravados, todos eles de composições autorais, sendo o  mais recente Cavalheiro Macunaíma (PROAC 2012) sob direção musical de João Arruda e Levi Ramiro. Muitas de suas mais de duzentas músicas mereceram elogios e gravações por cantores que são referências no cenário musical brasileiro tais como Hermeto Paschoal, Almir Sater, Diana Pequeno, Dércio Marques, Doroty Marques, Rubinho do Vale e Marlui Miranda. “Quando caiu o meu primeiro dente, o pai disse assim: você já pode trabalhar, menino!”. E foi trabalhando no sertão da Bahia que João Bá aprendeu a observar a natureza e, ainda guri, começou a escrever e compor. Mais tarde, saiu do sertão e percorreu outros cantos do país, sempre de olhos e ouvidos atentos à diversidade cultural e à exuberância da natureza. Pesquisador da cultura popular brasileira, João Bá traz nas suas poesias e nas suas melodias um canto de resistência e de reverência às causas ambientais, um jeito simples de louvar a terra, a vida, o respeito à história e à memória de nossa cultura.

 

arrudinha medalha

Comprometimento e diversidade

Músico, cantor, percussionista, violeiro e produtor fonográfico,  mesmo já tendo legado importantes contribuições artísticas para o país, João Arruda também é rio dos mais caudalosos e pelo qual muita água boa ainda correrá devido ao seu comprometido com a valorização e a recriação de temas e canções da cultura popular brasileira, bem como de outros países. Sua diversificada obra enriquece mais de 15 álbuns nos quais atuou como artista convidado e produtor. Participou de mostras, festivais e programas de rádio e TV além de compor diversas trilhas sonoras para espetáculos, documentários, mostras e filmes. Sua trajetória inclui turnês pelo Brasil e exterior. Com o grupo de Pífanos Flautins Matuá Integrou o projeto Samarro´s Brazil realizando shows na França e Itália. Em trabalho solo, percorreu Argentina, Bélgica, França, Inglaterra e País Basco promovendo o show Entre violas e couros.  É idealizador e curador do projeto musical Arreuní, que promove encontros mensais com diversos artistas brasileiros e convidados estrangeiros. Em 2007  gravou o Celebrasonhos e seu mais novo trabalho solo é Venta Moinho, lançado em 2014.

O Centro Cultural Casarão do Barão fica na rua Maria Ribeiro Sampaio Reginato, s/nº, defronte ao bairro Vila Holândia, em Barão Geraldo, com entrada na altura do Km 15 da Estrada da Rodhia. Para mais informações há o telefone (19) 3287-6800

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