1255 – John Mueller, de Blumenau (SC), afirma-se no cenário nacional com Na Linha Torta*

Após receber mais um prêmio em São Paulo, cantor e compositor indicado o melhor do Estado natal em 2018 e com disco entre os melhores da MPB, com participações de Cristóvão Bastos em dois trabalhos já lançados, anuncia que já iniciou os trabalhos para o terceiro álbum da carreira solo.

* Com Nane Pereira

Na Linha Torta, segundo álbum do catarinense de Blumenau John Mueller, abriu as audições matinais que promovemos todos os sábados aqui no boteco do Barulho d’água Música, neste dia 2 de novembro. O disco nos foi gentilmente cedido pelo próprio cantor e compositor no Centro Cultural da Galeria Olido, em São Paulo, pouco tempo depois da cerimônia na qual ele acabara de ser um dos quinze agraciados de várias partes do Brasil com um dos troféus do 6º Prêmio Grão de Música. As doze faixas de Na Linha Torta também já haviam rendido o troféu de Melhor Cantor do Prêmio da Música Catarinense 2018 e com ele Mueller concorre à estatueta A Parada da Música, troféu que será entregue neste final de semana em Brasília (DF) aos finalistas de 67 categorias do 5º Prêmio Profissionais da Música (PPM). Mueller poderá, portanto, deixar a capital federal com mais esta consagração, o reconhecimento como melhor da categoria Autor, a mesma para o qual foi um dos finalistas na edição do PPM/2018, quando também esteve no páreo da categoria Cantor.

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1247 – 6º Prêmio Grão de Música será entregue na galeria do Centro Cultural Olido, em São Paulo

Idealizado por Socorro Lira (PB) como coletânea anual para destacar quinze artistas nacionais, cada um dos escolhidos recebe uma estatueta de 30 cm, em bronze, criada pelo artista visual Elifas Andreato.

Um dos mais importantes troféus do cenário musical da atualidade, o Prêmio Grão de Música (PGM) será entregue em 19 de outubro no Centro Cultural Olido, onde fica a Sala Olido, no antigo Cine Olido, situado na cidade de São Paulo. Já em sua sexta edição continua desde 2014, o PGM neste ano contemplará cantores e compositores de dez estados brasileiros em cerimônia prevista para começar às 17 horas, com entrada franqueada ao público mediante retirada de senhas. O PGM teve início em Salvador (BA), idealizado pela cantora, compositora, escritora e produtora cultural Socorro Lira (PB) como coletânea anual para destacar quinze artistas. Cada um dos escolhidos recebe uma estatueta de 30 centímetros de altura, em bronze, criada pelo artista visual Elifas Andreato. Além da cerimônia de entrega, o evento oferece a #MostraPGM, um concerto com três artistas dentre os premiados do ano. 

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1236 – Mônica Salmaso apresenta “Caipira”, álbum de 2017, em duas sessões no MASP (SP)

No palco a cantora estará acompanhada pelos músicos Neymar Dias (viola caipira), Lulinha Alencar (acordeon), Teco Cardoso (flautas), Luca Raele (clarinete) e Ari Colares (percussão)

Em mais duas apresentações da turnê Caipira, seu mais recente álbum, a  cantora Mônica Salmaso cantará na cidade de São Paulo, nos dias 28 e 29 de setembro, às 21 horas e às 19 horas, respectivamente. O palco de ambas as cantorias será o mesmo: o auditório do Museu de Artes de São Paulo (MASP), onde ela passará pelo belo repertório que contempla a mágica sonoridade da raiz caipira brasileira e que tem origem numa pesquisa realizada pelo violeiro Paulo Freire, por encomenda da própria Mônica, há mais de 10 anos.

A história de Caipira, produzido por Teco Cardoso com arranjos conjuntos da cantora com Neymar Dias (viola caipira e baixo acústico), Nailor Proveta (clarinete e sax tenor) e Toninho Ferragutti, vai além da pesquisa e registra um momento ímpar na carreira de Mônica Salmaso. Ela mergulhou nessa estética musical e canta não necessariamente músicas antigas e releituras, mas um trabalho guiado pela interpretação singular e precisa — um trabalho caipira com originalidade e assinatura. “Esse é o ‘meu disco caipira’, com todo o respeito que eu tenho pelo Brasil mais profundo e pelas nossas qualidades criativas que beiram o infinito”, disse Mônica. “Neste momento é mais urgente do que nunca respeitarmos o que somos e cuidarmos da gente”, emendou sobre  o álbum lançado em 2017, com show no Sesc Vila Mariana.

No palco do MASP estará acompanhada por Neymar Dias, Lulinha Alencar (acordeon), Teco Cardoso (flautas), Luca Raele (clarinete) e Ari Colares (percussão). Silvestre Júnior assinará a iluminação, Carlos Rocha será o responsável pela engenharia de som e Carla Assis pela produção executiva.

Caipira já passou por capitais como Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e Porto Alegre (RS). Antes do retorno a São Paulo, a turnê girou por Recife (PE),Salvador (BA)e Belém (PA), viabilizada pela Lei de Incentivo a Cultura, com patrocínio de um grande banco privado.

 

Mônica Salmaso iniciou a carreira na peça O Concílio do Amor, em 1989. Em 1995, gravou o disco Afro-Sambas, um duo de voz e violão com o instrumentista Paulo Bellinati, incluindo todos os afro-sambas de Baden Powell e Vinícius de Moraes. Em 1997, foi indicada ao Prêmio Sharp como revelação na categoria MPB. Lançou Trampolim, em 1998, e Voadeira, um ano depois, com o qual ganhou o Prêmio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA).

O quarto álbum de Mônica, Iaiá, nasceu em 2004, seguido por Noites de Gala, Samba na Rua, de 2007, com músicas de Chico Buarque. Nesse ínterim, foi convidada como solista de várias orquestras, como a Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), OSB, Jazz Sinfônica de São Paulo e Orquestra Jovem Tom Jobim, entre outras, tendo inclusive participado de um disco da Osesp, com regência de John Neschling, em 2006.

Alma Lírica Brasileira, com Teco Cardoso e Nelson Ayres, lançado  em 2011, recebeu o 23º Prêmio da Música Brasileira, na categoria Melhor Cantora. Corpo de Baile  (2014), com músicas de Guinga e Paulo César Pinheiro, recebeu quatro indicações ao Prêmio da Música Brasileira, das quais venceu duas – Melhor Cantora de MPB e Melhor Canção. Em 2017, lançou Caipira, que tem recebido elogios da crítica especializada, sendo premiado como Melhor Álbum e Melhor Cantora na Categoria Regional pelo 29º Prêmio da Música Brasileira. Em dezembro de 2018, saiu o DVD Corpo de Baile, pelo Selo SESC, com direção de Walter Carvalho e produção musical de Teco Cardoso.

Os projetos recentes da cantora Mônica Salmaso inclui uma turnê pelo Japão com Guinga e a turnê nacional de Caipira.

As canções gravadas em Caipira: A Velha (D.P., adaptada por Nivaldo Maciel), Alvoradinha (D.P.), Feriado na Roça (Cartola), Açude Verde (Sérgio Santos e Paulo C. Pinheiro), Minha Vida (Carreirinho e Vieira), Água da Minha Sede (Roque Ferreira e Dudu Nobre), Baile Perfumado (Roque Ferreira), Bom Dia (Nana Caymmi e Gilberto Gil), Caipira (Breno Ruiz e Paulo C. Pinheiro), Leilão (Heckel Tavares e Joracy Camargo), Primeira Estrela de Prata (Rafael e Rita Altério), Saracura Três Potes (Cândido Canela e Téo Azevedo) e Sonora Garoa (Passoca).

O violeiro Paulo Freire (Foto: Marcelino Lima/Acervo Barulho d’água Música)

Cada enxadada uma minhoca

Paulo Freire, violeiro 

Caipira, quem é caipira? Muitos se perguntam se o caipira mudou, ou mesmo sumiu, dando lugar a uma nova gente que vive nos interiores. Na verdade, o caipira está cada vez mais presente, sem que muitos se deem conta. 

Vai ouvindo…

Com o movimento de migração para os grandes centros, desde o século passado, o povo da roça veio ocupar as cidades. Buscar oportunidade de trabalho e estudo, deixando a terra de lado. Mas até onde isso é bom? Para que morar tudo socado, um em cima do outro? Que vantagem pode trazer o trabalho na cidade grande, que dá um dinheiro insuficiente para tentar consumir o que muitas vezes nem se precisa? E tem mais… muito mais! 

siora e o siô podem reparar o tanto de gente que hoje em dia sonha em ter sua casinha no campo para passar os finais de semana, ou morar quando a idade apertar. É que existe um “movimento da volta”: a necessidade de largar o pé no riacho, de perceber a real dimensão do tempo, além da importância do sol e da chuva, de conhecer a terra, o nosso chão. Sabe quando a gente acha que está sem chão, que não dá pé? É isso que estamos sentindo falta. E ainda tem mais, tem mais! 

Os valores do caipira. Ali, onde a palavra empenhada tem mais valor que um contrato assinado com firma reconhecida no cartório da cidade. Onde se faz um mutirão para socorrer um vizinho necessitado. Onde todos se cumprimentam, enquanto na cidade nem o vizinho de apartamento a gente conhece é na roça que as pessoas se juntam para um catita, para o giro da folia de reis, sem esperar recompensa de dinheiro para isso, mas o agradecimento da graça alcançada. De Deus, dos santos, ou da própria natureza, Falar nisso, tem tanta gente que se diz defensor da natureza sem nunca ter apanhado um torra de terra roxa sequer…

Na verdade, estamos sentindo uma falta tremenda de tudo o que significa o caipira. Vou dar um exemplo simples aqui: Inezita Barroso nos deixou no dia 8 de março de 015. Desde o final de 2014, ela não gravava mais o Viola, minha viola. Este programa está no ar desde 1980! É o mais longevo da TV brasileira. Como se isso já não fosse suficiente, repare, o falecimento de nossa rainha já completou quatro anos e o Viola continua no ar com suas reprises! Justamente o programa que trata desse mundo caipira. Inezita é nossa bandeira. Comoo explicar que a viola continue no ar?¹ Tem aí um segredo que vive dentro de urna frase do incrível violeiro Renato Andrade, Ele viveu a época de maior preconceito com a viola e o caipira. E dizia assim: “Viola é que nem mortadela: todo mundo gosta, mas tem vergonha de comer na frente dos outros”. 

Pois bem, essa vergonha virou necessidade, urgência do ser humano abraçar tudo o que significa ser caipira. Matar essa saudade, conhecer nossa terra, viver mais de acordo com a natureza, os valores e inté o sabor que verve numa lata de banha de porco para cozinhar o feijão, no tempo esticado de um fogão de lenha.

E é justamente nessa roça que a querida Mônica Salmaso buscou o seu Caipira. Tanto nas composições de quem é nascido e criado ali, onde canta o sabiá, inté do povo da cidade que tem a sensibilidade de buscar no campo a qualidade de sua poesia. Não se trata de imitar o caipira, de querer ser corno ele, mas de aproveitar o que temos de mais sincero e trabalhar os cantos e desejos de nossa terra. No Caipira não tem desperdício, cada enxadada é uma minhoca Das graúdas! E a Mônica se atira nesse mundo, com toda sua categoria e seriedade. Trabalho. Escutar o disco é sentir o cheiro do jatobá. Vai ouvindo… A siora sabia que “jatobá’ em tupi significa ‘fruto da casca dura”? Pois é ansim que nóis semo: continuamos ali, firmes, espalhados pelo nosso chão, O jatobá é sagrado. Uma das madeiras mais valiosas do mundo — como o Caipira que a Mônica nos apresenta. É aproveitado e admirado, de cheiro adocicado e de casca dura. Hummm, é caipira e jatobá Sim, somos caipiras! E como diz o grande Zé Mulato: “Semo porque semo. E também porque podemo”.

FICHA TÉCNICA 

Mônica Salmaso: voz/Neymar Dias viola caipira/Lulinha Alencar: acordeon e piano/Teco Cardoso: sax e flautas/Luca Raele: clarinete/Ari Colares: percussão/Carlos Rocha-Som Vivo: Som/Silvestre Garcia Júnior: iluminação/Ruth Freihof-Passaredo Design: design/Paulo Rapoport: fotos/Carla Assis: Coordenação de produção 

¹Pouco tempo depois deste texto ser produzido por Paulo Freire e publicado no flyer da turnê nacional de Caipira, a TV Cultura decidiu no começo de agosto acabar com o Viola, Minha Viola, que estava há 39 anos no ar e nos dois mais recentes anos vinha tendo como apresentadora a cantora e violeira Adriana Farias, O Viola Minha Viola não terá novos episódios e como os derradeiros inéditos já foram gravados em 2018, a emissora optou por apenas reprisar os arquivos por tempo indeterminado, mantendo o programa no ar desde 11 de agosto às 7 horas, antes da Missa de Aparecida, com Adriana Farias ainda no comando, mas já fora do elenco da TV, que não renovou o contrato dela.

O Viola, Minha Viola estreou em 25 de maio de 1980, com Moraes Sarmento (1922-1998) e Nonô Basílio (1922-1997). No mesmo ano recebeu Inezita Barroso no palco. Ela cantou A Moda da Mula Preta, contou sua história e agradou ao público. De convidada, passou para o posto de apresentadora até a morte em 2015, apresentando mais de 1.500 edições.

Serviço

Show: Mônica Salmaso em Caipira

Datas:27 e 28 de setembro. Sexta e sábado, às 20h
Ingressos: R$ 60 (inteira), R$ 50,00 (Vale Cultura) e R$ 30,00 (meia)
Bilheteria: Terça a domingo – 10h às 17h30 ou até o início do espetáculo
Ingressos online:  https://masp.org.br/
Meia-entrada: estudantes, idosos, professores e pessoas com deficiência + acompanhantes (apresentar o comprovante de meia-entrada na compra e na porta do espetáculo).
Classificação: Livre. Duração: 1h30.
MASP Auditório
Avenida Paulista, 1578,- Bela Vista, São Paulo
Tel: (11) 3149-5959

 

1234 – André Siqueira (SP/PR) lança SOLO, álbum que marca sua maturidade e traz cheiro de gente, cidade e mato

Às vezes com  simplicidade de caipira, às vezes com texturas mais densas, Pixinguinha, Chico Mário, Edu Lobo, Tom Jobim e Jacob do Bandolim são revisitados em álbum lançado pela Kuarup 

*Com TP1 (Todos por Um) Conteúdo

O compositor e multi-instrumentista André Siqueira (Palmital/SP) acaba de ver lançado pela produtora e gravadora Kuarup o álbum instrumental SOLO, quarto disco da carreira e que marca o reencontro dele com a própria trajetória, reunindo arranjos feitos ao longo dos anos para músicas presentes em sua e na memória afetiva de várias gerações. Além dos arranjos inéditos, SOLO traz uma variação de timbres graças à utilização de dois instrumentos parecidos, porém distintos: o violão de seis cordas e o violão barítono, ambos construídos pelo luthier londrinense Nilson De Mari. Um exemplar de SOLO, gentilmente enviado por Rodrigo Zanke, diretor artístico da Kuarup, já faz parte do acervo do Barulho d’água Música, pelo qual somos gratos ao amigo e toda a sua equipe.

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1183 – Jazz B (SP) recebe Ubaldo Versolato Quarteto para lançamento de álbum de estreia, Portal

Saxofonista de Roberto Carlos e da banda Mantiqueira apresentará Portal, com participações dos filhos Léo e Renata, pela gravadora Kuarup

A audição matinal aos sábados neste dia 04 de maio aqui no boteco do Barulho d’água Música, em São Roque, Interior de São Paulo, começaram com Portal, disco de estreia que o saxofonista Ubaldo Versolato lançará em 10 de maio, em São Paulo (confira a guia Serviço). O álbum nos foi enviado pela gravadora Kuarup, à qual mais uma vez agradecemos em nome de Rodolfo Zanke. O aguardado projeto do músico reúne oito faixas, todas instrumentais, e é o trabalho de estreia do instrumentista paulista que tem mais de 40 anos de carreira.

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1150 – “Flor do Morro”, matéria da Revista E, destaca vida e obra de Cartola (RJ)

Amigos e seguidores, boas novas!

Barulho d’água Música reproduzirá na íntegra, a partir de hoje, matérias de conteúdos relacionados à músicas publicadas pela Revista E (em versões impressa e digital). o que desde já agradecemos à equipe que a produz em nome de Adriana Reis, que nos ajudo u a articular esta parceria.  

A revista é mantida pelo SESC para divulgação da agenda cultural e de eventos de recreação e de lazer programados a cada mês nas unidades que a entidade mantém tanto na Capital, quanto em diversas cidades do estado de São Paulo. As matérias das variadas sessões trazem pautas relativas a temas do universo das artes e de suas personagens, agentes e autores — do cinema ao grafite, da literatura ao teatro –,  uma sessão de poesias, crônicas e muito mais para uma agradável e enriquecedora leitura.

A cada novo número, os leitores podem encontrar pelo menos duas matérias relacionadas à música.

Nesta primeira atualização a escolhida pela nossa redação foi Flor do Morro, postada em 21/12/2018 para a edição de janeiro da Revista E. Flor do Morro aborda um pouco da história e da contribuição de Angenor de Oliveira, o fantástico cantor e compositor carioca Cartola! Confira toda a edição de janeiro da Revista E, números anteriores e dentro de alguns dias a de fevereiro em sescsp.org.br/revistae

Texto originalmente publicado na Revista E do Sesc São Paulo, edição de janeiro/2019

Flor do Morro

Cartola driblou adversidades, caiu e se levantou mais de uma vez para compor um roteiro de vida repleto de canções que atravessam o tempo

 

Histórias de redenção não faltam na cultura brasileira. Artistas geniais que comem o pão que o diabo amassou com os pés (como diria Elza Soares em sua biografia) até alcançarem o reconhecimento do público e uma trajetória bem-sucedida em vida se misturam com gênios que caem no gosto popular apenas após a morte.

Angenor de Oliveira, o Cartola, não está no último grupo, mas, usando a máxima do “tarda mas não falha”, comparava sua vida ao filme de faroeste no qual ele, o mocinho, só venceria no final. O fato é que a obra do sambista segue atravessando o tempo, como exemplifica o escritor Denilson Monteiro, autor da biografia Divino Cartola – Uma Vida em Verde e Rosa (2013): “Se você chegar num grupo e cantar: ‘Bate outra vez com esperanças o meu coração…’, imediatamente as pessoas vão te acompanhar. Minha sobrinha tem 19 anos, e desde os 13 tem em seu perfil nas redes sociais vídeos do Cartola ou as letras das suas músicas”. No entanto, para entender a dimensão da vitória de Cartola, vale voltar no tempo.

Meu novo chapéu

O menino Angenor nasceu em 1908, na cidade do Rio de Janeiro. A família numerosa vivia sob os cuidados do pai, operário. Para escapar das dificuldades financeiras, moravam um pouco em cada morro carioca. Quando se mudaram para o Morro da Mangueira, a vida de Cartola se transformou. Aos 11 anos, conheceu seu grande amigo e principal parceiro, Carlos Cachaça, este beirando a maioridade, com 17 anos.

A amizade foi cenário para inserção no mundo do samba e da boemia. Os estudos deixaram de fazer parte de sua vida logo cedo, dando lugar ao trabalho árido em diferentes funções. O apelido de Cartola surgiu graças à temporada como servente de pedreiro. Incomodado com os resíduos da obra que caíam no cabelo e na testa, improvisou um chapéu-coco – de formato arredondado –, que logo virou sua cartola. Diferentemente do uso geral atrelado ao chapéu, presente em ocasiões de pompa, o sambista logo fez da dificuldade poesia.

Aos 15 anos, perdeu o pai e a mãe – uma morte em seguida da outra. A mãe morre e o pai se muda do morro da Mangueira, descontente com a situação e com a vida boêmia do filho. Cartola resiste e continua por ali, vagando pelas noites de samba até que uma moradora local, dona Deolinda,  abriga-o. Desempregado, usa o tempo para compor e se apresentar nos bares, além de integrar a fundação de blocos de Carnaval. Em 1928, sugere as cores, o nome e é responsável pelo samba tema do desfile inaugural da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, Chega de Demanda.

Tempo de florescer

A trajetória de Cartola apenas se iniciava: no ano seguinte à fundação da escola, teve um samba de sua autoria gravado por Francisco Alves (Que Infeliz Sorte). O compositor recebeu uma boa quantia nessa transação, o que significou sua validação no meio artístico da época. Francisco Alves também gravou Não Faz Amor Qual Foi o Mal Que Te Fiz, escritas pela dupla de bambas Cartola e Noel Rosa. Os anos 1930 foram palco das composições do sambista em outras vozes: Carmem Miranda, Silvio Caldas e Aracy de Almeida.

Cartola, Nara Leão, Zé Keti e Nelson Cavaquinho, em 1965 (Reprodução Revista E)

Nos anos 1940, Cartola se uniu a Paulo Portela e a Heitor dos Prazeres no conjunto Os Cariocas. Do Rio de Janeiro para São Paulo, o grupo chegou a tocar na rádio Cosmos, responsável por grandes sucessos na capital paulista.

Das qualidades musicais, o maestro e produtor musical Rildo Hora diz que Cartola é um artesão sonoro. “Suas melodias são perfeitas e não são redundantes. Não têm nota repetida ou nota não boa, como chamava o [violonista carioca] Guerra Peixe. Ele sempre vai na nota boa”, afirma Rildo Hora.

Ventania

Em 1944, Cartola tornou-se presidente de honra da ala dos compositores da Mangueira. Porém, em 1946, a maré revidou, afastando-o da escola. Primeiro, um golpe da saúde. Teve meningite, ficou sem condições de dar sequência às atividades e viveu sob os cuidados de sua esposa na época, dona Deolinda. Ao golpe da saúde seguiu-se o golpe do destino. Pouco tempo depois de se recuperar, Deolinda morreu, deixando o compositor mergulhado na tristeza.

Ainda sob o efeito da perda, envolveu-se com uma nova companheira, chamada Donária. No entanto, a nova relação o afastou da música e do morro onde sempre viveu. Deixou as criações musicais de lado e foi morar em diferentes regiões do Rio de Janeiro, de Nilópolis ao bairro do Caju. Os anos 1950 representaram o ostracismo de Cartola. Havia até quem pensasse que ele tinha morrido.

O bom filho à casa torna

Cartola voltou ao Morro da Mangueira e à música pelas mãos de dona Zica, irmã da esposa de seu grande amigo Carlos Cachaça. O amor de dona Zica e Cartola o ajudou a se reerguer. De cara, por seu intermédio, arrumou um novo emprego como lavador de carros no bairro do Pirajá. Depois, foi a hora de levá-lo para a Mangueira e para o samba. Mas não foi a bênção de dona Zica, e sim uma nova onda do destino, que o reencaminhou. Durante uma pausa no trabalho para o café, Cartola encontrou o jornalista Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), que se desdobrou para conduzir o compositor de volta aos seus. A iniciativa o levou a um emprego de fôlego curto no rádio. A experiência durou pouco, mas rendeu o contato de amigos e parceiros, que não o abandonariam.

Daí em diante

Em 1963, foi inaugurado o restaurante Zicartola, na rua da Carioca, que também foi a casa dos dois. O sucesso foi tanto que o local começou a funcionar nos dois períodos, de manhã e à noite. O samba rolava solto às quartas e às sextas. Valorizava a cultura do samba e seus compositores. Em quase dois anos de existência, foi onde se reuniram Hermínio Bello de Carvalho, Paulinho da Viola, Clementina de Jesus, Nelson Cavaquinho, Zé Keti, Elton Medeiros, Nelson Sargento, o jornalista Sérgio Cabral, Ferreira Gullar, Oduvaldo Vianna e Armando Costa.

 Dona Zica (Eusebia Silva do Nascimento) e Cartola  (Foto: Folhapress)

Dona Zica e Cartola casaram-se em 1964, depois de Cartola ser operado para se ver livre de uma rosácea no nariz. A cirurgia foi financiada pelos amigos. Dificuldades financeiras motivaram a mudança do casal para o bairro de Bento Ribeiro, onde vivia o pai de Cartola. Os dois se aproximaram e retomaram a boa relação de pai e filho, estremecida desde a adolescência do compositor.

Mangueira querida

Em 1968, Cartola e dona Zica receberam um terreno para que construíssem sua casa no Morro da Mangueira. A construção, na rua Visconde de Niterói, nº 896, abrigou a foto do Cartola II, disco de 1976.

Em um roteiro com tantas reviravoltas, a vida de Cartola foi cheia de tragédias e momentos líricos, como suas canções. O câncer acabou levando o compositor em 1980, mas sua obra continua presente na história da música brasileira. Em meio a tantos momentos intensos, o biógrafo Denilson Monteiro salienta a importância da fundação da Estação Primeira de Mangueira. Além desse episódio, outros foram destacados pelo especialista: “Cartola teve a rixa com a Mangueira e chegou inclusive a ser dado como morto; depois, foi viver com Zica, que o resgatou do alcoolismo, praticamente salvando sua vida. Também houve a redescoberta pelo jornalista Sérgio Porto e o empenho de nomes como Lúcio Cardoso, Jota Efegê e Nuno Veloso, a criação do Zicartola e a gravação do primeiro LP em 1974, uma grande luta do produtor João Carlos Botezelli, o Pelão, que tornou Cartola sucesso em todo o país”.

Companheiros de viagem

Amigos e parceiros falam sobre sua relação com um dos maiores sambistas brasileiros

Foto: Manfred Pollert

Guinga, compositor e violonista

“Conheci o Cartola no show chamado Vem Quem TemVem Quem Não Tem (1975). Esse show era de João Nogueira, Roberto Nascimento e Cartola. Eu era um músico que acompanhava o João. Cartola utilizou o grupo do João para acompanhá-lo também. Eu acompanhava o Cartola no samba Acontece. E aí o Cartola se amarrou no acompanhamento e ficamos amigos naquela convivência. Depois ele me convidou para outros shows e isso culminou com a minha participação na gravação de O Mundo É um Moinho”.

Martinho da Vila, compositor e cantor

Foto: Philippe Dutoit

“Todo mundo vê o Cartola como um sonho, uma coisa diferente. Por exemplo, ele é um compositor de morro, fundador da Mangueira, mas não existe um sambão do Cartola, no estilo das escolas de samba. Ele é um poeta doce. Até o samba enredo mais famoso (Vale do São Francisco), feito em parceria com Carlos Cachaça, é um samba doce”.

Foto: Silvana Marques

Elton Medeiros, compositor

“O meu maior sucesso foi o O Sol Nascerá, que fiz junto com Cartola, que também disse que foi o maior sucesso dele. Costumo dizer que o conheci em 1930, uma brincadeira que faço, pois ouvi falar dele quando criança.

O Heitor dos Prazeres, que frequentava muito a minha casa, disse uma vez que iria encontrar o Cartola. Eu era bem pequeno e disse para minhas irmãs que achei estranho ele falar que iria encontrar uma cartola. Elas riram e me explicaram, mas fiquei com aquele nome na cabeça. Então, em 1965, o Zé Keti disse que o Cartola formaria um conjunto integrado por compositores de escolas de samba. Como na época eu já compunha para a Aprendizes de Lucas, ele perguntou se eu queria participar, e eu, que já era fã do Cartola, disse ‘claro’. Então, o Zé Keti me apresentou a ele e digo que, naquele dia, apertei a mão do Cartola e não larguei mais”.

Foto: Ubirajara Dettmar (Folhapress)

Reverendo do samba

Entre as inúmeras homenagens a Cartola ao longo dos últimos anos
estão discos, shows e a recente celebração do Dia Nacional do Samba [2 de dezembro]

Em dezembro de 2018, Elton Medeiros, Monarco, Adriana Moreira, Yvison Pessoa e Moisés da Rocha comandaram a festa para Cartola no Sesc Pompeia. O show, que celebrou o Dia Nacional do Samba, foi realizado na comedoria da unidade e apresentou obras do compositor carioca, como O Sol Nascerá, Peito Vazio, Preconceito e Alegria.

A programação do Sesc se rendeu a Cartola em outras ocasiões. O CD Cartola foi relançado pelo Selo Sesc em comemoração ao centenário de Angenor de Oliveira, em 2008. Já na comemoração dos 90 anos do compositor, em outubro de 1998, um time especial de músicos reuniu-se para a homenagem num show no Sesc Pompeia: na direção e arranjos, o maestro Théo de Barros; no cavaquinho, Henrique Cazes; e vozes de Márcia e Elton Medeiros. Esse lendário show teve como resultado um disco. Em 2016, Emicida levou a releitura do disco Cartola para a unidade Belenzinho.

Adquira pelo Selo Sesc:


Em 1998, quando era lembrado o 90º aniversário do genial Angenor de Oliveira, Mestre Cartola (1908-1980), o Sesc de São Paulo lançou uma biografia do compositor, feita pelo saudoso jornalista e pesquisador Arley Pereira, e um CD gravado ao vivo no Sesc Pompéia, reunindo Márcia e Elton Medeiros interpretando clássicos do mangueirense com direção musical, arranjos e regência do maestro Théo de Barros.

No centenário de nascimento de Cartola, biografia e CD ganharam reedições. O disco, primoroso, traz Márcia e Elton Medeiros revivendo sambas como Tive Sim, AconteceAutonomiaO Mundo é Um MoinhoCordas de AçoNão Quero Mais Amar a Ninguém e Alvorada. As interpretações, belíssimas, ganham qualidade ainda maior graças aos arranjos primorosos de Théo de Barros. Reedição mais que oportuna.

Como adquirir o CD: www.sescsp.org.br ou em qualquer unidade do Sesc

Imagem da capa

A imagem de capa da edição de janeiro da Revista E é do curso Estamparia bogolan e adinkra: símbolos e narrativas da África Ocidental, que propõe apresentar ao público o estudo dos acervos gráficos dos bogolans e das estampas impressas do povo Ashanti, do Gana. Durante os encontros, a partir dos estudos teóricos em aula, os participantes construirão estampas para impressão sobre algodão, por meio da técnica de serigrafia manual. Com o artista e educador Celso Lima, de 17 a 31 de janeiro, no Sesc Vila Mariana.

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957 – Selo Sesc disponibiliza primeiros 16 álbuns do catálogo para audição por streaming
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1148 – Poemúsica, nono livro do compositor carioca, marca os 50 anos da trajetória de Paulo César Pinheiro

Obra lançada pela 7 Letras antecipa, ainda, os 70 anos de vida do autor de mais de 1,3 mil músicas gravadas por centenas de intérpretes. Outros títulos sairão até abril, mês do aniversário do ganhador de um Grammy Latino 

O Barulho d’água Música recebeu da Editora 7 Letras, estabelecida na cidade do Rio de Janeiro (RJ), um exemplar do novo livro lançado pelo poeta, compositor, romancista e teatrólogo Paulo César Pinheiro, pelo qual agradecemos ao amigo jornalista George Pãtino. poemúsica, conforme está grafado na capa, em letras minusculas, marca os 50 anos de carreira do autor de Canto das Três Raças (em parceria com Mauro Duarte), entre outras pérolas do nosso cancioneiro e apenas uma das mais de 1,3 mil composições gravadas por diversos intérpretes neste meio século ¹. O livro também antecipa as comemorações pelos 70 anos que Pinheiro comemorará em 28 de abril.

Conforme entrevista  concedida a Caroline Carvalho (do portal Eu, Rio) , o livro para o autor une o que ele sabe fazer de melhor: poesia e música. poemúsica tem uma centena de poemas, divididos em três seções, livres e sem limites em questão de matéria-prima. A seção poemétrica, a primeira, exprime a faceta mais técnica e lírica do autor, destacou Caroline, enquanto poemágica espelha seu lado mais leve, inventivo e lúdico, com neologismos e construções surpreendentes. Já poemística, completou a jornalista, explora os sentidos e reveses da alma, do simbólico, do que há de nebuloso em nós.

Neste ano as comemorações do 70º aniversário deverão ser embaladas pelo lançamento de outros dois livros, antecipou o Eu, Rio. Um de contos, cujo título será Figuraças, é inspirado nas crônicas que Paulo César Pinheiro fazia nos anos da década de 1970 para O Pasquim. O outro, também de poesia, vai se chamar Mil versos, Mil canções. O pacote do “Parabéns a você”! incluirá, ainda, um álbum com músicas inéditas, mais um documentário conduzido pelo próprio compositor.

A perspectiva de completar sete décadas de vida deixa o autor muito animado e com uma produção pra lá de afinada, observou Caroline ao reproduzir a declaração dele: “Tenho mais incontáveis livros na gaveta esperando edição. Todos escritos em cadernos de próprio punho. Pretendo publicar também minhas peças, Besouro Cordão de Ouro e Galanga Chico Rei, ambas dirigidas por meu queridíssimo amigo, recentemente falecido, João das Neves”. As letras em gaveta, pasmem, somam quase 1000 músicas ainda inéditas!

Sobre o documentário – uma produção da Terra Firme Produtora com direção de Andrea Prates e Cleisson Vidal e exibição exclusiva e inédita do Canal Curta –, Paulo Cesar afirmou: “Só aceitei fazer porque serei eu falando de mim, não há terceiros falando, o que me deixa mais confortável”.

Ainda segundo a entrevista, Paulo Cesar Pinheiro contou que nos jornais lia as colunas de Cecilia Meirelles, Clarice Lispector, Fernando Sabino, Drummond, Nelson Rodrigues, Antônio Maria, entre outras referências de peso. “Eu escreveria uma coluna sobre poesia. Poderia fazer até uma por dia, transcrever um poema e comentá-lo”, lembrou Paulinho, que também está atento às novas gerações por meio do seu perfil no Instagram @paulocesarpinheirooficial.

Grammy e Prêmio Shell

Nascido  no Rio de Janeiro em 1949, Paulo Cesar Francisco Pinheiro tem mais de 1.300 músicas gravadas por diversos intérpretes e 10 álbuns lançados, além de ser autor de trilhas para cinema, teatro e televisão. Publicou os livros de poesia Canto Brasileiro (Companhia Brasileira de Artes Gráficas), Viola morena (Tempo Brasileiro), Atabaques, violas e bambus (Record), Clave de Sal (Gryphus) e Sonetos sentimentais para violão e orquestra (7 Letras); os romances Pontal do Pilar e Matinta, o bruxo, além do livro de contos Histórias das minhas canções (os três pela Leya). É autor das peças Besouro Cordão de Ouro (vencedora do Prêmio Shell de Teatro 2006) e Galanga Chico Rei. Foi premiado com o Grammy em 2002 e recebeu o Prêmio Shell pelo conjunto da obra em 2003. Em 2016, gravou seu depoimento para a posteridade no Museu da Imagem e do Som, no Rio de Janeiro, e o segundo para a Casa do Choro, em 2017.

1 Estão entre os parceiros de Paulo César Pinheiro músicos como João NogueiraJoão de AquinoFrancis HimeDori CaymmiRaphael RabelloAntônio Carlos JobimIvan LinsEdu LoboMauro DuarteGuingaToquinhoEduardo GudinLuciana RabelloMauricio CarrilhoCristovão BastosSergio Santos, Moacyr LuzDanilo CaymmiBaden Powell, e Maria Bethânia.

Sua primeira composição foi aos 14 anos,  Viagem, em parceria com João de Aquino. Quatro anos depois, começou a destacar-se como letrista, estabelecendo parcerias com Baden Powell, principalmente na voz de Elis Regina – como sua primeira canção registrada, Lapinha“. Outras intérpretes marcantes foram Elizeth Cardoso, Simone e Clara Nunes, com quem foi casado de 1975 até a morte desta em 1983, e os conjuntos MPB-4 e Quarteto em CyEm 2002, foi premiado, juntamente com Dori Caymmi, com um Grammy Latino na categoria de “Melhor Canção Brasileira”. No ano seguinte ganhou o Prêmio Shell pelo CD O Lamento do Samba Em 2015, levou o troféu de Melhor Canção/ Compositores do 26º Prêmio da Música Brasileira  pelas composições em parceria com Guinga que Mônica Salmaso interpreta em Corpo de Baile, lançado pela Biscoito Fino, quase todas inéditas.

Em 1985 casou-se com a musicista Luciana Rabello, tornando-se seu parceiro em diversas composições. Este casamento lhe deu dois filhosAna Rabello Pinheiro e Julião Rabello Pinheiro, ambos músicos e parceiros do poeta.

1141 – Antonio Guerra e Silvério Pontes formam duo piano/trompete e lançam “Coração Brasileiro”

Álbum gravado pela Kuarup inaugura um novo caminho na trajetória do trompetista fluminense que se consagrou ao lado do trombonista Zé da Velha

A gravadora Kuarup, à qual agradecemos na pessoa de Rodolfo Zanke, enriqueceu o acervo do Barulho d’água Música com um exemplar do álbum Coração Brasileiro, recentemente gravado por Silvério Pontes, trompetista, e Antonio Guerra (Rio de Janeiro/RJ) ao piano; considero o disco como um presente do meu aniversário de 55 anos, neste dia 26/12, e estou curtindo de monte! Silvério Pontes  (Laje do Muriaé/RJ) já emplacou pelo menos 30 anos tocando ao lado do trombonista sergipano de Aracaju Zé da Velha e com este novo trabalho inaugura outra história musical, concretizando um sonho antigo de formar um duo neste formato, que proporcionou uma mistura harmoniosa de sensibilidade, com humor e alegria contagiantes que resumem uma brasilidade refinada!

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1085 – Canção do Amor Distante, de Ana Salvagni e Eduardo Lobo, celebra os sentimentos presentes na saudade

Disco gravado em 2016 rememora canções clássicas de autores como Tom Jobim, Dominguinhos & Anastácia, Paulo César Pinheiro, Adoniran e Elomar
Marcelino Lima

A redação do Barulho d’água Música, caso fosse o estúdio de uma emissora de rádio, só tocaria boa música, pois, diariamente, baixam em nosso boteco, enviados de várias partes do Brasil, álbuns excelentes. O mais recente e que estamos tocando agora é Canção do Amor Distante, que Ana Salvagni e Eduardo Lobo lançaram em 2016. O amor ausente deixa saudade e melancolia e é tema universal e atemporal encontrado em todas as formas de criação artística. A nostalgia, o amor e a tristeza presentes na “saudade” são elementos propulsores para o artista que, por meio de sua criação, pode dar forma e vazão a estes sentimentos que o atormentam, ainda que, muitas vezes, a canção gerada não seja, necessariamente, triste. Na canção popular brasileira o amor distante é cantado desde sempre, vestido de roupagem diversa, tantas vezes com leveza, despojamento, lirismo e refinamento. Além disso, o tema é valorizado pela grande riqueza melódica, rítmica e harmônica das composições, ao longo de todo esse tempo.

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1044 – Morte de Índio Cachoeira silencia os ponteios de um mestre que fugia de casa para ficar perto das violas

Músico querido por ex-alunos e ex-parceiros não resistiu às sequelas de um acidente de trânsito que sofreu em Alfenas (MG), onde o corpo foi sepultado após homenagens de entidades locais e da Prefeitura 

Marcelino Lima, com o blogue Brasil Festeiro, Primeira Página (São Carlos), Cidade Escola Alfenas e Graciela Binaghi

 

O universo da viola caipira mineiro, paulista e nacional está de luto, dos mais sentidos, desde quarta-feira, 4 de abril, quando — conforme costuma dizer Rolando Boldrin em momentos tristes como estes – bem antes do combinado foi se embora para outro Plano José Pereira de Souza, com apenas 65 anos! Pelo nome de pia, talvez o conheciam apenas os mais chegados, familiares e amigos que juntou enquanto esteve entre nós. O nome artístico, entretanto, o levou à fama que apenas poucos Josés conseguem alcançar — ainda mais no boicotado meio em que resolveu nos brindar com seu talento e virtuosismo. Estamos falando de Índio Cachoeira, agora mais uma estrela na constelação na qual já brilham, ora, sim senhor, Tião Carreiro, Gedeão da Viola, Angelino de Oliveira, Raul Torres, Renato Andrade, José Fortuna, Helena Meirelles, se não todos violeiros, com certeza ícones de tradições e de uma cultura que formam o perfil brasileiro; se fossemos fazer uma comparação com ídolos do círculo dos mais cotados da MPB ou de outras vertentes brasileiras, Índio Cachoeira seria, por exemplo, um artista da primeira linha, não menos que João Gilberto, Toquinho ou Guinga.

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