1242 – João Bá: uma dádiva que não se apagará, uma facho de fogo que seguirá apontando os caminhos a seguirmos

Poeta, cantador, compositor, ator, violonista, homem de bondade e de sabedoria irrefutáveis, agora transmutado em estrela, o Bacurau Cantante sobe para o Plano Elevado deixando um legado que o aproxima de São Francisco de Assis e o transforma em em sinônimo de Humanidade

Lidar com e aceitar a morte costuma ser para a maioria das pessoas um desafio, doloroso, sobretudo no hemisfério católico-cristão, que a associa à perda, ausência, fim. Pessoalmente e à medida que envelheço e ficamos mais próximos, venho tentando me esforçar para Encará-la como São Francisco de Assis a considerava, uma Irmã redentora; ao mesmo tempo, exercito o esforço pra internalizar a convicção kardecista que preconiza a reencarnação — ou seja, a volta do espírito que um dia abrigou um corpo à matéria, credor de novas oportunidades de aprendizado que o levem à evolução até que, ao final de um ciclo, mereça residir em alto grau de felicidade e perfeição em planos mais elevados e sublimes.

Esta reflexão, mais uma vez, alcança-me nestas últimas horas em que tentamos aceitar que o querido amigo, cantor e compositor João Bá foi brincar no mar — justamente ele, o  menino que nós todos que o conhecemos (e o amaremos sempre) assim julgávamos, e, brincávamos, de fato, seria: eterno, invencível, resistente ao passar do tempo, á chegada do inexorável definhamento e do esgotamento dos órgãos e da mente, aos tombos do palco, uma espécie de alma de sete gatos, de entidade que pairaria acima deste desfecho pela força de sua personalidade risonha, generosa, poética, lúcida, abundante em luz e em sabedoria.

Fui acordado pela companheira Andreia Regina Beillo nas primeiras horas da manhã da sexta-feira, 4, com a notícia da passagem dele, lá em Caldas (MG), onde residia. Ainda estava meio imerso nas brumas do sono e demorei a processar e a apreender a informação, mas enquanto sob o impacto do anúncio tentava por meus circuitos para funcionar, a própria Andreia já se corrigia afirmando, com um tom de gratidão: “Notícia triste, na verdade, não totalmente, porque, claro, embora o João Bá nos fará falta, neste instante ele deve estar feliz pela vida que teve e pelo que nos legou, repleta de amigos, de encontros, de contribuições para o bem e para a nossa cultura, notadamente a popular”. Era o momento em que depois de alguns segundos e incredulidade a minha ficha caía. Eu até concordei com a Andreia quanto a sua sensata observação, mas no mesmo instante não consegui conter um suspiro profundo e soltei um “puta, que merda!”

Não encontramos informações sobre a causa do encantamento, mas, de fato, acredito que isto pouco interessa, olhando pelo prisma da Andreia. Melhor mesmo (não por amarga resignação, mas por fé e maturidade), é perceber que João Bá seguirá sendo uma dádiva inesgotável, um mimo enquanto por aqui estivermos arreunidos, um facho de fogo candeeiro a apontar o caminho que devemos seguir trilhando: pela música, pela cultura popular, por nossas tradições, pela humanidade. Agora que ele é todo passarinho, deixemos que os do Alto o aninhem no lugar em que merece, já plenamente completo, encantando com seu jeito de baiano-mineirim quem por ventura Lá também tenha merecido pousar. E como ele mesmo dizia que no Céu não há marmelada, vocês conseguem imaginar a festa que estão fazendo entre as nuvens Pixinguinha, John Lennon, Elis Regina, Beethoven, Tom Jobim, Bibi Ferreira, Ariano Suassuna, Mário Quintana, Manoel de Barros, Marília Pêra, Bach, Villa-Lobos, Gonzaguinha e Gonzagão? Posso até ver o comunicado que São Pedro mandou Dércio Marques ler:

Em virtude da superlotação do nosso Teatro Celestial para a apresentação de boas-vindas do Bacurau Cantante, Jesus pede para avisar que promoveremos mais quantas sessões do show forem necessárias até que todas as almas que Aqui no Mundo Perfeito se encontram e queiram aplaudir nosso companheiro consiga seu lugar na plateia.”

Lido o comunicado, até Deus voltará inúmeras vezes à fila de entrada e, mesmo Todo Poderoso, tentará descolar selfies e autógrafos da atração após cada cantoria, ô, se vai!

Amigo carinhoso, alegre e de coração humilde

Fato raro quando o artista que morre é um João, mas Bá, não Gilberto, pelo menos um veículo da grande mídia nacional, o Correio Braziliense, tirou o chapéu para repercutir a viagem astral do cantador. Também a versão online do Correio do Sul, de Poços de Caldas (MG), informou o fato aos seus leitores, lembrando que em julho recente ele e o seu pupilo João Arruda, de Campinas (SP), participaram do projeto Composição Ferroviária, promovido naquela cidade mineira pelo casal Jucilene Buosi e Wolf Borges, e que teve, ainda, Déo Lopes em cena.

Uma das mais tocantes homenagens e lembranças, entretanto, foi escrita pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), que publicou a seguinte nota de falecimento em sua página virtual:

João Bá foi um menino que dedicou toda sua vida à cultura popular e ao povo brasileiro. Nascido no sertão baiano, em Crisópolis, Bá é filho de lavradores. Ele contava que começou a trabalhar ainda criança, quando caiu o primeiro dente. Seu pai decidiu que ele estava pronto para ir à lavoura. Foi ajudando a família que ele começou a observar a natureza, grande motivo de inspiração para toda sua obra.

Aos 12 anos ele também já era cantor e compositor. Durante a trajetória, compôs mais de duzentas músicas, gravadas por artistas celebrados no cenário popular como Hermeto Pascoal, Almir Sater, Diana Pequeno, Dércio Marques, entre outros. Mas para o coração do povo Sem Terra a principal gravação é O menino e o mar, realizada junto com as crianças sem terrinha de Itapeva (SP), para o CD Plantando Ciranda 3.

João Bá esteve presente em muitos momentos de luta e de construção da cultura do MST. Ele participou dos Encontros de Violeiros, do II Festival Nacional de Arte e Cultura da Reforma Agrária, do Encontro com o Saci, em São Paulo, dos Festivais da Reforma Agrária em Minas Gerais, sempre alegrando e colocando as crianças mais adultas para brincar com suas canções.

Observado pelo olhar carinhoso e atento do filho Danilo Marques Oliveira, João Bá em abril de 2015, quando fez apresentação no Sesc Interlagos, da cidade de São Paulo, voltando á ativa depois de meses de internação e recuperação de problemas urinários (Foto: Marcelino Lima/Acervo Barulho d’água Música)

A música de João Bá é expressão de poesia, vida, natureza e luta. Ele foi o pioneiro na construção do lugar protagonista da cultura popular, do sujeito povo, que como criador de cultura e nas suas composições, que ele mesmo definia como orgânicas, por serem ligadas organicamente à natureza. A estética simples, mas intensa, despertava o senso crítico e retratava a luta de forma sensível e simples. João nos deixa um legado de humanidade, de fazer artístico e olhar sensível. De falar da luta como se fala da vida.”

Este texto do MST deixa de forma inequivocamente clara qual foi a opção preferencial de João Bá enquanto esteve encarnado: ao lado do povo, dos humildes, dos explorados de toda sorte.

Outro singelo tributo veio do violeiro natural de Salinas (MG) e radicado em Belo Horizonte Joaci Ornelas, um dos muitos músicos com quem João Bá conviveu. Ornelas escreveu, em forma de poema, o texto que segue:

O encantado se encantou!

Era menino feito de passarinhos
de anuns, araras, andorinhas e bacuraus
Era feito de rios e correntezas
Jequitinhonha e São Francisco
de barco e leme
calmaria do igarapé…
Era feito de areia, de mar e estrelas
de arvoredos e de matas
de uruçus e borboletas
Era feito de cerrado e sertão
de vales, sertanias!.

Era feito de brisa e ventania
de versos e melodias
de João, José e Hermeto
de Rosa e Severininha
Era feito de sonhos
de esperança
da mais pura alegria

João… o encantado se encantou!

Também mineiro e violeiro, Gustavo Guimarães comparou João Bá a São Francisco de Assis, santo cujos maiores louvores são promovidos justamente no dia em que João Bá torna-se luz:

Hoje é mesmo um dia especial, dia que é lembrado pela passagem de São Francisco de Assis e dia que o nosso querido João Bá também segue a sua viagem em direção a uma nova vida.

João foi uma espécie de São Francisco para nós e para nossa cultura, um amigo carinhoso, alegre e de coração humilde, poeta, sábio e professor. Um homem cheio da presença de Deus, que sempre procurava colocar o amor acima de tudo. Obrigado e siga em paz João, vá menino, brincar no mar do amor de Deus. No coração tudo permanece.”

Vale a pena, ainda, reproduzir o artigo do Correio do Sul, que observou

João Bá (…) reunia diversos talentos artísticos, como atuar, contar histórias, cantar e tocar violão. Como violeiro, começou a participar de shows e festivais em 1966, como o Festival da TV Tupi, no qual teve uma de suas músicas, Facho de Fogo, como destaque do evento. A canção foi composta em parceria com Vidal França. Seu primeiro disco, Carrancas, trouxe diversas participações especiais, como Hermeto Paschoal e Osvaldinho Acordeom. Sua discografia é composta também por Carrancas II, Ação dos Bacuraus Cantantes, Pica-Pau Amarelo (e o último, Cavaleiro Macunaíma, com o qual em 2014 ele festejava 80 anos] ¹.

Soma mais de 200 composições musicais. Teve seus trabalhos usados na trilha sonora de documentários como Entre o Mar e o Sertão, de 2007, sobre Gláuber Rocha, e Nas Terras do bem-virá, de Alexandre Rampezzo. Três músicas do disco Pica-Pau Amarelo foram inseridas na coletânea italiana Aruanã, sendo que a faixa Bicho-da-seda também foi usada no documentário Sindicato Operário Bolonha (Itália). Entre outras participações, João Bá também subiu ao palco do Conexão Vivo em 2009, como convidado do grupo Lavadeiras de Almenara.

Se o mundo precisa redescobrir o significado da palavra Humano, que estudem João Bá”, escreveu o produtor do programa Sr. Brasil, Lenir Boldrin, sobrinho do apresentador Rolando Boldrin. “João Bá, em um mundo em que ouvimos e conhecemos o poder e a destruição que pode causar o ego, sempre comentei que foi nele que aprendi o que pode ser a força e o poder da humildade, a riqueza de ser gente, de ligar o verdadeiro elo da humanidade.”

João Bá também atuou no cinema como autor e foi protagonista da sétima arte em um documentário de 60 minutos da Itoby Filmes há pouco mais de três anos.

Leia outros conteúdos sobre João Bá ou a ele relacionados aqui no Barulho d’água Música clicando no linque abaixo!

https://barulhodeagua.com/tag/joao-ba/


¹Também integram a discografia de João Bá: 50 Anos de Carreira (2004), Aruanã – Amigos da Orchestra do Mundo(2005) e Amigo Folharal (2010). Comprar os CDs do João Bá é possível enviando mensagem para Nanah Correia pelo endereço virtual nanahcorreia22@yahoo.com.br.

http://www.itobyfilmes.com.br/equipe-fitipaldi-1

https://quadradadoscanturis.blogspot.com/2014/01/joao-ba-discografia-para-download.html

https://www.mst.org.br/2019/10/04/joao-ba-foi-brincar-com-as-estrelas-do-mar.html

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2019/10/04/

http://correiodosul.com/regiao/morre-aos-87-anos-o-cantor-e-compositor-joao-ba/

1234 – André Siqueira (SP/PR) lança SOLO, álbum que marca sua maturidade e traz cheiro de gente, cidade e mato

Às vezes com  simplicidade de caipira, às vezes com texturas mais densas, Pixinguinha, Chico Mário, Edu Lobo, Tom Jobim e Jacob do Bandolim são revisitados em álbum lançado pela Kuarup 

*Com TP1 (Todos por Um) Conteúdo

O compositor e multi-instrumentista André Siqueira (Palmital/SP) acaba de ver lançado pela produtora e gravadora Kuarup o álbum instrumental SOLO, quarto disco da carreira e que marca o reencontro dele com a própria trajetória, reunindo arranjos feitos ao longo dos anos para músicas presentes em sua e na memória afetiva de várias gerações. Além dos arranjos inéditos, SOLO traz uma variação de timbres graças à utilização de dois instrumentos parecidos, porém distintos: o violão de seis cordas e o violão barítono, ambos construídos pelo luthier londrinense Nilson De Mari. Um exemplar de SOLO, gentilmente enviado por Rodrigo Zanke, diretor artístico da Kuarup, já faz parte do acervo do Barulho d’água Música, pelo qual somos gratos ao amigo e toda a sua equipe.

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1228 – Francisco de Assis, álbum de Marcus Viana, presta tributo à santidade do monge que beijava doentes para curá-los

Músico belo-horizontino Marcus Viana é um dos mais inspirados e produtivos compositores da atualidade e neste trabalho reverencia o santo ‘pobrezinho’ que se tornou símbolo da afeição humana à natureza

Para abençoá-la e renovar os fluídos da casa, a audição matinal de todos os sábados começou neste dia 31 de agosto aqui no boteco do Barulho d’água Música, em São Roque (SP), com Francisco de Assis, álbum de 14 faixas do belo-horizontino Marcus Viana, um dos mais inspirados e produtivos compositores  da atualidade. O disco faz parte da Sonhos e Sons, distribuidora de Viana, e é a segunda edição que dá continuidade a um projeto iniciado em função da celebração aos cem anos da capital mineira, comemorados em 1997, e dos 1.000 exemplares do livro Francisco de Assis, de João Nunes Maia/Miramez, da editora Fonte Viva ¹. Francisco é o “bardo de Deus”, aquele entre todos o santo que seria o mais ligado à música e à natureza, cuja vida e obra permanecem como um farol no tempo, iluminando os homens ao longo dos séculos que se esforçam para a construção de um mundo fraterno, justo e integrado à natureza.

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1222 – Wilson Dias e Pereira da Viola relançam “Pote- A Melodia do Chão”, com poemas de João Evangelista Rodrigues, em Beagá (MG)

Rústico e refinado, disco produzido a partir de poemas de João Evangelista Rodrigues é um encontro de três mananciais que expressam com sensibilidade a alma sertaneja que temos, apesar dos avanços da urbanidade e da desconstrução das tradições populares

As tradicionais audições matinais que promovemos aos sábados aqui no boteco do Barulho d’água Música, em São Roque, aprazível cidade do Interior de São Paulo, começaram com o disco Pote – A Melodia do Chão, que o cantor e compositor mineiro Wilson Dias lançou em  outubro de 2010 em parceria com o conterrâneo Pereira da Viola, ambos violeiros, com distribuição pela  Sonhos e Sons, O disco é todo baseado em poemas do poeta das Alterosas e companheiro dos músicos, jornalista João Evangelista Rodrigues, e por ser tão apreciado pelos fãs e amigos do trio motivou um concerto de relançamento que a Picuá Produções programou para esta quarta-feira, 21 de agosto, a partir das 20 horas, no concorrido palco do Grande Teatro do Sesc Palladium, situado em Belo Horizonte (MG).

O texto de divulgação do show destaca que os três mineiros provêm de águas fortes e confluentes que brotaram, respectivamente, nos Vales do Mucuri, do Jequitinhonha e do São Francisco. As gravações começaram há dez anos e depois de gravado Pote é um projeto que continua florindo nos caminhos dos amantes da boa música de viola. No Palladium, a década será brindada com inigualáveis sabores daquelas poéticas águas sonoras, trazendo um convite para quem experimentou voltar a se deliciar à fartura e àqueles que ainda não os sabem saciar a sede. Como bons sertanejos que somos, te esperamos com água fresquinha no ‘Pote’”, disse Wilson Dias. Com seu humor e bom astral habitual, Pereira da Viola complementou: “Vai ser uma alegria astronômica, uma incelente maravilha que, se melhorar, vira rapadura!”

O CD  Pote pode ser definido como contemporâneo e primitivo. Rústico e refinado. Feito a mão. Modelado pela sensibilidade da palavra e conduzido pelo fio mágico dos acordes da viola. O Pote emerge da imaginação, dá asas ao sentimento e vivifica as coisas e objetos perdidos e ou esquecidos no sertão. O mesmo infinito e indefinido sertão de João Guimarães Rosa a um tempo íntimo, concreto e transcendental. Um sertão que todos somos ainda apesar das urbanidades e desurbanidades contemporâneas.

Em todas suas dimensões de utensílio, de arte, o pote é sagrado pelos segredos que contém e revela, por suas qualidades pictóricas. Um pote pode servir de sepultura, de túmulo, e isto só aumenta e valoriza seu potencial significativo. Sua transcendência. Em nada diminui, portanto, a magia de sua beleza. Quando animado pela poesia e pela música cria asas, canta e voa a feito de pássaro entre montanhas mineiramente latinas.

O disco é uma homenagem à palavra poética pela valorização da letra no processo de composição musical. É também um reconhecimento do trabalho de criação do poeta João Evangelista que, além da música, utiliza-se de várias linguagens e campos de conhecimento para expressão como filosofia, jornalismo, literatura e fotografia. Foi a intenção de destacar o papel da letra na construção da canção que orientou todas as etapas de produção do álbum, desde a composição, passando pelos arranjos, processo de gravação, interpretação, mixagem e concepção gráfica do encarte. É por isso que ao manusear e ouvi-lo pode-se perceber com todos os sentidos a intensidade e o sabor de cada palavra, de cada imagem, sua textura e visualidade.

Wilson Dias, João Evangelista e Pereira da Viola em uma das páginas do encarte

Pote é um verdadeiro cinema sonoro onde a música feita na viola revela as tonalidades de cada história. A palavra cantada torna-se palavra encantada. Música necessária e mágica, fruto de um encontro espiritual e artístico entre os três compositores. Uma trindade que só vem enriquecer a música feita na viola caipira, em Minas Gerais, instrumento que é patrimônio cultural imaterial do Estado. Por isso mesmo, está cada vez mais valorizada no complexo cenário musical brasileiro da atualidade e ganha uma nova aliada: a poesia que se mistura, de maneira equilibrada e harmônica, com o timbre e com a autêntica sonoridade do instrumento. Assim, tanto do ponto de vista temático, quanto musical e poético, pode-se dizer que há uma verdadeira sintonia criativa e estética.

A melodia do chão

 Pote, assim como o show, é marcante. Pode ser entendido como uma metáfora da condição do homem no mundo contemporâneo. Uma evocação do ambiente do mineiro a partir de uma visão crítica. Cercado de simbologia, um objeto real e mítico, que reflete a arte, a cultura, os valores, a religiosidade e as contradições da mineiridade. O pote guarda a água, símbolo da vida, ecoa a essência, marca o lugar e a passagem para o imaginário. Para um mundo real onde a poesia e a música, o sorriso e o diálogo, a prosa e a viola ainda são possíveis.

O Sesc Palladium fica na Avenida Augusto de Lima, 420 – Centro, Belo Horizonte. Para mais informações há o telefone  (31) 3270-8100

Ficha Técnica do espetáculo:

Pereira da Viola e Wilson Dias (voz e viola caipira e violão)/Wallace Gomes Pedro Gomes e Dito Rodrigues (violões)/ Gladson Braga (percussão)/ Daniel Guedes (percussionista)/ Técnico de som: Marcos Vinícios e Alan/ Técnico de luz: Túlio

Informações: Ingressos: Venda na bilheteria do teatro

Inteira: R$30,00/Meia: R$15,00 (Estudante, idoso, menor carente, menor de 21 anos, deficiente)

https://www.ingressorapido.com.br

Produção – Nilce Gomes/Telefone (31) 98515-7122 email:picuaproducoes@gmail.com

Assessoria de Imprensa:  Lilian Macedo/ Telefone (31) 99600-0651

Saibam mais a respeito e leiam outros conteúdos sobre Pereira da Viola e Wilson Dias no Barulho d’água Música clicando nos linques abaixo!

https://barulhodeagua.com/tag/wilson-dias/

https://barulhodeagua.com/tag/pereira-da-viola/

1108 – Wilson Dias (MG) lança álbum duplo “Nativo”, sétima obra da carreira, com relatos de suas origens e heranças

“Dentro dos discos há muitos sentimentos de bem-querer envoltos em melodias e versos”, revela o autor que subirá ao palco do Sesc Palladium cercado de filhos, irmãos e amigos da carreira que já soma mais de duas décadas

Neste 16/9, as tradicionais audições dos sábados pela manhã aqui na redação do Barulho d’água Música começaram com Nativo — sétimo disco da obra do mineiro Wilson Dias, cantor e compositor natural de Olhos d’água e, atualmente, radicado em Belo Horizonte (MG). Com direção da Picuá Produções Artísticas, o álbum duplo (um disco cancioneiro, outro totalmente instrumental) será lançado na quarta-feira, 19 de setembro, no Grande Teatro do Sesc Palladium, a partir das 20h30, coroando a maturidade do violeiro de 55 anos que “sabe de sua própria existência, aprendeu a partir de si e para consigo mesmo”, confirmando o pensamento do português Boaventura de Sousa Santos, como bem observou a conterrânea de Dias, Déa Trancoso. Nativo é, portanto, um autorretrato, o relato de origens e de heranças — ou ainda conforme Déa Trancoso definiu no encarte do álbum a “cartografia de um preto velho” – que tem o cuidado de inclusive trazer na capa a única foto existente na família de Antônio de Jesus e Dona Terezinha Dias, os pais do autor.

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1072 – Roda ao ar livre, em Beagá, comemora reconhecimento da viola como patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais

Patrimônio cultural imaterial é uma categoria definida pela Unesco que abrange expressões culturais e  tradições que um grupo de indivíduos preserva em respeito da sua ancestralidade para conhecimento das gerações futuras

Marcelino Lima

Os violeiros Chico Lobo, Pereira da Viola e Wilson Dias vão se apresentar, juntos, a partir das 19 horas da quinta-feira, 14 de junho, na Praça da Liberdade, em palco que será armado entre o Memorial Minas Gerais Vale e o Museu de Minas e do Metal da Gerdau, em Belo Horizonte (MG). A cantoria celebrará a análise pelo Conselho Estadual de Patrimônio Cultural de Minas Gerias (Conep) que — antes da roda de viola ao ar livre,  em reunião prevista para começar às 16 horas — analisará o Dossiê do Registro dos Saberes, Linguagens e Expressões Musicais da Viola em Minas Gerais para reconhecimento do instrumento como patrimônio imaterial do Estado. Com direção artística de Chico Lobo e produção da Viola Brasil, o show ao ar livre terá como convidados Letícia Leal, Gustavo Guimarães, o mestre e folião Seu Odorino e a Orquestra Estudo Viola de Betim.

Chico Lobo, Pereira da Viola e Wilson Dias são três dos mais populares representantes da viola caipira em Minas Gerais

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1033 – Em Beagá (MG), segunda rodada do projeto Viola de Feira terá Bilora e Letícia Leal

Picuá Produções Artísticas, estabelecida em Belo Horizonte (MG), promoverá em 25 de março a segunda rodada do projeto Viola de Feira, por meio do qual pretende fomentar e difundir a música de viola caipira oferecendo concertos mensais que transcorrerão no Centro Cultural Padre Eustáquio, abertos por Chico Lobo e Jéssica Soares em 25 de fevereiro. Durante as apresentações, ponteado por dois ases do estado, o instrumento de dez cordas será a maior atração. Em 25 de março, a partir das 11 horas, a honra de tocá-lo caberá a Bilora Violeiro e Letícia Leal. O local escolhido é estratégico, pois atende a toda a região Noroeste da Capital mineira; anexa ao Centro Cultural é promovida a Feira Coberta — tradicional evento e ponto de encontro de belo-horizontinos que, portanto, constituem ótima oportunidade para feirenses e público em compras entrar em contato com a verdadeira cultura de raiz.

O Viola de Feira contará com recursos da Lei de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura (projeto 288/2015), com patrocínio do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e Impacto Conservação e Limpeza Limitada, conforme os termos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Sempre no último domingo de cada mês, um violeiro receberá um convidado, de forma que se possa estabelecer entre ambos e a plateia vínculos culturais, estabelecendo, ainda, diálogos com a música brasileira. 

Para que a arte de pintar também faça parte do Viola de Feira, o cenário dos espetáculos será pintado pela artista plástica Marina Jardim durante a primeira edição do projeto. No local haverá mostra de produtos orgânicos do Armazém do Campo, espaço de comercialização permanente de produtos da Reforma Agrária, vinculado ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST),  fruto da arte de se trabalhar a terra. O projeto, portanto, possibilita um leque de opções, de encontros e trocas culturais, jogando um facho de luz sobre a cultura brasileira.

Campeão de festivais

Bilora nasceu em Santa Helena de Minas, cidade situada no Vale do Mucuri, pertinho da divisa com o Sul da Bahia e do Vale do Jequitinhonha. Naquela região teve estreito contato com manifestações da  cultura popular como folias, batuques, cantigas de roda, contradanças, festas juninas e cordéis, experiências que ajudaram a moldar seu perfil artístico. Atualmente, Bilora reside em Contagem, uma das mais importantes cidades das Minas Gerais                                                 

Formado em Letras, atuou por uma década como professor de Língua Portuguesa e de Literatura Brasileira. Por outros três anos, foi instrutor de Oficina de Música no interior  do Estado. É um dos compositores mais premiados em festivais da canção promovidos em municípios de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Bahia, Goiás, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Goiás: em sua estante de troféus conta-se mais de 140 peças. Entre os mais destacados, aponta o Canta Minas/95, no qual faturou com três prêmios oferecidos pela Rede Globo Minas, organizadora do certame. Bilora também venceu as duas edições do festival Canto das Águas de Três Marias/MG — em 2008 e em 2010 — e a edição 2005 do concorrido Fampop, promovido anualmente em Avaré (SP). Com  a música Tempo das Águas ficou em terceiro lugar no Festival da Música Brasileira de 2000, organizado pela Rede Globo. Em 2014 faturou o Festival de MPB de Ilha Solteira (SP), três anos depois de ser um dos selecionados pelo Projeto Música Minas Intercâmbio Internacional para shows em Buenos Aires, capital da Argentina.

 

A discografia de Bilora é formada pelos álbuns De Viola e Coração; Tempo das Águas; Nas Entrelinhas; e Balanciô— este mais recente com composições dedicadas à região natal e com participações da comunidade de onde nasceu, do filho Djavan Carvalho (Djah) e de índios Maxakali. O disco recebeu o Prêmio Rozini de Excelência da Viola Caipira como melhor de viola em 2013.                                                                          

Músicas de Bilora foram gravadas por variados músicos, grupos, corais e orquestras do país e algumas de suas composições enriquecem dezenas de álbuns coletivos. É um dos cinco ases do projeto VivaViola – Sessenta Cordas em Movimento, que é dos mais aclamados pela crítica e pelo público mineiros formado por ele, Wilson Dias, Gustavo Guimarães, Pereira da Viola e Joaci Ornelas. Quem segue o projeto Causos e Violas das Gerais do SESC/MG,  que percorre o Interior do estado de Minas Gerais, também conhece o valor do trabalho de Bilora, compositor que preza pelo valor poético de suas letras juntando-as ao universo da cultura popular e da viola caipira.

Versatilidade

A cantora, compositora e instrumentista Letícia Leal revela quando toca a viola como é possível inserir com majestade no cenário atual da música brasileira um instrumento que muitos podem considerar antigo. Do sertão à cidade, do clássico ao contemporâneo, com Letícia Leal a viola de 10 cordas transforma-se em meio no qual tantas vertentes do nosso Brasil se sobressaem: à música de raiz, ela acrescenta jazz, blues, folk, choro e música afro. 

 

Natural de Teófilo Otoni,  quem a vê pela primeira vez expressando tanto talento, versatilidade e destreza talvez desconheça que está diante de uma música que começou a tocar há menos de dez anos, conforme revelou a jornalista Thais Oliveira, na edição eletrônica de 22 de outubro de 2016 do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte. Letícia está preparando o primeiro álbum autoral, mas sem deixar de se dedicar à disseminação da cultura popular  — missão que abraçou em 2010. Entre os prêmios que já levou para casa constam o terceiro lugar do concurso de Melhor Violeiro realizado pela TV Globo Minas em 2012, dentre 815 inscritos. Brasil à fora, já se apresentou e subiu ao palco com expressivos nomes da música do Estado como Dona Jandira, Pereira da Viola, Fernando Sodré e Celso Adolfo. É integrante da Diretoria do Instituto Viva Viola, da Associação Nacional dos Violeiros do Brasil, coordenadora em Belo Horizonte e artista integrante do Dandô – Circuito de Música Dércio Marques, que em 2014 recebeu o Prêmio Brasil Criativo, do Ministério da Cultura.

1023 – Cantorias e viola caipira vão animar domingos em Beagá (MG), entre fevereiro e julho.

A Picuá Produções Artísticas, estabelecida em Belo Horizonte (MG), promoverá a partir deste mês seu novo projeto, Viola de Feira, por meio do qual pretende fomentar e difundir a música de viola caipira oferecendo concertos mensais que transcorrerão no Centro Cultural Padre Eustáquio. Durante as apresentações, ponteado por dois ases do estado a cada nova rodada, o instrumento de dez cordas será a maior atração. O local escolhido é estratégico, pois atende a toda a região Noroeste da Capital mineira; anexa ao Centro Cultural é promovida a Feira Coberta — tradicional evento e ponto de encontro de belo-horizontinos que, portanto, constituem ótima oportunidade para feirenses e público em compras entrar em contato com a verdadeira cultura de raiz.

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927 – Violeiro Levi Ramiro lança “Purunga”, novo álbum solo e nono da carreira

1-Vasilha feita com a casca de plantas cucurbitáceas.(cabaças)
2-Planta da família das Cucurbitáceas(Lagenaria Vulgaris).Porongo

Barulho d’água Música vem sendo embalado por novidades fonográficas recentemente lançadas, aprovadas com louvor e com mais dez pontos de bonificação nos testes de excelência da redação: nunca antes na história deste veículo ouvimos tanta música de qualidade, material de incontestável contribuição para nosso cada vez mais precioso acervo e que tem deixado o quarteto Pablito Neruda, Leopoldo Rogério, Maria Júlia e Abigail Cristina visivelmente felizes! A mais recente aquisição, enviada de Pongaí (SP),  chegou com o remetente Levi Ramiro, uma saudação particularíssima nos desejando saúde e paz e um “som purunguístico”. Purunga, álbum despachado no interior do envelope, é o nono da carreira do violeiro, compositor e artesão, um dos mais respeitados nas rodas da música caipira e regional. Mais do que gravar 17 inéditas músicas (entre as quais quatro instrumentais), Levi Ramiro procurou revelar aos amigos e fãs etapas da confecção de uma nova viola [neste caso feita de cabaça], ilustrando o encarte com fotos de Adriano Rosa nas quais aparece em sua oficina particular manuseando ferramentas e dando vida ao instrumento.

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850 – Joaci Ornelas (MG) lança álbum que evoca tradições e hábitos do lugar onde o dia chega mais cedo e o céu quase nunca escurece

O músico, compositor, violeiro e cantador Joaci Ornelas (Salinas/MG) está convidando amigos e admiradores residentes em Belo Horizonte (MG) e cidades da região para prestigiarem o concerto inaugural de No dizer do sertão, marcado para 15 de abril, a partir das 20h30. O álbum, segundo da carreira de Joaci Ornelas, será lançado na Sala Juvenal Dias no Palácio das Artes, onde trará pela primeira vez ao público o resultado de pesquisas, vivências e participações em atividades culturais de tradição de mestres violeiros, tocadores e foliões em comunidade rurais no vale do São Francisco que balizam o trabalho de composição do autor.

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