1085 – Canção do Amor Distante, de Ana Salvagni e Eduardo Lobo, celebra os sentimentos presentes na saudade

Disco gravado em 2016 rememora canções clássicas de autores como Tom Jobim, Dominguinhos & Anastácia, Paulo César Pinheiro, Adoniran e Elomar
Marcelino Lima

A redação do Barulho d’água Música, caso fosse o estúdio de uma emissora de rádio, só tocaria boa música, pois, diariamente, baixam em nosso boteco, enviados de várias partes do Brasil, álbuns excelentes. O mais recente e que estamos tocando agora é Canção do Amor Distante, que Ana Salvagni e Eduardo Lobo lançaram em 2016. O amor ausente deixa saudade e melancolia e é tema universal e atemporal encontrado em todas as formas de criação artística. A nostalgia, o amor e a tristeza presentes na “saudade” são elementos propulsores para o artista que, por meio de sua criação, pode dar forma e vazão a estes sentimentos que o atormentam, ainda que, muitas vezes, a canção gerada não seja, necessariamente, triste. Na canção popular brasileira o amor distante é cantado desde sempre, vestido de roupagem diversa, tantas vezes com leveza, despojamento, lirismo e refinamento. Além disso, o tema é valorizado pela grande riqueza melódica, rítmica e harmônica das composições, ao longo de todo esse tempo.

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1044 – Morte de Índio Cachoeira silencia os ponteios de um mestre que fugia de casa para ficar perto das violas

Músico querido por ex-alunos e ex-parceiros não resistiu às sequelas de um acidente de trânsito que sofreu em Alfenas (MG), onde o corpo foi sepultado após homenagens de entidades locais e da Prefeitura 

Marcelino Lima, com o blogue Brasil Festeiro, Primeira Página (São Carlos), Cidade Escola Alfenas e Graciela Binaghi

 

O universo da viola caipira mineiro, paulista e nacional está de luto, dos mais sentidos, desde quarta-feira, 4 de abril, quando — conforme costuma dizer Rolando Boldrin em momentos tristes como estes – bem antes do combinado foi se embora para outro Plano José Pereira de Souza, com apenas 65 anos! Pelo nome de pia, talvez o conheciam apenas os mais chegados, familiares e amigos que juntou enquanto esteve entre nós. O nome artístico, entretanto, o levou à fama que apenas poucos Josés conseguem alcançar — ainda mais no boicotado meio em que resolveu nos brindar com seu talento e virtuosismo. Estamos falando de Índio Cachoeira, agora mais uma estrela na constelação na qual já brilham, ora, sim senhor, Tião Carreiro, Gedeão da Viola, Angelino de Oliveira, Raul Torres, Renato Andrade, José Fortuna, Helena Meirelles, se não todos violeiros, com certeza ícones de tradições e de uma cultura que formam o perfil brasileiro; se fossemos fazer uma comparação com ídolos do círculo dos mais cotados da MPB ou de outras vertentes brasileiras, Índio Cachoeira seria, por exemplo, um artista da primeira linha, não menos que João Gilberto, Toquinho ou Guinga.

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1034 – Tavinho Moura recebe amigos e lança no Clube da Esquina (MG) O Anjo na Varanda

O 18° álbum do mineiro de Juiz de Fora traz safra singular de canções de um dos mais originais e sofisticados compositores do Brasil

Marcelino Lima, com Dubas Música

O cantor, compositor, escritor e fotógrafo Tavinho Moura, um dos mais aclamados violonistas e violeiros do país, lançou no dia 10 de março o décimo-oitavo álbum da carreira em apresentação concorrida que levou amigos e fãs ao templo sagrado da música mineira, o Museu do Clube da Esquina, em Belo Horizonte (MG). O Anjo na Varanda, lançado pelo selo Dubasdá sequência à premiada carreira iniciada com Como Vai Minha Aldeia, há 40 anos.

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996 – Juliana e João Paulo Amaral apresentam “Açoite” como atração do Composição Ferroviária em Poços de Caldas (MG)

A voz marcante de Juliana Amaral e a viola vigorosa de João Paulo Amaral serão atrações neste domingo, 10 de setembro, em Poços de Caldas, cidade do Sul de Minas Gerais. Os irmãos levarão ao público que prestigia o projeto Composição Ferroviária o espetáculo Açoite, baseado no nome do quarto álbum de Juliana (selo Circus) disco de 2016 cuja direção musical e arranjos couberam a João Paulo. Marca registrada em todas as edições do projeto Composição Ferroviária, o show de abertura sempre é reservado a músicos locais e começa às 10 horas, no pátio da estação da antiga rede Mogyana. Para esta nova rodada, os produtores Wolf Borges e Jucilene Buosi convidaram Jesuane Salvador, intérprete que  oferecerá à plateia um repertório que contempla da MPB ao Jazz.

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970 – Patrícia Lopes leva ao Jazz B show inspirado em poemas de amor e dedicados ao universo feminino, de Fernando Pessoa

A pianista e compositora Patrícia Lopes protagoniza O Feminino em Pessoa, espetáculo que aborda a paixão amorosa por meio de músicas inspiradas em poemas do consagrado português Fernando Pessoa que poderá ser apreciado em 11 de julho, a partir das 21 horas, no palco do Jazz B, em São Paulo. Sem contar os próprios textos de um dos mais admirados poetas de todos os tempos, o autor que viveu entre 1888 e 1935 destaca-se na literatura universal pela construção de heterônimos aos quais deu vida tal qual o trio Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, dotados de personalidades e estilos distintos. A síntese da obra do lisboeta e deste conjunto de notáveis múltiplos dele é qualificada por rara sensibilidade e faz soarem vozes e modos diversos de percepção do mundo que trazem à tona o que pode haver de mais recôndito na alma humana — sentimentos, desejos, emoções e temas entre os quais o amor e as peculiaridades femininas são dos mais recorrentes. No show, Patrícia Lopes também mostrará composições inéditas, feitas especialmente para esta apresentação e contará com as participações da portuguesa Sofia Vitória (que vem ao Brasil para breve temporada, recitando poemas), de Ana Luiza (vocais), de Paula Pires (clarinete) e de Sebastian Ruiz (viola de arco).

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957 – Selo Sesc disponibiliza primeiros 16 álbuns do catálogo para audição por streaming

Quem curte os álbuns fonográficos do Selo Sesc já pode acessar parte do catálogo por meio de plataformas como Spotify, Deezer, Apple Music, Google Play Music, e Napster. O primeiro lote reúne 16 títulos entre os quais No Voo do Urubu, de Arthur Verocai; A Saga da Travessia, de Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz; Com Alma, da Banda Mantiqueira; Virgínia Rosa Canta Clara, de Virgínia Rosa; e Café no Bule, de Zeca Baleiro, Naná Vasconcelos e Paulo Lepetit. Doravante, os lançamentos também serão liberados para os servidores de streaming e a promessa do Sesc é que até dezembro todos os discos já lançados desde 2004 estejam disponíveis.

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904 – Carol Saboya lança Carolina, álbum que considera o trabalho que mais mostra suas influências  

O nome Carolina tem origem alemã e significa “mulher forte, cuidadosa e amorosa”. A cantora Carol Saboya nem sabia disso quando resolveu escolher esse título, o próprio nome de batismo, para o 12º álbum da carreira. Mas gostou da coincidência, pois além do nome afirmar o quanto há de pessoal nesse disco, também ela se sente uma mulher assim depois dessas duas décadas de estrada: “De todos os meus discos, Carolina é o que mais demonstra minhas influências. Só fui perceber isso depois de escolher as músicas. Aí, vi que não existia nome mais apropriado para denominá-lo”.

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781-Caixa Cultural promove “A Dama e o Maestro”, quatro concertos de voz e piano em celebração aos 462 anos de Sampa

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André Mehmari e Mônica Salmaso serão atração do projeto em 21 de janeiro (Fotos: Glauker Bernardes)

A Caixa Cultural de São Paulo promoverá entre 21 e 24 de janeiro concertos durante os quais uma consagrada cantora subirá ao palco acompanhada por um às do piano. As rodadas do projeto A Dama e o Maestro estão programadas para começar às 19h15, sem cobrança de ingresso. Todas as apresentações transcorrerão na Praça da Sé, 111,  e integram atividades comemorativas aos 462 anos de fundação da capital paulista, em 25 de janeiro. “Dama e o Maestro foi concebido com o intuito de proporcionar ao público refinados encontros entre mestres pianistas brasileiros e grandes intérpretes, musas inspiradoras para os elaborados arranjos criados especialmente para os espetáculos que celebrarão o que há de mais sofisticado na música popular brasileira”, declarou Vander Lopes, coordenador geral.

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759 – Após 38 atrações, entre as quais o Conversa Ribeira, projeto Imagens do Brasil Profundo (SP) entra em recesso

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O Conversa Ribeira, trio formado  desde 2002 por Andrea dos Guimarães (voz), Daniel Muller (piano e acordeom) e João Paulo Amaral (voz e viola caipira) foi atração de encerramento da segunda temporada do Projeto Imagens do Brasil Profundo e se apresentou na quarta-feira, 9, no palco do auditório Rubens Borba de Moraes da Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. Iniciativa do professor de Sociologia Jair Marcatti, o projeto Imagens do Brasil Profundo estará de volta em 13 abril, e as rodadas em 2016 ocorrerão sempre às quartas-feiras, às 20 horas, com entrada franca.

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739 – Vânia Bastos reedita show que interpreta obra de Caetano Veloso e começa turnê nacional lotando duas noites o Sesc Ipiranga

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Vânia Bastos gravou as canções que canta no show em 1992, mas Caetano Veloso tem um obra atemporal que com a força e beleza da interpretação dela fica ainda mais valorizada e  presente na memória afetiva dos fãs… de ambos! (Fotos acima, no destaque e abaixo: Altiery Monteiro)

Aos fãs de Caetano Veloso, duas boas notícias: o repertório dele está sendo carinhosamente cultivado por uma das cantoras cuja voz está entre as mais marcantes de todos os tempos: Vânia Bastos! Segue, agora, a manchete que estamparemos em nossa capa: Vânia Bastos percorrerá o país para relembrar as onze músicas do álbum Vânia Bastos – Cantando Caetano (gravado em 1992), mescladas a outras composições do autor de Alegria, Alegria e de Grafitti, inclusive sucessos lançados depois do antológico disco. Atentem, por fim, à legenda da matéria especial: com direito à lotação máxima do Sesc Ipiranga (SP), tanto no sábado, 21, quanto no domingo, 22, a turnê já começou!

O Barulho d’água Música acompanhou a segunda apresentação de Vânia Bastos às margens do riacho e concluiu: assim como de uma flor ou do voo de pássaro que estamos “carecas” de ver é possível extrair um haicai, dependendo de como se olhar para eles, uma obra supostamente “esgotada” — posto que já amplamente conhecida e divulgada — pode gerar novos encantamentos sim, sobretudo se interpretada com brilho nos olhos, com a generosidade de quem sentiu o doce e o sal presentes em cada verso e o canta como se fosse seu, usando os melhores recursos artísticos que possui — sem esticar a canção além do tempo, sem nenhum lá-ia-lá-iá ou agudo sobejante; até as caras e bocas e breves coreografias que Vânia Bastos protagoniza como complemento às letras acabam devidamente encaixadas, por fim rimam com a densa e sutil obra que, mais do que interpretar, ela traz, traduz e transmite.

A um recado em cada canção de Caetano neste repertório de Vânia Bastos. Pode ser uma declaração de amor ao próximo, a alguém ou a si próprio, pode ser um convite a carnavalizar a vida ou um modo sutil de sacar a natureza que ela captou e ao seu modo comunica ora apenas semi articulando os lábios — para que deles flua quase em um sussurro e se diga causando e sentindo-se o arrepio “tome esta canção como um beijo!” –, acolá abrindo os braços, voando, super bacana, como quem interroga e convida: “eu vou, por que não, por que não?” 

Em Vânia Bastos -Cantando Caetano há, enfim, muito mais tesão do que tensão, sai contemplado quem veste as cores da tropicália, quem assiste novela (pode ser sociologicamente ou não!), quem de bobeira cruzava as avenidas e resolveu: vou ao teatro! E se não há demasiadas palavras, sobra sobriedade sem que o show escorregue no previsível, para o que contém de trivial não fique sem o tempero adequado e o acarajé frite insosso.

Vânia Bastos entra em cena emoldura ou iluminada por uma caprichada iluminação que ao variar tons e intensidades também consegue dialogar com as sutilezas de cada canção e explora, ainda, muito bem, sua presença de palco. Com direção artística de Fran Carlo, musical de Ronaldo Rayol e produção executiva de Petterson Mello, o trio Moisés Alves (piano), Eric Budney (baixo) e Nahame Casseb (bateria) a acompanha a maior parte do tempo desta viagem poética que atravessa de Sampa a Santo Antônio da Purificação recordando a bordo do Trem das Cores Trilhos Urbanos, No Dia Em Que Eu Vim Me Embora, O Leãozinho, Louco por Você, Este Amor e, cerejas do bolo: Peter Gast e Luz do Sol.

As interpretações de Peter Gast e Luz do Sol, por sinal, acabam forçando um obséquio: se quem ouve Vânia Bastos interpretar Paulista, de Eduardo Gudin, mal pensa em quem seria o pai da obra, Caetano Veloso que nos perdoe, compreenda e, elegante como, é deixe por escrito, registrado em cartório — assim como já devem ter feito Aldir Blanc e Guinga em Choro pro Zé (que está no álbum dela Diversões não eletrônicas): “sou o autor intelectual de ambas as canções, mas as concebi pensando em dar todos os méritos delas à Vânia Bastos!” A artista, é claro, não pretende ou precisa se apropriar de nada, pavimentou sua própria trajetória, pelos próprios méritos, desde a boa vanguarda paulistana da turma do Arrigo, do Nego Dito, da Tetê e da Suzana, entre outros, mas bem que merecia a coautoria destes sucessos que tendem a ser infinitos enquanto durem. Sem contar que, sofisticada lady que é, segue despertando alguma coisa em nossos corações, atemporal como chama…

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O show Vânia Bastos – Cantando Caetano tem iluminação sob medida, concebida para dialogar com as marcantes interpretações que Vânia protagoniza acompanhada por um trio de músicos notável

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