1150 – “Flor do Morro”, matéria da Revista E, destaca vida e obra de Cartola (RJ)

Amigos e seguidores, boas novas!

Barulho d’água Música reproduzirá na íntegra, a partir de hoje, matérias de conteúdos relacionados à músicas publicadas pela Revista E (em versões impressa e digital). o que desde já agradecemos à equipe que a produz em nome de Adriana Reis, que nos ajudo u a articular esta parceria.  

A revista é mantida pelo SESC para divulgação da agenda cultural e de eventos de recreação e de lazer programados a cada mês nas unidades que a entidade mantém tanto na Capital, quanto em diversas cidades do estado de São Paulo. As matérias das variadas sessões trazem pautas relativas a temas do universo das artes e de suas personagens, agentes e autores — do cinema ao grafite, da literatura ao teatro –,  uma sessão de poesias, crônicas e muito mais para uma agradável e enriquecedora leitura.

A cada novo número, os leitores podem encontrar pelo menos duas matérias relacionadas à música.

Nesta primeira atualização a escolhida pela nossa redação foi Flor do Morro, postada em 21/12/2018 para a edição de janeiro da Revista E. Flor do Morro aborda um pouco da história e da contribuição de Angenor de Oliveira, o fantástico cantor e compositor carioca Cartola! Confira toda a edição de janeiro da Revista E, números anteriores e dentro de alguns dias a de fevereiro em sescsp.org.br/revistae

Texto originalmente publicado na Revista E do Sesc São Paulo, edição de janeiro/2019

Flor do Morro

Cartola driblou adversidades, caiu e se levantou mais de uma vez para compor um roteiro de vida repleto de canções que atravessam o tempo

 

Histórias de redenção não faltam na cultura brasileira. Artistas geniais que comem o pão que o diabo amassou com os pés (como diria Elza Soares em sua biografia) até alcançarem o reconhecimento do público e uma trajetória bem-sucedida em vida se misturam com gênios que caem no gosto popular apenas após a morte.

Angenor de Oliveira, o Cartola, não está no último grupo, mas, usando a máxima do “tarda mas não falha”, comparava sua vida ao filme de faroeste no qual ele, o mocinho, só venceria no final. O fato é que a obra do sambista segue atravessando o tempo, como exemplifica o escritor Denilson Monteiro, autor da biografia Divino Cartola – Uma Vida em Verde e Rosa (2013): “Se você chegar num grupo e cantar: ‘Bate outra vez com esperanças o meu coração…’, imediatamente as pessoas vão te acompanhar. Minha sobrinha tem 19 anos, e desde os 13 tem em seu perfil nas redes sociais vídeos do Cartola ou as letras das suas músicas”. No entanto, para entender a dimensão da vitória de Cartola, vale voltar no tempo.

Meu novo chapéu

O menino Angenor nasceu em 1908, na cidade do Rio de Janeiro. A família numerosa vivia sob os cuidados do pai, operário. Para escapar das dificuldades financeiras, moravam um pouco em cada morro carioca. Quando se mudaram para o Morro da Mangueira, a vida de Cartola se transformou. Aos 11 anos, conheceu seu grande amigo e principal parceiro, Carlos Cachaça, este beirando a maioridade, com 17 anos.

A amizade foi cenário para inserção no mundo do samba e da boemia. Os estudos deixaram de fazer parte de sua vida logo cedo, dando lugar ao trabalho árido em diferentes funções. O apelido de Cartola surgiu graças à temporada como servente de pedreiro. Incomodado com os resíduos da obra que caíam no cabelo e na testa, improvisou um chapéu-coco – de formato arredondado –, que logo virou sua cartola. Diferentemente do uso geral atrelado ao chapéu, presente em ocasiões de pompa, o sambista logo fez da dificuldade poesia.

Aos 15 anos, perdeu o pai e a mãe – uma morte em seguida da outra. A mãe morre e o pai se muda do morro da Mangueira, descontente com a situação e com a vida boêmia do filho. Cartola resiste e continua por ali, vagando pelas noites de samba até que uma moradora local, dona Deolinda,  abriga-o. Desempregado, usa o tempo para compor e se apresentar nos bares, além de integrar a fundação de blocos de Carnaval. Em 1928, sugere as cores, o nome e é responsável pelo samba tema do desfile inaugural da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, Chega de Demanda.

Tempo de florescer

A trajetória de Cartola apenas se iniciava: no ano seguinte à fundação da escola, teve um samba de sua autoria gravado por Francisco Alves (Que Infeliz Sorte). O compositor recebeu uma boa quantia nessa transação, o que significou sua validação no meio artístico da época. Francisco Alves também gravou Não Faz Amor Qual Foi o Mal Que Te Fiz, escritas pela dupla de bambas Cartola e Noel Rosa. Os anos 1930 foram palco das composições do sambista em outras vozes: Carmem Miranda, Silvio Caldas e Aracy de Almeida.

Cartola, Nara Leão, Zé Keti e Nelson Cavaquinho, em 1965 (Reprodução Revista E)

Nos anos 1940, Cartola se uniu a Paulo Portela e a Heitor dos Prazeres no conjunto Os Cariocas. Do Rio de Janeiro para São Paulo, o grupo chegou a tocar na rádio Cosmos, responsável por grandes sucessos na capital paulista.

Das qualidades musicais, o maestro e produtor musical Rildo Hora diz que Cartola é um artesão sonoro. “Suas melodias são perfeitas e não são redundantes. Não têm nota repetida ou nota não boa, como chamava o [violonista carioca] Guerra Peixe. Ele sempre vai na nota boa”, afirma Rildo Hora.

Ventania

Em 1944, Cartola tornou-se presidente de honra da ala dos compositores da Mangueira. Porém, em 1946, a maré revidou, afastando-o da escola. Primeiro, um golpe da saúde. Teve meningite, ficou sem condições de dar sequência às atividades e viveu sob os cuidados de sua esposa na época, dona Deolinda. Ao golpe da saúde seguiu-se o golpe do destino. Pouco tempo depois de se recuperar, Deolinda morreu, deixando o compositor mergulhado na tristeza.

Ainda sob o efeito da perda, envolveu-se com uma nova companheira, chamada Donária. No entanto, a nova relação o afastou da música e do morro onde sempre viveu. Deixou as criações musicais de lado e foi morar em diferentes regiões do Rio de Janeiro, de Nilópolis ao bairro do Caju. Os anos 1950 representaram o ostracismo de Cartola. Havia até quem pensasse que ele tinha morrido.

O bom filho à casa torna

Cartola voltou ao Morro da Mangueira e à música pelas mãos de dona Zica, irmã da esposa de seu grande amigo Carlos Cachaça. O amor de dona Zica e Cartola o ajudou a se reerguer. De cara, por seu intermédio, arrumou um novo emprego como lavador de carros no bairro do Pirajá. Depois, foi a hora de levá-lo para a Mangueira e para o samba. Mas não foi a bênção de dona Zica, e sim uma nova onda do destino, que o reencaminhou. Durante uma pausa no trabalho para o café, Cartola encontrou o jornalista Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), que se desdobrou para conduzir o compositor de volta aos seus. A iniciativa o levou a um emprego de fôlego curto no rádio. A experiência durou pouco, mas rendeu o contato de amigos e parceiros, que não o abandonariam.

Daí em diante

Em 1963, foi inaugurado o restaurante Zicartola, na rua da Carioca, que também foi a casa dos dois. O sucesso foi tanto que o local começou a funcionar nos dois períodos, de manhã e à noite. O samba rolava solto às quartas e às sextas. Valorizava a cultura do samba e seus compositores. Em quase dois anos de existência, foi onde se reuniram Hermínio Bello de Carvalho, Paulinho da Viola, Clementina de Jesus, Nelson Cavaquinho, Zé Keti, Elton Medeiros, Nelson Sargento, o jornalista Sérgio Cabral, Ferreira Gullar, Oduvaldo Vianna e Armando Costa.

 Dona Zica (Eusebia Silva do Nascimento) e Cartola  (Foto: Folhapress)

Dona Zica e Cartola casaram-se em 1964, depois de Cartola ser operado para se ver livre de uma rosácea no nariz. A cirurgia foi financiada pelos amigos. Dificuldades financeiras motivaram a mudança do casal para o bairro de Bento Ribeiro, onde vivia o pai de Cartola. Os dois se aproximaram e retomaram a boa relação de pai e filho, estremecida desde a adolescência do compositor.

Mangueira querida

Em 1968, Cartola e dona Zica receberam um terreno para que construíssem sua casa no Morro da Mangueira. A construção, na rua Visconde de Niterói, nº 896, abrigou a foto do Cartola II, disco de 1976.

Em um roteiro com tantas reviravoltas, a vida de Cartola foi cheia de tragédias e momentos líricos, como suas canções. O câncer acabou levando o compositor em 1980, mas sua obra continua presente na história da música brasileira. Em meio a tantos momentos intensos, o biógrafo Denilson Monteiro salienta a importância da fundação da Estação Primeira de Mangueira. Além desse episódio, outros foram destacados pelo especialista: “Cartola teve a rixa com a Mangueira e chegou inclusive a ser dado como morto; depois, foi viver com Zica, que o resgatou do alcoolismo, praticamente salvando sua vida. Também houve a redescoberta pelo jornalista Sérgio Porto e o empenho de nomes como Lúcio Cardoso, Jota Efegê e Nuno Veloso, a criação do Zicartola e a gravação do primeiro LP em 1974, uma grande luta do produtor João Carlos Botezelli, o Pelão, que tornou Cartola sucesso em todo o país”.

Companheiros de viagem

Amigos e parceiros falam sobre sua relação com um dos maiores sambistas brasileiros

Foto: Manfred Pollert

Guinga, compositor e violonista

“Conheci o Cartola no show chamado Vem Quem TemVem Quem Não Tem (1975). Esse show era de João Nogueira, Roberto Nascimento e Cartola. Eu era um músico que acompanhava o João. Cartola utilizou o grupo do João para acompanhá-lo também. Eu acompanhava o Cartola no samba Acontece. E aí o Cartola se amarrou no acompanhamento e ficamos amigos naquela convivência. Depois ele me convidou para outros shows e isso culminou com a minha participação na gravação de O Mundo É um Moinho”.

Martinho da Vila, compositor e cantor

Foto: Philippe Dutoit

“Todo mundo vê o Cartola como um sonho, uma coisa diferente. Por exemplo, ele é um compositor de morro, fundador da Mangueira, mas não existe um sambão do Cartola, no estilo das escolas de samba. Ele é um poeta doce. Até o samba enredo mais famoso (Vale do São Francisco), feito em parceria com Carlos Cachaça, é um samba doce”.

Foto: Silvana Marques

Elton Medeiros, compositor

“O meu maior sucesso foi o O Sol Nascerá, que fiz junto com Cartola, que também disse que foi o maior sucesso dele. Costumo dizer que o conheci em 1930, uma brincadeira que faço, pois ouvi falar dele quando criança.

O Heitor dos Prazeres, que frequentava muito a minha casa, disse uma vez que iria encontrar o Cartola. Eu era bem pequeno e disse para minhas irmãs que achei estranho ele falar que iria encontrar uma cartola. Elas riram e me explicaram, mas fiquei com aquele nome na cabeça. Então, em 1965, o Zé Keti disse que o Cartola formaria um conjunto integrado por compositores de escolas de samba. Como na época eu já compunha para a Aprendizes de Lucas, ele perguntou se eu queria participar, e eu, que já era fã do Cartola, disse ‘claro’. Então, o Zé Keti me apresentou a ele e digo que, naquele dia, apertei a mão do Cartola e não larguei mais”.

Foto: Ubirajara Dettmar (Folhapress)

Reverendo do samba

Entre as inúmeras homenagens a Cartola ao longo dos últimos anos
estão discos, shows e a recente celebração do Dia Nacional do Samba [2 de dezembro]

Em dezembro de 2018, Elton Medeiros, Monarco, Adriana Moreira, Yvison Pessoa e Moisés da Rocha comandaram a festa para Cartola no Sesc Pompeia. O show, que celebrou o Dia Nacional do Samba, foi realizado na comedoria da unidade e apresentou obras do compositor carioca, como O Sol Nascerá, Peito Vazio, Preconceito e Alegria.

A programação do Sesc se rendeu a Cartola em outras ocasiões. O CD Cartola foi relançado pelo Selo Sesc em comemoração ao centenário de Angenor de Oliveira, em 2008. Já na comemoração dos 90 anos do compositor, em outubro de 1998, um time especial de músicos reuniu-se para a homenagem num show no Sesc Pompeia: na direção e arranjos, o maestro Théo de Barros; no cavaquinho, Henrique Cazes; e vozes de Márcia e Elton Medeiros. Esse lendário show teve como resultado um disco. Em 2016, Emicida levou a releitura do disco Cartola para a unidade Belenzinho.

Adquira pelo Selo Sesc:


Em 1998, quando era lembrado o 90º aniversário do genial Angenor de Oliveira, Mestre Cartola (1908-1980), o Sesc de São Paulo lançou uma biografia do compositor, feita pelo saudoso jornalista e pesquisador Arley Pereira, e um CD gravado ao vivo no Sesc Pompéia, reunindo Márcia e Elton Medeiros interpretando clássicos do mangueirense com direção musical, arranjos e regência do maestro Théo de Barros.

No centenário de nascimento de Cartola, biografia e CD ganharam reedições. O disco, primoroso, traz Márcia e Elton Medeiros revivendo sambas como Tive Sim, AconteceAutonomiaO Mundo é Um MoinhoCordas de AçoNão Quero Mais Amar a Ninguém e Alvorada. As interpretações, belíssimas, ganham qualidade ainda maior graças aos arranjos primorosos de Théo de Barros. Reedição mais que oportuna.

Como adquirir o CD: www.sescsp.org.br ou em qualquer unidade do Sesc

Imagem da capa

A imagem de capa da edição de janeiro da Revista E é do curso Estamparia bogolan e adinkra: símbolos e narrativas da África Ocidental, que propõe apresentar ao público o estudo dos acervos gráficos dos bogolans e das estampas impressas do povo Ashanti, do Gana. Durante os encontros, a partir dos estudos teóricos em aula, os participantes construirão estampas para impressão sobre algodão, por meio da técnica de serigrafia manual. Com o artista e educador Celso Lima, de 17 a 31 de janeiro, no Sesc Vila Mariana.

Leia também no Barulho d’água Música:

957 – Selo Sesc disponibiliza primeiros 16 álbuns do catálogo para audição por streaming
1131 – Dia Nacional do Samba, comemorado em 2 de dezembro, exalta gênero de origem controversa e marginalizada
1140 – Nelson da Rabeca e esposa, com Thomas Rohrer, lançam álbum “áspero”, mas que encanta pelo tom festivo*
Anúncios

1148 – Poemúsica, nono livro do compositor carioca, marca os 50 anos da trajetória de Paulo César Pinheiro

Obra lançada pela 7 Letras antecipa, ainda, os 70 anos de vida do autor de mais de 1,3 mil músicas gravadas por centenas de intérpretes. Outros títulos sairão até abril, mês do aniversário do ganhador de um Grammy Latino 

O Barulho d’água Música recebeu da Editora 7 Letras, estabelecida na cidade do Rio de Janeiro (RJ), um exemplar do novo livro lançado pelo poeta, compositor, romancista e teatrólogo Paulo César Pinheiro, pelo qual agradecemos ao amigo jornalista George Pãtino. poemúsica, conforme está grafado na capa, em letras minusculas, marca os 50 anos de carreira do autor de Canto das Três Raças (em parceria com Mauro Duarte), entre outras pérolas do nosso cancioneiro e apenas uma das mais de 1,3 mil composições gravadas por diversos intérpretes neste meio século ¹. O livro também antecipa as comemorações pelos 70 anos que Pinheiro comemorará em 28 de abril.

Conforme entrevista  concedida a Caroline Carvalho (do portal Eu, Rio) , o livro para o autor une o que ele sabe fazer de melhor: poesia e música. poemúsica tem uma centena de poemas, divididos em três seções, livres e sem limites em questão de matéria-prima. A seção poemétrica, a primeira, exprime a faceta mais técnica e lírica do autor, destacou Caroline, enquanto poemágica espelha seu lado mais leve, inventivo e lúdico, com neologismos e construções surpreendentes. Já poemística, completou a jornalista, explora os sentidos e reveses da alma, do simbólico, do que há de nebuloso em nós.

Neste ano as comemorações do 70º aniversário deverão ser embaladas pelo lançamento de outros dois livros, antecipou o Eu, Rio. Um de contos, cujo título será Figuraças, é inspirado nas crônicas que Paulo César Pinheiro fazia nos anos da década de 1970 para O Pasquim. O outro, também de poesia, vai se chamar Mil versos, Mil canções. O pacote do “Parabéns a você”! incluirá, ainda, um álbum com músicas inéditas, mais um documentário conduzido pelo próprio compositor.

A perspectiva de completar sete décadas de vida deixa o autor muito animado e com uma produção pra lá de afinada, observou Caroline ao reproduzir a declaração dele: “Tenho mais incontáveis livros na gaveta esperando edição. Todos escritos em cadernos de próprio punho. Pretendo publicar também minhas peças, Besouro Cordão de Ouro e Galanga Chico Rei, ambas dirigidas por meu queridíssimo amigo, recentemente falecido, João das Neves”. As letras em gaveta, pasmem, somam quase 1000 músicas ainda inéditas!

Sobre o documentário – uma produção da Terra Firme Produtora com direção de Andrea Prates e Cleisson Vidal e exibição exclusiva e inédita do Canal Curta –, Paulo Cesar afirmou: “Só aceitei fazer porque serei eu falando de mim, não há terceiros falando, o que me deixa mais confortável”.

Ainda segundo a entrevista, Paulo Cesar Pinheiro contou que nos jornais lia as colunas de Cecilia Meirelles, Clarice Lispector, Fernando Sabino, Drummond, Nelson Rodrigues, Antônio Maria, entre outras referências de peso. “Eu escreveria uma coluna sobre poesia. Poderia fazer até uma por dia, transcrever um poema e comentá-lo”, lembrou Paulinho, que também está atento às novas gerações por meio do seu perfil no Instagram @paulocesarpinheirooficial.

Grammy e Prêmio Shell

Nascido  no Rio de Janeiro em 1949, Paulo Cesar Francisco Pinheiro tem mais de 1.300 músicas gravadas por diversos intérpretes e 10 álbuns lançados, além de ser autor de trilhas para cinema, teatro e televisão. Publicou os livros de poesia Canto Brasileiro (Companhia Brasileira de Artes Gráficas), Viola morena (Tempo Brasileiro), Atabaques, violas e bambus (Record), Clave de Sal (Gryphus) e Sonetos sentimentais para violão e orquestra (7 Letras); os romances Pontal do Pilar e Matinta, o bruxo, além do livro de contos Histórias das minhas canções (os três pela Leya). É autor das peças Besouro Cordão de Ouro (vencedora do Prêmio Shell de Teatro 2006) e Galanga Chico Rei. Foi premiado com o Grammy em 2002 e recebeu o Prêmio Shell pelo conjunto da obra em 2003. Em 2016, gravou seu depoimento para a posteridade no Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro, e o segundo para a Casa do Choro, em 2017.

1 Estão entre os parceiros de Paulo César Pinheiro músicos como João NogueiraJoão de AquinoFrancis HimeDori CaymmiRaphael RabelloAntônio Carlos JobimIvan LinsEdu LoboMauro DuarteGuingaToquinhoEduardo GudinLuciana RabelloMauricio CarrilhoCristovão BastosSergio Santos, Moacyr LuzDanilo CaymmiBaden Powell, e Maria Bethânia.

Sua primeira composição foi aos 14 anos,  Viagem, em parceria com João de Aquino. Quatro anos depois, começou a destacar-se como letrista, estabelecendo parcerias com Baden Powell, principalmente na voz de Elis Regina – como sua primeira canção registrada, Lapinha“. Outras intérpretes marcantes foram Elizeth Cardoso, Simone e Clara Nunes, com quem foi casado de 1975 até a morte desta em 1983, e os conjuntos MPB-4 e Quarteto em CyEm 2002, foi premiado, juntamente com Dori Caymmi, com um Grammy Latino na categoria de “Melhor Canção Brasileira”. No ano seguinte ganhou o Prêmio Shell pelo CD O Lamento do Samba Em 2015, levou o troféu de Melhor Canção/ Compositores do 26º Prêmio da Música Brasileira  pelas composições em parceria com Guinga que Mônica Salmaso interpreta em Corpo de Baile, lançado pela Biscoito Fino, quase todas inéditas.

Em 1985 casou-se com a musicista Luciana Rabello, tornando-se seu parceiro em diversas composições. Este casamento lhe deu dois filhosAna Rabello Pinheiro e Julião Rabello Pinheiro, ambos músicos e parceiros do poeta.

1141 – Antonio Guerra e Silvério Pontes formam duo piano/trompete e lançam “Coração Brasileiro”

Álbum gravado pela Kuarup inaugura um novo caminho na trajetória do trompetista fluminense que se consagrou ao lado do trombonista Zé da Velha

A gravadora Kuarup, à qual agradecemos na pessoa de Rodolfo Zanke, enriqueceu o acervo do Barulho d’água Música com um exemplar do álbum Coração Brasileiro, recentemente gravado por Silvério Pontes, trompetista, e Antonio Guerra (Rio de Janeiro/RJ) ao piano; considero o disco como um presente do meu aniversário de 55 anos, neste dia 26/12, e estou curtindo de monte! Silvério Pontes  (Laje do Muriaé/RJ) já emplacou pelo menos 30 anos tocando ao lado do trombonista sergipano de Aracaju Zé da Velha e com este novo trabalho inaugura outra história musical, concretizando um sonho antigo de formar um duo neste formato, que proporcionou uma mistura harmoniosa de sensibilidade, com humor e alegria contagiantes que resumem uma brasilidade refinada!

Continue Lendo “1141 – Antonio Guerra e Silvério Pontes formam duo piano/trompete e lançam “Coração Brasileiro””

1085 – Canção do Amor Distante, de Ana Salvagni e Eduardo Lobo, celebra os sentimentos presentes na saudade

Disco gravado em 2016 rememora canções clássicas de autores como Tom Jobim, Dominguinhos & Anastácia, Paulo César Pinheiro, Adoniran e Elomar
Marcelino Lima

A redação do Barulho d’água Música, caso fosse o estúdio de uma emissora de rádio, só tocaria boa música, pois, diariamente, baixam em nosso boteco, enviados de várias partes do Brasil, álbuns excelentes. O mais recente e que estamos tocando agora é Canção do Amor Distante, que Ana Salvagni e Eduardo Lobo lançaram em 2016. O amor ausente deixa saudade e melancolia e é tema universal e atemporal encontrado em todas as formas de criação artística. A nostalgia, o amor e a tristeza presentes na “saudade” são elementos propulsores para o artista que, por meio de sua criação, pode dar forma e vazão a estes sentimentos que o atormentam, ainda que, muitas vezes, a canção gerada não seja, necessariamente, triste. Na canção popular brasileira o amor distante é cantado desde sempre, vestido de roupagem diversa, tantas vezes com leveza, despojamento, lirismo e refinamento. Além disso, o tema é valorizado pela grande riqueza melódica, rítmica e harmônica das composições, ao longo de todo esse tempo.

Continue Lendo “1085 – Canção do Amor Distante, de Ana Salvagni e Eduardo Lobo, celebra os sentimentos presentes na saudade”

1044 – Morte de Índio Cachoeira silencia os ponteios de um mestre que fugia de casa para ficar perto das violas

Músico querido por ex-alunos e ex-parceiros não resistiu às sequelas de um acidente de trânsito que sofreu em Alfenas (MG), onde o corpo foi sepultado após homenagens de entidades locais e da Prefeitura 

Marcelino Lima, com o blogue Brasil Festeiro, Primeira Página (São Carlos), Cidade Escola Alfenas e Graciela Binaghi

 

O universo da viola caipira mineiro, paulista e nacional está de luto, dos mais sentidos, desde quarta-feira, 4 de abril, quando — conforme costuma dizer Rolando Boldrin em momentos tristes como estes – bem antes do combinado foi se embora para outro Plano José Pereira de Souza, com apenas 65 anos! Pelo nome de pia, talvez o conheciam apenas os mais chegados, familiares e amigos que juntou enquanto esteve entre nós. O nome artístico, entretanto, o levou à fama que apenas poucos Josés conseguem alcançar — ainda mais no boicotado meio em que resolveu nos brindar com seu talento e virtuosismo. Estamos falando de Índio Cachoeira, agora mais uma estrela na constelação na qual já brilham, ora, sim senhor, Tião Carreiro, Gedeão da Viola, Angelino de Oliveira, Raul Torres, Renato Andrade, José Fortuna, Helena Meirelles, se não todos violeiros, com certeza ícones de tradições e de uma cultura que formam o perfil brasileiro; se fossemos fazer uma comparação com ídolos do círculo dos mais cotados da MPB ou de outras vertentes brasileiras, Índio Cachoeira seria, por exemplo, um artista da primeira linha, não menos que João Gilberto, Toquinho ou Guinga.

Continue Lendo “1044 – Morte de Índio Cachoeira silencia os ponteios de um mestre que fugia de casa para ficar perto das violas”

1034 – Tavinho Moura recebe amigos e lança no Clube da Esquina (MG) O Anjo na Varanda

O 18° álbum do mineiro de Juiz de Fora traz safra singular de canções de um dos mais originais e sofisticados compositores do Brasil

Marcelino Lima, com Dubas Música

O cantor, compositor, escritor e fotógrafo Tavinho Moura, um dos mais aclamados violonistas e violeiros do país, lançou no dia 10 de março o décimo-oitavo álbum da carreira em apresentação concorrida que levou amigos e fãs ao templo sagrado da música mineira, o Museu do Clube da Esquina, em Belo Horizonte (MG). O Anjo na Varanda, lançado pelo selo Dubasdá sequência à premiada carreira iniciada com Como Vai Minha Aldeia, há 40 anos.

Continue Lendo “1034 – Tavinho Moura recebe amigos e lança no Clube da Esquina (MG) O Anjo na Varanda”

996 – Juliana e João Paulo Amaral apresentam “Açoite” como atração do Composição Ferroviária em Poços de Caldas (MG)

A voz marcante de Juliana Amaral e a viola vigorosa de João Paulo Amaral serão atrações neste domingo, 10 de setembro, em Poços de Caldas, cidade do Sul de Minas Gerais. Os irmãos levarão ao público que prestigia o projeto Composição Ferroviária o espetáculo Açoite, baseado no nome do quarto álbum de Juliana (selo Circus) disco de 2016 cuja direção musical e arranjos couberam a João Paulo. Marca registrada em todas as edições do projeto Composição Ferroviária, o show de abertura sempre é reservado a músicos locais e começa às 10 horas, no pátio da estação da antiga rede Mogyana. Para esta nova rodada, os produtores Wolf Borges e Jucilene Buosi convidaram Jesuane Salvador, intérprete que  oferecerá à plateia um repertório que contempla da MPB ao Jazz.

Continue Lendo “996 – Juliana e João Paulo Amaral apresentam “Açoite” como atração do Composição Ferroviária em Poços de Caldas (MG)”

970 – Patrícia Lopes leva ao Jazz B show inspirado em poemas de amor e dedicados ao universo feminino, de Fernando Pessoa

A pianista e compositora Patrícia Lopes protagoniza O Feminino em Pessoa, espetáculo que aborda a paixão amorosa por meio de músicas inspiradas em poemas do consagrado português Fernando Pessoa que poderá ser apreciado em 11 de julho, a partir das 21 horas, no palco do Jazz B, em São Paulo. Sem contar os próprios textos de um dos mais admirados poetas de todos os tempos, o autor que viveu entre 1888 e 1935 destaca-se na literatura universal pela construção de heterônimos aos quais deu vida tal qual o trio Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, dotados de personalidades e estilos distintos. A síntese da obra do lisboeta e deste conjunto de notáveis múltiplos dele é qualificada por rara sensibilidade e faz soarem vozes e modos diversos de percepção do mundo que trazem à tona o que pode haver de mais recôndito na alma humana — sentimentos, desejos, emoções e temas entre os quais o amor e as peculiaridades femininas são dos mais recorrentes. No show, Patrícia Lopes também mostrará composições inéditas, feitas especialmente para esta apresentação e contará com as participações da portuguesa Sofia Vitória (que vem ao Brasil para breve temporada, recitando poemas), de Ana Luiza (vocais), de Paula Pires (clarinete) e de Sebastian Ruiz (viola de arco).

Continue Lendo “970 – Patrícia Lopes leva ao Jazz B show inspirado em poemas de amor e dedicados ao universo feminino, de Fernando Pessoa”

957 – Selo Sesc disponibiliza primeiros 16 álbuns do catálogo para audição por streaming

Quem curte os álbuns fonográficos do Selo Sesc já pode acessar parte do catálogo por meio de plataformas como Spotify, Deezer, Apple Music, Google Play Music, e Napster. O primeiro lote reúne 16 títulos entre os quais No Voo do Urubu, de Arthur Verocai; A Saga da Travessia, de Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz; Com Alma, da Banda Mantiqueira; Virgínia Rosa Canta Clara, de Virgínia Rosa; e Café no Bule, de Zeca Baleiro, Naná Vasconcelos e Paulo Lepetit. Doravante, os lançamentos também serão liberados para os servidores de streaming e a promessa do Sesc é que até dezembro todos os discos já lançados desde 2004 estejam disponíveis.

Continue Lendo “957 – Selo Sesc disponibiliza primeiros 16 álbuns do catálogo para audição por streaming”

904 – Carol Saboya lança Carolina, álbum que considera o trabalho que mais mostra suas influências  

O nome Carolina tem origem alemã e significa “mulher forte, cuidadosa e amorosa”. A cantora Carol Saboya nem sabia disso quando resolveu escolher esse título, o próprio nome de batismo, para o 12º álbum da carreira. Mas gostou da coincidência, pois além do nome afirmar o quanto há de pessoal nesse disco, também ela se sente uma mulher assim depois dessas duas décadas de estrada: “De todos os meus discos, Carolina é o que mais demonstra minhas influências. Só fui perceber isso depois de escolher as músicas. Aí, vi que não existia nome mais apropriado para denominá-lo”.

Continue Lendo “904 – Carol Saboya lança Carolina, álbum que considera o trabalho que mais mostra suas influências  “